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terça-feira, 23 de maio de 2017

BOLSONARO É UM TIGRE DE PAPEL

Saí cedo da Academia, quase correndo, para escutar o embate entre o historiador Antônio Vila e o deputado federal Jair Bolsonaro no programa Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan. Foi pífio, mas engraçado. O Vila é sempre engraçado com seu estrionismo gongórico, quase pantagruélico.
O embate começou com o Prof Vila, como é chamado, provocando Bolsonaro a expor suas ideias sobre economia, balança, comércio exterior e planos que pretende traçar para apresentar como plataforma de sua eventual candidatura à presidência da República. Vixe! Bolsonaro é de uma fraqueza mental absoluta, difícil de imaginá-lo disputando um cargo eletivo além do que hoje ocupa. Sobre os temas a que foi provocado, enrolou-se todo. E sobre educação, Deus do céu! Mas o Prof Vila é engraçado. Qualquer hora dessa ele pode ter um colapso em pleno ar. Te cuida professor, pois contra o deputado nos cuidemos nós.
Do embate entre o Vila e o deputado, eu esperava mais. 

ONALDO QUEIROGA

A manhã terminou com um abraço que me trouxe o conterrâneo e amigo juiz de Direito Onaldo Queiroga. Onaldo, que é um poço de sensibilidade, carinho e respeito a todos, trouxe-me, além do abraço, mais um livro, o 9º, da sua lavra. Trata-se de Riacho da Vida. Nesse livro Queiroga estende-se sobre a vida do seu pai, Antônio Elias de Queiroga. Voltarei ao assunto.



BRINCANDO COM A HISTÓRIA (16)



segunda-feira, 22 de maio de 2017

AGNELLO AMORIM, UM CIDADÃO BRASILEIRO

O maior mar sem ondas do mundo está chorando, triste, sangrando.  Esse mar é o São Francisco, desde sempre e popularmente chamado de Velho Chico.
O Velho Chico chora, enquanto maus políticos riem com os bolsos cheios do vil metal, arrancados na cara dura do erário público.
O Velho Chico, sangrado, dorido, está sendo carregado a bel prazer dos poderosos de plantão.  Uns felas. O povo da Paraíba, pobre, vibra.  Os latifundiários, enquanto isso, vibram mais e riem que nem hienas.
Deus do ceu, estamos perdidos!
O Nordeste é um mundo brasileiro à parte, formado por nove Estados e um terço da população brasileira.  População riquíssima de esperança e vontade de fazer cada vez o melhor, pelo País.
Boa parte dessa população é flutuante.
Pois bem, ouvi há pouco uma entrevista transmitida pela TV Itararé, da Paraíba, com o promotor  Agnello Amorim.  Ele é campinense, fiquei sabendo no correr da entrevista.  Gostei.
Amorim é um cidadão que o Brasil todo deveria conhecer, de nome ou por obra.  Ele é de uma consciência que ilumina, que encanta, pela facilidade como se expressa.  Fale bem, diz o que pensa e o que queremos dizer.  Parece adivinhar.
Ele fala com tanta propriedade sobre os problemas do Brasil que chega até a assustar.   Sabe tudo.  Tudo sobre Campina e Brasil. Falta-lhe, porém, interlocutores.
Depois de João Pessoa, Campina Grande é a cidade mais importante da Paraíba.
De Campina são o cantor Biliu, o músico Gabmar Cavalcanti, Biu do Violão, o escritor Rômulo Nóbrega, o gramático Anésio Leão e outras figuras ímpares que marcaram e continuam marcando a vida campinense.  Aliás não foi à toa, que o cangaceiro pernambucano Antônio Silvino, achou de inventar seus últimos dias de vida em Campina, onde foi visitado pelo escritor alagoano Graciliano Ramos...
As questões hídricas que atormentam a população Brasileira desde sempre são, na visão de Amorim, um cancro que só não é extinto por quem necessiamente deveria extirpar.   E, sei, que essa é também a visão de Agnello Amorim.
Meus amigos, minhas amigas, não está na hora de ouvirmos pessoas que passaram a vida toda estudando e decifrando problemas que aflingem a todos nós ? Pois bem, uma dessas pessoas e Agnello Amorim.
E como se não bastasse a consciência política do cidadão Agnello Amorim, há sobre ele a destacar veredas culturais por onde ele e artístas populares andaram, como Zé Limeira.
Eu, pessoalmente, privei da amizade de Orlando Tejo, autor do livro O Poeta do Absurdo.  O poeta Zé. Limeira.
O Dr. Agnello Amorim foi amigo de Orlando e de Zé.
Quanta história!



