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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ANO BISSEXTO

Este 2012 é um ano bissexto, e não é bissexto porque na somatória dos dias aparecem dois “6” duplo, como pensa o povo.
É bissexto simplesmente porque tem um dia a mais no calendário gregoriano, que é o calendário que regula o nosso tempo.
Isto é: invés de 365, 2012 terá 366 dias se não acabar antes, em dezembro, como torcem os agourentos.
Esse dia a mais vai para fevereiro, que é o mês mais curto dentre os outros.
Hoje, portanto, é o marco do chamado ano bissexto.
Todos os anos múltiplos de 400 são bissextos, segundo mestre Malba Tahan, aquele que sabia de tudo e mais um pouco.
Depois de hoje, para aparecer outro ano igual, com 366 dias, só em 2016.
Quem viver verá.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A PENA ANTENADA DE JOSÉ NÊUMANNE

O jornalista paraibano José Nêumanne Pinto acaba de cometer uma das suas melhores pérolas de sua escrita, desde que começou a opinar sobre a vida política brasileira no século passado.
Ele sabe das coisas e não há falha alguma especialmente no texto que acaba de me mandar, via email: A Quem Vencer Serra na Prévia, Nem as Batatas, que será publicado no próximo dia 2, sexta, na coluna da página 2 do jornal O Estado de S.Paulo que ele assina há muitos anos.
Gostem ou não, mas Nêumanne a cada dia se firma como dono único de uma pena é antenadíssima; nunca sequer razoável, sempre ferina.
O poeta José é lírico, mas o analítico político José Nêumanne Pinto é maquiavélico.
Num tempo em quem que poucos opinam, por medo por isso ou aquilo, ele é, além de tudo ótimo.
Merece aplausos.
Limeira também o aplaudiria.
Esquerda ou direta, isso ainda interessa?
Outro dia me perguntaram se eu sou corinthiano. Respondi:
- Gosto de um bom jogo.
Viva o Brasil!
Quanto às batatas, leiam mestre Machado.
Aníbal e Trípoli são nada, nesse jogo.
E se esse jogo Serra perder, o PSDB já era.
Aguardemos.
Opinar faz um bem danado.
Agora ouçam/vejam o velho e bom Altamiro Carrilho, maior flautista vivo do Brasil e que o Brasil não dá bola, num registro de sábado 24 passado, no Sesc Santana. Cliquem:

PS - Você já visitou a instalação ROTEIRO MUSICAL DA CIDADE DE SÃO PAULO, à entrada do Sesc Santana?
Se não, não sabe o que está perdendo.
Vá! Assumo, pois respondo por sua curadoria.

ALTAMIRO REGE PÚBLICO NO SESC

Ainda valendo a bela apresentação de Altamiro Carrilho no teatro do Sesc Santana, no último dia 25.
O artista fez bonito e até cantou.
Bem humorado contou coisas bastante curiosas.
Exemplo: além de flauta, ele toca todos ou quase todos os instrumentos de percussão.
Disse também que compôs e Luiz Gonzaga gravou, em 1971, uma música de sua autoria feita em parceria com R. Valente, O Coreto da Pracinha, cuja primeira parte da letra diz:

Primeiro a banda passou
Tocando coisas de amor
Depois tocaram a praça
Em rimas cheias de graça
Mas ninguém se lembrou
Do Correto da Pracinha
Onde sempre tocava
A garbosa bandinha...

Altamiro revelou que na mesma sessão de gravação nos estúdios da extinta RCA Victor com o Rei do Baião chegou a tocar triângulo.
A música?
A engraçada Ovo de Codorna, de Severino Ramos.
Pra encerrar, uma das partes do espetáculo no Sesc em que Altamiro rege o público.
É só clicar para ouvir a jóia musical de Pixinguinha e Braguinha:


domingo, 26 de fevereiro de 2012

ALTAMIRO CARRILHO DEU AULA NO SESC

Foi uma noite inesquecível a de ontem no Sesc Santana.
A grande atração, o flautista Altamiro Carrilho, da safra de 1924, esteve fantástico.
Ele brincou, tocou, ensaiou passos de danças e até cantou – coisa raríssima na sua carreira de instrumentista de mais de 70 anos.
Na verdade ele encantou a platéia lotada do teatro do Sesc Santana, com fila à espera por desistências...
Gente de todas as idades, incluindo adolescentes como Dedé e Paulinha, filhos do pianista Paulo Benites, não só aplaudiu como cantou o que ele sugeria.
Aliás, em muitos momentos, Altamiro regeu o público – e o grupo de chorões do Movimento Sincopado ciceroneado por Tatiana Fraga.
Momento especial foi quando ele pediu ao público para cantar Carinhoso, chorinho clássico de Pixinguinha e João de Barro, o Braguinha.
O espetáculo começou com ele respondendo às minhas perguntas no palco do teatro.
Disse coisas incríveis.
Lembrou de suas performances em palcos da Rússia, Alemanha, Itália, Japão, México, Congo... Países onde, inclusive, gravou discos nunca lançados no Brasil.
Falou de Benedito Lacerda, o artista-parceiro preferido de Pixinguinha, que ele substituiu numa gravação histórica com Moreira da Silva, o Kid Morengueira.
Falou da importância de Luiz Gonzaga, o rei do baião, para a música brasileira.
Enfim, Altamiro Carrilho, ainda o mais importante flautista brasileiro, deu uma aula inesquecível de humanidades e cidadania.
Pra variar e deixar o público em completo estado de graça, ele encerrou o espetáculo com duas músicas fora do repertório.
De improviso, fez a todos acompanhá-lo no choro Urubu Malandro, motivo popular com arranjo de Lourival Carvalho e versos de Braguinha, eterno sucesso na voz da incrível Ademilde Fonseca...
Ademilde gravou esse choro nos fins de 1943, para a extinta Continental.
“Foi a noite mais bonita da minha vida”, ele me segredou depois, no camarim.
Altamiro Carrilho é, sem dúvida, perfeito exemplo de ser humano.
E de música sabe tudo.
Confiram a nossa conversa introdutória ao espetáculo de ontem registrado pela sensibilidade de Darlan Ferreira, clicando:
Assis Ângelo e Altamiro Carrilho - Bate-Papo Musical.wmv

sábado, 25 de fevereiro de 2012

PERY PARTIU

Cláudio Sá, filho do amigo Cláudio Fontana, posta palavras elogiosas no blog e sugere que eu escreva algo sobre o cantor Pery Ribeiro, vítima de violento ataque no miocárdio que o levou para a eternidade ontem, aos 74 anos.
Pery era uma figura e tanto!
Eu o conheci num ano qualquer da década de 1980.
À época eu assinava uma coluna semanal sobre música e músicos para a Agência Estado, do Grupo Estado - JT, Estadão etc. -, nos tempos de Fernando Fernandes - também já desaparecido - e Mera Teixeira, hoje apresentadora de um programa de televisão aqui em Sampa.
Foi nessa ocasião que ele, Pery, me contou a história de Garota de Ipanema.
A primeira gravação dessa música foi feita por ele em disco de 78 RPM no dia 21 de março de 1961 para a Odeon e lançada à praça em junho daquele ano, três meses antes de essa mesma música ser gravada “oficialmente” pelo Tamba Trio, para a Philips.
O detalhe é que a gravação de Pery foi feita sem consentimento dos autores, Tom Jobim e Vinicius de Morais.
Lembro ainda que no dia 4 de março de 2004 o levei ao programa São Paulo Capital Nordeste, por mim apresentado durante anos numa emissora de rádio paulistana.
A entrevista tornou-se histórica porque dela participaram outros nomes importantes da nossa música, como o pianista João Carlos Martins (no clic póstero de Darlan Ferreira, com Pery ao centro), a cantora Cláudia e o Trio Virgulino, que misturou bossa nova com forró, frevo e baião.
inesquecível.
Vai o homem fica a fama.
Saudade!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

