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domingo, 20 de março de 2016

VIVA A DEMOCRACIA!



O poder continuado leva à tirania, em qualquer tempo ou lugar.
A democracia nascida na Grécia, país hoje arrasado pela má administração politica, é uma forma de governo que prioriza a pessoa.
Demos em grego é povo e cratos é poder, ainda na velha língua de Platão, o professor do gênio Aristóteles.
Democracia é, pois, é o que dá poder ao povo ou para o povo.
Democracia é tudo de bom que a vida nos permite no cotidiano. Tratar bem, para ser bem tratado. Essa é a lógica. As leis servem como meio de organização social.
Há quem goste do vermelho e há quem goste do azul.
Não sei se o Chico ainda gosta de mim, mais eu ainda gosto dele, tim tim.
Chico dá a vida pelo PT.
Outro dia conversando cá em casa com o Vandré, o assunto foi o Brasil.
Vandré gosta do Brasil, mas não gosta do PT. Ele acha a Dilma um horror e que ela não merece o Brasil. Nem ela e nem o Lula.
Daí a importância da democracia, que permite a boa convivência entre os contrários.
Tomara que a democracia,  que reconquistamos há trinta e cinco anos, não esteja correndo o menor risco de sobrevivência.

Viva a democracia!

sábado, 19 de março de 2016

O BRASIL TÁ SE MEXENDO...


O editorial de hoje do Times novayorquino mostra espanto na explicação da presidente brasileira, Dilma, para a escolha do ex-presidente Lula para o cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil. Diz o editorial que Dilma está totalmente desacreditada perante a população e, pois, sem cacife para justificar o que tentou justificar e que terminou brecado por decisão, ontem à noite, do juiz Gilmar Mendes, do STF.  
A opinião do jornal leva-me a pensar sobre as enormes dificuldades que os jornalistas estrangeiros estão enfrentando para explicar a seus leitores a situação política e econômica que o Brasil e os brasileiros estão ora enfrentando. É kafquiana a situação.
O vendaval de novidades que ouvimos no rádio e na televisão chega a ser assustador. A cada instante nos chegam notícias que estarrecem o mais apolítico dos cidadãos. Ele é ministro, não é ministro, o que é que ele é? Ele é Lulla.
Collor aprontou o diabo e caiu empurrando um carro Elba.
Dilma pode cair por causa de um Santana e otras cositas más...
O pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva nasceu pobre de marré-marré e ficou, embora rico, pobre. Mas, tem muitos amigos de posses estratosféricas.
A biografia de Lula é uma biografia incrível, até certo ponto.
Lula enfrentou milhões de problemas, familiares inclusive, mas sobreviveu a todas as intempéries que a vida lhe impôs como desafio. Dançou forró na casa de espetáculos de Pedro Sertanejo, na Vila Carioca, SP, fez bicos, virou metalúrgico em São Bernardo, fez animação de comícios como personagem central antes de ser deputado Constituinte e Presidente da República. De tabela, transformou-se numa das personalidades mais conhecidas e respeitadas do planeta. Mas, aparentemente, borrou essa biografia com atos que a sociedade civilizada condena. Improbidade, por exemplo.
Aristóteles foi o cara que nos trouxe à luz os fundamentos necessários para o bom-viver em sociedade. Mas ele foi muito mais, ele fez muito mais. Sua teoria de causalidade universal abriu a mente do homem desde seu tempo. Depois de estudar a vida humana, a natureza, a astronomia, ele empacou numa figura invisível, sem nome pra ele, mas que outros filósofos entendem como Deus. Aristóteles identificou as virtudes humanas e definiu a Justiça como meio de apaziguamento social. A ética para ele é algo muito importante na vida, ao contrário do que pensa o pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva.
Ler como divertimento ou para entender o que a nós se apresenta como incompreensível, é fundamental. Mas Lula não gosta de ler, ele mesmo já disse isso publicamente.
É do escritor paulista Monteiro Lobato a frase: “quem lê mais, sabe mais”.
Aristóteles falou com excelsa propriedade sobre tudo ou quase tudo que hoje conhecemos.
A Grécia era conhecida como a Pátria da Filosofia e Atenas a Cidade do Conhecimento.
O Brasil de Dilma é a Pátria Educadora. E que pátria!

