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sábado, 29 de novembro de 2014

TOM JOBIM E SANFONEIROS




O português Natanael Sousa dá amostra do seu talento no IMB.
A história guarda histórias do arco da velha.
 
Certa vez Tom Jobim disse que a música popular brasileira é uma tragédia.
 
Exagero ou coisa de alguém que não conhece a nossa história? A Discografia da Música Popular Brasileira dá-se início em 1902, com o lundu Isto É Bom, de Xisto Bahia, gravado por seu conterrâneo de Santo Amaro da Purificação, Manuel Pedro dos Santos (1870 - 1944), o Bahiano.
 
Isto É Bom é uma composição brejeira, graciosa, com o quê muito nosso:

"O inverno é rigoroso
Bem dizia a minha vó
Que dorme junto tem frio
Quanto mais quem dorme só

Isto é bom, isto é bom
Isto é bom que dói
Se eu brigar com meus amores
Não se intrometa ninguém
Que acabado os arrufos
Ou eu vou, ou ela vem..."
Depois desse, muitos outros lundus foram gravados, não só por Bahiano, mas por seus amigos pioneiros Eduardo das Neves e Cadete, por exemplo.
Além de lundus, o início da nossa Discografia está recheado de muitos outros gêneros e ritmos musicais.
As modinhas marcaram época, muito antes do advento do samba, do maracatu, da marcha, das valsas e até boleros.
Certa vez eu disse a Tom Jobim que estava preparando um livro cujo título lhe fazia referência: O Brasil Dá O Tom.
Ele ouviu o que eu tinha a dizer e prometeu uma entrevista logo após seu retorno dos Estados Unidos. Ele voltou, mas não houve a entrevista. O Brasil chorou a sua volta.

SANFONA PORTUGUESA
Dia desses esteve conosco no Instituto Memória Brasil, IMB, o português Natanael Sousa.
Jovem de 24 anos nos deu uma amostra do seu talento à sanfona. Entre os números exibidos, destaque para Bach.
Há pouco tempo em São Paulo, Natanael Sousa promete ter vindo para ficar; e se ficar, certamente vai enriquecer a área de atuação dos grandes sanfoneiros.
Eu lembro que ainda me achava em João Pessoa, a cidade onde nasci, quando ouvi e vi extasiado uma apresentação de Severino Dias, o Sivuca, no teatro Santa Rosa. Corriam os anos de 1970. Na ocasião Sivuca fez uma exibição que muito me impressionou, imitando sons que seriam da sanfona, no mundo árabe, por exemplo. E a medida que ele tirava aqueles sons incríveis, ele também fazia uso da sua voz, do seu fôlego.
Noutra ocasião, muitos anos depois, e já em São Paulo, eu pedi ao Oswaldinho do Acordeon que me mostrasse como a sanfona soaria na Índia, por exemplo. Estávamos no ar, pela AllTV. Ele riu e também a todos nos deixou extasiado, encerrando com uma pequena “amostra” do que faria um sanfoneiro Heavy Metal, incluindo o grito “YEAH!”.
São poucos, na verdade, os sanfoneiros que dominam o seu instrumento.

Natanael Souza, se continuar ensaiando pelo menos 6 horas diárias, certamente também dominará a sanfona, cujas origens datam de alguns séculos a.C.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

