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quinta-feira, 31 de julho de 2014

E O BRINCANTE, HEIN?

O guloso e insaciável mercado imobiliário está engolindo tudo quanto é casa e mais o que pode para no lugar erguer gigantescas construções. A mansão do conde Francisco Matarazzo, na Avenida Paulista, ao lado do prédio da Gazeta, foi ao chão na calada da noite sem que ninguém e nem o chamado poder público impedissem.
Daqui a meses surgirá ali uma torre de 20 andares.
Antônio Nóbrega  em prosa comigo e Andrea Lago na sede provisória do Instituto Memória Brasil - IMB
Agora o alvo são pelo menos onze espaços teatrais da cidade, incluindo o casarão da Rua Purpurina, no Sumarezinho, onde o artista pernambucano Antônio Nóbrega construiu há duas décadas um dos templos da cultura popular brasileira, o Brincante.
Faz uns três meses que Nóbrega (aí ao lado) em visita ao acervo do Instituto Memória Brasil na sua sede provisória no bairro paulistano de Campos Elíseos, nos disse isso de modo muito preocupado.
A situação é mesmo preocupante, por isso está na hora de todos nos mobilizarmos para impedir que o mercado imobiliário continue com sua fome incontrolável destruindo espaços culturais e históricos.
No dia 13 de dezembro de 2005, poucos dias depois de o Congresso aprovar o projeto que inseriu no calendário de comemorações o Dia Nacional do Forró, em homenagem ao Rei do Baião, Antônio Nóbrega abriu as portas do Brincante e fizemos uma bela festa com Carmélia Alves, Anastácia, Socorro Lira, Oswaldinho e César do Acordeon, entre outros artistas.
CLIQUE:

quarta-feira, 30 de julho de 2014

HOMENAGENS A ARIANO SUASSUNA

Filho de Cássia e João, marido de Zélia e pai de Maria, Manoel, Isabel, Mariana, Ana e Joaquim que optou despedir-se da vida quando quis, há quatro anos, o poeta e romancista paraibano Ariano Suassuna, vítima de complicações provocadas por um ataque no coração há oito dias, continua sendo lembrado por artistas da cultura Popular, como Miguel dos Santos e Flávio Tavares http://g1.globo.com/pb/paraiba/jpb-1edicao/videos/t/edicoes/v/artistas-prestam-sua-ultima-homenagem-a-ariano-suassuna/3519272/; e cordelistas de várias partes do País, a exemplo de Klévisson Viana, Bule-Bule e Chico Salles.
Agora mesmo acaba de ser produzido um belo filme de animação intitulado A Peleja do Sonho com a Injustiça, oteirizado  e dirigido por Filipe Gontijo para a Fundação João Mangabeira, de Recife, sobre a trajetória e obra do escritor.
A narração é do compositor e cantor Lirinha, do extinto Cordel do Fogo Encantado, e a base musical o Martelo do Marco do Meio-dia, de autoria do homenageado e um de seus pupilos, o brincante Antônio Nóbrega.
Clique:
Os folhetos de cordel tiveram grande influência em toda a obra de Ariano, desde o seu primeiro texto publicado (para teatro), Uma Mulher Vestida de Sol, em 1947.
O seu último livro, O Jumento Sedutor, que durou 30 anos para ser escrito, deverá chegar às livrarias ainda este ano.
A escola de samba Unidos de Padre Miguel vai homenagear o Nordeste e Ariano Suassuna com um enredo especial no carnaval do ano que vem. Clique:

E para lembrar Ariano no Programa do Jô, clique:

terça-feira, 29 de julho de 2014

BOM DE COPO E GRAÇA

O Brasil está perdendo a graça, com o sumiço dos humoristas.
Já não temos um Oscarito, nem Mussuns, Zacarias ou Chicos Anísios com suas dezenas de personagens a nos fazer cócegas com qualidade no cérebro.
Hoje, aliás, está fazendo 20 anos que o carioca Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, da trupe televisiva Os Trapalhões, morreu em decorrência de complicações surgidas durante uma malfadada cirurgia de transplante de coração em São Paulo.
Ele tinha 53 anos de idade quando isso ocorreu.
Antes de encarar o humor como sua profissão na TV Globo, Mussum – apelido dado pelo ator Grande Otelo, em 1965 – foi ritmista do conjunto musical Os Originais do Samba, que ele próprio criou e pelo qual era chamado de Carlinhos do Reco-Reco.
Mussum era um cara muito bem resolvido e humorado.
Pra ele não havia tempo ruim e a vida era uma festa, e para melhorar bastava ter um “mé” ao seu alcance.
“Mé” era como ele chamava cachaça.
Eu o conheci em São Paulo, na ocasião em que estava lançando pela extinta RCA Victor o seu primeiro LP individual, Água Benta, em 1978 (acima, detalhe da capa).
Por mais de uma vez tomei uns “mé” com ele em botecos da rua Dona Veridiana, onde se localizavam o escritório e estúdios da RCA na capital paulista.
Sim, Mussum era um bom companheiro de copo.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