MÁRIO ALBANESE E ALTAMIRO CARRILHO

Os bate-papos informais que ando tocando com artistas da nossa música na “arena” da instalação Roteiro Musical de São Paulo, na área de Convivência II do Sesc Santana, estão rendendo ótimos comentários até dos próprios artistas.
Esses bate-papos vêem ocorrendo desde o último dia 9, quando reunimos Paulo Vanzolini, autor de Ronda e Volta Por Cima, e Eduardo Gudin, de Paulista e Velho Ateu. Depois, no dia 16, estiveram conosco Elzo Augusto, de Abaixo Assinado e São Paulo Mãe Madrinha, e Fabiana Cozza, no momento uma das mais representativas cantoras da cidade.
Ontem foi a vez de prosearmos com o paulistaníssimo Mário Albanese (foto), um dos grandes compositores e pianistas brasileiros, criador do ritmo Jequibau em parceria com o maestro gaúcho Ciro Pereira.
Os violonistas Santisteban e Bonfim foram uma bela atração à parte.
Mário contou em quase hora e meia detalhes de como criou o Jequibau, lançado mundialmente em São Paulo no dia 13 de agosto de 1965.
Lembrou que as raízes do ritmo estão no folclore.
Cantarolando uma ciranda, identificou o compasso 5/4.
Foi muito aplaudido nesse momento, por uma platéia seleta e privilegiada.
A nosso pedido, ele cantou acompanhado de Santisteban e Bonfim.
O próximo bate-papo na “arena” de onde se acha à visitação pública a instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo ocorrerá na noite de 29 de março, com um dos mais criativos e reverenciados poetas improvisadores do Brasil, Oliveira de Panelas.
Antes, precisamente amanhã às 21 horas, trocaremos um dedo de prosa no palco do teatro do Sesc Santana com o flautista Altamiro Carrilho, espécie de lenda no campo da cultura musical instrumental do País.
Uma pergunta: você já esteve no Sesc Santana?
Ontem à noite o Jornal da Gazeta pôs no ar uma matéria sobre o Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, cuja inauguração completa hoje um mês.
Veja a matéria clicando aí abaixo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

CARLOS SILVA NO LUA NOVA, HOJE

Há pouco, antes de a chuva desabar sobre Sampa, fui almoçar num restaurante aqui perto de casa e depois aproveitei para dar uma espichada num sebo ali na São João, quase esquina com a Angélica.
Conversa vai conversa vem com o sebista, acabei por comprar um belo livro da Nova Aguilar reunindo os romances, digamos, “femininos” do baiano Jorge Amado, tema de samba-enredo da escola campeã do carnaval paulistano deste ano: Mocidade Alegre, que levou para a avenida o nome do autor de Gabriela Cravo e Canela, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Tereza Batista Cansada de Guerra e Tieta do Agreste.
E conversa vai conversa vem, o sebista começou a filosofar e a opinar sobre os casos do dia-a-dia.
Pra começar, disse que os brasileiros em formação não deveriam ter no currículo tantas matérias. Para ele, bastariam duas: português e matemática.
Português pra falar direito e matemática pra ganhar dinheiro, pois “nessa vida o que vale é dinheiro”.
E tome BBB etc. e tal.
Também é bom falar com taxistas.
Outro dia, um deles me disse: “Mulher é tudo igual, só muda o nome e às vezes o endereço”.
Pois é, tem disso.
Falar com barbeiro é um perigo inda maior.

CARLOS SILVA
O bom poeta e cantador Carlos Silva (na foto com Nininho de Uauá) está trocando por uns dias a sua Bahia querida pela capital paulista. Hoje ele se apresenta com os amigos Marco Antônio Mendes, Nininho de Uauá e Joab Moraes no conhecido ponto de encontro Lua Nova, à Rua Treze de Maio, 540, Bela Vista. O show de Silva se chama Eu e Meus Camaradas, a partir das 20h30. No repertório só coisas bonitas. Garanto: vale a pena ir. E eu próprio só não irei porque hoje, a essa mesma hora, estarei num bate-papo informal/musical no Sesc Santana com o paulistano Mário Albanese, compositor, pianista e criador do ritmo Jequibau. Essa apresentação, que faz parte da instação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, da qual sou curador, está agendada há tempo, como indica o material de divulgação.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

VIVA LUIZ GONZAGA REI DO BAIÃO!

Incrível tudo.
E dois décimos de diferença deram a vitória à escola de samba Unidos da Tijuca do Rio de Janeira, há pouco na Sapucaí.
Não vi o desfile ao vivo anteontem na avenida, mas o Osvaldinho da Cuíca garantiu que foi das coisas mais lindas que seus olhos registraram até hoje.
Registrei isso, a sua opinião no texto de ontem postado neste espaço.
E se ele disse...
E aí está o resultado.
No texto de ontem eu disse que Osvaldinho entrou no palco do teatro do Sesc Santana tocando sua cuíca como ninguém, puxando do fundo do seu coração e da sensibilidade do seu instrumento a asa-branca que o rei do baião Luiz Gonzaga imortalizou desde a primeira vez que a registrou em disco, em 1949.
Claro, é legal saber que o Brasil cada vez mais dá importância a Luiz Gonzaga (aí de lado, comigo moiando a garganta... e lá embaixo, eu falando dele).
E eu já disse e repito: ele é o divisor de águas da nossa música popular.
O meu novo livro, com esse título e coisa de 500 páginas, com textos bem colocados a respeito de Lua e tudo o mais, está pronto pra ir à rua. Porém, há um só porém: falta editor, falta quem o banque.
Viva Luiz Gonzaga e parabéns à Unidos da Tijuca!


