Inezita
Barroso, de batismo Ignez Magdalena Aranha de Lima, nasceu numa quarta-feira de cinzas há exatos oitenta e nove anos e um
dia completados hoje. Você
sabia que fui eu quem escreveu o primeiro livro (acima) sobre ela? Pois
é, Inezita merece todas as honras, todas as glórias por ser, definitivamente,
uma brasileira completa, que ama e canta a sua terra e a sua gente. Quer
saber mais? Clique: http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular12.pdf
O papa Francisco é normal, isto é: humano. Viva o papa! Ontem na hora do Angelus o meu xará
argentino pronunciou de modo errado uma palavra de origem italiana e acabou por
dizer um palavrãozinho, coisa do tipo "carajo" ou "cazzo". Se cada um de nós não acumular riquezas
para si mesmo, mas colocá-las ao serviço dos outros, neste c..., neste caso,
ele corrigiu rapidamente, “a Providência de Deus torna-se visível neste gesto
de solidariedade". A fala do papa me fez lembrar alguns
artistas que falavam palavrões a torto e a direito para melhor se expressar,
como a atriz Dercy Gonçalves e a cantora Isaurinha Garcia. Tem hora que um palavrãozinho faz bem,
e está provado; tanto que meu amigo Mário Souto Maior – que já está no céu – chegou
a escrever um dicionário (acima) sobre o tema. Eu, cá com meus botões, ficou imaginando que expressão o papa Francisco pronuncia quando dá uma topada.
O
caldeirão fervente do besteirol musical continua gerando sucessos relâmpagos e
descartáveis, naturalmente. Mais
uma vez, as tranqueiras chegam da Bahia e atendem pelo nome geral de furdunço e
lepo lepo. Furdunço
é um movimento cultural que agrega tendências musicais, definem os inspirados foliões
baianos entre um esquindô e outro. Para
lepo lepo, bem, os sábios de plantão da costa baiana ainda não encontraram uma
definição, digamos, politicamente correta, em que pudesse se encaixar a palavra
cultura, por exemplo; mas não é difícil imaginar do que se trata. Lepo
lepo é... Clique: https://www.youtube.com/watch?feature=share&v=AHVS5DW434g&app=desktop
É
UMA BRASA!
Sintonizado
na Jovem Pan, ouvi que o velho monarca da outrora jovem guarda embolsou um
cachê de R$ 25 milhões para fazer um comercial para a TV em que mente, dizendo
que parou de comer carne (acima). Essa grana equivale a um edifício de 13, opôs!,
andares de 138m2 no bairro paulistano do Itaim ao custo de R$ 1,8
milhão, que é quanto custa um apartamento da sua imobiliária. Numa
boa? Eu
faria esse anúncio pela metade do cachê e ainda ajudava os pobres da minha rua, HAHAHHA.
A
edição deste fevereiro da Revista do Brasil traz em duas páginas um pouco da
história do Instituto Memória Brasil, IMB (acima). A
reportagem (ao lado, na reprodução parcial) é assinada pelo jornalista Vitor Nuzzi. O
Instituto foi criado em 2011, com a finalidade de preservar e divulgar http://www.rodasgonzagueanas.org.br/#!nos-correios/csrm um pedaço
do Brasil encontrável em segmentos diversos da nossa cultura popular, seja
através da literatura de cordel, seja através do repente de viola comum em algumas
partes do País, principalmente no Nordeste. O acervo da instituição é formado por mais de 150 mil itens, incluindo fotos, partituras, livros, jornais, revistas, discos de todos os formatos fabricados no Brasil e no exterior desde os primeiros anos do século passado. Quer
saber mais? Então, clique: http://www.youtube.com/watch?v=pIwkiRBTnUA http://www.youtube.com/watch?v=nYDbO1ln6vk
Deixar
de se manifestar contra ou a favor de alguém ou de uma situação é um absurdo sem
tamanho que ainda prevalece na sociedade globalizada, por covardia ou interesse
individual ou de grupo. As consequências disso para a formação de cidadãos são
catastróficas, bastando dizer que a falta de opiniões gera indiferença, medo e
burrice da parte de quem se deixa contaminar pelo excesso de cautela. Deixar
de opinar é deixar de pensar, de ter pensamentos e ideias próprias.
LAMPIÃO
O
celerado Virgolino Ferreira, vulgo Lampião, fuzilado pela polícia alagoana em
julho de 1938, foi lembrado hoje à tarde em sessão do Supremo Tribunal Federal
pelo ministro Luiz Fux, ao ter seu bando comparado com os condenados pelo Mensalão
atualmente presos na Papuda, em Brasília. O voto do ministro foi favorável que
se mantenham inalteradas as penas aos condenados pronunciadas no ano passado
pelo Supremo.
