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quarta-feira, 6 de julho de 2022

CONGRESSO DE MALANDROS

No momento, e já faz tempo, o Brasil e os brasileiros estão no mato sem cachorro. Penando. E os políticos, grosso modo, estão fazendo tudo para que tal situação permaneça.
Os caras do Centrão estão, que nem irmão siameses, juntinhos e inseparáveis em torno do orçamento secreto. Comportam-se como "Maria-vai-com-as-outras". Fazem o que desejam seus chefes. Basta ver o que ocorre na Câmara e no Senado.
É muita malandragem. Fazem tudo pra não perder a boquinha.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, executa com minúcias os desejos políticos do aloprado Bolsonaro. Está ora em andamento para aprovação a tal PEC "kamikaze" ou "vale-tudo". Essa PEC passa por cima de tudo quanto é lei violando a Constituição.
PEC significa Proposta de Emenda à Constituição. Segundo a proposta:
O plano do governo Bolsonaro, a três meses das eleições, prevê aumentar o valor do chamado Auxílio Brasil de R$ 400,00 para R$ 600,00; dobrar o valor do Auxílio Gás recebido bimestralmente, para R$ 120,00, e ampliar os recursos para o programa Alimenta Brasil (que financia a aquisição de alimentos para doação a famílias de baixa renda)... Quem pode ser contra isso?
O problema é que isso só valerá até o final deste ano, isto é, até o final das eleições. 
A PEC ainda prevê beneficiar caminhoneiros e taxistas. Hmmm... 
Ao fim e ao cabo serão mais de 40 bilhões de reais acrescidos aos gastos públicos federais. 
Os brasileiros estão sofrendo sim. E no final tudo recairá sobre nós mesmos.
À propósito a PEC Kamikaze já passou com facilidade pelo Senado.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, está se preparando para matar no peito a proposta de instalação de uma CPI para apurar as irregularidades ocorridas no Ministério da Educação e Cultura, MEC. Corrupção e tal. Pacheco vai ler a proposta de abertura da CPI hoje ou amanhã, mas só será instalada, se for, após as eleições de outubro. E aí já viu, né? Vai ter CPI do MEC coisa nenhuma. E nós que nos lixemos!
Isso pode dar judicialização. Há precedentes no STF.
Em 2005 o ministro Celso de Melo, hoje aposentado, determinou  ao então presidente da Casa dos Senadores, Renan Calheiros, que abrisse uma CPI para apurar as safadezas que rolavam em torno dos bingos. E assim foi feito.
Bom, o Coringão ganhou ontem na Argentina às 23:51, nos pênaltis, do Boca Junior e passou às quartas de final da Libertadores da América. 
Acho que foi Nelson Rodrigues quem disse um dia que futebol é, além da "alegria" do povo, o "ópio" do povo.
Então, tá.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

SEM BALÃO NO CÉU

 Em vários pontos do País, o São João ainda não terminou. Caso de São Paulo, Paraíba, Pernambuco, Bahia e não sei mais aonde.
Em São Paulo criminosos costumam soltar balões, ameaçando a Natureza e a natureza das coisas.
Ontem 3 foram vistos vários balões nos arredores do aeroporto de Guarulhos. Um perigo dos infernos!
Ontem 3 também foram vistos balões soltos no Jaguaré, Butantã e Ipiranga.
No bairro do Ipiranga, zona Sul da Capital paulista, balões foram postos a passeio sobre o museu que tem reinauguração prevista pra setembro, quando o Brasil comemorará 200 anos de independência de Portugal.
Soltar balão dá cadeia, independentemente da época em que criminosos o soltam. A propósito Téo Azevedo e eu compusemos há uns 15 anos a marchinha junina Sem Balão no Céu, que o cantor Emídio Santana gravou em disco. Ouçam:

domingo, 3 de julho de 2022

JOSÉ NÊUMANNE, UM CRAQUE DAS LETRAS (2, FINAL)

