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sábado, 24 de setembro de 2016

BRASIL DE DESEMPREGO E ANALFABETISMO



Neste mês de setembro em que se “comemora” o Dia Nacional da Alfabetização, 8, o Governo anuncia mudanças necessárias no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Foi um anúncio atabalhoado. No primeiro instante, quiseram tirar as disciplinas de Educação Física e Artes. Que coisa!
Educação Física e Artes são as portas naturais que se abrem para os esportes, música, teatro etc.
Mudanças no nosso sistema de ensino há muito se fazem necessárias. As discussões em torno do assunto são antigas e do jeito que está, claro, não pode continuar. Se eu sou a favor do ensino em tempo integral na rede escolar? Claro que sou. Por quê? Porque é preciso que se ensine e se estude com afinco. O estudo continuado só pode trazer benefícios a quem aprende. Agora, uma coisa: é preciso treinar, reciclar, o professor.
Eu comecei falando do Dia Nacional da Alfabetização. A verdade seja dita: não há o que comemorar nesse dia 8 de setembro.
Comemorar alfabetização quando 13 ou 14 milhões de brasileiros não sabem distinguir um o de uma roda? Não dá, né? Fora isso, ainda tem os analfabetos funcionais, que somam 32 milhões de brasileiros.
Somos, no ranking mundial de ensino, o país que ocupa o 8º lugar em analfabetismo. Triste, não é?
Para mostrar o caos em que vivemos, não custa lembrar que já somos cerca de 12 milhões de profissionais desempregados, sem falar nos eternos “nem, nem”, que se reunidos ocupariam todas as áreas de Pernambuco. É mole?
A nossa tristeza cresce quando espichamos os olhos para o Planalto e vemos as trapalhadas de boa parte dos ministros que formam o atual governo. O ministro do trabalho, por exemplo, tem dito um monte de bobagens com relação às reformas trabalhistas. O presidente da Câmara tentou dar golpe esta semana, ao surpreender o Brasil com proposta de mudança numa lei que, se aprovada, beneficiaria os espertalhões que utilizam caixa dois em suas manobras. E por aí vai.
O ministro da Educação quis tirar disciplinas necessárias na formação de brasileiros. Não dá, né?
No dia 2 próximo haverá eleições para a escolha de prefeitos e vereadores. Outro dia comentei aqui que não ouvira nenhum candidato falar de cultura. O Dória falou hoje, prometendo virada cultural nos bairros de São Paulo.
Eu queria saber, de verdade, o que pensa um candidato quando diz que vai fazer virada cultural nos bairros da cidade. Será que isso basta? Cultura é isso? Tira do bolso e...
Aliás, por onde anda o ministro da Cultura? Ainda existe Ministério da Cultura?
Pra findar, uma coisa que não entendo: por que temos o Ministério da Educação e da Cultura e o Ministério da Cultura?

TIM, TIM
Rômulo e eu, em foto feita há 16 anos
O paraibano de Campina Grande, Rômulo Nóbrega, biógrafo do compositor Rosil Cavalcanti, está completando hoje 61 primaveras. Rômulo, economista, escreveu uma das mais completas biografias que já li sobre um autor pernambucano: Pra dançar e xaxar na Paraíba, andanças de Rosil Cavalcanti. Longa vida, Rômulo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A PRIMAVERA CHEGOU E A CULTURA, HEIN?


