Seguir o blog

quinta-feira, 24 de maio de 2018

LUIZ GONZAGA E A GUERRA DO PARAGUAI

O mês de maio de 1968 foi muito importante no mundo inteiro.
Importante sobre todos os aspectos. A mulher, em tese, liberou-se rasgando sutiã e mandando tudo para o inferno. E junto com isso, galhardamente, inventou uma linguagem nova para ser reconhecida perante a sociedade machista.
Ainda maio de 68: Guerra no Vietnã, com meu amigo José Hamilton Ribeiro cobrindo os horrores da vida. Nessa brincadeira, digamos assim, ele deixou uma perna na terra vietnamita e história para o povo livre. Viva Zé, um mestre. Mestre em todos os sentidos, principalmente no campo da Cidadania. Pois, pois. O maio de 68 existiu pra lascar!
Luiz Gonzaga do Nascimento, que o Brasil e boa parte do mundo guardou e guarda na memória como Lua, Rei do Baião, nasceu no dia 13 de dezembro de 1912.
O dia 13 de dezembro marcou todos nós, brasileiros, por ter sido o dia da decretação do ato institucional,  AI 5, pelos militares que assumiram o poder à época.
E o que é que o Rei do Baião tem a ver com isso?
Em 1968, Luiz Gonzaga gravou a guarânia Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores (Caminhando), do paraibano Geraldo Vandré.
Em 1968 Luiz Gonzaga conheceu a advogada Edel Zuita Rabelo. Ela seria o seu grande amor pra vida que lhe restava.
Eu disse que Luiz nasceu em 1912. Isso é história.
Luiz não gostava de viajar fora do Brasil.
No dia 7 de maio de 1982 ele tinha 69 anos, 4 meses, 3 semanas e 4 dias de idade. Nesse dia no Le Bobino, em Paris, ele fez um belíssimo espetáculo ao lado da cantora nortista, de Xapuri, Nazaré Pereira. Grande Nazaré! Foi ela quem me contou isso, num dia de manhã no seu apartamento em Paris.
O Gonzaga me contava mil histórias, verdadeiras e do arco da velha. Verdadeiras foram, grosso modo, muitas da sua vida. Vida marcada por episódios, os mais diversos.
Numa entrevista que fiz com ele para o suplemento extinto Folhetim, do paulistano Folha de S.Paulo, ele contou que participou de várias guerras Brasil afora, desde a deflagração da Revolução de 1930. Como soldado, lutou em São Paulo, Mato Grosso etc.
Clique: http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular04.pdf  

GUERRA DO PARAGUAI
Datas são datas, história é história. Hoje 24 de maio faz um tempão que o Exército brasileiro pôs de joelho o Paraguai. Nessa data, o bravo Duque de Caxias enfrentou a tropa de Solano Lopes. Umas cem mil almas foram parar no céu, na ocasião. Isso ocorreu ao largo do lago o mar Tuiuti. E tudo começou, essa guerra toda, no dia 13 de dezembro de 1864. Durou até março de 1870, com a morte de Lopes.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

HOJE 25 ANOS SEM MANEZINHO ARAUJO...



O pernambucano de Cabo de Santo Agostinho Manezinho Araújo foi um dos mais importantes artistas da música popular brasileira. Foi cantor e compositor. Descoberto por Carmen Miranda. Compôs e gravou em diversos ritmos musicais e teve parceiros como o alagoano Augusto Calheiros, o Patativa do Norte. Compôs toadas e sambas e ficou conhecido como o Rei da Embolada. Suas primeiras gravações, Minha Prantaforma (6 de abril de 1933) e Se eu Fosse Interventô (11 de Abril de 1933) foram feitas nos estúdios da Odeon, no Rio de Janeiro. Muita gente boa gravou música de Manezinho, incluindo o rei do Baião Luiz Gonzaga. Toda a obra de Manezinho Araujo se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB. Manezinho nasceu no dia 27 de setembro de 1910 e morreu em São Paulo, no dia 23 de maio de 1993. Curiosidade: Manezinho um dia brigou com Luiz Gonzaga. Imagina, Assis, "o Luiz queria me ensinar a cantar, e aí brigamos. E gravei como eu queria. E ele gravou tudo também como ele queria". Claro, fui conferir com Gonzaga essa conversa. Perguntei sobre essa história e Gonzaga caiu na risada e disse -foi isso mesmo.