ARNESTO
O
advogado e ex-vendedor de chuchu, engraxate e violonista Ernesto Paulella
morreu hoje aos 99 anos de idade, após cair e fraturar o fêmur em casa, na
Mooca onde morava. O
fato se deu por volta do meio-dia no Hospital Sancto Maggiore. Na capital
paulista. Em
1955 Paulella foi surpreendido ao ouvir no rádio a música Samba do Arnesto (acima, na reprodução do selo do disco), de
Adoniran Barbosa, composta em sua homenagem. Paulella é personagem da biografia que escrevi sobre o grupo Demônios da Garoa, Pascalingundum.
Será
hoje a partir das 20 horas, no boteco Sabiá, na Vila Madalena, cá em Sampa, o
lançamento do livro O Bisbilhoteiro das Galáxias, do conterrâneo Jotabê
Medeiros, baluarte do Caderno 2, suplemento diário de variedades do centenário O
Estado de S.Paulo. Esse
é livro de estreia de Jotabê, que é paraibano de Campina Grande e tem 25 anos de
jornalismo. Nesse quarto de século ele entrevistou algumas das mais reluzentes
estrelasdo universo pop internacional, entre
as quais Bob Dylan. Especialmente por se tratar basicamente de um livro de bastidores, digamos assim, é um livro necessário à leitura, seja para especialistas, seja para leitores convencionais. Vamos
dar um abraço no Jotabê? O
Sabiá fica ali na esquina das ruas Fidalga e Purpurina.
BRASILIDADE
André
Domingues, uma das cabeças mais brilhantes deste País tão judiado, apresentará
sua tese de doutorado (Cinco Cantos de Vanguarda: Populares e Eruditos em Luta
pela Brasilidade Moderna) amanhã, 25, às 14 horas, na USP. Local preciso: prédio
da administração da FFLCH (Rua do Lago, 717), atrás da FAU. O
novo doutor avisa que o evento é um pouco longo, mas promete que fará “o máximo
para que não seja chato!”. Terminada
a defesa, “ficam todos convidados para comemorar o fim dessa etapa na minha
casa (Rua João Batista de Souza Filho, 121, Butantã). Comemoraremos junto o
aniversário do meu irmão. Até lá!”. Um
resumo do próprio André: -
A tese “Cinco cantos de vanguarda: populares e eruditos em luta pela
brasilidade moderna” analisa historicamente cinco diferentes momentos em que
músicos populares e intelectuais eruditos brasileiros estabeleceram
intercâmbios e trabalharam em parceria na construção de discursos sobre o ser
nacional, sob influência marcante de um ideário de vanguarda. Para cada um
desses momentos, elegeram-se parcerias representativas a serem estudadas. Os
momentos abordados, compreendidos entre 1924 e 1969, foram o modernismo, o
regionalismo baiano, a bossa-nova, a música de protesto da década de 1960 e o
tropicalismo, tendo como representantes escolhidos, respectivamente: Marcelo
Tupinambá e Mário de Andrade; Dorival Caymmi e Jorge Amado; Antônio Carlos
Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes; Carlos Lyra e Gianfrancesco
Guarnieri; Caetano Veloso e Rogério Duprat.
Denominou-se Deixa Falar a primeira escola de samba do País,
surgida no Rio de Janeiro, em 1928. Entre seus fundadores achava-se o
compositor Ismael Silva. Em São Paulo, em 1937, a primeira escola a receber essa
denominação foi a Lavapés. O primeiro samba-enredo carioca data dos anos de 1940, mas
há controvérsias em torno da questão. O primeiro LP com registro de desfile de
escolas de samba foi lançado em 1958. Em 1949, a escola de samba Império Serrano desfilou com
Exaltação a Tiradentes. Seis anos depois, o cantor Roberto Silva gravou com o
título reduzido para, simplesmente, Tiradentes. Não era bem um samba-enredo. Pela Chantecler em São Paulo, em 1969, Carmélia Alves e
Geraldo Filme gravaram o primeiro LP só com sambas de enredo (acima, reprodução
da contracapa), com pérolas como São Paulo Antigo, História do Aleijadinho e
Biografia do Samba. Mas o samba-enredo de qualidade acabou, ou está se acabando.
