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sábado, 28 de fevereiro de 2015

OBRA DE MÁRIO DE ANDRADE AGORA É DO POVO

Fevereiro de carnaval e alegria.
Fevereiro de carnaval e tristeza 
pelo passamento de um dos mais importantes intelectuais brasileiros: Mário de Andrade.
Fevereiro termina hoje trazendo a lembrança da finitude material do autor paulistano de Macunaíma.
Mário Raul Moraes de Andrade, que no começo da carreira literária apresentava-se como Mário Sobral, foi o teórico e um dos organizadores da histórica Semana de 22 realizada no teatro municipal de São Paulo.
Nascido no dia 9 de outubro de 1893, Mário foi romancista, poeta, pianista, musicólogo, compositor bissexto, político (foi secretário municipal de cultura de São Paulo), pesquisador (de campo), jornalista (de O Estado S.Paulo) e amigo dos amigos. Na madrugada de 25 de fevereiro, um sábado Mário sofreu um colapso e minutos depois já era saudade.
Ao completar agora 70 anos do seu falecimento, toda a sua obra cai em domínio público.  

Você sabia que Viola Quebrada é uma moda de autoria de Mário de Andrade? Se sim ou se não, clique e ouça a belíssima gravação na voz de Inezita Barroso.


PESQUISA NO IMB
O jornalista José Hamilton Ribeiro, acompanhado do craque da fotografia Ernesto, 
esteve hoje de manhã fazendo pesquisa sobre moda de viola e caipiras no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB. No registro fotográfico acima, de Darlan Ferreira, 
Ernesto, Zé e Assis.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

ROBERTO LUNA, O REI DO BOLERO

Roberto Luna em visita ao IMB;
abaixo, ele interpretando seu maior sucesso: Molambo

Valdemar Faria nasceu em Serraria no dia primeiro de dezembro de 1929.
Valdemar que o Brasil todo conhece pelo pseudônimo artístico de Roberto Luna, começou a carreira de cantor quando tinha nem vinte anos.
E começou bem.
Cercado por grandes seresteiros da época, entre os quais Orlando Silva, Sílvio Caldas e Nelson Gonçalves, Luna chegou a participar de uma das últimas gravações do rei da voz Chico Alves.
Roberto Luna - Atenção! - integrou o coro que se ouve na regravação da canção "Serra da Boa Esperança"
 feita nos estúdios da RCA Victor, RJ, no dia 24/9/1952,
(https://www.youtube.com/watch?v=JF0yS9_lH-M), composição do carioca Lamartine Babo. 
Detalhe: Desse coral também fazia parte Odaléa.
Não caiu a ficha?
Pois é, Odaléa era uma dançarina da noite carioca e para reforçar a bolsa se virava como podia, inclusive participando de gravações em discos de 78 voltas.
Ainda não caiu a ficha?
Então, lá vai:
Odaléa veio a ser a mãe do cantor e compositor Luiz Gonzaga do Nascimento Jr., que todo mundo passou a conhecer como o filho do rei do baião, Luiz Gonzaga.

Roberto Luna, o rei do bolero, tem muita história pra contar.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

DIA DE CÃO

Trânsito travado e eu dentro de um táxi em São Paulo, cidade selvagem que há anos escolhi para viver – e trabalhar - de livre e espontânea vontade até o tempo que me for possível.
Travada e com trilha sonora ensurdecedora, recheada de gritaria, xingamento e buzinação de timbres diversos.
Aparentemente tranquilo, do alto de sua experiência o taxista com uma risadinha de lado, cínica, diz que no Brasil é tudo assim mesmo, dotô.
Aquela fala tranquila que diz ser nordestina ao incauto pode parecer estar se referindo ao ano chinês, de cabra verde de madeira, que esta se iniciando. Mas, não, é isso a que o motorista se refere.
A sua observação me remete à máxima segundo a qual o ano brasileiro (de cachorro louco?), todo ano brasileiro, começa mesmo depois do Carnaval.
Tudo aqui começa depois do Carnaval. Mas não imediatamente após, pois por ai, se se aguçar bem os ouvidos, é possível ouvir lá longe o gemido ou miado exausto de um tamborim ou cuíca roncando na hora de sua morte, amém.
Pra mim, o dia de hoje foi um dia sem fim.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

POVO E CARNAVAL

Ninguém fez mais eu faço a seguinte pergunta: O Carnaval faz parte do universo da cultura popular?
Visto daqui diante da telinha própria da máquina de fazer doido a que se referia o Ponte Preta, sim. Porém de outro prisma, não.
O Carnaval desde as suas origens remotas, o povo não era parte excludente.
Hoje, sim.
No começo era o Entrudo (imagem ao lado)depois, e ainda no século dezenove, o Carnaval era ainda brincadeira de rua, com cordões famosos, blocos e já no século vinte, escolas.
A primeira escola no Rio chamou-se Deixa Falar; em São Paulo, Lava Pés.
Era tudo feito e brincado de modo espontâneo, até que as escolas se profissionalizaram.
E hoje o que se vê é a contravenção marcando presença num batecumbum que se ouve a partir dos Sambódromos e a partir daí o povo foi excluído para dar lugar à elite que não brinca em serviço.
Em suma: Não há cultura popular sem povo.
Em grandes cidades brasileiras, como Recife, a espontaneidade popular no Carnaval ainda perdura com seus blocos atraindo milhares de foliões, mas há um detalhe: essa espontaneidade ganha eco na forma antiga do Entrudo, em que se sentia prazer e achava-se graça no mau comportamento em que o próximo era a vitima; isso, aliás, tem ocorrido de maneira lamentável em bairros famosos como o paulistano Vila Madalena, onde desajustados se divertem na sujeira e no aperreio do próximo.
 A Madalena transformou-se numa espécie de Sodoma e Gomorra. E isso não é folia, tampouco folia saudável.
Será que estamos voltando ao pior da Idade Média?