TCHAU, TEMER!









Encurralado.. Esta é a palavra que encontro para definir a péssima situação em que se acha o Brasil. É a velha história do dito popular: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Ou: "quem planta vento colhe tempestade". Ou ainda: "aqui se faz, aqui se paga". 
O Temer pode escolher um desses ditos para entender o ponto em que se acha. 
Renunciar a um amor, deve ser terrível. Mas quem renuncia a um amor, não pode renunciar. 
Eu mesmo tenho um grande amor. O meu amor é Brasil. Tudo o que faço, especialmente em torno da cultura ou das culturas populares, penso no meu País. Penso principalmente, em quem está chegando, os jovens. 
Aprendi com o mestre Câmara Cascudo (1894-1988) que é fundamental transmitir saberes. Aprendeu, que bom, passe para frente.
Ninguém nasce sabendo nada, mas todo mundo nasce podendo aprender.
Apostei no Lula, apostei na Dilma, apostei em tanta gente. No Lula, especialmente, até por ser oriundo de uma região que acho conhecer bem: o Nordeste. Sou de lá.
Será que o Temer aprendeu alguma coisa?
Michel Miguel Elias Temer Lulia nasceu numa cidade muito bonita, pequena e muito bonita: Tietê.
Tietê, cidade paulista, dista uns 150 Km da capital. Eu adoro Tietê. Eu estive lá várias vezes. E até homenageado pela prefeitura municipal eu fui. Até existe uma semana dedicada ao tieteense Capitão Furtado (1907-1979). O Capitão Furtado era sobrinho do grande Cornélio Pires (1884-1958). Pois bem, o Temer deveria ter aprendido cidadania pelos ilustres cidadãos que a sua terra gerou.
Renunciar em nome do povo, em nome do bem, não é pecado: é grandeza, é dignidade reconhecer os erros cometidos nos momentos de fraqueza.
Temer pecou. Pecou porque recebeu na calada da noite, um marginal de colarinho branco, rico, locupletado com o dinheiro público.
O primeiro presidente brasileiro a renunciar ao cargo foi o alagoano marechal Deodoro da Fonseca(1827-1892).
Depois de Deodoro, outros presidentes renunciaram ao cargo no Brasil: Jânio Quadros e Collor por exemplo.
Washington Luís renunciou na marra e o candidato que elegeu, Julio Prestes, nem chegou a assumir.
Depois de mortalmente golpear Prestes, os Julinho da canção popular, Getúlio Vargas foi posto prá correr.
Depois de enfiar um tiro no próprio peito, Getúlio deixou o Brasil numa enorme convulsão social, e num curtíssimo período de meses tiveram que deixar o cargo Café Filho, seu vice, Carlos Luz e Nereu Ramos, à época presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente.
E a história se repete. Se repete?
Collor renunciou um dia antes do impeachment, em 1992.
A Dilma não teve, digamos, a ombridade de renunciar e findou dançando...
Se o Temer continuar insistindo em não renunciar vai ficar tocando violino sobre um teto de vidro, quer dizer, uma hora vai cair de qualquer jeito e se demorar, vai-se esborrachar no chão. E o Brasil sofrer mais. 
Estamos ou não estamos bem à beirinha do caos?
O que Temer fez é imperdoável.
Temer, vá ouvir os discos de Cornélio Pires!


BRINCANDO COM A HISTÓRIA (15)


 


domingo, 21 de maio de 2017

CONSTITUIÇÃO E DIREITOS. E TEMER, HEIN?