DE LÂMPADA, FRIO E TRISTEZA

Há muitas formas de uma lâmpada se apagar. Quebrando-a, por exemplo. Mas a lâmpada também apaga-se sozinha. Assim como as pessoas, por exemplo. O inventor do avião, apagou-se pendurado numa corda. O escritor Ernest Hemingway (1899 – 1961) apagou-se com um tiro de winchester. O compositor Assis Valente, apagou-se se enchendo de formicida num banco de praça, no Rio de Janeiro.
Sim, há muitas formas de uma lâmpada se apagar.
Uma lâmpada ilumina um quarto, uma casa, uma rua, um bairro, uma cidade, um mundo.
Os faróis que orientam os navios são uma lâmpada.
Uma estrela no céu é uma lâmpada.
Uma lâmpada é uma ideia, uma lâmpada é vida, uma lâmpada é tudo. É o bater de um coração, também.
Uma lâmpada é alegria, é luz; o contrário é a escuridão, a tristeza, o caos, o fim do mundo.
Solidão também é o contrário de lâmpada.
Na extensa discografia da música popular brasileira o tema solidão é uma constante. Todos ou quase todos os grandes compositores abordaram e continuam a abordar o tema.
Dolores Duran (1930 - 1959), numa das madrugadas escuras da vida, sentada sozinha numa mesa de bar, escreveu num guardanapo versos sem nenhuma alegria, mas definitivos na sua procura por uma lâmpada, por uma luz, por um amigo, por uma companhia, desde que fosse verdadeira:
[...] Eu quero qualquer coisa verdadeira
Um amor, uma saudade, 
Uma lágrima, um amigo.
Ai, a solidão vai acabar comigo.
Além da carioca Dolores, e muitos outros poetas e letristas, o poeta pernambucano Carlos Pena Filho também escreveu uma pérola que evoca o tema:
Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antonio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados. [...]
O poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884 - 1914), que gerou uma obra incrível reunida no seu único livro, Eu, publicado no início da segunda década do século passado de forma independente, traz fantasticamente triste soneto N’augusta solidão, que é assim:
N'augusta solidão dos cemitérios,
Resvalando nas sombras dos ciprestes,
Passam meus sonhos sepultados nestes
Brancos sepulcros, pálidos, funéreos.

São minhas crenças divinais, ardentes
- Alvos fantasmas pelos merencórios
Túmulos tristes, soturnais, silentes,
Hoje rolando nos umbrais marmóreos,

Quando da vida, no eternal soluço,
Eu choro e gemo e triste me debruço
Na laje fria dos meus sonhos pulcros,

Desliza então a lúgubre coorte.
E rompe a orquestra sepulcral da morte,
Quebrando a paz suprema dos sepulcros.
E para encerrar, a minha conclusão é a seguinte: a tristeza é filha da solidão, que por sua vez é irmã gêmea, siamesa, da depressão.
A depressão é uma lâmpada queimada.  
Você conhece As Mariposa, de Adoniran Barbosa? Hahahaha!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

DIA DA CONSCIÊNCIA BRASILEIRA

Hoje é feriado em cerca de 18% das 5570 cidades brasileiras.
Hoje é dia da Consciência Negra, mas bom seria se esse dia fosse todos os dias. Bom seria se todos nós, brasileiros, tivéssemos consciência sobre a nossa gente e a vida nacional.
Pena que esse tipo de dia ou data exista por força de decreto aprovado pelo Congresso Nacional com endosso do presidente da República.
O escritor Monteiro Lobato dizia que um país se faz com homens e livros.
Pois é, um país se faz fundamentalmente pela via da Educação e da Cultura; com isso teríamos, com certeza, consciência da vida que nos cerca no país onde nascemos e vivemos.
Não há dia nacional da consciência branca, mas a consciência deveria habitar a nossa mente desde tenra idade.
Um povo culturalmente educado é um povo culturalmente inteligente, sadio, forte, que sabe o que quer; pois quando não se sabe o que quer, o país tende a ir para o buraco ou para as profundezas do mar, como ocorre hoje com a Petrobrás, empresa que ganhou do rei do baião Luís Gonzaga, no final dos anos 50, uma bela marcha gravada em disco de 78 voltas.
Aliás, o que ocorre hoje com o Brasil, é uma tristeza sem par. Vive-se um mar de lama e a imagem que me vem à mente é: um boi dentro de um rio sendo engolido por piranhas.
Na década de 30 do século passado, criou-se uma campanha cujo mote era: “ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”.
O mote, como se vê, continua válido, infelizmente.
Mas, enfim, hoje o dia é dedicado à consciência negra.
O tema negro, negritude, recheia a discografia da música popular brasileira.
Há verdadeiras pérolas musicais abordando Ganga Zumba, Zumbi, ou Zambi.
Zumbi, de batismo Francisco, foi adotado por um padre jesuíta e tempo o tornou guerreiro e herói. O seu chefe era Ganga Zumba, que fez um acordo com o então governador de Pernambuco, no fim do séc. XVII, mas Zumbi não aceitou. oi sua desgraça. Ele não tinha nem 20 anos de idade quando as forças do bandeirante paulista Domingos jorge Velho, foram acionadas pelos poderosos da época para dar cabo a Palmares, território hoje pertencente ao estado de Alagoas.
Zumbi foi abatido numa emboscada no ano de 1695.
Viva zumbi!

