quem o critique por isso, mas quem o critica por isso precisa rever a crítica.LEIA MAIS: O VELHO QUE SABE TUDO
quem o critique por isso, mas quem o critica por isso precisa rever a crítica.![]() |
| Assis Ângelo e Paulo Vanzolini |
A População de humanos deste nosso planetinha já passa de 8 bilhões.
Diariamente nascem cerca de 200 mil pessoas e morrem a metade disso. Quer dizer, continuamos a nos multiplicar como disse Deus, na Bíblia.
E se não morrêssemos o que seria da morte, hein?
Desde tempos imemoriais rola na boca do povo, e em todas as línguas, histórias que põe a Morte como imorrível e sábia. Dela ninguém escapa, é claro.
Nas histórias contadas pelo povo sempre aparecem malandros querendo passar a perna na morte. E perdem, claro.
O escritor paulistano Ricardo Azevedo reuniu num livro quatro histórias originárias de Portugal. São ótimas. Começa com o personagem procurando padrinho para o seu sétimo filho. É pobre, afunhenhado. Numa estrada dá de cara com alguém que se identifica como Morte. Vira a madrinha do filho.
A segunda história adaptada por Azevedo e inserida no seu livro Contos de Enganar a Morte trata de dois jovens, um deles ganancioso e o outro tranquilo, pacato, trabalhador, de profissão ferreiro. E não vou contar mais a respeito.
Mas foi em histórias desse tipo que o escritor português José Saramago inspirou-se para nos presentear com o livro As Intermitências da Morte, publicado originalmente em 2005.
No livro, o fabulista Saramago cria um país onde, de repentemente, ninguém morre. E de repentemente as pessoas se multiplicam, se multiplicam, se multiplicam. Caos. As funerárias vão à falência, os hospitais ficam atulhados de pacientes que envelhecem e não morrem. Preocupado com a situação, o cardeal liga para o primeiro ministro dizendo que sem morte não há ressurreição e sem ressurreição não há igreja.
A morte se acha em todas as narrativas, em todas as histórias desde sempre. Desde que mundo é mundo.
Há histórias sobre a Megera, como também é chamada a Morte, no folclore de todos os países.
Lá pras bandas da Europa há história do Cavaleiro Sem-Cabeça. As versões da história desse Cavaleiro variam. Contam que o tal foi decapitado pelo próprio pai. Há filmes a respeito.
No Brasil, que é rico de histórias de Trancoso e tal, tem a Mula Sem-Cabeça. Teria surgido no Nordeste. Fala-se de uma mulher que fora amaldiçoada por Deus, ou sei lá por quem, pelo fato de envolver-se sexualmente com um padre.
Tem também a história de um certo Corpo Seco. No caso um cara mão de vaca e mau. Xingava todo mundo, batia em todo mundo. Canalha. Ao morrer a terra recusou-se a comê-lo. Não foi parar no Inferno e tampouco no Céu.

Há casos reflexivos no vasto manto do folclore nacional. O Negrinho do Pastoreio é um desses casos. Cenário é uma fazenda no Sul. O Negrinho do título deixa escapar um animal e por isso é punido pelo patrão, um fazendeiro maldito. Ele apanha e tem o corpo ferido num formigueiro onde fora posto. Ressuscita montado num bonito cavalo e, como herói da história, liberta as pessoas escravizadas pelo fazendeiro.
E o Saci-Pererê, hein? O Saci, nosso Saci, aparece pela primeira vez em histórias escritas num livro do paulista Monteiro Lobato.
Foi também Monteiro Lobato que deu voz em livro à Mula Sem-Cabeça.
Vale sempre a pena ler e reler as histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo.
Um dos mais queridos personagens folclóricos é João Grilo. Grilo é cheio de onda, esperto. Tira proveito de quem esbanja fortuna e tal. Esse conseguiu vencer a morte. Nessa façanha, teve a mão santa de Nossa Senhora. Provoca boas gargalhadas. Foi morto por um cangaceiro, mas retornou ao convívio entre os vivos. Rouba cenas da peça O Auto da Compadecida, que virou filme.