ALBANESE COMIGO NO SESC, AMANHÃ 23


O compositor e instrumentista paulistano Mário Albanese estará amanhã, quinta, 23, no Sesc Santana.
Estaremos juntos no espaço denominado Arena, o centro da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, que desde o dia 24 do mês passado tem recebido muitos milhares de visitantes.
Mário Albanese nasceu no último sábado de 1931, no bairro do Paraíso.
Filho de um alfaiate de nome Biagio e de uma professora, Clara Albanese; e neto de um mestre da música de São Paulo, Domingos Petrillo, pianista, violinista e bandolinista, Mário iniciou a carreira de artista antes mesmo de se formar no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, em 1949.
Sua atuação musical na vida paulistana foi intensa, até pelo menos os anos de 1980.
Gravou seu primeiro disco (Apresentando Mário Albanese) para o selo Ricordi: um compacto duplo (capa reproduzida aí acima), em 1956.
Também pianista e maestro, Mário Albanese criou junto com o gaúcho Ciro Pereira um tipo de música a que deu o nome de Jequibau, neologismo para uma batida especial lançada mundialmente no dia 13 de agosto de 1965. Essa batida se encaixa com perfeição no compasso 5/4, isto é: numa escala rítmica que resulta num quinário de pulsação nativa e própria.
A raiz do Jequibau se acha no campo do folclore, de onde foi extraída uma célula para gerá-lo.
Sua obra tem sido gravada por inúmeros intérpretes de reconhecidos valor no Brasil e no Exterior, desde Agostinho dos Santos a Altemar Dutra, passando por Isaura Garcia, Inezita Barroso, Carmélia Alves, Eliana Pittman, Leny Eversong, Tito Madi, Hermeto Pascoal, Pery Ribeiro, Jair Rodrigues, Moacir Franco e os grupos Zimbo Trio e Titulares do Ritmo.
No Exterior, Mário foi gravado, entre outros, por Charlie Byrd, Andy Williams, Percy Faith, Vick Karr, Sarah Cheretien, Normann Luboff, Sadao Watanabe e Al Caiola, nos Estados Unidos, Holanda, Japão etc.
Na Discografia Brasileira ele aparece com dois discos gravados no modo 78 RPM.
O primeiro foi feito com seu Conjunto em 1959 (Odeon) e segundo ao piano, em 1962 (Chantecler).
Com o poeta Geraldo Vidigal, da geração saída dos 40, Mário Albanese compôs Canção da Avenida Paulista; e com Sylvio Tancredi, especialmente para os festejos do 4º centenário da cidade, o samba-exaltação São Paulo Coração da Minha Terra, gravado pelo cantor Osvaldo Ribeiro em 1955.
De Martins Fontes Mário musicou o poema Ser Paulista.
Sim, para não esquecer: a cada dia 2 de agosto, em São Paulo é comemorado o Dia do Jequibau.
Esse dia foi criado e aprovado pela Câmara Municipal da cidade.
Formado em Direito pela tradicional Faculdade de São Francisco, Mário Albanese é membro da Academia Internacional de Música e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.
Junto com Jorge Melo é considerado um dos maiores especialistas em direitos autorais do Brasil.
Detalhe: a sua importância na música brasileira é enorme, embora o chamado grande público não o aplauda como deveria, por desconhecê-lo - naturalmente. Mas isso é compreensível, pois, infelizmente, a sua obra hoje não é tocada nem no rádio e nem na televisão, tampouco aparece nos jornais e revistas.
Nem as grandes salas de espetáculos, como o Municipal, lhe abrem as portas.
Uma pena para os bons ouvidos.
O Jequibau surgiu em 1965 e não em 1958...
Flores em vida!
Viva Mário Albanese!



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

OSVALDINHO DA CUÍCA ARRASOU NO SESC

Foi um espetáculo bonito o de hoje à noite no Sesc Santana, com os meninos da Comunidade Samba da Vela. Platéia lotada, bonita, com todo mundo cantando o repertório do grupo de Santo Amaro.
Durou quase uma hora a mais do tempo previsto, e pelo gosto do público o grupo estaria tocando e cantando até agora.
Músicas fáceis de serem assimiladas pela memória, refrões idem como o partido alto Maria Não Volta Mais, de Nino Miau e Chapinha.
Chapinha, cearense em Sampa há 38 anos, é um dos fundadores do grupo a mim recomendado por Paulo Vanzolini que já dura mais de dez anos.
O convidado da noite foi mestre Osvaldinho da Cuíca (ao lado, no clic de Darlan Ferreira), amigo e parceiro.
Da Cuíca entrou arrasando, interpretando no instrumento que tem ligação direta com seu coração a toada Asa Branca, que Luiz Gonzaga imortalizou em disco.
E juro!
Eu vi uma pombinha asa-branca sair da cuíca do Osvaldinho.
Claro: me emocionei.
Pois é, mas não vi pela tevê ontem o desfile da Unidos da Tijuca na Sapucai, com o enredo sobre o rei do baião.
Osvaldinho viu e disse:
- Foi uma das coisas (desfile) mais bonitas que vi em toda a minha vida.
E olhem só: o nosso primeiro Cidadão Samba de São Paulo é do tempo de anteontem.
Viva Osvaldinho da Cuíca!

MÁRIO ALBANESE
Depois de amanhã 23, quinta, Mário Albanese será meu convidado especial para um dedo de prosa na Arena da instalação do Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, no Sesc Santana. Mário, criador do ritmo musical Jequibau, é um dos maiores artistas do Brasil.

NO SESC: HOJE É OSVALDINHO, 5ª É ALBANESE

Agora que me dei conta: hoje é 21 de fevereiro.
Portanto, dia de Osvaldinho da Cuíca no teatro do Sesc Santana, a partir das 18 horas.
Da Cuíca faz parte da programação enriquecedora da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, extraída do Instituto Memória Brasil e sob minha curadoria até o próximo 1º de abril.
Aliás, quem ainda não a viu tá na hora de ver.
Osvaldinho se apresentará ao lado do grupo comunidade Samba da Vela, de que tomei conhecimento há uns cinco anos através de Paulo Vanzolini.
O grupo nasceu em 2000, por iniciativa dos sambistas Magnu Souza, Paquera, Maurílio e Chapinha, moradores do bairro de Santo Amaro, zona Sul de São Paulo.
Já o vi em ação e garanto: é ótimo.
Na próxima quinta 23 estarei com o compositor e instrumentista Mário Albanese, em prosa aberta ao público no espaço denominado arena da já lembrada instalação.
Mário, criador do ritmo jequibau com o maestro Ciro Pereira, é um dos maiores nomes da música brasileira, aplaudidíssimo no Exterior e aqui, mais ou menos.
Viva Mário Albanese!

COISAS & COISAS
O carnaval é uma coisa e muitas coisas rolam no carnaval.
Agora mesmo abrindo o Portal UOL me deparei com uma coisa querendo saber que coisa era aquela que estava chegando e tornando o ambiente alvoroçado.
A primeira coisa era o camarote de uma cervejaria.
A segunda, um jogador de futebol.
E a terceira, uma socialite que não sabia o nome do jogador.
Mas ao saber, saiu correndo para tirar um foto a seu lado.
Pode?

QUEM VIU?
Na madrugada de hoje ão vi pela tevê o desfile da Unidos da Tijuca na Sapucaí. O enredo, inspirado na vida e obra de Luiz Gonzaga, eu já ouvira antes. Foi bonito?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

LUIZ GONZAGA É TEMA DA UNIDOS DA TIJUCA

Escolas de samba do Espírito Santo, Pernambuco e Rio de Janeiro homenageiam este ano o rei do baião Luiz Gonzaga, que em dezembro faria 100 anos.

Hoje no começo da madrugada a carioca Unidos da Tijuca desfilará na Sapucaí um enredo contando a sua história.
Na avenida estarão ilustrando o enredo alguns artistas representativos de personagens nordestinas, como Lampião e Maria Bonita.
Essa não é a primeira vez que o estilizador do baião vira tema de escolas de samba.
Em 1982, a carioca Unidos de Lucas tirou o 5º lugar com o enredo Lua Viajante, de Carlinhos de Andrade e Roberto Costa.
Escolas de Santos, Ceará e outros Estados já fizeram o mesmo.
É muita história pra contar.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