LAMPIÃO, PERSONAGEM DA MPB

Passava um pouco das cinco horas da manhã de 28 de julho de 1938 quando a volante do tenente João Bezerra quebrou o silêncio da grota de Angico, em Sergipe, com o matraquear impiedoso de metralhadoras portáteis. Não houve tiroteio, houve uma chacina. As vítimas: Lampião e Maria Bonita e outros nove cangaceiros. Nenhum deles teve tempo de sacar suas armas para se defender. “Foi tudo muito rápido”, disse Ilda Ribeiro de Souza, a Sila de Zé Sereno, em longa entrevista ao programa São Paulo Capital Nordeste, que apresentei durante anos na Rádio Capital AM 1040, de São Paulo.
Sila lembrou que pouco antes do ataque dso policiais estava conversando amenidades com sua amiga e companheira de cangaço Maria Bonita, e que em certa ocasião chamou a sua atenção para uns pisca-piscas dentre a vegetação que avistava de momento em momento, mas que Bonita não deu importância, comentando:
- Liga não, Sila, são vagalumes.
A maior parte do bando conseguiu fugir, quem tombou foi degolado e as cabeças, como troféu, foram exibidas nas ruas da capital sergipana até serem levadas para o Museu Nina Rodrigues, na Bahia, onde permaneceram ao alcance dos visitantes até 1968, quando, enfim, foram sepultadas.
Até hoje continua em discussão a questão sobre se Lampião foi herói ou bandido.
No dia 19 de agosto de 2003, por nossa iniciativa o Rei do Cangaço foi levado a julgamento no Centro Acadêmico 11 de Agosto da Faculdade de Direito de São Paulo, por um júri popular http://www.anovademocracia.com.br/no-13/1009-juri-simulado-condena-lampiao?videoid=0q-NUQciUvk. Ele foi condenado a 12 anos de reclusão. Um mês antes, em consulta formal junto a usuários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, foi considerado herói.
Procurado por toda a polícia do Nordeste, o cabra era temido menos pela irmã Maria Ferreira Queiroz, a Dona Mocinha, uma senhorinha simples, incrível, que entrevistei há alguns anos para o programa Tão Brasil https://www.youtube.com/watch?v=ioS3GpIa7Kc
Ao contrário de Dona Mocinha, que morreu em fevereiro de 2002, a sua única filha, Expedita Ferreira Nunes, me disse com todas as letras:
- Eu tinha muito medo dele (Lampião). Quando ele ia me visitar, eu me escondia debaixo da cama.
Expedita nasceu no dia 13 de setembro de 1932, em Sergipe, onde mora.
Lampião há muito entrou para a história, inclusive da nossa música popular. É vasto o repertório que trata do personagem. A primeira música que o cita é do paulista Raul Torres: Bota a Mão na Roda, de 1934 (Columbia), que diz:

Oi minha gente vou deixar de ser carreiro
Me torná um cangaceiro
Pra brigá com Lampião
Eu vou comprá uma faca e um cravinoti
Pra mostrar pra esse coiote
Que eu também sou valentão...

Até um de seus companheiros, Volta Seca, chegou a gravar um disco inteiro só com cantigas do Cangaço (acima).

PRIMEIRA GRANDE GUERRA
Pois é, e exatos 24 anos antes de Lampião ser pego de surpresa na grota de Angico, um cara anônimo na Europa matava a tiros um cara famoso - e sua mulher - e dava início, assim, a Primeira Guerra Mundial, que durou quatro anos e quatro meses para acabar. Nesse período foram mortas pelo menos nove milhões de almas.
É a vida, que é de morte.

domingo, 27 de julho de 2014

A MORTE DOS RIOS

É muito triste ver um rio seco, um açude seco, uma cacimba seca e bois e cabritos magros soltos, sem pasto.
Quem não está acostumado e vê, chora.
Eu já vi muitos rios secos, açudes secos e cacimbas sem um pingo d´água; e também vi muita gente e bichos secos, sem tem o que comer.
Lembram-se daquele poema do Bandeira em que ele se surpreende ao ver alguém catando lixo e comendo lixo feito um cão, gato, rato, sem ser cão, gato nem rato, mas um homem?
Pois é, outro dia mesmo eu vi, com esses olhos que a terra há de comer (Augusto dos Anjos), um fiozinho d´água do Tetê, em Tietê, escorrendo timidamente pelas beiras e uns peixinhos pulando agoniados e outros boiando empanzinados por veneno industrial, mortos.
A cena umedeceu meus olhos e me levou aos versos de Maringá (Olegário Mariano e Joubert de Carvalho), na parte que diz:

...Antigamente
Uma alegria sem igual
Dominava aquela gente
da cidade de Pombal

Mas veio a seca
Toda chuva foi embora
Só restando então a água
Do caboclo quando chora...

