Seguir o blog

sábado, 21 de janeiro de 2017

...ENFIM, DORIA VAI OU NÃO VAI PRIVATIZAR SÃO PAULO ?



Dentre todos os sistemas de exploração do homem pelo homem, o capitalismo foi o que deu certo no mundo inteiro.
A privatização é uma das unhas mais afiadas do capitalismo.
Os capitalistas adoram a privatização. 
É relativamente recente a onda de privatização que tem tomado conta e virado moda no Brasil.
O governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, desenvolvido em duas etapas, faturou cerca de 60 bilhões de dólares com a privatização de grandes empresas públicas do setor de telecomunicação, e nem por isso o Brasil anda às mil maravilhas. E o que foi privatizado, continua privatizado, ou seja: agora sem ser do povo.
O PSDB é doido por privatizar o bem público. Já escrevi sobre isso, clique:


Agora ouço no rádio a notícia dando conta de iniciativa do governo tucano de João Doria de privatizar os serviços da rede de bibliotecas do município de São Paulo. A rede conta com mais de 50 ou 100 bibliotecas devidamente equipadas, do centro à periferia da cidade.
O pessoal e usuários do Centro Cultural São Paulo, agora Centro Cultural da Cidade de São Paulo, temendo as afiadas unhas do capitalismo tupiniquim, selvagem, anunciam nas redes sociais a iniciativa de abraçar o referido centro. Isso, no final da manhã da próxima quarta-feira. Nesse dia comemoram-se os 463 anos de fundação da oitava maior capital do mundo, que não à toa vem a ser São Paulo.
O Centro Cultural São Paulo, também conhecido como Centro Cultural Vergueiro, foi inaugurado no final da manhã do dia 13 de maio  de 1982. 
O 13 de maio é uma data significativa. 
O senador Nicolau Campos Vergueiro, como Joaquim Nabuco e Castro Alves, era contra o sistema de escravidão em que viviam os negros em São Paulo, no século 19. Foi ele quem emprestou seu nome à rua.
O primeiro prefeito da cidade, Antonio da Silva Prado, foi um dos redatores do documento que levou a princesa Isabel a alforriar os escravos. Mas essa é outra história...
O Centro Cultural São Paulo, agora Centro Cultural da Cidade de São Paulo, está situado entre a avenida 23 de Maio e a rua Vergueiro. A 23 de Maio liga o centro ao Aeroporto de Congonhas. A Vergueiro, com quase dez quilômetros de extensão, sai da Liberdade e vai até o Sacomã. A 23 de Maio era para se chamar Itororó, mas aí surgiram os mártires da revolução constitucionalista de 32: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, MMDC, mortos no dia 23 de maio, mas essa é outra história...
A privatização do bem público só faz bem ao capitalismo. E é simples entender isso: o governo pega a grana do povo, convertida em imposto, e constrói o que tem de construir para o bom funcionamento da engrenagem administrativa. Depois, e aí dispensam-se as explicações, esse bem passa para o bolso do capitalista; e o povo depois disso fica a ver navios, ou a chupar o dedo, ou seja lá o que for!
Será isso o que pretende fazer o 71º prefeito do município de São Paulo?
O Centro Cultural São Paulo, agora Centro Cultural da Cidade São Paulo, foi inaugurado no tempo em que o governador era – vejam só – Paulo Salim Maluf  e o prefeito, Reynaldo de Barros. O secretário da Cultura do município, o intelectual Mario Chamie.
A administração de Chamie é lembrada até hoje, pela verdadeira atenção que deu à cultura popular e artistas de todas as tendências, incluindo cantadores repentistas. Detalhe: sem privatizar nada.
Eu conheço o Centro Cultural São Paulo, agora Centro Cultural da Cidade de São Paulo, desde há muito. Conheço suas instalações. Conheço seus espaços para exposições, dança, música, cinema, teatro. Conheço também a biblioteca, com seus milhares de volumes de importância histórica e de divertimento. Lá, no centro, tem rádio, folhetaria, oficinas. Cegos e cadeirante têm, no centro, com que se ocupar de maneira alegre e proveitosa, como cidadãos assim tratados. E até palestras eu já fiz lá, quer ver? Ouça a partir de 1hora, 01 minuto e 45 segundos...


O Centro Cultural irmana, democratiza, aproxima o cidadão um do outro, como bem mostra Fausto na charge (acima) feita especialmente para este Blog.
Não vejo os equipamentos do saber em mãos privatistas. 
Privatização é sinônimo de capitalismo.
Capitalismo é um bicho louco, brabo e insensível.
Uma cidade linda eu vejo habitada por gente, por pessoas com todas as suas sensibilidades.
Ouço também no rádio que a logomarca do Centro Cultural São Paulo, agora Centro Cultural da Cidade de São Paulo, vai ser mudada como mudada acaba de ser a nomenclatura do Centro. Se for verdade...
A logomarca do Centro Cultural São Paulo foi uma criação da arquiteta Emilie Chamie.
Mario Chamie, poeta, foi o criador do movimento Praxis, em contraponto ao movimento dos irmãos Campos, lembram?
Mario foi bom e foi polêmico, pois não basta ser só polêmico. E é preciso que se dê andamento à programação cultural da rede pública de bibliotecas e de centros culturais como o Centro Cultural São Paulo.
Anotem: quarta-feira, 25 de janeiro, às 12h, é dia de abraçar o Centro Cultural São Paulo,  agora Centro Cultural da Cidade de São Paulo, para que não caia em mãos alheias.
Ah! o Adoniran fez uma música bonita e sensível que tem a ver com a 23 de Maio, e por tabela...



TEATRO SÃO PEDRO

O Teatro São Pedro, um bem público do estado de São Paulo, completou ontem 100 anos desde a inauguração. Foi recuperado no correr do governo Covas e é maravilhoso. O ambiente é inspirado na "art noveau" e sua acústica é, simplesmente excelente, mas não houve programação para comemorar o seu centenário. Detalhe: é administrado por unhas privatistas.

Nenhum comentário:

POSTAGENS MAIS VISTAS