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domingo, 6 de agosto de 2017

JOÃO RUBINATO GRAVA INÉDITAS DE ADONIRAN

Hoje, o dia amanheceu frio, normal. Estamos na cidade das quatro estações ao mesmo tempo, São Paulo. Adoniran Barbosa adorava São Paulo. Ele era de Valinhos, SP, e deixou uma obra ligada intrinsecamente à cidade dos paulistanos e do mundo todo, que é a Sampa em que vivemos.
É de Adoniran o clássico popular Trem das Onze, gravado em 1964, pelo grupo paulistano Demônios da Garoa.
O Demônios da Garoa encontrou em Adoniran a sua cara e, de tabela, a cara da Capital paulista.
A parceria de Adoniran e Demônios começou na década de 1950 e durou até 68,70. Detalhe: Adoniran e Demônios nunca se apresentaram juntos e também nunca gravaram uma música juntos. Esquisito, não? E querem saber o motivo? Pois bem, cá está: Essa parceria não se concretizou por uma razão: Adoniran não aceitava receber em partes iguais, queria mais um pouco e nesse ponto nunca chegaram a um acordo.
Adoniran Barbosa era um péssimo cantor e como instrumentista, a rigor, nunca existiu, mas era melodioso. Suas letras já nasciam com melodia, que ele extraía de uma caixa de fósforos ou batucando numa mesa.
Adoniran Barbosa veio ao mundo no dia 06 de Agosto de 1910 e partiu em novembro de 1982.
Eu conheci bem Adoniran. Conversávamos bastante nos bares da cidade. Ele gostava de beber uísque Passport, um horror! E fumava muito, embora não gostasse de gastar dinheiro com cigarros e também com bebidas que passarinho não bebe. 
Em novembro de 1980, exatos dois anos antes de ele morrer, publiquei uma conversa nossa na extinta revista Homem, edição nº 27. Ele deixou muitas músicas inéditas. Uma parte já foi gravada por vários artistas como Tom Zé e Passoca e agora outra parte inédita de Adoniran chegará à praça ainda este ano, por iniciativa do músico e pesquisador musical Tomás Bastian, do conjunto João Rubinato. Esse conjunto, que tem oito integrantes, está dando retoques finais ao cedê Adoniran em Partitura. Desse disco participa Gregory, do paulistano grupo Gato com Fome.
Algumas músicas do disco: Minha Vida se Consome; Socorro; Teu Sorriso e Mamaô, respectivamente os dois primeiros sambas, uma marcha e um ponto de macumba.
Coisa boa vem aí, portanto. Fiquem ligados.

A obra de Adoniran é, como toda boa obra, imortal.
Quem conhece a obra de Adoniran Barbosa, os bons ouvintes mais de ontem, continuam cultuando-a, e os mais novos, de hoje, estão eufóricos descobrindo o talento de Adoniran. Exemplo? O músico Paulo Miklos, do Titãs, estrelou um curta intitulado Dá Licença de Contar, no papel de Adoniran. O mesmo Miklos promete levar levar à frente o projeto de transformar a história de Adoniran em um longa metragem. Adoniran Barbosa foi o sambista popular de São Paulo e Paulo Vanzolini, o erudito.





Um comentário:

o mesmo disse...

Que legal. Adorei saber que ouvirei músicas inéditas do Adoniran. Sou sua fã de carteirinha. Muito bom também saber que existe um projeto para um filme sobre ele.

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