Assis e Nêumanne no lançamento do livro
Lua Estrela Baião − A História de Um Rei
Durante muito tempo eu e Nêumanne frequentamos ambientes, como a Livraria Cultura, onde se achavam grandes figuras da vida cultural brasileira como Arnaldo Xavier, Fernando Coelho, Roniwalter Jatobá, Mário Chamie (1933-2011), Marcos Rey (1925-1999) e Lygia Fagundes Telles (1918-2022).
Circulei por vários jornais, TVs e emissoras de rádio.
Deixei a TV Globo para assumir a chefia da assessoria de imprensa da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Por lá fiquei pouco tempo, pois Nêumanne queria-me na sua equipe de política do Estadão. E lá fui eu chefiar a editoria de Política do famoso jornal criado em 1875 por um grupo de liberais republicanos.
Tempos agitados e Nêumanne firme, fazendo história.
Em breve depoimento, narra Nêumanne:
A vida de jornalista profissional me encaminhou para a política quando assumi a editoria dos assuntos no Estadão a convite do editor Miguel Jorge em 1986. Antes fui repórter de polícia no Diário da Borborema de Campina Grande e da Geral na Folha de S.Paulo, tendo me mudado para a sucursal de São Paulo do Jornal do Brasil. Fui para a sede do jornal no Rio para assumir a secretaria e depois a chefia da redação. Voltei para a Sucursal, quando recebi o convite para o Estadão, onde, depois, seria editorialista daquele diário e depois chefe dos editorialistas do Jornal da Tarde. Quando este fechou, tornei-me editorialista do Estadão, até sair da empresa em 2 de fevereiro de 2021. Como editor de Política, cobri a Assembleia Nacional Constituinte, ocasião em que a atividade política no País deixou de ser um serviço público e passou a ser um negócio sórdido. A consciência disso e a virada para comentarista na rádio Jovem Pan e na Eldorado e também nas emissoras de TV das Redes Manchete e SBT e da TV Gazet me tornou uma figura solitária no jornalismo brasileiro. Não me considero um jornalista imparcial, porque tenho lado, o do cidadão e contribuinte. Mas, sim, independente, livre de amarras com governo, partido político ou ideologias. É nessa condição que exerço o jornalismo hoje em vídeos diários no canal José Nêumanne Pinto no YouTube.

Uiraúna é uma pequena e bela cidade do Alto Sertão paraibano. Fica a cerca de 470 km da capital, João Pessoa. É conhecida por suas bandas de música. José Nêumanne Pinto, pai de quatro filhos, é o cara mais famoso de lá.
Vocês já ouviram Nêumanne declamar? Se sim ou se não, ouçam-no: 

LEIA MAIS: PINTO NOVO QUER BRIGARO NOBEL E O JOSÉ NÊUMANNE PINTOA PENA ANTENADA DE JOSÉ NÊUMANNEJOSÉ NÊUMANNE, LUIZ GONZAGA E VIRADA CULTURAL

sábado, 2 de julho de 2022

JOSÉ NÊUMANNE, UM CRAQUE DAS LETRAS (1)

Assis e Nêumanne, por Fausto Bergocce


É poeta esse Pinto
Como o Pinto de Monteiro
Com viola ou sem viola
Com rabeca ou sem pandeiro
Esse Pinto quando pinta
Faz bagunça no terreiro

É metido esse Pinto
Em todo canto quer estar
Mexe daqui, mexe dali
Já marcando o seu lugar
Esse Pinto não é mole
Nem cresceu, já quer brigar

Esse Pinto já tem pinta
Pra com ele vadear
Vadeando ele vai
Todo ancho a rebolar
Ai, ai, ai, que Pinto besta!
A onde ele quer chegar?

(PINTO NOVO QUER BRIGAR, letra de Assis Ângelo e música de Jarbas Mariz)

Antes de mais nada é bom que se diga que o paraibano de Uiraúna José Nêumanne Pinto é um gigante do jornalismo brasileiro. Sabe de tudo e um pouco mais, especialmente de política.
Admirado e premiado o tempo todo, Nêumanne é simples, gente da gente. Olho no olho, com ele nos identificamos em quaisquer cenas da vida. Facilmente.
Quando pedi ao cartunista Fausto que fizesse uma ilustração para o texto que estava escrevendo, este, foi rápido: “Ótimo, ótimo, deixa comigo!”.
Fausto conheceu Nêumanne em 2006, quando estava lançando o livro de cartoons Traço Extra. Foi no Estadão, lembra, “apresentei-me dizendo que era seu fã”.
José Nêumanne, como todos nós, foi menino. Sonhador. Perguntei-lhe outro dia de suas lembranças juninas. E ele: “Na infância, eu adorava os arraiais de São João porque a quadrilha era o único estilo que eu sabia dançar. Depois de adulto, o forró tornou-se ritmo por excelência em Campina Grande e pude, então, lançá-lo, como fazia quando criança. Também fui adepto da culinária e dos folguedos juninos em torno das fogueiras”.
Jornalista com carreira iniciada no Diário da Borborema, de Campina Grande, PB, Nêumanne muito cedo foi atraído pela cultura de sua terra, incluindo as grandes datas de São João, Natal e Carnaval. E muito cedo também decidiu trocar Uiraúna e Campina Grande pelo mundo desconhecido chamado São Paulo, espécie de El Dorado. Um puta desafio!
Na Capital paulista, pintou e bordou. Trabalhou nos principais jornais da cidade: Folha e Estadão.
Paraibano que sou também, de João Pessoa, eu o reencontrei ali pelos meados dos anos de 1970, em Sampa. À época, ele era o bambambam da sucursal do Jornal do Brasil, que funcionava ali na avenida São Luís. Não lembro o andar, mas lembro da boa conversa que tivemos e até saímos para um