Esses versos foram inspirados numa história que tem como personagem uma linda Maria, Maria do Ingá, vítima entre milhares da seca de 1932 que assolou o Nordeste inteiro, deixando para trás um rastro de dor, tristeza e morte.
Ingá é o nome de um município paraibano distante da capital cerca de 100 quilômetros e significa, ironicamente, na expressão de origem tupi-guarani “cheio d´água”.
A música de Carvalho e Mariano também faz referência a Pombal, no sertão da Paraíba e, territorialmente, a maior do Estado.

Tietê é uma cidade encantadora, localizada a 121 quilômetros da capital de São Paulo, berço de alguns dos mais importantes e representativos compositores brasileiros, como Marcelo Tupinambá, Cornélio Pires – também produtor pioneiro de discos independentes no nosso País -, Capitão Furtado (aí à esquerda, na reprodução da capa de um CD produzido pelo Instituto Memória Brasil, IMB) e Itamar Assumpção.
O rio Tietê deu nome a cidade em que esses artistas nasceram.
O Tietê, que nasce em Salesópolis e desemboca no rio Paraná, está morrendo; como também morrendo está o rio Piracicaba, que fica na mesorregião de Tietê.  
O que há em comum entre Pombal e Tietê?
Simples, o ano de fundação: 1842.
A canção Maringá, que nasceu de uma situação especial para agradar o paraibano José Américo de Almeida, ministro da Viação e Obras Públicas (1932-1934) do governo Getúlio Vargas, virou nome de cidade no Paraná, em 1947.
Tudo liga tudo, não é mesmo?


ROGÉRIO MOURÃO
O Brasil acaba de perder mais uma pessoa importante: o astrônomo Rogério de Freitas Mourão que, como Malba Tahan ajudou brincando a popularizar a matemática, fez as estrelas e os mistérios do céu ficarem mais simples e mais pertos de nós. Eu o acompanhava lendo os seus escritos primorosos no Jornal do Brasil. Pois é, e a cada perda dessas o nosso país fica meno. Ele partiu sexta, aos 79 anos de idade, deixado publicados 98 livros e mais de hum mil artigos publicados desde 1953, o primeiro deles na revista Ciência Popular.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

VIVA VIDA ALVES!

O Brasil de memória curta, que peca pelo nível baixo de formação de seus cidadãos, continua perdendo inteligências.
Hoje foi se embora o jornalista Adonis de Oliveira.
Notícia que acabo de ouvir na Gazeta trata do esforço da mineira Vida Alves, que protagonizou como atriz o primeiro beijo numa telenovela brasileira, A Tua Vida me Pertence, com Walter Forster.
A notícia me lembrou de outra atriz, Norma Bengell, atirada aos leões há uns 20 anos pela incapacidade de justificar gastos ao Ministério da Cultura na ocasião em que dirigiu o filme O Guarani, baseado em ópera homônima do paulista Carlos Gomes.
Lembrei-me dela porque há uns cinco ou seis anos a convidei para participar  de palestras no Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza, ao lado de Sérgio Ricardo, Zé Hamilton Ribeiro e Theo de Barros.
Ela não aceitou porque a sua agenda estava comprometida com sua atuação numa novela da TV Globo, à época.
Norma foi a primeira atriz a aparecer num nu frontal do cinema brasileiro.
O filme era Os Cafajestes, de Ruy Guerra, que tinha no elenco Jesse Valadão.
Vida Alves criou um museu sobre a televisão brasileira.
Norma Bengell já está esquecida.
E Vanja Orico, hein, a primeira e única atriz brasileira a ser dirigida por Fellini?
Tristes governantes nós escolhemos para nos representar!
Há uns anos nos apresentamos juntos, ao lado da cantora Socorro Lira.
Clique:

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A LUA, ARIANO E A CULTURA POPULAR