SIM, EM SAMPA TEM BERÇO DE SAMBA

Quem foi, ganhou.
E muita gente ganhou a noite ontem indo ao Sesc Santana para assistir a irretocável apresentaçã do grupo Berço do Samba de São Mateus (ao lado, no clic de Darlan Ferreira), formado por percussão, cordas e metais. No repertório, pérolas dos paulistanos Paulo Vanzolini e Eduardo Gudin; e também do alagoano Jorge Costa e do paulista de São Carlos do Pinhal Octavio Henrique de Oliveira, o Blecaute (General da Banda). Três convidadas especiais participaram do espetáculo: Verônica Ferriani, Priscila Amorim e Graça Braga.
Do balaio de Vanzolini saíram Cravo Branco, Praça Clóvis, Amor de Trapo e Farrapo, que o seresteiro Nélson Gonçalves gravou com categoria; Ronda, claro; Volta Por Cima e Mente, essa última resultante de parceria com Gudin e originalmente gravada por Clara Nunes.
Verônica foi um espetáculo à parte: graciosa, simples, bem postada no palco, lembrando um pouco outra bela voz: Cris Aflalo.
Priscila Amorim foi outra grande surpresa, ao lado da arrasadora paulistana Graça Braga, integrante da Comunidade Samba da Vela e agora com CD em homenagem ao cantor e compositor carioca Candeia, desaparecido em 1978.
Graça Braga deu mais vida às composições de Eduardo Gudin.
A obra de Jorge Costa esteve representada por Triste Madrugada e Ladrão Que Entra em Casa de Pobre só Leva Susto, muito bem interpretadas por Priscila Amorim.
Hoje, às 18 horas, tem mais Berço do Samba de São Mateus no Sesc Santana, interpretando obras de Geraldo Filme e Adoniran Barbosa. As convidadas do grupo são as cantoras Celia e Milena.
Programa imperdível.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

VIVA O COMPOSITOR ELZO AUGUSTO!

Grandes marchinhas, grandes sambas-enredo, grandes carnavais!
Lembro Zé Kétti, com o rancho Máscara Negra.
Um dia eu informei a Zé: Máscara Negra foi gravada até em inglês.
Ele fez que não ouviu e perguntou: o que?
Fi-lo ouvir.
Ele se emocionou.
Lembro Braguinha, autor de tantos e tantos sucessos carnavalescos.
Touradas em Madrid, por exemplo.
Em papo aberto comigo, lamentou: vou morrer deixando um monte de inéditas.
Deixou.
Conversa parecida ocorreu com Henricão: vou morrer deixando um monte de inéditas, algumas de Noel Rosa...
Isso para dizer que Elzo Augusto é um dos maiores compositores de marchinhas, com dezenas inéditas e que ninguém dá bola; talvez só o Germano Mathias, que dele gravou até aqui uma trintena de boas composições.
Aparentemente, Elzo é resolvido.
Fica na dele.
Elzo tem marchinhas gravadas por muita gente, como Francisco Egydio (Marcha do Grilinho e Se Essa Nega Fosse Minha), Ângela Maria (Cara de Gata), Alcides Gerardi (Não Vem Que Não Tem), Chacrinha (Filosofia da Barriga e Ajoelhou Tem Que Rezar), Emilinha Borba (O Tique da Roberta), Edith Veiga (Marcha do Voto), Joel de Almeida (Marcha do Minhocão), Míriam Batucada (Marcha do João) etc.
Mas hoje os carnavais são outros.
É tempo de Ai se eu te Pego, uma bobagem incrível gravada de forma relâmpago em francês, hebraico, japonês, espanhol etc. Na versão norte-americana, If I Catch You, fez o presidente Obama dançar no programa Ellen De Generes.
Incrível, não é?
De duvidar.
O vídeo tai, é só clicar.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O PRÓXIMO BATE-PAPO É COM MÁRIO ALBANESE

Mais uma vez a noite de ontem rendeu prazer e alegria para poucos privilegiados que compareceram à arena da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo sob minha curadoria no Sesc Santana, para ouvir a boa prosa entre gerações diferentes da arte da música popular: Fabiana Cozza e Elzo Augusto (ao lado, num clic da produtora cultural Andrea Lago). Fabiana, da primeira metade dos anos de 1970, é uma paulistana do bairro da Pompéia criada na agitação de Vila Madalena.
Ela respira música desde sempre.
Elzo, por sua vez, é paulista de Jaboticabal nascido sob o signo da Revolução de 30 e adotado por Sampa desde a idade de 4 anos.
Ambos são tipos incríveis que a vida solta ao mundo e a gente um dia tem a sorte de encontrar.
A marca de Elzo é o bom humor, junto com simplicidade e talento.
Nosso bate-papo começou no horário marcado: 20 horas, e se prolongou por cerca de 90 minutos.
Intérprete que se preparou cuidadosamente para a arte que abraçou, Fabiana Cozza disse que a sua primeira profissão foi de jornalista, com “canudinho” conquistado a duras penas na USP. Depois, acrescentou, “estudei canto, teatro e dança”.
E a partir daí, óbvio, caiu na vida de artista para encantar a todos.
Elzo é da velha guarda musical, que inclui ritmos e gêneros diversos.
Tem centenas de músicas gravadas, até um tango pelo maestro Erlon Chaves.
Composições musicais ele começou a fazer bem cedo, na adolescência.
Tinha uns 26, 27 anos quando o grupo Demônios da Garoa gravou pelo selo Trovador suas primeiras obras: o samba Falou de Mim, resultante de parceria com Antonio Lopes; e Lá Vem o Pato, marchinha feita com Jairo Boscolo.
Mas essas gravações ficaram por isso mesmo, até porque Trovador era um selo independente tocado adiante, sem muitos recursos, pelo compositor bissexto Wilson Sales.
Em suma: como hoje em dia, Elzo começou pagando para ser gravado.
Aliás, esse processo de toma lá dá cá começou no Brasil em 1929, com o tieteense Cornélio Pires arcando com os custos da gravação dos 52 discos lançados pela extinta Columbia.
Muita gente boa começou assim, em selos independentes desde o tempo dos velhos 78 RPM.
Entre esses selos, extintos, é de se lembrar Astor, Alvorada, Audio-Fidelity, Brasiluso, Caravelle, Corcovado, Discobrás, Eco, Imperial, Lira, Mariposa, Ouvidor, Régis, Ritmos, RMS, Som Brasil, Universal etc.
Vocês se lembram do samba A Saudade Que ficou (O Lencinho), gravado por Luiz Ayrão num LP Odeon, em 1979, que começa assim:

Aquele lencinho que você deixou
É um pedacinho da saudade que ficou...

Pois é, é de Elzo augusto em parceria com Joãozinho da Rocinha.
Amanhã tem mais.

MÁRIO ALBANESE
O compositor e instrumentista Mário albanese é o nosso próximo convidado para uma prosa no espaço Convivência II do Sesc Santana. Isso correrá semana que vem, dia 23.   


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

ELZO AUGUSTO E FABIANA COZZA, NO SESC

Ele é da safra dos compositores antigos, com centenas de músicas gravadas por intérpretes inesquecíveis como Dalva de Oliveira, Isaura Garcia, Emilinha Borba, Míriam Batucada, Nélson Gonçalves, Gilberto Alves, Jamelão, João Dias, Francisco Egydio, Erlon Chaves, Paulo Molin, Luiz Gonzaga e tantos e tantos, incluindo o Trio Mocotó e o Trio Orixás; sem esquecer que ele também enriqueceu o repertório do paulistano grupo Demônios da Garoa com pérolas como Samba de Gaiato, Lenço na Moleira e Lá Vem o Pato (título na reprodução do selo, ao lado).
Luiz Ayrão, Pery Ribeiro, Germano Mathias, Oswaldo Rodrigues, Carlos Gonzaga, Lindomar Castilho, Joelma e Ângela Maria também gravaram obras suas.
Só Germano gravou uma trintena, como São Paulo, Mãe-madrinha.
Entre seus parceiros se acham Joel de Almeida, Zé Ketti, Adoniran Barbosa, Archimedes Messina, Olmir Stocker e o maestro Portinho.
Refiro-me ao paulista de Jaboticabal Elso Augusto, que no cartório ganhou no nome esse “s” aí antes do “l”, que corrige assinando seus textos e partituras musicais com “z”, assim: Elzo Augusto, como deveria constar no documento expedido pelo cartório onde foi registrado.
Elzo vai estar comigo logo mais às 20 horas, no Sesc Santana.
Junto comigo e ele, também estará a cantora paulistana Fabiana Cozza, uma artista que só agora, 14 anos depois de iniciar a carreira profissional, começa a despontar no cenário da música brasileira.
Sem dúvida, a voz de Fabiana Cozza é privilegiada e privilegiados são todos aqueles que a ouvem.
Ela tem três CDs e um DVD à disposição do bom-gosto.
Acho que o nosso bate-papo vai ser legal.
Que tal conferir?

