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quarta-feira, 17 de abril de 2013

UM POETA NERVOSO E DEFINITIVO

Fernando Coelho é um poeta brasileiro extraído de sons e ventos do misterioso Recôncavo Sul Baiano, região de Santo Antônio de Jesus, Castro Alves, Cruz das Almas e São Felipe, distante cerca de 160 quilômetros de Salvador e bem longe do nada.
Ele é moldado a bênçãos e a rezas dos negros velhos iluminados da sua querida Bahia.
Mas por acidente, talvez, tenha nascido em Conceição do Almeida, um lugar sagrado onde deuses, duendes e santos se misturam num eterno fazer, numa mesma labuta, abrindo caminhos e rompendo barreiras por um tempo sem briga, sem encrenca, de paz e esperança para quem deseja paz e esperança.
Talvez por isso Fernando seja poeta.
Talvez por isso a poesia dele brote - do nada? - com tanto vigor e assim venha se apresentar a vida e a nos ensinar sobre o belo que há no amor.
É romântico o poeta.
A sua poesia é nervosa ao nascer e rápida ao conquistar corações, pois feita no calor do improviso tal e qual fazem os cantadores medievos brotados do solo estorricado do sertão nordestino, de onde de certo modo ele veio.
E ele se define, e ele confessa no texto que lhe vem ligeiro:
“Sou um poeta que não presta muito. Escrevo tudo de uma vez só. Num fôlego mortal. Poeta bom escreve, joga fora, reescreve, pensa. Fica aflito e faz de novo. Eu prefiro ficar aflito e morrer. Não sou um bom poeta por isso. Os bons rasgam e recomeçam. A única coisa que consigo rasgar quando escrevo é a mim. Insofisticado e ineficiente. Escrevo logo, de vez, com medo que a palavra tenha medo de mim e se afaste, e vá embora, e não me entenda, e desista de me permitir escrevê-la. Sou inseguro com as palavras. Elas determinam em que lugar gostam que eu as coloque. Sou sombra das palavras. Ainda bem que não concordo com muitas palavras. E elas gostam. O poema só não pode conter vileza. Não pode ser vil. Essa palavra, vil, por exemplo, entrou aqui sem pedir licença. E fica, porque ela manda. Enfim, o meu amor me ajuda: pensando nela, escrevo como quem jamais vai voltar, ou ir, ou sair, ou ficar. Escrevo assim. Como quem vai despencar”.    
Pois é, aos borbotões surge a poética de Fernando, como um samurai em guerra no escuro, como um vulcão em erupção.
O poeta é inquieto e exagerado.
Inda assim a sua poesia transborda de lirismo e se sustém em ritmos e asas, dispensando rimas e métricas e preferindo ganhar a forma livre de viver como os pintassilgos.
A poesia de Fernando Coelho é atrevida e tem de vida própria.
Isso é inquestionável.
Ele é um mágico, amante fiel das palavras que o ajudam a desvendar segredos da alma.  
"O poeta é um agricultor do semiótico. Planta horizontes nos galhos dos olhos", ele diz, e promete: “Um dia quando eu fizer do meu coração o que ele quer que eu faça e chegar em Conceição do Almeida, onde a poesia me pegou no colo insuflado de palavras meninas, não sei como vou chegar. Mas o mesmo, embora atravessado de caminhos densos. Por dentro, quando encontrar o meu velho eucalipto, naquela praça de pergaminhos da infância, uma coisa estará mudada: só ele vai saber e vai me chamar pelo nome do meu amor”.
Há vinte e poucos anos escrevi texto em que dizia que “Fernando Coelho é econômico, enigmático, simbólico, mas claro como uma manhã setembrina da paulistana garoa”.
O título do texto publicado no Diário do Grande ABC, era: “Variações em Torno de um Poeta Definitivo”.
Fernando continua econômico e cada vez melhor na poesia que gera.
Bom para seus admiradores, que somos nós.
Ele estará conosco no Congresso Mega Brasil de Comunicação, a se realizar no próximo dia 24, às 19h30, no
Centro de Convenções Rebouças. 
Vai declamar. 

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