Viva o povo  brasileiro!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

MARLUI MIRANDA, A VOZ DOS NOSSOS ÍNDIOS

No novo CD de Marlui Miranda, músicas do repertório infantil dos índios Juruna.
O baiano Dorival Caymmi morou em São Paulo e aqui produziu a obra-prima Maracangaia.
Isso, na década de 50.
Anos antes, o baiano Jorge Amado morou em São paulo e em São Paulo conheceu a mulher que o acompanharia por toda a vida: Zélia Gattai.
Várias décadas depois, os baianos Caetano e Tom Zé também trocaram seus berços pela capital paulista.  Aqui os dois, em anos diferentes, compuseram Sampa e São Paulo, meu amor.
Agora me dizem que Gal Costa, de batismo Maria da Graça, está morando aqui ao lado. Eu moro no bairro de Campos Elíseos, vizinho à Higienópolis.
Gal me faz lembrar Marlui Miranda.
Gal sempre quis ser cantora. Quando era pixoxotinha ela ficava zanzando dentro de casa e procurando espaços que lhe facilitassem ecoar a voz. Um desses espaços, era o banheiro. E lá ela cantava, cantava e cantava. Outro espaço que ela adorava era a panelona que a mãe usava para fazer feijoadas. Essa panelona Gal enfiava na cabeça e cantava, e cantava, e cantava.
Marlui, como Gal, também sempre quis ser cantora.
Nos seus tempos de criança no Ceará, ela adorava ficar ao pé do rádio ouvindo os artistas da Rádio Nacional, como Luiz Gonzaga.  
Um dia, o pai chegou em casa com um monte de discos de 78 rotações. Entre esses discos, vários com gravações de números sinfônicos. Antes, ela nunca vira ou punha na mão discos desse tipo. Encantou-se. E a medida que a mãe os punha para tocar, ela emocionava-se ao ponto de chorar. E muito. No começo, a mãe preocupava-se. Depois, relaxou achando graça. Eram tão inusitadas as situações, que a mãe passou a convidar as amigas para ver a filha ouvindo discos e chorando.
Marlui Miranda, como Gal Costa, cresceu e se tornou uma das mais importantes cantoras do Brasil, emprestando a sua bela voz a, digamos, causa musical indígena.
A maior parte da discografia de Marlui é constituída por cantigas dos nossos índios. Exemplo disso é o seu novo CD, Fala de bicho, fala de gente (Sesc), que começa com a belíssima moda de ninar Duku duku.

Viva os baianos e viva a Marlui Miranda, que reencontrei no último fim de semana, depois de muitos anos.

Ouça Marlui Miranda: http://www.sescsp.org.br/online/selo-sesc/132_DIARIO+DE+VIAGEM+MARLUI+MIRANDA+E+O+POVO+DO+XINGU#/tagcloud=lista

domingo, 16 de novembro de 2014

VISITAS E EMOÇÕES

Foi uma semana de muitas falas e emoções, começando segunda passada com a visita de Fátima de Moraes.
Fátima  uma paulistana residente no Chile há  mais de 20 anos.
Terça-feira, no Memorial da América Latina, encontrei alguns amigos e amigas como Marlui Miranda. Marlui, uma das nossas maiores cantoras, continua incrível.
Eu conheci Marlui Miranda no final dos anos 1970, aqui na capital paulista.
Em 1979 ela estreava no mercado fonográfico com o LP Olho D’água (Continental), que trazia 10 músicas, entre as quais as belíssimas No pilar, de Jararaca, e Acorda Maria Bonita, de Volta Seca.
Nesse mesmo disco se acha uma composição da tribo Krahó (Grupo Krahó).
Dona de uma voz privilegiada, Marlui Miranda é com certeza a cantora que mais tem dado voz aos índios do Brasil.
Da discografia de Marlui constam três LPs e vários CDs.
Na quarta-feira tive a alegria de receber a visita da cantora Janaína (líder do grupo Bicho de pé) e do acordeonista português Natanael Souza.
Natanael, nascido em Abrantes, região central de Portugal, nos deu uma ótima amostra do seu talento, interpretando três números musicais, entre os quais um de autoria de Bach, composta originalmente para violino e adaptada para a sanfona.
Uma maravilha!
Voltarei ao assunto. Natanael completa hoje 24 anos de idade e desde já demonstra ter o virtuosismo que caracteriza os grandes músicos.
Na quinta recebi no Instituto Memória Brasil o juiz de direito Onaldo Queiroga e a sua esposa Márcia, mais seus pais: Antônio e Onélia.
Ainda na quinta-feira, visitaram o IMB os artistas da música popular Fatel e Luiz Wilson, apresentador do programa Pintando o Sete (Rádio Imprensa).
A semana foi encerrada com a presença das cantoras Célia e Celma, que nos trouxeram uma novidade: o filme Senhores da Guerra, baseado no livro homônimo de José Antônio Severo, acaba de ser inscrito para participar do Festival de Cinema de Portugal no começo do próximo ano.
No mais, viva a vida!