E os motivos resumem-se num só: grana. Hoje, muito mais do que ontem, as escolas fazem tudo por
dinheiro, dede aumentar o ritmo do samba a “biografar” quem pagar mais. E a
constatação é mais do que simples: basta ouvir os discos dos últimos dez, 15
anos, de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Compor um Chica da Silva como foi composto em 1963 e a Salgueiro
mostrou na avenida, impossível. E o que dizer da obra-prima Heróis da Liberdade, que Mano
Décio, Silas de Oliveira e Manoel Ferreira compuseram para a Império Serrano em
1969, em plena ditadura militar, hein? E como compor nos dias atuais sambas da qualidade de um O Mundo
Encantado de Monteiro Lobato, com o qual a Mangueira desfilou em 1967? Esses são sambas definitivos como Os Sertões, que a
escola Em Cima da Hora apresentou ao Brasil em 1976. Um dos últimos sambas-enredo com a grandiosidade que todos
merecem foi Liberdade, Liberdade, na avenida em 1989 pela Imperatriz Leopoldinense.
É
claro que, ao contrário de Cabral pai, Cabral filho, governador do Rio de
Janeiro, não gosta nem um pouco de marchinhas de carnaval, pois querem lhe apear
do poder custe o que custar cantando coisas do tipo:
Quanto
tiro, oh!
Quanta
policia A
tropa de choque em ação Ditador
de helicóptero E
no meio da cidade Um
monte de Caveirão!
Além
dessa paródia, de Máscara Negra, foram feitas outras de Alah-lá ô, Mamãe eu
Quero, Ó Abre Alas etc., e uma em especial.
Milhares
de blocos carnavalescos pequenos, médios e grandes, também chamados de bandas e
num tempo mais atrás de cordões, estão se preparando para desfilar nas ruas do
Brasil. Dois, especialmente, chamam a atenção pela quantidade de foliões que
arrastam: Bola Preta, do Rio de Janeiro; e Galo da Madrugada, da capital pernambucana; que, aliás, este ano homenageia o escrito paraibano Ariano Suassuna (ver abaixo) .
De
respeito também é o Muriçocas do Miramar, de João Pessoa, seguido por uma multidão
calculada em 500 mil pessoas. Em
algumas localidades a folia de Momo se inicia hoje, como na capital paraibana
onde o Bloco Folia de Rua sai do Ponto de Cem Réis, no centro da cidade. Em
João Pessoa, como noutras cidades, está-se retomando, aos poucos, a tradição dos
concursos de marchinhas de carnaval, que tinha entre seus grandes compositores
Lamartine Babo e Braguinha, entre tantos. O
mais antigo bloco paulistano de ininterrupta folia é a Banda Redonda, que está
completando 40 anos e anualmente arrasta muita gente pelas ruas do centro da
Paulicéia Desvairada, como chamava a sua cidade o observador cultural Mário de
Andrade. A
quantidade de blocos carnavalescos minguou a partir dos anos de 1970, mas
começaram a voltar com força total a partir da última década. Hoje, só na
capital de São Paulo, são cerca de 170. Até Gueri-Gueri, fundado na região do
bairro de Pinheiros em 1986, está voltando. A
Banda Redonda desfila sempre na segunda-feira que antecede o carnaval. Na
semana que entra, os blocos continuam nas ruas, como o Umes Caras-Pintadas, na
terça; a Banda do Candinho, na quarta; a Banda do Trem Elétrico, na sexta; e no
sábado, domingo etc., saem o Bloco dos Bastardos e muitos outros. Até
depois do carnaval, dia 4, tem alegria de blocos como o Ó do Borogodó, que sai
ressacado às 14 horas pelas ruas do bairro boêmio de Vila Madalena.
BLOCO
DE FORRÓ
De
Paulinho Rosa, recebo: “O
nosso bloco, o bloco de FORRÓ, vai sair! Neste sábado, 22/02/2014 o bloco A EMA GEMEU DE CANTO A CANTO
sai entoando os forrós clássicos e desfilando nesta São Paulo tão eclética
colocando o forró em mais um evento cultural da cidade. Vamos nos concentrar a partir das 13:00 hs no CANTO DA EMA na
Avenida Brigadeiro Faria Lima 364 e caminharemos com trios e músicos de forró
até o CANTO MADALENA NA RUA Medeiros de Albuquerque, 471 - Vila Madalena. Vamos colocar FORRÓ na rua, com toda a animação que os
forrozeiros e simpatizantes tem!”
