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domingo, 31 de março de 2013

O DIA QUE VIROU 21 ANOS

Mais de dois mil anos depois de provocar rebuliço ao ser denunciado por um discípulo – Judas - perseguido, preso, julgado e condenado; em seguida torturado, crucificado e morto nos arrabaldes de Jerusalém, num lugar chamado Gólgota ou Calvário, onde eram mortos os inimigos do rei; e depois, por fim, ressuscitado, Jesus Cristo, filho de Maria, mulher de José, ainda faz o mundo pensar, especialmente em datas como a Páscoa.
A Páscoa é data para se pensar no passado e tempos por vir.
A tradição católica diz que Cristo veio para salvar a humanidade, que, por si mesma, e até hoje, parece não querer.
Diz também a tradição – e isso está nas sagradas escrituras – que Cristo ressuscitou no terceiro dia – um domingo, como o de hoje – após ser assassinado por seus algozes a golpes de lança, embora o legista e professor norte-americano da Universidade de Columbia, patologista-chefe do IML nova-iorquino por mais de 30 anos, Frederick Zugibe afirme à luz da ciência que a causa mortis de Cristo não foram apenas as estocadas com pontas de lança, mas, sim, uma série de outras ocorrências que culminaram com a crucificação, daí ter ele sofrido uma “parada cardíaca e respiratória” inevitável.
Zugibe é autor do livro A Crucificação de Jesus – As Conclusões Surpreendentes Sobre a Morte de Cristo na Visão de um Investigador Criminal (Editora Ideia e Ação, 455 páginas).
Mais de dois mil anos depois disso tudo, e de ter sido pivô de assassinatos de crianças por ordens do sanguinário Herodes, o Grande, rei da Judéia – província romana -, Cristo ainda é nome que nos leva a entender a necessidade profunda de paz no mundo, mesmo com guerras em andamento e outras por vir.
Pergunta: depois de morto e ressuscitado quem matou Cristo de novo, e quando?

GOLPE
Há 49 anos a se completarem na madrugada de hoje para amanhã, o Brasil era lacrado com o povo dentro. 
O dia 31 de março de 1963 amanheceu com a Folha de S.Paulo (abaixo) estampando manchete 
na 1ª página, informando que o governo federal colocara tropas do Exército em estado de 
prontidão no Estado da Guanabara, então capital do País. O prédio da UNE fora 
cercado pela do governador Carlos Lacerda. 
O filho do jornalista Flávio Tavares, Camilo, acaba de realizar um filme que não pode deixar de ser visto: O Dia Que Virou 21 Anos, em cartaz no Espaço Itaú de Cinema, ali na Frei Caneca, 569. 
Veja o trailer, clicando:
CAI QUANDO?
E esse Marco Infeliciano que não cai, que não sai do lugar que não é seu - a Comissão dos Direitos Humanos da Câmara -, hein? 

sábado, 30 de março de 2013

GONZAGA CONTINUA EM PAUTA

O rei do baião, Luiz Gonzaga, continua em tudo quanto é canto: em disco, livro, folheto de cordel, filme, minissérie e programas e novelas de televisão.
O baião Paraíba - resultado de parceria com Humberto Teixeira, lançado por Emilinha Borba em 1950 -, teve verso citado hoje por um dos personagens do folhetim Salve Jorge, de Glória Perez, na Globo.
Um personagem do humorístico global Zorra Total também citou hoje um verso do calango Dezessete e Setecentos feito por ele e Lauro Maia, em 1945.
Fica o registro.
Fica também aqui o registro da bela declamação de Rolando Boldrin para o poema Cunfissão de Cabôco - de autoria do paraibano Zé da Luz - que fecha a 3ª edição (revista) do livro Brasil Caboclo, que foi composta nas oficinas da gráfica O Cruzeiro, em março de 1956.
O poema, de final trágico, trás na essência a importância da alfabetização na vida de qualquer cidadão.
Belíssimo.   

