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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

VIVA O BRASIL!

O dia 8 de janeiro de 2023 é para nunca ser esquecido. Foi nesse dia que um canalha esperou nos EUA que os seus cupinchas, militarmente graduados, o chamassem de volta para assumir uma cadeira que já não era dele.Ele, lá na moita.
Meus amigos, minhas amigas, o Lula pernambucano é brasileiro do tamanho da nossa alma. É de paz. Pacífico. 
Bom, hoje 8 de janeiro de 2026 houve uma lembrança histórica na capital federal desse dia que foi uma tentativa de golpe para derrubar a nossa democracia. 
Aquele que arquitetou esse golpe continua na cadeia choramingando lágrimas de crocodilo, posicionando-se como vítima. 
Eu pergunto a meu amigo, minha amiga: Bolsonoro deve ou deveria viver eternamente abraçado com
- Trump
- Belzebu
- Capeta?



domingo, 4 de janeiro de 2026

BOM, CUIDADO COM O ANDOR...

Crédito: InfoMoney

O mundo está pegando fogo. Está não, sempre esteve.
Não temos salvação e certamente nunca teremos.
Exploramos e matamos o nosso próximo sob o pretexto de uma vida melhor. 
Na madrugada de sábado eu estava ouvindo rádio, quando ouvi a notícia de bombardeio aéreo sobre a capital venezuelana, Caracas.
A Venezuela é um país que fica aqui pertinho da gente, cujo povo sofre como o povo de todo canto. 
Venezuela é um país que nunca teve tradição fonográfica. 
Sempre quando ouço o nome desse nosso país vizinho, lembro de uma espanhola que cresceu e viveu respirando a vida venezuelana: Soledad Bravo. 
Soledad e os seus pais adotaram a Venezuela como, digamos, pátria. Segunda pátria, talvez. 
Em 1972, Soledad Bravo defendeu a canção Pátria Amada Idolatrada Salve Salve, de Vandré e Manduka.
Eu conheci o Manduka na casa do Vandré. Manduka era filho do poeta Thiago de Mello, principal tradutor do poeta chileno Pablo Neruda.
Thiago de Mello, uma vez participou do meu programa São Paulo Capital Nordeste, na rádio Capital.
Ana Belém, conterrânea de Soledad, gravou em 1982/83 a guarânia Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores. Na língua da cantora, Caminando...
O que está acontecendo na Venezuela é algo perigosíssimo. 
Claro que não dá pra defender o ditador Nicolas Maduro: canalha, assassino, ladrão e explorador do povo em todos os sentidos. 
A ética e o Direito Internacional têm de prevalecer no mundo da Democracia. 



quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

PAZ E ARTES COMBINAM


Hoje 1° de janeiro é o Dia Mundial da Paz.
Esse dia é de importância fundamental e deveria ser ainda mais do nosso pensamento e ação. 
O Brasil hoje 1° ficou ligado o tempo todo numa coisa chamada Sena da Virada. Seis apostas vão dividir 1 bilhão e 90 milhões de reais. 
Bom, felicidade a todos e ponto.
2025 terminou consagrando o já até então consagrado Oliveira de Panelas. 
Oliveira ganhou no ano que passou o título de doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Paraíba. 
Oliveira de Panelas é pernambucano de Panelas. 
O município de Areia, PB, criou no ano que passou a Academia de Artes, Letras e Ciências Oliveira de Panelas. 
Essa história é fantástica. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Viva Magrão! Viva o Brasil!

Melhor do que um dia atrás do outro, é viver.
Viver é o melhor que Deus nos dá.
Viver, porém, é uma escolha de cada um de nós: pelo bem ou pelo mal.
Eu sou da safra de 52. Nasci bebendo pimenta na mamadeira que a minha mãe Maria me dava, pra não chorar.
Chupeta?
Nunca chupei chupeta, até porque nunca gostei de tamanduá.
Esse besteirol todo até aqui dito e escrito, faço porque quero mandar de coração um abraço querido para uma figurinha fantástica chamada Magrão, que nesse amanhã, 27 de dezembro, completa meia oito de história.
Magrão, de batismo Paulo Garfunkel, é um cara da maior sensibilidade do mundo. Vive pra nos ensinar, ao lado do compadre Drauzio Varella.
Querido Magrão, viva!
Eu estou ditando essas palavras saídas do meu coração para o amigo queridíssimo, compositor, cantor e batuqueiro de pandeiro, Cadu.
Cadu, paulistano, cujo nome completo de batismo é Carlos Eduardo Ribeiro Junior, não só faz do Brasil samba. Ele e o seu grupo, Gato com Fome, fazem e cantam o melhor samba do Brasil.
Neste doido mundo, o que me faz bem e viver bem, é ter ao meu redor gente talentosíssima e de bem.
O Cadu aqui, referência grandiosa que fazia muito bem ao meu querido Rolando Boldrin, pergunta se eu conheço Edson Cordeiro.
A minha resposta é simples: de nome, sim; de música, também.
Eu já disse muitas vezes que quando pessoas queridas chegam aqui, no lugar onde vivo, casinha simples e tal, eu fico é todo ancho!
E Cadu, ora aqui, chega chegando, dizendo que tem um monte de música dele sendo gravada por um monte de gente bonita. Entre esse monte de gente bonita, a mais nova: Graça Braga.

Clique e ouça:

https://www.youtube.com/watch?v=fGyCPFJv3So


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

E EVA E ADÃO, HEIN?

Crédito: Vatican News

Modelado em barro cru
Por obra da Criação 
O boneco ganhou forma,
Vida e nome: Adão 

Enfim básico feito
Adão seguiu em frente
Pedindo perdão a Deus
Por d'Ele ser um crente

E de Eva que caso há
No caso da Criação 
Numa boa ela nasceu 
Muito antes de Adão 

Eva de Adão foi mãe 
Mas isso não vou contar
É caso duvidoso
E nele não vou entrar...