RECADO
De
Andrea, a convocação: “É sábado, pessoal!Tá chegando
o carnaval de Olinda em SP, de graça! Amanhã tem Siba e Mombojó junto com a Orquestra de Frevo Henrique Dias, Bonecos
Gigantes e Casais de Passistas!Foliões e
brincantes, vamos colorir de azul, verde, amarelo e vermelho o Centro de SP
agitando sombrinhas e jogando confete e serpentina, exibir adereços, máscaras e
fantasias e esbanjar alegria. Às 13 horas concentração
da Orquestra de Frevo em frente ao CCBB/SP, com Boneco Gigante e Casal de
Passistas fazendo um arrastão pelas ruas do Centro de SP e finalizando na Praça
do Patriarca, em frente ao palco”. ARIANO SUASSUNA O escritor paraibano Ariano Suassuna é o grande
homenageado, este ano, do bloco pernambucano Galo da Madrugada. Clique: http://globotv.globo.com/rede-globo/netv-2a-edicao/v/ariano-suassuna-homenageado-do-galo-da-madrugada-vai-participar-do-desfile-do-bloco/3098943/
A
estação das chuvas continua distante dos nordestinos. Na
primeira quadra do ano iniciada neste mês se aguardam chuvinhas esporádicas
aqui e ali, parecidas com as que caíram ontem em Currais Novos; o suficiente,
porém, para fazer feliz seus quarenta e poucos mil habitantes. E o bom foi que
ela caiu dentro de açudes há muito secos e estorricados. A
cidade de Currais Novos, localizada na mesorregião central potiguar, é
conhecida como Princesa do Seridó; a rainha é Caicó, a cerca de 270 quilômetros
da capital, Natal. Fala-se
muito do sol e calor que têm castigado o Norte, Sul e Sudeste do País, mas o
Nordeste, com seus nove Estados ocupados por mais de um terço da população do
território nacional, continua ao Deus dará, esquecido por Deus etc. A situação climática da região
prevista para a este ano pelos meteorologistas é péssima. Enquanto isso, os reservatórios
continuam lá em baixo.
No seu CD de estreia, o potiguar Lulinha Alencar mostra que
tem sensibilidade e sabe tocar sanfona.
A sua audácia no disco, Cem Gonzaga, se resume no fato de
buscar no repertório gonzagueano músicas pouco conhecidas do chamado grande
público, como Santana, Aquele Chorinho, Pisa de Mansinho, Seu Januário e Araponga,
entre outras.
Ao contrário de muitos sanfoneiros, Lulinha não agride as
teclas do seu instrumento; ele as acaricia com gosto e pertinácia e o resultado
disso é um som bonito, suave, aos nossos ouvidos ultimamente tão judiados pelo
lixo sonoro produzido como se fosse música.
Mas a grande audácia, mesmo, cometida por esse artista das terras de Luís
da Câmara Cascudo foi agrupar as 12 músicas escolhidas de Gonzaga numa espécie de
trilha em que se escuta apenas o som da sanfona. E isso é pra sanfoneiro macho!
As três últimas músicas que encerram o disco duas trazem a
sua assinatura e a última um improviso de Dominguinhos, que partiu para a eternidade
depois de deixar o corpo numa espécie de agonia para seus seguidores.
Sim, esse é um disco especialmente para quem quer conhecer
de perto o som de sanfona.
ps: Luiz Gonzaga, o Rei do Baião nasceu num dia 13 de dezembro; Lulinha, também.
Comemora-se
hoje, 16 de fevereiro, o Dia do Repórter. Repórter
é quem faz reportagem, e quem faz reportagem é um tipo de profissional meio
criança, meio maluco, que atua no jornalismo, desde sempre uma profissão desgastante e
altamente arriscada, inicialmente regulamentada por lei nos fins dos anos de 1960. As
perguntas básicas para a elaboração de qualquer reportagem, em qualquer língua
e lugar, são: quem, como, quando, onde e por quê? O
bom profissional do jornalismo precisa, necessariamente, saber perguntar e
ouvir muitíssimo; ter calma, muita calma, e respeitar o entrevistado; jamais
forjar notícias ou induzir o entrevistado a responder sob qualquer tipo de
pressão. Alguns
grandes repórteres viram grandes escritores, como Audálio Dantas, Joel Silveira
e Caco Barcelos, entre muitos outros.
Estou
no jornalismo desde o final dos anos de 1960, quando iniciei a profissão no velho
e bom jornal O Norte, PB (acima); até chegar à Folha (ao lado), no começo da
segunda metade da década seguinte, bati pernas e comi o pão que o Diabo amassou. Caso
eu tivesse de recomeçar a vida, recomeçaria como repórter.
Em
tempo: O bloco carnavalesco Imprensa que eu Gamo, que saiu ontem pelas ruas do
Rio de Janeiro, homenageou o repórter cinegrafista Santiago Andrade, em pleno
exercício da profissão.
Nestes
pobres tempos de prática do “politicamente correto” e ação de
patrulheiros vadios é de se lamentar profundamente o corte dos
comentários políticos e oportunos de José Nêumanne da grade dos
jornalísticos do SBT.
Junto com os comentários, foi banido o seu autor; e também seus colegas, Carlos Chagas e Denise Campos de Toledo.
