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quinta-feira, 5 de agosto de 2021

TINHORÃO ERA DOS BONS

Assis, Tinhorão, Cilene,
Colibri e Davi

O cantor, compositor e instrumentista paraibano Vital Farias teve o seu nome nacionalmente reconhecido primeiramente pelo jornalista, historiador e crítico musical José Ramos Tinhorão. Isso em 1978. Detalhe: Tinhorão não gostava de ser chamado de crítico.
Vital telefonou há pouco para dizer da gratidão que tinha por Tinhorão. Na visão de Vital, Tinhorão foi um diferencial entre os jornalistas que escrevem sobre discos e músicas. 
A mesma coisa diz o compositor e instrumentista Osvaldinho da Cuíca, que um dia decidiu mergulhar no mar das pesquisas. De certo modo, para Cuíca, Tinhorão mudou sua vida. "Foi ele quem me chamou à atenção para a pesquisa musical", conta o instrumentista.
Muitos e muitos artistas brasileiros não esquecem a seriedade com que Tinhorão estudava a história brasileira, especialmente a história da música.
Lembro de certa ocasião em que Geraldo Vandré e Tinhorão discutiam civilizadamente sobre música popular. Foi aqui, em casa. Tinhorão perguntou a Vandré por que ele começou a carreira cantando e tocando bossa nova. Vandré disse que não, que não cantava ou tocava bossa nova. E rindo, Tinhorão cantarolou algumas faixas do primeiro LP de Vandré, lançado em 1964.
Era grande o respeito que Vandré tinha por Tinhorão.
Mas houve também artistas que tapavam o ouvido toda vez que o nome de Tinhorão era lembrado. Caso de Aldir Blanc (1942-2020), que chegou a compor uma música em parceira de Maurício Tapajós (1943-1995) depreciando o velho jornalista: Querelas do Brasil, gravada por Elis Regina (1945-1982).
Audálio, Tinhorão e as gêmeas
"Tinhorão era um doce de pessoa", lembra o cartunista Fausto.
O jornalista alagoano Audálio Dantas também dizia do respeito que nutria por Tinhorão. Idem as cantoras mineiras Célia e Celma: "Ele levava muito à sério a história do Brasil".
Num dia qualquer de 2016, os jornalistas Colibri e Cilene, mais o ator e câmera man Davi de Almeida, chegaram de repente a minha casa e surpresos deram de cara com José Ramos Tinhorão. Colibri logo o convidou para uma entrevista na Rádio que dirige, Brasil Atual. O papo foi longo.
Tinhorão era uma pessoa muito afável, muito alegre. Não tinha raiva, nem guardava mágoa de ninguém. Era brincalhão, espirituoso, cheio de onda. VOZ DISSONANTES 
E deixou frases clássicas como essas: "Tenho pena de não poder ter sido amigo do Tom (Jobim), porque ele era um bom sujeito, coitado. Só que pensava que fazia música brasileira e fazia música americana".
Em 2002 convidei Tinhorão para participar do programa São Paulo Capital Nordeste,  que durante anos apresentei na Rádio Capital 1040 AM. Ele foi. Na ocasião, vários artistas ficaram espantados com a sua presença. Fagner foi um desses. E pra minha surpresa, li texto que ele escreveu a respeito do meu programa: Ainda não está tudo dominado. Também prefaciou um livro meu, sobre Luiz Gonzaga: Eu vou Contar pra Vocês.
É isso. Dizer mais o quê? 
 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

TODA PERDA É LUTO. ESTOU DE LUTO

 
Tinhorão, Assis Angelo e Téo Azevedo no Instituto Memória Brasil

Eu tive dois grandes professores: Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) e José Ramos Tinhorão (1928-2021). 
Aprendi, aprendi muito com eles.
Cascudo me apresentou o Nordeste como ele é e Tinhorão, a história do Brasil a partir da nossa música popular. Como ela é.
O Brasil é o 5º maior país do planeta, territorialmente e populacionalmente falando.
Somos um povo que vive num lugar sem terremotos e tsunamis.
Somos um povo simples e trabalhador.
Somos um povo de gênios, em todos os cantos da vida cotidiana. E multifacetado.
Fiquei triste, muito triste quando Cascudo partiu para a Eternidade.
Também fiquei triste quando Tinhorão partiu para a Eternidade.
Perdi meu pai e minha mãe há muito tempo.
Eu era menino de calça curta quando os meus pais partiram. Ele Severino, ela uma Maria.
O luto faz parte da minha vida. Até parece que o luto me persegue: além dos meus pais, perdi irmãos e muita gente querida. E agora lá se vai Tinhorão.
Toda perda é luto.
Fiquei de luto quando perdi o par de olhos que iluminava a minha cara redonda de nordestino desembestado na vida.
Maria Rosa, aposentada historiadora da USP e companheira de Tinhorão por muitos anos, telefonou-me para falar do sucedido.
Tinhorão sofreu um AVC no domingo de 27 de janeiro de 2019. Dois dias antes, ele esteve comigo bebericando vinho. 
"Ele sofreu muito, antes de morrer", disse-me Maria.
Tinhorão morreu num hospital do Alto da Lapa, SP.
Pra muita gente, ele era um intelectual raivoso. Não era. Quem privou da sua amizade sabe disso. Na verdade, na verdade, ele era um tremendo brincalhão.
Um dia, Tinhorão chegou cá em casa dizendo que estava cansado da vida. "Acho que estou ocupando espaço alheio", disse. E disse sério. Acrescentando: "Ser velho é uma merda!".
Tinhorão era ateu.
A obra desse brasileiro é importantíssima, toda desenvolvida pelo viés marxista-leninista.
Tinhorão dedicou todo o seu tempo a entender e explicar o Brasil, para brasileiros. Houve momentos que sofreu com isso, sofreu por sentir-se incompreendido. Muito.
Chamavam-no de crítico musical. Ele não gostava disso. "Eu sou um historiador", disse-me mais de uma vez.
Tinhorão acreditava no povo e na força do povo. Casou-se com a filha de um general... Não deu certo. Um dia disse à mulher: "Eu vou ali à padaria e volto já". E não voltou. 
Eu conheci José Ramos Tinhorão num dia qualquer de 1976 ou 1977. No tempo em que morava numa kitnet da rua Maria Antônia, centro paulistano.
Viramos amigos, desde então.
O tempo passou e surpresas o tempo me deu. Fiquei cego, dos olhos. Só dos olhos. Ao saber disso, Tinhorão ficou mais perto de mim. E eram boas as horas que passávamos conversando, trocando ideias. "Você é um menino", provocava. E rindo, "O que vamos ler hoje?". E aí pegava um livro, dentre milhares que há aqui em casa, e lia. 
Tinhorão e Fausto, no Instituto Memória Brasil
Às vezes ele trazia livros de casa para ler para mim. Revistas, às vezes.
Cá em casa foram muitas as vezes que a Tinhorão apresentei pessoas, como Geraldo Vandré e Audálio Dantas. E tanta gente.
Certa vez, numa discussão agradabilíssima, Vandré tentou negar ter sido bossa-novista. Tinhorão riu. E explicou cantando várias músicas do repertório do primeiro LP do autor de Pra Não Dizer que Não Falei de Flores. Ao fim, rimos todos.
Lembro de Tinhorão ouvindo atentamente o mineiro Téo Azevedo tocando viola e cantando, cá em casa.
Lembro também de Tinhorão ouvindo atentamente o cartunista Fausto. E Fausto encantado, dizendo: "Que alegria lhe conhecer, Tinhorão".
Muitas e muitas são as histórias que tenho com Tinhorão. 
Em agosto de 2015, recebi um colega do Estadão para falar coisas. Lá pras tantas, chegou Tinhorão. Era uma sexta-feira. Por favor, leiam: Depois de ficar cego, Assis Ângelo luta para digitalizar acervo
É isso. 
Ah, sim! Ia me esquecendo: meu amigo, minha amiga, você já ouviu Querelas do Brasil? Clique:

LEIA MAIS:

TINHORÃO É MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI

terça-feira, 3 de agosto de 2021

ADEUS, TINHORÃO

 

José Ramos Tinhorão partiu, mas deixou uma obra necessária para quem quiser conhecer a história da música e do Brasil.
Nascido em Santos, SP, José Ramos era formado em Direito e Jornalismo.
Começou a carreira de repórter como freelancer do Diário Carioca, em 1951.
Foi amado e odiado.
Quem amava Tinhorão, amava de verdade.
Quem odiava Tinhorão, odiava de verdade.
Certa vez lhe perguntaram o que achava da bossa nova. Uma bobagem, disse. E acrescentou: "O ritmo dessa bobagem é um pingo de chuva".
O "iê, iê, iê" era para Tinhorão, uma tradução mal feita do rock. "Uma coisa de otário, para otário", definiu.
Tinhorão foi o segundo jornalista que conheci quando troquei João Pessoa, PB, por Sampa. O primeiro foi o alagoano Audálio Dantas (1929-2018). À época, presidente do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo.
A última vez que eu e Tinhorão nos encontramos foi na tarde do dia 25 de janeiro de 2019. Morávamos perto. Eu na alameda Eduardo Prado e ele na alameda Barão de Limeira, Campos Elíseos, SP. Ele costumava vir na minha casa (fotos acima) todas as quartas e sextas. Vinha bater papo. Vinha me distrair, especialmente depois que perdi a visão dos olhos.
Antes, dois dias depois de vir à minha casa, sofreu um AVC que o prostrou na cama até hoje 3, logo depois das 15h.
Tinhorão morreu cego.

LEIA MAIS:

domingo, 1 de agosto de 2021

VOTE BEM, VOTE JORGE RIBBAS!

O músico pernambucano Jorge Ribbas está participando do Festival Rádio MEC.

São muitos os concorrentes ao festival. Detalhe: os internautas podem influir na escolha dos melhores participantes. Para tanto, basta clicar: https://radios.ebc.com.br/festival-de-musica-radio-mec/2021/07/votacao-semifinal-festival-radio-mec-2021 

Sobre Jorge Ribbas, leia: https://assisangelo.blogspot.com/2019/07/o-rock-tem-cronista-jorge-ribbas.html

https://assisangelo.blogspot.com/2019/07/jorge-ribbas-uma-historia-cidada.html

CEGUEIRA COMO PAUTA

Até agora, o radialista Carlos Sílvio entrevistou dois jornalistas cegos: Eu e Filipe Oliveira, 32 anos.

A entrevista com o menino Filipe foi feita ontem 31, ao vivo, no programa Paiaiá na Conectados. Durou 55 minutos.

https://www.youtube.com/watch?v=0zxZVgHmPbY&t=550s

Foi uma bela entrevista. Natural. leve.

Começou com o apresentador falando da vida pregressa do entrevistado. 

A primeira pergunta tratou de sua infância. 

Depois, a entrevista ganhou corpo com diversos temas postos à mesa. E Filipe, falou, falou, falou. Bonito e rindo. Sempre rindo. Disse do seu interesse pela vida, pela profissão, pelo conhecimento. È também músico. Pianista. 

Disse que sua cegueira tem aumentado no decorrer do tempo. 

Filipe chegou a fazer tratamentos específicos, em Cuba e tal.

Chamou-me a atenção o fato de Filipe falar pouco sob sua condição de deficiente visual. Contratado pela jornal Folha e São Paulo é titular do blog semanal Haja Vista.

Segundo dados da ONU, a cada minuto uma pessoa fica cega no mundo. 

No Brasil, o IBGE até agora não nos deu dados relacionados à questão. Fala de quinhentos e não sei quantos mil, 1 milhão, sei lá!

Há pessoas que nascem cegas, outras não.

Eu nasci vendo e agora já não vejo. 

Para meu problema, houve uma explicação: descolamento de retina.

No começo, não foi fácil encarar a situação.

Submeti-me a nove cirurgias, a maioria no HC.

Foi terrível, principalmente na hora que os especialistas me deram a notícia de que pra meu caso, não há solução.

