
Seguir o blog
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
PAÍS DE SANFONEIRO. VIVA CHIQUINHO DO ACORDEON!

domingo, 6 de novembro de 2022
HÁ 120 ANOS NASCIA CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
A frase aí é do jornalista, contista, cronista e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade.
Drummond, que nasceu no dia 31 de outubro de 1902, deixou uma obra de grande importância para a cultura literária brasileira. Preocupava-se com as questões sociais do seu tempo e não omitia-se nas questões de cunho político. Mesmo sem disputar nenhum cargo eletivo, tinha ampla visão sobre o que ocorria na Câmara e no Senado. E nas ruas. Em todo canto. Foi, aliás, chefe de gabinete do deputado Gustavo Capanema (1900-1986).
Capanema, que era mineiro como Drummond, foi o primeiro e mais longevo ministro da Educação (e Saúde Pública).
No livro Rosa do Povo (1945) Drummond aponta em versos os problemas reais que o Brasil vivia à época, incluindo os reflexos da 2ª Guerra Mundial.
O crítico austríaco Otto Maria Carpeaux (1900-1978), amigo do romancista surrealista Franz Kafka (1883-1924), classificou Drummond como “o poeta público”.
O primeiro livro de Carlos Drummond, Alguma Poesia, foi lançado à praça em 1930 por iniciativa dele próprio que bancou os custos editoriais para uma tiragem de apenas 500 exemplares. Fez o mesmo que fizera, em 1912, o paraibano Augusto dos Anjos.
Eu, de Augusto, teve tiragem igual ou inferior ao livro de Drummond.
Drummond é por muita gente considerado um modernista.
Em 1922, Carlos Drummond de Andrade tinha 20 anos e alguns textos publicados no jornal Diário de Minas, do qual seria redator chefe. Entre esses textos os contos se achavam Rosarita (1919) e Joaquim do Telhado (1922). Não eram grandes coisas.
No Meio do Caminho, publicado pela primeira vez na Revista de Antropofagia, ano 1 nº 03, SP, é este:
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Particularmente, eu gosto muito da obra de Carlos Drummond. Acho fundamental, pra quem gosta do que é bom, o texto De Notícias e Não Notícias Face a Crônicas. Esse texto eu o li por volta de 1975. Está no livro Reunião, cuja primeira edição data de 1969.
Também de extremo bom gosto é o poema A Máquina do Mundo, que se acha no livro Claro Enigma (1951), inspirado no último dos dez Cantos do épico camoneano Os Lusíadas (1572).
Drummond foi um autor múltiplo, de textos encantadores. Na poesia, nem sempre seguia a métrica. Gostava de versos livres, brancos. Era um prosador poético. Eu o entrevistei num dia qualquer de dezembro de 1979. O texto foi inserido numa edição especial do extinto suplemento Folhetim, do paulistano Folha de S.Paulo, que punha em discussão a literatura brasileira da década de 70. Saiu no dia 13 de janeiro de 1980.
Comecei falando da visão social e política que o mineiro Drummond tinha. Falei da sua passagem pelo gabinete de Capanema (governo Vargas; 1930 - 1945). Esqueci de dizer, porém, que ele teve uma passagem rápida pelas fileiras do Comunismo, cooptado que foi pelo Cavaleiro da Esperança, Luís Carlos Prestes. Lembro que perguntei a Drummond o que achava do Partido dos Trabalhadores, PT, que estava se formando. E ele: "Homem de partido é partido".
Uma vez no Pasquim saiu matéria dando conta de que Lula resolvera ler o poeta. Título: Estamos Salvos! Lula vai ler Drummond.
E não custa dizer: vários poemas de Drummond foram musicados e como tais gravados em disco. Num desses o clássico José na voz do pernambucano Paulo Diniz. A gravação original foi lançada em 1972, há exatamente 50 anos.
No ano do centenário de nascimento de Drummond foi inaugurado, em Copacabana, um monumento em sua homenagem. Em bronze. Os óculos que ilustram o monumento já foi roubado 13 vezes. A última em abril deste ano de 2022.
