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quarta-feira, 24 de novembro de 2021
ZÉ LIMEIRA COMO INSPIRAÇÃO
IMPRENSA NEGRA, RESISTENTE E HEROICA: PARTE V
E os humanos de África continuam a chegar ao Brasil, de maneira violenta.
Milhões de africanos foram atirados vivos ao mar por doentes estarem.
Intelectuais pretos e pardos, e brancos também como José Maria da Silva Paranhos (1819-1880), o Visconde do Rio Branco, depois Barão, continuavam de mangas arregaçadas e sempre prontos pra luta.
A violência também continuava a correr solta, de braços dados com a discriminação e o preconceito.
Jornais continuavam a ser empastelados por publicar o que o Imperador não aprovava. Muitos, muitos.
Luís Augusto May (1782-1850), fundador do jornal A Malagueta, teve as mãos quebradas pelos oponentes de suas ideias liberais. Seu jornal, que acabaria destruído, teve o primeiro número lançado em 1821. Durou 11 anos.
May, de origem militar portuguesa, tinha o hábito de negociar textos com o imperador. Interesses pessoais. Aqui e ali, dava-se bem.
Diferenças à parte, May foi uma espécie de Hipólito José da Costa.
Outros jornalistas foram violentamente agredidos e seus jornais destruídos até às vésperas da proclamação da República. E depois, também.
Era assim que a coisa funcionava.
E morriam aqueles que insistiam em lutar pela liberdade.
Eram muitos os partidos políticos que havia naquela época.
Havia Moderados e Exaltados, por exemplo.
Os Moderados queriam a volta de Pedro I. Os Exaltados queriam a liberdade, pura e simplesmente.
Os Exaltados eram os mais afoitos, desse grupo participavam Francisco de Paula Brito e Machado de Assis.
Tinha também o partido Conservador. Desse partido participava José de Alencar.
Alencar, formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, SP, em 1850, ganhou carreira no Rio de Janeiro.
Em 1853, por aí, José de Alencar entrou para a história no mundo Jurídico ao criar o Habeas Corpus, HC Preventivo. Logo depois iniciou carreira de jornalista no Correio Mercantil de onde logo saiu por ter parte de um texto seu censurado.
Em 1855, Alencar virava chefe de redação e um dos sócios do Diário do Rio de Janeiro.
Antes de fundar O Homem de Cor, Paula Brito fundou A Mulher do Simplício ou A Fluminense Exaltada. Dirigida ao público feminino, essa publicação durou 14 anos (de 1832 a 1846). Falava de moda e de comportamento, com muita poesia e arte.
Pioneiro no campo da impressão, Paula Brito também foi o primeiro editor a dar emprego ao escritor fluminense Machado de Assis. Emprego e oportunidade para publicar o seu primeiro texto de jornal. Um poema, intitulado Ela. Este:
Seus olhos que brilham tanto,
Que prendem tão doce encanto,
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza
Com meiguice e com primor.
Suas faces purpurinas
De rubras cores divinas
De mago brilho e condão;
Meigas faces que harmonia
Inspira em dose poesia
Ao meu terno coração!
Sua boca meiga e breve,
Onde um sorriso de leve
Com doçura se desliza,
Ornando purpúrea cor,
Celestes lábios de amor
Que com neve se harmoniza.
Com sua boca mimosa
Solta voz harmoniosa
Que inspira ardente paixão,
Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um - sim -
Para alívio do coração!
Vem, ó anjo de candura,
Fazer a dita, a ventura
De minh'alma, sem vigor;
Donzela, vem dar-lhe alento,
Faz-lhe gozar teu portento,
"Dá-lhe um suspiro de amor!"
(12 de janeiro de 1855, no jornal Marmota Fluminense, edição 539)
À época o autor tinha 15 anos, 1 mês, 3 semanas e 5 dias de idade.
***
Esse texto foi originalmente escrito para o Newsletter Jornalistas & Cia. Já os conhece? Confira: Jornalistas&Cia, especial Perfil Racial da Imprensa Brasileira
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terça-feira, 23 de novembro de 2021
O DELÍRIO DE UMA EX-ATRIZ
Quando teremos o Dia da Consciência Branca , Amarela, Parda…?
Quanto tempo vamos ainda nos vitimizar ao peso de anos, de séculos de dor por culpas antepassadas ? Quando vamos parar de olhar pra trás e enfrentar o hoje e nós olharmos com a coragem da cara limpa? maduros, evoluídos , conscientes de nossa luta , irmanados em nossa capacidade, de sermos … HUMANOS?
Simplesmente IRMÃOS?
Pois é, essa atriz ou ex-atriz integrou o governo de um presidente sem noção.
IMPRENSA NEGRA, RESISTENTE E HEROICA: PARTE IV
O texto desse livro é uma ode às belezas do Brasil. Mais: retrata a pureza nacionalista do autor. Chega aos píncaros do nacionalismo com a cor da ingenuidade.
