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sexta-feira, 18 de junho de 2010

PRA ONDE VAI SARAMAGO: INFERNO OU CÉU?

Na terra-berço do espanhol José de Anchieta, fundador de São Paulo, cerrou os olhos na madrugada de hoje o escritor português José Saramago, que deixa bonita e vasta obra para os que virão depois.
Nos anos 90 o autor de Ensaio Sobre a Cegueira, levado às telas pelas mãos do brasileiro Fernando Meirelles em 2008, foi galardoado com os dois mais importantes prêmios literários do mundo, o Camões e o Nobel.
Antes disso, de virar romancista, ele fez muita coisa na vida, "menos pedir emprego". Foi tradutor, jornalista...
Tornou-se famoso também pelo talento invulgar de gerar polêmicas.
Costumava dizer tudo o que lhe vinha à telha, gostassem ou não.
Enfureceu a Igreja Católica e boa parte dos portugueses quando lançou O Evangelho Segundo Jesus Cristo; bem escrito e tal, mas não era para tanto.
Foi por causa desse livro, diga-se, que ele trocou a terra onde nasceu por uma das ilhas do arquipélago das Canárias, Lanzarote, de onde costumava sair para palestrar.
Mais recentemente lançou Caim, na verdade o seu último livro.
Ao publicar Caim, os carolas lhe caíram de pau.
Os mais radicais não gostaram do texto e nem do que disse da boca pra fora: ou seja, que a Bíblia “é um manual de maus costumes” e também um reles “catálogo de crueldade e do pior da natureza humana”.
Nem o papa Bento atual escapou da língua ferina dele.
Comunista convicto e ateu de primeira hora, Saramago afirmava que Deus não existe, tampouco o céu, o paraíso e o purgatório, segundo ele, hoje em crise; mas o pecado sim, existe como invenção da Igreja.
Para Saramago, “a insolência da Igreja” deveria ser combatida “pela insolência da inteligência viva”. Na ocasião em que disse isso, em outubro do ano passado, ele também acusou o Papa de cinismo.
O cantador baiano Elomar Figueira Mello não gostava da fala de Saramago.
Elomar também torceu o nariz para o filósofo Nietzsche (Friedrich; 1844-1900), que compartilhava da mesma opinião do autor de Jangada de Pedra.
Nietzsche, aliás, achava que “Deus está morto, mas insepulto”.
Como Bach, a obra de Elomar é toda composta em louvou “ao criador do céu e da terra”, ou seja: em louvor a Deus.
O tema é bom.
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FUTEBOL
- Surpresas continuam a ocorrer nos gramados gelados da África do Sul: hoje de manhã, por exemplo, o mundo viu a rede dos alemães balançar com um gol dos sérvios. Essa vitória embolou legal o Grupo D.
- E a Argentina de Maradona botando banca, hein?
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FUTEBOL & MÚSICA
- Hoje tem vinho na Livraria Martins Fontes, onde estarei recebendo amigos e amantes do futebol e da música. O motivo é o recém lançado livro A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira, que traz como capa uma obra especial do grafiteiro Kobra e uma apresentação assinada pelo são-paulino Ives Gandra da Silva Martins. Junto ao livro, um CD com a gravação da primeira música sobre o tema futebol. Endereço: Avenida Paulista, 509, perto da estação Brigadeiro do metrô.
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MÚSICA
- Agendem-se: os irmãos Maria José e Antônio Carlos Carrasqueira se apresentam domingo 27 no Teatro do SESI, interpretando obras de Bach e Domenico Scarlatti. Maria é pianista lotada no Departamento de Música do Instituto de Arte da Unicamp e Antônio professor do Departamento de Música da USP. Ambos são filhos e herdeiros musicais do flautista João Dias Carrasqueira.

2 comentários:

Marco Antonio Zanfra disse...

Vamos aguardar o próximo livro de Saramago, para ver o que ele tem a dizer da vida pós-morte. E se ele disser "eu estava errado, Deus existe"?!

Anônimo disse...

Como todo ateu, Saramago era preocupado em demasia com Deus. Ocorre porém que seus textos eram maravilhosos, sendo de um certo aspecto até de louvor a Deus. Jesus deve ter se sentido orgulhoso ao ser tratado por José Saramago como homem. Tentando provar o contrário, nosso querido escritor português, mostrou por linhas tortas que Deus existe, se fez homem e habitou entre nós. Missão cumprida, José Saramago.

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