Meu mundo caiu, como na canção de Dolores Duran. Só que no meu caso, a questão não era de amor. Era de dor profunda na alma. 

Os anos passaram e eu renasci, revivi. 

Estou-me reinventando e a minha vontade maior, agora, é levar avante um programa pra tv. Título: Visão Cidadã. 

Já andei falando sobre esse projeto.

Leia:

https://assisangelo.blogspot.com/2021/04/j-aborta-tema-o-deficientes.html

Filipe Oliveira é paulistano do bairro da Bela Vista.

Ia-me esquecendo: há pouco ouvir uma belíssima fala do filósofo Clóvis de Barros. 

Clóvis é jornalista e filósofo, perdeu um olho e agora corre o risco de perder o outro. Ele fala isso com toda naturalidade do mundo. Paulista de Ribeirão Preto, 55 anos. Confira:

https://www.youtube.com/watch?v=0zxZVgHmPbY&t=550s




BRÁULIO TAVARES
O paraibano Bráulio Tavares é  próxima entrevista de Carlos Sílvio. Amanhã, às 20h30.
Bráulio é um curinga da cultura popular brasileira. Sobre o assunto, sabe tudo e mais um pouco. Como se não bastasse, ele faz poesia e música. É bom de papo.
Não percam.

sábado, 31 de julho de 2021

NOSSA LÍNGUA, NOSSA ALMA

 Depois de quase seis anos em obra, o museu da Língua Portuguesa volta a ser reinaugurado.

A solenidade de reinauguração ocorreu hoje e amanhã 1° será aberto à população. O museu da Língua Portuguesa, instalado no complexo da Estação da Luz, SP, foi engolido pelo fogo na madrugada de 1° de dezembro de 2015.

O incêndio engoliu tudo, incluindo um bombeiro que lutava contra as chamas.


É de grande importância esse museu. Ele conta a história da nossa língua e de línguas que influenciaram a língua portuguesa.

Convidados, os ex-presidentes FHC e Michel Temer compareceram e falaram a respeito da nossa língua. Lula e Dilma declinaram do convite. Bolsonaro, preferiu brincar de motociclista no interior de São Paulo.

Nove países falam português, entre os quais Angola e Moçambique, que herdamos de Portugal.

Eu estive na solenidade de entrega da área onde se acha o museu. À época eu estava à frente da assessoria de imprensa do Metropolitano. 

Também estive na reinauguração do museu, mas não estive hoje na sua reinauguração.

O Brasil está de parabéns por ter uma museu tão importante.

No calendário oficial de comemorações, há um dia especial para lembrarmos a importância da língua que falamos, 5 de maio.


BARONCELLI, UM CRAQUE DA TECNOLOGIA

O radialista baiano Carlos Sílvio continua emplacando boas entrevistas no programa Paiaiá na Conectados, feitas ao vivo pela internet. Leia-se Youtube.

Durante a Pandemia que ora maltrata a humanidade Sílvio já entrevistou mais de 260 personagens, muitos das quais do meio cultural e jornalístico. Seu entrevistado mais recente foi o jornalista paulistano Wilson Baroncelli.

Baroncelli, editor executivo do news latter Jornalista & Cia, falou de sua vida pessoal e da sua vida profissional. Disse, por exemplo, que a tecnologia veio pra botar de ponta cabeça o jornalismo mundial. E que nesse área se considera um craque. Lembrou também dos grandes jornalistas como Zuenir Ventura, Jânio de Freitas e José Hamilton Ribeiro, "um exemplo de jornalista". Ressaltou a importância de Samuel Wainer (1910-1980) e Audálio Dantas(1929-2018).  Disse que nasceu no bairro da Bela Vista e, antes do jornalismo, chegou até a trabalhar em instituições bancárias.

Foi uma bela entrevista.

Confira:


FILIPE OLIVEIRA
Daqui a pouco o radialista Carlos Sílvio  entrevistará o jornalista Filipe Oliveira, paulistano de 37 anos. 
Filipe, deficiente visual, falará da sua experiência profissional no jornal Folha de São Paulo, onde mantém a coluna Haja Vista.
Se eu fosse você, não perderia essa entrevista.
No ar, ao vivo, às 20h30.
Link: https://www.youtube.com/channel/UCW7gLoeaKwZ9jy6c3KQjWfw

JORNALISMO QUE NÃO SAI DE MODA

No começo do século XX, o jornalista João do Rio emplacou vários furos de reportagem no jornal Gazeta de Notícias.
João, não à toa o criador da reportagem, subiu e desceu morros e lugares outros nunca frequentados por intelectuais ou repórteres.
A prática de furos nunca ficou de lado.
O repórter João do Rio morreu no dia 23 de junho de 1921. O newsletter Jornalista e Cia publicou edição especial a seu respeito. Clique.
Nos tempos atuais, os jornais Estadão, Folha, O Globo, a rádio CBN e programas de TV como Jornal Nacional e Fantástico têm abastecido a curiosidade dos leitores, ouvintes e telespectadores. 
A podridão do governo Bolsonaro têm sido escancarada quase todos os dias. Isso é bom para os brasileiros e a própria democracia. 
A história do jornalismo brasileiro e mundial é recheada de furos. 
Na segunda parte dos anos de 1960, o repórter José Ramos Tinhorão brindou aos leitores uma belíssima entrevista com a viúva do Marechal Hermes da Fonseca, Nair de Teffé. 
Eu mesmo realizei vários furos de reportagens. 
Furo de reportagem é uma reportagem exclusiva ou uma entrevista igualmente exclusiva. 
É isso. 
Terça 27 o radialista Carlos Sílvio levou ao ar uma ótima entrevista com o repórter norte americano Ken Silverstein. 
Silverstein é repórter investigativo. Já foi correspondente do Brasil para jornais estrangeiros. Uma vez lhe perguntaram, qual é o seu lado? "Não tenho lado", respondeu o jornalista. Confira a entrevista completa: 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