Depois do fim da censura prévia, o governo de Deodoro criou formas para combater o que se chamou de excesso jornalístico.
Não havia a censura prévia explícita, mas havia renhida perseguição a jornais e jornalistas que não seguiam as normas. Essas normas, em resumo, tinham a ver com os “contra” e os “a favor”.
Não era brincadeira o que acontecia no fim do Império.
Rigorosamente falando haviam os Republicanos e os Monarquistas.
A República estava começando e quem estava com a República, estava ganhando.
Uma curiosidade: Quintino Bocaiúva foi o primeiro e o único jornalista a virar General de Brigada (honorário).
Outra: Em 1893, o sergipano Quintino de Lacerda, botou pra quebrar e virou o primeiro e único Major (honorário) do Exército Brasileiro.
Esse Quintino nasceu em 1839, mesmo ano do nascimento do escritor Machado de Assis e morreu em 1898. Mais: depois de comprar a própria alforria, foi eleito o primeiro vereador negro do Brasil pela cidade de Santos, SP. Não assumiu.
Dentre todos os jornalistas da época, talvez o mais combativo tenha sido o baiano Cipriano Barata.
Barata formou-se em medicina em Portugal. O jornalismo, porém, foi a profissão que assumiu para justificar a sua passagem por cá.
Barata foi preso muitas vezes e jamais rendeu-se às ameaças dos poderosos do seu tempo.
Foi fundador do jornal Sentinella da Liberdade, que ganhou leitores, admiradores e seguidores em várias partes do País. Escrevia até na cadeia e da cadeia em Pernambuco, Bahia e outras províncias, conseguia publicar o seu Sentinella.
Em 1823, escreveu:
Toda e qualquer sociedade, onde houver imprensa livre, está em liberdade; que esse povo vive feliz e deve ter alimento, alegria, segurança e fortuna; se, pelo contrário, aquela sociedade ou o povo, que tiver imprensa cortada pela censura prévia, presa e sem liberdade, seja abaixo de que pretexto for, é escravo, que pouco a pouco há de ser desgraçado até se reduzir ao mais brutal cativeiro.
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Esse texto foi originalmente escrito para o Newsletter Jornalistas & Cia. Já os conhece? Confira: Jornalistas&Cia, especial Perfil Racial da Imprensa Brasileira
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BRASIL, LULA E NEGROS
IMPRENSA NEGRA, RESISTENTE E HEROICA: PARTE III
Na primeira edição do jornal O Homem, lançado em Recife no dia 13 de janeiro de 1876, podia-se ler:
Há tempo de calar e há tempo de falar. O tempo de calar passou, começou o tempo de falar. A classe dos homens de cor, sem dúvida nenhuma, a mais numerosa e a mais industriosa do Brasil, parece atualmente voltada ao ostracismo pelos homens que nos governam, contra toda a justiça, contra a própria lei fundamental do país.Mesmo depois da Lei Eusébio de Queiróz e com a violência de sempre, os africanos continuavam sendo laçados e trazidos em navios negreiros sob as rédeas dos portugueses, principalmente.
Embora os particulares tratem-nos com as atenções merecidas, embora muitos dentre eles se achem ligados conosco pelos laços da mais sincera amizade, todavia os fatos denunciam que o partido que há tempos predomina na província parece manter o propósito desleal de ir apartando dos empregos públicos aqueles nossos que para eles haviam sido nomeados por consideração de seus talentos e virtudes, conforme preceitua a Constituição do Império.
Essa vergonha, esse drible contra a Lei, durou mais 2 ou 3 anos.
Não sabiam os traficantes que estavam trazendo também cultura ao Brasil.
Em 1889, um ano depois da Lei Áurea, foi lançado em São Paulo o jornal A Pátria, cujo epíteto era: “Órgão dos Homens de Cor”. Logo depois, em 1897, foi lançado o jornal O Progresso, também em São Paulo.
Detalhe: No dia 13 de maio de 1888, um menino de 7 anos era levado pelos pais a assistir a solenidade de anúncio da Lei Áurea pela princesa Isabel (1846-1921), no Paço Imperial, RJ.
Esse menino era Lima Barreto, um preto pobre que virou um grande escritor. Referência da nossa literatura.
Um dia, Barreto escreveria para o jornal Gazeta da Tarde, edição de 4 de maio de 1911:
Estamos em maio, o mês das flores, o mês sagrado pela poesia. Não é sem emoção que o vejo entrar. Há em minha alma um renovamento; as ambições desabrocham de novo e, de novo, me chegam revoadas de sonhos. Nasci sob o seu signo, a treze, e creio que em sexta-feira; e, por isso, também à emoção que o mês sagrado me traz, se misturam recordações da minha meninice.
Agora mesmo estou a lembrar-me que, em 1888, dias antes da data áurea, meu pai chegou em casa e disse-me: a lei da abolição vai passar no dia de teus anos. E de fato passou; e nós fomos esperar a assinatura no Largo do Paço.