ESCÂNDALO

O homem corrompe e é corrompido desde que desceu da árvore e passou a andar equilibrando-se em duas pernas. Rouba-se e mata-se com a naturalidade dos anjos. Isso no mundo todo. Agora mesmo, no Brasil, as denuncias de corrupção estão alcançando índices tsunâmicos. Da Europa vem à notícia de que milhares e milhares de contas de ditadores, ladrões, assassinos, e outros e outros, incluindo brasileiros foram abertas no HSBC suíço. Um detalhe me chamou a atenção: o jornalista Peter Oborne pediu demissão do diário londrino Deily Telegrapg e sabem o motivo? Simples: o Jornal não está cobrindo o escândalo provocado pelo HSBC. Pois é! Que lição poderemos tirar daí?






sábado, 21 de fevereiro de 2015

TEM CONTRAVENÇÃO NO CARNAVAL

Eu desafio a qualquer seguidor deste blog ou não, a cantar de memória qualquer samba de enredo de quaisquer escolas de samba, seja do Rio de Janeiro ou de São Paulo.
Claro, talvez só seus autores e puxadores ou fanáticos em último grau das escolas.
Não nego que a maioria desses sambas traz no enredo histórias interessantes e mais das vezes necessárias ao conhecimento e lembrança. Os sambas de enredo são feitos para fazer brilhar as suas escolas e seus puxadores, evidentemente.
Claro, que no passado há autores cujos nomes permanecem vivos na memória: Mano Décio, por exemplo.
Aliás, o primeiro samba de enredo com essa denominação foi carimbado por Mano Décio e Fernando Barbosa.

-> O Fim dos sambas de enredo

Não quero falar aqui de saudosismo, mas não custa lembrar que os carnavais de outrora traziam no seu bojo um charme muito especial, que era o brincar por brincar.
La atrás era o povo simples honesto e trabalhador que fazia o Carnaval para si.
Em suma o Carnaval era do povo para o povo.
Sem dinheiro sujo, Carnaval não seria o mesmo, diz Neguinho da Beija-Flor Hoje o Carnaval virou um negócio com um quê de muita beleza e perigo mortal, por ser produzido por profissionais de extremo requinte e financiado por “empresários” do submundo do crime. E não duvidem, inclusive por que entrevista do puxador Neguinho da Beija Flor à Rádio Gaúcha não deixa duvidas. Clique.
Pois é, e claro que isso não é surpresa.
Mais tarde, a partir das 21hs, tem mais desfile na Marques de Sapucaí, no Rio. A última a desfilar é a Campeã Beija Flor, com o samba de enredo patrocinado por dinheiro sujo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

UM RIO CHEIO D'ÁGUA

Depois das cinzas, muito porre, orgia e arrependimento os foliões voltaram à vidinha do feijão com arroz.
Os estragos, como lembranças presas à retina ficaram para trás.
N'alguns pontos da Capital paulista, como a Vila Madalena, ficaram os restos orgíacos de quem não nasceu para conviver em sociedade.
Um horror!
Muito bicho com cara de gente foi visto nas ruas da cidade, em bandos.
Agora juntem-se o horror e a beleza, O dinheiro sujo de sangue e miséria com risos, brilhos e fantasias.
O resultado é êxtase sob as palmas do mundo.
Não dá para esquecer nesse processo a dinheirama que o ditador da  Guiné Equatorial despejou na conta dos donos da beija-flor.
Quatro décimos levaram á vitória a Beija-flor.
Foi tudo muito bonito, inclusive a poética contida no enredo. Entendo, porém, que a ética é um bem impagável, e como tal, qualquer cidadão, de qualquer lugar dele deva se orgulhar.
Um cidadão aético não é cidadão.

Depois de muito tempo, o Rio Piracicaba transbordou. Foi hoje. Com isso enormes volumes d'água seguiram para o Rio Tietê e do Tietê para o Paraná, para a Argentina e de lá, para o mar.
O que quero dizer com isso?
Quero dizer da incompetência e da indiferença dos nossos governantes que não mexem uma palha para, por exemplo, criar um meio para guardar ou represar a água que sobra dos rios.
É pra chorar ou não é?

Para lembrar uma cantiga que trata do Rio Piracicaba, clique: 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

COISAS DA TELINHA E DA TELONA

Mesclada por meninas recém saídas da adolescência, uma multidão de mães e vovós pra frentex como se dizia lá atrás, nos anos de 1970, ocupou, no último fim de semana, as mais de um mil salas de projeção de filmes espalhadas Brasil a fora, doidas para ver cenas picantes e de maus tratos saídas das páginas de três tijolões intitulados 50 tons de cinza, da londrina Erika Leonard James, que estão sendo consumidos pelos rabos de saia do mundo todo.
Na estreia, o filme dirigido por Sam Taylor-Johnson, faturou cerca de 150 milhões de dólares nos EUA. No Brasil, até agora cerca de nove milhões de reais.
A história é babaca. Trata-se de uma jovem estudante que vai entrevistar para um jornal da sua faculdade. Os dois se envolvem nos lençóis e lá fazem tudo o que o diabo manda. E aí rola de tudo. Além de chicote e algemas, tem até serrote, frigideira, martelo e prego! Eu, hein!

