Nos últimos anos, o Brasil e brasileiros têm comido o pão do diabo.
Quando digo brasileiros quero dizer brasileiros de bom juízo, de bom senso. Quando digo brasileiros quero dizer de brasileiros e brasileiras que vislumbram na boa luta um país melhor para todos. A discordância entre nós brasileiros é lamentável. Será que somos meros vira-latas que ladram e brigam à toa sem entender e sem aprender nada? Fico matutando tudo isso cá com meus botões... Gostei de estar na noite de sexta 7 última batendo palmas pra meu querido amigo e colega de profissão Ricardo Kotscho, que recebia como prêmio o troféu Audálio Dantas de Jornalismo. Foi no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, onde em agosto de 1998 os vereadores desta fantástica cidade me agraciaram com o título de Cidadão Paulistano. Mas essa é outra história.
Assis Angelo e amiga Denise
No Salão Nobre da Câmara estiveram cerca de duas centenas de coleguinhas. Houve pequenos discursos e tudo mais. Lá estavam Vanira e Mariana, viúva e filha de Audálio. Mais: os vereadores Eliseu Gabriel (PSB) e Luna Zarattini (PT); Juca Kfouri, Jorge Araújo, Dácio Nitrini, Serjão (Sérgio Gomes), Valmir Salaro, Denise, Markun...
Luna Zarattini foi a única petista a comparecer ao evento.
Paulo Markun tem importância fundamental na história do jornalismo de São Paulo. Entre tantas funções e cargos ocupados no correr da vida, Markun chegou à presidência da Fundação Padre Anchieta à qual está ligada a TV Cultura (Canal 2).
A última vez que Markun e eu nos encontramos faz uns seis anos. Foi no Museu da Imagem e do Som, MIS. Na ocasião estava sendo lançada a série O Brasil Toca Choro, de que participei.
Hoje Markun mora em Portugal. Figura e tanto! Bom, cheguei à Câmara pelas mãos do amigo Magrão, que lá me deixou e seguiu pra compromisso em Pinheiros, zona oeste da Capital. Na Câmara fui abraçado por muita gente bonita e lá mesmo fiz um novo amigo de infância: Júnior do Peruche, que disse estar escrevendo um livro sobre samba. Contei-lhe que fui amigo de Geraldo Filme e que tenho comigo ainda uma boa reportagem que escrevi sobre ele, publicada no extinto tabloide D.O. Leitura. Matéria Grande de duas páginas. A capa da publicação foi feita para ilustrar belo texto sobre o samba paulista assinado pelo craque José Ramos Tinhorão (1928-2021).
Denise, Assis Angelo, Paulo Markun; Ricardo Kotscho, Assis e Jr do Peruche
Fazia tempo que Kotscho e eu não nos encontrávamos. E não custa dizer e repetir à exaustão: Kotscho é um jornalista que honra a profissão. Foi uma noite bonita. É isso! Ah! Ia me esquecendo: voltei pra casa pelas mãos de Júnior do Peruche, que imita a voz do amigo Oswaldinho da Cuíca como ninguém.
E Hilda Furacão, hein? Hilda Furacão é o romance do mineiro de Ferros Roberto Drummond (1933-2002) adaptado para TV em 1998. No enredo a bela jovem Hilda se apaixona por um religioso considerado santo da cidade em que vive, Belo Horizonte. O real, mais uma vez, se mistura com a ficção. O livro foi lançado em 1991. No mesmo ano em que foi lançada a novela, Hilda Furacão virou paródia no programa Sai de Baixo, da TV Globo. Miguel Falabella interpreta a personagem título. O religioso da história de Roberto Drummond é interpretado pelo humorista Tom Cavalcante. Há um momento em que o religioso fala a assumir a Furacão, precisa largar a batina. No que, de imediato, ela fala: “Não precisa largar a batina não, seu trouxa! Basta suspender…”. Os paraibanos José Américo de Almeida (1887-1980), José Lins do Rego (1901-1957) e Moacir Japiassu (1942-2015) legaram à posteridade obras originais como A Bagaceira (1928), Menino de Engenho (1932) e A Santa do Cabaré (2002), respectivamente.
Em A Santa do Cabaré, Japiassu se inspira no cangaço pra desenvolver a sua trama. E lá põe um desabrido macho sem escrúpulos e rápido no gatilho que entra num puteiro sapecando bala a torto e a direito, pondo em polvorosa as raparigas de plantão. Em Menino de Engenho, Zé Lins faz do personagem Carlinhos uma espécie de alter ego. A história começa quando o menino presencia a morte da mãe pelo pai que é preso, colocado num manicômio e de lá some. Levado à fazenda de um rico parente, Carlinhos descobre as delícias do sexo antes de ser posto num colégio de padres. Seu “professor” de putaria é um certo Guedes empregado da fazenda. Carlinhos ganha o apelido de Doidinho no segundo romance do seu criador, Zé Lins. Em Doidinho, Carlinhos passa a se excitar com muita frequência. Pensa na prima Maria Clara, na Maria Luísa e lê livros de safadeza que o tio Juca guardava no quarto. Foi estudar no Colégio, mas lá aprendeu muito pouco as letras que o avô tanto prezava. No seu terceiro romance, Banguê, Zé Lins traz de novo Carlinhos e aí já grande. A Bagaceira trata do dia a dia num engenho. No engenho de um coronel que violenta uma jovem de nome Soledade. Esse coronel, Dagoberto, é pai de um advogado recém formado de nome Lúcio, que se apaixona por Soledade. Tem rolo. Virou filme. Uma vez Japiassu me disse que era aparentado de Guimarães Rosa. Achei estranho, mas ele falou com tanta firmeza que não tive dúvida.
A obra de Rosa é toda recheada de encantos, incluindo amores proibidos.
Tema tabu praticamente até os dias de hoje é a homossexuliadade. Em 1888 Raul Pompeia (1863-1895) publicou na forma de folhetim o romance O Atheneu. Saiu no jornal Gazeta de Notícias, RJ. Nesse mesmo ano, o Atheneu foi à praça no formato de livro. Provocou muita polêmica. Pompeia morreu quando tinha 32 anos de idade, afirmando não ser homossexual. Logo após sua morte, Machado de Assis escreveu:
Raul Pompeia suicidou-se em casa, com um tiro no coração. Mas não morreu instantaneamente. Ele ainda teve tempo de perceber que a sua irmã, ao vê-lo, tivera uma crise nervosa; por isso, murmurou à mãe que cuidasse dela.
A polêmica ocorreu por causa da prática homossexual entre estudantes do Colégio que dá título ao livro.
Sobre o escritor cearense José de Alencar, já andei falando. Mas não custa dizer algo mais, né?
Alencar foi um dos mais inspirados e prolíficos escritores do século 19. Fez carreira no Rio, RJ. Foi jornalista, dono de jornal e tal. Seu primeiro grande sucesso literário aconteceu com a publicação do romance O Guarani, sua primeira grande obra publicada no formato de folhetim, em 1857. Virou ópera. A história se passa bem no começo do século 17, com estreia mundial na Itália. A Ária dessa ópera foi gravada por vários tenores, incluindo Caruso.
Ainda no século 19, a partitura de O Guarani foi impressa e vendida em várias partes do mundo. Até no Brasil. No Rio, as moçoilas de antigamente tocavam essa peça ao piano. Há registro disso no romance Casa de Pensão, do escritor naturalista Aluísio Azevedo.