cafezinho na esquina. Na ocasião me perguntou se eu topava fazer uma ponta como repórter de um filme que estava sendo rodado por cá. Agradeci e pulei fora. Lembro-me ainda daquela primeira conversa, entre ele e eu: nesse reencontro eu carregava comigo um exemplar do romance Angústia, do alagoano Graciliano Ramos. Livro de teor existencialista. Uma pancada na cabeça de quem sofre, mas lindo.
Eu sempre andei com livros e revistas, para ler nos ônibus, táxi, metrô. Sempre foi assim.
E ele: “Eu não sabia que você gostava do Graciliano”. Gosto, eu disse. E adoro o Vidas Secas, dos anos 30.
Eu sempre gostei dos romances regionalistas, de autores como Zé Lins e Zé Américo. A Bagaceira é uma jóia, um marco do romance regionalista.
Eu comecei a minha carreira profissional no jornal O Norte. Fui editor de Local do jornal Correio da Paraíba e colunista do terceiro mais antigo jornal do país, A União. Mas essa é outra história.
Sempre ousado, José Nêumanne Pinto desbravou veredas na dita “terra da garoa”.
Jornalista famoso, Nêumanne achou de burilar palavras e transformar a vida em versos. Já escreveu vários livros com poemas incríveis. Entre esses Barcelona, Borborema; As Tábuas do Sol e Solos do Silêncio (acima).
E como se ainda não bastasse, inventou de fazer parcerias musicais com nomes como Gereba, Théo Azevedo, Capenga, Mirabô e Zé Ramalho.
Em 1999, Zé Ramalho e eu interpretamos juntos o poema de Zé Nêumanne intitulado Desafio de Viola Repentina e Guitarra Cética. Uma jóia. A produção dessa faixa coube a Robertinho de Recife e os demais poemas do repertório à Téo Azevedo.

Perguntei-lhe porquê tanta diversidade. E a resposta foi uma risada.
São muitas as histórias em que se acha Nêumanne. Histórias bonitas, muitas delas cheias de graça.Lembro, por exemplo, da história de um bode. Eu, Nêumanne e Ronaldo Cunha Lima (1936-2012), ex-governador da Paraíba.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

DIA DE ALBERTINHO FORTUNA

Cá no Brasil, o campo político está minado. Minadíssimo. Qualquer passo em falso, explode.
Bolsonaro é o sujeito que está levando o nosso país ao buraco mais profundo.Sem fundo. Ai de nós.
Mas não é exatamente sobre isso que eu quero agora falar. Pois, pois, vamos de leve com o andor. É de barro.
À propósito, Barro é o "sobrenome" que o compositor carioca Carlos Alberto Ferreira Braga, Braguinha (1907-2006), deu ao seu alter ego João.
Com a assinatura João de Barro, Braguinha deixou muitas e muitas composições lindíssimas.
Mas ainda não é de Braguinha que também quero falar.
Você já ouviu falar em Albertinho Fortuna?
Esse Fortuna era um português nascido na região do Porto e muito cedo chegou ao Brasil no colo dos pais. Tinha menos de um ano de idade. Cresceu em Niterói, RJ, e ainda jovem enveredou no campo musical. Virou cantor. Gravou a primeira música pela extinta Victor, no ano de 1944. Título: Ai que saudades da Amélia, de Ataulfo Alves e Mário Lago.
Muita gente pensa, até hoje, que a música de Ataulfo e Mário foi baseada em personagem real: "Não foi!", disse-me um dia Mário. Uma mulher chamada Amélia apareceu numa reportagem da revista O
Cruzeiro dizendo que era a Amélia da nossa música.
Albertino Fortuna, de batismo Alberto Fortuna Vieira de Azevedo, trilhou uma longa carreira e legou à posteridade um extenso repertório musical. Não compôs nada, mas cantou muito. E cantou em todo canto, principalmente nas boates de seu tempo.
Em 1952 Fortuna lançou um disco bonito reunindo, em pot-pourri as músicas Copacabana, Feitiço da Vila e A Saudade Mata a Gente, assinadas por João de Barro, Alberto Ribeiro, Noel Rosa e Antonio Almeida.
Entre as tantas gravações que deixou, acha-se uma curiosidade: Esperança, assinada pelo "Velho Guerreiro" Chacrinha e Nestor de Holanda, que era jornalista.
Não sei bem por que, mas essa música faz-me lembrar a minha querida e sábia avó Alcina. Ela costumava dizer, com a serenidade dos santos , que "Quem corre cansa, quem anda alcança".
A música de Chacrinha e Nestor fala de um par de jovens estudantes que vivem, ele principalmente, de esperança. Lá pras tantas ele diz: "Vamos viver de esperança/Quem espera sempre alcança...". Ouça: ESPERANÇA
Albertinho Fortuna nasceu num dia como hoje, 1º de julho.

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