Carlos Drummond de Andrade morreu no dia 17 de agosto de 1987, no Rio.
Colagem do cartunista Fausto Bergocce.
sábado, 5 de novembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (52)
"Chega! Chega! Chega, Barrica! Essa confusão aí aconteceu quinta dia 3 passado", interrompeu por sua vez o botão Biu, irmão de Barrica. "O negócio tá feio, feio mesmo! No dia 30, dia da eleição, uma criança de 7 anos por pouco não morreu sufocada por um bolsonarista desclassificado", contou ainda tenso o botão Jão. "É, a coisa tá feia. O menino aí chegou a desmaiar e a ser levado às pressas para o hospital. Felizmente escapou, mas é coisa que não pode acontecer no nosso País", acrescentou o botão alagoano Zé.
"E em Jundiaí, hein?", perguntou contrariado Zoião.
"Em Jundiaí, estudantes foram atacados quinta passada por uns desocupados que fazem de Bolsonaro o seu deus", disse Mané.
Lá no seu canto, quieto, Zilidoro parecia matutar. Devagar, levantou-se. E com ar professoral, quase medindo as palavras, externou: "O Brasil escolheu Lula para nos governar. Lula chega e pega o nosso País esculhambado, ferido, respirando via tubos hospitalares. Mas, depois da tormenta, vem a calmaria. A paz".
Não tive como evitar, bati palmas. Você tem razão e a sua razão é a esperança que todos nós temos por um Brasil melhor. O Brasil vai melhorar sim! Sabemos que não vai ser fácil. É triste vermos brasileiros e brasileiras com opinião desbotada, sem rumo, sem fé... "São pessoas, seu Assis, que sofreram uma espécie de lavagem cerebral. Lembra do dito Maria-vai-com-as-outras?", disse Barrica.
Estou sentindo falta de alguém aqui. Onde anda Lampa?
"Lampa está no hospital desde a semana passada", informou Zilidoro. E eu: Mas por quê? O que foi que houve?
"Lembra, seu Assis, que quinta 27 o Lampa chegou aqui todo esbaforido chutando a porta e perguntando se aqui havia macho?", perguntou Zilidoro com ar de preocupação. E eu: Hmmm... Lembro. E ele: "Pois bem, ele chegou daquele jeito e deu-se mal: quebrou três dedos do pé direito. Além disso, ficou com a perna direita comprometida. O chute que ele deu na porta não foi brinquedo não".
"Mas ele está já completamente fora de perigo", informou Zoião com aquela cara de sei-lá-o-quê lambendo os beiços. "Lampa foi para o hospital, ficou três dias lá, recebeu alta e está em casa pagando pecado. Tem sentido muitas dores, mas comparando com a surra que levou dos bolsonaristas é fichinha", completou.
sexta-feira, 4 de novembro de 2022
TRISTE FIM DE NÃO SEI QUEM
Dentre as histórias de Barreto, destaque para Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Triste fim de Policarpo Quaresma e Os Bruzundangas.
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!
![]() |
| Fred Ghedini e Assis Angelo durante a entrevista |
ENTREVISTA
quinta-feira, 3 de novembro de 2022
GOLPE CONTINUA NO RADAR BOLSONARISTA
O golpe de Estado continuado vai entrar numa nova fase. De imediato, será provavelmente a contestação dos resultados eleitorais para compensar o fracasso dos golpistas em não terem conseguido os resultados que pretendiam com as múltiplas fraudes que praticaram. Depois, o golpe assumirá outras formas, ora mais subterrâneas com a utilização do crime organizado para intimidar as forças democráticas, ora mais institucionais com a mobilização desviante do poder legislativo para criar uma situação de permanente ingovernabilidade, nomeadamente com a ameaça de impeachment do governo eleito e dos quadros superiores do sistema judicial.
Pois é, não podemos fechar os olhos diante das manobras de Bolsonaro e seus "soldados".