PS - Uma correção: Zé da Luz, de nascimento Severino de Andrade Silva, nasceu no dia 29 de março de 1904; portanto não teria feito, como eu disse ontem, se vivo estivesse, 99 anos de idade.  

sexta-feira, 29 de março de 2013

HOJE É DIA DE PAIXÃO E ZÉ DA LUZ

Caso ainda estivesse conosco, o paraibano de Itabaiana Severino de Andrade Silva, de alcunha Zé da Luz, faria hoje 99 anos de idade.
Ele foi um dos mais inspirados poetas do Brasil, tão grande quanto o seu conterrâneo pré-modernista Augusto dos Anjos, nascido há 120 anos a se completar em abril próximo, dia 20.
Augusto foi um erudito e Zé da Luz um poeta popular de graça e sensibilidade incomuns, como bem nos mostra em As Flô de Puxinanã, resultado de paródia que fez numa ano qualquer dos 30 do poema As Flô de Gerematáia, de Napoleão de Menezes, constante do seu livro Brasil Caboclo:


Três muié ou três irmã,
Três cachôrra da mulesta,
Eu vi num dia de festa,
No lugar Puxinanã.

A mais véia, a mais ribusta
Era mermo uma tentação!
Mimosa flô dos sertão
Qui o povo chamava Ogusta.

A segunda, a Guléimina,
Tinha uns ói qui ô! Mardição!
Matava quarqué critão
Os oiá déssa minina!

Os ói dela paricia
Duas istrêla tremendo,
Se apagando e se acendendo
Em noite de ventania!

A tercêra, era a Maroca.
Cum um cóipo munto má feito.
Mas, porém, tinha nos peito
Dois cuscús de mandioca.

Dois cuscús, qui, prú capricho,
Quando ela passou pru eu,
Minhas venta se acendeu
Cum o chêro vindo dos bicho!

Eu inté, me atrapaiava,
Sem sabê das três irmã
Qui eu vi im Puxinanã,
Quaá era a qui mi agradava...

Inscuiendo a minha cruz
Prá sair desse imbaraço,
Desejei morrê nos braços
Da dona dos dois cuscús!!!
É dele também o poema constante do livro O Sertão em Carne e Osso Ai! Sesse!...:

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse!?
Mas porém, se acontecesse
Qui São Pêdo não abrisse
As portas do céu e fosse,
Te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse,
Prá qui eu me arrezorvesse
E a minha faca puxasse,
E o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
Tarvez qui nós dois caísse
E o céu furado arriasse
E as virge tôdas fugisse!!!

Zé da Luz morreu no Rio de Janeiro, no dia 12 de fevereiro de 1965.


SEXTA DA PAIXÃO
A Semana Santa na tradição católica culmina na Sexta da Paixão, sem carne vermelha à mesa.
O tempo é de Pascoa; Pascae e Paska, em latim e grego.
De passagem, de ressurreição de Cristo e renovação da vida é a data.
Foi em latim, língua quase morta, que Bento 16 confessou a um grupo de visitantes, no Vaticano, que estava cansado e iria deixar o Papado.
Um choque sentido no mundo todo, mas a confissão passaria batida se uma assessora de
imprensa de lá não soubesse a língua.
A cultura popular registra abundantemente o martírio de Cristo até sua crucificação.
Do cordelista José Pacheco da Rocha são estes versos, do folheto Os Sofrimentos de Jesus Cristo:

Dentro do livro sagrado
São Marcos com perfeição
Nos faz a revelação
De Jesus crucificado
Foi preso e foi arrastado
Cuspido pelos judeus
Por um apóstolo dos seus
Covardemente vendido
Viu-se amarrado e ferido
Nas cordas dos fariseus. 

Ontem à noite, em Santana do Parnaíba, SP, à beira do rio Tietê, um grupo de atores foi bastante aplaudido pela encenação da Paixão de Cristo.