Escrevi:

Todo dia é dia
De Brasil especial
De Brasil de todos nós
De Brasil nacional

O Brasil tá se mexendo
O Brasil tá em ação
Procurando um caminho
Pra sair da contra-mão

A tarefa não é fácil
E tem lá seus empecilhos
Mas já passou da hora
De o Brasil andar nos trilhos

Faz tempo, muito tempo
Que o Brasil sofre calado
Apanhando em silêncio
De modo resignado

E tudo isso tem a ver
Com roubo e corrupção
O que deprime o País
E revolta a Nação

Mas o mal não é eterno
Nem eterna é a dor
Eterna é a vida
Que dá asa a beija-flor
                                      




NO AR, A RÁDIO BORBOREMA DE CAMPINA GRANDE !


No Brasil, o rádio deu o ar da sua graça em 1922.  À época o presidente do País era o paraibano Epitácio Pessoa. O primeiro discurso de um político levado ao ar pelo rádio foi o do Presidente Pessoa.
Em 1922, comemorava-se o centenário da independência do Brasil.
O ano de 22, foi um ano marcante não só pelo fato de o rádio dar a sua graça no País.  Nesse ano, em São Paulo comemorava-se um grande evento cultural, que entraria para a história como  A SEMANA DE 22, liderada pelo escritor e musicólogo paulistano Mário de Andrade.
É muita história.
Em 1924, São Paulo é cenário de uma revolução.  Em 29 o chefe do governo paraibano, João Pessoa, é assassinado em Recife.  Ele integrava a chapa que disputava a presidência da república ao lado do gaúcho Getúlio Vargas.  Um ano antes, o paraibano Francisco de Assis Chateaubriand  Bandeira de Melo, de Umbuzeiro, inaugurava a revista semanal O Cruzeiro.
O Nordeste, de grandes lutas passava a aparecer, com destaque, no cenário nacional.  Inclusive, através da música.
O pernambucano Luiz Gonzaga, que iniciara a carreira musical em março de 1941, firmava-se como cantor e sanfoneiro com a toada-baião Asa Branca.  Isso, em 1949.
Entre 1922 e 1949, passaram-se 27 anos.  Nesse ano Chateaubriand se deslocava do Rio de Janeiro até Campina Grande, na Paraíba, para inaugurar a quinta emissora de rádio da rede Associada no Nordeste: Rádio Borborema,  ZYO-7 , AM.
Hoje, mais de três mil emissoras de rádio na frequência AM estão espalhadas Brasil afora.  É claro que muitas encerraram suas atividades e outras permanecem na origem...
Muitas emissoras de rádio, e de televisão a partir de 1950, integraram a Rede Associada.
Eu comecei a minha carreira profissional de jornalista no jornal O Norte, de João Pessoa.
O Norte, não existe mais em papel.
O Norte fez parte da Rede Associada, como o Diário da Borborema.
O Diário da Borborema, do qual fui colunista na primeira parte dos anos de 1970, também não existe mais em papel.
A Rádio Borborema, e velha e boa Rádio da Borborema, que teve na sua programação nomes brilhantes como Hilton Mota, Leonel Medeiros, Ramalho Filho, Deodato Borges, Genésio de Sousa e Rosil Cavalcanti.
Eu trabalhei com Genésio de Sousa, Hilton Mota e Deodato Borges.  Todos estão no céu.
O livro PRA DANÇAR E XAXAR NA PARAÍBA: andanças de Rosil Cavalcanti , (Gráfica Marcone, 444 páginas; 2015), de Rômulo C. Nóbrega e José Batista Alves, trata das origens da Rádio Borborema no capítulo VII.  Aliás, esse é um livro de fundamental importância para se conhecer um pouco da cidade de Campina Grande e, principalmente, o pernambucano-campinense Rosil Cavalcanti, autor de verdadeiros clássicos da música popular brasileira.  Entre esses clássicos, estão Sebastiana, Cabo Tenório, Faz Força Zé e Tropeiros da Borborema.
Rosil, que deixou 82 músicas gravadas por Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Marinês, Genival Lacerda, Abdias e até Teixeirinha, partiu para a Eternidade carregando no peito uma decepção.  Meu Cariri ganhou uma parceira que, a rigor, nunca existiu: Dilú Mello.
A Rádio Borborema nunca fechou suas portas mas durante um tempo ia ao ar como Rádio Clube.  Hoje, na verdade, desde terça-feira última, seus ouvintes foram alegremente surpreendidos com o anúncio do seu verdadeiro nome: Rádio Borborema;  melhor ainda: Rádio Borborema de Campina Grande

A Rádio Borborema é um marco de extrema importância para os paraibanos.