Hoje faz 45 anos que o homem voltou à Terra trazendo nos bolsos pedaços da Lua.
Foi assim, simples, diante de São Jorge que nada fez para impedir tamanha violação.
E logo ele, até então tido e havido como fiel guardião dela!
Foi um choque terrível para os cultores das tradições.
Quatro dias antes de encher os bolsos, o homem fez o que quis no solo lunar; até pular, pulou feito besta e nele fincou uma bandeira com as cores da sua terra para depois se pabular.
Mas a brincadeira ficou cara: 22 bilhões de dólares.
Era uma quinta-feira quando isso ocorreu.
A viagem que levou o homem até lá durou oito dias, três horas e 35 minutos.
Um dia antes de essa façanha completar 44 anos, o sanfoneiro Dominguinhos, que amava a Lua e o Céu, partiu para o espaço etéreo de onde jamais voltará. Exatamente um ano depois dessa viagem, foi a vez de também virar estrela o romancista Ariano Suassuna.
Tudo a ver com vida e cultura popular.
Então a Lua encantada desencantou para poetas do mundo todo, rendendo até hoje poemas, filmes e músicas, livros e folhetos de cordel (o primeiro sobre o seu encantamento, de Klévisson Viana, acaba de ser publicado em Fortaleza) no Brasil e fora do Brasil.
Como muitos artistas, Dominguinhos não esqueceu a Lua nos seus forrós e xotes, entre os quais Firim Fim Fom do Fole e Eu me Lembro e Lembrando de Você.
E Ariano, como o homem que voltou com os bolsos cheios de lua, partiu em fase Minguante. Mas antes, sob as abas do tema, escreveu Noturno, que começa assim:

Têm para mim chamados de outro mundo
as noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, mágoas proibidas,
são ouropéis antigos e fantasmas
que nesse mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo aqui.

Será que mais alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas amarelas
e escuto essas canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha luz da Lua
a quem dirigem seus terríveis cantos?...


Entre milhares de músicas feitas para a Lua e sobre a Lua, há verdadeiros clássicos, como o baião Eu Vou Pra Lua, de Luiz de França e Ary Lobo, e a toada Lua Bonita, de Zé do Norte, que Socorro Lira gravou num disco (acima, reprodução da capa) que a levou há dois anos a ser escolhida pelos jurados do Prêmio da Música Brasileira como uma das cantoras mais importantes do País. Ouça-a participando do programa Sr. Brasil, de Rolando Boldrin, clicando aí sobre a imagem:

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O SERTÃO PERDEU SEU CAVALEIRO

O Brasil, um país tão incrivelmente maravilhoso e ao mesmo tempo tão eternamente judiado pela maioria dos políticos com poder de decisão, está perdendo os seus filhos mais importantes. Só nos últimos dias, três deles, membros da Academia Brasileira de Letras, ABL, de importância intelectual e humanística inquestionáveis: Ivan Junqueira, João Ubaldo Ribeiro e, agora, há coisa de hora e pouco, o menestrel paraibano Ariano Suassuna, autor de obras-primas baseadas na cultura de cordel, como O Auto da Compadecida, e glorificado nacional e internacionalmente, embora jamais tenha posto os pés fora do Brasil.
O Brasil está de luto, mas viva a cultura popular!
Viva Ariano Suassuna!
O que o levou para sempre deste mundo foi uma parada cardíaca covarde, provocada por hipertensão intracraniana.
Ele foi pai seis vezes e deixou 15 netos.

UM ANO SEM DOMINGUINHOS

Dominguinhos na capa do seu primeiro LP, em  1964
O poeta e romancista paraibano Ariano Suassuna foi o grande homenageado este ano do bloco carnavalesco Galo da Madrugada, de Recife.
Clique:
http://globotv.globo.com/rede-globo/netv-2a-edicao/v/ariano-suassuna-homenageado-do-galo-da-madrugada-vai-participar-do-desfile-do-bloco/3098943/ 
Ariano está internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Real Português da capital pernambucana, desde a noite da última segunda-feira. O seu estado de saúde é grave. Ele tem 87 anos de idade.
Torçamos para que ele saia dessa situação e volte a nos enriquecer com a sua sabedoria.

DOMINGUINHOS
Hoje faz um ano que o Brasil tomou conhecimento da morte do instrumentista e compositor pernambucano Dominguinhos, de batismo José Domingos de Morais, aos 72 anos. Ele estava internado há vários meses; primeiro no Hospital Santa Joana, de Recife, onde deu entrada após uma apresentação em Exu em homenagem à memória do rei do baião, Luiz Gonzaga. Dominguinhos morreu no Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, bem na Hora do Angelus, também chamada de Toque das Ave-Marias – meio-dia ou às 18 horas. Essa hora é marcada por preces e orações para lembrar a Anunciação do anjo Gabriel a Maria, sobre a concepção de Cristo.
Para lembrar a data, missas serão celebradas em várias igrejas País afora. Em São Paulo, na Sé, logo mais ao meio-dia, por iniciativa da compositora e cantora Anastácia.


