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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

GRANDES SANFONEIROS, NO CÉU

Hoje, 2 de agosto, faz 24 anos que o rei do baião, Luiz Gonzaga, partiu deste para outro plano, o celestial.
E hoje também faz uma semana e dois dias que o seu mais fiel escudeiro, Dominguinhos, o seguiu por essa trilha sem volta.
Ambos deixaram extensa e bela obra, imortal, além de muitas saudades, como o mineiro Antenógenes Silva, chamado de O Mago do Acordeon, e o paraibano Sivuca, O Mágico da Sanfona, também deixaram.
Sivuca tornou clássico o instrumento que o pioneiro na gravação de solos de sanfona em disco, no Brasil, Giuseppe Rielli deixou num canto ao morrer, em 1947, e Gonzaga tirou do limbo e levou para ruas e festas fazendo a legria de todos.
Sem Gonzaga, Dominguinhos, Antenógenes e Sivuca penso que a música brasileira não seria tão rica.
Ao bater à porta da música popular no começo dos anos 1940 para se eternizar, o sonho de Luiz Gonzaga era conhecer pessoalmente Antenógenes Silva, seu ídolo.
Antenógenes tinha programa na Rádio Clube do Brasil, Alma do Sertão.
Gonzaga o conheceu, tornou-se amigo e o substituiu no rádio, além de tê-lo como afinador da sanfona que tocava.
Relembre Gonzaga, sobre quem escrevi os livros Eu Vou Contar Pra vocês (1990), Dicionário Gonzagueano (2006) e Lua Estrela Baião, a História de um Rei (2012) e Dominguinhos, clicando:
Através do Instituto Memória Brasil, IMB, Genesis Music e Banco do Nordeste, acaba de ir à praça o CD O Samba do Rei do Baião com 14 faixas, das quais quatro com músicas que Gonzaga (abaixo, num registro histórico) compôs com Zé Dantas, Humberto Teixeira, Domingos Ramos e Ary Monteiro mas não gravou, estas: Tudo é Baião, Ai, ai, Portugal; Dúvida e Meu Pandeiro. O disco tem a presença de Oswaldinho do Acordeon, Socorro Lira, Ventura Ramirez, Osvaldinho da Cuíca, Uxía, Suzana Travassos e Papete, além de Cássia Maria, Ricardo Valverde, Ana Eliza Colomar, Cidão, Jorge Ribbas, Ricardo Araújo, Rosa Macedo e Cláudio Lacerda.
 

5 comentários:

Vick disse...

Assis, eu fico triste com a perda dos nossos grandes e únicos mestres, mas, ao mesmo tempo muito feliz por ter você um verdadeiro conhecer da nossa cultura popular e nordestina, e interesse em mostrar um muito que você sabe e repassar esse presente para todos nós. E eu quero agradecer pelo livro e CD que vcoê gentilmente me presenteou quando estive na sua casa conhecendo o seu Memorial. Boa sorte e sucesso sempre!

Anônimo disse...

Muito bom, Assis Ângelo, mas porque não lembrar Zé Gonzaga e Severino Januário. Que segundo li, o próprio Luiz o considerava um grande sanfoneiro. E partiram o primeiro em 12/4/02 e o segundo em 29/06/89. Severino era nos 8 baixos.
Muitas saudades, também.

assis angelo disse...

ao longo da história, muitos e muitos sanfoneiros deixaram por cá a sua marca; também o velho Januário e seu filho zé Gonzaga, quer ardia de inveja do irmão mais famoso. independentemente de uma ou outra firula, de categoria de um e de outro, as citações deixariam o texto muito longo e cansados os eventuais leitores. de qualquer modo, não custa lembrar que eu conto essa história, a historia da sanfona e sanfoneiros no livro DICIONÁRIO GONZAGUEANO DE A A Z já esgotado, mas talvez encontrável nos sebos por ai a fora. seu Januário e o filho zé Gonzaga estão lá.

Anônimo disse...

