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quinta-feira, 2 de março de 2017

MARIA FIRMINA DOS REIS, 100 ANOS

Meu amigo potiguar José Xavier Cortêz, 80 anos, telefona para dizer que gostou do texto aqui publicado ontem, sobre a sua conterrânea e pioneira no feminismo brasileiro Dionísia Gonçalves Pinto (1810-1885), imortalizada pelo pseudônimo Nísia; nome, aliás, de um dos cento e sessenta e poucos municípios do Rio Grande do Norte, localizado a cerca de 40 km da Capital Natal.
E Cortêz foi logo perguntando: "Você sabia que ela (Nísia) nasceu numa cidade que se chamava Papari?"
O município de Nísia Floresta ganhou este nome em dezembro de 1948. À entrada dessa cidade tem uma árvore enorme, a mais larga do mundo, com cerca de 12 metros de circunferência e vinte e poucos metros de altura. Essa árvore, belíssima,  de origem africana, segundo o mestre Câmara Cascudo, despertou a atenção e curiosidade do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, que por aquelas bandas andou no final dos anos de 1920 e anos depois desapareceu do mundo, de vez, sem que se saiba até hoje o motivo ou forma do seu desaparecimento. Ele era aviador.
Exupéry é o autor do clássico universal O Pequeno Príncipe, publicado em tudo quanto é língua; em árabe, inclusive.
No clássico de Exupéry, essa árvore faz-se presente com o seu nome de origem: Baobá. Clique abaixo:
Nísia, como Exupéry, nos legou uma obra de grande importância para todos nós.
Em 1989, a Cortêz Editora publicou, de Nísia, os eternamente necessários livros Os Direitos da Mulher e A Injustiça dos Homens e O Opúsculo Humanitário, esgotados,
Tão grande como Exupéry e Nísia, foi a maranhense de São Luis, Maria Firmina dos Reis (1825-1917), que em 1859 publicou Úrsula.
Úrsula é, segundo todos os estudiosos da área, o primeiro romance de autora brasileira escrito e publicado no Brasil. Detalhe: nesse seu livro de estreia, Maria Firmina dos Reis assina o livro com a expressão Uma Maranhense.
No tempo de Nísia e Maria o bicho pegava mais do que hoje.
Ambas viveram o ápice da escravidão. Um tempo em que negro era tratado como bicho, pois acorrentados e açoitados por seus donos nos momentos que bem queriam.
Maria Firmina dos Reis morreu quando tinha 92 anos de idade. Era negra e pobre e morreu solteira e cega.
E como Nísia, foi professora. No correr da sua vida, ela adotou e criou dez crianças.
No próximo dia 8, dia Internacional da Mulher, a editora Cortêz vai lembrar a sua história destacando algumas dezenas de títulos em que a mulher é a principal personagem. Detalhe: No Maranhão o Dia da Mulher é comemorado no dia 11 de Outubro, dia em que nasceu Maria.
A grande maioria dos títulos publicados pela Cortêz nos últimos 40 anos é assinado por mulheres. Coerente com a trajetória que têm desenvolvido nas escolas, universidades e no cotidiano das ruas, com seu ativismo político.  José Xavier Cortêz é um feminista porreta!
Ah! Este ano completam-se 100 anos do desaparecimento de Maria Firmina dos Reis.


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