Na minha lembrança desses acontecimentos, o edifício do antigo paço, hoje repartição dos Telégrafos, fica muito alto, um sky-scraper; e lá de uma das janelas eu vejo um homem que acena para o povo.
Não me recordo bem se ele falou e não sou capaz de afirmar se era mesmo o grande Patrocínio.
Havia uma imensa multidão ansiosa, com o olhar preso às janelas do velho casarão. Afinal a lei foi assinada e, num segundo, todos aqueles milhares de pessoas o souberam. A princesa veio à janela. Foi uma ovação: palmas, acenos com lenço, vivas...
Fazia sol e o dia estava claro. Jamais, na minha vida, vi tanta alegria. Era geral, era total; e os dias que se seguiram, dias de folganças e satisfação, deram-me uma visão da vida inteiramente festa e harmonia.
Houve missa campal no Campo de São Cristóvão. Eu fui também com meu pai; mas pouco me recordo dela, a não ser lembrar-me que, ao assisti-la, me vinha aos olhos a "Primeira Missa", de Vítor Meireles. Era como se o Brasil tivesse sido descoberto outra vez... Houve o barulho de bandas de música, de bombas e girândolas, indispensável aos nossos regozijos; e houve também préstitos cívicos. Anjos despedaçando grilhões, alegorias toscas passaram lentamente pelas ruas. Construíram-se estrados para bailes populares; houve desfile de batalhões escolares e eu me lembro que vi a princesa imperial, na porta da atual Prefeitura, cercada de filhos, assistindo àquela fieira de numerosos soldados desfiar devagar. Devia ser de tarde, ao anoitecer.
Ela me parecia loura, muito loura, maternal, com um olhar doce e apiedado. Nunca mais a vi e o imperador nunca vi, mas me lembro dos seus carros, aqueles enormes carros dourados, puxados por quatro cavalos, com cocheiros montados e um criado à traseira.
Eu tinha então sete anos e o cativeiro não me impressionava. Não lhe imaginava o horror; não conhecia a sua injustiça. Eu me recordo, nunca conheci uma pessoa escrava. Criado no Rio de Janeiro, na cidade, onde já os escravos rareavam, faltava-me o conhecimento direto da vexatória instituição, para lhe sentir bem os aspectos hediondos.
Era bom saber se a alegria que trouxe à cidade a lei da abolição foi geral pelo país. Havia de ser, porque já tinha entrado na consciência de todos a injustiça originária da escravidão.
Quando fui para o colégio, um colégio público, à rua do Resende, a alegria entre a criançada era grande. Nós não sabíamos o alcance da lei, mas a alegria ambiente nos tinha tomado.
A professora, Dona Teresa Pimentel do Amaral, uma senhora muito inteligente, a quem muito deve o meu espírito, creio que nos explicou a significação da coisa; mas com aquele feitio mental de criança, só uma coisa me ficou: livre! livre!
Julgava que podíamos fazer tudo que quiséssemos; que dali em diante não havia mais limitação aos propósitos da nossa fantasia.
Parece que essa convicção era geral na meninada, porquanto um colega meu, depois de um castigo, me disse: "Vou dizer a papai que não quero voltar mais ao colégio. Não somos todos livres?"
Mas como ainda estamos longe de ser livres! Como ainda nos enleamos nas teias dos preceitos, das regras e das leis!
Dos jornais e folhetos distribuídos por aquela ocasião, eu me lembro de um pequeno jornal, publicado pelos tipógrafos da Casa Lombaerts. Estava bem impresso, tinha umas vinhetas elzevirianas, pequenos artigos e sonetos. Desses, dois eram dedicados a José do Patrocínio e o outro à princesa. Eu me lembro, foi a minha primeira emoção poética a leitura dele. Intitulava-se "Princesa e Mãe" e ainda tenho de memória um dos versos:
"Houve um tempo, senhora, há muito já passado..."
São boas essas recordações; elas têm um perfume de saudade e fazem com que sintamos a eternidade do tempo...
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| A princesa Isabel, ao centro, na missa de 17/5/1888 |
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Primeiras edições dos jornais O Clarim e A Voz da Raça |
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Esse texto foi originalmente escrito para o Newsletter Jornalistas & Cia. Já os conhece? Confira: Jornalistas&Cia, especial Perfil Racial da Imprensa Brasileira
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IMPRENSA NEGRA, RESISTENTE E HEROICA: PARTE II
O Rio era a sede do Império.
À época, o Rio contava com cerca de 160 mil habitantes. Mais ou menos.
O preconceito e a discriminação eram a marca principal daquele tempo.
Quando o carioca Francisco de Paula Brito nasceu, a Imprensa ou Impressão Régia já existia há 1 ano, 2 semanas e 4 dias.
A Imprensa Régia nasceu no dia 13 de maio de 1808. Nessa data nasceu também a censura prévia, que se estendeu até 1821, ano de fundação do jornal Diário do Rio de Janeiro. Editado por Zeferino de Meireles e Antonio Maria, esse jornal foi o primeiro a publicar anúncios publicitários. Sua linha política pendia para a independência, entre brancos pobres e negros.