No começo fez-se a luz
Para tudo alumiar
Quem pôde ficou vendo
Estrelas no céu bailar

Mas só viu quem tinha olhos
Olhos bons e bom viver
Quem não tinha ai, ai, ai 
Na vida seguiu sem ver

Antes e depois disso 
Muita coisa aconteceu 
O mundo pegou fogo
E Jesus Cristo nasceu 

Foi visitado por reis 
Eram três e eram Magos
Carregados de presentes 
Muitos beijos e afagos 

O Menino foi crescendo 
E crescido foi à cruz 
E na cruz a Deus pediu 
Que nos desse força e luz

Porém é o que se vê:
Nada de força ou luz
Que possa minimizar 
O peso da nossa cruz 

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

LEMBRANÇAS DO TEMPO DE ONTEM


O texto aí é de  autoria do amigo e colega  JORNALISTA PAULISTANO MARCO ANTONIO ZANFRA, publicado no NEWS LETTER JORNALISTA E CIA do dia 18 deste mês de dezembro. Clic e leia:

https://www.jornalistasecia.com.br/Jornalistasecia2025/1543/

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

MÚSICA SEM GRAÇA NESTES NOVOS TEMPOS

 

Meu coração bimbalha toda vez que percebe a chegada de um amigo ou amiga cá no meu refúgio, por muita gente já conhecido como espaço guardião do acervo cultural que construí ao longo dos anos desde o meu querido torrão natal João Pessoa, PB. Foi isso  que sucedeu ora há pouco, quando o telefone tocou anunciando a visita de Alcides Campos.

Alcides, para quem ainda não sabe, é paulistano do bairro da Lapa. É cidadão dos bons. Vive a vida com firmeza e sobriedade, procurando inteirar-se sempre do cotidiano em que se vê naturalmente envolvido..

À guisa de provocação, lembrei ao Alcides que a Lapa foi num tempo já de antigamente o reduto eleitoral do ex-presidente da República ,governador  e prefeito de São Paulo ,Jânio Quadros.

"Jânio foi o diabo a quatro. Como político, ocupou todos os espaços que quis" , Diz numa risada o amigo Alcides acrescentando : "Mas no Brasil, já houve cabra mais esperto do que o marido de Dna, Eloá. Para o bem ou para o mal abaixo de Deus, temos na política brasileira, o pernambucano Lula."

A propósito, o velho e bom oitentão Lula andou e ainda anda defendendo o que de melhor há de melhor no Brasil. Além da nossa terrinha, nós o povo.

Todos nós somos políticos de uma forma ou de outra.

Alías, foi o compositor e maestro Tom Jobim quem disse  uma vez que "O Brasil não é para amador",

Nesse ponto, não deixei de perguntar ao Alcides o que ele acha hoje da música brasileira. E ele : "A arte musical  é uma bela arte, seja popular ou erudita. para mim nossa música popular hoje está andando para trás, sem que seus autores e interpretes se preocupem em lhe darem o brilho necessário,colocando desse jeito a política em primeiro plano".

O Alcides é um cara que diz sempre o que lhe vem à mente. Bom papo. Ele é o motor que move o trem das músicas de todos os tempos. Foi ele quem criou Ventania,Discos , espaço que acolhia boas conversas, diálogos com gente da cantoria ,colecionadores de discos e tudo mais.

Que tal um papo com ele hein? 

site : www.ventania.com.br

whatsapp  11 97367-2305

   


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

SP: MAIS FAVELAS DO QUE NO RIO


Perguntar faz bem, não é mesmo?
Cedo aprendi que podemos inventar ou construir uma história completamente entregando cinco interrogações básicas. Estas: 
Como?
Quando?
Quem?
Onde?
Por quê?
Aliás, as perguntas aí lembradas saem cotidianamente da boca de todo mundo. 
Uma reportagem ou entrevista, por exemplo, que não tiver todas essas palavras interrogativas estará incompleta. Dito isso, pergunto: por que diabos as ditas autoridades penitenciárias não dão um basta na entrada de aparelhos celulares nas cadeias do Brasil?
Bom, nova pergunta ora faço: o leitor ou leitora que está lendo estas bem traçadas linhas sabe ou sabia que em São Paulo há mais favelas do que no Rio de Janeiro?
Dados do IBGE indicam que há em São Paulo 3.123 favelas e no Rio, 1.724. O detalhe é que, segundo os números, no Rio a violência é maior e mais crescente com relação ao Estado paulista. 
Nunca a polícia matou tanta gente de uma só vez em favelas do Rio. Aconteceu na terça 4 deste novembro em curso. 
A mais populosa favela do Brasil é a Rocinha, com pouco mais de 72 mil pessoas devidamente conferidas pelo pessoal do último censo do IBGE de 2022.
A segunda maior favela do Brasil se acha na capital de São Paulo, ostentando um nome bastante bonito: Heliópolis, com pouco mais de 55 mil pessoas ocupando uma área de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados. 
A Rocinha começou a existir no correr dos anos de 1920.
Heliópolis, em grego antigo Cidade do Sol, começou a existir na década de 1970 quando o prefeito da época, Paulo Maluf, começou a desalojar os moradores de Vila Prudente
Habitaram favelas no Rio o ator Grande Otelo e, entre muitos outros, o pernambucano Bezerra da Silva (1927-2005).
Bezerra foi um cantor e compositor dos mais originais da nossa música popular. Seus parceiros, na maioria, eram gente muito simples. O artista interpretou belas obras como Eu sou Favela em cujo texto diz:

"...
A favela é um problema social
A favela é um problema social

Sim mas eu sou favela
Posso falar de cadeira
Minha gente é trabalhadora
Nunca teve assistência social
Ela só vive lá
Porque para o pobre não tem outro jeito
Apenas só tem o direito 
A um salário de fome e uma vida normal..."


Houve mais, muito mais, gente bonita dos morros compondo e cantando o cotidiano lá vivido.
Voltarei a falar a respeito, lembrando figuraças do naipe de Adoniran Barbosa e Moreira da Silva.




quinta-feira, 6 de novembro de 2025

FAVELA: CHEGA DE BALA!