CELIA E CELMA
O mais recente CD das mineiras Celia e Celma, Lembrai-vos, traz o poema Estava a Mãe Dolorosa (Stabat Mater), do século 13, de autoria atribuída ora ao papa Inocêncio (c.1160-1216), ora ao frade franciscano Jacopone da Todi (c.1230-1306) musicado por desconhecidos ao longo do tempo e que a agora a dupla recuperou. Ei-lo:

Estava a mãe dolorosa
Junto ao pé da cruz, chorosa
Enquanto o filho pendia

Mãe de Jesus transpassada
De dores ao pé da cruz
Rogai por nós, rogai por nós
Rogai por nós a Jesus

Oh, quão triste e quão aflita

Se viu a sempre bendita
Mãe de nosso Redentor

A qual chorava e gemia
Porque as penas crués via
De Jesus seu doce amor

Viu mais, depois de açoitado
Foi em uma cruz pregado
Jesus, seu filho inocente

Viu mais, seu Jesus querido
Despedaçado e ferido
Morrer por nós cruelmente

Dai-me ó mãe, fonte de amor
Parte dessa vossa dor
Para eu convosco chorar.
...
Acima, detalhes de folhetos de cordel de Tarcísio Pereira, Apolônio Alves e Abraão Batista.  

quarta-feira, 27 de março de 2013

ESQUECERAM RUBENS BORBA DE MORAES

Brasiliana.
Segundo definição em minúsculo verbete do Dicionário Aurélio (Editora Nova Fronteira, 1ª edição, 3ª impressão; 1976) significa, além de feminino de brasiliano, “coleção de livros, publicações, estudos, acerca do Brasil”.
O Houaiss da Língua Portuguesa (Editora Objetiva, 1ª edição, 2001), faz uma variação: 
“Coleção de estudos, livros, publicações, filmes, músicas, material visual etc. sobre o Brasil”.
Não havia nenhuma definição sobre o termo até a segunda metade do século 19, quando foi a público a 1ª edição do Diccionario Contemporaneo da Lingua Portugueza, Feito Sobre um Plano Inteiramente Novo, imaginado e iniciado por Francisco Júlio de Caldas Aulete (1826-78) e finalizado por Antonio Lopes dos Santos Valente, “que a (edição) dirigiu até a sua final conclusão, devendo-se a esse ilustre homem de lettras a innovação do plano no interesse da obra...”, escreveu Basilio de Castelbranco na apresentação da obra.
O Dicionário Aulete, como a obra ficou conhecida, foi à praça em 1881; e é essa edição que se acha no Instituto Memória Brasil, IMB, e com prazer ora folheio. 
Pois, pois.
E nem no Novo Dicionário da Língua Portuguesa (Livraria Bertrand, Lisboa, Portugal/W.M. Jackson, Inc., Rio de Janeiro), de Antonio Cândido de Figueiredo (1846-1925), há qualquer definição sobre o termo Brasiliana.
E anotemos sobre Figueiredo, que foi “incontestavelmente a maior das nossas competências actuais em matéria de lexicologia portuguesa...”, escreveu Rui Barbosa em Réplica às Defesas do Proj. de Cód. Bras., (pág. 339).
Pois, pois, de novo digo.
“Brasiliana” é termo relativamente novo e título de uma coleção da Editora Nacional para quem quiser conhecer o Brasil, lançada por Monteiro Lobato em 1931. 
Digo isso para lembrar a importância da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.
Estive na inauguração e um detalhe me chamou a atenção, que foi a falta de uma referência nos discursos ao paulista de Araraquara Rubens Borba de Moraes (1899-1986).
Rubens foi um brasileiro importante. 
Ele, de certo modo, recuperou o Brasil através de tudo que se escreveu sobre o nosso país, desde a terceira década (1530) da descoberta da terra de Santa Cruz pelo português Cabral.
Rubens foi um brasileiro completo.
E por ser um brasileiro completo no item bibliografia, não custava - não é mesmo? – que se fizesse ao menos uma referência a ele na inauguração da Biblioteca Brasiliana. 
E tem a história do pacto entre ele e Mindlin, de que quem morresse primeiro passaria a biblioteca ao outro.
Rubens morreu primeiro. 
Miécio Caffé, baiano da safra dos 20 do século passado, foi para o infinito em 2003, decepcionado.
Alguém lhe garantiria um emprego público se doasse ao Museu da Imagem e do Som, MIS, SP, o seuvalioso acervo musical.
Ele fez isso e depois se arrependeu.
Pois é, de uma forma ou de outra os homens morrem.
E de uma forma ou de outra, os acervos vivem.
Rubens e Mindlin se conheceram de modo inusitado.
Rubens vendendo um terço do seu acervo para os Estados Unidos e Mindlin bloqueando a transação.