Aqueles eram tempos lamentáveis, em que a Elite dizia que “mulheres brancas eram pra casar, pretas para trabalhar e mulatas para fornicar”.
O primeiro jornal brasileiro chamou-se Correio Braziliense, editado por Hipólito José da Costa. O 1º número desse jornal saiu no dia 1º de junho em 1808, em Londres.
Em terras brasileiras, o 1º jornal a ser publicado chamou-se Gazeta do Rio de Janeiro, editado por frei Tibúrcio José da Rocha. Seu 1º número saiu no dia 10 de setembro de 1808. O redator desse jornal, Manuel Ferreira de Araújo Guimarães, lançaria pouco depois o jornal O Patriota. Dentre os colaboradores desse jornal, se achavam Manuel Inácio da Silva Alvarenga e José Bonifácio de Andrada e Silva, o “Moço”.
Naqueles começos de século, o Rio e o Brasil todo ferviam. Turbulência de norte a sul da Colônia. Éramos Colônia. Dom João, acuado por Napoleão Bonaparte, cortou o Atlântico até chegar a nossas terras com a trupe formada por milhares de portugueses, numa esquadra protegida pela força marítima inglesa.
Aqui, seu refúgio.
A escravidão comia solta por cá, desde o começo da 2º parte do século 16. Indígenas e negros, sob
chicote de bandeirantes e fazendeiros, penavam.
Nos finais da 1ª metade
do século 17, militares portugueses se juntaram ao líder indígena Filipe
Camarão e ao negro mestre de campo Henrique Dias. Essa união tinha por
finalidade expulsar os holandeses que invadiram o Brasil. Finalidade
alcançada.
As normas do Exército brasileiro começavam aí, com heroísmo.
Triste heroísmo. Com sangue, muito sangue.
Foram muitas as
revoltas, revoluções, guerras
envolvendo negros, pardos brasileiros.
Dom João volta a Portugal no dia
26 de abril de 1821, atendendo a rogos do povo português.
No Porto
estourara uma revolução braba.
A essa altura, porém, Napoleão já havia
morrido na ilha inglesa de Santa Helena. Segundo Napoleão, no seus escritos de
memórias, Dom João foi o único monarca a lhe “passar a perna”, de acordo com o
que se lê no livro 1808 (Laurentino Gomes, Globo Livros, 2007).
Após
proclamar a Independência do Brasil de Portugal, em 1822, Pedro I prepara
terreno para seguir os passos do pai.
Nesse meio tempo, a vida
continuava tensa na nossa terra agora Império.
Periódicos de várias
tendências criticam e elogiam o comportamento do imperador. Aqui e ali ele se
irrita publicando textos apócrifos em vários jornais, entre os quais O Espelho
e O Analista sob os pseudônimos Duende, Derrete-Chumbo-A-Cacete, Piolho
Viajante e O Espreita.
Os humanos de África continuavam chegando aos
milhares e à força, não só à Corte.
No dia 14 de setembro de 1833, Paula
Brito leva à praça o primeiro jornal que trata das condições em que viviam os
negros à época. Péssimas. Título: O Homem de Cor, de circulação quinzenal.
Durou 5 números, o último lançado dia 4 de novembro daquele ano, que trazia
como subtítulo O Mulato.
Já na 1º edição desse jornal era estampada
referência à Constituição de 1824, outorgada por Pedro I. Dizia, no seu artigo
14: “Todo o cidadão pode ser admittido aos Cargos Publicos Civis, Politicos,
ou militares, sem outra differença, que não seja a dos seus talentos, e
virtudes.”
Francisco de Paula Brito era filho de mãe liberta (Maria). O
pai (Jacintho) era carpinteiro. Fez tudo que um pai faria pelo bem do filho.
Ele fez.
Muito cedo, Paula Brito identificou-se com a profissão de
tipógrafo. Nas tipografias que conseguiu fazer, entre as quais A Fluminense,
imprimiu vários jornais, quase uma centena. Um desses, O Restaurador, por
pouco não o levou à bancarrota.
Política e ideologicamente, Paula Brito
mostrava-se a favor da liberdade. Lutava por ela.
Nos fins do dia, numa
sala contígua a sua tipografia, Brito reunía-se com clientes e amigos para
discutir os rumos da vida que viviam. Entre esses amigos,
Machado de Assis, José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo (A Moreninha), em início de
carreira literária. E até Eusébio de Queiróz, que transformaria a vida do
Brasil ao conseguir ter aprovada no Congresso uma lei que impediria o tráfico
de escravos. Importantíssima.
O barão do Rio Branco era presença
constante nessas reuniões.
O Reino Unido teve participação fundamental na
aprovação da Lei Eusébio de Queiróz, como ficou conhecida a Lei nº 581 de 4 de
setembro de 1850.
História.