Logo mais às 19h30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, será entregue o Troféu Audálio Dantas de Jornalismo a Ricardo Kotscho.
Kotscho, como Audálio, destacou-se brilhantemente na profissão de jornalista desde a Capital paulista. Está de "molho", aposentado.
A ideia de se criar esse troféu para homenagear grandes profissionais do Jornalismo surgiu em 2016. O titulo original foi Indignação, Coragem e Esperança, entregue uma única vez ao próprio Audálio, em 2017.
Audálio Dantas nasceu em Alagoas e encantou-se no dia 30 de maio de 2018, em São Paulo. Trabalhamos juntos. Frequentou a minha casa e eu, a dele.
Não me recordo bem quando fui convidado pra gravar um "piloto" de um programa que eu deveria apresentar na Rádio Globo. Convidei Audálio, os repentistas Sebastião Marinho e Luzivan Ferreira e a rainha do forró Anastácia (foto acima).
O pretendido programa na Globo "miou", depois que tive a desdita de deixar de continuar vendo a vida em cores através dos meus olhos.
"Meu Jesus amado! Assis, tudo isso pra dizer que você ficou cego?", cutuca-me com um sorriso sarcástico a querida Anninha da Hora que tanto bem me faz ouvindo as minhas lorotas e digitando-as para o deleite de quem me lê aqui e alhures.
Houve um tempo em que eu reunia, sempre às terças-feiras na minha casa, amigos como Audálio, Vandré, Célia/Celma, Tinhorão, Fausto (ilustração aí em riba), Téo Azevedo, Theo de Barros, Roniwalter Jatobá, José Cortez (Cortez Editora), Belchior, Jorge Melo, Inezita Barroso, José Hamilton Ribeiro (aí na foto com Kotscho e eu). Aí abaixo, pequeno registro de um desses encontros que eu costumava fazer cá em casa, quase sempre uma feijoada, uma carne de sol com macaxeira, rabada (vocês precisavam ver Tinhorão deglutindo uma excepcional rabada com Vandré, feita pela mineira Ivone...).
O derradeiro livro de Audálio foi As Duas Guerras de Vlado Herzog, 2012, contando a história desse jornalista assassinado pelas forças da repressão em 1975, em São Paulo.
Estarei lá batendo palmas para o querido amigo Kotscho.
Em 1954, o Brasil comemorou os primeiros 450 anos de fundação do município de São Paulo. Nóbrega e Anchieta foram os fundadores, jesuítas chegados por cá naquele tempo.
Os jesuítas eram, nos primórdios, quase sempre mal recebidos por onde andavam. Mas essa é outra história.
Você minha amiga, meu amigo, certamente conhece tanto quanto eu a trajetória de sucesso literário da escritora paulistana Lygia Fagundes Telles (1918-2022).
Pois bem, Lygia estreou como romancista em 1954. Há 70 anos, portanto. O livro de estreia foi Ciranda de Pedra, que recebeu elogios inimagináveis do respeitadíssimo crítico Antonio Cândido (1918-2017).
Em Ciranda de Pedra a autora põe em movimento três mulheres, a princípio. Duas delas são filhas legítimas de pai e mãe, Otávia e Bruna.
Irmã de Otávia e Bruna por parte de mãe é Virgínia, a caçula.
A vida corre bem até quando os pais de Otávia e Bruna se separam. O rompimento do casal deve-se ao instante em que entra Daniel, um médico que põe de cabeça pra baixo a vida de Laura.
Laura é a mãe das três meninas.
O corneado é o marido de Laura, o advogado Natércio
Essa é uma interessantíssima história da craque Lygia Fagundes Telles. Virou novela da TV Globo.
Na classe média do mundo todo acontece o que conta Lygia em Ciranda de Pedra.
Na Ciranda de Lygia tem adultério a dar com pau.
Entre as personagens há uma que se casa, tem amantes e tal. E outra que acha no mesmo sexo, o feminino, o caminho do seu prazer sexual.
Fora isso, tem uma jovem virgem disputada por três machos.
O homem está destruindo o nosso planeta a partir das florestas, dos rios e mares. Bem à frente de nós ronda o caos, o fim.
Eu disse e torno a dizer, pois a mim não custa: o homem não nasceu pra se salvar.
O que a natureza andou fazendo no Rio Grande do Sul é apenas o começo.
O Apocalipse está perto, pois não?
Enquanto a natureza reage à ação destrutiva do homem, mandando do céu chuvas e raios, pipocam violência e guerra em todo canto. Sem falar nos feminicídios, estupros e tudo mais.
Cerca de 40% do total de água potável no Brasil não chega ao destino necessário: torneiras etc.
Os homens em São Paulo aterraram ou encobriram pelo menos 400 rios.
Li muita coisa do escritor paulista Monteiro Lobato.
Descobri Lobato no correr dos meus primeiros 20 anos. E comecei pelo começo, lendo Urupês.
Urupês, palavra indígena que significa algo como espinho, reúne contos publicados em periódicos literários. A primeira edição é de 1914. Interessantíssimo. Trata da vida interiorana de São Paulo. Quer dizer, ali pelos finais do século 19, quando tudo ou quase tudo era mato. Tipo fazendão.
Monteiro Lobato virou fazendeiro após herdar fortuna de um parente ilustre. Não foi, à rigor, um fazendeiro exemplar.
O conto que abre Urupês tem como título Os Faroleiros. O narrador deste conto corrompe o chefe dos faroleiros, calando seu bico com alguns tostões. E aí segue a história envolvendo um cara que teve a mulher "roubada" por um "amigo". Chamava-se Maria Rita. Essa Rita, mulher assanhada, deixaria o cara que a "roubou" por um outro cara, que com ele partiu sabe-se lá pra onde.
Os principais personagens desse conto são: Cabrea e Gerebita.
Cabrea, que é chamado de louco por Gerebita, acaba na ponta da faca. O corpo foi atirado aos tubarões.
O terceiro conto é de sangrar o coração. Uma senhora tem uma filha que lhe dá uma neta. Essa neta é o xodó da avó, que passa os primeiros 15 anos tecendo um vestido pra lhe dar quando noivasse. Esse vestido, uma beleza, é todo costurado com recortes de roupas vestidas um ano antes pela garota.
Esse conto de Lobato tem por título A Colcha de Retalhos.
A avó da menina é uma certa Joaquina, de 70 anos. A filha de Joaquina chama-se Ana, que ama a filhinha Pingo d'Água.
Pra desespero da família, a pequena Pingo d'Água é abusada por um cabra safado. E aí acaba-se tudo.
Pois é, a obra do grande escritor Monteiro Lobato tem também histórias adúlteras e de violência.
O criador de Narizinho e demais personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo morreu em 1948, um ano depois de José Lins do Rego lançar o romance Eurídice. Essa também é uma história pra lascar.
Em 1948 foi criado o Estado de Israel, que teve entre seus criadores o embaixador brasileiro Graça Aranha.
E Israel está em guerra, matando inocentes palestinos: homens, mulheres e crianças.
Curiosidade: em 1954, Zé Lins visitou países do Oriente Médio. Entre esses países, Israel. Queria entender a cultura de lá. Essa visita resultou no livro Roteiro de Israel.