quinta-feira, 17 de março de 2016

ARISTÓTELES E O HOMEM DA COBRA

Aristóteles dizia que política é o esforço da realização da ética na vida social.
O cientista e compositor musical Paulo Emílio Vanzolini, meu amigo, também achava isso.
O doutor Paulo, especialista em hepatologia – ramo da Zoologia -  vivia arte e ciência o tempo todo. Incluindo ai, a política.
No correr da ditadura militar, o doutor Paulo ajudou a tirar do Brasil muitos perseguidos políticos. O doutor Paulo odiava o PT. Aliás, ele não autorizou a produção do filme Lula, o filho do Brasil (Direção Fabio Barreto, 2009) a incluir na trilha sonora o Samba Volta Por Cima, de sua autoria. Isso ele me disse numa das vezes em que saímos tantas e tantas vezes para comemorar a invenção da cachaça e da cerveja.
Aristóteles dizia que a justiça é a maior das virtudes.
A cantora Inezita Barroso considerava-se uma pessoa justa. Ser justo consigo mesmo, Aristotelicamente falando, é muito fácil. Difícil é o contrário. Mas Inezita costumava dizer o que lhe vinha à telha. Ela era uma pessoa que não tinha papas na língua.  Era maravilhosa, autêntica. As pessoas maravilhosas estão todas, partindo em viagem sem volta.
Inezita Barroso, paulistana do berço do samba, bairro da Barra Funda, também detestava o PT.
Eu fui uns dos fundadores do PT.
O mais importante sambista e cuiqueiro de São Paulo, e do Brasil, Osvaldinho da Cuíca, tem a mesma política que tinha Inezita Barroso.
Osvaldinho da Cuíca é um mestre da música popular.
A Paraíba, minha terra, deu muita gente importante em todas as áreas da atividade humana.
A Paraíba deu o poeta simbolista Augusto dos Anjos, os cordelistas Leandro Gomes de Barros e Silvino Pirauá, Ariano Suassuna, João Pessoa, Zé Américo de Almeida, autor do romance regionalista nordestino A Bagaceira, 1922; Zé Limeira, Zé Ramalho, Deus...
A Paraíba também deu o cantador violonista Vital Farias, da terra de Ariano (Taperoá).
Vital Farias é uma das nossas reservas musicais, intelectuais e humanistas.
Vital detesta o PT.
Um dia, um amigo me perguntou se eu sabia que Hitler começou sua carreira no Partido dos Trabalhadores Alemão. Década de 20. Eu disse que sabia. E eu disse que sabia, também, de um monte de histórias. Da Carochinha, inclusive.
E esse mesmo amigo, um provocador de mesa de bar chamado Rodrigo, também me perguntou sobre o que eu achava ou acho do que está rolando neste Brasil brasileiro de pobres e ricos, muita desigualdade. Somos campeões nesse item.
Aristóteles dizia que o equilíbrio é fundamental para o bem de uma sociedade.
Pensar é fundamental, mas é complicado.

O HOMEM DA COBRA
A fala de Lula tornada pública pelo juiz Sérgio Moro é de arrepiar.  É de arrepiar pela vulgaridade expressa. É chula, agressiva, irônica, prepotente.  O palavreado exibido pelo ex presidente da República chega a ser vergonhoso por sua baixeza e agressividade contra mulheres e pobres e até contra o poder Judiciário, o que acarretou imediata resposta do decano do STF, Celso de Melo.  Fiquei triste.  Antes deste quiprocuo, o antecessor da Dilma disse em tom de desafio aos seus adversários que se quisessem matá-lo teriam que lhe atingir a cabeça e não o rabo com se faz com uma cascavel.  Ele disse isso e logo me lembrei da minha avó Alcina.  Ela falava de um tal “homem da cobra”, que é simplesmente o camelô das ruas anuciando seus produtos milagrosos ao público ignorante.  Em resumo:  é o homem de boa fala, que fala muito e enrola todo mundo.

INEZITA BARROSO

No último dia 8, dia internacional da mulher, completou-se um ano do encantamento da minha querida Inezita Barroso.  Eu tive a alegria de vê-la feliz lendo o livro que escrevi a seu respeito. (Cortêz Editora - 2011).  Um dia após o seu desaparecimento, eu e o Zuza Homem de Melo falamos a seu respeito no programa JC Debate, da TV Cultura.