Leia o texto completo do professor Boaventura de Sousa Santos, no clique: O golpe de Estado continuado
quarta-feira, 2 de novembro de 2022
O BRASIL TEM JEITO
Até agora o atual presidente da República não falou com clareza se aceita ou não o resultado das urnas, pró-Lula.
O seu lamentável silêncio sobre a questão inquieta a maioria dos brasileiros e brasileiras. Essa inquietação aumenta com o movimento dos caminhoneiros que ocupam mais de 150 pontos das rodovias federais. A respeito, disse ontem 1º o presidente Bolsonaro:
"Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população".
No decorrer do seu mandato, Bolsonaro e apoiadores radicais descumpriram várias vezes artigos da nossa Constituição. Por isso e por outras razões foram enquadrados em processos que ganham cada vez mais especificidade jurídica.
O movimento dos caminhoneiros contra o resultado das urnas já rendeu mais de 5 milhões de reais em multas.
Nas redes circula um vídeo em que aparecem policiais rodoviários de braços cruzados e até batendo continência para caminhoneiros bolsonaristas. Notícias dão conta de que a Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal, PRF, está apurando os fatos.
A coisa é grave.
Ontem 1º torcedores corinthianos fizeram o que até então a polícia rodoviária não havia feito: desbloquearam parte da marginal do Tietê, a via expressa mais importante da Capital paulista.
A atuação dos corinthianos fez-me lembrar do movimento chamado Democracia Corinthiana, iniciado há exatamente 40 anos (1982-1984) e liderado por Sócrates, Casagrande, Wladimir, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon.
O Brasil tem jeito.
Ah! Sim: E a Michelle, hein?
Tudo indica que ela parou de acompanhar as postagens do maridão.
Nesse angú tem caroço, diria minha sábia avó Alcina.
ADOÇÃO
Lula e sua mulher Janja, futuros ocupantes do Palácio da Alvorada, adotaram uma cachorrinha. Nome: Resistência.
ENTREVISTA
LIMA BARRETO, UMA HISTÓRIA DE BRASIL
terça-feira, 1 de novembro de 2022
O BOI NA CULTURA POPULAR
Em 1534, já havia bois pastando e dando duro na capitania de São Vicente, SP.
O português Martin Afonso de Souza foi o primeiro bam bam bam a dar cartas no que é hoje o município de São Vicente.
Foi em São Vicente que surgiu o primeiro engenho de moagem de cana no Brasil.
A Nova Guiné é a terra de origem da cana de açúcar.
São muitos os tipos de cana-de-açúcar. Para os especialistas, a cana caiana é uma das mais doces e resistentes à pragas.
Foi por intermédio de Martin Afonso que a cana chegou ao Brasil.
A força humana e a força bovina fizeram do Brasil Colônia o maior exportador de cana do mundo.
A contribuição dos animais bovinos para o sucesso do Brasil no exterior é, historicamente, imensurável.
Primeiro os bois foram atrelados a carros, carroças ou carretas em pares ou juntas.
O número de bois atrelados a carros foi se multiplicando rapidamente, à medida que o volume de cana ia aumentando.
Carros, carroças ou carretas chegaram a ser puxados por até 20 juntas de bois. Todos devidamente treinados para a tarefa.
No correr do tempo, os carros de boi, ou de bois, passaram a transportar das plantações os mais variados produtos: batata, milho, mandioca, café e tudo o mais. Inclusive, lenha. E não custa lembrar que o carro de boi foi também o nosso primeiro meio de transporte coletivo. Quer dizer, carregava
O carro de boi ainda se acha presente em alguns cantos do Brasil, principalmente no Nordeste.
Em 1889, ano da proclamação da República, o paraibano de Areia Pedro Américo pintou do seu ateliê em Paris o quadro tornado histórico O Grito do Ipiranga. Nessa obra, curiosamente, se acha um carro de boi e trabalhadores ao lado.
Muitas histórias derivadas do chamado "ciclo do carro de boi" entraram para o fantástico mundo da cultura popular.