LANDELL DE MOURA
O Movimento Landell de Moura acabou, mas não acabou. Explico, oficialmente sim. Na edição de hoje, o newsletter Jornalistas&Cia, que esteve à frente desse movimento, informa que muitas iniciativas continuam sendo feitas pró padre-cientista inventor do rádio, o gaúcho Landell de Moura. Lida semanalmente por mais de 35 mil profissionais, Jornalistas&Cia, que circula em formato PDF, mostra a movimentação de profissionais de redações (jornais, tevês, rádios e portais), agências de comunicação e assessorias de imprensa de empresas, entidades e órgãos públicos e outras notícias sobre a área de comunicação social e corporativa.

JORNAIS
Extinguiram-se as edições impressas do 2º jornal mais antigo da capital paraibana, O Norte, onde iniciei a carreira profissional no limiar de 1970. Com ele também foi o Diário da Borborema, de Campina Grande, onde mantive coluna assinada por bom tempo. Ambos pertenciam à rede dos Diários Associados, criada pelo paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello. Uma pena a extinção desses jornais.

INEZITA BARROSO
Ontem dei a informação de que o livro A Menina Inezita Barroso, que escrevi e Ciro Fernandes ilustrou, foi incluído no disputado catálogo da Bologna Children Book´s Fair. O livro começa com um texto poético que desenvolvi em homenagem à biografada, Inezita, que o percussionista de folias internacional Papete musicou com maestria. Chama-se A Brasileira Inezita, que pode ser ouvida no Youtube. Mais esqueci de dizer que o referido livro já ganhou até uma versão em braile.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

INEZITA BARROSO, NA ITÁLIA

O dono da Cortez Editora, José Cortez, e seu editor de obras infantojuvenil, Amir Piedade, acabam de me informar que o livro A Menina Inezita Barroso foi selecionado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, que é a seção nacional do International Board on Books for Young People desde 1968, para integrar o catálogo do que chamam de a maior feira de livros do mundo no gênero, que ocorrerá entre os dias 19 e 22 próximos em Bolonha, Itália. Detalhe: o evento, que não é aberto ao público comum, consumidor, reúne editores, agentes literários, produtores de cinema e TV do mundo todo.
O objetivo é comprar e vender copyrigth.
Dizem que o espaço ocupado pela Bologna Children´s Book Fair tem a dimensão de pelo menos quatro vezes o nosso Anhembi Parque, ou seja: 1.600m².
Além da Menina Inezita Barroso, outros cinco títulos da Cortez foram escolhidos, estes: Escolha o Seu Dragão, de Rosana Rios; Alecrim Dourado e Outros Cheirinhos de Amor, de Lenice Gomes e Giba Pedroza; Uma História Hebraica, de Tatiana Belinky; e A Lenda do Preguiçoso e Outras Histórias, de Giba Pedroza.
Alguns amigos, como Roniwalter Jatobá, Jô Oliveira e Marco Haurélio, já participaram desse evento e dizem que é muito bom.
No catálogo, A Menina Inezita está referido à página 50.
Ah! Sim. Seria no mínimo curioso a história da nossa grande intérprete musical ser contada noutras línguas, quando nem aqui lhe dão bola, seria não?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ANTES QUE O MUNDO ACABE, VIVA PATATIVA!

Sábado último dei uma esticada até o município paulista de Atibaia, a 63 quilômetros da Capital. Foi dessa cidade que partiram para a eternidade os cantores Sílvio Caldas e Noite Ilustrada.
Lá pessoas nos esperavam para uma palestra musical junto com Jorge Mello (comigo aí, na foto), em torno da nossa cultura popular. Destacamos o poeta cearense Patativa do Assaré como o mais representativo do tema.
Patativa bateu asas em direção ao céu há dez anos, precisamente no dia 8 de julho de 2002.
Assim, nos antecipamos às comemorações em sua memória.
Outro grande representante da cultura popular brasileira, a partir do Nordeste, foi Luiz Gonzaga, o rei do baião, que nasceu há 100 anos, mais precisamente no dia 13 de dezembro de 1912, em Exu.
O cantor e compositor paulistano, do Brás, Roque Ricciardi, o Paraguassu, é também um nome a ser lembrado este ano, pois data de 1912 a gravação do seu primeiro disco.
Paraguassu foi o primeiro artista popular destas plagas bandeirantes a alcançar sucesso no território nacional.
Vamos lembrar, de fato, de tudo isso com festas, de preferência, antes que o mundo todo se acabe; pois dizem que este mundinho besta vai pras cucuias no dia 21 do próximo dezembro, um sábado.
Fui!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

MÚSICOS DAS RUAS DE SÃO PAULO

Verdadeiramente fantástica a apresentação da Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo com a Corporação Musical Operária da Lapa, sob a batuta do experiente Lívio Tragtenberg e Nestor Pinheiro, respectivamente.
O paulistano Lívio é um maluco renitente, incrível, sobre quem escrevi linhas em jornais quando lançou à praça sua primeira produção independente – Ritual – em forma de LP, há 31 anos, e que o leitor ocasional pode conferir na postagem abaixo, clicando sobre a imagem.
Nestor, de uma sensibilidade à flor da pele, comanda seus músicos não profissionais, autodidatas, com natural desembaraço.
Incrível, sim.
Emocionante também.
A simplicidade de Nestor, um bancário aposentado, e a ousadia de Lívio, um músico em freqüente estado de explosiva ebulição, foram detalhes especialíssimos da apresentação que testemunhei ontem à boca da noite no teatro do Sesc Santana, como parte da programação do projeto Roteiro Musical da Cidade de São Paulo.
Sem sair do prumo e com categoria, Nestor trafegou por gêneros que iam ora da valsa à polca, passando por marchinhas e dobrados.
A Corporação, a cujo nome original se acrescia no passado Lyra da Lapa, foi fundada em 1881 e Nestor, que se identifica ao interlocutor com a expressão “a seu dispor”, está a sua frente desde 2003.
Vinte e dois músicos formam a Corporação Musical Operária da Lapa.
Lívio Tragtenberg tem vários discos lançados, mas persiste insatisfeito com a história do presente.
Suas apresentações ganham interrupções críticas e bem humoradas, especialmente quando se refere à capital paulista que ele se espanta por ainda existir, enquanto avisa:
- Tudo vai virar um grande condomínio.
Sua produção mais recente é Neuropolis, de 2007, chancelado pelo selo Sesc.
Entre os integrantes da sua Orquestra dos Músicos das Ruas de São Paulo se acham uma das mais criativas duplas de emboladores do Nordeste: Perneira & Sonhador, que, aliás, participa do filme Saudade do Futuro, uma produção franco-brasileira assinada pelos diretores Cesar Paes e Marie-Clémence, que teve por base, em 2009, um dos meus livros, A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo.
Viva aos músicos de Lívio Tragtenberg e da Corporação Musical Operária da Lapa.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