sábado, 15 de novembro de 2014

A MOÇA E A BANDA

A miscigenação é a marca predominante na formação do povo brasileiro.
A nossa nação é constituída por gente de quase todo canto do mundo: Rússia, Japão, Índia, China, México, Portugal...
Depois que o marquês de Pombal determinou a extinção da Língua Geral, fragmentos de outras línguas permeiam hoje o nosso falar, especialmente a portuguesa e a árabe.
A nossa língua, chamada de portuguesa brasileira, é formada por cerca de 400 mil palavras.
Ao contrário do que já disseram intelectuais nos finais do século XIX e começo dos XX, o brasileiro não é um povo triste.
E também nós, brasileiros, não somos um povo quieto, acomodado, medroso e pacatíssimo, como descreveu no livro Raízes brasileiras, o seu autor, o sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda (1902 – 1982).
O citado livro foi lançado na década de 1930 e logo depois o doutor Sérgio reconheceu o que ele próprio afirmara.
Sim, somos um povo de paz aguerrido e de luta. A prova disso se acha no excelente Dicionário das Batalhas Brasileiras, de quase 1000 páginas, escrito e publicado a cerca de 15 anos pelo professor Hernâni Donato (1922 - 2012).
Insatisfeitos com a monarquia, militares revoltosos no Rio de Janeiro depuseram dom Pedro e no seu lugar puseram o alagoano Deodoro da Fonseca (1827 - 1892), chamado de Marechal de Ferro.
Isso aconteceu do dia 15 de novembro de 1889.
Deodoro foi o primeiro presidente da República do Brasil.
Hoje, sábado, é feriado.
Que tal?

A algumas décadas a cantora Inezita Barroso gravou um belíssimo LP, intitulado A Moça e a Banda. Nesse disco há uma dúzia de hinos, entre os quais o da proclamação da República. Ouça:

terça-feira, 11 de novembro de 2014

GOVERNO E CULTURA POPULAR

Eu conversava muito com Luís da Câmara Cascudo (1898 - 1986), um dos mais importantes estudiosos da cultura popular.
Eu também conversava muito com Mário Souto Maior (1920 - 2001), outro grande homem preocupado com a nossa cultura.
Cascudo era do Rio Grande do Norte e Mário, de Pernambuco.
Mas os dois partiram e o Brasil anda assim, assim.
Entra governo e sai governo e lhufas para a cultura popular. É como se os responsáveis pelos destinos da Nação fossem totalmente autossuficientes, ignorassem e, pior, tivessem vergonha do que e de quem somos. Foi não foi, lembro da omissão do governo Lula em relação à frase “o melhor do Brasil é o brasileiro”, de autoria de Câmara Cascudo, e foi não foi também lembro da frase estampada aí em cima do blog, que Dilma (ou seu ghost right) esqueceu de creditar como sendo de minha autoria.
A cultura popular é de fato muito importante não só para a memória de um país como também para a formação de uma nação.
Pois é, e outro dia bateu à minha porta uma francesa dizendo estar desenvolvendo uma pesquisa a respeito dos poetas repentistas brasileiros. Falei muito a respeito e ela aparentemente ficou encantada, gravando tudo o que eu falava e fazendo perguntas e perguntas e perguntas. A ela fiz ver da grandeza da poética desses violeiros. E indiquei vários deles.
Aproveitei para perguntar sobre os trovadores franceses e como eles andam hoje, especialmente no sul da França. Ela respondeu que eles já não existem. E disse mais: a cultura popular francesa, grosso modo, também não existe.
Lembrei do professor Raymond Campbell, que na década de 1970 veio ao Brasil para desenvolver um estudo a respeito do Sebastianismo, mas na última hora desistiu desse propósito e encampou o desafio de estudar a literatura de cordel feita no nosso País.
Fica o registro e a pergunta: não está na hora de o governo brasileiro mostrar a grandeza da nossa cultura popular?
  
