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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O RAPAZ DA RAPAZIADA DO BRÁS FAZ 85. VIVA!

O ex-procurador de Justiça do Estado de São Paulo, o paulistano do Brás Alberto Marino Júnior completa amanhã 85 anos de idade. Ele é o autor da letra para a primeira música dedicada a um bairro da capital paulista, Rapaziada do Brás, composta por seu pai Alberto Marino na noite de 20 de novembro de 1917 e lançada no ano de 27 pelo Sexteto Bertorino Alma, através do selo fonográfico Brasilphone.
A musa inspiradora da melodia foi Ângela Bentivegna, com quem o autor se casaria em 1924. Desde então, quase uma vintena de músicas foi lançada à praça com títulos parecidos: Rapaziada do Bom Retiro, Rapaziada da Liberdade, Rapaziada do Ipiranga, Rapaziada do Centro, Rapaziada do Pari, Rapaziada das Perdizes, Rapaziada de Santana etc., mas a que ficou para a eternidade foi Rapaziada do Brás.
Mas são muitas as músicas que tratam da cidade de São Paulo. No total, até agora, contabilizei mais de 2,7 mil títulos.

São Paulo é Paulo
Lá eu chego já
Quem não gosta de São Paulo
De que é que vai gostar?

Eu ouvi esses versos, nunca gravados, cantados por seu autor Manezinho Araújo, o rei da embolada, numa de minhas idas a sua casa, ali na Rua Augusta.
O engenheiro e poeta Peter Alouche, bacharelado em Letras pela Universidade de Nancy, França, ex-professor do Mackenzie e da FAAP, hoje consultor gabaritado da área de transportes do GTT Grupo Trends Tecnologia, de São Paulo, também escreveu:

Vim de terras bem longínquas
Abrigar-me no teu calor;
Fugi da fome de solos áridos
Fugi de guerras de almas secas;
Vim da Sicilia, vim do Japão
Sou português, sou catalão,
Sou libanês, perdi meu chão...

Chão esse que encontrou em São Paulo, caopital.
Os versos integram o poema São Paulo de Todos Nós, musicado e gravado por Téo Azevedo, em 2003.
São Paulo também aparece num texto poético que nem o autor, Paulo Vanzolini, lembrava mais e que encontrei entre livros e discos do meu acervo. Um trecho:

Nesta cidade de São Paulo,
Neste meu berço, nesta minha arena,
Eu sou na noite uma espécie de poeta
Das menores e mais fáceis
Que sai sem rumo e volta sem destino
Traçando o chão por força do costume
E não faltando no braço ao dia a dia...

São Paulo guarda verdadeiros tesouros na boca do povo.
Clássicos, além de Rapaziada do Brás?
Alguns:
- Trem das Onze, de Adoniran Barbosa.
- Ronda, do citado Vanzolini.
- Lampião de Gás, de Zica Bérgami.
- Eh São Paulo, de Alvarenga e Ranchinho.
- Silêncio no Bixiga, de Geraldo Filme
- São Paulo Meu Amor, de Tom Zé.
- O Tempo e a Hora, de Billy Blanco.
A letra da valsa Rapaziada do Brás, considerada irretocável pelo autor, foi feita num fim de semana a pedido do cantor argentino naturalizado Carlos Galhardo, que a gravou no dia 19 de agosto de 1960, nos estúdios da RCA Victor, e a lançou em outubro do mesmo ano.
Parabéns a Alberto Marino Júnior.
São Paulo tem motivos para estar em festa, por ter filho tão ilustre.
Outro dia, eu disse que cheguei a entrevistar o Bandido da Luz Vermelha para a Folha de S.Paulo, jornal em que trabalhei como repórter. A propósito, um dos filhos de Alberto Marino Jr., Roberto, mandou o seguinte e-mail:
“Sobre o bandido da Luz Vermelha, quem assinou a sentença de libertação dele foi meu irmão, Alberto Marino Neto, quando era juiz das Execuções Penais.
Uma coincidência, pois quem funcionou como promotor, no Tribunal do Júri, quando o Luz Vermelha foi condenado, foi meu pai, Alberto Marino Júnior, que estará completando 85 anos nesta quarta-feira, 12 de novembro.
A letra da valsa famosa é esta:

Lembrar,
Deixe-me lembrar,
Meus tempos de rapaz,
No Brás.
As noites de serestas,
Casais de namorados,
E as cordas de um violão,
Cantando em tom plangente,
Aqueles ternos madrigais.
Sonhar,
Deixe-me sonhar,
Lembrando aquele amor,
Fugaz,
Uma sombra envolta na penumbra,
Detrás da vidraça,
Faz um gesto lânguido,
E cheio de graça,
Imagem de um passado,
Que não volta mais.
Tão somente
Uma recordação,
Restou daquele grande amor,
Daquelas noites de luar,
Daquela juventude em flor,
Hoje os anos correm muito mais,
E as noites já não tem calor,
E uma saudade imensa,
É tudo quanto resta
Ao velho trovador.

PS - Alberto Marino Júnior aparece acima num clic de Andrea Lago, ao lado de Paulo Vanzolini (de chapéu), na memorável noite de 2 de abril do ano passado, quando foi lançado o livro São Paulo Minha Cidade, na Sala São Paulo. Através do site www.saopaulominhacidade.com.br podem ser acessados o texto poético de Vanzolini, interpretado por ele mesmo, e todo o conteúdo do livro e do CD que produzi e que o acompanha como encarte.

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ARTISTA DE MOMENTO 1
E o caso da menina cliente da Uniban, hein? Daqui a pouco vai ser chamada pra Playboy. E pra gravar disco e pra apresentar programa de rádio, TV, essas coisas. Os tempos corridos de hoje são assim. A Uniban pisou na bola. Que coisa!

ARTISTA 2
Recebo e-mail informando da vida de Frank Aguiar no cinema. Eita! Terezina parou hoje pra assistir a movimentação cinematográfica. É o sucesso.

ARTISTA 3
Bons tempos em que arte era produto verdadeiro, e de artista.

APAGÃO
O Brasil escureceu ontem todinho. A americana rede de televisão CBS disse domingo em ampla reportagem que isso poderia acontecer. Coisa de hackers. Se eu fosse o governo, contrataria os hackers Os cabras são bons e poderia ajudar no sentido de detetar as fragilidades do sistema. Aliás, dos sistemas político, elétrico...

7 comentários:

Júbilo Jacobino disse...

Assis, ninguém me tira da cabeça que essa UNIBAN só expulsou a garota para dar Ibope, aproveitar os olofotes da imprensa bobona e vir a público no dia seguinte, em coletiva, com introdução, pompa e circunstância, revogar a decisão. Agora eu me pergunto, será que a imprensa não percebe essas manobras de MKT? Será que a imprensa também não gosta disso? Esse caso está me cheirando ao da pobre e fictícia Geni, em quem hoje se joga bosta na Geise, amanhã se compra a Playboy da garota e só depois de amanhã, quando não poderemos mais lucrar nada com esse assunto, nós a deixamos em paz, provavelmente no esquecimento deste que foi em sí, um fato lamentável.

Júbilo Jacobino disse...

Ah, esqueci de comentar que no dia daquela foto do Paulo Vanzolini com o Alberto Marino Júnior eu também estava lá na Sala São Paulo e tive várias emoções fortes naquela noite, sendo a maior delas a da Orquestra Sinfônica Estadual executando a música Sinfonia Paulistana do Billy Blanco.

Marco Antonio Zanfra disse...

Me diz uma coisa aí, você que conhece tudo: temos também, por acaso, alguma música para a "Rapaziada de Pirituba"?

Assis Ângelo: disse...

Não, Marco.
Ainda não foi composta nenhuma música com o título sugerido por vc. Mas há músicas que falam de Sampa feitas por moradores de Pirituba. Algum forró e bastante rap. O grupo de hip-hop RZO, por exemplo, tem várias, como Pirituba, Gosto de São Paulo e Todos são Mano.

Assis Ângelo: disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marco Antonio Zanfra disse...

Hip-hop?! Rap?! Eu falei MÚSICA, companheiro!

Assis Ângelo: disse...

Isso, Marco! Que música? E sobre o axé baiano, o Manezinho Araújo rei da embolada me dizia que aquilo é som para vender desodorante. Não tem melodia e nem letra. Barulheira pura, para pirar; lavagem cerebral, essas coisas.

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