Crédito: Folha - Uol
Enquanto ontem 4 praticamente eu me estatelava em ação de ginástica, o treinador Anderson sugeria que eu dissesse alguma coisa sobre favela para que registrasse num pequeno vídeo. Aliás, como sempre costuma fazer. Perguntei a razão disso. E ele:
- Ora, porque hoje é o Dia da Favela. 
Tema sugerido, falei pouco. Agora, vamos lá.
O 4 de novembro é considerado o Dia da Favela porque nesse dia e mês de 1900 foi registrado oficialmente,  no Rio de Janeiro, o surgimento da primeira favela no País. Nome: Providência, também chamada Favela do Morro ou Morro da Favela. 
A população desse morro, por extensão favela, aumentou rapidamente com a chegada dos homens que foram massacrar os miseráveis seguidores do ermitão Conselheiro em Canudos, sertão da Bahia. 
A propósito, não custa dizer que Canudos foi uma grande favela. 
Antes de a Providência se tornar o primeiro registro histórico de favela, outros morros já havia Brasil afora. 
Foi no Morro do Livramento que nasceu o mais querido bruxo do Brasil: Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908).
Antes do surgimento das favelas, hoje totalizadas pelo IBGE em 12.348 unidades, já proliferavam país afora os chamados cortiços. 
Tem até um romance intitulado O Cortiço (1890), escrito pelo maranhense Aluísio Azevedo, que trata do dia a dia das famílias pobres, para não dizer paupérrimas, que habitavam coletivamente essas moradias.
Bom, o Morro do Livramento continua onde sempre esteve: entre o Morro da Conceição e o Morro da Providência. 
O Morro da Conceição é considerado o berço do Rio de Janeiro, ocupado desde o século 16.
Em São Paulo a primeira favela surgiu na  zona norte, Palmas do Tremembé. Ano: 1934. Depois surgiram as favelas da Vila Prudente, do Canindé e do Vergueiro.
Faz tempo que essas favelas deixaram de existir. 
A Favelar do Canindé ficou famosa depois de o jornalista Audálio Dantas topar ocasionalmente com Maria Carolina de Jesus (1914-1977). 
Carolina de Jesus ganharia notoriedade com o livro Quarto de Despejo (1960).
Muita gente boa que ficou famosa, nasceu ou morou em favela. Os exemplos são muitos, como os compositores Ismael Silva, Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Zé Keti, Madame Satã, Ângela Maria, Elza Soares, Dicró, Zeca Pagodinho, Sérgio Ricardo...
O cantor e compositor Sérgio Ricardo (1932-2020) viveu por um longo tempo na Favela do Vidigal.
Miguel Nunes Vidigal foi quem deu nome à favela, regularizada depois de muito tempo pelos advogados Bento Rubião (1928-1985) e Sobral Pinto (1893-1991).
Bento Rubião ficou conhecido como o Advogado das Favelas e seu colega Sobral Pinto, o Homem da Justiça. 
Durante praticamente todo o século 20 as favelas brasileiras, especialmente as do Rio e São Paulo, foram cantadas em prosa e verso.
Voltarei ao assunto. 
Ah! Sim: entendo perfeitamente que não é a polícia subindo morro e matando gente que se vai resolver o problema da ocupação das favelas pelos bandidos. Até porque os bandidos que a polícia aniquila são bandidos pés de chinelo, pois os grandões estão dando ordens a partir das suas mansões ou dos presídios que viraram, grosso modo, escritórios do crime. É de lá que saem ordens para matar. Isso é feito, basicamente, através de aparelhos celulares. 

terça-feira, 28 de outubro de 2025

EU E MEUS BOTÕES (94)

Boa noite, pessoal!
Começo saudando meus queridos botões na casa do Zilidoro. Desnecessário é dizer que toda vez que nos encontramos numa ou noutra casa dos simpáticos botões sou saudado por urras e uma chuva de palmas. Quando a uma das casas vou acompanhado por Flor Maria a recepção é bem maior. Por que será, hein? Nem bem digo o que acabo de dizer, Zoião dirige a palavra à Flor Maria. 
- Dona Flor, a senhora costuma acompanhar a violência terrível que ocorre nos quatro cantos do nosso país?
- Sim, por que tal pergunta?
- Perguntei porque hoje cedo acordei ouvindo pelo rádio um monte de tiros disparados por policiais e bandidos no Rio. Um horror!
- Zoião, claro que costumo acompanhar tudo que ocorre no nosso país. Uma hora é floresta pegando fogo, outra hora é fogo verbal disparado por línguas afiadas no Congresso Nacional. Como se isso não bastasse, ainda há a violência contra crianças, adolescentes e mulheres. Agora o que ocorreu hoje no Complexo da Penha e no Complexo do Alemão, região habitada por cerca de 300 mil pessoas, foi terrível. Mais de 60 pessoas foram mortas à bala.
Barrica pede licença, levantando a mão. 
- Como pude, acompanhei tudo pelo rádio e pela TV. Usaram drone, helicóptero e uma porrada de coisas que nem sei direito dizer o que era tudo aquilo...
O mano Bio, de Barrica, interrompeu:
- Os policiais estavam armados até os dentes, andando e correndo pra lá e pra cá com os pés enfiados numas botinas que pareciam pequenos canhões ou sei lá! Uma verdadeira guerra!
Zé e Biu acompanham atentos o falatório. Como se tivessem ensaiado, disseram:
- O fim do mundo, parecia o fim do mundo!!!
O quase sempre sumido Olavim, lá do seu cantinho murmurou:
- Guerra, vocês nunca viram uma guerra! Guerra é a desgraça que está ocorrendo ali naquela parte por onde andou Jesus...
Zilidoro emendou:
- E onde se acham enterradom os restos do avô de Maomé.
Lampa se fazendo de besta, saiu-se com esta:
- Outro dia eu fui a casa de um amigo e lá tomamos um porre. Foi o ma ó mé! Hic!
Esse Lampa não tem jeito. E o lugar por onde andou Jesus foi a Palestina e tal. Em Gaza, a 5a. mais antiga cidade do mundo, Sansão foi preso e torturado depois de cortarem seus cabelos e vazarem os seus olhos, mas ainda assim ele matou milhares de filisteus e o resto a Bíblia conta. 
De repente, todos se levantam batendo palmas. Claro, pra Flor Maria.