ALESSANDRO AZEVEDO
Da safra de 68, o paraibano de Puxinanã Alessandro Azevedo está recebendo parabéns por seus 46 anos de idade completados hoje. Alê, como o chamam os amigos, é ator profissional envolvido com as causas da cultura popular. Há 16 anos ele fundou a Cia. Raso da Catarina - hoje, Associação –, que reúne artistas de rua e promove eventos culturais. Um de seus últimos projetos é São João do
Brasil, desenvolvido em parceria com o Instituto Memória Brasil, IMB. A primeira edição desse projeto ocorreu ano passado no Vale do Anhangabaú (registro ao lado). A segunda este ano, no Parque Jardim da Luz (abaixo).
Alessandro Azevedo concorre às próximas eleições ao cargo de Deputado Estadual por São Paulo (nº 13000), pelo Partido dos Trabalhadores.
Saiba um pouco sobre o Raso da Catarina, clicando: 

terça-feira, 22 de julho de 2014

HOJE É DIA DE RONIWALTER JATOBÁ

Jornalista e escritor, Roniwalter Jatobá (aí na foto, ao lado de Geraldo Vandré e Darlan Ferreira) nasceu em Campanário, Minas, no dia 22 de julho de 1949, criou-se em Campo Formoso, Bahia e ficou famoso a partir de São Paulo, capital, onde, diga-se, ambientou várias de suas histórias publicadas num monte de livros para leitores de todas as idades.
Roni, como os mais chegados o chamam, é vice-presidente do Instituto Memória, IMB.
Nossos parabéns pelo aniversário.
Tim, tim, viva Roni! 
Na foto, da esquerda para a direita: eu, Andrea Lago, Audálio Dantas, José Ramos Tinhorão, ar irmãs cantoras Celia e Celma e Roniwalter 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

SERTANEJOS & SERTANOJOS

Nivelado por baixo, este mundo globalizado de guerras e injustiças sociais tem servido para mostrar quão descabida - e ridícula - é a insaciável gula por grana de algumas figurinhas-chave do showbiz nacional.
Esse mundo a que me refiro, perigosíssimo, tem servido para glorificar seres situados abaixo da linha da mediocridade e desejosos de sucesso e dinheiro fáceis.
O nosso filósofo de plantão nas tardes e noites televisivas de domingo, Sílvio Santos, há muito tem espalhado o bordão que nos leva a crer que na vida “É tudo por dinheiro”, mesmo, ou nada feito.  
A realidade mais das vezes ultrapassa a perversidade e a ficção, transformando gente em coisas.
Agora mesmo, por exemplo, a TV Globo, através do programa Fantástico – só podia ser -, com 13'36'', anuncia que seguirá os passos de Michel Teló no seu desejo de contar a história da música sertaneja nas estradas Brasil adentro, mostrando que o nosso País mudou, virou sertanejo pop.
Que tal Teló como historiador musical, hein?
Sete entre dez músicas tocadas no rádio brasileiro em 2013 eram, dizem, de estilo “sertanejo”.
Mentira!
Música sertaneja é outra coisa e seus autores não atendem por Luan, Léo, Victor e tampouco por Michel Teló.
Essas músicas que invadiram o dial a custo de muito investimento financeiro são “sertanojas”, isso sim, de estilo “sertanojo”, de gosto duvidoso, de letras chulas e repetitivas, ou, segundo o imaginário popular, "música consola corno", chorosas, piegas etc.
Pois é, e este ano já são duas em três coisas dessas tocadas no rádio com o carimbo “sertaneja”, donde é de se concluir que o Brasil, sempre tão rico, está piorando em movimentos largos, em todos os sentidos.
E assim o Brasil vai perdendo sua identidade... E assim, a galope, o Brasil vai perdendo, infelizmente, a sua identidade.
“Quando chegou na nossa mão (Ai se eu te Pego), a gente falou: ‘cara, nós vamos fazer uma música simples, como ela é, mas fazendo a nossa batida’. O violão com levada de vaneirão, mais sertanejinho um pouco, a sanfona. São esses os elementos da nossa música sertaneja de hoje. Uma música caipira pop. Eu fui cantar em países que eu nunca imaginei um dia nem pisar, nem ouvi falar muito, tipo Croácia. Cantei na Rússia, cantamos na Holanda, Japão”, conta Michel Teló.
E lixo por lixo, uma curiosidade: a autoria de Ai se eu te Pego, lançado com estardalhaço por Teló há três anos, permanece até hoje disputada na Justiça paraibana por várias pessoas, entre as quais Karine Vinagre, Amanda Cruz e Aline Medeiros, supostas autoras do refrão que teria sido feito durante uma viagem aos Estados Unidos.
É muita criatividade, não é mesmo?
Essa coisa, que fez um sucesso dos infernos mundo a fora, foi registrada por Sharon Acioly e Antonio Dyggs, também supostos autores.
A proposta do Teló é contar a história da música sertaneja.
Então, tá.
E pensar que fiz isso em 1994, na série Som da Terra...
VOCÊ QUER SABER O QUE É MÚSICA SERTANEJA? Então, clique:
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Jornalistas&Cia - Edição 17

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domingo, 20 de julho de 2014

UM SHOW NOTA DEZ!