Antes disso, no dia 7 de novembro de
1831, o Parlamento brasileiro aprovou uma Lei que extinguia o tráfico de
africanos para o Brasil.
Essa Lei ficou conhecida como “Para inglês ver”.
Quer dizer, essa Lei (Feijó) nunca funcionou. Funcionou a Lei Eusébio
de Queiróz.
Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto o braseiro,
no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em
pranto
Saudades do seu torrão...
De um lado, uma negra
escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E
à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez,
pr'a não o escutar!
Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta
terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!
O sol faz lá
tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver
de tarde a papa-ceia!
Aquelas terras tão grandes,
Tão
compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de
pensar...
Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A
gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro.
O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo
estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
P'ra não acordar
com o pranto
O seu filhinho a sonhar!
.............................
O
escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes
do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois
bastava escravo ser.
E a cativa desgraçada
Deita seu filho,
calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não
viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!
(A Canção do Africano, de Castro Alves; 1863, Recife, PE)
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Esse texto foi originalmente escrito para o Newsletter Jornalistas & Cia. Já os conhece? Confira: Jornalistas&Cia, especial Perfil Racial da Imprensa Brasileira
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IMPRENSA NEGRA, RESISTENTE E HEROICA: PARTE I
A partir de hoje 20 até o próximo sábado 27, publicaremos neste blog uma série de 7 capítulos contando a história do que podemos chamar de Imprensa Negra no Brasil. É uma história interessantíssima, resistente e heroica como disse uma vez o colega jornalista Audálio Dantas. Muitas curiosidades o amigo leitor encontrará no decorrer da leitura dessa série. É isso.
Aliás, detalhe: A Lei Áurea foi assinada na tarde de domingo 13 de maio, do ano de 1888. Assinou o documento, além da princesa Isabel, uma figura pouco lembrada na história: Rodrigo Augusto da Silva (1833-1889).
E vamos à leitura. Tomara que goste.
***
Imprensa negra, resistente e heroica
À parte: Samba, cordel e repente −
uma história para estudo e reflexão
Por Assis Ângelo
(Para Anna Clara da Hora Sena Durães, pela infinita
paciência de ouvir e digitar os textos que lhe dito)
Aqui eu dou de mão do leitor e o levo a um passeio na história. O ponto de
partida é o achamento de Pindorama pelos portugueses, como o Brasil era
chamado nos primórdios por seus habitantes. Após isso e logo depois da
fundação da primeira cidade brasileira, São Vicente, os africanos começam a
desembarcar na Bahia, Rio e São Paulo pra dar duro na Ilha de Vera Cruz, como
denominou nossas terras Pedro Álvares Cabral (1467-1520). O objetivo é pôr luz
na história.
O primeiro jornal a tratar da questão negra foi O Homem de
Cor, de 1833.
No correr do texto, o leitor vai topar com um personagem
de importância fundamental na incipiente Imprensa brasileira: Francisco de
Paula Brito (1809-1861). Brito foi o pioneiro da chamada “Imprensa Negra”.
Paula
Brito foi o cara que abriu as portas para Machado de Assis. Foi Machado o
nosso primeiro grande romancista.
Muita água correu por debaixo da ponte
desde o lançamento do jornal O Homem de Cor.
Depois desse jornal, que
durou 5 números, muitos outros vieram abrindo caminho que levaria o negro à
liberdade.
Não era brincadeira o que o negro vivia no século 19.
Desde
então, pouca coisa mudou no campo da exploração humana.
O jornalista
alagoano
Audálio Dantas
(1929-2018), uma vez resumiu a importância dessa Imprensa: “Persistente,
heróica”.
A Importância da cultura africana no Brasil é sem tamanho.
Melhor: é de um tamanho que a vista humana nem alcança. O maestro paulistano
Júlio Medaglia resume essa história numa frase: “A cultura brasileira é negra
e devemos aos negros a cultura brasileira”.
Na tarde de 13 de maio de
1888, a princesa Isabel assinou no Paço Imperial, RJ, a Lei que tirou o poder
dos escravocratas sobre os negros escravizados.
Isabel Cristina
Leopoldina Augusta Micaela Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Bourbon nasceu
em 1846 e morreu em 1921, na França. Há 100 anos, portanto.
...Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o
brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de
açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a
dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras
crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças,
mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em
ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E
da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho
arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E
voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A
multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva
delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando,
geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após
fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo
entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda
fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho
dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E
ri-se Satanás!...
(Trecho do poema O Navio Negreiro,
de Castro Alves)
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Navio Negreiro, pintura de Johann Moritz Rugendas |
E outras cores também tem: verde, amarela, azul e branca, como ostenta a bandeira nacional que traz como tema “Ordem e Progresso”, extraído de frase do positivista francês Auguste Comte (1798-1857).
E ainda deveria ter a cor do sangue dos índios e dos negros escravizados.
O Brasil é rico demais, sempre foi.
O Brasil tem água em abundância e rios de ouro e prata.