E
não à toa, isso acontece no momento em que a nossa frágil democracia,
conquistada a duras penas, sangue, suor e lágrimas, é ferida nas ruas
por vândalos alugados por sabe-se lá quem.
Pobres
e tristes tempos estes em que minguam cada vez mais as opiniões -
principalmente as opiniões críticas – nas mídias, incluindo o facebook
desta vidinha corrida e banal de valores inversos.
Com
a saída de Nêumanne do SBT, perdemos todos nós. Mas seus comentários
continuam sendo feitos diariamente na Rádio Jovem Pan, de onde, aliás,
saí graças também ao atual diretor de Jornalismo do SBT.
Pois é, esse Marcelo é mesmo uma parada.
Quem
quiser saber mais um pouco sobre a saída de Nêumanne do SBT, recomendo a
leitura da última edição do newsletter Jornalistas&Cia.
TEO
AAZEVEDO Hoje,
a partir das 21 horas, o cantor, compositor e instrumentista mineiro Téo Azevedo
estará se apresentando pela primeira vez no Hotel San Rapajel, no centro da
capital paulista. Na ocasião ele estará lançando o CD Salve Gonzagão, 100 Anos,
vencedor do prêmio Grammy Latino 2013, do qual, aliás, participo com uma faixa
declamando e contando um pouco da história do rei do baião, Luiz Gonzaga. Azevedo
aproveitará a ocasião para autografar o livro Catrumano 70, uma biografia sua
escrita por Amelina Chaves. Vamos prestigiá-lo? O San Raphael fica ali no largo
do Arouche, 150/200. Clique:
O empresário da noite Paulinho Rosa, do ramo de forró e congêneres, foi o único, no País, a se organizar para comemorar em alto estilo os 73 de idade que hoje faria o pernambucano José Domingos de Morais, o Dominguinhos. Paulinho é paulistano, dono da casa de espetáculos Canto da Ema.
Dominguinhos nasceu em Garanhuns e foi um dos 17 filhos gerados por dona Mariinha e seu Chicão, ou mestre Chicão, como era conhecido por ser sanfoneiro e afinador de sanfonas. Dona Mariinha e seu Chicão eram alagoanos e muito pobres, como toda família.
A sorte de Dominguinhos, dos pais e irmãos começou a mudar no dia em que o trio Os Três Pinguins conheceu o rei do baião, Luiz Gonzaga, no final dos anos de 1950, quando tocava pra turistas a troco de tostões à entrada do hotel Tavares Correia, que existe até hoje totalmente remodelado.
O trio era formado por Morais, Valdomiro e Neném, que tocava triângulo e pandeiro e viraria Neném do Acordeon antes de se tornar nacionalmente famoso pelo diminutivo Dominguinhos.
Eu conheci Dominguinhos na segunda parte dos anos de 1970 e sobre ele escrevi muitos textos, como o publicado no semanário O Momento (acima), de João Pessoa (acima) e em cerca de mais 50 jornais, via Agência Brasileira de Reportagens, ABR, em abril de 1980.
Ele, como Sivuca, Mário Zan, Waldonys, Bombarda, Oswaldinho, Cezar do Acordeon e Olivinho, entre outros grandes sanfoneiros, participou várias vezes de programas de rádio que apresentei, nas rádios Atual e Capital.
Foi Dominguinhos quem me telefonou para dar a notícia da morte de um dos seus mestres, Orlando Silveira, em dezembro de 1993.
Saudade.
DOMINGUINHOS NO CANTO DA EMA
Hoje, ali por volta da meia-noite, vai ter festa das boas em homenagem a Dominguinhos no Canto da Ema; a festa contará com a presença de Elba Ramalho, Anastácia e Oswaldinho do Acordeon, entre outros artistas que insistem a fazer boa música. Eu vou, você vai? Aí no link http://mais.uol.com.br/view/k77arz6psxw4/os-dez-dedos-de-ouro--anastacia-04020D9C3170D4C14326?types=A& , a canção Os Dez Dedos de Ouro, para Dominguinhos, cantada por Elba e Anastácia, a autora e principal parceira de Dominguinhos ao longo de mais de uma década.
Para saber mais um pouco sobre Dominguinhos ou simplesmente lembra-lo, clique:
Com cara e jeito de menino arteiro, peralta, o paulistano do Bom Retiro Osvaldo Barro completa hoje 74 de idade. Alheio a loas, ele continua enfiado num estúdio de gravação dando retoques finais no novo disco, que será lançado à praça ainda neste semestre. Atenção: antes do carnaval, ele estará na telinha da TV Globo participando da minissérie O Atravessador de Samba, que também traz no elenco o craque Germano Mathias.