O Mantega foi preso e depois solto.
O Brasil foi quebrado e continua quebrado, com um monte de bestas nas ruas torcendo para que continue assim: quebrado.
Ouço no rádio e na televisão um monte de candidatos a emprego nas novas eleições, previstas para o próximo 2 de outubro.
Tem gente de tudo quanto é partido querendo ocupar o cargo de Haddad, que sairá.
O Russomano vai para o lixo da história.
O segundo turno vai ser disputado entre Marta e Doria, ai ai ai. E é ele quem vai sentar-se na cadeira do petista.
O quadro político que surge ora à nossa vista é, sob todos os aspectos, de pobreza franciscana, pífio, lamentável.
Não ouço de nenhum dos candidatos a prefeito da capital paulista uma palavra sequer sobre o que poderiam ou poderão fazer pelo bem da cultura popular.
Lembro que almocei uma vez com Haddad antes de ele ser iluminado pelo Lula. Na ocasião, eu lhe disse de umas ideias que tinha sobre a nossa cultura. Ele me ouviu, aparentemente, e disse que a cultura no seu governo teria grande destaque. Ele ganhou e não confirmou o que me disse. Pena, não é? É verdade que participei de duas ações que tiveram a cultura como destaque. Uma dessas ações foi no Vale Anhangabaú, apresentando o projeto São João do Brasil.
Pois bem, não ouço dos nossos governantes e candidatos a governantes propostas em torno da cultura popular; dos esportes e da educação. Triste, não é?
No começo dos anos de 1930, no governo Vargas, foi levada à prática uma campanha que dizia muito sobre nós: "Ou Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil".
A coisa está esquentando...

PRIMAVERA
A primavera chegou hoje às 11h21, trazendo flores e um vento gostoso, frio. Na verdade a primavera chegou foi ontem, à tarde, trazendo dois amigos queridos: Manoel Dorneles e Jorge Araújo, dos tempos em que trabalhamos na Folha. Dorneles, editor da revista Kalunga, tem um texto brilhante; e Jorge, é um dos mais importantes fotógrafos do Brasil. Não nos encontrávamos há muitos anos. Foi uma tarde muito legal, cheia de lembranças, de histórias. Assim que Jorge chegou, foi logo dizendo a Dorneles: "eu não via o Assis desde quando ele me levou para jantar na casa do cantor Taiguara. E isso foi no século passado". Jorge Araújo e Manoel Dorneles não se viam há vinte anos. Acima, em clic do Jorge, nós três.

ZÉ LAURENTINO
 O biógrafo do compositor pernambucano Rosil Cavalcanti, o campinense Rômulo Nóbrega, acaba de me mandar uma fotografia (abaixo) em que aparecemos juntos. É foto batida há 16 anos. Além do poeta Zé Laurentino, desaparecido do nosso convívio há poucos dias, na foto aparece também o amigo Bráulio Tavares, autor de belos livros sobre a nossa cultura popular.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CABRITO BOM NÃO BERRA



Eu sou de um tempo, de um tempo mais ou menos recente, em que as coisas tinham nome e os valores sociais credibilizavam os seres e a sociedade.
Eu sou de um tempo em que palavra dada era palavra que fechava e abria negócios.
Eu sou de um tempo em que bigodes eram marcas de compromisso.
Eu sou de um tempo em que a expressão "Cabrito bom não berra" moldava a criação dos homens. Isto é: homem era homem e pronto! Quer dizer: homem que era homem respeitava as calças que vestia.
Eu cresci ouvindo a frase: "Homem não chora".
Lembrei dessas coisas depois que ouvi o pernambucano,ex presidente Lula chorar durante um pronunciamento público. Mas foi um choro assim meio não sei o quê; um choro que não era choro, talvez. Eu achei esquisito aquele choro. Um choro, digamos, para pato ver. Pois é, está no seio da cultura popular: Cabrito bom não berra. E berrar, no caso, é chorar, espernear, pular que nem calango sobre frigideira fervente. Daí a sabedoria popular legitimar o dito: Homem que é homem não chora.
Por que Lula ex presidente chorou?
Ouço "explicações" estapafúrdias, tolas, sem nexo. Diz que foi o Dallagnol o responsável pelas lágrimas de crocodilo do Lula (aí ao lado, comigo, em debate no Estadão).
A minha santa avó Alcina, que há muito habita os domínios celestiais, diria dando uma rabissaca: "Homem que chora eu não respeito".
Pois é, Dona Alcina não era brinquedo não.
Eu não me lembro quando foi que chorei, só sei que chorei em algum momento da minha vida, mas  foi escondido...