A população mundial continua se multiplicando. O número de pessoas que nascem é o dobro das pessoas que morrem.
No auge da pandemia o Brasil registrou a média de 7 mil morte/dia.
Nascem mais homens do que mulheres, os dados são do Country Meters.
No Brasil nascem cerca de 7.700 crianças diariamente, segundo o IBGE.
Mas e se não morrêssemos, o que seria da morte?
"Vinícius não matou-se. Vinícius estava se recuperando de um AVC e como consequência aconteceu o que todos nós não queríamos. Meu irmão, que estava hospedado no seu apartamento, no Rio, tentou ainda reanimá-lo, mas quando o médico chegou já não havia mais tempo. A primeira pessoa que notou alguma coisa estranha em Vinícius foi Rosinha, a cuidadora da casa. O resto é história".
"As pessoas precisam ter mais coragem para falar sobre isso. Precisam ter opiniões mais contundentes. O maior problema que se pode ter é perceber que se tem um problema que não está resolvido [...] Para mim, a arte é um processo de cura. Ela organiza a cabeça, expande o conhecimento. Lido com criatividade e preciso de equilíbrio e ausência de ansiedade. Ou você adquire isso ou não faz bem o seu trabalho"
No caso de um artista, podemos acompanhar esta constante presença da morte em sua obra, e Torquato não é exceção. A morte é uma constante em sua vida e obra. Ele já havia tentado se matar diversas vezes e cada uma era como um tributo à própria arte. Existe um ponto em que a criação artística torna-se de tal modo importante para a vida do artista que elas se confundem. Ela só existe por sua causa mas à medida em que sua criação se estrutura o artista se vê na posição contrária. Ele passa a depender da obra para existir tanto quanto ela depende dele para fluir. A morte aparece aqui como um tributo a ser pago à arte, uma experiência limite que permite ao sobrevivente o relato pleno de sua incursão pelos obscuros e perigosos caminhos do inconsciente.
Sua atividade criativa estava aquecidíssima e ele tinha inúmeros planos de futuro. "Experimentar" a morte era como encarar de frente aquela que o colocava constantemente numa cilada. O artista é aqui uma vítima voluntária da própria arte. Caso ele sobreviva terá em seu desenvolvimento artístico um salto qualitativo talvez apenas possível por ter tomado a opção do sacrifício. Um ritual que ressuscita, como o próprio corpo do sobrevivente.
Maria Chiquinha chegou a integrar o repertório da música infantil. Esse repertório incluiu títulos até da animação Shrek. Num desses títulos, a petizada canta: "Aqui em Duloc é tão bom viver/ Nossas regras já vamos lhe dizer/ No jardim não pisar/ Todos cumprimentar/ Duloc é especial/ Na cabeça shampoo, lave bem o seu pé/ Duloc é, duloc é/ Duloc é especial".
O carioca Dicró, de batismo Carlos Roberto de Oliveira (1946-2012), também deitou e rolou cantando em duplo sentido. Olha a Rima e Cama de Pau Duro. Como muitos, também brincou com a sogra. Humor puro e cheio de graça.
Na batida do samba estilizado tem o grupo Só pra Contrariar, que interpreta A Barata, de Alexandre Pires, gravado no seu primeiro LP (1993), que vendeu cerca de meio milhão de cópias. Putaria só, só. Nessa linha é também o sertanojo A Garagem da Vizinha, da dupla Sandro e Gustavo, que diz: “Lá na rua onde eu moro/ Conheci uma vizinha/ Separada do marido/ E tá morando sozinha/ Além dela ser bonita/ É um poço de bondade/ Vendo meu carro na chuva/ Ofereceu sua garagem…”.
E, claro, não dá pra esquecer das baixarias do grupo É o Tchan!