sábado, 5 de março de 2016

CÃO E COBRA NA CULTURA POPULAR

A cultura popular brasileira é, seguramente, de riqueza exuberante e das maiores do mundo.
A cultura popular está em todo canto e lugar. Nos palácios, nas ruas e na garganta de políticos, juízes, de presidentes da República e de ex-presidentes da República, como Luís Inácio Lula da Silva.
A cultura popular é a digital de um povo, eu já disse isso muitas vezes. Aliás, na primeira vez que disse isso foi numa entrevista a um dos jornais de Teresina, no Piauí. Em 2010, no discurso de posse de seu primeiro governo, a doutora Dilma a usou, com uma modificaçãozinha. Ela disse: A cultura popular é a ALMA de um povo.
Pois bem, no correr da campanha do seu segundo governo, a atual presidente da República jurou que ninguém mexeria nos direitos trabalhistas. Ela disse: nem que a vaca tussa...
E isso é cultura popular.
O cão e a cobra que habitam a alma aristotélica do pernambucano Luís Inácio Lula da Silva surgiram como que num passe de mágica ontem, para espanto dos jornalistas que acorreram à sede do PT, em São Paulo, e ao Sindicato dos Trabalhadores, em São Bernardo, à noite. A cobra era uma jararaca e se alguém quis dela dar cabo, quebrou a cara. Tinha que dar na cabeça e não no rabo.
A jararaca era ou é o próprio Luís Inácio, como ele deixou bem claro.
À noite, em São Bernardo, o ex-presidente disse que todo mundo aí “tá cutucando o cão com vara curta”.
Pois é, isso é cultura popular.
Quem fala errado, o letrado ou o analfabeto?
Lula fala muito e do jeito que fala, encanta. É uma espécie de serpente, ou não é?
Há uns 30 anos eu chefiava a reportagem da editoria de Política do Jornal O Estado de S.Paulo. No Congresso, discutia-se à exaustão a Constituição que está em vigor. Semanalmente, eu reunia alguns congressistas e juristas para discutir as questões mais polêmicas do momento. Num desses debates, Lula deu show (foto acima).

 PATATIVA DO ASSARÉ

O poeta cearense Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, nasceu no dia 5 de março de 1909. Hoje é dia 5 de março. Sobre ele escrevi o livro O Poeta do Povo.


terça-feira, 1 de março de 2016

CTN E CULTURA POPULAR

“Eu voltei ao CTN, a convite de Dona Cristina”, disse-me com alegria a Produtora cultural Malu.
CTN é Centro de Tradições Nordestinas, localizado no bairro paulistano do Limão.
Reencontrei Malu numa reunião com artistas populares promovida pela antropóloga Ana Carolina, num prédio da Funarte em São Paulo.
Carolina abriu a reunião explicando aos artistas presentes, que foram muitos, sobre a importância do tombamento da literatura de cordel e do repentismo brasileiros como patrimônio cultural e imaterial das coisas do nosso País. Dito o que tinha de dizer, Carolina nos chamou para falar sobre cultura popular. Falei.
Outras Pessoas foram chamadas a falar sobre o que fazem no mundo da cultura popular. Entre estas pessoas o Pernambucano Luiz Wilson.
Luiz Wilson é uma das figuras mais expressivas da cultura popular do Nordeste. Ele é cordelista, repentista e apresentador de um dos Programas mais ouvidos nas manhãs de Domingos do Rádio Paulistano: Pintando o Sete, no ar desde o dia 09 de setembro de 2007.
No Programa do Wilson tem Gonzaga, Dominguinhos, Anastácia e muitos outros grandes forrozeiros, cantadores repentistas e muitos outros por quase toda manhã  no “dial” da rádio Imprensa FM 102,5.
Mas eu comecei falando neste texto sobre a produtora cultural Malu.  Pois bem, Malu fez-me lembrar o mais importante filósofo dos últimos tempos da Antiguidade: Aristóteles.
Na conversa na Funarte, Malu disse-me que “O CTN está sem alma”.
Cinco séculos antes de Cristo, Aristóteles dizia nos seus manuscritos que a alma regia energia, que regia movimentos, que regia corpos, que regia a própria vida.
Isso tudo está na Teoria das Casualidades Universais.
Para os gregos, em grego, alma é psiquê.
No dia em que o CTN entender a importância da sigla que escolheu, essa sigla se tornará verdadeiramente importante para os milhões de Nordestinos que habitam a  cidade de São Paulo.
Estamos falando, claro, de Cultura do Nordeste brasileiro.
Ah! Na reunião promovida por Carolina reencontrei, depois de muito tempo, a grande cantora mineira Fatel Barbosa.

JOÃO DE CALAIS
Calais fica ao norte da França. Ali por perto, nas proximidades do embarque no Eurotúnel há anos foi criada uma favelona, habitada por umas três mil pessoas. Pobres, imigrantes com uma mão atrás e outra na frente, foram postas pra correr pela Policia. Calais ficou famosa fora da França pelo romance de cordel chegado ao Brasil em fins do século 19. O estudioso da cultura popular Luis da Câmara Cascudo, autor de cento e tantos títulos, foi seu principal divulgador. João de Calais, o romance, é um dos Cinco Livros do Povo.


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