segunda-feira, 25 de março de 2013

BRAVO ABRE CONCURSO PARA LEITOR

Março é mês que nos lembra de artistas que marcaram profundamente a vida musical do Brasil, entre eles o compositor, violinista e maestro Alberto Marino (na foto, ao lado), autor da primeira música que traz no título o nome de um bairro paulistano. 
A música, Rapaziada do Brás, na origem uma valsa choro instrumental gravada e lançada em 1927 em disco Brasilphone pelo Sexteto Bertorino Alma - anagrama do autor -, foi composta na noite de 20 de novembro de 1917,  ano em que explodiu a primeira grande greve em São Paulo, iniciada na Mooca e imediatamente assumida pelos operários do Brás.
O autor tinha, então, 15 anos de idade.       
Depois Alberto Marino, pai de Alberto Marino Jr., que poria letra na melodia de Rapaziada do Brás para o argentino naturalizado Carlos Galhardo gravar em 1960, comporia e gravaria ainda à frente do Sexteto as valsas Luar de São Paulo, Senhoritas do Brás, Nice e Noites Paulistas, lançadas em disco Columbia, em 1934; e dois anos depois, pela mesma gravadora, a valsa Amarga Serenata, composta em parceria com o cantor Jorge Amaral, e Vai Depressa, a única rancheira que Alberto Marino compôs.
Além das músicas de sua autoria, o maestro gravaria com seu sexteto meia dúzia de músicas de outros compositores, como Domingos Pecci (Não Chores Mais Meu Bem) e José Rizzo (Em ti Pensando).
São de março Adelino Moreira, Ademilde Fonseca, Antenógenes Silva, Antônio Maria, Aracy Cortes, Benedito Lacerda, Bidu Sayao, Carmélia Alves, Ernesto Nazareth, Guerra Peixe, Giuseppe Rieli, Inezita Barroso, Ismael Silva, Jorge Goulart, Josué de Barros, Luiz Americano, Luiz Carlos Paraná, Morais Sarmento, Nora Ney, Robertinho do Acordeon, Teixeirinha, Théo de Barros, Villa-Lobos, Waldemar Henrique, Zé Dantas...
O baiano Assis Valente, também autor de músicas que fazem referência a São Paulo, como o batuque Não Quero Não lançado em 1938 pelo Bando da Lua, nasceu no dia 19 de março de 1911 e morreu no dia 6 desse mesmo mês, em 1958, de modo mais do que lamentável: suicidando-se ao ingerir formicida num banco de praça no Rio de Janeiro, depois de sair do escritório da União Brasileira dos Compositores, UBC, sem receber nada do que esperava a título de direitos autorais.
Ele estava endividado, com credores lhe batendo à porta e desesperou-se.
Ary Barroso chegou a pagar o último aluguel da casa onde ele morava.
Valente deixou obras-primas, como Brasil Pandeiro e Boas Festas, em que diz:

Anoiteceu, o sino gemeu
E a gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra você me dar
Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
E assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem
 

