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sábado, 1 de agosto de 2015

O TREM MATOU E REMATOU O PEDRO DO CHICO

No texto poético-musical de Chico Buarque de Holanda, o personagem Pedro, operário da construção civil, é atropelado por um carro na contramão e morto. Quem dirigiu o carro que o atropelou, ninguém sabe. Esse detalhe não consta do texto poético-musical do Chico, mas é fato que a ficção e o fato caminham juntos no mundo inteiro e em todas as línguas.
 A ficção é tão forte quanto a realidade, no mundo todo e em todas as línguas.
O Pedro do Chico, que era pedreiro, morreu na contramão.
Morrer na contramão muitos Pedros morrem todos os dias, em todas as cidades e em todos os cantos.
Morrer na contramão é fato comum.
E morrer na linha do trem?
No texto poético-musical do Chico, o Pedro Pedreiro morreu atropelado por um carro, na urbe.
Nesses dias, na urbe carioca, como na urbe do Pedro, outro operário, Adílio, foi atravessar a linha do trem e por um trem foi atropelado e morto. E depois de morto, foi novamente morto pelo trem que vinha atrás do trem que o matou pela primeira vez.
Diante da ficção e da realidade pode-se concluir que não valemos nada;  sejamos nós corpos ficcionais ou reais.
O trem matou e “rematou” um cidadão e o Primeiro Ministro da Inglaterra, David Cameron, dizia que os imigrantes são um “enxame”.
Enxame é inseto.
Somos, enfim,  corpos que não valem nada para o Capitalismo.
O trem matou, e matou de novo, o trabalhador que atravessou a linha, que não vale nada. Não valemos nada. É isso?




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