O bumba-meu-boi ou boi-bumbá, calemba, mamão, pintadinho e outros mais, que são o mesmo bumbá, tem sua origem numa lenda segundo a qual havia numa fazenda do Maranhão um homem e uma mulher escravizados. Século 18. A mulher, grávida, morrendo de desejo pediu ao marido uma língua de boi para comer. Sem dinheiro, decidiu
roubar um boi do patrão. Matou o boi e tirou a língua, mas logo foi descoberto. Pra encurtar a história: o boi ressuscitou por obra e graça de um curandeiro. A mulher chamava-se Caterine, corruptela de Catarina; e o marido Francisco ou nego Chico.A festa do boi ou auto do boi é uma festa bonita, tanto pra quem encena e pra quem assiste. Essa festa continua espalhada no Brasil inteiro. E há uma discografia enorme sobre ela ou a figura do boi.
A 1ª música com título Carro de Boi é uma moda de viola de autoria Ariowaldo Pires e Orlando Palzone, gravada num estúdio da extinta Victor em maio de 1942. Os intérpretes dessa música são Palmeira e Piraci.
Ouça Luiz Gonzaga cantando Boi Bumbá, de autoria de Gonzaguinha:
Recomendo a leitura dos livros Ciclo do Carro de Bois no Brasil, de Bernardino José de Souza; e Boi da Paraíba de Rafael de Carvalho.
Bernardino de Souza (1884-1949) era sergipano e de profissões várias: jornalista, advogado, geógrafo e historiador. Chegou a ser ministro e presidente do Tribunal de Contas da União,TCU. Seu livro clássico sobre carro de bois foi publicado em 1958.
Rafael de Carvalho (1918-1981) era paraibano e ator de teatro e cinema.
Aquarela de Fausto Bergocce.
segunda-feira, 31 de outubro de 2022
LULA GANHOU. O POVO GANHOU. VIVA A DEMOCRACIA!
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
domingo, 30 de outubro de 2022
ZAMBELLI PEGA PRA CAPÁ
sábado, 29 de outubro de 2022
DUELO NA TV
Bolsonaro entrou ontem 28, à noite, com os cascos afiados nos estúdios da TV Globo não para discutir, debater, mas para brigar. Chegou gritando, afobado. Os olhos pareciam querer sair da cara. A boca, os trejeitos, afe! Começou perguntando a Lula se ele, Bolsonaro, iria mesmo cortar o 13º salário do trabalhador. E perguntou e perguntou e perguntou. Diante do silêncio, passou a agredir o concorrente à cadeira de presidente.
Dessa vez, ao contrário da vez anterior na Band, Lula evitou cair nas armadilhas do Coiso.
Muita baixaria da parte do Coiso.
Lula chamou o adversário várias vezes à discussão pertinente aos interesses dos eleitores, da população brasileira. Disse, lá pras tantas, que estava cansado de ouvir tanta besteira.
Bolsonaro chamou Lula de ladrão e corrupto o tempo todo e lá pras tantas disse que sua ida recente ao Complexo do Alemão foi resultante da negociação da campanha do PT com traficantes e chefes do tráfico. Nos bastidores, Bolsonaro foi de uma grossura incomparável com os repórteres. Chegou a bater boca com Fábio Wajngarten, da Folha.
sexta-feira, 28 de outubro de 2022
DOMINGO ESTÁ CHEGANDO. HOJE TEM DEBATE NA GLOBO
Eu quero
Fiel, firme e justiceiro
Capaz de nos proteger
Que do campo até à rua
O povo todo possua
O direito de viver
Quero paz e liberdade
Sossego e fraternidade
Na nossa pátria natal
Desde a cidade ao deserto
Quero o operário liberto
Da exploração patronal
Quero ver do Sul ao Norte
O nosso caboclo forte
Trocar a casa de palha
Por confortável guarida
Quero a terra dividida
Para quem nela trabalha
Eu quero o agregado isento
Do terrível sofrimento
Do maldito cativeiro
Quero ver o meu país
Rico, ditoso e feliz
Livre do jugo estrangeiro
A bem do nosso progresso
Quero o apoio do Congresso
Sobre uma reforma agrária
Que venha por sua vez
Libertar o camponês
Da situação precária
Finalmente, meus senhores,
Quero ouvir entre os primores
Debaixo do céu de anil
As mais sonoras notas
Dos cantos dos patriotas
Cantando a paz do Brasil.