Quem foi viu, ouviu e gostou.
Quem não foi, perdeu.
Refiro-me ao espetáculo de única noite, ontem, apresentado por Socorro Lira (acima, na foto de Patrícia Ribeiro) no concorrido e disputado Auditório Ibirapuera no parque de mesmo nome, na capital paulista.
E como se esperava, Socorro deu o seu recado e brilhou desde o primeiro ao derradeiro minuto, chegando a ser aplaudida de pé demoradamente em vários momentos a partir, mesmo, da primeira música cantada (Gaia), de Nilson Chaves e Eliakin Rufino a Amor Cósmico, do cantador repentista Oliveira de Panelas.
Foi de fato um espetáculo e tanto, com a artista passeando com desembaraço por um repertório que incluiu canções e toadas nortistas (Tambatajá, do paraense Waldemar Henrique) e nordestinas (Saga da Amazônia, do paraibano Vital Farias),
Algumas pérolas apresentadas ontem trouxeram a assinatura de inspirados parceiros da artista, como o poeta moçambicano Mia Couto (Poema Didático).
O espetáculo Amazônia, Entre Águas e Desertos (também título do novo CD da artista) durou cerca de duas horas e foi todo gravado e deverá virar DVD ainda este ano.
Eu, Luiza Erundina, Jorge Ribbas e Socorro Lira
Um grupo de oito exímios músicos, capitaneados pelo arranjador e diretor musical pernambucano Jorge Ribbas, acompanhou a cantora na sua impecável apresentação no Auditório Ibirapuera.
De tabela, Socorro deu uma aula de delicadeza e brasilidade.
A cenografia muito bonita foi chancelada pelo artesão das artes gráficas  Elifas Andreato (abaixo, comigo e Darlan Ferreira). 
Viva Socorro Lira!

DIA INTERNACIONAL DOHOMEM
Quem não compareceu ao jantar da Tertúlia Pensão Jundiaí, no último dia 15, clique:

sexta-feira, 18 de julho de 2014

HOJE É DIA DE SOCORRO

Como há muito não ocorria, confesso que dormi muito bem de ontem pra hoje, mas infelizmente acordei mal com a notícia da morte por embolia pulmonar do jornalista e escritor João Ubaldo Ribeiro, aos 83 anos. Ubaldo era um cara incrível, conversador e bom ouvinte sempre de bem com a vida e que tive a alegria de conhecer através do amigo Roniwalter Jatobá, que também é escritor e dos bons como todo mundo sabe. 
João Ubaldo Ribeiro era minucioso nos seus textos e gostava de traduzir seus próprios livros, principalmente para edições em inglês. 
Fui leitor assíduo de suas obras, inclusive das crônicas semanais que publicava em jornais como O Estado de S.Paulo e o Globo.
Leiam seus livros e assistam o filme Sargento Getúlio - pra mim, uma obra-prima. Pra isso, basta clicar sobre a imagem ali em cima.

DIA DE SOCORRO
É hoje o dia! Vistam roupas bonitas, se perfumem e corram para se deliciar com a voz puríssima e bela da cantora Socorro Lira no Auditório Ibirapuera logo mais às 21 horas quando ela estará no palco sendo alvo de gravação de um DVD. O momento será raro e histórico. Socorro, como diz meu amigo José Nêumanne, é a Joan Baez do sertão brasileiro. Aliás, eu e o Darlan Ferreira tivemos a oportunidade de apresentar Socorro a Baez (aí ao lado), em março passado. Na ocasião eu fiz também a ponte entre Baez e Vandré, que há anos mantinha a vontade de conhecê-la pessoalmente.
Geraldo Vandré e Joan Baez