O BRASIL FAZ BONITO NO JAPÃO




Os jogos Olímpicos sempre encantaram o mundo, desde tempos anteriores a Cristo. 
Os tempos de hoje são enriquecidos ainda por esses jogos, pelas apresentações dos atletas concorrentes. 
Isso tudo é muito bonito, visualmente. 
A nossa sociedade, a sociedade mundial, é rigorosamente visual e preconceituosa. 
Sofro com isso. Eu e milhões de cegos espalhados por aí afora. 
Os apresentadores de TV não narram para cegos, narram para eles próprios: os visuais. Os jogos, esses jogos, continuam encantadores. 
Orgulho-me ao saber da vitória dos nossos irmãos brasileiros. Emocionei-me ao "acompanhar" os movimentos de Ítalo Ferreira (Ouro); Rebecca Andrade, Raissa Leal, Kelvin Hoefler (Prata); Fernando Scheffer, Mayra Aguiar, Daniel Cargnin (Bronze). 
Pra chegar ao podium, não é fácil. Principalmente quando se trata de atleta brasileiro, que não costumam receber apoio oficial. Ao contrário da China, Japão e EUA, cujos governos tratam os esportes e esportistas com todo carinho possível. 
No Brasil, a luta de todos é hercúlea. 
Até agora, dentre os sete medalhistas, há duas meninas e dois meninos de origem negra, e pobres. Quer dizer, a história se repete. 
É preciso muito esforço e esperança pra que se concretize destaques entre os mais de cinco mil atletas que participam dos jogos em Tóquio. 
E o cartunista Fausto, hein? 
Será que o Fausto está disputando ouro no Japão?
Esse Fausto é de ouro.

Leia mais: 
https://assisangelo.blogspot.com/2016/08/faltou-baiao-no-maracana.html
https://assisangelo.blogspot.com/2016/08/olimpiada-e-feijoada.html

EU E MEUS BOTÕES (2)

Por onde vocês andaram, perguntei a meus botões: Zé, Mané, Biu, Lampa, Barrica, Zilidoro e Zoião.
Barrica, que é chegado a um bom mé, fez hic e disse: "Tenho andado quieto, sem ter o que fazer". 
Os outros botões, quase ao mesmo tempo, disseram: "Você nos abandonou e nos enfiou no armário".
É verdade, com esse frio que tem assolado nosso São Paulo, obrigou-me a trocar a camisa por vocês habitada por uma blusa de lã... "Sem botão, você é muito individualista", acusou-me Zilidoro. Fazendo coro, seguiram-se Barrica e Biu. 
Barrica e Biu são irmãos gêmeos. Tem não sei quantos anos e uma cara safada de dar raiva. Ao mesmo tempo, disseram: "Na próxima vez que nos abandonar, nós é que lhe abandonaremos". Retruquei, tá bom, tá bom.
E joguei a eles uma provocação: "O que vocês acharam da última live do presidente?".
Lampa foi o primeiro a falar: "Eu já não aguento esse cara, estou amolando meu punházinho...". Ao ouvir isso, Zé gritou: "Já já ele vai ver!". 
No Nordeste, quem diz que "você vai ver, você vai ver...", está ameaçando. Eu hein!
Quando já estava enfiando meus botões nas suas casas, ouvi Zoião falar: "O Brasil tá cheio de político safado e esse aí (Bolsonaro) é dos mais pior". 
Despedindo-se, Barrica disse: "O frio continua, vou tomar uma". Mané riu, perguntando de modo irônico: "Eu só não entendi o que estava fazendo na Live o lunático que se identificou como astrólogo e acupunturista de árvore". Zilidoro explicou: "Ele estava ali alimentando o ego do seu criador". 
É muito pra minha cabeça...

sábado, 24 de julho de 2021

ZURC AGORA É DIGITAL

“A fúria de papéis espalhados” é um livro que reúne 24 textos do crítico literário Darlan Zurc. Nesses textos, o autor demonstra uma leveza inusual ao comentar e descrever os personagens que escolheu para o seu livro, entre eles Paulo Francis, José Ortega y Gasset e Karl Marx.


 Ao comentar a obra de Francis (1930-1997), por exemplo, Zurc ressalta que “ele foi e continua sendo uma das grandes influências em minha vida intelectual. Foi por meio dele que comecei a mergulhar no mundo do jornalismo, da história, da literatura e... a lista não acaba”.

É curioso também o destaque que Zurc também dá ao espanhol Ortega y Gasset (1883-1955): “Na sua incrível obra ‘Estudos sobre o amor’, o filósofo espanhol José Ortega y Gasset chama a atenção para o aspecto segundo o qual uma falsa ideia, tipo a imagem stendhaliana sobre a relação amorosa, é altamente nociva porque ela suplanta a verdadeira, dando origem a equívocos sucessivos”.

Gasset marcou profundamente a vida literária de boa parte não só do seu país, mas de outros países.

 Interessante, e muito interessante, é a abordagem que Darlan Zurc dá ao fundador do comunismo. Ele destaca, por exemplo, o fato de Marx (1818-1883) ter sido nas origens um cristão, e o tempo o transformou num ateu e num furioso inimigo do capitalismo (clique aqui).

Segundo Marx, escreve Zurc, a ideia de modo de produção “baseia-se na premissa segundo a qual, em determinadas épocas da história, um tipo de relação econômica é hegemônico, desenvolve-se por um tempo perante outros possíveis e define a sociedade e a cultura”.

E por aí vai o autor de “A fúria de papéis espalhados”.

 O livro, de 176 páginas, foi impresso em dezembro do ano passado e lançado no formato convencional no final de abril deste ano.E, agora, publicado em vários formatos digitais, merece toda a atenção possível do público-leitor de Darlan Zurc.

No portal da Amazono livro pode ser acessado a qualquer hora do dia e da noite pela quantia não tão irrisória de R$25. Mas vale a pena. Garanto.

Ler Zurc é um prazer.

 LEIA MAIS: https://assisangelo.blogspot.com/2021/05/zurc-e-critica-literaria.html

 https://institutomemoriabrasil.com.br

 https://www.youtube.com/watch?v=hfcDhlb_so8

 LIVRO

Em papel (R$40): Amazon(clique qui), Estante Virtual (clique aqui), Livraria Martins Fontes (clique aqui) e Mercado Livre (clique aqui).