Quem sou para polemizar com essa Enciclopédia ambulante, que é denominada Assis Ângelo. Acompanho seu blog diariamente e confesso que venho tendo as informações que realmente me agradam. Acompanho seu trabalho, inclusive compareci em um de seus Programas na Rádio Capital " São Paulo Capital Nordeste, que por sinal precisa voltar. Fui juntamente com um colega, apresentar um outro amigo que lançara um livro e você, gentilmente, nos atendeu. Mas foi também em um de seus programas, que você exaltava o trabalho do grande Luiz Gonzaga, merecidamente.Ai, foi quando, eu liguei para o seu programa e perguntei por onde andava Zé Gonzaga e para minha surpresa você colocou o mesmo no ar, diretamente do Rio de Janeiro e que me agradou e muito a sua atitude. Porém, uma frase que ficou gravada do próprio Zé, foi, sem que você perguntasse, mas ele foi muito categórico, disse" Meu irmão só me procura nas horas difíceis e não era tudo o que vocês falam" , finalizou. Portanto, me surpreende ele morrer de inveja do irmão, quando do acidente do velho Lua, la pros anos 40, ele compôs, "Viva o Rei", que você sabe melhor do que eu. Não me referí ao velho Januário , pai do Luiz, mas sim do Severino Januário , filho que completava os 7 Gonzagas. Confesso que vou procurar o Livro que indicastes.
Um forte abraço
Aloisio Alves.

assis angelo disse...

no dia 12 de abril de 2012, a pedido do caderno 2 (estadão), escrevi e publiquei:
Um sanfoneiro que faz falta
Zé Gonzaga era irmão de Luiz Gonzaga, que, como sabemos, era o rei do baião. Zé não gostava lá muito do irmão famoso, conta Assis Ângelo, homenageando a perda de mais um sanfoneiro
Tamanho do texto? A A A A
Zé Gonzaga era irmão de Luiz Gonzaga, que, como sabemos, era o rei do baião, cidadão nascido nas áridas terras do sertão exuense, em Pernambuco, que cedo trocou seu berço e a rotina familiar por uma corneta no Exército, em 1931, com 17 anos, e uma sanfona de 120 baixos, que ele dizia só tocar em dois: "Pra que tantos baixos?", brincava.

Zé não gostava lá muito do irmão famoso, exatamente por ser famoso, muito famoso; e talentoso, naturalmente. Mas, diga-se de passagem, Zé Gonzaga, além de irmão de Luiz, era também um bom sanfoneiro. E quem diz isto não sou eu só, não. É Dominguinhos, o filho "postiço" do velho Luiz, também chamado de Lua pelo ator e radialista Paulo Gracindo. Dominguinhos, amigo e aluno dileto do rei desde a segunda metade dos anos 50, reforça:

- O Zé sabia das coisas, tocava bem e cantava as modas do povo, aprendidas diretamente da boca do pai Januário, fonte inesgotável do folclore.
Zé Gonzaga, mais novo que o irmão Luiz, começou a gravar em fins dos anos 50. Uma de suas músicas que fizeram mais sucesso foi Viva Gonzaga, composta logo após um acidente automobilístico sofrido pelo já rei Luiz quando se dirigia à cidade paulista de Santos para um show. Nesse acidente, Lua escapou por um triz, mas ganhou como seqüela cicatrizes e a perda total da visão do olho direito.

Musicalmente não há como negar a importância de Zé Gonzaga. Ele compôs muitas harmonias e escreveu algumas letras. Bebia na herança popular, como aliás fazia o irmão Luiz.

Zé deixou vários discos de 78 rpm gravados e uma dúzia de Lps.
Nos últimos anos de sua vida, Zé Gonzaga lamentava o fato de não ser procurado pelas gravadoras e produtores de eventos culturais. Mas nesse ponto tinha alguma culpa: exigia muito dinheiro para entrar num estúdio. "Com dinheiro pouco eu não gravo nada", disse certa vez ao produtor, músico e cantador mineiro Téo Azevedo.

A mim mesmo disse isso. E disse mais sobre o irmão: "Luiz não era tudo isso que se fala dele, não". Aos 81 anos de idade, Zé Gonzaga morreu com o coração magoado pelo não-reconhecimento da crítica em relação ao seu trabalho. Assim é a vida: para uns com sucesso merecido e reconhecido, para outros...

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