quinta-feira, 17 de julho de 2014

SOCORRO LIRA AMANHÃ NO IBIRAPUERA

Socorro Lira é uma das grandes vozes do Brasil atual. E não à toa, ela recebeu há dois anos o necessário e oportuno reconhecimento público como cantora já de longa estrada, através do Prêmio da Música Brasileira – no gênero, o mais importante do País.
Mas além de cantora afinadíssima que é, com presença mundo a fora, Socorro também cada vez mais se firma como uma das nossas melhores e mais inspiradas instrumentistas e compositoras nacionais.
Prova disso é o repertório de seus shows e discos, quase todo de sua autoria.
Reprodução da capa do novo CD de Socorro Lira
Agora a sua sensibilidade e talento acabam de nos surpreender de modo agradável com o CD de 14 faixas Amazônia – Entre Águas e Desertos, de produção independente, capa do artista gráfico Elifas Andreato e distribuição Tratore que será lançado amanhã à noite no Auditório Ibirapuera onde, aliás, fará show para gravação do seu primeiro DVD ainda sem título.
E certamente mais novidades ela nos brindará em breve.
Paraibana de origem sertaneja, Socorro já anda às voltas com o projeto Sertões do Mundo, no qual mergulha fundo no mar revolto da história em busca de elos partidos pelo abandono e descaso de quem pode e nada faz em prol dos rejeitados pés descalços da vida, sejam do Brasil sejam de África.
A cada disco e projeto a artista nos mostra que sonhar é fundamental e que sem sonho ou ideal nada de bom se constrói.
O show no Auditório Ibirapuera será, sem dúvida, um marco na sua carreira e um presente para seus fãs.
Arriba, Socorro Lira!

TROFÉU MORINGA
Eu sou de uma terra de homens e mulheres valentes que engendram ideais para o bem comum e os realizam.
Eu sou de uma terra cujos habitantes acreditam que a vida não se resume apenas a tragédias gregas.
Navegar é preciso, já disse o poeta português.
No Dia Internacional do Homem - 15 de julho - eu recebi com alegria das mãos do compositor e maestro paulistano Mário Albanese (aí embaixo, no clic de Clarissa de Assis), criador do ritmo musical Jequibau, o Troféu Moringa de Homem do Ano 2014, em momentos anteriores também recebido por João Carlos Martins e outras personalidades brasileiras e estrangeiras que marcaram presença neste mundinho prestes a explodir.
Fica o registro.
BANDA DE PÍFANOS
O zabumbeiro João Biano acaba de telefonar para dizer que está com saudade e que o seu tio, Sebastião Biano, criador da Banda de Pífanos de Caruaru, acaba de fazer 95 anos de idade. Sebastião, segundo João, continua fabricando pífanos artesanalmente e tocando na banda. O seu aniversário de nascimento é 23 de junho.
Viva Sebastião Biano!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

TROFÉU MORINGA

Terminou a Copa.
O Brasil perdeu, mas em compensação ganhou uma inesquecível e bela lição de cidadania dada com espontaneidade pelos rivais em campo, os alemães.
E assim sendo, a vida real ora doce ora amarga continua para todos, inclusive para o zangado e pouco humilde Felipão, que, a propósito, acaba de receber cartão vermelho da CBF.
Sim, é próprio da natureza perder e ganhar.
Eu mesmo acabo de ganhar o inimaginável Troféu Moringa da Tertúlia Pensão Jundiaí de Homem do Ano 2014.
Devo dizer que fiquei pasmo, como pasmo fiquei quando generosamente a Câmara de
Vereadores de São Paulo me premiou com o título de Cidadão Paulistano em 2008 (acima) e ano, ano passado, o Troféu Gonzagão junto com o cantor e compositor Raimundo Fagner (à direita). 
Claro que esses tipos de prêmios nos envaidecem, até porque são tidos e justificados como reconhecimento pelo trabalho 
que desenvolvemos ao longo da vida.
Grandes personalidades brasileiras e estrangeiras como o cientista Paulo Vanzolini, o geógrafo Aziz Ab´Saber, o filósofo Miguel Reale, o poeta Paulo Bomfim, o jurista Ives Gandra, o maestro Mário Albanese e o cineasta Akira Kurosawa receberam o Troféu Moringa, concedido anualmente no Dia Internacional do Homem, 15 de julho.
Compartilhamos com vocês o convite que nos foi enviado para o recebimento do prêmio. 
Ilmo Sr.
Assis Ângelo

Saudações,
A Tertúlia Pensão Jundiaí é uma entidade cultural, fundada por Mariazinha Congílio em maio de 1983.
Comemoramos anualmente o Dia Internacional do Homem, data criada por sua fundadora, em 1993. Em julho, pois quando o homem chegou à Lua.
Homenageamos homens que se destacaram por sua profissão, dedicação a uma causa ou internacionalmente.
Estes homens recebem o Troféu Moringa, símbolo da Pensão Jundiaí.
Temos o prazer de convidá-lo para ser o Homem do ano 2014 da Tertúlia Pensão Jundiaí.
Pedimos que confirme se aceita o convite e sua presença ao jantar, para que possamos tomar as providências necessárias.
Desde já, grata.
Pela Tertúlia Pensão Jundiaí,
Silvana Congílio