GUARDEM ESTE NOME: LÍVIO TRAGTENBERG

Em 1981, sobre um artista em início de carreira lançando seu primeiro disco, um LP, escrevi já no primeiro parágrafo o seguinte:
"Música Independente para Todos – MIT – mais que uma opção, é moda atualmente no Brasil. Muita gente que se considera músico, marginal claro, tem de um jeito ou de outro conseguido produzir gravar e lançar, por conta e risco próprios, discos muitas vezes de qualidade duvidosa. Vez por outra, felizmente, tem aparecido coisas realmente boas. É o caso de Lívio Tragtenberg, um paulistano maluco de 20 anos. E atenção, gravem este nome: Lívio Tragtenberg".
O texto, feito para a Agência Brasileira de Reportagens, ABR, foi publicado à época em mais de 50 jornais país a fora.
Desde então nunca mais eu soube desse artista, que conheci e entrevistei na ocasião do lançamento do seu primeiro disco, Ritual.
Hoje, por volta das 18 horas, certamente irei reencontrá-lo no Sesc Santana, pois ele estará se apresentando como maestro à frente da Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo. A apresentação faz parte da ampla programação da instalação sob minha curadoria Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, que permanecerá aberta à visitação pública na ´parea de Convivência II do Sesc Santana até o próximo dia 1º de abril.
Vamos lá?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

MORREU A ÚLTIMA IRMÃ DE LAMPIÃO


http://www.youtube.com/watch?v=ioS3GpIa7Kc&feature=youtu.be
Em conseqüência da idade e de problemas respiratórios que vinha sofrendo, morreu ontem 10, no meio da tarde, a última irmã de Virgulino Ferreira da Silva, o temido Lampião.

Dona Mocinha, como ela era chamada, de batismo Maria Ferreira Queiroz, morou na zona Norte da capital paulista por quase 50 anos.
Era uma pessoa amável, tranqüila, e não gostava muito de falar da família, especialmente do irmão mais famoso. No entanto, numa entrevista que fiz para o programa Tão Brasil, que eu apresentava pela allTV e levada ao ar na noite de 11 de julho 2007, ela contou um pouco da sua história.
Começou dizendo que não tinha o que dizer.
Sim, era tímida.
Mas conversa vai, conversa vem, lembrou que seus três irmãos mais velhos, Antônio, Livino e Virgulino, o caçula, saíram de casa em Vila Bela, hoje Serra Talhada, PE, onde nasceram, num mesmo dia e ao mesmo tempo com o propósito de vingar a morte do pai, José Ferreira da Silva.
Mas a vingança não se consumou e Lampião e Maria Bonita, sua companheira de estrada, poeira e bala, mais nove cangaceiros, tombaram vítimas de emboscada no final da madrugada do dia 28 de julho de 1938, em Angico, SE.
Noutras ocasiões eu já entrevistara pessoas ligadas ao cangaço, como Ilda Ribeiro de Souza, a Sila, companheira de Zé Sereno, que conseguiu escapar da chacina e só foi morrer em fevereiro de 2005, em São Paulo.
Em João Pessoas, nos meus tempos antigos, namorei uma menina neta de um dos integrantes da volante que acabou com Lampião.
Ainda hei de me lembrar seu nome.
Morava na região do Varadouro...
Para outro programa que apresentei, na rádio Capital, entrevistei Expedida Ferreira, até hoje reconhecida como filha única de Lampião e Maria Bonita.
Mas essa história fica pra depois.
No Instituto Memória Brasil, Acervo Assis Ângelo, há registros sonoros.
O corpo de dona Mocinha está sepultado agora, no Cemitério Chora Menino, na zona Norte da cidade.
No vídeo anexo, parte da conversa que mantive com dona Mocinha, junto com o mais importante estudioso do Cangaço: o paulista Antônio Amaury.



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

GUDIN E VANZOLINI EM NOITE INSPIRADA, NO SESC

Quem não foi, perdeu.
O bate-papo informal com os compositores paulistanos Eduardo Gudin e Paulo Vanzolini (ao lado com este escrevinhador) ontem à noite na área de Convivência II do Sesc Santana foi dos melhores.
Paulo falou de suas lembranças de São Paulo antiga; o mesmo fez Gudin que ao final de hora e meia deu de garra do violão e interpretou obras suas e de Paulo com Ana Bernardo soltando a voz e arrancando aplausos calorosos da seleta platéia na qual se achavam, entusiasmados, os craques do jornalismo Audálio Dantas e Eduardo Ribeiro.
Indagado sobre quem melhor representava a música paulistana, Paulo, sempre afiado, respondeu:
- Eu e Adoniran.
Gudin falou, e bem, de Germano Mathias.
Paulo teceu maravilhas ao se referir a Adoniran Barbosa e Gerldo Filme. Também contou como compôs Ronda e como Ronda foi gravada por Inezita Barroso, em agosto de 1953. Segundo ele, seu famoso samba entrou no disco de Inezita mais por acaso:
- Ela esqueceu que um disco naquele tempo tinha duas músicas, uma no lado A e outra no lado B. Ela havia gravado só uma, Marvada Pinga. E precisava de outra, e como eu estava com ela no estúdio...
O autor, cientista de profissão de reconhecida categoria internacional, ainda contou vários causos. Como o dia que deixou várias pessoas assustadas com uma cobra que dele escapara num avião... E do saco de seis quilos de pulgas que colocou num carro de Inezita...
Paulo e Gudin aproveitaram para ver de perto a instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, na qual ambos estão representados. Gudin com o CD (Pra Iluminar) que gravou ao vivo com Leila Pinheiro em 2009; e Paulo com Ronda, um clássico popular gerado no coração da cidade.
O nosso próximo bate-papo será com Fabiana Cozza e Elzo Augusto, na noite de 16 deste mês.
A paulistana Fabiana tem 15 anos de carreira, dois CDs e um DVD lançados. É uma das belas vozes da cidade.
Elzo é um compositor veterano, autor de várias obras imortalizadas pelo grupo Demônios da Garoa.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

SAIA, CALOR, PRAIA, PAULO E GUDIN

Aqui em Sampa, o calor continua terrível.

E sobre esse assunto, um motorista de taxi há pouco puxou conversa, assim:
- Hoje é pior. Antes, pelo menos, o vento soprava e levantava a saia da mulherada. Era uma beleza. Hoje, não. Nem vento tem e saia mulher não usa mais. Pior pra nós.
Balancei a cabeça, afirmativamente.
E ele:
- No Rio de Janeiro, pelo menos os cariocas têm praia.
E eu balançando a cabeça, coniventemente.
E ele, o taxista:
- Por que diabo as mulheres não usam mais saias?
Bom, daqui a pouco, às 20 horas, estarei trocando um dedo de prosa com mestre Paulo Vanzolini e Eduardo Gudin, compositor de boa cepa. Será no Sesc Santana.
Depois eu conto.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

AMANHÃ É DIA DE PAULO VANZOLINI

Paulo Emílio Vanzolini (ao lado, com este escrevinhador de plantão) é paulistano nascido na quarta 25 de abril de 1923.