Dezembro, segundo o calendário cristão, marca o nascimento de Cristo, Jesus Cristo. Mas ele não nasceu em dezembro, tampouco no dia 25. Essa, porém, é outra história.
E junho, hein?
Junho é o mês dos santos famosos Antônio, João, Pedro e Paulo. Os três primeiros integram a agenda festiva das comemorações juninas, ou joaninas.
O dia 3 de junho de 1901 deveria entrar no calendário mundial por marcar o dia de nascimento do paraibano de Pilar José Lins do Rego, autor de dúzia e meia de belíssimos romances. Alguns clássicos como Menino de Engenho, Pureza, Fogo Morto e Cangaceiros.
Pureza é uma verdadeira obra de arte literária.
Menino de Engenho, publicado em 1932 de modo independente, abre o ciclo da cana de açúcar. É uma mistura de autobiografia e ficção. Aliás, essa é a marca literária do brasileiríssimo Zé Lins.
Outro grande paraibano de intelecto espantoso recebeu na pia batismal o nome de Ariano Suassuna.
Suassuna nasceu no dia 23 de junho de 1927. Quer dizer, véspera de São João.
Quando Zé Lins morreu Suassuna tinha 30 anos de idade.
Ariano Suassuna nasceu num quarto do Palácio da Redenção, em João Pessoa, PB. O pai, João (1886-1930), era à época o governador do Estado cuja capital ganharia o nome do seu principal adversário, pra não dizer inimigo político.
O pai de Ariano foi assassinado à bala no Rio de Janeiro. Covardemente, pelas costas.
O último romance publicado por José Lins do Rego foi Cangaceiros. Belo. Não custa lembrar, que já no seu primeiro romance, Menino se Engenho, o cangaceiro Antônio Silvino surge com seu bando como personagem.
Depois desse romance, como se previsse a própria morte, Zé Lins lança os Meus Verdes Anos. Autobiográfico.
Os grandes José Américo de Almeida e Gilberto Freyre foram os principais influenciadores da escrita reguiana. Mas não foram desses autores os dois primeiros livros que leu.
Antes de Américo e Freyre, Zé Lins leu Raul Pompéia (O Atheneu) e Machado de Assis (Dom Casmurro).
A obra de José Lins do Rego continua sendo lida em várias línguas: alemã, italiana, espanhola, francesa, inglesa, russa...
O nosso Zé Lins foi um escritor muito além do seu tempo. Ele falava de relações homoafetivas com a naturalidade de quem sabe o que dizer.
Já no seu segundo romance, Doidinho (1933), Zé Lins apresenta aos leitores a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo: Manuel e Clóvis.
No romance Usina (1936), o autor de Menino de Engenho cria mais dois "sem-vergonhas" ou frescos, como eram chamados os meninos que copulavam entre si.
Noutro romance, Água-Mãe (1939), Zé Lins brinda seus admiradores com um casal de lésbicas: Edna e Ester. A primeira aluna e a segunda, professora. E por aí vai.
Em Cangaceiros Zé Lins encerra seu ciclo criativo com mais sexo entre homens.
Essa história de sexo entre homens me faz lembrar uma historiazinha que ocorreu sobre o temível bandoleiro Virgulino Ferreira, o Lampião. Até um livro robusto foi escrito por um juiz de Direito cearense afirmando ser o famoso cangaceiro feito a prática de sodomia. Pois é. O livro do referido juiz tem por nome: Lampião Mata Sete (2011).
Adolfo Caminha, não custa lembrar, foi o primeiro escritor brasileiro a tratar do tema da homossexualismo em livro. No caso, o romance Bom-Crioulo.
Em 1956, ano do lançamento do último romance de Zé Lins, o cantor e compositor Zito Borburema, também paraibano, gravou em 78RPM a música Mata Sete. Engraçada. Ouça:
A literatura do paraibano Ariano Suassuna é recheada de chifres, luzentes e engraçados. Isso desde o seu primeiro romance, Uma Mulher Vestida de Sol. Nessa obra, tem amor, sexo, traição, etc.
A Pedra do Reino, um calhamaço de 750 páginas, trata de histórias fantásticas.
Delícia de se ler, do velho Ariano, são também o Santo e a Porca e O Auto da Compadecida.
Nesse Auto, os personagens fazem estripulias impagáveis.
A santa Compadecida é interpretada pela atriz Fernanda Montenegro.
Além de santa, Fernanda também interpretou Teresa uma lésbica na trama criada por Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga. Título: Babilônia, que esteve no ar pela Globo em 2015.
Nessa novela ocorreu o primeiro beijo lésbico na TV brasileira. A respeito da personagem que interpretou, Fernanda declarou: “Considero o papel uma declaração de não preconceito a respeito da opção sexual”.
É bom que se diga que antes de Babilônia, a Globo pôs no ar a novela Amor à Vida. Essa novela, de Walcyr Carrasco, também tem personagens gays: Félix e Niko.
Depois disso, o tema virou feijão com arroz na telinha. Porém, não custa dizer que foi o cearense Adolfo Caminha (1867-1897) o primeiro escritor brasileiro a publicar um livro abordando de maneira claríssima a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo. O caso se acha no livro Bom-Crioulo (1895), cujos personagens principais são o ex-escravo Amaro e Aleixo. Esse Aleixo é conquistado por uma cafetina e com ela teve a primeira transa. Gostou e por gostar deixou Amaro. Termina em sangue.
Do mesmo Caminha são os livros Voos Incertos (poesia, 1886), Judith e Lágrimas de um Crente (contos, 1887) e Cartas Literárias (crítica, 1895).
Do mesmo autor são os romances A Normalista (1893) e Tentação (1896).
A Normalista conta a história de uma menina que perde a mãe e o pai e é criada por um padrinho, que nutre por ela uma obsessão, chegando a engravidá-la.
Até parece que aí tem um dedo de Nelson Rodrigues, mas não. Nelson nasceu em 1912 quando Caminha já havia morrido há 15 anos.
Curioso nessa história também é o último livro de Caminha: A Tentação. Na trama há um troca-troca entre dois casais. E mais não digo.
Antes de Irene Dias Cavalcanti houve outra potiguar de nome Dionísia Gonçalves Pinto (1810-1885), famosa pelo pseudônimo Nísia Floresta Brasileira Augusta, tida como a primeira feminista do Brasil.
Nísia publicou duas dezenas de livros, alguns na França. O primeiro deles, Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens, foi publicado quando ela tinha 22 anos de idade.
Estudiosos acreditam que Nísia Floresta baseou-se no texto inglês Woman Not Inferior to Men, sem autor conhecido, para escrever o seu livro de estreia.
O município Nísia Floresta ganhou este nome em sua homenagem. Fica a cerca de 40 km de Natal, RN.
No Rio de Janeiro destacaram-se Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida (1862-1934) e Albertina Bertha de Lafayette Stockler (1880-1953).
Júlia publicou poemas, contos e livros. Falou de adultério e coisa e tal. Dentre seus livros destacam-se A Falência, A Viúva Simões e A Intrusa.
No romance A Falência (1901), a autora põe à baila questões sociais que tanto afligiam as mulheres.
Tempos patriarcais, no sentido mais completo. A protagonista Camila dá uns pulinhos de cerca com um médico amigo da família. Mais um triângulo, não é mesmo? Como terminará essa história, hein?