GRAFITE
Fico sabendo a partir da minha filha Clarissa que o prefeito Fernando Haddad acaba de liberar espaços em toda a extensão da avenida 23 de maio para que os grafiteiros de São Paulo mostrem a sua criatividade. Isso também é cultura popular. Meus parabéns ao prefeito, pela iniciativa. Lembrar, não custa: um dos nossos maiores grafiteiros é o Kobra, que acaba de dar aos paulistanos um belíssimo painel retratando o compositor Chico Buarque de Hollanda e o mestre Ariano Suassuna. Esse painel (acima) se acha nas laterais da Senac Pinheiros, à rua Pedroso de Moraes.
Detalhe: é de autoria do mesmo Kobra a capa do livro A presença do futebol na música popular brasileira, de minha autoria. Essa capa é a primeira assinada por Kobra para um livro (ao lado).

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

NOITE DE ALEGRIA NO CANTO DA EMA


Da esquerda para a direita: RÔMULO, PAULINHO, JANAÍNA, ASSIS E ANA MARIA
A minha semana começou ontem à noite com muita festa e alegria em torno de amigos na casa paulistana de espetáculos O Canto da Ema, especializada em rítmos originários do Nordeste, como forró, xote e rojão.
Entre um chopp e outro, muita conversa agradável rolou com o empresário Paulinho Rosa e o economista paraibano Rômulo Nóbrega, que no inicio do ano que vem lançará uma biografia sobre o legendário compositor pernambucano Rosio Cavalcante, autor de grandes sucessos de Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga.
Ao mesmo tempo em que nos confraternizávamos, no anexo do Canto da Ema, a cantora Janaína Pereira, do Grupo Musical Bicho de Pé, fazia a alegria de centenas de pessoas dançando com desenvoltura em todo salão.
Janaína é uma das mais completas intérpretes da boa musica brasileira, com agenda cheia até o começo do próximo ano. Enquanto ela e o seu grupo se apresentam Brasil afora, o agendamento para turnê no Exterior vai se acumulando.
Este ano Janaína já se apresentou em Portugal, França e Alemanha, onde lançou Cds e Dvds com a chancela da gravadora Arlequim  - ROMANCE.

Amanhã a partir das 19h00min a jornalista Paula Dias estará lançando o seu primeiro romance: Suave, um Amor sem Limite. A autora autografará o livro em sessão especial no Restaurante Consulado Mineiro, localizado ali na Praça Benedito Calixto.

domingo, 9 de novembro de 2014

ASTRO DO RUGBY RECEBE BRASILEIRO

O campeão mundial de rugby de 1995 o sul-africano Chester Williams encontrou um tempo em sua concorrida agenda ao Brasil para receber o produtor artístico Darlan Ferreira, num hotel do bairro paulistano de Moema. Durante o encontro, ocorrido ha poucos dias, os dois conversaram sobre cinema e música. Ainda durante o encontro, representando o Instituto Memória Brasil, (IMB), Darlan mostrou em primeira mão ao astro da África o tributo musical Oh Sweet Madiba (Song For Mandela), dele próprio e Wagner Di Paula. Surpreso e emocinado, Chester Williams abriu um sorriso largo e elogiou: "It's nice".
Williams é o Pelé dos sul-africanos. (acima, exibindo um exemplar do livro A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira).
Em 2009 Chester Williams aparece no filme Invictus de Clint Eastwood.
Invictus é um drama biográfico estrelado por Morgan Freeman e Matt Damon.
A história é baseada no livro de John Carl "Conquistando o Inimigo"
(em inglês: in Playing the Enemy: Nelson Mandela). Que também retrata o jogo que fez uma Nação sobre os eventos na África do Sul antes e durante a Copa do Mundo de Rugby de 1995, organizada no país após o desmantelamento do apartaide.
Freeman e Damon são, respectivamente, o presidente sul-africano Nelson Mandela e François Pienaar, o capitão da equipe de rugby union sul africano, os Springboks.
O título Invictus pode ser traduzido do latim como "invicto", e é também o título de um poema do inglês William Ernest Henley.
Darlan Ferreira aproveitou o encontro para convidar Chester Williams a participar da gravação de Oh Sweet Madiba (Song For Mandela), composta em homenagem ao ex-presidente Nelson Mandela (1918-2013), no momento em que o mundo vê-se atônico com as notícias cada vez mais alarmantes em torno do mal Ebola.
Para lembrar o ex-campeão de rugby, clique:

ELIETE NEGREIROS
Como diria um amigo meu, na noite de Elite Negreiros teve mais artistas do que gente.
Pois é, na noite de beijação e abraçamento em Eliete compareceram Arrigo Barnabé, Carlos Rennó, Suzana Salles, Caito Marcondes, Eduardo Gudin, Passoca,  o cartunista Paulo Caruso e o crítico de música Zuza Homem de Melo, entre outras figurinhas de marca registrada.
O motivo do congraçamento foi o lançamento do disco Outros Sons, que originalmente foi á praça há exatos 32 anos no formato de lp.


Paulo Caruso e o diretor artístico da Kuarup, Rodolfo Zanker


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

KUARUP E O BRASIL MUSICAL

A Argentina é o país do tango, Portugal do fado, a França da valsa, a Itália da ópera, os Estados Unidos do rock, jazz e do blues e o Brasil... Bom, o Brasil é o país mais musical do mundo, com dezenas de ritmos, do chorinho à bossa nova, do baião à tropicália, do forró ao samba, passando por gêneros dos  mais diversos no correr dos últimos pouco mais de 100 anos, como o maxixe, o lundum, marchinha (de carnaval e de São João), moda de viola, cateretê, xote, xaxado;  sem falar do repentismo nordestino, do cururu paulista, do calango mineiro e do partido alto carioca.
O Brasil é o país das pérolas, como Carlos Gomes (o maior compositor operístico das Américas), Ary Barroso, Dorival Caymmi, Anacleto Medeiros, Pixinguinha, Tonga, Lamartine Babo, Chiquinha Gonzaga (a nossa maior maestrina), Luiz Gonzaga, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Caetano Veloso, Renato Teixeira e centenas e centenas de pedras preciosíssimas.
Mas os brasileiros desconhecem esse País tão rico, tão bonito, tão incrível.
Mas nem tudo está perdido, pois a esperança é um bichinho invisível que nos faz vivos para sempre, por isso jamais deverá morrer mesmo faltando, no caso, meios adequados para mostrar a rica musicalidade brasileira. Entre esses meios, estão -  ou deveriam estar – gravadoras para lançar as obras musicais em disco.
Mas há selos musicais insistindo trazer a tona obras registradas nos tempos do velho e bom vinil, como a Kuarup.
Aparentemente como quem nada quer, mas tudo querendo, a Kuarup, como a fênix surge do limbo trazendo no bojo alguns tesouros que agora ganham o formato de CD, como Taperoá, do paraibano Vital Farias; Tiro de misericórdia, do carioca João Bosco; Telma Costa, título homônimo da mineira; e Outros sons, da paulistana Eliete Negreiros.
Esses discos, cada um com seus gêneros são um bálsamo, uma alegria para todos aqueles que cuidam dos ouvidos e gostam de ouvir música de boa qualidade.
O dico Taperoá foi gravado originalmente entre dezembro de 1979 e março de 1980. Nele há belíssimas surpresas, como a faixa que o abre: Pra você gostar de mim, que eu ouvi do autor bem antes de ele a gravar. Nessa faixa tem até o grande Manduka – filho do poeta Thiago de Melo – tocando charango. No mesmo disco há faixas assinadas pelo poeta Salgado Maranhão, que estranhamente anda sumido, e Oswaldinho do Acordeon exibindo a sua sensibilidade genial.
O disco de João Bosco, o quarto da sua carreira,  é simplesmente uma obra-prima.
O disco de Telma Costa, o único da sua carreira e não se sabe porquê, é para ser ouvido,, ser ouvido, ser ouvido e dito ao vizinho, ao amigo, amiga e todo mundo que é excepcional, poi ela com a sua voz suave, bem colocada, não tem como não nos encantar.
O quarto disco dessa leva da Kuarup, Outros Sons,também  aparentemente não apresenta defeitos. É bom desde a faixa título, de autoria do compositor, arranjador e intérprete paranaense Arrigo Barnabé, um inquieto  experimentalista do ramo que escolheu para dar a sua contribuição ao Brasil, que é a música.
Arrigo tem um pouco de Tom Zé e de Lívio Tragtemberg.
Pois é, o Brasil precisa ser descoberto por todos nós, brasileiros.
Viva o Brasil!

