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segunda-feira, 7 de junho de 2010

CORDELISTAS EM FESTA, EM JUAZEIRO, CE

Cultura popular é a reunião de tudo ou de quase tudo que é feito pelo povo e sua imaginação, no caso as rezas, as ladainhas, novenas, cantigas de ninar, as histórias de encantado, carochinha, fadas, de Trancoso, como ainda se diz em Portugal.
Do povo por não se saber exatamente que fez.
Também a literatura escrita, como a feita pelos cordelistas; as histórias passadas de geração a geração, de boca em boca, anônimas, pela via da oralidade, são coisas que enriquecem o populário, e de tabela uma região ou um país.
Nisso, o Brasil é riquíssimo.
O rio-grandense do Norte Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) foi um dos mais fiéis recolhedores dos saberes do povo; senão o maior, um dos maiores intérpretes da alma popular. no seu famoso Dicionário do Folclore Brasileiro não encontrei a expressão em verbete cultura popular. Diante de tal ausência, e até mesmo para preencher a lacuna, uma vez lhe perguntei no silêncio de sua casa, na capital do Rio Grande do Norte:
- O que é cultura popular?
E ele, desembaraçado, gigante na sua arena de conhecimentos gerais, respondeu com impressionante segurança, e didático:
- Cultura popular é a que vivemos. É a cultura tradicional e milenar que nós aprendemos na convivência doméstica. A outra é a que estudamos nas escolas, na universidade e nas culturas convencionais pragmáticas da vida. Cultura popular é aquela que até certo ponto nós nascemos sabendo. Qualquer um de nós é um mestre que sabe contos, mitos, lendas, versos, superstições, que sabe fazer caretas, aperta mão, bate palmas e tudo quanto caracteriza a cultura anônima e coletiva.
Foi um mestre, sem dúvida, Luís da Câmara Cascudo.
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MAIS CULTURA/CORDEL
- Amanhã, às 8 da manhã, será lançado edital anunciando o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel, pelo Ministério da Cultura. O evento ocorrerá no Centro Cultural do Banco do Nordeste-Cariri, à rua São Pedro, 337, centro de Juazeiro do Norte, CE. Repasso e-mail que acabo de receber:
“Ministério da Cultura lança edital em Juazeiro do Norte (CE) que contemplará 200 projetos, com investimento total de R$ 3 milhões. É a primeira ação de incentivo desde a regulamentação da profissão, em janeiro deste ano. Na ocasião, serão contemplados artistas da região do Cariri Cearense selecionados no edital Microprojetos Mais Cultura.
Poetas, editores, produtores e pesquisadores que atuam com as culturas populares agora têm um prêmio de incentivo a suas produções. É a primeira ação de incentivo ao cordel desde a regulamentação da profissão, em 14 de janeiro. O Ministério da Cultura lança na próxima terça-feira, dia 8, em Juazeiro do Norte (CE), o Edital Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 - Edição Patativa de Assaré, que fará a seleção de 200 iniciativas culturais vinculadas à criação e produção, pesquisa, formação e difusão da Literatura de Cordel e linguagens afins. Estão orçados R$ 3 milhões, distribuídos entre as iniciativas contempladas.
As inscrições encerram-se no dia 30 de julho de 2010.
O prêmio vem ressaltar a importância da Literatura de Cordel como patrimônio imaterial brasileiro, entendendo sua unicidade e papel fundamental na construção da identidade e da diversidade cultural brasileira. Podem concorrer poetas, repentistas, cantadores, emboladores e demais artistas populares e profissionais da cultura em quatro categorias: Criação e Produção (apoio à edição e reedição de folhetos de cordel, livros, CDs e DVDs); Pesquisa (dissertações de mestrado, teses de doutorado ou reedição de livros publicados até 10 de março de 2010); Formação (projetos que contribuam para a formação de profissionais que atuam em áreas que dialogam com a Literatura de Cordel e suas linguagens afins, como cursos, seminários, etc) e Difusão (eventos e produtos culturais que contribuam para a valorização e propagação da cultura popular, como feiras, mostras, festivais e outras iniciativas).
Na ocasião do evento, serão entregues as premiações aos selecionados do Microprojetos Mais Cultura no Cariri. Ao todo, foram mais de 1.200 projetos de artistas, produtores culturais e grupos artísticos da região do semiárido contemplados no edital, com valor total de R$ 13,5 milhões. Cada projeto recebeu entre um e 30 salários mínimos. Esse foi o primeiro edital do MinC direcionado ao financiamento de pequenos projetos culturais do semiárido”.

2 comentários:

Marco Haurélio disse...

É preciso atentar para outra coisa, Assis. O avanço econômico quase sempre mata a cultura do povo. Vide os Estados Unidos.
No século XIX, o medo de que as tradições desaparecessem por completo levou dois filólogos, Wilhelm e Jakob, os irmãos Grimm, a coletarem histórias da oralidade, reunindo-as num livro hoje célebre. Reflexo da Revolução Industrial.

Ariano Suassuna tem sido acusado injustamente de ser contra o progresso por defender a cultura popular.

O progresso é inevitável. Ainda bem. Mas, num país como o nosso, desaguadouro de tantas culturas, o progresso precisa caminhar ao lado das tradições delineadoras de nossa identidade.

chico salles disse...

Caro Assis, a nossa Literatura de Cordel está em festa, num momente importante para se consolidar como atividade literária plena da nossa lingua portuguesa. Sabemos que como expressão popular ela já está consgrada há muito tempo, mas com estes novos tempos de internetes e coisa e tal. precisamos reforça-la e encaixa-la neste contexto. É isto que penso que está acontecendo.
Foi muito bom pa mim reve-lo em Juazeiro e em relação ao seu novo livro sobre futebol, vamos tentar lança-lo aqui no Rio depois da copa e das festas julinas.
Chico Salles.

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