REVISTA BRAVO
A Bravo, uma das mais importantes revistas culturais do País, acaba de abrir inusitado concurso direcionado a seus leitores.
As inscrições se estendem até o final deste mês e o regulamento com todos os esclarecimentos se acha no site da revista. Clique:

domingo, 24 de março de 2013

INAUGURADA BRASILIANA NA USP

Lereno Selenuntino foi o primeiro brasileiro poeta improvisador de tercetos, quadras e sextilhas ao tom de viola de arame, de batismo Domingos Caldas Barbosa (1740-1800), mulato filho de um português, Antônio, e de uma africana alforriada de Angola, Maria de Jesus. 
Mas Lereno/Domingos foi muito mais do que isso: ele foi o cara que deu forma (e nome) à modinha e levou o lundu a Portugal do século 18, quando tinha a idade de aproximadamente 30 anos.
Passei muito tempo procurando nos alfarrábios da vida um de seus livrinhos em dois volumes, Viola de Lereno: Collecção de Suas Cantigas Offerecidas a Seus Amigos, lançado originalmente em Lisboa nos anos de 1798 (1º volume) e 1826 (2º volume).
Consegui apenas a edição brasileira, lançada na primeira parte do século passado.
Lembro isso porque folheando o catálogo de destaques da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, inaugurada ontem à tarde merecidamente com todas as pompas e circunstância na Universidade de São Paulo, USP, na zona Oeste da capital paulista, identifiquei a publicação que por tanto tempo procurei.
Não teve samba, forró nem baião, mas foi uma festa e tanto a inauguração da “indisciplinada” biblioteca de 32 mil volumes que o advogado, empresário e bibliófilo paulistano José Ephim Mindlin (1914-2010) e a sua companheira, Guita Mindlin (1916-2006), transferiram ainda em vida aos cuidados da USP.
Indisciplinada era como Mindlin classificava a sua biblioteca incrível, que agora ocupa uma área construída de 21 mil m2, ao custo total de R$ 130 milhões.
Centenas de pessoas compareceram ao ato de inauguração.
Revi amigos como Luís Ernesto Kawall, um dos fundadores do Museu da Imagem e do Som, MIS, no Rio, e ex-assessor de imprensa da Carlos Lacerda.  
Enquanto revia e abraçava amigos, eu anotava presenças ilustres em discursos corretos, incluindo o prefeito Haddad e a ministra da Cultura, Marta, que prometeu atenção à Biblioteca Nacional pelo menos igual a que começa a ser dada à Brasiliana Guita e José Mindlin.
Marta foi muito aplaudida pelo que disse.
Centenas de obras raríssimas formam a biblioteca inaugurada ontem.
Além da 1ª edição de Viola de Lereno, se acham lá manuscritos de Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas) e Graciliano Ramos (Vidas Secas), por exemplo.
Domingos Caldas Barbosa foi tradutor de Voltaire e de outros nomes importantes da literatura de seu tempo. E foi também o primeiro erudito sem formação acadêmica que melhor traduziu a alma brasileira em Portugal, cantando a graça das mulatas, os amores e a saudade que ele deixou para trás.
Eis um exemplo da sua verve, em sextilha:

Coração, que tens com Lídia?
Desde que seus olhos vi,
Pulas e bates no peito
Tape, tape, tape ti;
Coração não goste dela
Que ela não gosta de ti.

José Mindlin foi um apaixonado pela história e pela literatura, independentemente de origem, desde os 13 anos de idade.
Além do acervo que lega à posteridade, ele deixa muitas histórias engraçadas e quase trágicas, como aquela em que quatro ladrões invadem a sua casa exigindo dinheiro.
Ameaçavam tacar fogo nos livros, caso o desejo deles não fosse atendido. 
Desesperado, Mindlin fez um telefonema de urgência e, por fim, conseguiu o que os criminosos queriam.
E foi assim que o acervo se salvou.