Atenção: Hoje, a partir das 19h, haverá uma audição especial do disco de Outros sons na Livraria da Vila, à rua Fradique Coutinho, 915 , no bairro paulistano de Pinheiros.
Eliete e a Kuarup estão nos convidando para um bate-papo, regado com umas coisinhas. Você vai? Eu vou. 

domingo, 2 de novembro de 2014

HOJE É DIA DE CÉLIA E CELMA


Ontem foi Dia de Todos os Santos.

Hoje é dia de todo mundo e de todos orarmos por nós mesmos.

Hoje também é dia das mineirinhas Célia e Celma, da Ubá de Ary Barroso. Elas são gêmeas em tudo desde o nascimento ocorrido a 02 de novembro de 1952 – um domingo como hoje - e até em tudo que fazem, e fazem bem e bonito.

Célia e Celma afinadíssimas que nem sabiás e curiós são únicas na arte do canto.

Elas, que nem as sereias, encantam os ouvidos mais moucos.

Que se cuidem os navegantes desavisados e não é à toa que o exigente Geraldo Vandré as elogia com a espontaneidade de uma brisa que nos acarinha o rosto.

A dupla se apresentou em público pela primeira vez aos cinco anos de idade. E seguiu aos seis, sete, oito e até hoje por todo Brasil e fora do Brasil, cantando em espanhol, inglês, inche e até em japonês, e em português são imbatíveis. A dupla esteve no Japão, China, Itália e noutros lugares deste mundinho besta.

Além de cantoras, com vários discos gravados, as duas já publicaram livros e há anos assinam uma coluna de impressões pessoais num jornal de Ubá.

Elas também atuaram como atrizes. Na TV Manchete, por exemplo, elas viveram as personagens Luminosa e Iluminada na novela A História de Ana Raio & Zé Trovão (abaixo).

Isso em 1994.

Dez anos antes, elas realizaram temporada musical com grande sucesso ao lado do lendário Cauby Peixoto.

Emfim, a história de Célia e Celma é uma história comprida.

Viva Célia e Celma!


 
PETER ALOUCHE

 
Peter comigo e Paulo Vanzolini (1924 - 2013)
 
Um engenheiro egípcio naturalizado brasileiro Peter Alouche, ex-professor do Mackenzie e da FAAP, esteve ontem no Instituto Memória Brasil conversando sobre cultura popular. Peter, formado em letras pela Universidade de Nancy, França, é também um surpreendente cultor da literatura de cordel; inclusive, com folheto publicado. Ele tem também, em parceria com o cantor e compositor Téo Azevedo, um belíssimo tributo musical dedicado à cidade de São Paulo.

sábado, 1 de novembro de 2014

A TRAGÉDIA DO ABANDONO

É nas intempéries ou marolinhas que em segundos se transformam em tsunamis que vêm a tona os reais valores humanos.
Nos momentos difíceis tudo se complica: o sol nasce escuro e a noite se enche de pernilongos. Na mente de quem vive esses tempos, só confusão.
As intempéries, porém, passam como passam os inimigos e as más notícias.
As intempéries são filhas do absurdo, denominadas mentiras, omissões, traições.
Histórias de intempéries ou mal tempo estão todas estampadas na Bíblia, bem grande.
Há uns dois mil anos, um cara traiu outro. Em 1954, atirado na solidão da madrugada, o presidente Vargas, traído, deu um tiro no peito. E aí o povo jamais o abandonou...
No último impeachment ocorrido por estas bandas, as massas abandonaram Collor.
 Diógenes cercado por cães - por Jean Leon Gerome
E traição por traição, Sarney fez o que fez com Dilma: a ela jurou amor, mas na hora H, na urna, optou por Aécio.
Na Grécia antiga, o cego Diógenes, discípulo de Antístenes, que foi discipúlo de Sócrates, andava pelas ruas, em pleno dia com uma lanterna acesa - ao seu lado, protegendo-o, inseparáveis cães, que jamais o abandonaram.
Ele gozava dos poderosos e andava à procura de um homem honesto. Não consta que achou, mas essa é outra história.

VISITA AO IMB:
Ontem no final da tarde, o cantor e compositor Cacá Lopes esteve no Instituto Memória Brasil acompanhado do cordelista Marco Haurélio.
Tivemos uma longa conversa. Haurélio é autor de cerca de 40 livros sobre cultura popular. 

Fica o registro. 

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