...

Ontem, ouvindo o programa Cartão Verde da TV Cultura, me deliciei com as histórias do ex-craque de futebol dos campos brasileiros Dadá Maravilha.
Dentro ou fora do campo, Dadá sempre foi e é uma maravilha!
Indagado sobre se fora proibido de transar antes dos jogos da Seleção, ele respondeu com a maior tranquilidade do mundo algo como: não se perdia na solidão, se completava por si próprio.

Viva o Dadá!

...

Como eu disse ontem, a Vai-vai conquistou esse ano o seu 15º título.
A festa pelo novo título rolou na quadra da escola na Bela vista até de manhã. E atenção, no próximo ano, os foliões da Vai-vai, vão estar noutro lugar, pois no atual deverá surgir uma nova estação do Metrô.
A informação nos foi passada pelo amigo Tobias.
Daqui a pouco, saberemos qual será a campeã do carnaval carioca. Eu gostei muito da Unidos de Vila Isabel, que levou a Sapucaí, merecida homenagem e corpo presente ao paulistano Isaac Karabtchevsky, um dos maiores maestros do mundo. Tem 80 anos de idade.

...

Muitos amigos tem me telefonado para falar da minha presença na banca de pitaqueiros do Jornal da Cultura anteontem. Foi legal, quem não assistiu, clique:



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

VIVA O CARNAVAL BRASILEIRO!

Oitenta e cinco anos depois de fundada, a escola de samba Vai-vai fatura o seu 15º título: o de campeã do carnaval paulistano 2015.
O novo título foi conquistado após um belíssimo desfile no sambódromo, onde outras 13 escolas desfilaram para gaudio dos milhares de espectadores que lotaram as arquibancadas e camarotes mesmo com os preços custando os olhos da cara.
A Mancha Verde e a Tom Maior, caíram.
No Rio de Janeiro, as escolas também fizeram bonito.
O resultado se saberá amanhã.
Eu, particularmente, gostei muito da Unidos de Vila Isabel, que homenageou o paulistano maestro Isaac Karabitchevsky.
A festa de comemoração ao 15º título da Vai-vai começou agora pouco, por volta das 18 horas, no bairro da Boa Vista, sua sede.
Essa festa se prolongará até o ano que vem, com muita cerveja, chuva e alegria.
Os canais de TV e emissoras de rádio não param de falar do carnaval que ainda prossegue em várias cidades brasileiras, como Salvador, onde folia não tem hora pra começar nem dia pra terminar.
Em Recife o frevo também continua.
O resultado disso tudo é o seguinte: a música está ganhando. Explico: a Vai-vai ganhou comemorando Elis Regina e, no Rio de Janeiro, quem sabe? A música também se reafirmará na batuta do maestro.
Detalhe: além da Vai-vai, outra escola que também abordou o tema música, a Tucuruvi, também  brilhou. O seu tema para o samba foi as antigas marchinhas do carnaval de outrora. Ficou em 6º lugar.
Viva o carnaval brasileiro!

Para lembrar, clique:

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

NA AVENIDA, MAESTRO UNE O POPULAR AO ERUDITO


Um fio invisível separa a cultura popular da cultura erudita, mas, a fonte que abastece a cultura erudita é visível e tem um nome: cultura popular. Exemplo disso é a obra de Shakespeare, de Alighieri e Cervantes. A obra de mistérios e calafrios de Poe também tem tudo a ver com o popular, por ser baseada no cotidiano banal da sua época. Porém, é do banal que se extrai a essência das qualidades literárias, musicais etc.

Na verdade, nem precisamos ir à Inglaterra de Shakespeare, à Itália de Alighieri e à Espanha de Cervantes, tampouco à Boston (EUA) do autor de O Corvo. Aqui mesmo, no Brasil, temos Augusto dos Anjos, Gilberto Freyre, Machado de Assis e outros grandes literatos de ontem. De hoje, Dalton Trevisan.

Carlos Gomes, o maior compositor operístico das Américas, foi quem levou pela primeira vez o nome Brasil para a Itália e outras partes do mundo. Isso a partir da segunda metade do Século XIX, que é quando ele apresenta O Guarani no Scalla de Milão.

São muitos os exemplos de arte popular e arte erudita, com a segunda bebendo diretamente na fonte da primeira. E para ilustrar tudo isso, não custa lembrar que a escola de samba Unidos de Vila Isabel, este ano com o enredo O Maestro Brasileiro Está na Terra de Noel, tem Partitura Azul e Branca da Nossa Vila Isabel, (para ouvir, clique abaixo) confirma que a nossa rica diversidade étnica se une com perfeição numa só unidade cultural, como bem diz o jornalista e escritor José Antônio Severo, autor do livro “os Senhores da Guerra”.  