Seus pais eram o engenheiro civil Carlos Alberto, professor da Universidade de São Paulo, USP, e Finoco Guidici.
Tinha dez anos de idade quando passou no exame de Admissão. De presente ganhou uma bicicleta e com ela, um dia, pedalou até o Zoológico.
Com 14, começou a estagiar no Instituto Butantã.
Formou-se em Medicina, com 23 anos.
Com 28 já era Doutor pela Universidade de Harvard, EUA.
Especializou-se em Herpetologia, ramo da Zoologia que estuda o comportamento dos répteis.
Junto com o alemão Jünger Haffer dividiu a autoria da Teoria dos Refúgios, segundo a qual as mudanças climáticas em florestas contínuas, como a Amazônia, fragmentam formações vegetais que causam especiação e enriquecem a biodiversidade da nossa América.
Serviu o Exército entre 7 de junho de 1944 a 14 de novembro de 1945.
É de sua autoria o samba Ronda que a cantora também paulistana Inezita Barroso gravaria no dia 3 de agosto de 1953, nos estúdios da extinta RCA, no Rio de Janeiro.
Shakespeare e Dante Alighieri, que lê no original, são seus principais autores de cabeceira.
Gosta da poética do sambista carioca Noel Rosa.
Paulo traz no currículo a formação de 38 doutores.
Sua obra musical cabe toda em quatro CDs.
Não compõe mais, perdeu a vontade, "desde que Paraná partiu".
Paraná a quem ele se refere é o compositor musical Luiz Carlos Paraná, um boêmio abstêmio e seu amigo desde os gloriosos tempos do Jogral que a megera levou no dia 3 de dezembro de 1970, após dias de internação no hospital paulistano Oswaldo Cruz.
Paulo Vanzolini e Eduardo Gudin estarão comigo amanhã num bate-papo em público a partir das 20 horas no Sesc Santana, ali na Dumont Villares, zona Norte da cidade. A presença de ambos faz parte da programação da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo.
A entrada é livre e grátis, mas é preciso fazer reserva antes. Para isso, basta entrar em contato com o Sesc, através do seu Portal: http://www.sescsp.org.br/  

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

EM PROSA E VERSO, COM GUDIN E VANZOLINI

Nos últimos dias, o calor vem sufocando gente cá de Sampa e também do Rio de Janeiro.
Numa prosa há pouco via fone com o flautista Altamiro Carrilho, a queixa:
- Aqui no Rio o tempo está muito quente, muito calor, suor às bicas.
Essa foi a introdução para uma conversa que se estenderia até sua vinda no próximo 24, para apresentação no dia seguinte no teatro do Sesc Santana, ali na Luís Villares, zona Norte da cidade.
Lá pras tantas, ele disse que tem andado meio adoentado, com uma ponte de safena incomodando aqui de lado do peito.
Sim, deveremos subir juntos ao palco.
Antes de interpretar com sua flauta mágica a polca-dobrado São Paulo Quatrocentão, do paulistano Garoto e do gaúcho Chiquinho, para os festejos do 4º centenário da cidade, em 1954, Altamiro nos falará sobre a sua arte e suas idas e vindas pelo planetinha Terra.
Foi aqui em São Paulo que Altamiro foi mais querido no correr da sua trajetória, como um dos mais importantes flautistas do mundo.
Muitas histórias a contar.
Farei a devida provocação, depois de situá-lo no campo das artes musicais.
Ao mesmo tempo em que Altamiro homenageará São Paulo com sua presença no próximo dia 25, no Sesc, São Paulo também o homenageará com palmas e reconhecimento.

VANZOLINI E GUDIN
Depois de amanhã 9, às 20 horas, estarei ao lado dos compositores paulistanos Eduardo Gudin (Paulista) e Paulo Vanzolini (Ronda) proseando em torno da música que é feita para a cidade de São Paulo desde meados do século XVIII, como mostro na instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, resultado até aqui de 22 anos de pesquisas e que ficará aberta à visitação pública até o dia 1º de abril – verdade! O nosso encontro se dará num espaço chamado “arena”, bem no meio da instalação. A entrada é gratuita, mas são pouquíssimos os lugares a serem ocupados.

MOTIM POLICIAL
Pois é, o que está ocorrendo na Bahia não é propriamente uma greve, é um motim.

PRIVATARIA
O processo iniciado a todo vapor por FHC e tchurma, continua: ontem foram entregues os principais aeroportos brasileiros.

TINHORÃO
José Ramos Tinhorão, o mais importante historiados brasileiro, completou hoje 84 anos de produção lucidíssima. Ele agora está escrevendo um livro a ver com navegação. Está começando pelo século XV. Vem coisa boa, já, já, em forma de livro.

SOL NO MEIO DO CÉU
Da Avenida Paulista até aqui onde me acho, na Alameda Eduardo Prado, Campos Eliseos, vim ouvindo, ontem, a prosa bem temperada dum motorista de táxi de idade avançada, cabelos ralos e todo branco, simpaticíssimo. Ele:
- Veja como são as coisas. Agora faltam dez minutos pras 18 horas e o sol ainda está firme, bem no meio do céu.
É o tal horário de verão, não é?











sábado, 4 de fevereiro de 2012

O MOLEQUE TOM ZÉ É UMA FESTA

Deixei a bicicleta de lado e fui ouvir Tom Zé.
Foi hoje domingo pé de cachimbo à tarde, no Parque Villa-Lobos, à Oeste da cidade.
Por acaso, pois eu não sabia que ele estava lá fazendo onda junto com a moçada.
Cheguei na hora de ouvi-lo mandar mundo e meio à putaquepariu por razões sei lá, enquanto, alternadamente, fazia a palavra porra explodir em uníssono com a platéia sob sol escaldante, em delírio e conivente.
Alegria pura.
Tom é o que é: um moleque-anárquico, pois, cheio de humor, um humorista; e não cantor de meios e jeitos tradicionais,
E nem voz teria pra isso, como Sílvio Caldas, Chico Alves, Orlando Silva, Nélson Gonçalves, Paulo Fortes, Roberto Luna, Fioravante...
Ele é de bagunçar coretos, isso é o que é.
Meio Chacrinha, quebrando amarras e sempre dando risadas,
Tom apresentou um repertório interessantíssimo, no qual inteiro coube o público.
Após uma penca de títulos mostrados, cantou a seu jeito, mais no fim, um forró estilizado falando de xique-xique ou sei lá.
A platéia endoidou, se mexendo e cantando refrão.
Em estado de graça, o moleque Tom Zé, pulando como se tivesse molinhas soltas nos pés, apresentou uma canção que fez para o alto de Pinheiros, onde estávamos.
Pra encerrar, contou a história de São São Paulo, Meu Amor... E mandou ver, lembrando uma certa Maria Joana que o censurou à época - 1968:
- Era pra tá na minha música: “Prostitutas invadiram/Todo centro da Cidade...”, mas ficou assim, por causa dessa Maria, uma grande católica: “Pecadoras invadiram...”.
Grande Tom, viva Tom!

MOREIRA DE ACOPIARA
Ontem, por acaso - sempre por acaso? - liguei a TV e peguei, sem querer - será sempre assim? – o poeta Moreira de Acopiara declamando um belo poema (Linguagem das Mãos, às páginas 342, 343, 344 e 345 do livro O Sertão é o Meu Lugar, da Duna Dueto Editora, 2011) no programa Ao Som da Viola, do seu conterrâneo e meu amigo Geraldo Amâncio, no canal NGT, que não sei se é gerado em São Paulo ou no Ceará. O fato é que foi uma coisa bonita o que ouvi.
Começava assim:

Pra que servem as mãos?
Para doar e pedir,
Ameaçar os irmãos,
Apaziguar e punir.
Servem para recusar,
Concordar, interrogar,
Condenar e absolver;
Sinalizar, aplaudir,
Chamar, negar, agredir,
Encorajar e escrever...