Parabéns e muitos anos de alegria, Osvaldinho!
Clique no link abaixo para ouvir o mestre da cuíca:
Dominguinhos
faria 72 anos de idade depois de amanha, 12. Nos últimos anos, ele comemorava a
data na casa de espetáculos paulistana Canto da Ema, do Paulinho Rosa, seu
amigo e parceiro no programa Vira e Mexe, da Rádio USP. Mas a sua ausência
física não muda e nem extingue a comemoração. Pelo contrário: a data será
alegremente comemorada, “pois é como se seu Domingos não tivesse viajado”, diz
Pauliinho. Foi
numa quarta-feira, como a do próximo dia 12, que José Domingos de Morais nasceu,
em Garanhuns, PE. Ele criança, junto com dois irmãos também crianças, tocava à
porta de um hotel na sua cidade para ganhar uns trocados e, assim, ajudar na
manutenção de casa, que era de uma pobreza franciscana. Por capricho do destino,
os três foram ouvidos pelo rei do baião, Luiz Gonzaga, que se encantou e
prometeu ajuda-los. Dito e feito. O
resto da história, todos conhecem. Quarta
que vem lembrarão a data vários artistas, entre os quais mestre Oswaldinho do
Acordeon, Elba Ramalho e Anastácia (aí ao lado comigo, no programa do Jô Soares nos tempos do SBT), que viveu com ele durante mais de dez anos.
Detalhe: Anastácia é a compositora com maior número de músicas compostas com um
mesmo parceiro, no Brasil: mais de 200, incluindo sucessos como Eu só Quero um
Xodó, gravada em várias línguas.
PETER
ALOUCHE
O
poeta Peter Alouche, mais conhecido por Pedro Nordestino, acaba de ter um
cordel musicado e gravado em disco, com produção do Cantador de Alto Belo, Téo
Azevedo. Detalhe: Téo acaba de ser agraciado com uma estatueta Grammy, pelo CD
Salve Gonzagão. Ouça
a coluna Por Dentro da Mídia, clicando: http://www.mixcloud.com/pordentrodamidia/cascudo-e-loas-29-de-janeiro-de-2014/
Num
dia como o de hoje, de sol escaldante, morria no Rio de Janeiro o mineiro Ary Barroso,
criador do gênero musical samba-exaltação, que tem em Aquarela do Brasil a sua
primeira versão. Ary
morreu aos 60 anos num domingo de carnaval, vítima de cirrose hepática. A
sua obra é extensa. Antes
dele, só o compositor e maestro campineiro Carlos Gomes havia ultrapassado as
fronteiras do País com sua obra. Gomes,
considerado até hoje o maior autor operístico das Américas, lotou o Ala Scalla
de Milão em 1879, ao estrear Il Guarany, cujo libreto é baseado na obra
homônima do cearense José de Alencar. O
sucesso internacional https://www.youtube.com/watch?v=qoRrpBSQxfw
de Ary tem como ponto de partida Aquarela do Brasil, que integrou o repertório
do espetáculo do teatro de revista Joujoux e Balagandans, em 1939. No
teatro, essa música foi interpretada por Cândido Botelho e lançada em seguida
em disco pelo chamado rei da voz, Chico Alves https://www.youtube.com/watch?v=yyhPL2Q_Bog. Debitem-se
a abertura das portas do mundo para Ary aos bruxos Nelson Rockefeller e Walt
Disney, pau mandado do governo norte-americano à América Latina. Fica
o registro.
As
cantoras mineiras Celia e Celma, de Ubá -como Ary - gravaram há anos um CD (Ary Mineiro) muito bonito, só com
músicas de Ary Barroso (acima), lançado sob a chancela do selo musical
Revivendo. As duas artistas moraram perto de onde morou Ary e cantam o seu
repertório nos palcos da vida e onde mais podem (abaixo). http://www.youtube.com/watch?v=pJMNFYBAxSs
http://pordentrodamidia.com.br/cascudo-e-loas-4/ O
Brasil vai mal das pernas e da cabeça há muito tempo. Na
verdade, o Brasil está doente dos pés à cabeça. E
o diacho é que está se tornando lugar comum dizer que a solução de tudo, para
todos os problemas dele é a educação. É,
claro; mas não só a educação. Junto
a educação a cultura, por exemplo. Escutando
hoje a rádio Jovem Pan, me arrepiei com os ensinamentos de uma norte-americana,
estes: http://jovempan.uol.com.br/noticias/brasil-melhor/brasil-melhor-para-donna-hrinak.html O
detalhe é que a entrevistada é norte-americana e foi convidada para falar num espaço
da Pan, chamado Quem faz um Brasil Melhor. Nesse ponto, ela não tem culpa. Ai
de nós.