A escola que leva o nome do bairro onde o bamba do samba Noel Rosa nasceu, homenageia o maestro Isaac Karabitschevsky que tantas alegrias já nos deu nas salas de concerto afora. Nessa madrugada, na própria avenida, mostrou toda sua grandeza ao reger em campo aberto uma orquestra. Foi coisa de encher os olhos. E ouvidos.  


Quero dizer com isto que o Brasil, com todas as suas mazelas e incongruências, ainda tem jeito. Viva o samba! 


domingo, 15 de fevereiro de 2015

O QUE HIENA TEM A VER COM CARNAVAL?



 Não faz tempo brincava-se o Carnaval por três dias seguidos, tanto que o período era chamado de “tríduo momesco” que culminava com a quarta feira de cinzas.
Eram brincadeiras simples, de cantigas simples, de marchinhas, de confetes e serpentinas nos clubes.
Hoje isso mudou nem confetes e serpentinas há por ai. O que há é muito exagero acompanhado de muita coisa que não presta como crack e desrespeito ao vizinho.
O tempo em que o Carnaval era brincado de modo simples e espontâneo e seu período chamado de tríduo momesco não existe mais, pois foi substituído por um tempo que é o tempo todo. Não tem mais esse negocio de três dias. Na Bahia, por exemplo, o Carnaval começa em Janeiro, ou antes.
Para ilustrar isso, basta lembrarmos que na Bahia quando não se esta dançando está-se ensaiando, como certa vez me disse o menestrel Juca Chaves.
Refiro-me, claro, ao nosso Carnaval.
O povo brasileiro é um povo difícil de ser entendido.
Como definir um povo que sofre e ao mesmo tempo ri tanto, até de si próprio.
Será que temos algo a ver com hiena?
Andei escrevendo mais longamente a respeito do nosso Carnaval, dos seus personagens compositores, da musica característica do período...
Clique:



sábado, 14 de fevereiro de 2015

CARNAVAL VENDIDO!

Na última madrugada perdi o sono e pelos meus ouvidos entrou o manjado e - quase sempre - irritante baticumbum das escolas de samba do grupo especial paulistano, no sambódromo, criado pela conterrânea Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo.
O baticumbum começou com a Mancha Verde, cujo enredo tratou do centenário de criação do Esporte Clube Palmeiras, seguido dos Acadêmicos do Tucuruvi.
O enredo do samba da escola da Zona Norte da cidade tratou das antigas marchinhas de carnaval.
A última escola a desfilar no sambódromo paulistano foi a Nenê de Vila Matilde.
O baticumbum continua hoje.
Nas ruas do centro e da Vila Madalena, principalmente, o que se viu e ouviu foi a zoeira de dezenas de blocos de sujos.
Um bloco feminino, afro, chamado Ilu Obá de Min, foi um dos que, como sempre, encheram de alegria olhos e ouvidos dos foliões.
Hoje o desfile no sambódromo será aberto pelo samba da Vila Maria e encerrado com a X9 paulistana, escola pela qual desfilei há dois anos, em cima daqueles enormes carros alegóricos (acima, coisa que certamente jamais voltarei a fazer).
O baticumbum no Rio de Janeiro começará amanhã, na Marquês de Sapucaí.
Mas o carnaval de escola de samba, tanto no Rio quanto em São Paulo, está vendido: quem paga mais, vai pra avenida.
A Beija-flor de Nilópolis, é um exemplo disso: o ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que detém a oitava fortuna pessoal do mundo, segundo o ranking da revista norte-americana Forbs, comprou a sua alegria pela bagatela de dez milhões de reais, em dinheiro vivo. E mais: ele ainda entendeu de enfiar um "verso" seu na letra do samba intitulado "um griô conta a história: um olhar sobre a áfrica e o despontar da guiné equatorial. caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade".
Que vergonha, ter os bolsos cheio de dinheiro sujo procedente de um país que vive na miséria, como a Guiné Equatorial.
Desde já, zero para os dirigentes da Beija-flor.

TV CULTURA
Depois de amanhã, segunda, estarei integrando a mesa de pitaqueiros do Jornal da Cultura, a partir das 21 horas. Meus pitacos serão expostos após a apresentação das mazelas em forma de notícia em destaque no correr daquele dia. Um exemplo? Digamos que o apresentador dê a notícia que o mundo acabou. O meu comentário certamente será: "já não era sem tempo, acabou porque não prestava". 
Quem não tiver muito o que fazer, sintonize a Cultura nesse horário.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O SAMBA PEDE PASSAGEM