Em 1916 foi a vez de Albertina Bertha estrear em livro. Título Exaltação, um romance que deu o que falar.
O escritor Lima Barreto (1881-1922), em artigo publicado no jornal Gazeta de Notícias de 26 de outubro de 1920, destacou:
Depois de Balzac, de Daudet, de Maupassant, etc., o romance Exaltação de D. Albertina Bertha, na leitura, nos surge cheio de um delicioso anacronismo. Aparece-nos como uma novela de grande dama, linda e inteligente, para quem a existência só tem o merecimento e mesmo é o seu principal fim o de terminar o amor de um casal, senão de condição real, mas suficientemente principal.
Os triângulos amorosos na vida real e na ficção se sucedem desde sempre.
Esse tipo de amor triangular é encontrado também no romance Anna Karenina de Leon Tolstói (1828-1910).
A protagonista é burguesa e tal. Seu casamento logo dá vez ao tédio. Irrita-se com tudo referente ao maridão, inclusive com seu modo peculiar de andar e de comer. Mas com o corpo ardendo de desejo, ela começa a pular cerca. É uma viagem incrível que o autor russo nos propicia. Termina com um trem anunciando num apito a presença da morte.
Em tragédia também termina o clássico do gênero Madame Bovary, de Gustave Flaubert (1821-1880). A personagem central é uma jovem sonhadora, viciada em histórias românticas. Casa-se com um médico interiorano a quem premia com um belo par de ganchos na testa. Pois é.
Muita gente, posso dizer assim, tem me ligado pra saber do que andei fazendo por aí afora. Anninha cuidou disso. Leiam:
------------------
Jornalista e estudioso da cultura popular, acumula vasta experiência nos principais jornais do país e também na imprensa alternativa. Participou de várias coletâneas musicais e de filmes.
Assis Ângelo é paraibano de João Pessoa (1952). Iniciou a carreira profissional no jornal O Norte, no final dos anos 1960. Foi colunista e repórter dos jornais A União e Correio da Paraíba. Em meados dos anos 1970, editou o Diário do Agreste, em Caruaru (PE). Em 1976, mudou-se para a capital paulista e, a partir do ano seguinte, trabalhou nos jornais Folha de S.Paulo, Diário Popular e O Estado de S.Paulo.
No Estadão ocupou a chefia da Editoria de Política, em 1987. Integrou os quadros das TVs Abril/Vídeo, Manchete e Globo. Foi correspondente, em São Paulo, do Jornal de Brasília e colaborador de inúmeras publicações brasileiras, entre as quais o Pasquim e a Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro; Movimento, de São Paulo; e CooJornal, de Porto Alegre. Também foi colunista da Agência Estado e um dos criadores da Agência Brasileira de Reportagens (ABR).
Produziu e apresentou pela Rádio Capital o programa São Paulo Capital Nordeste, que se tornou líder de audiência e referência nacional, por mais de seis anos. Para esse programa criou a personagem dona Mariquinha, que chegou a ser interpretada pela cantora Maria da Paz. Essa mesma personagem virou tema de vários folhetos de cordel feitos por Bule-Bule e Klévisson Viana, entre outros poetas populares. Em 1998, foi agraciado com o título de cidadão paulistano pela Câmara Municipal de São Paulo.
Participou do longa-metragem franco-brasileiro Saudade do Futuro, de César Paes e Marie-Clémence, premiado na Europa e EUA. Esse filme foi baseado no livro: A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo.
Em 2000, lançou o CD Assis Ângelo Interpreta Poetas Brasileiros ao lado de Zé Ramalho, Elba Ramalho, Jackson Antunes, Oswaldinho do Acordeon, Aleh Ferreira, Toninho Carrasqueira, Rodrigo Mattos e Ney Couteiro, entre outros artistas. Em 2004, foi lançado um DVD com o curta-metragem Boi, de Edu Felistoque e Nereu Cerdeira, com texto e narração de sua autoria. Como consultor participou de várias coletâneas musicais (Fitas-K7, LPs e CDs) e do filme Pelé Eterno, de Aníbal Massaíni, em 2004.
Foi o autor dos textos da coleção Som da Terra, com 26 títulos sobre música caipira, da gravadora Warner/Continental, em 1994. Chefiou o departamento de Imprensa da Companhia do Metropolitano de São Saulo (metrô) e respondeu durante dois anos pela Assessoria Especial da Presidência da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), período em que promoveu nas estações dezenas de atividades culturais relacionadas à cultura popular, incluindo a literatura de cordel e a cantoria de improviso ao som de violas nordestinas.
Integrou a mesa de jurados de Festival de Repentistas em São Caetano, em 1989. Organizou e presidiu a mesa de jurados do 1º Festival de Repentistas da Rádio Atual, levando nomes da importância do compositor Paulo Vanzolini e do poeta Mário Chamie. Esse festival resultou em um LP, em 1989. Participou como jurado de grande encontro de cultura popular em Mauá, na grande São Paulo, em 1990.
Lançou o livro A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo, em 1996. Escreveu textos e lançou a série de CDs O Que é... Repentismo, em três volumes, da coleção Primeiros Acordes, pela gravadora Copacabana, em 1996.
Coordenou e presidiu a comissão julgadora do mais importante Festival de Poetas Repentistas do Brasil (por seu tamanho, formato e repercussão), com classificatórias no teatro da CPC/Umes, em São Paulo, cuja final ocorreu no Memorial da América Latina e resultou em três CDs, um duplo e um simples, em 1997. Da final deste Festival integraram a mesa julgadora o novelista Benedito Ruy Barbosa, o ex-governador da Paraíba e ex-senador Ronaldo Cunha Lima, o maestro Marcus Vinícius, o brincante Antonio Nóbrega, o jornalista Audálio Dantas e a poeta repentista Mocinha de Passira, entre outros. O 2º Festival Paulista de Repente, da CPC/Umes lhe foi dedicado, em 1999.
Idealizou e realizou o 1º Concurso Paulista de Literatura de Cordel, que resultou na distribuição de 200 mil folhetos nas escolas públicas do Estado (2001). Também idealizou e realizou o 2º Concurso Paulista de Literatura de Cordel, com distribuição gratuita de 210 mil folhetos na rede pública de ensino do Estado em 2003, pela CPTM. Lançou e produziu o Concurso Literário com a temática trens e trilhos, que teve mais de 900 concorrentes. Esse concurso resultou no livro A Literatura sobre Trilhos (2004). Entre os jurados, representantes da União Brasileira dos Escritores (UBE, SP). Apresentou o programa Tão Brasil, pela allTV, a primeira tevê pela Internet do país, entre 2005 e 2007. E assinou a coluna diária no portal Music News, entre 2007 e 2008. Foi contemplado em dois editais da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e do BNB, que resultaram em dois CDs, em 2008: Assis Ângelo Apresenta Inéditos do Capitão Furtado e Téo Azevedo e Assis Ângelo Interpreta Poetas Nordestinos dos Séculos XIX e XX.
Participou do 1º Festival Internacional de Trovadores e Repentistas nas cidades de Quixadá e Quixeramobim, em 2008, declamando poemas autorais.