 Em e-book e audiobook (R$25): Amazon (clique aqui), Apple Books (‎clique aqui), Google Play (clique aqui) e Kobo (clique aqui).


quinta-feira, 22 de julho de 2021

150 ANOS DO HINO "A INTERNACIONAL"


Ouço no rádio notícia dando conta que um novo software (Pegasus) está na praça aterrorizando jornalistas.
É de origem israelense e já se acha nas mãos de governos que desrespeitam as pessoas e seus direitos.
O jornal The Guardian, de Londres, foi o primeiro jornal a dar notícia, sábado 18/07. E como uma coisa puxa a outra, lembrei-me que Londres foi o lugar que acolheu Karl Marx (1818 – 1883). Marx tinha 23 anos quando começou a ser perseguido pelos governos. Da sua terra, inclusive.
Lembrei-me também que foi em Londres que Marx (e Engels) lançou o Manifesto Comunista, em 1848.
Lembrei-me ainda que foi a partir das ideias de Marx (e Engels) que o Exército Prussiano meteu bala e encheu de sangue as ruas de Paris, em 1871.
Foram muitos os mortos naquele ano, precisamente no decorrer da última semana de maio. Há 150 anos, portanto.
Ates e depois de 1871, os jornais de direita tascaram o pau em Marx. Entre esses jornais, o Liberatión, que chegou a publicar uma carta falsa assinada por Marx. Pois é, Fake News já naquele tempo.
O massacre de 1871 resultou na morte de pelo menos 30 mil integrantes e simpatizantes da Comuna de Paris. Além dos mortos, entre os quais mulheres e crianças, foram presas pelo menos 15 mil pessoas.
Logo após o massacre, que entrou para a história como o mais violento do século XIX da Europa, o poeta francês Eugène Pottier (1816 - 1887) escreveu a letra do hino A Internacional. Essa letra ganhou melodia do franco-belga Pierre De Geyter (1848 –1932). Resultado: essa obra foi gravada em muitos idiomas. Mas cá pra nós: ainda prefiro a canção Pra Não Dizer que Não Falei de Flores, do paraibano Geraldo Vandré.
Detalhe: não custa lembrar que Marx foi o primeiro filósofo a expor a ideia favorável a imposto único, escola gratuita para todos, direitos do trabalhador, trabalho zero para criança e respeito às mulheres.
Marx nasceu em berço macio, na Alemanha, e comeu o pão que o diabo amassou depois dos 20 anos de idade. Teve 7 filhos, mas só três chegaram à idade adulta. Eram mulheres, mas duas delas se suicidaram.

domingo, 18 de julho de 2021

O BRASIL EM MOVIMENTO

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo está lançado o novo livro: O Quinto Movimento, pela editora JA.
Ainda não leram pra mim esse livro, mas o colega jornalista José Antônio Severo descreveu-me o conteúdo. Trata-se de um mergulho na história do nosso País. E começa com o autor já falando da chegada de Cabral à Costa baiana. Segue com a Independência, a Escravidão e Proclamação de República.
A história do Brasil é uma história complexa, cheia de roubos, confusões e movimentos sangrentos.
Antes de Cabral aportou no Brasil o navegador Duarte Pereira.
Pereira chegou ao Brasil em 1498. Parou ali pelo Norte.
http://assisangelo.blogspot.com/2017/04/historia-pra-bopi-dormir.html
Antes do primeiro movimento referido por Rebelo ocorrido em 1500, antes mesmo de Duarte Pereira, Portugal fechou "negócio" com a Espanha. Desse negócio surgiu o Tratado de Tordesilhas. Isso em 1494.
Aldo Rebelo encerra o seu primeiro movimento fazendo referências ao Tratado de Madrid, que nada mais era do que mais um negócio entre Portugal e Espanha. Tratava da separação de espaços da região sul americana para cada um dos países citados. Nós no cardápio.
Àquela altura, o Tratado de Tordesilhas era completamente desrespeitado por Portugal e Espanha. O novo tratado pôs ordem na bagunça lá deles.
O autor de O Quinto Movimento destaca o grito, que não houve, do Imperador Pedro I. Dos horrores da escravidão e do Golpe Militar que mandou às favas o Segundo Império.
Para Aldo Rebelo, O Quinto Movimento está pra ser desenvolvido pelas forças democráticas do Brasil.
A atual situação política no nosso país é grave e prenuncia confusão.
E Bolsonaro, hein?
Bem, eu diria: aos quintos!

JANSEN FILHO, UMA ESTRELA DE JULHO

Jansen Filho foi um dos mais inspirados e brilhantes poetas paraibanos.
Diferentemente de Augusto dos Anjos (1884 - 1914), Jansen deixou uma obra repleta de otimismo. Na sua poética, há os mais diferentes temas. Falou de mãe, pai, família, negro, tudo.
O Nordeste foi seu grande foco e o humanismo também.
Deixou um bom punhado de livros, sendo o primeiro Auroras e Crepúsculos (1948).
Nascido em Monteiro, terra do mais rápido repentista do Brasil (Severino Lourenço da Silva Pinto; 1895 – 1990), Jansen Filho cresceu ouvindo os violeiros da sua terra. Aos seis anos de idade já fazia poemas. Alfabetizou-se ouvindo os pais lendo folhetos de cordel. Seus primeiros estudos formais ocorreram em Monteiro.
Ainda muito jovem, trocou sua cidade pela cidade do escritor Monteiro Lobato (Taubaté, SP), onde concluiu o curso secundário.
No decorrer da sua vida, Jansen chegou a trabalhar na rádio Inconfidência, MG.
Em 1981, já residindo na Capital paulista, participou do programa Som Brasil.
Num ano que já não me lembro, comprei num sebo de Belo Horizonte, MG, o livro Obra Completas (ao lado), do poeta.
Jansen, que nasceu no dia 1 de março de 1925, precisa ser descoberto ou redescoberto pelas gerações mais novas.
O poeta morreu no dia 18 de julho de 1994, em Sampa. Leia:

https://flaviochaves.com.br/2018/08/23/l-i-t-e-r-a-t-u-r-a-eu-e-mamae-jansen-filho/
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/paraiba/jansen_filho.html
https://poesiaspreferidas.wordpress.com/2013/07/20/lua-cheia-jansen-filho/

sábado, 17 de julho de 2021

VIDA CEGA

De olhos fechados, Ana e Clarissa "mergulham" no mundo dos cegos. Essa é uma espécie de homenagem ao pai, Assis