Mil novescentos e oitenta e oito...Fazendo as contas trinta vezes três = noventa...
Em média e disparadamente a Constituição de 1988 é a mais emendada da nossa história, perdendo, talvez, para a Constituição de 1967, estuprada pelos militares em 1969. A história, porém, não conta com esse estupro, portanto, a mais emendada continua sendo a de 88.
A Constituição de 1824, a primeira e única do Império, durou 65 anos. Junto com a de 1937, foi a mais autoritária.
A Constituição de 1824 dava todos os poderes ao imperador. A de 37, ao ditador Vargas.
Oficialmente foram promulgadas 7 Constituições: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988.
A Constituição de 1946 foi a mais bonita, a mais completa, a que reconheceu os direitos do cidadão.
A Constituição de 1891, feita por iniciativa do Marechal Deodoro da Fonseca e Rui Barbosa, baseada na Constituição Norte-americana, foi a primeira a garantir o Habeas Corpus, instrumento importantíssimo, criado para garantir o ir e vir de todos nós.
Cerca de uma centena de emendas foi aplicada à Constituição de 88. e agora querem, mais uma vez, modificar a letra da nossa Carta Magna. Querem eleições diretas. Não dá, né?
Em 1983, o Brasil viveu o movimento popular mas intenso da sua história, foi o movimento pelas eleições diretas.
Em 1983, eram os militares que mandavam no Brasil. Hoje, não.
São Paulo viveu o ápice da Campanha Diretas Já, Lula participou dessa Campanha, participou do movimento, mas na hora H o seu partido pulou fora. Consequência: a emenda Dante de Oliveira foi recusada no Congresso por falta de apenas 22 votos. E conversa vai, conversa vem, Tancredo entrou para a história sem ajuda do PT,  e para desgraça de Maluf, representante dos militares.
O que está na Constituição de 88 deve ser cumprido, indiretas, portanto.
A pergunta que se faz é, porém: Quem substituirá Temer?
Mas dá-se um jeito, pois nem todos os políticos são cabras safados, não é mesmo?
Mas o Brasil sofre, e muito!
O presidente da República tem que ser um cidadão reto, limpo, sem ficha corrida e sem práticas não republicanas, feias, horrorosas.
Tancredo Neves fez história e nada no seu passado o condena, seja como vereador, entre 1935 e 1937, deputado, primeiro ministro, pelo breve tempo de parlamentarismo que vivemos, governador de Minas Gerais e presidente eleito pelo Colégio Eleitoral.
No Senado marginais já estão se mexendo para descumprir a decisão do STF que, depôs do cargo de senador o neto de Tancredo, Aécio.
Viva a Constituição!

BRINCANDO COM A HISTÓRIA (14)



 

sábado, 20 de maio de 2017

ESPERTEZA É BURRICE





O saber popular classifica a pessoa muito experiente, traquejada como "puta velha".
O mundo tá cheio de "putas velhas", de pessoas que dão nó em pingo d'água e saem ilesas, sem arranhões, de situações as mais complicadas, difíceis, emblemáticas.
Prá não irmos muito longe, não custa lembrar que o mineiro de São João Del Rei, Tancredo Neves dava nó em pingo d'água e se entendia com Deus e o diabo. 
Tancredo de Almeida Neves (1910-1985), advogado pela escola mineira, ingressou na política como vereador em 1935. Em 37, Getúlio Vargas deu um golpe dentro do golpe que resultou no Estado Novo, levando Tancredo à prisão. Muito tempo se passou, antes de Tancredo virar primeiro ministro do Brasil, no curto período de parlamentarismo até que se transformasse no último presidente eleito pela via indireta, ganhando de Paulo Maluf por uma vantagem de 69% (480 x 180) via Colégio Eleitoral.
Pela ótica de classificação popular, o paulista de Tietê, Michel Miguel Elias Temer Lulia é também um "puta velha".
Os "putas velhas" e seu similar feminino também escorregam em casca de banana e vão ao chão. E é o que vai acontecer com Temer, pois é incompreensível e inaceitável, também imperdoável, que alguém que ocupa o mais alto cargo da República receba marginais na calada da noite para conversas não republicanas. A isso dá-se o nome de traição à Pátria.
A gula por dinheiro, por poder, costuma transformar os seres humanos. Há até um ditado que diz algo como: se queres conhecer alguém, dá-lhe um cargo político, ou de mando numa empresa.
Isso faz-me lembrar um símbolo nacional, Gérson, que sumiu da vida profissional por induzir as pessoas a tirar vantagem em tudo.
Foi em 1976 que o carioca Gérson, ídolo da Seleção Brasileira, desde a Copa de 70, aceitou fazer um comercial para um cigarro. Nessa propaganda o ídolo destacava as vantagens de se consumir o cigarro Vila Rica, que nem existe mais. Como Gérson. A propaganda foi esta:


Ah! A propósito, as espertezas e traquinagens de Aécio devem estar fazendo o avô se revirar no túmulo, que coisa!
 O AUTOR NA PRAÇA

Logo mais às 15 horas os escritores Ignácio de Loyola Brandão e Mouzar Benedito estarão na Praça Benedito Calixto, ali em Pinheiros, conversando com seus leitores dentro da Programação de 15 anos de O Autor na Praça. Fica o registro.