quinta-feira, 27 de outubro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (50)
https://www.sjsp.org.br/noticias/fake-news-nao-e-noticia-desinformacao-nao-e-jornalismo-1d3e
quarta-feira, 26 de outubro de 2022
"MEU VOTO É 13!", DIZ STREAMER CASIMIRO
FAKE NEWS E STF
Assim que acordei vi a montagem tosca feita com o intuito de enganar o eleitor a uma semana do 2° turno. Repudio a utilização da minha imagem sem autorização para fins eleitorais e reafirmo minha posição de insatisfação com o atual governo. Como sabem, dia 30 meu voto é 13.
— caze (@Casimiro) October 23, 2022
ENTREVISTA
terça-feira, 25 de outubro de 2022
BRASIL DA CULTURA POPULAR
segunda-feira, 24 de outubro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (49)
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!
domingo, 23 de outubro de 2022
NORDESTINO VOTA EM NORDESTINO
E da Mitologia
Dos deuses do Olimpo
E da Democracia
Plantou em Diógenes
A flor da Anarquia
Diógenes era um doido
Diplomado em Poesia
Com sua lanterna acesa
Em pleno dia
Procurou mas não achou
No poder cidadania
Outras coisas ele achou
Mas não o que queria:
Um Ser que fosse honesto
A verdade sem fantasia
e um santo que falasse
Do valor da valentia
Valente é todo Ser
Que vive de teimosia
Que detesta injustiça
E a lei da "Mais Valia"
E não vou falar mais disso
Adeus, até outro dia!
UMA HISTÓRIA DE CARRO DE BOI E GENTE
No nosso Brasil rural
Os carros de boi vieram
Das bandas de Portugal
Já prontos pra transportar
Cana do canavial
Primeiro foi na Bahia
E depois em São Vicente
Os carros de boi moldaram
O gosto de muita gente
Mas hoje são só lembrança
Que guardo na minha mente
Nesses carros eu andei
e brinquei com alegria
Em um tempo já distante
Que lembro com nostalgia
No nosso Brasil querido
Tem beleza e fantasia
Quem conduz um boi de carro
Por tradição é carreiro
Por tradução é um craque
Chamado de Candieiro
https://www.youtube.com/watch?v=IQehVnx_fm8&t
Esse barulhinho aí é esquisito, não é?
Eu ouvi esse barulhinho quando era menino, e ele nunca mais saiu daqui da minha cachola. É o barulhinho do carro de boi chorando, gemendo estrada afora.
Qual menino do meu sertão não ouviu esse chorar e viu o lento rodar dos velhos carros de boi?
Sim, qual o menino que nunca viu isso?
Pois é. Dia de feira, dia de festa, de gente pra lá e de gente pra cá. De gente vinda de tudo quanto é lugar, numa agitação dos infernos! Gente gritando, rindo, moleque chorando, outros vendendo e comprando fosse o que fosse. E à distância, o carro de boi: oooooonnn... Comendo a poeira levantada pelo tropel dos cavalos.
Naqueles dias distantes da minha infância, lembro que tinha também os bebuns de plantão de boteco para quem os dias pareciam não passar.
Mas apesar disso, e por isso mesmo, o que fica pregado na memória é o chiadinho do carro de boi. Esse chiadinho que arrepia a alma, choroso, é diferente do choro de gente. É um choro chorado, dorido, diferente de tudo. Um choro que vem de lá de nem sei de onde.
Esse choro me entristecia, profundamente. Para ter tristeza e chorar num precisa ser frouxo, não. Cabra macho também chora.
Seu Nonô mesmo, que era raçudo e tinha lá nas costas uma penca de morte feita a bala e faca, um dia, escondido, eu o vi chorar. Aliás, até os bois choram. Choro demais chega a ferir o coração da gente.