CORDÕES
E BLOCOS
Estou
levantando informações sobre as cidades que ainda mantém a tradição de blocos e
cordões carnavalescos, ou que estão tentando trazer de volta essa tradição. E também
sobre cidades que promovem concursos de marchas de carnaval. Mandem informações
a respeito para o e-mail assisangelo@uol.com.br Sobre
o tema, cliquem:
Naturalmente
sabemos que aquele carnaval espontâneo, do povo, acabou; e faz tempo, embora
aqui e ali – no Nordeste e em Recife, notadamente - ainda reste dele alguma boa
lembrança, representada por blocos e cordões que, é claro, raramente aparecem na
programação das emissoras de televisão, a não ser quando fatos extraordinários
(brigas e mortes, por exemplo), ocorrem entre seus resistentes foliões, a maior
parte deles saudosos e persistentes. Certa
vez o maestro Eleazar de Carvalho me contou http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular03.pdf
que nos anos de 1940 costumava desfilar em corso pelas ruas do Rio de Janeiro,
ao lado de Villa-Lobos e outros expoentes da nossa música, como Donga, João da
Baiana, Pixinguinha na flauta, depois tuba; e Almirante, cantando. Agora
das heroínas mineiras Celia e Celma, gêmeas no canto e na alma, incríveis,
recebo a informação de que estão trazendo de volta um pouco do Villa e seu Cordão
da Sodade, projeto que apresentarão logo mais às 20 horas no auditório do Sesc
São Caetano e terça que vem, em Campinas. As
duas têm formação musical no Instituto Villa-Lobos do Rio de Janeiro. Bom,
não é? Você
quer saber um pouco sobre a historia do carnaval, das marchinhas e
compositortes, como Braguinha, Nássara e Zé Ketti? Cuique: http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular10.pdf
Hoje
o dia chegou com a notícia, triste, da ida do técnico de estúdio Hélio Chagas
para a eternidade. Hélio
ou Helinho, como o chamávamos, era uma pessoa incrível, profissionalmente
competente e solidária. Gostava
imensamente do que fazia. Trabalhamos
juntos na Rádio Capital, eu no comando do programa São Paulo Capital Nordeste e
ele na operação dos teclados e botões que definiam com vinhetas criativas e
efeitos sonoros as palavras que eu imprimia ao microfone da rádio, diante dos
artistas, políticos, poetas, jornalistas e outros profissionais que convidávamos
para alegrar, sempre ao vivo, as noites brasileiras de sábados. Helinho,
que era acreano, deixa mulher e um filho. Ele
tinha uma legião de amigos e fãs (aí na foto, ele comigo e o sanfoneiro Mário Zan). A notícia da sua viagem nos foi passada por Darlan Ferreira, que por sua vez
recebeu do seu quase irmão, José Gomes, também um craque dos bastidores técnicos
do rádio. O
rádio está de luto.
Estamos
na semana do 460º aniversário de fundação da maior cidade do Brasil e do hemisfério
Sul: São Paulo, a 5ª maior megalópole do mundo, em território e população. A
capital paulista coleciona milhares me milhares de curiosidades. Você
sabia que em São Paulo há mais de 10 mil restaurantes, a maior parte deles com
pratos custando o olho da cara? E
você sabia também que essa cidade supercontraditória é a mais cantada em verso
e prosa do mundo todo? Para
ficar por dentro do tema acesse: http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular16.pdf
Eu
sou paraibano de João Pessoa, também chamada de Capital das Acácias; ele é de Gravatá,
a Terra do Morango e dos Turistas, no Agreste pernambucano. Comum entre nós,
além de nordestinos, há a profissão de jornalista, da qual nos orgulhamos
muito. Eu
sou mais novo, da safra de 1952, ano do acidente de carro na Dutra que levou
deste para o outro mundo o rei da voz, Chico Alves. Ele
de 1937, dia 12 de janeiro. Estou
falando de Flávio Tiné. Tiné
nasceu sob o signo do Estado Novo implantado por Getúlio Vargas e que durou até
1945. Já exercendo a profissão em 1964, Tiné não esperou o tempo piorar e trocou Recife
por São Paulo onde, digamos, deu-se bem, pois escapou da ira dos perseguidores. Conheci
Tiné ali pelos fins dos anos de 1980, quando eu trabalhava na TV Globo e ele no
Hospital das Clínicas, como assessor de imprensa. Ele, sempre afável e discreto,
ajudou a muitos coleguinhas; a mim, inclusive. Além