Há milhares e milhares de cegos no Brasil e no mundo, milhões.
Houve um tempo em que aos cegos era negado tudo.
Houve um tempo em que os cegos dependiam completamente da bengala e de pessoas para guiá-los.
Eu não sou daquele tempo, daquele tempo antigo.
Mas ainda dói ser cego. 
Conforto-me ouvindo livros e o noticiário pelo rádio. E fazendo poemas e outros textos, como este.
Conforto-me também de saber que a minha volta há pessoas queridíssimas. Amores, como minhas filhas mais nova Clarissa e a mais velha, Ana Maria. 
Cla e Ana estiveram comigo ontem 16 (foto ao lado). Também estiveram comigo os jornalistas José Antônio Severo e Flávio Tiné. Com eles, Danilo e as manas Célia e Celma.
Severo é um poço de conhecimento. Sabe tudo e um pouco mais sobre o Brasil e, particularmente, da sua terra o Rio Grande do Sul. E falamos e falamos e falamos e aprendi.
Entre as falas uma sobre o novo livro do ex-ministro e ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo. Chama-se O Quinto Movimento, sobre algo amanhã.
Tiné e Danilo são dois cabras da peste de Caruaru, PE.
Foi uma tarde excepcional a de ontem. Pintou até leitura de cordel.
A região com maior número de pessoas cegas é a Sudeste.
 
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sexta-feira, 16 de julho de 2021

EU E MEUS BOTÕES (1)

Na intenção sempre frutífera de espantar meus ais, dialogo com meus botões.
Meus botões tem nome: Zé, Mané, Jão, Biu, que é Severino lá no Nordeste; Lampa, inspirado naquele de lá que caiu na grota de Angico; Zoião, Barrica, Zilidoro. 
São bons e sabidos os meus botões. E com eles afasto minhas tristezas e desfuturos.
Agora a pouco o Zilidoro, metido que só, abriu brecha no campo da conversa, filosofando: "Rico não morre de faca, nem de soluço". 
Esqueci de dizer que Zilidoro é, digamos, filósofo. Popular.
A demonstração impoluta de sapiência de Zilidoro irrita sobremaneira o Zoião, misto de poeta e político: "Rico safado não morre de faca, nem de soluço, e esse tal aí que ganhou cadeira de presidente, é um besta sem tamanho. Mas não escapará da morte, já já virará pó".
Zoião não é brinquedo, não.
Quase tudo que Zoião diz, se confirma. Pessoalmente, acho que Zoião tem parte com o capeta. 
Ousei perguntar aos meus botões sobre tudo que ocorrera nesta semana que se finda. Em uníssono, responderam: "Foi um fim de semana dos infernos!".
De fato, a semana foi um caos. E nem vou entrar nos detalhes, basta dizer que na calada da madrugada o Congresso aprovou um fundo eleitoral da ordem de 5,7 bilhões de reais. 
"Isso é roubo!", gritou Zé ao mesmo tempo que Mané, irritado, puxava dos quartos uma peixeira de doze polegadas. 
Eu da minha parte, "já estou afiando o meu punhá", disse arregalando os olhos e babando pelos cantos o prosaico Lampião. Eu, hein!



quarta-feira, 14 de julho de 2021

LER LIVROS É FUNDAMENTAL

Já passa de duzentos milhões o número de brasileiros, mas não chega a tanto o número de leitores. 
Centenas de livrarias e editoras encerraram suas atividades nos últimos três ou quatro anos. Pena. 
Não tenho certeza, mas é possível que o crescente número de internautas tenha a ver com isso. 
No rigor, não acho que a internet por si seja culpada no processo galopante de não leitores de livros, jornais e revistas.
Jornais e revistas estão encerrando suas atividades e ganhando portais na Internet. 
A Internet veio pra ficar.
A Internet não é bicho papão, mas é preciso saber usá-la. 
A Internet é instrumento cada vez mais no cotidiano da gente. Porém, repito: é preciso saber usar a internet. 
Já não escrevo na Internet. Os meus textos, como este, são ditados a pessoas queridas a minha volta. 
Há muitas formas de usar a Internet, e de ler, claro. 
Eu já não leio livros, jornais, revistas.
Mas ouço noticiário pelo rádio e televisão. E ouço audiobooks. Agora mesmo, por exemplo, estou ouvindo Eu, do paraibano Augusto dos Anjos (1884 - 1914).
Augusto morreu de tuberculose. 
No tempo de Augusto, muita gente morria de tuberculose. Escapei.
Ler é fundamental. Sempre. 
A poesia de Augusto dos Anjos tem sido visitada por músicos. Ouça: 