sábado, 25 de outubro de 2025

HERZOG FOI MORTO HÁ 50 ANOS


O relógio marcava 9 horas quando Herzog chegava ao inferno para ser torturado até a morte. 
Era um sábado de pouco sol.
O dia era 25, o mês outubro e o ano 1975. 
O jornalista, que chefiava a editoria da TV Cultura caiu nas mãos de seus algozes sozinho, sem ninguém a acompanhá-lo.
Por que Vlado fez isso, hein?
Ingenuidade ou excesso de confiança por nada temer como cidadão livre que era?
Muita coisa já foi dita a respeito de Vlado, cuja memória se acha eternizada na memória do povo e o seu nome agora inscrito no Panteão dos heróis do Brasil. 
Ah, sim: Vlado entrou no DOPs às 9 e já no começo da tarde daquele dia estava morto.
Outra coisa: o alagoano Audálio Dantas (1929-2018) escreveu um livro muito importante para o entendimento mais completo da vida de Vladimir Herzog. As Duas Guerras de Vlado Herzog (2012) é o título do último livro de Audálio. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

O CEGO NA HISTÓRIA (10)


Graciliano Ramos não era propriamente um tagarela, como o são geralmente os papagaios. 
Embora faça eu essa pequena observação, a mim também não custa lembrar que Graciliano foi o escritor que mais papagaios pôs como "personagens" em suas histórias. 
Histórias de Alexandre, de 1944, tem vários tagarelas plumados com a cor verde em destaque. 
Na obra-prima Vidas Secas, o autor alagoano de Quebrangulo põe entre a família retirante um papagaio e uma cadela de estimação. Logo no começo, o papagaio é servido como alimento para saciar a fome da família em fuga da seca. E a dureza permanece braba no correr das páginas. Ali pela metade, a cadela é sacrificada a tiro de espingarda. E mais não digo. 
Lembrei que Graciliano sofreu de cegueira nos seus primeiros anos de vida. 
Como Graciliano, houve outros autores que também experimentaram essa realidade. E até cientistas do calibre do inglês Isaac Newton (1643-1727).
Isaac, de tanto observar o céu sem fim, acabou ficando cego por alguns dias. Recuperou a visão após trancar-se no quarto, completamente escuro. 
Bom, você sabe quem foi Nicolau Copérnico? E sua teoria sobre o movimento da Terra?
O italiano Galileu Galilei (1564-1642), também investigador dos mistérios universais, depois de muitos estudos concluiu que a teoria de Copérnico era fato. E que teoria era essa?
O polonês Copérnico (1473-1543) tinha certeza de que a Terra sempre girou em torno do Sol. Quer dizer, pensamento completamente diferente do que divulgava a Igreja aos seus fiéis. Por isso, Galileu foi preso e condenado pelo tribunal da Santa Inquisição. 
Como já era muito famoso, Galileu recebeu a "benção" dos inquisidores assassinos para cumprir a pena em casa. 
Morreu cego. 
Cego também morreu o filósofo francês Denis Diderot (1713-1784).
É provável que tenha sido Diderot o primeiro filósofo a teorizar sobre a cegueira. 
Em 1749, Diderot publicou Carta Sobre os Cegos Para Uso dos Que Veem. Nessa obra, o autor põe em movimento nas páginas três ou quatro cegos como personagens. Tem uma cega entre eles que diz que a cegueira na mulher é diferente da cegueira no homem. 
Para escrever tal obra, Diderot costumava tapar os ouvidos e fechar os olhos. Fazia isso nos teatros, por exemplo. A ideia era sentir o que sentem as pessoas cegas 
A Igreja desceu-lhe o pau. Em palavras, ele disse:
"O homem só será livre quando o último déspota for estrangulado com as vísceras do último padre".
Entre os grandes nomes da Ciência e da Astronomia, quem não se deu bem foi Giordano Bruno. Esse foi amarrado vivo num mastro fincado no meio de uma grande fogueira e...
O pecado de Bruno foi discordar de tudo ou quase tudo do que pensava a Igreja, como a virgindade de Maria e a Terra como centro do Universo. 
Dito isso, voltemos à literatura tupiniquim 
Você sabe quem foi o bom Romeu?
Chega aí na estante e pega Grande Sertão: Veredas, do mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967).

sábado, 18 de outubro de 2025

O CEGO NA HISTÓRIA (9)

Pois é, nada a mim demove a ideia de que o craque do humor Chico Anísio tenha-se inspirado na personagem do folclore alagoano Cesária.
Cesária pra mim era Terta do Chico. 
E Pantaleão, hein?
Pantaleão pra mim foi Alexandre do folclore alagoano para o Chico. 
Alexandre e Cesária eram marido e mulher, tão íntimos como carne e unha.
O livro Histórias de Alexandre é obra pra ser lida sem se cansar. Maravilhoso!
Dentre os 13 ou 14 contos que formam o referido livro há pelo menos quatro referências a um personagem de asas: papagaio. 
O conto Um Papagaio Falador é simplesmente impagável. 
Alexandre é um nordestino todo pabuloso, cheio de onda. É um inventor de história que não tem pra ninguém. 
Inventa tudo e tudo que inventa é na hora. Na lata!
O conto, cujo título foi dito aí em cima, começa quando Cesária lembra ali na sala de tantas histórias como o casamento com seu Alexandre querido. Foi festa seguida de uma semana, segundo ela. Muita comida, muita coisa gostosa. 
Hilariante. De presente do sogro, ganhou a mulher e com ela um grande dote. E tal e tal.
Casado, Alexandre partiu em busca de mais grana. Consigo levou boiadeiros e tal. E também o pedido irrecusável da mulher.
E que pedido era esse, hein?
Cesária queria que Alexandre lhe trouxesse um papagaio. 
E foi, foi e foi e foi...
Antes de voltar à casa feliz da vida, Alexandre comprou um papagaio caríssimo. Mas era um papagaio que falava tudo e mais e mais. 
Alexandre fez um buraco num saco e nele pôs o papagaio, onde ficou uns dois ou três meses. 
Quando voltou, esquecido do papagaio, a mulher viu aquele saco esquisito e perguntou e perguntou: "O que tem aí?".
Alexandre deu um tapa na testa e disse: "É o papagaio que comprei pra você, mulher".
Ao abrir o saco, apareceu o papagaio balançando a cabeça e olhando fixamente nos olhos de Alexandre, dizendo com voz trêmula e bamboleante, algo como: "Isso é coisa que se faça?".
Pois é, morreu o papagaio. 
As histórias contadas do real ou do imaginário por Graciliano Ramos são muito bem "amarradas": têm começo, meio e fim, desenvolvidas com palavras e frases econômicas. 
Não é fácil um escritor começar publicando sua obra com um clássico. 
Em 1933, Graciliano tinha 41 anos de idade. Com essa idade, ele publicou Caetés. 
E por que estou dizendo isso?
No começo da sua vida, Graciliano era um menino cego. A sua cegueira se manifesta direta ou indiretamente em todos os seus textos. Em Caetés, inclusive. Obra-prima. 
O segundo livro de Graciliano foi São Bernardo. 
O narrador personagem de São Bernardo foi um guia de cego.
O terceiro livro de Graciliano foi Angústia. Nesse livro o autor fala de um cego vendedor de bilhete de loteria, de um padre com um olho de vidro, uma mulher cujos olhos não viram o marido morrer pendurado numa corda, um velho Acrisio com olhos comprometidos com a visão... sem falar no avó centenário do personagem que foi-se sem nada ver.
As Histórias de Alexandre têm um personagem incrível, que vê além dos olhos: cego preto Firmino. 
Ah! Sim: em Angústia há uma velha senhora chamada Vitória que passa boa parte da vida tentando ensinar um papagaio a falar. 
Claro, claro, não custa nada reafirmar que os contos reunidos no livro Histórias de Alexandre são do folclore alagoano adaptadas pelo autor de Vidas Secas.