sábado, 23 de março de 2013

CULTURA POPULAR NO IMB

Ontem esteve conosco numa visita à sede provisória do Instituto Memória Brasil, IMB, na capital paulista, o senador Eduardo Suplicy (no clique de Darlan Ferreira, mais o editor José Cortez e o compositor e instrumentista Oswaldinho do Acordeon). 
A pauta do encontro foi, naturalmente, Brasil e nela se ressaltou a importância da cultura popular na formação do País e sua gente.
O paraibano Ariano Suassuna já disse várias vezes que sua obra desde o primeiro livro, Uma Mulher Vestida de Sol, de 1947, tem por base a literatura de cordel e os versos de improviso dos cantadores repentistas do Nordeste.
Shakespeare não disse, mas é fato que a obra que fez é baseada nas coisas do povo.  
Ela disse que a cultura popular é a alma do povo.
O trinômio arte, educação e cultura precisa ser mais e melhor compreendido por todos, pois sem arte a expressão não dá pé.
É fato.
Falamos que hoje boa parte dos professores fingem que ensinam e boa parte dos estudantes fingem que estudam. Ao final – e isso é consenso – o resultado é geleia geral.
É preciso mudar normas e formas com urgência, e mudanças urgentes só ocorrem com decisões urgentes.
O Brasil carece de um perfil melhor.
Que tal levar à educação uma cesta cheinha de arte e cultura para todos?

GASTRONOMIA E CULTURA POPULAR
Daqui a pouco eu e as cantoras Celia e Celma estaremos na pracinha da Rua Lacerda Franco, no Cambuci, falando sobre temas relacionados à cultura popular. A nosssa presença faz parte da programação da V Rota Gastronômica do Cambuci, que começa hoje e termina amanhã.

ACERVO/USP
Depois, às 4 da tarde, estaremos na USP, participando da inauguração da Biblioteca Guita e José Mindlin. Evento importantíssimo, se levarmos em conta que os acervos brasileiros há muito estão se diluindo nos sebos da vida e vendidos para o Japão e Estados Unidos, já que o governo brasileiro até aqui não tem dado muita importância à questão.

GERAÇÕES FUTURAS
O que será dessa gente que virá depois de nós? Será formada pelo professor Google?

quinta-feira, 21 de março de 2013

O ABANDONO DA CULTURA

O auditório Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, à Rua Rego Freiras, 530, esteve lotado hoje durante a abertura do Fórum de Cultura e Educação, idealizado e desenvolvido por cidadãos músicos e atores profissionais, arte- educadores e pequenos e médios produtores e gestores culturais radicados em São Paulo. 
A sessão de instalação do fórum, que será permanente, foi presidida pela atriz Esther Góes.
Formaram a mesa o deputado relator do ProCultura, Pedro Eugênio, a deputada Luisa Erundina, a professora Ana Cecília Simões, diretora de programas especiais do município de São Paulo, que falou sobre os Centros Educacionais Unificados, CEUs, criados pela ex-prefeita e atual ministra da Cultura Marta Suplicy, e Denise Weinberg, produtora teatral, além de Esther Góes.
Pedro Eugênio discorreu sobre o Substitutivo do projeto de lei 1139 que será votado pelo Congresso e em breve trará mudanças na Lei Rouanet, ainda em vigor. Ele disse que tem se reunido com artistas e produtores em várias partes do País, e que ainda há tempo para que sejam introduzidas propostas do setor artístico.
Aumentar recursos advindos de renúncia fiscal para projetos de pequenos e médios produtores em todo o território nacional é um dos propósitos do deputado, que também pretende incluir na nova lei a ser votada pelo Congresso algum item que garanta a mudança no Fundo Nacional de Cultura, FNC, de simples fundo de natureza contábil para “fundo de natureza contábil e financeira”.
A finalidade do FNC é captar e destinar recursos para projetos culturais em todo o País.
De caráter suprapartidário, o Fórum de Cultura e Educação atendeu plenamente a finalidade que se propõe, ou seja: gerar discussões em torno de questões referentes à cultura e a educação.
A produtora de teatro Denise Weinberg falou de modo enfático sobre a situação atual em que vivem as artes cênicas, especialmente. Lembrou que trabalhar com cultura há 15 anos era bem mais fácil do que hoje. “A nossa cultura continua abandonada”, ela disse, acrescentando que no momento em que o mundo volta os olhos para o Brasil falando tudo de bom, nos vimos “reféns dos burocratas”.
Denise findou dizendo que há “distorção de pensamento cultural” e que “vivemos um momento revoltante, de humilhação”.    
Fazem parte da comissão de coordenação do Fórum de Cultura e Educação Esther Góes, Denise Weinberg, Renato Modesto, Cacá Toledo, Ariel Borghi e Clovys Torres, Socorro Lira, Valéria Di Pietro, Magda Crudelli, Samanta Albuquerque, Andrea Lago e Daniel Gomes Gouveia.