TEM LAMA NO PLANALTO

Hoje 14 Bolsonaro tinha encontro marcado com os presidentes da Câmara, Senado e STF, mas uns soluços o levaram ao hospital. Compromissos cancelados. Hummm...
Será que um bom susto não cura isso?
A Câmara deve aprovar hoje 14 projeto que limita a presença de militares no Governo. Isso é bom, pois o lugar de militar é no quartel.
À propósito: militares, com cargo no Governo, estão se enroscando. Agora mesmo o TCU levantou desvio de quatro milhões praticado por militares. Da ativa. 
E agora?
A Câmara também deverá aprovar projeto que visa aumentar o número de mulheres nas três esferas políticas e barrar o preconceito e discriminação de políticos e candidatos a políticos. 
Aos poucos, deputados e deputadas vão mostrando a que vieram. 
E o residente da Câmara, hein? 
O cacique Arthur Lira continua fazendo malabarismo atrás da cadeira que ocupa como presidente da Câmara. 
Na sua gaveta já há mais de 120 pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Ele faz de conta que não vê nada. Mas o povo está de olho. A sociedade civil está de olho. 
Está-se levantando possibilidades de ser cassada a chapa Bolsonaro/Mourão. Na nossa história isso nunca aconteceu, mas pode acontecer. 
Tudo tem a primeira vez, não é mesmo?
Pesquisas de opinião indicam que o povo anda querendo ver Bolsonaro pelas costas. 
O Brasil está se mexendo. 
A temperatura está aumentando na CPI da Covid. Agora mesmo, neste momento em que escrevo, a diretora da Precisa Emanuela Medrades está falando pelos cotovelos. Bom, mais tarde será o seu chefe que deverá responder às perguntas da Comissão. 
Tem lama subindo no pé do Governo. 

terça-feira, 13 de julho de 2021

E SE GRITAR PEGA LADRÃO, HEIN?

O compositor e maestro Tom Jobim já dizia, e dizia há muito tempo, que o Brasil não é para principiante. 
Tudo, e de todo jeito, ocorre no Brasil. Todo dia e a toda hora. 
Saiu hoje no Diário Oficial da União, o nome do advogado e ex-ministro da Justiça André Mendonça para ocupar a vaga deixada pelo juiz Marco Aurélio. Antes disso, porém, o indicado pelo presidente Bolsonaro passará por uma sabatina no Senado.
Dificilmente o nome de Mendonça não será aprovado. Mas já aconteceu. Foi em 1894, quando o Senado vetou cinco nomes indicados pelo marechal presidente Floriano Peixoto, que foi tão golpista quanto o seu antecessor marechal Deodoro da Fonseca.
Bolsonaro está "nervosinho", como disse outro dia o senador presidente da CPI da Covid Omar Aziz. 
A lama já chegou à canela de Bolsonaro.
A CPI presidida por Aziz está avançando e seguindo em direção aos pés de barro de Bolsonaro. À propósito: o líder do governo, Ricardo Barros, está doido para falar à CPI. Tanto que nesse sentido até já recorreu ao STF. Ele quer porque quer falar, ao contrário de várias figuras "convidadas" à depor. Os nomes são muitos. Todos envolvidos, de um modo ou outro, nas falcatruas até aqui apuradas pela CPI. Tem até os que recorrem a dor de barriga, como o pastor Amilton Gomes de Paula. 
Eu, heim!
Você conhece, meu amigo, minha amiga, a música Se Gritar Pega Ladrão?


sexta-feira, 9 de julho de 2021

MINHA AERONÁUTICA?

"Homem armado não ameaça".
A frase ai, ameaçadora, saiu da boca do tenente brigadeiro do ar, Carlos de Almeida Baptista Junior, em entrevista publicada hoje 8 no jornal carioca O Globo. Rendeu manchete.
O autor dessa lamentável frase vem a ser, nada mais nada menos, do que o chefe da nossa briosa Aeronáutica.
E tudo começou há dois dias, com uma declaração do Senador Omar Aziz, presidente da CPI que apura incompetências e irregularidades no Ministério da Saúde. Noutras palavras, corrupção. Disse Aziz, na ocasião: “os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia. Fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do Governo".
Em todo lugar, em todas as profissões, inclusive nos pomares, existem pessoas de comportamento condenável. Podres, que nem laranjas mal colhidas ou alojadas.
Tudo é muito óbvio: não há perfeição, nem na terra, nem no ar, nem no mar. 
A nota oficial assinada pelos chefes das três forças, que teve por base a fala do senador Aziz, não retratou com fidelidade o que foi dito. O senador disse uma coisa e as Forças interpretaram outra. E a partir daí, certamente por orientação do presidente da República, deu no que deu. Grave é a insistência de transmitir ao público o falseamento de uma fala. 
O Chefe da Aeronáutica disse que não vai mais assinar nota direcionada ao titular da CPI: "'Nós temos mecanismos dentro da base legal para evitar isso".
O isso aí referido, também uma ameaça, tem a ver com eventuais novas declarações de membros da CPI à militares da ativa, ou da reserva, envolvidos nas investigações que apuram possíveis irregularidades no Ministério da Saúde.
Pena, pena. 
Depois da entrevista do comandante Baptista Junior, fiquei com uma pulga na orelha: será que ele está pensando em fechamento do Congresso? Humm... Bolsonaro deve estar se coçando para fazer isso. 
Até hoje, na história do Brasil, houve uma dúzia e meia de ocasiões em que o congresso foi fechado. Uma vez no primeiro Império, 11 vezes no Segundo; um na Velha República; dois no Governo Vargas; e três na ditadura militar que durou de 64 à 85. Detalhe: coube ao marechal Floriano Peixoto reabrir o Congresso fechado por Deodoro da Fonseca. 
Peixoto não só reabriu o congresso, como suspendeu o estado de sítio. E Peixoto não foi flor que se cheirasse, certo?
Enquanto isso, Bolsonaro continua destemperado e soltando palavrões a torto e a direito, mas na certeza de que são suas as Forças Armadas. 

quinta-feira, 8 de julho de 2021

FERNANDO COELHO, UM POETA MÁGICO!