E mais ainda o Brasil tem: terra fértil onde o que se planta dá incluindo coco, cajú, cajá, siriguela e cana caiana, que virou cana de beber na invenção de pretos em ferros nos engenhos coloniais.
Como se não bastasse, o som do samba faz o vento dançar e balançar o arvoredo.
São mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados…
No ranking, o Brasil ocupa o 5º lugar entre os maiores e mais populosos países do mundo.
O Brasil é um país de dimensões continentais, sem vulcões, furacões, terremotos, tsunamis, mas com muito cabra safado.
Ao tempo de 1500, só indígenas habitavam a terra brasilis, originalmente chamada de Pindorama.
Em Tupi-Guarani, Pindorama significa “Terra das Palmeiras”.
Quando Cabral aportou na costa baiana, o Brasil foi chamado de Ilha de Vera Cruz. Logo depois, em 1501, o rei Dom Manuel reintitulou o Brasil de Terra de Santa Cruz.
Antes disso, em 1498, aportou por estas terras o primeiro navegador de além mar: Duarte Pacheco Pereira.
No dia 20 de novembro de 1530, o Brasil ganhou uma vila: São Vicente, sei lá por que em homenagem ao santo espanhol Saragoça.
Em 1532, São Vicente passaria a ser conhecida como a primeira cidade do nosso País. Nessa cidade o seu fundador, Martim Afonso de Sousa (1500-1564), construiu Câmara, pelourinho, cadeia e uma capela, símbolos do reino de Portugal.
A história, a nossa história, é recheada de violência, tragédias e tristeza. Até hoje.
Nosso sangue é preto.
Nossos indígenas foram os primeiros a serem escravizados pelos invasores.
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| O pajé Awa Kuaray Wera e Assis Ângelo |
Kuaray Wera lembra que em 2020 quase 200 índios foram assassinados pelos brancos no Brasil. “A gente era muita gente, milhões. A gente hoje não chega nem a 1 milhão e o número de línguas, menos de 300. Podemos acabar”, acrescenta o Pajé.
Em 1550, portugueses começaram a traficar humanos de África para torná-los escravos cá, no Brasil.
A partir de então, os horrores passaram a se multiplicar, na cor preta.
Por essa época, uma jovem princesa angolana foi laçada por captores e trazida até nós, à força. Seu nome: Zacimba Gaba.
Essa princesa, da nação de Cabinda, foi desembarcada no porto de São Matheus (província de Espírito Santo). E lá sofreu até fugir das mãos dos seus algozes.
Foi uma guerreira.
Um ano antes de 1550, começaram a chegar em Pindorama os jesuítas. Entre eles, José de Anchieta (1534-1597).
Anchieta chegou em 1553 e um ano depois, fundou com Manuel da Nóbrega (1517-1570), a cidade de São Paulo.
Depois dos jesuítas, chegaram os carmelitas e os beneditinos.
Os jesuítas autoproclamavam-se “soldados de Deus”. Até hoje.
Essa organização religiosa foi criada na França, em 1534 e reconhecida pelo Papa em 1540. Seu fundador foi o santo Ingnacio de Loyola.
Negros e indígenas que vislumbravam a liberdade, fugiam do trabalho escravo.
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Zimbu, pintura de Antônio Parreiras |
Zumba, que morreu em luta, foi substituído pelo sobrinho Zumbi, diz a história.
Zumbi, de batismo Francisco, criado por um padre, lutou ao lado da companheira Dandara até o fim. Foi degolado e sua cabeça exposta em uma rua de Pernambuco, em 1695, por aí. Ano em que foi descoberto ouro em Minas, Mato Grosso e Goiás, para onde foram levados milhares de escravos para explorar a nova riqueza descoberta. Crianças, inclusive.
Zumbi tinha mais ou menos 40 anos quando o mataram.
Dandara preferiu suicidar-se a correr o risco de ser presa e torturada pelos inimigos.
A história não oferece dados suficientes para se traçar o perfil dessa guerreira.
Quem destruiu o Quilombo dos Palmares foram bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho (1641-1705), um assassino.
Não custa lembrar o que a história conta: os jesuítas André João Antonil (1649-1716) e Antônio Vieira (1608-1697).
Antonil era completamente a favor de que se escravizasse indígenas e africanos. “Os escravos são as mãos e os pés do senhor do engenho”, escreveu no livro Cultura e Opulência do Brasil sob o pseudônimo “O Anonymo Toscano”. Nesse mesmo livro, publicado e depois destruído a mando de Dom João V, o mesmo Antonil escreveu: “O Brasil é o inferno dos negros, purgatório dos brancos e o paraíso dos mulatos e mulatas”. E de lambuja, ainda disse: “Pão, castigo e trabalho”.