Hoje é sexta feira 13, de Carnaval.
É a festa mais popular do Brasil e uma das maiores do mundo.
Começou com o Entrudo, no século 19.
O carnaval como nós conhecemos, é brasileiro. Mas as suas origens remontam há muitos séculos, desde os tempos em que galinha tinha dente. No entanto, repito: Como tal o conhecemos é brasileiro.
Nos barracões a bagunça está organizada há meses e ganhará a avenida logo mais às 23 horas.
A primeira escola a desfilar é ....
Na telinha de fazer doido, como dizia o bem humorado Stannislaw Ponte Preta, é uma mesmisse só com muito colorido e pernas e outras coisas de fora. Mas há alternativa para olhos cansados dessa mesmisse: O rádio.
Aliás, hoje é o Dia Mundial do Rádio, criado pela ONU - Organização das Nações Unidas.
Quando o carnaval começou a substituir o entrudo, a bagunça começou a ser organizada. Tão organizada que o Barão do Rio Branco chegou a falar a respeito:
E aí vieram as marchinhas.
Vieram as marchinhas, os sambas de ritmos diversos e só bem depois, os sambas de enredo.
O primeiro disco com sambas de enredo, foi gravado nos fins de 1950.
Era tudo muito simples, tudo muito natural, tudo, a bem dizer, familiar.
Em São Paulo, havia corsos, como no Rio de Janeiro.
Lembro que certa vez, o maestro - vejam só! - Eleazar de Carvalho contou-me da beleza que era desfilar na Rio Branco dos anos 50; ele, tocando tuba; Pixinguinha, flauta; João da Baiana, Villa-Lobos e Almirante, entre outros bambambans da época.
Uns 20 anos antes, o mesmo Eleazar estreara em disco "de 78 voltas", acompanhando com a sua tuba a portuguesinha abrasileirada Carmem Miranda.
Mas essa é outra história.
Em São Paulo, as escolas de samba datam dos anos de 1930.
Em São Paulo, o carnaval passou a ser notícia de rádio, com narração inclusive, no começo dos anos de 1960. Quando, por iniciativa do radialista Moraes Sarmento, a gravadora Continental levou à praça o primeiro LP reunindo sambas de enredo interpretados pelo paulistano Geraldo Filme e a rainha do baião, a carioca Carmélia Alves.
A televisão encontrou nos desfiles carnavalescos um modo simples de ganhar audiência e faturar alto para seus cofres.
Só anos depois, e me refiro aos anos 60/70, é que o rádio também entrou na parada.
A partir de hoje por exemplo, a Rádio Estadão promete por seu bloco de jornalistas/radialistas na rua e no ar, sob o comando do craque Emanuel Bomfim. Com Bomfim, estarão Leão Lobo, Renê Rodrigues, a compositorta, deputada e cantora Leci Brandão e o veteraníssimo Moisés da Rocha, titular há quase 40 anos do Programa O Samba Pede Passagem, pela rádio USP.
A palavra Carnaval aparece escrita pela primeira vez no dicionário Aulete, impresso em Portugal no ano de 1842. Diz o verbete:
"Carnaval (kar-na-vál), s. m. os dias próximos e anteriores á quaresma, e principalmente os três dias antes da quarta feira de cinzas. // Folguedos, mascaradas; orgias.// F. ital. Carnavale.
Como se vê, pouco mudou da essência do carnaval desde as suas origens.
Os sambas de enredo do carnaval paulistano deste ano de 2015 são, na sua maioria, muito bonitos. Destaque para "Entre confetes e serpentinas, Tucuruvi relembra as marchinhas do meu, do seu, do nosso Carnaval", dos compositores Fábio Jelleya, Henrique Barba, Leandro Franja, Serginho Moura, Gabriel, Fabinho Chaves, Edu Borel e JC Castilho.
Clique: 



NOTA TRISTE
Da página do Facebook do amigo cordelista Marco Haurélio, o seguinte registro:

Morreu ontem, como um passarinho, em Brumado, Bahia, Dona Maria Rosa Fróes, contadora de histórias, cantadeira de romances, rezadeira, mestra da cultura baiana, brasileira, universal.
Conheci-a em 2005, apresentado por minha colega do curso de Letras da UNEB e neta de Dona Maria, Giselha Rosa Fróes. Registrei com a sua voz dezenas de contos e lendas, espalhados nas seguintes obras:
_Contos folclóricos brasileiros_ (Paulus, 2010);