domingo, 21 de setembro de 2025

BRASIL LIVRE, SEM POLÍTICOS CANALHAS!

Crédito CNN Brasil

Boa parte, e uma parte fantástica, do Brasil e brasileiros foi às ruas correndo com a esperança na cabeça gritando contra a canalhice da PEC da bandidagem e da Anistia.
Os canalhas da Câmara Federal estão fazendo tudo para nos lascar. E à frente disso tudo, tem um conterrâneo boboficado chamado Hugo não sei quê.
Hoje 21 deste mês gracioso da primavera chegando estamos prontos para sermos felizes. 
Ditadura, meu Deus do céu! Nunca mais!

sábado, 20 de setembro de 2025

A NOSSA LIBERDADE AMEAÇADA


Amanhã domingo 21, no começo da tarde, o povo todo do Rio de Janeiro e mais toda a gente seja de onde for teremos a oportunidade especial e única de ouvir ícones da nossa melhor música popular cantando e reivindicando com alegria a permanência da liberdade no nosso querido país. 
Quando a rebordosa caiu na cabeça da gente no Dia da Mentira de 1964, entramos todos em convulsão. E logo depois, mergulhamos  no poço profundo da inércia, da dormência. Da tortura e morte sem responsabilidade. 
Nessa linha, lembro os queridos cartunistas Jaguar, Millôr, Fortuna, Angeli, Glauco, Fausto...
Bons tempos aqueles, maus tempos aqueles.
Convido amigos e amigas a acessar entrevista que fiz com Chico.
Antes disso, quero dizer que estarei no Rio gritando por independência e liberdade ao lado de Chico, Gil...
Vamos lá?
Viva o Brasil de direito democrático!


quinta-feira, 18 de setembro de 2025

O CEGO NA HISTÓRIA (8)


Há um tempo que nunca acaba. Esse tempo é o tempo de ontem, mas pode ser o tempo de hoje. Em tese. Tempo, tempo, tempo...
Há quem diga que o Nordeste brasileiro é um Nordeste violento, carregado de coisas piores herdadas da Idade Média. 
Pois, pois!
Tanto ontem quanto hoje, a violência carregada de absurdos grassou e grassa mundo afora. 
Jesus, o JC, nasceu nas bandas do Oriente Médio pregando a paz e o bom viver.
Bom, o judeu é um povo historicamente sabido. E lá atrás, bem lá atrás, judeus botaram pra quebrar levando JC a se explicar ao bambambã Pilatos. Esse lavou as mãos e... Os romanos fizeram o que não deveriam ter feito: mataram o Salvador. 
Voltemos, voltemos...
Pais, principalmente pai, no tempo d'antonte, descarregavam no lombo dos filhos a insatisfação e frustração que tinham consigo. Na verdade, até hoje. 
O escritor Graciliano Ramos (1892-1953) comeu na mão da mãe e do pai o pão que o diabo amassou. Dos dois, pai e mãe, o bom Graça chegou a levar chicotadas e não foram poucas. 
Como eu disse, a violência não é marca registrada do Brasil, tampouco do nosso Nordeste. 
Lá longe, no século 19, um caboco chamado Franz Kafka sofreu na mão do pai. E na mão do pai, a mãe também sofreu. 
Não vou concluir aqui tema tão absurdo, porém normalizado no correr dos séculos e séculos. 
Antes disso, não custa dizer ou lembrar que Graciliano Ramos de Oliveira começou a sofrer profundamente quando perdeu a luz dos seus olhos. Sua infância foi a de um menino cego, que vivia o tempo todo escondido num quarto com os olhos em sangue. 
No livro Infância, de 1945, Graciliano lembra terríveis momentos que viveu, no capítulo Cegueira. 

"Afastou-me da escola, atrasou-me, enquanto os filhos do Seu José Galvão se internavam em grandes volumes coloridos, a doença de olhos que me perseguiu na meninice. Torturava-me semanas e semanas, eu vivia na treva, o rosto oculto num pano escuro, tropeçando nos móveis, guiando-me às apalpadelas, ao longo das paredes. As pálpebras inflamadas colavam-se. Para descerrá-las, eu ficava tempo sem fim mergulhando a cara na bacia de água, lavando-me vagarosamente, pois o contato dos dedos era doloroso em excesso. Finda a operação extensa, o espelho da sala de visitas mostrava-me dois bugalhos sangrentos, que se molharam depressa e queriam esconder-se. Os objetos surgiam empastados e brumosos. Voltava a abrigar-me sob o pano escuro, mas isto não atenuava o padecimento. Qualquer luz me deslumbrava, feria-me como pontas de agulhas. E as lágrimas corriam, engrossavam, solidificavam-se na pele vermelha e crestada. Necessário mexer-me à toa, em busca da bacia de água".