Vieira, por seu turno, mostrava-se levemente inclinado à não escravidão. Mas também escreveu num de seus sermões, comparando a dor do escravizado com a dor sentida por Cristo pregado à cruz:
Não se pudera nem melhor nem mais altamente descrever que coisa é ser escravo em um engenho do Brasil. Não há trabalho nem gênero de vida no mundo mais parecido à Cruz e Paixão de Cristo que o vosso em um destes engenhos. [...] Bem-aventurados vós, se soubéreis conhecer a fortuna do vosso estado, e, com a conformidade e imitação de tão alta e divina semelhança, aproveitar e santificar o trabalho! Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado: Imitatoribus Christi crucifixi – porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz e em toda a sua paixão. A sua cruz foi composta de dois madeiros, e a vossa em um engenho é de três. Também ali não faltaram as canas, porque duas vezes entraram na Paixão: uma vez servindo para o cetro de escárnio, e outra vez para a esponja em que lhe deram o fel. A paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as vossas noites e os vossos dias.
O lenga-lenga desse padre que costumava levitar sobre muros, pode ter dado
origem à máxima popular segundo a qual: “A Fé salva”.
Três ordens
religiosas marcaram a história do Brasil dos portugueses: jesuítas, carmelitas
e beneditinos.
Os beneditinos tinham sob seu domínio pelo menos 4 mil
pessoas escravizadas.
Desde o achamento de Pindorama, muita água correu
debaixo da ponte.
***
Esse texto foi originalmente escrito para o Newsletter Jornalistas & Cia. Já os conhece? Confira: Jornalistas&Cia, especial Perfil Racial da Imprensa Brasileira
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Instituto Memória Brasil!
sexta-feira, 19 de novembro de 2021
BRASIL DE SANFONEIROS
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quinta-feira, 18 de novembro de 2021
MANOEL DORNELES, UM CRAQUE DO JORNALISMO
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HOJE É DIA DE FAUSTO!
A carreira profissional, Fausto iniciou em 1972, no jornal Diário de Guarulhos.
O primeiro trabalho de próprio punho que publicou tinha o Cosmos como inspiração.
Simples, de uma tranquilidade franciscana, Fausto trabalhou na Folha de S.Paulo, Diário Popular e até na TV Cultura.
No currículo deste artista acham-se 14 livros, reunindo parte pequena e significativa de tudo quanto publicou na imprensa brasileira.
O mais recente livro de Fausto intitula-se Pré-Histórias. Uma obra-prima, diga-se de passagem.
Fausto, talentosíssimo, é um arguto observador da vida cotidiana e da natureza.
Sem exagero, afirmo que Fausto é uma marca importantíssima da nossa imprensa. Crítico, lírico e mais das vezes feroz. Seu traço é um traço marcante, como marcante são os traços de Picasso, Brennand, Millôr e Miguel dos Santos. A propósito, ele diz dos mestres que o influenciaram: “Marcaram a minha vida profissional Jaguar, Ziraldo e Millôr no Brasil. O estrangeiro com quem mais mostro identificação é Saul Steinberg”.
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| Este texto foi publicado originalmente no newsletter Jornalistas&Cia |
Ele ilustrou muitos textos meus no Folhetim, no Pasquim e revistas da Editora 3.
Fausto é mágico.
Filho de seu Antônio e dona Maria, Fausto é o 3º dentre os 6 irmãos. Mas só ele deu para as artes, no caso o cartoon e a charge.
Fausto Bergocce nasceu no dia 18 de novembro de 1952.
Esse cara é uma graça, literalmente falando e escrevendo. Um talento incrível.
Conversar com Fausto é aprender um pouco mais sobre a história do Brasil e sobre boa parte do mundo. É isso, viva Fausto!
Ah! Ia-me esquecendo: ele tem um monte de histórias em quadrinhos animadas...
JOSÉ XAVIER CORTÊZ
Hoje 18 é um dia pra ser lembrado não só pelo aniversário do cartunista fausto, mas também por ser o dia de aniversário do editor potiguar José Xavier Cortêz. Saudade. Leia mais:
quarta-feira, 17 de novembro de 2021
VIVA VILLA-LOBOS E A BOA MÚSICA!
terça-feira, 16 de novembro de 2021
OSESP LEVA CEGOS À SALA SÃO PAULO
Inaugurada em Julho de 1999, a Sala São Paulo, continua sendo o templo da boa música de Concerto e de Câmara.
Fazia tempo que eu não ia à Sala. Uma das últimas vezes, foi em 2015, quando Rolando Boldrin me convidou para assistir a uma belíssima apresentação musical para marcar os 10 anos do seu programa, Sr. Brasil. Fui com o saudoso amigo José Ramos Tinhorão (1928-2021).
Eu já havia perdido a visão dos olhos, mas mesmo assim apreciei o repertório escolhido pela produção do programa do Boldrin.
Domingo 14 voltei à Sala São Paulo para assistir à apresentação do Coro Acadêmico e da Academia da OSESP- Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.