_Contos e fábulas do Brasil_ (Nova Alexandria, 2011);
_O Príncipe Teiú e outros contos do Brasil_ (Aquariana, 2012);
_Contos e lendas da Terra do Sol_ (com Wilson Marques, Folia de Letras, 2014).
Também devo a Dona Maria talvez a versão mais estruturada em língua portuguesa da milenar “História dos três Conselhos”, que registrei em sua forma original e depois verti para o cordel, conservando sua estrutura básica.
Reproduzo aqui, em sua homenagem, o conto “Toco Preto e Melancia”, que faz parte da obra _Contos e fábulas do Brasil_.
Era uma vez um homem que vivia com a mulher e as filhas. Uma de suas filhas se apaixonou por um rapaz que morava nas redondezas. Pelo fato de o moço ser tropeiro, o pai dela não permitia o casamento, alegando que ele viajava muito e não parava em casa. Ela respondeu que ele viajava para ganhar a vida, mas que se tratava de um bom rapaz:
— Quem vai casar com ele sou eu, e não o senhor, meu pai!
Como não adiantava reclamar, a moça e o rapaz começaram a namorar escondido. Um dia, combinaram um encontro na roça de mandioca do pai dela, onde tinha um toco preto no lugar de uma árvore queimada. Ele disse:
— Nós vamos nos encontrar toda semana no dia tal.
E assim foi feito: eles se encontravam para conversar sem o pai da moça saber. De noite, ela dizia que ia à casa da vizinha e, desviando do caminho, ia ao encontro dele. O namorado, então, fez essa proposta:
— Vamos nos tratar com outros nomes: você me chama de Toco Preto e eu a chamo de Melancia. Assim ninguém vai desconfiar. O casal continuava a se encontrar nos dias marcados. Mas, depois do último encontro, ele ficou um ano sem vir, viajando com sua tropa. Nesse espaço de tempo, apareceu um moço chamado Antônio de Zé Moreira que queria casar com Melancia. A moça disse aos pais:
— Ele é muito bom, mas não para casar comigo. — Mas, depois de pensar que já fazia um ano sem ver o seu amado, resolveu aceitar o casório. O casamento foi marcado no mesmo dia em que se davam os encontros entre Toco Preto e Melancia. Quando Toco Preto retornou da viagem, ficou sabendo do casamento de sua amada. Então ele disse:
— Não tem nada, não. — E chamou um empregado, dizendo:
— Vai na casa da moça que está se casando e faça tudo o que eu mandar. — E passou todas as informações para o empregado.
A festa rolava solta com os noivos no salão. Naquilo, chegou um homem e começou a jogar uns versos que diziam:
Lá na serra da Taquara
Desceu hoje um cachorrinho
Tomando sol pela testa
E vento pelos ouvidos.
Lá no toco preto, ingrata,
Eu deixei o seu gemido.
E o homem continuou dançando e cantando:
— Samba pra trás, rapaziada! Samba pra trás, rapaziada! — enquanto jogava os versos. Mas Melancia só ouvia, sem desconfiar do que se tratava:
Oh! que moça tão bonita
Tão custosa a desconfiar.
Minhas avistas, Melancia.
Toco Preto está no lugar!
Bastou ele cantar estes versos para ela entender tudo. Pediu licença à madrinha, dizendo que ia se deitar um pouquinho para descansar. Em casa, chamou uma empregada que lavava a louça, e disse:
— Ana, pegue uma lata, coloque uma galinha cheia e um lombo com farofa, feche-a e ponha numa sacola e traga para mim, rápido!
As outras empregadas pensaram que era presente para alguém na festa. Com toda cautela, Melancia saiu pelos fundos com a empregada Ana. Na estrada para a roça, tinha uma porteira. Ana segurou-lhe o vestido para não se sujar e as duas seguiram viagem. Quando chegaram na roça de mandioca, no toco onde se davam os encontros, o rapaz que jogou os versos já as esperava. Toco Preto ordenou, então, ao empregado que pegasse os cavalos, que estavam arreados. Montaram rapidamente e tocaram viagem para a terra de Toco Preto.Na festa, quando deram por falta da noiva, a mãe perguntou à madrinha:
— Cadê Ana?
— Está na cozinha lavando louça!
— E minha filha?
— Ah, ela foi se deitar um pouco porque estava cansada, mas já faz um bocadinho.
A mãe resolveu, então, ir ao quarto procurar a fi lha, mas não a encontrou. Na cozinha, soube que ela e Ana saíram com uma sacola, e que já fazia um tempinho.
Desta forma, Melancia saiu para encontrar-se com seu Toco Preto e deixou noivo, festa e todos para trás.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

ABRE ALAS, É CARNAVAL!

A marchinha de carnaval como tal conhecemos nasceu livre no ano da graça de 1899, logo após a princesa Isabel alforriar os negros que se matavam de trabalhar em prol do progresso dos seus senhores.
A marchinha à qual me refiro é Ó Abre Alas, criada pela carioca Francisca Edwiges Neves Gonzaga a pedido dos foliões do histórico cordão Rosa de Ouro. Essa marchinha porém só foi gravada integralmente em disco no começo da década de 70, pelas irmãs Batista - Linda e Dircinha -, filhas do cantor e compositor cômico Bastista Jr.

Chiquinha, portanto, foi a mãe da marchinha.
O frevo, que nasceu também por aquela época teve como pai Matias da Rocha.
Os continuadores direto da marchinha e do frevo, foram respectivamente, Braguinha e Capiba.
O nome de batismo de Braguinha era Carlos Alberto Ferreira Braga e do Capiba era Lourenço da Fonseca Barbosa.
Naquele tempo o carnaval estava ainda tomando forma, pois o que existia era o Entrudo, que era uma brincadeirinha de péssimo gosto em que uns agrediam outros das formas as mais lamentáveis.
O frevo só passou a ser conhecido nacionalmente por volta dos anos 30 e  40 do século passado. Hoje o frevo ocupa espaço apenas em Pernambuco, especialmente na capital recifense.
O auge das marchinhas carnavalescas ocorreu entre os fins de 1930 e começos dos 60, mas vez por outra põe as unhas de fora como agora, em São Luís de Paraitinga e nas capitais do Rio e São Paulo.
Curiosamente, as marchinhas estão embalando os blocos que ora se multiplicam Brasil afora.
A primeira vez que a palavra Carnaval aparece impressa é no Aulete, primeiro dicionário da língua portuguesa.
A palavra frevo aparece impressa pela primeira vez em 1908, num jornal pernambucano de pequena tiragem.
Mas tudo tem seu tempo.
As marchinhas já não são as mesmas, embora o frevo ainda resista com sua bela coreografia e passos que desfiam passistas e encantam as pessoas que os acompanham.
Mas, como eu disse, o frevo ocupa apenas uma parte do território pernambucano.
Os pernambucanos são uns privilegiados!
E o Galo da Madrugada hein?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

HOJE É DIA DE FREVO!