Grande Moreira de Acopiara!

BAHIA
O mundo está se acabando em Salvador, na Bahia.
Como pode?
Lá a ralé está invadindo estabelecimentos, saqueando e matando sob às barbas do Poder, hoje descontrolado e como Estado, falido.
O que está sucedendo lá é perigoso demais.
À ordem!
Polícia em greve, como pode?
Aguardemos os desdobramentos.









sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

BAILE NO SÍRIO LIBANÊS

Inezita realmente é única.
O telefone toca e antes de cair numa baita risada, ela diz quase atropelando as palavras:
- Acabei de vir de um baile no Sírio Libanês!
O “baile” a que se refere é a bateria de exames que seu médico carrasco determina que faça de tempos em tempos, no Hospital Sírio Libanês.
- E você sabia Assis - ela recomeça, sempre rindo -, que agora não há mais médico nos hospitais, que tudo agora é feito por máquinas? Nesse ritmo, logo, logo viraremos robôs.
E tome outra risada!
- E é tudo muito caro, veja você. Outro dia mesmo, eu tive de pagar R$ 900,00 por uma consulta. E olha que tenho plano médico, imagina se não tivesse.
Ela está alegre, principalmente porque está melhor de saúde e já na próxima quarta volta à frente das gravações do seu programa, o de maior audiência da TV Cultura: Viola Minha Viola.
Mudando de assunto, ela quer saber como anda de visitação a mostra Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, que diz ter gostado muito.
- Pelo menos a noite de abertura foi bonita, não foi?
Foi, sim, e pela primeira vez - e isso ocorreu no último dia 25 - ela fez um show com teatro lotado contando a história de cada música inserida num repertório de 15 que escolhemos juntos, todas a ver diretamente com a vida da capital paulista.
De novo mudando de assunto, Inezita conta que acabara de dar uma entrevista a um repórter do jornal Correio da Paraíba e que falou bastante de mim e do livro que escrevi a seu respeito, A Menina Inezita Barroso; embora o principal assunto fosse a caixa com seis CDs - O Brasil de Inezita Barroso - que acaba de chegar ao mercado por iniciativa de seu organizador, Rodrigo Faour, mas que ela ainda não ouviu nenhum, por uma razão: ainda não recebeu exemplares da caixa que reúne 89 músicas que gravou entre 1955 e 1962.
Nesse ponto, ela para de rir e revela com certa raiva que herdeiros de três obras (Viola Quebrada, Azulão e Modinha, de Mário de Andrade, Jayme Ovalle e Manuel Bandeira) desautorizaram sua inclusão na caixa.
E desabafa:
- Herdeiros, há herdeiros!





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

VOCÊ SABE QUEM FOI ALBERTO MARINO?

Você sabia que o instrumentista, maestro e compositor Alberto Marino nasceu no bairro da Liberdade, no domingo 23 de março de 1902 e morreu num sábado, 11 de fevereiro de 1967.
Pois é, façam as contas: 11 de fevereiro de 1967... E criou-se no Brás.
Os seus pais se chamavam Rosário e Carmella.
Alberto Marino regeu orquestras e foi professor-diretor do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e integrante do Quarteto Paulista, ao lado de Zaccaria Autuori, Guido Santorsola e Bruno Kunze, nos anos de 1920.
Compôs a sua música mais famosa, Rapaziada do Braz, na noite de segunda-feira 20 de novembro de 1917 para Ângela Bentivegna, com quem se casaria em 1924 e teria dois filhos, Alberto Jr. e Nice, que aparece aí ao lado da cantora Inezita Barroso, na noite de inauguração (25-1) da instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, da qual respondo como curador.
Antes de ser gravada em 1927 pelo Sexteto Bertorino Alma (anagrama de Alberto Marino), Rapaziada já integrava o repertório dos seresteiros de boa parte da cidade.
A primeira gravação dessa obra data de 1926, feita pelos saxofonistas J. Pizarro e O. Pizarro, para o selo Imperador. A segunda é do Sexteto Piratininga, formado, entre outros, pelo italiano Giuseppe Rielli, pioneiro na gravação de solos de acordeon em discos no Brasil, e pelo próprio Marino, para a etiqueta Arte-Fone.
Há gravações dessa música feitas por Jacob do Bandolim, Carlos Poyares, Waldir Azevedo, Dilermando Reis, Canhoto, Francisco Petrônio, Radamés Gnatali e muitos outros artistas.
O primeiro a gravá-la com letra de Alberto Marino Jr., que também atendia pelo pseudônimo de Allan Martin, foi Carlos Galhardo, num LP de 1965.
No dia 25 janeiro de 1968 foi inaugurado o Viaduto Alberto Marino, no lugar onde havia a porteira do Braz.
Dez músicas formam o conjunto da obra gravada pelo Sexteto Bertorino Alma, incluindo Senhoritas do Brás e Luar de São Paulo, essa última também com letra de Alberto Marino Jr.
Você que agora me lê bem que poderia juntar os amigos e familiares e ir visitar nesse fim-de-semana a instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, aberta ao público, de graça, no Sesc Santana, à avenida Luiz Dumont Villares, 579. Caso deseje, entre no portal www.sesc.sp.org.br , de onde foi extraída a foto que se vê ao alto.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A POÉTICA MUSICAL DE IVES GANDRA

A forte base de sustentação das diversas melodias do músico-arranjador Eduardo Santhana para o CD Para Ruth (ao lado) é óbvia: os poemas de 14 linhas curtos e decassilábicos e alexandrinos de Ives Gandra da Silva Martins.

Nessa nova empreitada poética Ives se sai muito melhor do que a encomenda, tanto que se não fosse quem é na área jurídica, um nome de renome internacional, certamente não faria feio como poeta de carreira.
A prova são os belos versos que extraiu de recôndita sensibilidade para o singelo CD/tributo a sua musa querida, Ruth.
Há verdadeiras pérolas no disco, de 15 faixas, como esta que aparece já na 1ª faixa (Navegantes do Espaço), e que diz para gáudio geral:

Navegantes do espaço cruzam mares
Marinheiros do tempo sonham luas
Saltimbancos das vidas estelares
Descortinam sidéreas sombras nuas.

E segue:

Cavaleiro e cavalo em descompasso
Formam nuvens pálidas no azul
Cavalgando sem nunca deixar traço
Como os corcéis alados d´Stambul.

A melodia desenhada elegantemente pela irrepreensível flauta em Sol e o bandolim mágico do craque Pratinha completa a beleza dos versos, assinados por Ives.
Outra pérola se acha na 4ª faixa (Meu Cansaço), em que o autor confessa, de chofre:

Neste tempo de naves pelo espaço
E de espaços, no tempo, descobertos,
Eu vivo navegando por desertos
Que se escondem detrás do meu cansaço.

A penúltima faixa (Rainha de Todos os Cantos), mote para o músico numa estrofe em quadra, talvez seja a melhor de todas. É uma tocante ladainha composta na forma tradicional e interpretada por Santhana (voz) e Pichu Borrelli no violão 12 cordas, percussão e efeitos perfeitos.
Para Ruth é um disco para ser ouvido na paz dos silêncios.
Altamente recomendável.





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