A crueldade praticada pelo pai e pela mãe deixaram marcas profundas no corpo e na alma do escritor.
Antes e depois de escrever Infância, Graciliano não deixou de lembrar os sofrimentos e aperreios provocados pelos pais. A mãe o ignorava e só o lembrava quando estava por aqui de irritação. 
As dores de infância que nunca abandonaram Graciliano aparecem sem pieguice em Memórias do Cárcere, obra de 1953 em quatro volumes. 
Em 1934, Graciliano publicou São Bernardo. Escrita incrível, como os personagens e, particularmente, Paulo Honório. 
Honório foi criado por uma vendedora de cocadas, pois órfão era. E por esse tempo, meninote ainda, foi guia de cego, como sabe o bom leitor. 
Em 1944, um ano antes de Infância, o mestre alagoano publicou um livro praticamente esquecido até hoje. Título: História de Alexandre. 
Alexandre é um senhor loroteiro. A mulher dele, Cesária, é conivente com suas mentiras. A plateia é basicamente formada por um cego preto Firmino, o cantador de viola Libório, o curandeiro Mestre Gaudêncio e a beata rezadeira das Dores.
Não sei não, mas acho que o humorista Chico Anísio inspirou-se na mulher de Alexandre pra criar Terta. Lembra? "É mentira, Terta?"

terça-feira, 16 de setembro de 2025

EU E MEUS BOTÕES (93)

Assis e Maria estão subindo a escada que leva ao 3° andar de onde mora um dos botões, Lampa.
Os dois chegam aonde tinham de chegar. Uma chuva de palmas e hurras desabou no ambiente. 
"Viva! Viva! Vivaaa!", disseram todos os botões efusivamente. 
Assis, seu Assis, de modo um tanto modesto agradeceu: "Obrigado, muito obrigado!".
Silêncio no ambiente. 
Lampa olhou pra um dos colegas, olhou pra outro colega e tomando coragem disse: "Seu Assis, se puder nos perdoe. A gente fez toda essa brincadeira batendo palmas em louvor e reconhecimento à dona Flor Maria, desculpe, desculpe".
Nada não pessoal, começou seu Assis, "Palmas para dona Flor são palmas para mim. Mas eu gostaria de saber porque tantas palmas foram dadas hoje aqui".
Zé, olhando de revés os colegas ao lado, levantou a mão e disse que ele e todos ali estavam alegremente felizes com o que leram nos jornais sobre o que dona Flor disse a respeito da gula por dinheiro dos donos de hotéis de Belém do Pará às vésperas do grande encontro internacional para discutir os problemas do meio ambiente que podem levar o planeta ao fim.
Um tanto acanhada, dona Flor fez uma reverência baixando sutilmente a cabeça para agradecer os louvores que ela minimizava: "Cuidar do nosso mundo, do planeta em que vivemos, é uma obrigação natural".
Foi a vez de seu Assis puxar as palmas. Antes disse: "Se todos pensassem e atuassem como dona Flor, este nosso mundinho estaria bem melhor".
Baixa o pano.

terça-feira, 9 de setembro de 2025

PAPUDA PARA O IMBROCHÁVEL

Crédito: Brasil de Fato

O esquisito pai do Bananinha, aquele, pode pegar uma pena grande pela loucura que ousou fazer para se perpetuar à frente do poder político que tanto nos aperreou.
Xandão, dileto amigo das leis, permaneceu hoje 9 no STF pronunciando publicamente o voto contra o Esquisito, sim, aquele que carrega consigo uma cara horrorosa pode pegar até 43 anos de cana, segundo especialistas. 
Lugarzinho bom seria a Papuda, mas seu exército de advogados está aventando a possibilidade do tal cumprir a pena na própria casa; uma casinha ou sei lá o quê que de aluguel consome mensalmente 90 mil pilas. 
O ministro Dino começou há pouco a pronunciar o voto contra o malamanhado golpista, aquele que cunhou a expressão "imbrochável". Hummmm...
E tenho dito!


domingo, 7 de setembro de 2025

INDEPENDÊNCIA E MAIS ESTADOS



O negócio é o seguinte: devo dizer que já passa da hora de tirarmos da história o papo que dá conta de que o imperador Pedro I, de batismo Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, ao alcançar as beiras do riacho Ipiranga dissera com espada em punho a frase "Independência ou Morte!".
Isso teria ocorrido numa hora qualquer do dia 7 de setembro de 1822, quando subia a serra procedente de Santos onde fora cair nos braços da sua amante mais famosa: Domitilia de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos (1797-1867).
O Pedro I não era tão valente como aparentemente se apresentava. Aliás, é fato corrente que esse imperador fora atacado de uma dor de barriga lascada ali mesmo onde até hoje corre água naquele já referido riacho.
E já que toquei nessa história de independência, não custa dizer que o grito ameaçador de morte não resultou imediatamente em independência do nosso território. A última província a romper com Portugal foi Pará, Grão-Pará.
A luta entre brasileiros do Pará e portugueses terminou em agosto de 1823. Antes outras províncias não aderiram logo ao Grito. Essas províncias foram Bahia, Maranhão, Piauí e Amazonas.
Ficou famoso o 2 de julho baiano. 
O poeta Castro Alves, filho da Bahia, fez um poema de animar até estátua.
O Brasil ímperial entrou e saiu de muitas confusões incluindo revoltas e guerras, como a do Paraguai. 
A guerra do Paraguai foi deflagrada em 1864 e durou seis anos. 
Até hoje não se sabe do saldo definitivo de mortes. Fala-se que os números andam entre 150 mil  e 300 mil de ambos os lados. 
Antes de quebrar o pau com o Paraguai, o Brasil bateu e levou muita porrada do Uruguai. 
Esse quebra pau começou oficialmente em dezembro de 1825, quando o território paraguaio pertencia integralmente ao Brasil. 
Pois é, o Uruguai foi anexado ao território brasileiro em 1821. O nome era outro e fácil a pronúncia: Província Cisplatina. Essa façanha coube a D. João VI, que em 1808 saiu fugido da sua terra, Portugal. 
A fuga desse João foi provocada pelo exército napoleônico. Nas suas memórias, Napoleão diz que o único mandachuva do pedaço daquele tempo a lhe passar a perna foi o pai de Pedro I. Mas essa é outra história. 
E história por história, lembro que o Brasil é formado por 26 Estados e um Distrito Federal, Brasília. 
Agora, atenção: em breve o Brasil pode ter mais dúzia e meia de novos estados. 
Meu amigo, minha amiga, você já pensou num Maranhão do Sul e num São Paulo do Sul? E que tal um Estado do Triângulo?
O referido Triângulo seria extraído do território mineiro, hoje com mais de 800 municípios. 
Pois é, o tema pode entrar em discussão no Senado a qualquer momento. Mas aviso logo: na minha queridíssima Paraíba ninguém mete a mão, e se meter também leva.
E tenho dito!

sábado, 30 de agosto de 2025

EITA, BRASIL SEM GRAÇA!