Foi curador de um projeto sobre o ano de 1968, que incluiu uma exposição e um ciclo de debates no Centro Cultural do Banco do Nordeste (BNB), em Fortaleza, ao lado dos cantores, compositores e instrumentistas Sérgio Ricardo e Théo de Barros e do jornalista José Hamilton Ribeiro. Discutiu-se a política e artes daquele ano de 2008. Em 2015 o BNB lançou à praça um DVD em que Assis discorre sobre a cultura nordestina.
Também respondeu pela curadoria do projeto realizado na Casa das Rosas e no Metrô (Estação Paraíso) em homenagem ao centenário do poeta Patativa do Assaré, que gerou o áudio-livro O Poeta e o Jornalista, em parceria com a Universidade Falada e a Editora Hedra, em 2009. Foi membro do conselho editorial do Jornal Unidade do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, ao qual filiou-se em 1977. Tem sido jurado de importantes prêmios jornalísticos, como o Vladimir Herzog, do Sindicato dos Jornalistas.
Produziu e participou em 2006 do Projeto Música do Brasil (Baião), com Dominguinhos, Carmélia Alves (Rainha do Baião), Anastácia (Rainha do Forró), Gereba e Camerata. Sesc Pinheiros. Antes disso, em 2001, participou do projeto 100 Anos de Cordel, que teve como curador o jornalista Audálio Dantas. Ocupação no Sesc Pompéia.
Do seu acervo saíram discos em todos os formatos com músicas contando a história da cidade de São Paulo, resultando numa ocupação de 350m² na unidade Sesc Santana, SP. Participaram do projeto, Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, artistas como Paulo Vanzolini, Inezita Barroso, Altamiro Carrilho, Tom Zé, Eduardo Gudim, Oliveira de Panelas, entre outros. A mostra permaneceu à visitação pública durante três meses. Tudo isso resultou num jogo para crianças e um livro lançados pelo próprio Sesc em 2012.
No decorrer da sua vida profissional, percorreu centenas de cidades brasileiras ora fazendo reportagens, entrevistas; ora fazendo pesquisas sobre música e folclore em campo e sebos e bibliotecas do exterior, inclusive. Fez também centenas de palestras e debates em escolas, universidades e entidades culturais, entre essas a rede CEU (Centros Educacionais Unificados) com três palestras sobre a literatura brasileira, a música popular brasileira e a música que conta a história de São Paulo. Apresentou grandes espetáculos musicais em espaços abertos como o Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Apresentou programas em várias emissoras de rádio em João Pessoa, PB e em São Paulo, SP. Seu nome se acha em verbetes do Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira (2006) e do Dicionário de Folcloristas Brasileiros, de Mário Souto Maior (2000). Fora isso, o seu nome se acha em pelo menos 300 livros sobre música, jornal, rádio e TV.
BIBLIOGRAFIA
LIVROS
Em Revista 5 (Editora do Escritor, São Paulo, 1978). Literatura brasileira. Vários autores. Conto: Obsessão de um Rapaz de Olhos Míopes.
A Prostituição em Debate (Ed. Paulinas, São Paulo, 1982). Jornalismo/Sociologia. Org. Vários autores.
O Brasileiro Carlos Gomes (Ed. Nacional, São Paulo, 1987). Biografia do maior compositor operístico das Américas.
Tropicália 20 anos (Ed. Sesc, São Paulo, 1987). Vários autores, entre os quais Caetano, Gil, Tom Zé e Zé Celso.
Nordestindanados, Causos & Cousas de uma Raça de Cabras da Peste – De Padre Cícero a Câmara Cascudo (RG Editores, São Paulo, 1987). Literatura brasileira.
Eu Vou Contar Pra Vocês (Ed. Ícone, São Paulo, 1990). Biografia do rei do baião, Luiz Gonzaga.
O Coronel e a Borboleta e Outras Histórias Nordestinas (Estúdio F, São Paulo, 1992). Literatura brasileira. Contos, Crônicas.
A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo (Editora Ibrasa, 1996, São Paulo). Folclore.
Dicionário Catrumano, Pequeno Glossário de Locuções Regionais (Ed. Letras & Letras, 1996, São Paulo), com Téo Azevedo. Linguística.
O Que é Folclore (Edição patrocinada pela Companhia do Metropolitano de São Paulo, 1998, São Paulo). Folclore.
As Origens da Canção de Natal, Da Antiguidade à Atualidade (opúsculo patrocinado pela Companhia do Metropolitano de São Paulo, 1988, São Paulo). História.
O Poeta do Povo, Vida e Obra de Patativa do Assaré (Editora CPC/Umes, São Paulo, 1999). Literatura brasileira. Biografia do poeta popular Antônio Gonçalves da Silva. Acompanha um CD, com trechos de entrevista com o biografado, feita em 1978.
O Cantador de Alto Belo (2001, São Paulo). Biografia do artista popular Téo Azevedo. Edição do biografado.
A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira (Ed. Paulus, 2002, São Paulo).
O Clarim e a Oração (Geração Editorial, 2002, São Paulo). Literatura brasileira. Org. Rinaldo de Fernandes. Vários autores: Ariano Suassuna, Augusto de Campos, Roberto Pompeu de Toledo, entre outros.
Dicionário Gonzagueano, de A a Z (Edição patrocinada pela Trends Engenharia e Tecnologia, 2006, São Paulo). Biografia.
São Paulo Minha Cidade.com (Edição SPTuris, 2008, São Paulo). Acompanha um CD.
Uma breve história do cordel (Edição do Governo do Estado do Ceará, 2008).
Pascalingundum! Os Eternos Demônios da Garoa (Edição patrocinada pelo grupo Trends Tecnologia, 2009, São Paulo). Biografia.
Caminhos do Nordeste em São Paulo (Sesc, 2009, São Paulo). História.
A Menina Inezita Barroso (Cortez Editora, 2011, São Paulo). Biografia.
Lua Estrela Baião, A História de Um Rei (Cortez Editora, 2012, São Paulo). Infanto-Juvenil.
Histórias de Esquina (Maio Produções, 2023, São Paulo), com Fausto Bercocce. História/Cultura popular.
A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama no Mar, Versão Poética de Os Lusíadas
(Camões); Prêmio Proac 2023.
CORDÉIS
Coronavírus: Piolho do Cramunhão Faz o Mundo Todo Tremer (2020). Cordel.
Repórter Entrevista Piolho do Cramunhão (2021). Cordel.
Serpente Quer Pôr Ovo no Coração do Brasil (2021). Cordel.
Jornalismo e Liberdade nos Tempos de Pandemia (2021). Cordel.
João do Rio: Repórter é Caçador e a Verdade Sua Pauta (2021). Cordel.
A Vida como Tragédia e um Cego por Testemunha. (2022). Cordel
O Menino e o Mar na Trilha do Etéreo (2023). Cordel.