Os poetas nascem dos sonhos. 
Os sonhos existem para revigorar a vida. Sem poemas e poetas a vida seria uma merda. 
Os poetas nos mostram, normalmente, o que não vemos nessa vida doida. Nos seus detalhes, formas e cores. 
O poeta baiano Fernando Coelho, de Conceição do Almeida, jornalista de definição racional, faz da vida sonho e do sonho poesia. 
Eu conheci Fernando num ano qualquer do século passado. Na TV Globo. 
Trabalhamos juntos. Ele, na Chefia de Reportagem e eu, na produção jornalística. 
Depois dos exaustivos dias úteis, finalmente chegavam os sábados e domingos. E feriados, às vezes. Era quando saíamos para bebericar nas igrejas de boa-fé. 
Conversa vai, conversa vem, a noite ficava pequena para tantas palavras bonitas ouvidas por mim do poeta Fernando. 
O tamanho da poética coelhense é sem tamanho. Desenvolta e bela. 
Falávamos sobre tudo, incluindo desigualdade social, discriminação, preconceito e tudo mais. 
Sempre foi cidadão sem papas na língua. 
O que diria Fernando Coelho sobre o governador Eduardo Leite, do Rio Grande do sul? 
O governador declarou-se gay. E daí? 
Tivemos muitos encontros por aí afora. Em Salvador, inclusive. 
O compositor e cantor de voz arrastada Nélson Cavaquinho entusiasmou-se uma vez quando lhe apresentei o poeta. Perguntou-me: “Quem é esse rapaz que só agora você me apresenta?”
Foi bom ouvir os dois cantarem. Nélson, ao violão. 
Flores em vida, não é mesmo? 
No panteão dos poetas, Fernando Coelho vive à vontade. 
Ele é o próximo entrevistado do radialista Carlos Sílvio. Será nesta sexta-feira (9/7), ao vivo, às 20h30, pelo canal de YouTube Paiaiá na Conectados
Fernando já preencheu em livros todos os meses do ano: 12. 
Não custa lembrar aos esquecidos que o poeta até já disponibilizou versos pra música. Coube a Zeca Bahia (1950-2018) a tarefa de melodiar os versos. Foi daí que surgiu a canção Estrela Reticente, gravada pelo cantor de muitos timbres Jessé (1952-1993). 
 
 
 
Sobre Fernando Coelho, leia mais: 

OSWALDO MENDES, LIÇÃO DE VIDA E ARTE

Brasil, meu Brasil brasileiro...
O nosso país é de dimensões continentais e ocupado por uma gente briosa e trabalhadora .
Nossas artes e artistas são de uma beleza especial, única no mundo.
Carlos Gomes e Ary Barroso foram alguns dos primeiros artistas a levar o nome Brasil ao mundo. 
Em todas as áreas da convivência humana nossos artistas se acham fazendo bonito. Oswaldo Mendes, paulista de Marília, é um desses nomes que tão belamente nos encantam e nos representam por aí afora.
O radialista Carlos Silvio fez ontem 7 uma entrevista primorosa com Mendes. Acompanhem, vale a pena:

LUGAR DE MILITAR É NO QUARTEL

"O meu Exército...". 
A frase aí foi dita várias vezes pelo presidente Bolsonaro. E mais, disse outro dia: "As minhas Forças Armadas".
Definitivamente: as Forças Armadas são organismos do Estado e não de pessoas, seja quem for.
A insistência do presidente em repetir esses "mantras" nos deixa, sociedade civil, de orelhas de pé, de prontidão.
É claro, claríssimo, que Bolsonaro quer pra si o poder por tempo indeterminado. Noutras palavras: Bolsonaro é por natureza um golpista.
A nota oficial que as três Forças soltaram ontem 7 contra o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, é lamentável. Uma peça de ficção que reflete precisamente a insanidade absolutista do ex-capitão que ocupa a cadeira mais poderosa do País.
A posição das Forças Armadas deveu-se, equivocadamente, à fala de Aziz.
Ao dar voz de prisão ao ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, o presidente da CPI em nenhum momento denegriu o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Lamentou, apenas, o "lado podre" dessas forças.
As Forças Armadas são necessárias e importantíssimas à vida de um país.
No governo Bolsonaro há mais de 6mil militares, da ativa e da reserva, ocupando postos civis.
Lugar de militar é no quartel. 
 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

CARLOS SÍLVIO ENTREVISTA OSWALDO MENDES

 O paulista Oswaldo Mendes, é a atração de hoje 7 do programa Paiaiá na Conectados apresentado pelo bom baiano Carlos Sílvio.

A atração vai ao ar, ao vivo, daqui a pouco, às 20h30.

O entrevistado de Sílvio é jornalista, ator, compositor e cidadão de grande beleza. Foi editor dos últimos tempos do jornal Última Hora, criado há exatos 70 anos por Samuel Wainer.
Samuel foi um dos braços do presidente gaúcho Getúlio Vargas. Oswaldo Mendes tem muito o que dizer. E eu quero ouvir, mais do que sei.
Convido todos a assistir essa entrevista.
Carlos Sílvio é um craque.
Confira suas entrevistas no canal:
Se inscreva no canal:

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PRISÃO PRA MENTIROSO É POUCO

Logo cedo liguei o rádio e passei a ouvir o depoimento do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias.
Ele começou dizendo besteira e mentindo. E debochando. Achando-se.
E continuei a ouvir ora no rádio, ora na TV. E o cabra mentindo.
Mentindo e tirando sarro, achando-se.
Os políticos existem para representar e defender o povo. Em qualquer país. É assim, também no Brasil.
E o tal do ex-diretor tripudiando das perguntas lhes dirigidas pelos senadores que formam a Comissão Parlamentar de Inquérito, CPI, da Covid-19. No Senado.
Esse Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, mentiu como o ex-titular general Pazuello. E como o atual, o Marcelo Queiroga.
Esse governo não é governo, é desgoverno, fajuto, corrupto e assassino, como a figura que maior que o representa. 
A CPI da Covid está fazendo um trabalho excepcional para o Brasil.
Mas mentir não é legal e por não ser legal, o presidente da Comissão (Omar Aziz) deu ordem de prisão ao mentiroso Roberto Dias no final da tarde de hoje 7.
Fez o que tinha que ser feito. 
No final de 68 o governo de plantão fechou o Congresso pelo fato simples de a Câmara se recusar a punir o deputado Márcio Moreira Alves, por ter pronunciado um discurso em desfavor dos militares. 
O desgoverno de Bolsonaro está lotado de militares, da ativa inclusive.
Horrores estão acontecendo em Brasília.
Os militares das Três Forças, devem estar morrendo de vergonha do governo/desgoverno Bolsonaro.
E é bom que se diga: Bolsonaro quebrará a cara se apelar para um golpe.
Mas o caso é muito sério...

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