Crédito: CNNBrasil


Triste e frios ventos da madrugada de hoje 30 trouxeram a má notícia do indesejável desaparecimento do gaúcho da cepa Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).
Veríssimo era um cara raro entre os raros. Era filho de outro deus da nossa briosa literatura, Érico.
Eu conheci esse Veríssimo através do querido Fortuna, que é certo estar no céu esperando seu colega. 
Fortuna foi quem propiciou esse encontro entre nós dois, Veríssimo e eu. Lembro-me como se fosse hoje. 
Corria o ano de 1992, quando eu fazia lançamento do livro O Coronel e a Borboleta E Outras Histórias Nordestinas. A capa trazia a marca do genial Fortuna e dentro, no miolo, uma ilustração do imortal Jaguar.
Bom, pessoal, Luis Fernando Veríssimo disse uma vez que um brasileiro com um mínimo de visão e bom senso seria, naturalmente, de esquerda. E explicava ele acrescentando que "Ser de esquerda não é opção, é decorrência".
Veríssimo vai, como o seu pai, mas pra nós ficam seus livros e exemplo de vida.
Viva Luis Fernando Veríssimo!

domingo, 24 de agosto de 2025

O HUMOR ESTÁ SEM GRAÇA

Crédito: BandNews


Jaguar, o humorista Jaguar, de batismo Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe acaba de nos dar adeus ao ter o coração parado. 
O passamento de Jaguar foi agora já neste fim de tarde no Rio, onde morava.
Eu conheci Jaguar ali pelos fins dos anos 70.
Publiquei entrevistas e reportagens no velho e bom Pasquim, criado por Jaguar e Ziraldo. Além desses, Millôr, Tarso de Castro e Fortuna. Esses aqui citados estão fazendo gracinhas hoje lá em riba pra Deus, JC e santos e santas de todos os calibres, além de anjos, arcanjos e querubins. 
Lá longe, bem pra cima da nossa cabeça, deve estar ocorrendo uma zoeira danada. Ops!
Pois é amigos e amigas, este mundinho de zosta está cada vez mais ficando pior.
O Pasquim de Jaguar, Ziraldo, Millôr, Tarso, Fortuna e tantos mais morreu. 
E eu, hein?
Lembro de meus encontros com Jaguar, Ziraldo, Tarso, Fortuna...
Uma vez Fortuna me carregou pra lançamento do livro O Coronel, a Borboleta e Outras Histórias no Salão de Humor de Piracicaba. O primeiro que recebeu o livro foi Jaguar, que se disse surpreso com a qualidade do livro (capa de Fortuna) e de uma ilustração por ele assinada e publicada numa página que já não sei qual. 
É isso, não é Fausto?
Adeus Jaguar, me aguarde...

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

SAFADEZA AMERICANA

Crédito: Poder360


Outro dia eu disse que os EUA não são flores que se cheire.
Amigos, amigas, o que está ocorrendo neste mundinho doido onde vivemos é uma loucura total. É gente se candidatando a matar gente.
Não precisamos espichar os olhos para ver a desgraceira que países ditos do "primeiro mundo" estão a fazer contra o que resta do mundo. Sim, este em que vivemos.
O que o tal Trump está fazendo é um jogo canalha, como ele, a favor dele.
Esse cara, repito canalha, foi eleito por seus seguidores radicais para derrubar a democracia. E não custa lembrar que foi eleito democraticamente e o que está fazendo é completamente diferente do que universalmente proclama a democracia: liberdade. 
Os EUA sempre acharam que os países da nossa América eram deles. 
Amigo, amiga, no dia 2 de dezembro de 1823 um cara chamado James Monroe (1758-1831), 5° presidente gringo daquelas bandas do Norte, ocupou espaço no Congresso lá deles para dizer que, entre outras coisas: "América para os americanos".
A ideia era, segundo a doutrina Monroe, controlar o continente americano. O lance era: proteger os países da nossa América, do Sul e Latina. 
No que toca ao México, em 1847, os EUA subtraíram, pra dizer o mínimo, mais da metade do território desse país.
E vou parar por aqui, porque o que os EUA fizeram com os países da nossa América foi muito violento.
A relação comercial do Brasil com os EUA data da segunda metade do século 19. O café, como produto, era a grande novidade degustada por todos.
O café continua sendo nos EUA e no mundo afora uma preferência especialíssima.
Em 1893, o paulistano Eduardo Prado (1860-1901) já falava da safadeza que os EUA estavam fazendo contra o Brasil. Sugiro que leiam o livro A Ilusão Americana. 
Sim, voltarei ao assunto. 

terça-feira, 12 de agosto de 2025

O CEGO NA HISTÓRIA (7)


Pois bem, o romance Esaú e Jacó foi publicado em 1904. Antes disso, o nosso Machado publicara Dom Casmurro (1899).

Sem dúvida, Esaú e Jacó transformou-se num dos dez romances clássicos do bruxo do Cosme Velho. 

Depois de publicar Esaú e tal, Machado deixou-se publicar o seu último livro: Memorial de Aires.

Machado era fluminense, como se deve saber. 

Machado morreu em casa na madrugada de 29 de setembro de 1908. Nesse mesmo dia, madrugada, mês e ano nascia na terra mineira um cara que o futuro haveria de aplaudir: João Guimaraes Rosa. 

Rosa, como Machado, inovou a literatura brasileira. 

Muitos outros autores do nosso patropi fizeram-se importantes. E não são poucos. 

Em 1892 nascia, em Alagoas, um menino que ganharia fama como escritor: Graciliano Ramos de Oliveira. 

Leitor amigo, você saberia dizer os pontos de identificação entre Machado de Assis e Graciliano Ramos?

Bom, houve um momento na vida de Machado em que a visão lhe falhou completamente. 