MÚSICAS
A BRASILEIRA INEZITA BARROSO (Assis Ângelo/Papete)
CAMINHANDO COM VANDRÉ (Assis Ângelo/ Téo Azevedo)
CLARICE (Assis Ângelo/ Téo Azevedo); trilha do filme francês Saudade do Futuro
ESTRELAS DO CÉU E DA TERRA (Assis Ângelo/ Téo Azevedo)
HINO AO CÉU (Assis Ângelo/Gereba)
MINHA RENDEIRA (Assis Ângelo/Téo Azevedo)
MODINHA À MODA MINEIRA (Assis Ângelo/Téo Azevedo)
O ÍNDIO (Assis Ângelo/Téo Azevedo)
O VELHO PATATIVA (Assis Ângelo/Gereba/Klévisson Viana)
O VENTO (Assis Ângelo/Téo Azevedo)
QUIXOTEANDO (Assis Ângelo/Gereba/Klévisson Viana)
ROMANCE NO METRÔ (Assis Ângelo/Enok Virgulino)
SÃO PAULO ESQUINA DO MUNDO (Assis Ângelo/Jarbas Mariz)
SEM BALÃO NO CÉU (Assis Ângelo/Téo Azevedo)
BRASIL PENTACAMPEÃO (ASSIS ÂNGELO/GEREBA)
RUMO AO HEXA (Assis Ângelo/Jarbas Mariz)
PINTO NOVO QUER BRIGAR (Assis Ângelo/Jarbas Mariz)
O CANTADOR DE ALTO BELO (Assis Ângelo/Cacá Lopes/Luiz Wilson)
FORRÓ PRA ANASTÁCIA (Assis Ângelo/Jorge Ribbas)
XOTE ERUDITO (Assis Ângelo/Jorge Ribbas)
HINO A BADARÓ (Assis Ângelo/Jorge Ribbas)
VIVA ROSIL! (Assis Ângelo/Jorge Ribbas)
FORRÓ NA LUA (Assis Ângelo/Jorge Ribbas)
O PLANTAFLOR (Assis Ângelo/Jorge Ribbas)
TEUS OLHOS (Assis Ângelo/Jorge Ribbas)
EMBOLADA PRA JOÃO DO RIO (Assis Ângelo)
DECLARAÇÃO DE AMOR A SÃO PAULO (Assis Ângelo, com acompanhamento musical de Oswaldinho da Cuíca)
BAIÃOZINHO PARA O REI DO BAIÃO (Assis Ângelo/Oswaldinho do Acordeon)
DEPOIMENTOS LEVADOS AO AR DURANTE O PROGRAMA SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE — RÁDIO CAPITAL, AM 1.040
“O TEU PROGRAMA É LINDO, RAPAZ. ADORO. OBRIGADO PELA IDÉIA DE FAZÊ-LO”.
Mário Lago, ator e compositor
“O SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE EU CONSIDERO UM PROGRAMA ESSENCIAL PARA TODOS NÓS NORDESTINOS, SEJAM NASCIDOS, SEJAM ADOTADOS”.
Paulo Vanzolini, cientista e compositor
“CABRA DA PARAÍBA, CABRA COMPETENTE. CONHEÇO BEM O SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE. VOCÊ, ASSIS, É UMA DAS MAIS LEGÍTIMAS BANDEIRAS ALTEADAS EM PROL DA MÚSICA POPULAR DESTE PAÍS. EU CONTINUO REVERENCIANDO O SEU TRABALHO, DESENVOLVIDO COM DENODO E INTELIGÊNCIA”.
Luiz Vieira, cantor e compositor
“ADORO OUVIR O SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE, TALVEZ O MAIS BRASILEIRO PROGRAMA DO RÁDIO”.
Paulinho Nogueira, violonista e compositor
“GOSTO MUITO DO SEU PROGRAMA. CURTO MUITO AS MÚSICAS QUE VOCÊ TOCA, A CONVERSA COM SEUS ENTREVISTADOS. ESTOU SEMPRE LIGADO NO SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE”.
Renato Teixeira, violeiro, cantor e compositor
“QUANDO É UM POETA COMO VOCÊ, ASSIS ÂNGELO, QUE FICA À FRENTE DE UM PROGRAMA, ESSE PROGRAMA SÓ PODE SER BOM. QUE BELEZA! VIVA O NOSSO SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE”.
Tinoco, violeiro, cantor e compositor
“EU ESTOU SEMPRE SINTONIZADO NESSA MARAVILHA QUE É O PROGRAMA SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE”.
Oswaldinho do Acordeon
“LOUVO A RÁDIO CAPITAL/E VOCÊS SABEM QUE É/A ESTAÇÃO ONDE ASSIS/FALA COM AMOR E FÉ”.
Patativa do Assaré, poeta popular
“ASSIS ÂNGELO É UM GRANDE COMUNICADOR E POETA, E PRODUZ E APRESENTA O PROGRAMA QUE MELHOR EXALTA A NOSSA CULTURA, A NOSSA TERRA. O SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE ESTÁ CADA VEZ MELHOR”.
Raimundo Fagner, cantor e compositor
“ESTOU SEMPRE ESCUTANDO O SEU PROGRAMA, ASSIS, QUE É DE LASCAR O CANO”.
Jorge de Altinho, cantor e compositor
“O QUE É BOM ESTÁ NO SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE, COM O NOSSO ESCRITOR ASSIS ÂNGELO”.
Dominguinhos, sanfoneiro, cantor e compositor
“O MEU CORAÇÃO BATE FEITO UMA ZABUMBA QUANDO ESCUTO O PROGRAMA SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE”.
Maria da Paz, cantora, compositora e instrumentista
“SEMPRE QUE POSSO, LIGO O MEU RADINHO E FICOU OUVINDO O PROGRAMA SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE, NA BONITA VOZ DE ASSIS ÂNGELO”.
Jackson Antunes, ator, poeta e cantor
“ASSIS É UM PATRIMÔNIO DA CULTURA BRASILEIRA AUTÊNTICA, GRANDE DIVULGADOR DA MÚSICA DE RAIZ”.
Téo Azevedo, cantador e compositor
“O SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE É UM PROGRAMA MUITO BONITO”.
Geraldo do Norte, poeta declamador
“EU TAMBÉM CURTO O SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE”.
Rita Ribeiro, cantora e compositora
“PARTICIPAR OU SIMPLESMENTE OUVIR O SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE É O MESMO QUE FICAR NO CÉU COM OS PÉS DE FORA. É BOM DEMAIS!”
Gereba, cantor e violonista
“EU CURTO DEMAIS O PROGRAMA SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE, DO MEU AMIGO ASSIS ÂNGELO”.
Carmélia Alves, cantora
“EU FICO MUITO CONTENTE QUANDO OUÇO O PROGRAMA DO ASSIS, UM LÍDER DE AUDIÊNCIA QUE DIVULGA A VERDADEIRA CULTURA BRASILEIRA”.
Marinês, cantora
“ISSO É QUE É PROGRAMA. SÓ NO SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE É QUE SE TOCA O NOSSO FOLINHO DE OITO BAIXOS”.
Negrinho dos Oito Baixos, sanfoneiro
“O PROGRAMA DO ASSIS VALE A PENA SER OUVIDO”.
José Hamilton Ribeiro, jornalista
“O PROGRAMA DO ASSIS ACRESCENTA MUITO À CULTURA BRASILEIRA”.
Luciene Weiland, cantora lírica
“ASSIS, EU QUERO CUMPRIMENTAR OS SEUS OUVINTES E DIZER DO GRANDE RESPEITO QUE TENHO POR VOCÊ, PELO SEU TRABALHO COMO PESQUISADOR DE ALTA QUALIDADE”.
Nora Ney, cantora
“MEU QUERIDO AMIGO ASSIS ÂNGELO, OBRIGADO POR TUDO QUE VOCÊ TEM FEITO PELA NOSSA MÚSICA NOS SEUS LIVROS E ATRAVÉS DO SEU SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE, UM PROGRAMA DE MACHO”.