quinta-feira, 15 de setembro de 2016

BATENDO PERNAS NO JUAZEIRO




A semana passada findou comigo batendo palmas, no SESC, para a cantora Kátia Teixeira.   Antes e depois do espetáculo eu  reencontrei velhos amigos, como Luiz Carlos Bahia, Oswaldinho Viana e a sua companheira Marise. O teatro estava lotado e lá fora um vento gostoso. Molhei o gogó com uma cervinha, que ninguém é de ferro. Depois fui dormir prá viajar na manhã seguinte rumo à Bahia.
Pegamos o  o vôo e esbarramos em Salvador. Em seguida, zarpamos prá Petrolina, onde pernoitamos. Um carro da Universidade Federal do Vale do São Francisco, UNIVASF,  bem cedo nos levou até a ilha do Rodeadouro. Nas águas bentas do Velho Chico que banham as terra sagradas do Juazeiro.
Foi legal.
Como combinado, participamos de um especial sobre danças populares no Brasil. Comigo, estiveram, diante das lentes da tevê Caatinga, os excepcionais criadores musicais Maciel Melo e Targino Gondim.
A diretora Fabíola Moura e toda a turma dela adoraram o resultado do nosso bate papo animado. Antes disso, a caboquinha Cora, estudante da oitava etapa do curso de jornalismo da UNIVASF, disse-me que sabia tudo e mais um pouco a meu respeito e que gostaria de, também, registrar nossa presença por lá. Foi uma bela entrevista.
Traçamos uma galinha à cabidela e uns escondidinhos feitos noutro planeta, acho. E voltamos à Petrolina, cantarolando o xote  De Petrolina a Juazeiro, do meu  amigo Jorge de Altinho.


MISTÉRIOS DO RIO CHICO

Depois da gravação para a tevê Caatinga, ficamos por ali, batendo retrato (acima),
proseando com todo mundo e sentindo o cheiro das flores que exalavam dos cajueiros, mandacarus, goiabeiras. Tudo plantado à beira do Velho Chico. As águas do rio, águas bentas, águas que nos lavam a alma e nos tiram todos os pecados, são águas bem cuidadas pelos mistérios da vida. Águas de Oxum, águas que matam sede e matam gentes desprevenidas ou sobrecarregadas das agruras que o tempo dá.
Não sei se foi o caso do ator Domingos Montagner, que dava vida ao personagem Santo dos Anjos, na novela Velho Chico. A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Capítulos recentes mostravam o desaparecimento do personagem e seu resgate pelos encantados do rio, pelos entes de suas margens. Foram as mesmas águas onde o ator sumiu de verdade.


ZÉ LAURENTINO


Rômulo Nóbrega telefona dizendo que o nosso conterrâneo Zé Laurentino partiu hoje para a eternidade, onde já deve estar tocando um dedo de prosa com o ator Domingos Montagner. Zé sofria do mal que vitimou Papete: câncer. Estava com 73 anos e a última vez que nos vimos foi em Campina Grande, cidade onde viveu por muito tempo. Ele era de Puxinanã, terra de outro grande poeta: Zé da Luz. Adeus!



XENOFOBIA

Tenho recebido vários emails falando do livro Xenofobia, que acaba de ser lançado pela Cortez Editora, o cordelista Cícero Pedro de Assis, por exemplo, escreveu o seguinte:

   Fico muito feliz com o lançamento, pela Cor-
  tez Editora, do livro Xenofobia - Medo e Re-
  jeição ao Estrangeiro, do professor Durval Mu-
  niz de Albuquerque, porque é uma obra que com
  certeza orienta o leitor como aceitar o estran-
  ro, uma vez que todos somos iguais perante a lei,
  o que nem sempre é respeitado por muitos que se
  julgam superiores. Que esse livro elimine radical-
  mente todas as ideias xenofóbicas, que é uma praga.
   Receba minhas lembranças e fraterno abraço.