Dia Internacional do Homem 2014 - jantar
Data: 15/07/2014
Hora: 20 horas
Local: Alameda Santos, 2393 - Restaurante Bovinus – S. Paulo, SP
Fone: (11) 4521-0007
Cel: (11) 9.9966-0570

sexta-feira, 11 de julho de 2014

FELIPÃO NÃO TEVE INFÂNCIA

A teimosia infinita, a sisudez despropositada, o jeito bronco de Felipão me faz lembrar Zangado, um dos sete anões do conto infantil Branca de Neve.
Esse paralelo entre o ser real e o fantasioso ficou mais evidente no embate que tirou a seleção brasileira da final do mundial de futebol na última terça, no Mineirão.
Foi um vexame e tanto, histórico, mas jogo é jogo mesmo perdendo feio como perdeu para os alemães a seleção verde-amarela que deixou roxos de raiva os seus torcedores.
Talvez para mostrar que é mesmo da raça dos machos que apagam lâmpadas espremendo-as nas mãos e não, simplesmente, apertando levemente o interruptor, Felipão é grosso dentro e fora de campo.
Os jornalistas são suas presas mais fáceis, e a quem jamais pede desculpas.
Seu comportamento leva a crer que ele não teve uma infância saudável, de brincadeiras e risadas.
A propósito recomendo que ele assista o bonito documentário Tarja Branca, a Revolução que Faltava. O filme, dirigido por Cacau Rhoden, trata de uma das mais antigas e lúdicas atividades do ser humano, que é brincar e rir.
Mas a essa altura do campeonato é quase certo que Felipão e Zangado não têm salvação, mas a Seleção Canarinho, que sábado disputa o terceiro lugar na Copa 14 e o prêmio de 43 milhões de reais, tem.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

VIVA JACKSON! VIVA ROSIL CAVALCANTI!

O paraibano de Alagoa Grande José Gomes Filho, famoso pelo talento e pseudônimo Jackson do Pandeiro, e o pernambucano de Macaparana Rosil de Assis Cavalcanti, chamado de Zé Lagoa por causa de um personagem com esse nome que criou, eram amigos e parceiros e até formaram uma dupla de humoristas de sucesso no
rádio campinense: Café com Leite (ao lado).
Jackson nasceu em 1919 e Rosil, em 1915.  
O amigo Rômulo Nóbrega , biógrafo de Rosil, lembra que os dois artistas morreram num mesmo dia: 10 de julho; Rosil em 1968 e Jackson, que era diabético, em 1982.
Rosil Cavalcanti cerca de uma centena de composições gravadas por nomes como Teixeirinha, Luiz Gonzaga, Biliu de Campina e próprio Jackson, certamente o seu maior divulgador. Aliás, a primeira composição gravada por Jackson, nos estúdios da Rádio Jornal do Commercio, de Recife, foi o coco Sebastiana (abaixo), em 1953. 
Para lembrar Jackson, clique e acesse uma bela e elucidativa entrevista que ele deu a Fernando Faro:
O professor de música e instrumentista Jorge Ribbas pôs melodia nos versos que alinhavei em homenagem a Rosil. Ei-los:

Rosil de Assis Cavalcanti
Foi compositor e ator
Primeiro sem segundo
E bela é a obra que deixou
Viva Rosil!
Viva o Brasil!
É maravilha de fina flor
A obra qu´ele deixou

Fez muitas jóias
Para o povo cantar
Para o povo dançar
Com Jackson e Luiz
Puxando o refrão
Viva Rosil!
Viva o Brasil!
É maravilha de fina flor
A obra que Rosil deixou

Amigo Velho, cê não sabe?
O Cumpadre João
- Ô Véio Macho!
Foi dançar rojão
Foi dançar baião
Com a nega Sebastiana
No Forró de Zé Lagoa
- Ô coisa boa, ô coisa boa
Pra lembrar Rosil
Pra lembrar Rosil
Viva o Brasil!
Viva o Brasil!

O bom Rosil deixou
Xote, forró e toada
O bom Rosil deixou
Obra pra ser cantada
Nosso Rosil é memória
Pra ser lembrada
Em todo canto e lugar
Viva Rosil!
Viva o Brasil!
CANTO DA EMA
Cá na capital paulista há uma excelente casa de espetáculos voltada à música nordestina denominada Canto da Ema, em memória a Jackson do Pandeiro por ter gravado o batuque O Canto da Ema, de Alventino Cavalcanti, Ayres Vianna e João Vale, em 1960.

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