terça-feira, 22 de maio de 2018

ALBERTO DINES NÃO MORREU



Os relógios de São Paulo marcavam 7:15 h. Nessa hora o coração do jornalista carioca Alberto Dines parou. Parou no dia do abraço, que é hoje. De vida eu tinha meses no ano em que Dines estreou no jornalismo: 1952. O africano Mia Couto, jornalista e escritor, nasceria 3 anos depois.
O que é que tem a ver Alberto Dines com Mia Couto?
Hoje de manhã terminei de ouvir o primeiro romance do jornalista, poeta e romancista, Mia Couto. Título: Terra Sonâmbula (capa ao lado), lançado aqui pela Companhia das Letras. É de 1992.
Terra Sonâmbula é história que se passa na Moçambique arrasada desde 1965. Nessa história há de tudo: há briga do ser humano pela sobrevivência e seus conflitos internos e externos, entremeada de sonhos e pesadelos, dramas etc. É um livro lindo que retrata os absurdos da vida. Nessa história há personagem que morre e ressuscita. Histórias de fantasmas, com ditos populares, lendas e mitos, feiticeiros e mar revolto. É um livro incrível!
Depois de estrear na Revista Cena Muda, Dines passou pelas extintas Visão e Manchete, assumiu a editoria de Cultura do extinto Jornal Última Hora de Samuel Wayner.
Em 1965, Mia Couto tinha 10 anos de idade.
Em 1965, Alberto Dines revolucionava a imprensa brasileira com os cadernos que inventou no Jornal do Brasil.
Mia Couto e Alberto Dines são revolucionários e em comum têm o jornalismo nas veias.
Eu conheci Dines na Folha, jornal paulistano em que ele estreou como Ombudsman. Essa figura, a de ombudsman, nem existia por aqui ainda. Esse personagem, dele, surgiu nas páginas da Folha apontando os erros cometidos pela própria Folha. A seção, assinada por Dines, chamava-se Jornal dos Jornais.
Reencontrei Dines na redação da tevê Brasil, no Rio, onde fui gravar um especial sobre Luiz Gonzaga, o rei do baião. E a última vez que nos vimos foi, acho, no lançamento de um livro de Audálio Dantas ou de José Hamilton Ribeiro, amigos queridos, aqui em São Paulo.
Mia Couto está vivo, Dines também.

JORNALISTA&CIA

Imperdível o caderno especial que o pessoal do News Letter, Jornalistas e Cia fez com o mestre Alberto Dines. Confira no link acima.

DIA DO ABRAÇO

Em 1969, o baiano Gilberto Gil levou à Praça a belíssima Aquele Abraço, ouça:






segunda-feira, 21 de maio de 2018

ARGENTINA PROIBIU O BAIÃO DE LUIZ GONZAGA





No dia 22 de maio de 1946, o mercado recebia uma grande novidade: Baião, uma criação do pernambucano Luiz Gonzaga  (1912- 1989)  e do cearense Humberto Teixeira (1915-1979). 

A novidade, um novo gênero musical, logo ganhou aplausos da crítica especializada e regravação de praticamente todos os grandes intérpretes da época, do Brasil e do Exterior.
Baião, foi lançado pelo grupo musical 4 Azes e 1 Coringa pela extinta gravadora RCA Victor.
Esse novo gênero musical não demorou e foi parar no cinema, em trilhas assinadas por vozes como a portuguesinha Carmen Miranda (1909-1955). Luiz Gonzaga só faria o registro dessa obra anos depois. No livro Dicionário Gonzagueano (capa ao lado) eu conto essa história, em detalhes.
A música e o gênero baião deu muito o que falar mundo afora. Na Argentina, por exemplo, o Congresso aprovou uma lei dificultando a execução de músicas estrangeiras nas emissoras de rádio. Estrangeiras, aspas: o baião de Luiz Gonzaga. Isso, porém, não impediu que as lojas distribuíssem discos com esse ritmo (ao lado, Sivuca e Carmélia Alves interpretando uma seleção de baiões)




domingo, 20 de maio de 2018

HOJE É DIA DE RENATO TEIXEIRA



Renato Teixeira é um dos mais férteis compositores da boa música brasileira, inserido na raia da chamada música caipira. É dele a belíssima Romaria, que a gauchinha Elis Regina (1945-1982) gravou em 1976 ou 1977. Um clássico do gênero. No começo de julho de 1978, há 40 anos portanto, eu o entrevistei para a Folha de S. Paulo (acima). Até então ele era um talento em ascensão, mas ainda desconhecido. Romaria já foi gravada de modo diferente por pelo menos duas centenas de cantores e cantoras. No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acha toda a obra de Renato gravada em compactos, LPs e CDs, sendo o mais recente o que ele gravou com a Orquestra de Mato Grosso, sob a regência de Leandro Carvalho. Curiosidade: a primeira vez que Renato entrou num estúdio para gravar foi com a baiana Gal Costa. A música, que concorria num festival da Record, chamou-se Dadá Maria.A obra de Renato já se acha enriquecendo filmes e novelas. A primeira novela que conta com uma música sua na trilha, foi Mulheres de Areia, em 1973/1974. 
Renato Teixeira nasceu no dia 20 de maio de 1945, em Santos SP. Passou parte da infância em Taubaté, que trocou pela Capital paulista. Hoje ele se divide entre Mato Grosso, Santos e São Paulo. 



POSTAGENS MAIS VISTAS