da profissão, a amizade nos une há muitos anos. Tenho
orgulho de ser seu amigo. Viva
Tiné! Quer
ouvi-lo? Pois
é, quando não está paparicando os netos, pega o violão e os males espanta. Clique: http://www.youtube.com/watch?v=0iDsRERx-y4
O
meio teatral paulistano está de luto: morreu a atriz, cantora e produtora e
diretora Marly Marley ontem no final da noite, no Hospital São Camilo. Marly
era natural de Três Lagoas, MS, e chegou a São Paulo ainda mocinha. Atuou
em filmes nacionais e estrangeiros, e gravou muitas marchinhas de carnaval, Eu
a conheci ali pela metade dos anos de 1980, quando o amigo e conterrâneo Vital
Farias me levou ao seu apartamento. Marly
era casada com o humorista Ary Toledo, com quem viveu durante 45 anos. Marly
era uma pessoa admirável, alegre e prestativa. Naquele
fim de tarde, junto com Ary, Marly nos abasteceu durante horas com uma
caipirinha que jamais eu e Vital conseguimos fazer. Ela
deixa saudades. Para lembrar Marly, clique: http://www.youtube.com/watch?v=RdVQ_cQFy2U
O
Brasil parece, de fato, muito empenhado no propósito de por fim a sua
identidade cultural, formada a duras penas num século e pouco, se tanto. Os instrumentos
utilizados tem sido todos os que se acham à mão, incluindo os do ensino para a
educação básica. Persistente,
vai conseguir. Esse
tresloucado processo começou faz tempo, com a invasão do seu território por
diversos povos, entre os quais portugueses, franceses, holandeses etc. Os
norte-americanos chegaram aqui e não saíram mais, incutindo na mente e no
coração do povo os seus hábitos e costumes – musicais, inclusive. É
mais do que sabido, aliás, que a Casa Branca dita modos a países pobres e emergentes, como
o Brasil. Lembremos
1964. Quando
seremos uma nação livre? A
propósito, clique http://www.youtube.com/watch?v=aSrRD-nLgyE Clique também: http://www.youtube.com/watch?v=24d91uJiw18
O mais longevo – e importante –
programa da televisão brasileira, Ensaio, está completando 45 anos de
existência, no ar sob a direção e comando do seu criador, o sergipano de
Aracaju Fernando Faro (comigo aí na foto, numa prosa após a gravação de uma
entrevista ao Móbile). O Ensaio começou em 1969, na TV Tupi.
Pelo
programa passaram todos ou quase todos os grandes artistas da música popular
brasileira desde a década de 1960.
Os
45 anos de Ensaio valem comemoração e pauta para todas as mídias.
Fernando
Faro, nascido no dia 21 de junho de 1927, é também o criador de Móbile (assista ao vídeo, abaixo).
Móbile
estreou na extinta TV Tupi cinco anos antes de Ensaio: em 1962.
INEZITA
BARROSO
Acabo
de receber da titular do programa Viola Minha Viola, da TV Cultura, o seu
primeiro DVD: “Trajetória: Seis décadas de música brasileira com Inezita
Barroso e o Regional do Tico-Tico”. Junto com ele, recebi também o livro “Inezita
Barroso: A história de uma brasileira”, com “orelhas” assinadas por mim. O
livro demorou sete anos para vir a público, pois o seu autor, Arley Pereira,
faleceu durante o processo de elaboração da obra.
Aos poucos, a multidão foi ocupando ontem os espaços do parque do Ibirapuera para
assistir números musicais anunciados previamente pela imprensa. Tudo
gratuitamente. O motivo era a despedida do ano de 2013 e achegada de 2014.
Por
volta das 22hs o grupo Demônios da Garoa ja dominava a cena, interpretando
músicas tradicionais do seu repertorio.
A
euforia foi crescendo à medida em que eram chamados ao palco artistas como
Fabiana Cozza, Toninho Ferragutti e Luiz Airão para cantar com acompanhamento
do grupo musical que eternizou as músicas de Adoniran Barbosa.
Cantaram-se,
além de sambas, marchinhas de carnaval e baiões de Luiz Gonzaga e Humberto
Teixeira como Assum Preto e Asa Branca, com o brilho da sanfona de Ferragutti (abaixo) e
do vocal/instrumental dos Demonios.
Dominguinhos
- e Anastácia - foi lembrado através do clássico popular Eu só quero um Xodó.
O
ápice da programação foi alcançado quando o Demonios da Garoa cantou Trem das
Onze e logo depois iniciou a contagem regressiva.
Um
porém: muita gente ficou frustrada pela não queima de fogos tão esperada no Parque
do Ibirapuera.
Foi
uma festa de paz, com a presença de muitas crianças, acompanhadas de pais e avós.