A programação foi aberta pontualmente às 11hs, como previsto, com uma peça ligeira do compositor, instrumentista e maestro, Heitor Villa-Lobos (Quarteto de Cordas nº 1, em 6 movimentos), Jacques Ibert (Três Peças Breves), Geraldo Vandré/Théo de Barros (Disparada), Edu Lobo/Chico (Beatriz), Gilberto Gil/Torquato Neto (Geleia Real), Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira (Qui nem Jiló) e Sivuca/Glorinha Gadelha (Feira de Mangaio).
Foi tudo muito bonito, com quase metade das 1498 cadeiras ocupadas por um público atento, alegre e espontâneo que facilmente atendeu ao convite do regente Felipe da Paz para dançar. Isso, já no final.
Tudo que se passava no teatro, a partir do palco, foi transmitido por audiodescrição, pela profissional Lívia Motta, diretora da Ver com Palavras, ao meu lado na foto (ao lado).
Lívia, dona de uma voz macia e carinhosa, encantou a quem teve a oportunidade de ouvi-la.
Integrava a plateia duas dezenas de pessoas cegas ou outras com baixa visão.
Tomara que eventos como esse que tive a graça de assistir se repitam, pelo menos, uma ou duas vezes por mês, na Sala São Paulo e noutros ambientes do gênero.
Villa-Lobos morreu aos 72 anos de idade, no dia 17 de novembro de 1959.
segunda-feira, 15 de novembro de 2021
O DIA EM QUE O IMPERADOR CAIU
Surpreendente movimento militar que estourou ontem nesta Corte, espalhando agitação e disseminando boatos que duraram todo o dia tomaram conta da cidade, acabou impondo a deposição, pelas armas, do governo do Visconde de Ouro Preto – e ao mesmo tempo, do regime monárquico instaurado no país desde Independência, há 67 anos. O Brasil é agora uma república, segundo os oficiais que comandaram a manobra. O imperador D. Pedro II, há 49 anos no trono, encontra-se em prisão domiciliar, com todos os demais membros da família imperial, no Paço da Cidade.
domingo, 14 de novembro de 2021
CRIANÇAS PORTUGUESAS APRENDE O PORTUGUÊS CERTO!
sábado, 13 de novembro de 2021
SOCORRO LIRA NOS BRINDA COM MARIA FIRMINA DOS REIS
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar de Maria Firmina dos Reis?
Pois bem, Firmina dos Reis nasceu em março de 1822 e foi registrada em cartório em 1825.
Caso você não saiba quem foi essa mulher, corra depressa e vá procurar o CD Cantos à Beira-mar (abaixo).
Nesse disco, belíssimo, há 10 poemas musicados pela cantora, compositora e instrumentista paraibana Socorro Lira. Após musicados, os textos poéticos de Maria Firmina dos Reis receberam incrível arranjo do compositor, cantor, instrumentista e maestro Jorge Ribbas.
Ribbas é pernambucano e vive em Campina Grande, PB, há vários anos.
Socorro Lira é uma das mais afinadas e sensíveis vozes brasileiras. Já tem 13 álbuns lançados e um DVD (Amazônia, entre Águas e Desertos), os mais recentes são o já citado Cantos à Beira-mar e Chama. Os dois últimos trazem capa assinada pelo craque do traço Elifas Andreato.
Essa artista detentora de prêmios e apreciada por um público que vai do Brasil à Europa, Ásia e por todo o continente africano, tem o bom costume de trazer ao presente figuras do passado como a poeta ora homenageada em disco.
Dentre os resgates poéticos/musicais feitos por Socorro estão Zé do Norte e José Marcolino.
Zé do Norte rendeu à artista o troféu de melhor cantora na 23ª edição do Prêmio da Música Brasileira, em 2012.
No disco Cantos à Beira-mar Socorro Lira aparece declamando uma das 11 faixas, com acompanhamento de Ribbas. “Fiz um merengue e acho que ficou bastante legal o poema O Meu Desejo”, diz o maestro arranjador.
Os ritmos musicais encaixados nos poemas de Firmina dos Reis são claramente identificados como bolero, reggae, maracatu, choro, fado, canção, valsa, samba-canção e até um baião, além do já dito merengue.
“No momento, estou em estúdio pondo voz no novo disco que deverá ser lançado em 2022”, revela Socorro Lira, acrescentando que no próximo dia 23, às 19h, estará a frente de mais uma edição do Prêmio Grão de Música, por ela dirigido há 8 anos. “Avisa o povo para assistir a edição desse prêmio no canal Grão de Música”, pede rindo.Os primeiros textos poéticos de Firmina dos Reis foram publicados no jornal A Verdadeira Marmota (1861), Revista Maranhense (1887) e os últimos no O Federalista (1903). Além dos poemas, deixou de herança um romance abolicionista (Úrsula), uma novela indianista (Gupeva) e um conto (A Escrava).Maria Firmina dos Reis, maranhense de nascimento, morreu esquecida, pobre e cega no dia 11 de novembro de 1917.
sexta-feira, 12 de novembro de 2021
UM INTELECTUAL DA MPB, NA ABL
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