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sábado, 28 de abril de 2012

CAROLINA MARIA DE JESUS, LIXÃO E AUDÁLIO DANTAS

Vi reportagem ontem no Globo Repórter sobre lixões.
Antes, acessei capítulos da novela Avenida Brasil.
Uma coisa a ver com outra, não?
No começo dos 70 - vejam -, fiz reportagem sobre esse assunto publicada no jornal pessoense O Norte (ao lado, chamada de 1ª página), hoje desativado.
O assunto é tão ontem como cantar de galo.
A Globo tinha, por isso mesmo, que dizer e mostrar mais.
História.
E nem falou da Carolina tão importante que mestre Audálio Dantas descobriu catando a vida no lixo coisas jogadas fora no Canindé de tempos idos.
Tão importante foi ela - e ele- que mereceu reportagens em grandes páginas de boa parte do mundo, incluindo a Time.
Alguém pode, porém, perguntar: mas ela não era lixão, do lixão.
Ok.
Ela, Carolina Maria de Jesus, catava a vida como catam todos que catam coisas jogadas fora para viver.
Audálio orientou.
Carolina fez livro (Quarto de Despejo) e ele fez publicar.
O poeta Manuel Bandeira elogiou, emocionado.
E tantos Brasil e mundo a fora.
Por que, então, a Plim, Plim não falou ontem de Carolina Maria de Jesus e Audálio Dantas, hein?
Não seria demais, é certo, porque, aliás, em 1983, a mesma Plim Plim fez um Caso Verdade inesquecível, enfocando a vida e consequências de Carolina Maria de Jesus.
A atriz Ruth de Souza interpetou Carolina, com uma verdade tanta como se fosse Carolina.
Repetir nem sempre é redundâcia.
Memória quando se quer é lembrança.
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A semana foi movimentada, com a seca torrando o Nordeste e Cachoeira fazendo torrentes de sacanagens Brasil a fora. Se brincar, o senador Demóstenes sairá dessa historia como vítima e pedindo indenização por perdas e danos ou sei lá o quê.
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Patético: o governador Marconi Perillo pedindo investigação contra si própio.
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E o senador Aécio Neves, hein, defendendo em texto na Folha a necessidade de o Brasil privatizar o Brasil. O que dizer ou comentar? Arrisco:
- Para nós, Kafka; para os tucanos, óbvio.
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Essa idea da reforma do Código Florestal sempre me deixou com uma orelha de pé.
Não, as duas orelhas.
Do jeito que foi aprovado, vai sobrar, mesmo, pra os pequenos das ribeirinhas.
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Claro, Cacareco e as eleições de primeiro turno na França têm tudo a ver.
Ou vocês acham que devem ser levados a sério os votos para a extrema direita de lá?
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Esta semana que finda li um dos melhores textos sobre respeito, cidadania e direito, assinado por Ives Gandra da Silva Martins, na Folha. Entendo cada vez mais a necessidade de ler Ives.
Um mestre.
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Não tenho como deixar de lembrar o incrível Paulo Francis, com quem trabalhei nos tempos da Folha.
Uma tarde, junto com o cartunista Fortuna e outros amigos, almoçamos num boteco (vejam: para os mortais comuns, uma coisa incomum se tratando de Francis).
Lendo hoje a Folha, umas das porradas de Francis foi anuncianda como chamaraiz do livro lançado com coisas que escreveu. Uma:
- Vejo que o pivete José Guilherme Merquior está avancando corajosamente de cara contra meu punho...
Paulo Francis é inteligência que está faltando no jornalismo, hoje.
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Tô indo palestrar amanhã sobre brasilidade em Corumbá.

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