Ah! Sim, todo mundo sabe: coração de sertanejo é duro de doer. É calejado, cheio de marca que nem seus pés e suas mãos. Notei isso quando cresci. Olha aqui as minhas mãos, tá vendo? Todas cheinhas de calo de tanto amargar o cabo da enxada de sol a sol. Doem. E os pés? Olha aqui. Tudo rachado que nem a terra seca à espera da água do céu que parece nunca vir. Por cá, por essas bandas, falta d´água mata gente e mata boi.
Pois é, coração de sertanejo não é mole, não. Quando dá de doer, seu moço, de machucar feito moenda com toras de cana ou aquelas maquininhas de repuxar agave, no muque, ah!, danou-se! E fique certo: o sofrimento é tanto que lembra dor de dente na hora do meio-dia, do pino, sob a danação da seca pesada. É de lascar o cano!
Por essas bandas tudo é triste. O nosso andar, a nossa fala puxada, o nosso riso, até o nosso espirro é triste. Pode reparar. Tudo é triste na gente. Menos a esperança. Ah! Essa, não. É tudo que nos resta... Mas que a nossa vidinha por aqui é braba, lá isso é. Daí a tristeza. Deus que me perdoe, mas acho que até ele esquece da gente. E né não?
Mas eu tava falando mesmo era dos carros de boi. Quando os carros de boi param, tudo para. Até o tempo. Eita tristeza danada é a falta do gemido, do choro inacoluto do carro de boi!... Eu sempre quis falar esta palavra: inacoluto. Nem sei o que é inacoluto, nem sei se existe, mas que é uma palavrinha bonita, hein? Lá isso é!
Essa história de carro de boi é triste, mas é bonita. Nem sei se pelo carro ou pelos bois. Para os meninos do sertão, o boi não é só um bicho trabalhador, não. É amigo, amigo mesmo! Boa companhia. Bem comparando, é que nem cão e gato na cidade grande. Mas um dia tudo se acaba. Nós, inclusive. E os bois. De morte morrida ou de morte matada, não interessa. Isso é detalhe. Quando o boi morre de morte matada, a sua carne é vendida no açougue. Que fazer? Das duas, uma: ou se morre de barriga cheia ou se morre de barriga vazia.
A cena do boi indo pro sacrifício é feia, o moço aí já viu? Ele adivinha que vai morrer, tanto que dos cantos dos seus olhos escorre lágrima. Pode ver. E numa rápida manobra, o carrasco, poft!, dá cabo à vida dele. Tem gente que disfarça, que olha de banda, que não quer olhar. Eu olhei e chorei, como muitos amigos meus, meninos do meu tempo, de calça curta, de um tempo que já vai longe, e como vai!
Jamais vou esquecer o boi entrando no matadouro, escorregando no sangue de outros bois e caindo pesado, num baque seco, surdo, sem um mugido sequer. O difícil, depois, é achar entre os corpos esquartejados a carne do boi de carro, de estimação, de brinquedo, do boi querido, do boi amigo, do boi quase irmão, do boi que virou calemba, bumbá, mamão. Do boi que virou lembrança, uma dolorosa e triste lembrança no mais fundo de nós.
Mas é essa a sina do boi. Depois de passar a vida toda puxando carro ou arando de sol a sol, morre pelas mãos assassinas do homem. Com Jesus também não foi diferente: veio para nos salvar e nós o matamos. Sem pena nem piedade.
Foi assim, é assim e será sempre assim. Não tem jeito. O homem é mau, o boi é bom.
O homem não nasceu pra se salvar.
Carro de boi
Boi de carro
Boi que cala
Seja no cipó
Seja na bala
É boi, é gente
É gente, é boi
Carro, boi, gente
A vida no sertão
Ai meu coração!
Gente e boi
Boi, gente
É tudo um pedaço,
Um pedaço que sente,
Que sente que vida
É suor, é semente
Seja boi de reis
Seja boi de carro
Seja boi calemba
Seja boi de carro
Seja boi-bumbá
Seja boi de mamão
Seja, meu Deus!
