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domingo, 1 de março de 2015

ELIS, DITADURA E VANDRÉ

Assis e Vandré, no Instituto Memória Brasil, IMB. Reprodução: Darlan Ferreira.
A gaúcha “Pimentinha” Elis Regina disparou para o sucesso a partir das terras paulistanas. Isso, em 1965, quando arrebatou o primeiro lugar do 1º Festival Nacional de Música Popular Brasileira, com Arrastão, do poetinha Vinícius e do seu parceiro Edu Lobo.
Esse foi um ano bastante promissor no campo da nossa música. Geraldo Vandré, por exemplo, lançou um dos seus discos politicamente mais provocativos para o momento que se vivia: Hora de Lutar. O disco, com doze faixas, trazia, para surpresa de muita gente, a belíssima toada nordestina Asa Branca, do Rei do Baião Luiz Gonzaga e seu parceiro cearense Humberto Teixeira. Asa Branca recebeu de Vandré uma das mais belas interpretações.
Vivíamos sob a símbolo da chibata, isto é: da botina e da baioneta.
Elis é considerada até hoje uma das maiores cantoras do País.
José Ramos Tinhorão, um dos nossos mais sérios historiadores, achava que ela cantava bem, sim, mas não tinha “alma” ou sentimento. Sempre discordei. Sem alma ou sentimento e com técnica acima do convencional é, até hoje, para mim, a baiana Gal Costa.
Conheci Elis no final dos anos de 1970, na Folha de S.Paulo. Ela acabara de nos dar entrevista para o extinto suplemento dominical Folhetim. A época, editado por Osvaldo Mendes, jornalista, ator e autor dos melhores que temos, provocava encontros/debates com grandes nomes da vida cultural do Brasil. Lembro que lhe perguntei sobre o Vandré. E ela, rindo, respondeu: “Ele é muito complicado”.
Vandré também achava Elis “complicada” e sobre Asa Branca, rindo de modo maroto, certo dia ele me disse: “Eu também gosto da interpretação”.
Mas Vandré gostava muito da Dalva de Oliveira, para mim – e para ele – uma cantora brasileira sem concorrência.
Você já ouviu a gravação de Asa Branca, com Vandré? Clique 

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