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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

IPHAN, REPENTE E CORDEL

A antropóloga carioca Ana Carolina marcou ontem um belo tento, ao reunir cerca de 60 artistas populares, muitos deles, de rua. Essa reunião ocorreu num prédio da Funarte, na capital paulista.
Fazia tempo que eu não me reunia com tantos artistas verdadeiramente populares e criativos, como Peneira & Sonhador, Ed Boy, Luiz Wilson, Cacá Lopes, Costa Sena, Sebastião Marinho, Moreira de Acopiara, Zé Francisco –decano dos repentistas em São Paulo– Téo Azevedo, Marco Haurélio, Zé Américo.
Também compareceram à reunião, que teve por finalidade o tombamento da literatura de cordel e da poética repentista pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Cristina Abreu e Malu, do CTN e produtoras da área cultural, como Telma Queiroz. Cristina foi bastante questionada sobre o fato de o CTN não dar a atenção devida a artistas populares. “As portas do CTN estão abertas”, ela disse.
Representantes do IPHAN abriram o encontro explicando o interesse de inscrever o cordel e o repente na tábua de expressões da cultura popular brasileira, como noutras ocasiões foi feito com o samba de roda, o frevo, o círio de Nazaré e a roda de capoeira.
O que acho disso?
O governo quando nada faz, faz de modo incompleto iniciativas que poderiam ficar definitivamente marcadas para a história. Caso claro é o que se pretende fazer com o cordel e o repente. Pra valer, mesmo, essa iniciativa poderia ser enriquecida com uma publicação que registrasse em verbetes dados referentes aos artistas. Um mapeamento rigoroso enriqueceria mais ainda o tombamento do cordel e do repente como expressões autênticas da cultura popular brasileira. Mais: concursos de cordel e de repente, de alcance nacional, patenteariam essa iniciativa, pois tombar por tombar, não adianta.
Entre 2001 e 2003, com apoio do Metrô e da CPTM, realizamos dois concursos de literatura de cordel em São Paulo. O resultado disso foram 410 mil folhetos distribuídos gratuitamente às bibliotecas da rede pública de São Paulo. Antes, em 1997, presidimos a mesa julgadora do 1º Campeonato Brasileiro de Poetas Repentistas, considerado até hoje o mais importante do gênero em todos os tempos. A finalíssima foi realizada no Memorial da América Latina. Cerca de uma centena de duplas de profissionais do repente, de todo o Nordeste, participou desse festival.

O IPHAN foi criado no governo Vargas, em 1937. O seu 1º presidente foi o advogado mineiro Rodrigo Melo Franco de Andrade. No Conselho da instituição se achava o paulista Mário de Andrade, desaparecido no dia 25 de fevereiro de 1945.


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