Dizer que o frevo pernambucano existe desde que existe Pernambuco, seria exagero. Mas certamente dizer que o frevo pernambucano existe há mais de cem anos não seria simplesmente uma verdade; Mas, sim,  uma verdade definitiva.
O frevo, Patrimônio Imaterial da Humanidade assim decidido pelo nosso Ministério da Cultura, desde 2012,  como boa parte do Nordeste e do Brasil conhece saio da cuca de Matias da Rocha, que compôs a “frevente” Vassourinhas. Ouça:

 Isso na virada do século XIX para o século XX, embora a sua primeira gravação date do final da primeira metade do século passado.
Frevo é uma corruptela da palavra ferver.
A primeira vez que essa palavra aparece na discografia brasileira é na composição Frevo Pernambucano, numa gravação do rei da voz, Chico Alves.
Essa música é  de Lupece Miranda e Osvaldo Santiago. Hoje é o Dia do Frevo.

Viva o Frevo!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

CARNAVAL, SAMBA E BLOCOS


O samba existe desde o semba, que é um gênero de origem africana e que tem rigorosamente, tudo a ver com os nossos conhecidos lundu e batuque.
O samba tal e qual hoje conhecemos, fincou suas raízes primeiramente no interior de São Paulo, embora boa parte dessa história nos remeta à primeira década do século XX ao Rio de Janeiro.
No correr dos anos pós descoberta do Brasil pelo navegador Cabral, navios negreiros despejavam escravos no incipiente porto de São Vicente, a mais antiga cidade brasileira assim nomeada por Américo Vespúcio em 1532. Muitos desses escravos separados de suas famílias, eram encaminhados para o trabalho duro no interior do estado. Para lazer, o máximo que seus senhores permitiam era que cantassem e dançassem ao som dos instrumentos que eles próprios construíam. O som era o batuque, tirado de rústicos tambores.
Batuque e semba tinham e têm tudo a ver.
E do semba para o samba foi um passo.
No ultimo mês de 1916, no Rio de Janeiro, o jornalista Mauro de Almeida e o batuqueiro Donga se apropriaram do ritmo que rolava na casa da velha bahiana Tia Ciata e o registraram na Biblioteca Nacional. No ano seguinte, o nosso primeiro cantor profissional, Bahiano, gravou para a Casa Edson o que se chamou de samba: Pelo Telefone.
Mas bem antes disso, os negros vindos de Portugal deixaram a sua marca nas senzalas paulistas.
Em 1914, na capital de São Paulo, o negro descendente de escravos Dionísio Barbosa criava o primeiro cordão carnavalesco, no qual o samba era o ritmo mais forte.
Essa história é comprida.
A primeira escola de samba criada para o carnaval surgiu no Rio de Janeiro, em 1928.
A segunda escola de samba criada para o carnaval surgiu na capital paulistana, em 1934.
A segunda escola de samba paulistana chamou-se Lavapés e surgiu em 1937, e que existe até hoje.
Desde os primórdios, o carnaval era um divertimento popular.
Com o advento das escolas, isso foi mudando.
Hoje as escolas são atrações que levam as pessoas a gastar dinheiro, muito dinheiro, restando ao blocos, hoje em processo de fortalecimento, a levar a alegria espontânea às ruas.
Neste carnaval de 2015, cerca de um milhar de blocos carnavalescos estão programados para irem às ruas do Rio de Janeiro. O mais antigo de lá é o Bola Preta, que reúne, anualmente, mais de um milhão de foliões.
Este ano em São Paulo, foram catalogados 302 blocos, muitos deles recebendo apoio financeiro da Prefeitura de Fernando Haddad.
Não custa dizer que antes de o povo descobrir e brincar o carnaval, o carnaval era coisa da aristocracia europeia, que usava máscaras e dançava valsas em amplos e requintados salões.

Quem sabe um dia o carnaval volte a ser a alegria do povo.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

UMA PRECE À SANTA DOS CEGOS

Cego no mundo existe desde que o mundo é mundo. E há cegos de todo tipo: magro, gordo, cabeludo, careca, rico, pobre, negro, branco, alto, baixo, feio, bonito e também mulheres e crianças.
Na Bíblia, cegos aparecem em vários versículos.
Antes mesmo de Cristo, muitos cegos se celebrizaram, como Homero e Diógenes.
Aliás, já escrevi bastante a respeito. Clique:
Não são poucas as pessoas que andam no mundo tateando.
Deficientes visuais são quaisquer pessoas que apresentam obviamente algum tipo de deficiência visual, como estrabismo, miopia, catarata, etc.
No Brasil, calcula-se em cerca de 80% o numero de pessoas que apresentam problemas de visão.
Em suma, qualquer pessoa que usa óculos de graus é pessoa deficiente visual. Eu, por exemplo, por não ter muito o que fazer andei pensando na Santa padroeira dos cegos e escrevi isto que Darlan Ferreira postou com a minha voz:


VITAL FARIAS/CANTORIA
Acabo de receber do cantor e compositor Vital Farias duas pérolas que ele conservou no seu baú de coisas de ontem:
A gravação do espetáculo cantoria que fez ao lado de Elomar Xangai e Geraldinho, que ele agora para o formato CD. Ponto pra ele. Acho que tudo que é bom deve chegar ao alcance do público.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