Benito de Paula, cantor e compositor
“ESSE NOSSO ASSIS É A VOZ, O CORAÇÃO E O CÉREBRO DO NOSSO SERTÃO”.
Targino Gondim, sanfoneiro, cantor e compositor
“ASSIS ÂNGELO APRESENTA/TODO SÁBADO SEU PROGRAMA/DO POVO DA NOSSA TERRA/DIVULGA O NOME E A FAMA/MUITO OBRIGADO A ASSIS/POR PREZAR TANTO A QUEM AMA”.
Sebastião da Silva, poeta repentista
“ASSIS ÂNGELO, SEU PROGRAMA/É GRANDE A DIVULGAÇÃO/PÕE O RÁDIO EM SINTONIA/SEMPRE PRESTANDO ATENÇÃO/UM LÍDER DE AUDIÊNCIA/COM AS MÚSICAS DO SERTÃO”.
Zé Cardoso, poeta repentista
“ASSIS, OBRIGADO PELO INCENTIVO QUE VOCÊ DÁ A GENTE QUE FAZ MÚSICA BRASILEIRA”.
Geraldo Azevedo, cantor e compositor
“ESSE PROGRAMA É REFERÊNCIA PARA A NOSSA CULTURA POPULAR”.
Pingo de Fortaleza, cantor e compositor
“O BRASIL PRECISA DE GENTE COMO ASSIS ÂNGELO”.
Oliveira de Panelas, poeta repentista
“O PROGRAMA DO ASSIS É O RETRATO DO NORDESTE”.
Gilles Lapouge, jornalista e escritor francês
Opiniões
NOS JORNAIS E REVISTAS
“Assis Ângelo sempre soube emprestar aos seus enfoques culturais a agilidade do seu talento versátil”, artigo de Paulo Dantas, o suplemento cultural do Diário Oficial do Estado de São Paulo.
“Assis Ângelo é uma espécie de guerrilheiro da crítica musical brasileira”, José Nêumanne, jornalista.
“Assis faz a simbiose da música popular nordestina integrada ao magma paulistano”, Lourenço Diaféria em crônica para o Diário Popular.
“Assis Ângelo, scrittore e giornalista, lotta per la preservazione della cultura e del patrimônio storico del Brasile”, reportagem de Lúcia Helena Oliveira e Eduardo T. Fiora para o jornal Il Corriere.
“Assis Ângelo: o líder que não aceita lixo”, artigo da Revista Imprensa.
“Assis Ângelo: Um porta-voz do Nordeste em São Paulo”, título de reportagem do Jornal da Paraíba.
“Assis Ângelo an authority on brazilian regional music”, Bill Hinchberger em antigo para a revista norte-americana Variety.
“A cultura popular não morrerá nunca”, Assis Ângelo em manchete do jornal Diário do Povo do Piauí.
“Assis Ângelo promove o encontro do Brasil com sua riqueza musical”, reportagem do jornal paulistano Hora do Povo.
NOS DEPOIMENTOS DE ARTISTAS
“Assis Ângelo é um grande comunicador e poeta que exalta a nossa cultura, a nossa terra”, Raimundo Fagner, cantor e compositor.
“Acompanhar as crônicas de Assis Ângelo é quase como conversar com ele: conhecimento tranquilo, empatia discreta, amor incrível”, Paulo Vanzolini, cientista e compositor.
“Assis é a voz, o coração e o cérebro do nosso sertão”, Targino Gondim, sanfoneiro, cantor e compositor.
“Assis Ângelo domina a árdua tarefa da pesquisa”, maestro Eleazar de Carvalho.
“O compadre Assis é aquele soldado da palavra escrita e falada, que defende a Pátria-amada-gentil do jeito mais sublime. Que Deus sempre o ouça. E as pessoas também”, Rolando Boldrin, cantor e apresentador.
“Mais que estudioso do folclore e da música popular, Assis Ângelo revela-se, um grande contador de histórias do povo”, Carmélia Alves, cantora.
“Assis é uma das mais legítimas bandeiras alteadas em prol da música popular deste país. Eu continuo reverenciando o seu trabalho, desenvolvido com denodo e inteligência”, Luiz Vieira, cantor e compositor.
Toda vez que vem um amigo a minha casa, a minha casa e o meu coração ficam em festa. Caso de hoje 29. Quem bateu à porta já no final da tarde, carregando com insuspeita alegria um Old Parr, foi meu compadre jornalista Marcelo Cunha; que chamo de Cunhão. Marcelo foi das pessoas que conheci na vida a mais aparentemente sabida. Certamente ele vai rir dessas cositas que horas estou a falar. Mas sem brincadeira. Eu o levei a trabalhar comigo no tempo em que eu dirigia o Departamento de Imprensa do Metrô de São Paulo. Isso faz 35 anos. Meu Deus! Daqui a pouco o tempo vai chegar e, quem sabe, capaz de eu achar que vou estar ficando velho... Bom, a minha casa e o meu coração ficam bem quando chega um amigo ou amiga cá na minha casa. Tenho respeito e admiração por Marcelo Cunha. O mesmo por sua mulher Ângela e crias Luiza, Isadora e Arthur. Um dia vou perguntar ao Arthur se ele conhece a história do Rei Arthur. E se ele se interessar, contarei a história desse rei. A vinda do Marcelo em visita cá em casa a mim trouxe muitas lembranças. Falamos de tudo e mais um pouco. Falamos da Cleide, que saiu do Metrô para cuidar da sua mãezinha lá em Santos; do Osmar japonês que não para de estudar a língua japonesa, sem aprendê-la; do Marquinhos fotógrafo que partiu sem se quer se despedir de mim e, do roqueiro Rodrigo...um covarde! De repentemente o telefone toca e do outro lado é Maurício Pereira.
Não sei se foi bem isso. Talvez eu tenha telefonado pra ele e não ele pra mim. Sei lá, será que o Old Parr... Conversa vai, conversa vem, o Marcelo pergunta se a minha ex-secretária Patricia tem ligado, tem me visitado... Eu puxei pela memória e, posso estar errado, mas a Patty deve estar completando sei lá uns 42 no máximo. Digo isso contando meu tempo de vida: uns 50...sei lá! Quero dizer o seguinte: a querida Patty aniversaria amanhã 30. Beijos e parabéns, parabéns. Que a vida continue rendendo alegria e saúde pra você, Patty.
A tal rede social levada avante por essa coisa chamada Internet acaba de ser enriquecida com a Radiocênica, criada e dirigida por Poliana Helena e Julian Cuccarese. Coisa de altíssimo nível. Digo isso não é porque estou nessa rádio encerrando o primeiro semestre do ano de 2024.
Pra falar a verdade, essa rádio que está sendo levada ao ar pelo Spotify é de fato ótima. Não, não, digo de novo: não é porque fui o escolhido a dizer certas coisas a respeito da nossa cultura popular e tal. O papo que rolou entre mim, Poliana e Julian girou basicamente em torno do bom mineiro, hoje saudade, Téo Azevedo (1943-2024).
Batendo um rango: Alfredinho, Edson, Dantas do Forró, Fatel e Assis
Assis Angelo, Alfredinho e Fatel Barbosa
Ontem 27 tive a alegria de receber em casa o deputado federal Alfredinho, PT.