ESTRELAS CADENTES...
Essa coisinha chamada sucesso acaba de provocar a prorrogação de temporada da peça As Estrelas Cadentes do Céu São Feitas de Bombas do Inimigo, adaptada de relatos de guerra e dirigida por Nelson Baskerville, em cartaz na unidade Sesc Vila Nova às segundas e terças-feiras, agora até o próximo dia 26.

CONVERSA CAIPIRA
O que tem a ver Adão e Eva com Luiz Gonzaga e Cornélio Pires? E Roberto Carlos com Tonico e Tinoco, hein? E Shakespeare com Luís da Câmara Cascudo? Foi no campo e não na cidade que se originou um tipo de cultura – musical, inclusive – a que chamamos grosso modo de caipira, com variantes noutros lugares e países. Este é o assunto que desenvolveremos daqui a pouco, às 19h30, na Fundação Ema Klabin (Rua Portugal, 43, Jardim Europa). Entrada franca.

CONCURSO
A revista Bravo direciona este mês um concurso inusitado dirigido aos seus leitores. Clique:

GRANDE ENCONTRO                 
Depois de 31 anos sem se verem pessoalmente, Cezar do Acordeon e o radialista Jorge Paulo se reencontraram no Instituto Memória Brasil, IMB, ontem à tarde. Cezar tocou sanfona e Jorge cantou. Foi emocionante. No clique de Darlan Ferreira, os dois ladeados por mim e Andrea. Fica o registro.

terça-feira, 19 de março de 2013

FRANCISCO, SIMPLESMENTE

Num dia 19 como o de hoje, em março de 1870, o maestro e compositor campineiro Antônio Carlos Gomes (1836-96) estreava no milanês e secular Teatro Alla Scala, na Itália, a ópera Il Guarany baseada no romance homônimo do cearense José de Alencar, com libreto do italiano Antonio Scalvini.
Após a apresentação que lotou o teatro, um repórter perguntou a Verdi, autor de Nabuco, Aida, Il Trovatore, La Traviata e tantas outras peças operísticas famosas, o que achara do desempenho do brasileiro, seu pupilo, regendo com tanta firmeza naquela noite. 
“Esse rapaz começa por onde eu termino”, disse o compositor italiano, que morreu no dia 27 de janeiro de 1901.
Giuseppe Verdi nasceu emoutubro de 1813, ou seja: há 200 anos.
E hoje Carlos Gomes, chamado de O Maior Compositor Operístico das Américas, é o músico erudito brasileiro mais biografado da história, tendo sido gravado pelas mais importantes orquestras do mundo e vozes como a do tenor Enrico Caruso (acima, reprodução da capa do livro que escrevi sobre ele em 1987, lançado pela Ed. Nacional)a 
O dia 19 marca também a festa litúrgica em louvor a José marido de Maria mãe de Jesus, o homem que foi torturado e pregado à cruz para salvar o mundo, em Jerusalém.
São José, nascido em Belém como Jesus, é o padroeiro de dezenas de cidades brasileiras, entre as quais Fortaleza, no Ceará.
Dezenove de março também permanecerá na história como o dia que o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, agora papa Francisco, escolheupara iniciar oficialmente o seu pontificado.
Nesse dia milhares e milhares de fiéis lotaram todos os espaços da Praça de São Pedro, no Vaticano.
E não era nem 9 horas da manhã em Roma nesse dia, hoje, quando o papa Francisco foi demoradamente aplaudido pelo povo antes e depois de rezar a sua primeira missa.
Antes de receber o anel de pescador e o pálio petrino sagrado, sobre um jipe sem capota o papa sempre sorrindo abençoou os fiéis.
Momentos de êxtase coletivo.
Mas ele não permaneceu muito tempo sobre o jipe, preferindo descer e ir ao encontro da multidão para beijar crianças e deficientes físicos.
Sem dúvida, o pontificado desse Francisco, simplesmente Francisco, se inicia de modo incomparável.
E nunca foi tão oportuna o emprego da expressão "O Papa é Pop". 
Melhor: O Papa é super-pop. 
Tanto, que até uma música acaba de ser feita para ele. 
CLIQUE: 

