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quarta-feira, 26 de julho de 2017

VAQUEJADA, PEGA DE BOI E FORRÓ

O nome de Temer ardeu nas fogueiras juninas do Nordeste de Meu-Deus-do-Céu. Queimou que fedeu, entre paus e gravetos de segunda linha. E queimou e fedeu até no último domingo, 23, em Serrita, PE.
Em Serrita, cidade sertaneja localizada há pouco mais de 500 km da capital pernambucana, umas 70.000 pessoas tomaram cachaça, comeram carne seca, rabada e buchada até o sol por de volta sua cara por aquelas bandas. Esse povo todo curtiu vaquejada, pega de boi e forró com o paraibano Flávio José e forrozeiros da região.
Foi bonita a festa, pá.
Desde 1971, Serrita vem se transformando no palco da maior missa campal do Brasil, quiçá do mundo. É festa religiosa e profana, inspirada no assassinato do vaqueiro exuense Raimundo Jacó, ocorrido no dia 08 de julho de 1954.
Raimundo, nascido no dia 16 de junho de 1912, era primo legítimo do rei do baião Luiz Gonzaga.
A missa realizada domingo passado foi a 47ª.
A Missa do Vaqueiro foi criada pelo poeta repentista Pedro Bandeira, paraibano, e pelo já referido Luiz Gonzaga, e a primeira celebração realizada pelo Pe. João Câncio (1936-1989).
Lembro-me de Luiz Gonzaga contando a história do seu primo em entrevista que publiquei no extinto suplemento dominical da Folha de S.Paulo. Enquanto falava, Gonzaga emocionou-se várias vezes. Chorou, mesmo. Ele tinha pelo primo um respeito e encantamento profundos. Tão profundo e respeitoso que chegou a compor e a gravar uma belíssima música em sua homenagem. Esta:


Lembro-me também de João Câncio, a mim apresentado noutra ocasião em São Paulo, Capital. João abandonara a batina para casar-se. Assisti o abraço forte, afetuoso entre os dois. Gonzaga prometera ao amigo um "anel de doutor", pois ele acabara de concluir o curso de Direito. Quanta história!
Raimundo Jacó transformou-se numa lenda. Já era uma lenda, segundo o primo Gonzaga. Jacó parecia falar a mesma linguagem do gado. Sabia até os pontos exatos em que pastavam e se escondiam e fácil, fácil, localizava com presteza as reses perdidas. Aliás, foi a busca por uma rês perdida que o levou à morte: Um cabra o matou por inveja. Foi acusado formalmente, mas não condenado por falta de provas. Seu nome: Miguel Lopes.
Nessa história havia um cachorro, um vira lata que ia prá todo o canto com o seu dono, Raimundo Jacó. Depois de o corpo do seu dono ser localizado, velado e sepultado, o cachorro permaneceu por vários dias à beira do túmulo, sem beber e sem comer nada. morreu ali. A história é triste, acompanhe:



BRINCANDO COM A HISTÓRIA (39):



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