Acompanhando Alfredinho, piauiense de Oeiras, veio a sua amiga e incentivadora Fatel Barbosa e o assessor "especial" Edson.
Há tempos Alfredinho, que foi vereador por São Paulo por três legislaturas, alimentava o desejo de conhecer o acervo cultural que construímos no correr dos últimos 50 anos. Gostou. Disse que nunca havia conhecido um acervo tão importante, em quantidade e qualidade. Pois, pois.
No passar dos anos recolhemos mundo afora, Portugal e França inclusive, histórias e discos de todos os formatos: 76RPM, 78RPM, 33RPM (LPs), 45RPM (Compactos), CDs, filmes, DVDs, jornais, revistas antigas, livros sobre música, principalmente, e tudo mais. No total há no nosso acervo pelo menos 150 mil itens, incluindo ainda milhares de fotografias e de partituras.
Estou completando 72 anos. O que farei com esse acervo nos próximos... A ideia que me vem à memória é transformar o acervo num ambiente cultural aberto a pesquisas.
Fatel lembrou que tenho gravadas algumas dezenas de músicas e poemas de minha autoria. Entre as músicas algumas compostas em parceria com Gereba, Jarbas Mariz, Jorge Ribbas e Téo Azevedo (1943-2024). Fora isso, há filmes de que participei como consultor: Pelé Eterno, Gonzaga - de Pai pra Filho e o curta Boi, premiado mundo afora.
Entre as composições com Téo acham-se Modinha à Moda Mineira, Caminhando com Vandré, O Índio, Clarissa e outras. As duas últimas receberam gravação de Fatel.
Alfredinho, eleito vereador pela primeira vez em 2008, tem 64 anos de idade e tem muitas ideias aprovadas em plenário e postas em prática.
No campo da cultura, Alfredinho continua fazendo o bem. Há uns dois ou três anos, criou o prêmio Anastácia.
Depois da visita, fomos almoçar num restaurante da rede Feijão de Corda, ali na rua Santo Amaro, Bela Vista, onde já nos esperava o cantor Dantas do Forró.
LEIA MAIS
Hoje é o dia de brincar no Brasil e mais 40 países. A data serve para lembrar da necessidade e importância de as crianças brincarem, se divertirem na vida. Ser criança é um barato.
A noite fria encobria a cidade, fazendo tirintar passantes incautos. Outros mais prevenidos caminhavam enfiados em roupas quentes.
Uma garoinha atrevida punha suas unhinhas pra fora. Uma graça.
O auto de aplicativo parou a poucos metros do portão C do gigante Allianz Parque, ali junto do centenário Parque da Água Branca. Descemos.
Um cartaz anunciava a presença do tenor italiano Andrea Bocelli. Hora marcada: 21.
Pessoas de simpatia contagiante, escaladas para atender o público, nos atenderam.
"Vocês vão assistir a uma apresentação fantástica", disse-nos com sorriso largo uma das pessoas da equipe da estrela italiana.
Uns 30 minutos depois de nos acomodarmos, apareceu no palco um "artista convidado" cantando na língua de Caruso. Nome: Davide Carbone. Palmas, palmas e palmas.
O público presente soltou-se.
Logo depois o mesmo Davide pegou o microfone pra dizer que Bocelli, 64 anos, já estava pronto. Em seguida disse que o show era dedicado ao povo do Rio Grande do Sul, vitimado pelas enxurradas provocadas pelas chuvas intermitentes despachadas pelo céu.
Da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, especialmente convidada para brilhar na noite, saíram notas do nosso caudaloso Hino Nacional. Emocionei-me. Mais: surpreendi-me pela dicção clara e voz segura, quase familiar, de Davide.
Não tardou e o nome mais esperado da noite adentrou ao palco interpretando com sua possante voz a ária La Donna è Mobile da ópera Rigoletto, de Verdi.
Andrea Bocelli, cuja carreira de 30 anos está comemorando agora, trouxe consigo a soprano Cristina Pasaroiu e a violinista Caroline Campbell. Lindas.
Além das duas beldades, talentosíssimas, Bocelli trouxe o seu bambino Matteo, 26 anos. Voz possante.
A principal estrela da noite foi e veio ao microfone umas cinco ou seis vezes, dando desse modo espaço e vez aos seus convidados, incluindo aí um casal de bailarinos que parecia voar.
A surpresa da noite foi a cantora paulistana Sandi que cantou numa língua que não consegui identificar.
Foi uma noite bonita, mas não posso deixar aqui de contar uma gracinha. Ao entrar no carro de volta pra casa, ouvi alguém fazer a seguinte observação: "Cara, o cara canta prá caralho. E é cego!"
Baixa o pano.
COMBATE À CEGUEIRA
Hoje 26 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma.
O glaucoma é um dos muitíssimos males que atacam, sem dó nem piedade, os olhos humanos. Surge com mais frequência já nos primeiros meses de vida do menino ou da menina. Não tem cura, mas se for identificado logo o sofrimento da vítima será menor.
A jornalista, poeta e romancista potiguar Irene Dias Cavalcanti, trocou seu Estado pelo Estado da Paraíba, quando tinha uns 15 anos de idade. Talvez menos.
Como observadora da vida cotidiana, Irene escreveu muita coisa na forma de poesia e prosa abordando a temática erótica.
No começo dos anos 1960, ela andou publicando livros de poesia falando do prazer sexual da mulher, negado pelo machismo. Exemplo: Quero um homem
forte e viril
cobrindo meu corpo todo
penetrando-o num impulso
másculo e voluptuoso
eu quero
não só um beijo
quero muitos de uma vez
pelo meu corpo sedento
torturado e infeliz
pode morder
que importa?
num prelúdio embriagador
eu quero morrer de beijos
eu quero morrer do amor
por que tantos graus de febre
podendo me aliviar?
por que a febre queimando?
e o corpo se maltratar?
porque nesta ocasião
suspirando por amar
viver só alucinada
reclinada em leito frio
sempre desagasalhada
nesse leito tão sombrio
eu quero um homem
quero um homem
não suporto mais sofrer
quero um homem
quero um homem
quero de amor viver...
Um dos romances mais provocativos de Irene é O Amor do Reverendo (2009). O reverendo no caso é um padre de nome Abraão, que conhece Maria Luísa durante um acidente. Ele a pega nos braços ferida e ambos se apaixonam. Simples assim.
Na sua dissertação de Pós-Graduação para a Universidade Estadual da Paraíba, a estudante Juliana Karol de Oliveira Falcão escreveu, em 2022:
Os romances de Irene Dias Cavalcanti fazem parte de um período ou de um lugar de revolução não apenas sexual, como também social e cultural ao reivindicar lugares e igualdade entre o homem e a mulher. Destacam-se as suas obras literárias não somente como um discurso de empoderamento sexual, como também um manifesto contra diversas injustiças sociais pelas quais passam grupos desfavorecidos que partem de camadas abastadas contra camadas desfavorecidas, que partem de brancos contra negros, de homens contra mulheres, de igreja contra fiéis, de coronéis contra agricultores, entre outros.
O Amor do Reverendo é prefaciado pelo padre Waldemir Cavalcante Santana.
Irene Dias Cavalcanti, nascida em 1927, passou a infância no município de Campina Grande. É considerada um símbolo da luta feminina contra o machismo imperante até os dias de hoje.