Houve um momento na vida de Graciliano em que seus olhos lhe negaram visão. Foi na infância, mas o problema minimizado o acompanhou no decorrer dos seus 60 anos de vida. 

Como se não bastasse, há outros pontos em comum entre Machado e Graciliano. 

Machado era poeta no começo da vida literária. 

Graciliano também foi poeta, embora tenha iniciado a carreira como prosador. Seu primeiro conto teve por título O Pequeno Pedinte, publicado num jornalzinho da sua infância. Detalhe: tinha o futuro autor a idade de 12 anos.

Além de poeta, Machado foi quem todos nós sabemos. 

Graciliano, por sua vez, foi quem todos nós sabemos. 

A história de Machado de Assis e de Graciliano Ramos se cruzam em vários momentos. 

Machado nasceu pobre de marré marré e aleluia!

Graciliano não nasceu em berço de ouro. O pai, um brutamontes, o castigava aos gritos e chicotadas. A mãe o humilhava de todas as formas, chamando-o de "bezerro encourado" e/ou "cabra-cega".

Bezerro encourado significava, lá no passado nordestino, pessoa enjeitada pela mãe, humana ou vaca de rebanho. 

A expressão cabra-cega tem origem antiquíssima. Data de muito antes da Idade Média. Surgiu como brincadeira infantil e como brincadeira acabou. A base era vendar os olhos de uma criança, pois brincadeira de criança era e fazer com que a vendada conseguisse segurar outra criança a quem passasse a venda.

No Nordeste essa brincadeira tinha outra versão: uma criança tinha os olhos vendados e de vara em punho tentava quebrar uma panela ou pote de barro pendurada em algum lugar. Tal panela estava recheada de balas e outras guloseimas. Era uma festa.

Na obra de Machado de Assis há referências à cegueira. Na obra de Graciliano também. 

Em 1938 o famoso alagoano levaria às livrarias o livro São Bernardo. 

Em São Bernardo, o narrador é um ex-guia de cego.

Órfão de pai e mãe, Paulo Honório foi adotado por uma mulher chamada Margarida, que compatilhava a vida com um cego.

O tempo passou e Paulo, que nunca tirou da cabeça a ideia de ficar rico custasse o que custasse, levou a sua mãe para morar consigo na fazenda que comprou por meios questionáveis. 

É uma história fortíssima a que se lê em São Bernardo. 

Por questões de ciúme por uma jovem com quem teve a primeira vez na cama, Paulo é preso e condenado a três anos, nove meses e 15 dias depois de esfaquear um rival. Alfabetizou-se na cadeia, graças a um sapateiro com quem dividia a cela.

E fiquemos por aqui.


segunda-feira, 4 de agosto de 2025

ATENÇÃO: OS EUA NÃO SÃO FLORES QUE SE CHEIRE



Os Estados Unidos da América, EUA, formam um país que carrega na sua história presidentes escravocratas.

Presidentes houve nos EUA que presidiram o país de dentro da própria casa para fora.

Isso aí dito, é história do começo do século 20. Procurem ler mais a respeito. 

Sem falar nas putarias, nas loucuras de Carter e de Clinton. 

Meus amigos, minhas amigas, vocês já leram o romance O Presidente Cego (1977), de William Safire.

Este arrodeio todo que eu estou a fazer tem a ver com um pateta troglodita chamado... Como é mesmo o nome dele?

Outro dia uma repórter da TV Globo em Washington perguntou ao atual ocupante da Casa Branca se conversaria com o presidente do Brasil, Lula.

A resposta, escrota, do ocupante da Casa Branca foi: "Se ele me ligar, eu atendo a qualquer momento".

Esse cara que hoje ocupa a principal casa de Washington nasceu para menosprezar o ser humano. Quer dizer: sente prazer em humilhar, achando-se o dono do mundo. 

Amigos e amigas, se ainda não viram, vejam o filme O Grande Ditador (1940), de Charles Chaplin.

Brasil, brasileiros de bom senso, é preciso não perdermos de vista as manobras infernais que ora estão sendo arquitetadas por um bruxo do "reality show".

As manobras desse tal podem prejudicar imensamente o nosso País.

No dia 4 de dezembro de 1893, o paulistano Eduardo Prado lançou em São Paulo o livro A Ilusão Americana. O lançamento teve a obra toda esgotada em menos de uma hora. A polícia de Floriano Peixoto partiu pra cima e arrebentou. 

Voltaremos ao assunto. 

quarta-feira, 23 de julho de 2025

EU E MEUS BOTÕES (92)

"Dona Flor...", começou Zé: "A senhora acredita na vida depois daqui?".

Hummmm... 

"Dona Flor, a vida é muito bonita, rápida e eu nem sei como lhe fazer perguntas", continuou Zé.

Mané, quieto o tempo como quase sempre fica Zé, perguntou: "Eu não sei como fazer, mas procuro ser uma pessoa de bem com todo mundo. Faço isso naturalmente, sem esperar qualquer tipo de compensação vinda de onde vier".

Hummmm... Vocês estão impressionantemente incontroláveis!

"Dona Flor, depois que a senhora pintou por cá a nossa vida mudou. A senhora abriu nossos olhos para o Conhecimento", disse em tom solene o poeta Zilidoro. 

Zé a tudo observava, sem se mexer. De repente, perguntou: "Dona Flor, a senhora é de uma grandeza impressionante. De onde a senhora veio?".

Hummmm... 

De repente, não mais do que de repente, os irmãos Biu e Barrica se levantam já quase gritando: "Seu Assis! Seu Assis!".

Vocês endoidaram?

Risada geral.

"Seu Assis...", começou Zoião: "A vontade da gente hoje era saber se dona Flor acredita na vida depois daqui, exatamente como o nosso Zé puxou a conversa. 

Pois então, essa história é interessante. Amigos, eu não sei se tem vida depois da morte. O assunto me interessa. Vamos conversar a respeito no nosso próximo papo?

"Seu Assis!", dá o ar da graça o Fuinha: "Seu Assis, eu tenho uma coisa pra lhe contar. Tem a ver com Olavim".

Olhei fundo no olhos de Olavim e ele fez que não viu. Fuinha sugeriu, puxando minha orelha: "Vamos lá para o boteco e lá lhe contarei algumas coisas que têm a ver com Olavim".

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