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segunda-feira, 20 de março de 2017

CASEMIRO DE ABREU NÃO MERECIA FEBRE

Eu e todo mundo pensamos que a febre amarela já havia sido erradicada, ledo engano. Mas essa febre é bobagem diante da onda de corrupção que há muito afoga o Brasil e brasileiros.
A febre mostrou sua cara amarela há poucos dias no município de Casemiro de Abreu.
Casemiro não merecia isso.
O poeta autor do poema clássico Meus Oito Anos nasceu no dia 04 de janeiro de 1839. Com dezesseis anos de idade, foi por seu pai levado a estudar em Portugal. O pai era português e a mãe, brasileira. O menino Casemiro sempre detestou o trabalho pesado. O pai era um rico negociante e ele, tudo que queria na vida era ser poeta. O pai detestava poesia, por isso o levou a Portugal.
Ao voltar ao país, Casemiro foi fisgado pela boemia. E logo enganchou-se num rabo de saia e casou. Em seguida pegou uma tuberculose das brabas e morreu no dia 18 de outubro de 1860, aos 21 anos. Antes, em 1859, ele reuniu alguns poemas e publicou o primeiro e único livro: Primaveras.
O tempo passou, e Casemiro virou o nome do município Casemiro de Abreu onde, agora, instalou-se de volta a praga da febre amarela.
Viva Casemiro de Abreu e pro inferno, a febre amarela!

Meus Oito Anos



Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Como são belos os dias
Do despontar da existência !
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor !
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !
Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !
Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !

 

3 comentários:

jccortinovis disse...

Caro Assis um forte abraço!Essa poesia me fez lembrar do meu tempo de Ginásio, onde aprendíamos o Portugues com livro de Domingos Pascoal Cegalla que viveu até os 93 anos !!E ainda ouvir essa poesia com Paulo Altran nossa ...emociona !

jccortinovis disse...

Caro Assis um forte abraço!Essa poesia me fez lembrar do meu tempo de Ginásio, onde aprendíamos o Portugues com livro de Domingos Pascoal Cegalla que viveu até os 93 anos !!E ainda ouvir essa poesia com Paulo Altran nossa ...emociona

jccortinovis disse...

E pra quem gosta de Poesia Leiam essa do próprio Casemiro de abreu.
Simplesmente maravilhosa.
Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia - meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’agosto
É o que m’inspira teu rosto…
- Simpatia - é quase amor!

Casimiro de Abreu

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