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quarta-feira, 15 de junho de 2011

FUBA DE TAPEROÁ E FERNANDO COELHO, DA BAHIA

Fuba de Taperoá, de nascimento Juberlino Martins Levino, é desses artistas que a gente costuma dizer que não deve nada ao destino, pois já nasceu com talento desmedido.
Desde quando se conhece por artista, e faz tempo, Fuba carrega no seu sobrenome de guerra o nome de paz da belíssima Paraíba, que é uma das 27 unidades federativas do Brasil e uma das nove nordestinas localizada a Leste da região, limitada pelo Rio Grande do Norte, ao norte, terra do estudioso da cultura popular Luís da Câmara Cascudo; o Oceano Atlântico a leste, Pernambuco, ao sul; e Ceará a oeste.
Pois bem, Fuba é um brasileiro de Taperoá, na Paraíba, também terra de Zito Borborema, Abdias e Vital Farias.
Taperoá, chamada de A Princesa do Cariri, tem clima semi-árido e está localizada na microrregião do Cariri Ocidental. Foi fundada no dia 6 de outubro de 1886 e ficou famosa por ser cenário do enredo d´O Auto da Compadecida, do escritor Ariano Suassuna, que também é taperoaense.
A Paraíba tem bandeira, brasão e um hino muito bonito, com letra do poeta Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo e melodia do maestro Abdon Felinto Milanês.
Esse hino foi apresentado em público pela primeira vez no dia 30 de junho de 1905.

FESTIVAL DE CINEMA
Ocorreu ontem à noite, no Teatro São Joaquim, em Goiás, a abertura da 13ª edição do Festival Internacional e Vídeo Ambiental, que contou com a presença do governador Marcos Perillo e do cineasta Cacá Diegues. O teatro esteve lotado.

CULTURA POPULAR
Começa hoje no Teatro Dix-Huit Rosado, em Mossoró, o XI Seminário de Cultura Popular. A obra do rei do baião, Luiz Gonzaga, estará em discussão. Um dos palestrantes é o engenheiro e cordelista Kydelmir Dantas, que há anos conheci num desses seminários, no Rio Grande do Norte.

ANDREA MATARAZZO
O secretário Andrea Matarazzo estará logo mais às 15 horas participando de encontro com produtores culturais na Assembléia Legislativa de São Paulo. Alessandro Azevedo, do Raso da Catarina, está convocando interessados na discussão da cultura popular brasileira.

NA MOSCA!
Carlos Brickmann, um dos mais brilhantes jornalistas brasileiros, mais uma vez acertou na mosca ao escrever sobre o terrorista italiano Cesare Battisti. Leiam seu texto no Observatório da Imprensa.

DESMONTE CULTURAL
Do colega jornalista e poeta baiano Fernando Coelho, recebo este protesto:
“O desmonte da alma baiana vem de longe. O Pelourinho enterrado no desgosto. A ladeira, de moleques e povos, de escritores e pensadores, do mundo, prensada entre o descaso e a miséria. O espírito baiano não tem mais oxigênio. Na Bahia, os espíritos precisam de ar. São o som da inteligência invisível. Dos pretos enterrados há muito, com seus sonhos misturados ao óleo de baleia que unta os tijolos das igrejas, sobre o suor. Apenas. Nas pedras cabeça de negro, corrimão dos nossos pés nas ladeiras surradas do Pelô, sobram o cuspe velho dos áulicos novos. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Pelourinho, na Europa seria um tesouro. Para o baiano é um estorvo. Mas do que é feita a alma baiana desmontada? Mas do que é feito o espírito baiano, esmaecido com o mata-borrão da burocracia? De que barro é feito o brasileiro? Como é o retrato da autoridade baiana? Igual ao de Brasília? A morte da tradição baiana não tem velório. Não tem verba para velas. Não tem verba para as carpideiras. Alguém, como eu, já foi chorar na sacristia da Igreja do Rosário? Alguém, como eu, já ficou enterrado até o pescoço naquele silêncio de final de dia ali, no antigo cemitério de negros, pensando na dor e no sofrimento e ainda assim na vida e na vitória? É ali na Igreja do Rosário que está o umbigo de Salvador. É ali onde os chefes das salas oficiais querem que seja o calvário da preservação. O mórbido caixão do despreparo histórico, do reconhecimento da História, do respeito à fidalguia do nosso nascimento. Vamos salvar essa igreja, porque o futuro das autoridades perdidas entre papéis, votos e nada não tem salvação. A Bahia precisa se respeitar. O baiano precisa se respeitar. Lembrar-se mais da quarta-feira de cinzas do que do carnaval. Os cordeiros de Salvador, de mãos mais sangradas, com falta de comida em casa, com falta de dinheiro pro ônibus, são mais autoridade do que os que dominam os destinos de um povo que somente ouve e ouve. Mas não era assim. Cadê Gregório de Mattos, Cosme de Farias, Cuíca de Santo Amaro? Precisamos de Jorge Amado, Mestre Bimba e Pastinha, Calasans e Carlos Bastos. Precisamos de Mãe Senhora, de Mãe Menininha que nos abençoam de cima. Precisamos de Odé Kayodê, Mãe Stella de Oxóssi, que nos ouve e vê ali da rua Direta de São Gonçalo do Retiro. Ainda precisamos do dono da praça, que deu a praça para o povo: Castro Alves. Precisamos dos que se foram, porque os que ficaram estão mudos. Se não é possível salvar o Terreiro de Jesus e o Pelourinho, que mais pertence a Unesco do que ao Brasil, tentemos salvar a pequena igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Prestos do Pelourinho. É preciso ouvir mais Clarindo Silva, preto velho, homem sem temor, o último guerreiro que não deixa a cidadela do Pelô de vez ser invadida pela contra-mão da visão modernista e oportunista dos gabinetes. Ouvir Clarindo Silva é ouvir a voz dos becos e do povo excluído do Pelourinho. Salvemos essa igrejinha escondida no seu manto de azul que tanto ilumina o frontal da Baía de Todos os Santos lá de cima. Ela é um patrimônio nacional. Assim, já estaremos fazendo alguma coisa pelo nosso destino. Este relato que nos manda Patrícia Bernardes Sousa, é a prova cruel de nossa falta de civilidade e amor pelo que somos.

Um comentário:

Surama Caggiano disse...

as palavras de Fernando Coelho neste texto, me emociona! Fernando pinta este quadro baiano, com as tintas de sua saudade e de sua esperança.

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