Além das letras picantes, É o Tchan marcou pela coreografia extremamente sensual. Era o caso de até fazer crianças saírem da frente dos aparelhos de TV. Coisa de "boquinha na garrafa" e tal.
O cantor Alípio Martins, paraense, também marcou época interpretando coisas de duplo sentido, falando de cornos e gays.
Rolando Boldrin tem uma parceria muito bonita com o bom baiano Tom Zé, A Moda do Fim do Mundo. Nessa moda, os dois falam da necessidade de recomeçar o mundo como tudo começou: um macho transando com uma fêmea. Pois, pois.
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| Gauguin, autorretrato |
Paul Gauguin (1848-1903) e Vincent Van Gogh (1853-1890)
A vida do pintor francês Paul Gauguin foi muito atribulada, cheia de altos e baixos. No começo teve a pintura como passatempo, enquanto ganhava a vida no mercado financeiro. Ao perder o emprego, passou a dedicar-se às artes plásticas. Viajou bastante. Era filho de um jornalista e de uma escritora feminista. Corriam os anos de 1880. Conheceu o holandês Van Gogh em Paris no ano de 1888. Chegaram a dividir ateliê em Arles. Desavenças entre os dois terminou em briga e em afastamento. Numa de suas viagens, Gauguin foi acusado e preso por desacato a militares. Morreu doente e preso numa cadeia de Atuona, Oceania. Van Gogh, antes de dar um tiro no próprio peito, pode-se dizer que morreu de depressão. Tinha mania de perseguição e isso fez com que cortasse um pedaço da orelha e o mandasse de presente num envelope para Gauguin. Deixou centenas de pinturas e desenhos, mas apenas um quadro conseguiu vender em vida. Assim mesmo através do irmão mais novo Theo,que morreria também poucos meses depois.Um quadro de Van Gogh, Cena de Rua em Montmartre, leiloado em 2021 pela Sotheby’s alcançou a cifra de 14 milhões de euros. Morreu pobre, aos 37 anos de idade.
A soteropolitana Astrud Gilberto, de batismo Astrud Evangelina Weinert despediu-se do mundo ontem 5 na Filadélfia, EUA, onde morava desde 1959. Sofria do coração. Deixou dois filhos, um deles, Marcelo, fruto da união com o cantor e compositor João Gilberto. Astrud e João ficaram casados durante cinco anos, de 59 a 64.
A carreira artística de Astrud começou nos Estados Unidos em 1963. Mais precisamente no dia 18 de março, dias antes de ser desencadeado o golpe que levou ao poder no Brasil os generais. Astrud foi a primeira cantora a gravar o samba balanceado chamado de bossa nova, Garota de Ipanema. Essa música, gravada em inglês, levou às paradas o LP Getz/Gilberto. Quer dizer, a soteropolitana Astrud morreu no ano que completou seis décadas de sua estreia em disco.
Muitos compositores brasileiros tiveram obras gravadas por ela. Entre essas Aruanda de Geraldo Vandré e Carlos Lyra; e Beach Samba, de Pery Ribeiro e Geraldo Cunha. Curiosidade: Pery foi o primeiro cantor a gravar Garota de Ipanema, num disco de 78rpm.
Detalhe lamentável: o nome de Astrud foi omitido do LP Getz/Gilberto e pela gravação ela recebeu míseros 120 dólares e menos de um ano depois o maridão cantor, papa da Bossa, a trocaria por uma das irmãs do Chico, Miúcha, com as mãos abanando e uma criança para criar.
Astrud Gilberto morreu no fim da noite de segunda-feira.
Ouça Astrud cantando Aruanda:
Geraldo Vandré compôs duas músicas com Carlos Lyra, Aruanda e Quem Quiser Encontrar o Amor. Aruanda é a primeira faixa do lado B do LP The Best of Astrud Gilberto (nas minhas mãos, foto acima). Ontem 5 estivemos numa prosa, cá em casa. Papo bom, solto, amigo. Minha filha Clarissa registrou o momento (ao lado).