Bois do coração
É boi de cá
É boi de lá
Tudo é boi
É boi pra se amar
No sol e na poeira
Na subida e na ladeira
Segue o homem
Segue o boi
O carro puxando
Sobre pedra
Sobre barro
Ora aqui
Ora acolá
Sem nada reclamar
O carro, o boi, o homem
O homem, o boi, o carro
O carro geme a dor do homem
Que geme a dor do boi
Que puxa o carro do homem
Sem preguiça
Justiça!
Sem ódio
Sem rancor
Segue assim o homem
Andando, correndo
Comendo poeira
No silêncio do trabalho
Óh! Deus
Segue assim o homem o seu destino
A sua sina…
No cangote doido da vida Severina
https://www.youtube.com/watch?v=-A2RG0dNC68
sexta-feira, 21 de outubro de 2022
O QUE ORA VIVEMOS SÃO TEMPOS DIFÍCEIS
Já não são quinhentas mortes
Já não são quinhentas mil
A desgraça toma corpo
No coração do Brasil
Não são mortes naturais
As mortes de Silvas e Bragas
São mortes provocadas
Por vírus, pestes e pragas
Praga viva inda mata
Homem, menino e mulher
Mata completamente
Do jeito que o Bicho quer
Maldito Coronavírus
Que pega e mata gente
O Brasil está morrendo
Nas garras do presidente
Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!
quinta-feira, 20 de outubro de 2022
"VAMOS COM LULA PELO BRASIL!"
Perdia a noite, ganhava o dia
Foi fantasia seu enxoval
Nasceu Maria no Carnaval
E não lhe chamaram assim como tantas
Marias de santas, Marias de flor
Seria Maria, Maria somente
Maria semente de samba e de amor
Não era noite, não era dia
Só madrugada, só fantasia
Só morro e samba Viva Maria
Quem sabe a sorte lhe sorriria
E um dia viria
De porta-estandarte
Sambando com arte
Puxando cordões
E em plena folia
Decerto estaria
Nos olhos e sonhos
De mil foliões
Morreu Maria quando a folia
Na quarta-feira também morria
E foi de cinzas seu enxoval
Viveu apenas um Carnaval...
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão
Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval
quarta-feira, 19 de outubro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (48)
“A atual Constituição garante a intervenção das Forças Armadas para a manutenção da lei e da ordem. Sou a favor, sim, de uma ditadura, de um regime de exceção, desde que este Congresso dê mais um passo rumo ao abismo, que no meu entender está muito próximo" (1999)“O pau-de-arara funciona. Eu sou favorável à tortura” (1999)
“Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso” (2018)
Nessa avenida um samba
Popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar
Ao lembrar
Que aqui passaram
Sambas imortais
Que aqui sangraram pelos
Nossos pés
Que aqui sambaram
Nossos ancestrais
segunda-feira, 17 de outubro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (47)
POSTAGENS MAIS VISTAS
-
Coisas da vida. Zica Bergami, autora da valsinha Lampião de Gás partiu. Tinha 97 anos completados em agosto. O caso se deu ontem por volta d...
-
http://www.youtube.com/watch?v=XlfAgl7PcM0 O pernambucano de Olho da Agua, João Leocádio da Silva, um dos mais inspirados compositores...
-
Cegos e demais pessoas portadoras de deficiência, seja ela qual for, come o pão que o diabo amassou. Diariamente. SER CEGO É UMA MERDA! Nã...
-
Este ano terrível de 2020 está chegando ao fim, sem deixar saudade. Saudade é coisa que machuca, que dói. É uma coisa que Deus botou no mund...
-
Escondidinho de carne seca e caldinho de feijão antecederam o tirinete poético travado ao som de violas repentistas ontem à noite, na casa ...
-
Intriga, suspense, confusão, mentira, emoção atentado contra a ordem e a lei e otras cositas mas . O cantor, compositor e instrumentista To...







:quality(80)/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com/estadao/36FLXFPEQNCDTPD55WOGSMJ63A.jpeg)