É TEMPO DE OUVIR GERMANNO E JURANDY


Assis, Antônio, Jurandy da Feira, Luciana Freitas, Moisés da Rocha e
Germanno Júnior .  (Foto: Darlan Ferreira)
Jurandy da Feira, de Batismo Jurandy Ferreira Gomes, cantor, compositor e violonista de recursos inimagináveis para 
um forrozeiro, como assim ficou conhecido desde que o rei do baião, Luiz Gonzaga, passou a gravar músicas de sua autoria. 
Germanno Júnior, que um dia já foi Zé do Coco, é um compositor de múltiplas qualidades.
A primeira música que o Rei do Baião gravou de Jurandy foi o forró "Nos Cafundó de Bodogó", inserido no LP capim novo (RCA), produzido pelo compositor, instrumentista e arranjador pernambucano Rildo Hora, em 1976. 
O que Jurandy e Gernanno têm em comum?
Simples: Qualidade e talento.
O disco novo de Jurandy, Outras Cantorias, é duplo e traz no total, 21 faixas,
das quais apenas uma (Movimento) que traz um parceiro: Almir Padilha.
É um álbum muito bonito esse do Jurandy, com ritmos lentos e outros apressados que não deixam a desejar por agradar a gregos e baianos. Na escala de zero a dez, a nota é dez.
O novo disco do Rio-grandense do Norte Germanno Júnior, Forró do Tempo dos Mestres, é também um disco muito bonito, com compassos alterados de faixa a faixa e igualmente incapaz de deixar quem quer seja indiferente. Começa com Dominguinhos cantando e tocando (Eterno Rei do Baião) em homenagem a Luiz Gonzaga, ao lado de Germanno. O mesmo Dominguinhos volta a fazer duo com Germanno na última faixa, interpretando a música - título do seu LP de estreia, em 1964, Fim de Festa, que saiu pelo selo Cantagalo do original forrozeiro baiano Pedro Sertanejo, pai do mestre Oswaldinho do Acordeon.
A nota para esse disco do Germanno é a máxima.
Os dois artistas estiveram recentemente exibindo as suas qualidades no Instituto Memória Brasil, IMB.

Para ouvir as músicas do LP de estreia de dominguinhos, clique no link abaixo: 


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

SARAU NO INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL

Uma trintena de pessoas do mundo artístico compareceu à sede do Instituto Memória Brasil, IMB, no último fim de semana. O motivo desse encontro foi discutir os rumos da entidade e escolher a sua nova Diretoria, incluindo o Conselho Fiscal e Consultivo. Entre os artistas presentes estiveram também os jornalistas Audálio Dantas, Eduardo Ribeiro, Roniwalter Jatobá, Luciano Martins Costa, Ricardo Viveiros, que esteve acompanhado de seu filho Miguel; Vitor Nuzzi, Matias José Ribeiro, Luciana Freitas e Rivaldo Chiném.
No decorrer do encontro discutiu-se questões pertinentes aos diversos meios da cultura brasileira, como música, teatro, cinema e literatura.
No sábado, 31, as discussões em torno da nossa cultura no IMB, se iniciaram por volta das 11 horas , com a presença do contador Cícero Afanso e dos advogados Jorge Mello (que também músico) e Armando Joel.
O cordelista e estudioso da cultura popular Marco Haurélio, autor de mais de 40 livros, discorreu amplamente a respeito das suas atividades e da pobreza que se vê hoje em dia nos meios de comunicação de massa, especialmente a televisão. A sua fala provocou muitas observações. Foi unânime. O editor José Cortez, da Cortez Editora, não só concordou com Marco como enalteceu a importância do Instituto Memória Brasil como guardião da história da nossa cultura popular. Ele disse, entre outras coisas, que "O IMB é uma instituição que merece toda a atenção de quem pensa Brasil pela via da formação do indivíduo na sociedade", acrescentando ainda que "Não dá para dissociar educação de cultura". O poeta e jornalista Ricardo Viveiros seguiu falando na mesma linha do editor Cortez. Ele lembrou  da dificuldade de se fazer pesquisas a respeito de cultura popular, a partir de discos de 78 rpm por exemplo. "Esses velhos discos são muito importantes, mas onde achá-los para pesquisa? Acho que só no IMB".
O maestro e compositor Mário Albanese, criador do gênero musical Jequibau, junto com Ciro Pereira, falou da importância de grandes artistas de passado não muito distante, como o violonista Garoto.
Enfim, o encontro que reuniu expressivos nomes das artes no IMB, foi marcante. Todos falaram sobre tudo referente às suas atividades: Osvaldinho da Cuíca (Primeiro Cidadão Samba de São Paulo, título conquistado em 1975), Théo de Barros (coautor da moda de viola Disparada) e Papete, compositor e um dos maiores percussionistas do mundo, junto com Naná Vasconcelos e Airto Moreira.
Escolhidos os novos membros da Diretoria e Conselho, seguiu-se um sarau com os artistas Jarbas Mariz, Jurandy da Feira, Luiz Wilson, Natanael e Janaína Pereira, do grupo musical paulistano Bicho de Pé.
O produtor Darlan Ferreira, encerrou o encontro com esta pérola: "E olha que dessa vez, não estiveram presentes Vandré, Tinhorão, Anastácia, José Hamilton Ribeiro, Oswaldinho do Acordeon, Bráz Baccarin e nem Deus". Viva a cultura popular brasileira! (Fotos by: Daniel Justi/Clarissa de Assis)

Saiba mais sobre o IMB, clicando no link abaixo: 

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