DOM HÉLDER
Numa das conversas com o papa Paulo VI (Giovanne Battista Enrico Antonio Maria Montini; 1897-1978), o cearense dom Hélder Câmara, elevado a arcebispo de Olinda e Recife, PE, em março de 1964, sugeriu:
“Santo Padre, abandone seu título de rei e vamos reconstruir a Igreja como nosso Mestre, sendo pobres. Deixe os palácios do Vaticano, vá morar numa casa na periferia de Roma. Pode até ter uma praça para saudar e abençoar as ovelhas. Depois, Santo Padre, convide a todos os bispos a largarem tudo o que indica poder, majestade: báculos, solidéus, mitras, faixas peitorais, batinas roxas. Vamos amontoar tudo na Praça de São Pedro e fazer uma grande fogueira, dizendo de peito aberto para o povo: “Vejam, não somos mais príncipes medievais. Não moramos mais em palácios. Todos somos pastores, somos pobres, somos irmãos”. 
E aí? 
Paulo VI sucedeu a João XXIII.
João XXIII provocou mudanças na Igreja ao convocar o Concílio Vaticano II, que Paulo VI seguiu à risca. 
Francisco carrega responsabilidades de mudanças imediatas nos destinos da Igreja.
João Paulo I morreu vítima de envenenamento.   

CULTURA RURAL
Depois de amanhã estarei falando sobre cultura caipira na Fundação Ema Klabin. 
CLIQUE:
http://emaklabin.org.br/programacoes/musica/assis-angelo-aula-de-mestres-quinta-feira-21-de-marco-1930-entrada-gratuita/

CONCURSO
E para saber de um novo concurso da revista Bravo, dirigido aos leitores. CLIQUE:
http://bravonline.abril.com.br/materia/concurso-cultural-premio-bravo

CD SAMBA DO REI DO BAIÃO
Portal do jornal Diário de Pernambuco dá notícia sobre aceitação do CD O Samba do Rei do Baião, em Recife.
CLIQUE:
http://blogs.diariodepernambuco.com.br/play/2013/03/os-dez-mais-vendidos-da-passadisco/

ASSIS VALENTE
Há 80 anos, precisamente no dia 17 de outubro de 1933, o cantor Carlos Galhardo gravava nos estúdios da Victor, no rio de Janeiro, a marcha Boas Festas, do baiano Assis Valente. Uma obra-prima, a música mais autêntica feita sobre o Natal. Valente foi grande amigo - e descobridor - do paraibano rei do bolero Roberto Luna, querido amigo que não vejo desde o ano passado. Valente também foi compositor especial da portuguesinha Carmen Miranda. Valente, que foi parceiro até do pernambucano de Exu Luiz Gonzaga, nasceu no dia 19 de março de 1911 e matou-se depois de duas tentativas no dia 6 desse mesmo mês, em 1958, ingerindo guaraná com formicida.
Assis foi um valente. Fica o registro. CLIQUE:
http://www.youtube.com/watch?v=OuChU1yMHhc


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