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

BIENAL, CORDEL E LOYOLA BRANDÃO


Em textos anteriores, eu lamentei a desgraça que é um país cujos dirigentes estão no cargo por estarem. Isto é: um país sem cidadão é, com certeza, um país sem ideias ou de ideias tristes, curtas; muito curtas. Dizem-me que o ponto e vírgula é um sinal fora de moda, mas eu gosto desse sinal. É o sinal que, mais do que a vírgula, nos faz respirar, nos leva a dar uma pausa maior ao texto, antes de continuar a leitura, não é mesmo.
Como a pausa é maior a reflexão também, o que enfatiza a ideia.
Nós, brasileiros, estamos lendo cada vez menos. É fato.
Balanço da Câmara Brasileira do Livro, CBL, conclui que 684 mil pessoas de todos os tamanhos, inteligências, sexos, raças e ignorâncias passaram por lá. A meta de visitantes era de 720 mil, mas isso não vem ao caso, até porque, a multidão que compareceu à 24ª Bienal do livro não estava a fim do produto oferecido, ou seja, o livro.
Ignácio de Loyola Brandão, um dos mais completos autores brasileiros, um orgulho nosso, foi o grande homenageado dessa Bienal. Detalhe: a maior parte do tempo em que ele lá esteve, pessoalmente, autografou um número ínfimo do seu novo livro: Os Olhos Cegos Dos Cavalos Loucos.
Pois é, Loyola está no time dos craques da literatura brasileira. É novo no estilo, de idade fez 80 em julho passado.

O livro que encabeça a lista dos mais vendidos, atualmente, é de uma atriz adolescente, chamado O Diário de Larissa Manoela, que interpreta uma personagem na novela Carrossel, do SBT.
O que é que tem a ver o Diário de Larissa com o novo livro de Loyola Brandão?
Pois é, garanto que tem, tem carrossel no meio, e dizer mais, não digo.
E pensar que somos da terra de Machado de Assis, José de Alencar, Aluízio de Azevedo, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Augusto dos Anjos...
Como eu já disse em texto anterior fui, sem precisar ser, também homenageado na Bienal. A Loa veio da Câmara Cearense do Livro, CCL. Gostei. Pois bem, o espaço em que se deu a premiação, Cordel e Repente, estava apinhado de artistas populares, artistas maravilhosos, esses que dão a cara do nosso país Brasil. Confira nas fotos a presença de Bule Bule, Jô Oliveira, Crispiniano Neto, Audálio Dantas, José Cortêz, Klevisson Viana, Marco Haurélio, que também merece prêmios do tamanho de um trem... Teve até um tróféu, troféu Joseph Luyten.
Luyten nasceu na Holanda. Fui amigo dele.
Luyten chegou ao Brasil no ano em que eu nasci, 1952. Ele tinha 11 anos de idade e sofria antecipadamente pela possibilidade de uma dia tornar-se cego. Usava óculos pesadíssimos na infância e na adolescência e danou-se a ler, a ler desbragadamente. Tinha medo da cegueira. O tempo foi passando e ele lendo cada vez mais, estudando, e se completando como gente e cidadão. A cegueira não veio e ele tornou-se um dos mais competentes intérpretes da alma popular, via cordelistas e cantadores repentistas. Levou seus estudos sobre a poética popular para a Universidade de Osaka, Japão.
Sobre Literatura de Cordel Joseph Luyten, que deixou a convivência entre nós em julho de 2006, publicou vários livros.
O troféu Joseph Luyten é uma pérola. Viva Luyten!



LIVRARIA CORTÊZ


A tendência de uma nação que não lê é, como resultado, um país sem crédito, sem credibilidade, é um país burro, com todo o respeito aos burros. As pesquisas indicam que nós, brasileiros, cada vez mais, lemos menos. Numa dessas pesquisas, há a informação de que pelo menos 30 milhões de brasileiros jamais compraram um livro. O que dizer diante disso?
A 24ª Bienal Internacional do Livro terminou com um público aquém do esperado. No resumo, o produto não alcançou o público alvo. A notícia triste é: a Livraria Cortêz está com suas atividades suspensas. A notícia alegre, bonita é que a Cortêz está com um espaço maravilhoso na Internete, clique
mkt@cortezeditora.com.br





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