BRINCANDO COM A HISTÓRIA (13)





 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

O JORNALISMO AINDA VIVE. VIVA O FURO!

Furo é uma coisa muito difícil de ser feita.
Quando encarei o jornalismo como profissão a mim ensinaram da importância de um furo.
No jargão jornalístico, furo é notícia publicada ou anunciada em primeira mão. Não é fácil, repito, fazer isso. 
Furo é faro e vontade de ser primeiro em algum momento. No jornalismo, prá chegar ao furo o jornalista tem que ter fontes e antenas ligadas.
No correr da minha vida profissional, consegui fazer alguns furos.
Qualquer bom jornalista carrega consigo o desafio de publicar ou anunciar furos nas páginas de jornais e revistas e/ou rádio e televisão.
Consegui fazer alguns furos nos diários Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo.
Na Folha dei furo nas áreas artísticas e policiais.
No Estadão, dei furo na área Política, no tempo em que eu chefiava a editoria de política do jornal.
O furo é meta de qualquer bom jornalista, mas com a internet e outros meios tecnológicos isso fica cada vez mais desafiante.
Muitos furos, milhares de furos, milhões  de furos jornalísticos já foram feitos desde a invenção de Gutemberg (1398-1468).
Eu era criança ainda quando a Agência France Press, AFP, noticiou para o mundo, em 1953, a morte de Stalin. Furo.
No começo da noite de ontem, o jornalista Lauro Jardim antecipou-se a todos os jornalistas e meios jornalísticos ao dar a notícia do aval de Temer ao "pagamento" com propina para o silêncio da coisa chamada Eduardo não sei o que, ex presidente da Câmara e hoje presidiário por decisão do juiz Sérgio Moro.
O furo de Jardim pode levar à queda de Temer, para o bem do Brasil. 
O dia 24 de agosto de 1954 entrou para a história como o dia em que um presidente da República do Brasil, Getúlio Vargas deu um tiro no próprio peito. Getúlio matou-se por muito menos do que acusações que pesam contra Michel Temer,  um brasileiro de Tietê. A propósito, o que estão achando os tieteenses sobre o seu ilustre conterrâneo?
Tietê é uma cidade que tem cerca de 40.000 habitantes e dista cerca de 150 km da capital paulista e berço do grande Cornélio Pires (1893-1958), o primeiro produtor independente de música no Brasil. Enquanto isso não se fala de educação nem de cultura popular, estamos fritos - mesmo!
O furo de Jardim foi como uma flechada no coração do Brasil.
Viva o bom jornalismo! 







BRINCANDO COM A HISTÓRIA (12)







segunda-feira, 15 de maio de 2017

SARAU ATÉ DEBAIXO DE VARAL



A primeira referência à literatura de Cordel, impressa, surgiu na segunda metade do século 19. Saiu no primeiro Dicionário de Língua Portuguesa, do lisboeta Francisco Caldas Aulete. Ele morreu antes de ver a sua obra publicada. No seu dicionário, esse tipo de literatura aparece de modo pejorativo. O verbete traz o nome simplificado de Cordel.
A literatura de Cordel propriamente dita, tal como hoje a conhecemos, começou a ser publicada em Portugal e logo depois no Brasil. O seu expoente máximo, não é um, são dois: Silvino Pirauá e Leandro Gomes de Barros, ambos paraibanos e desaparecidos no século passado.
Os folhetos em que passaram a ser inseridos pequenos textos corridos e poemas eram chamados de "folhetos de cordel".
Esses folhetos sempre foram vendidos de mão em mão e a baixo custo. Primeiramente por uma entidade de cegos em Lisboa, por autorização do rei vigente à época. Falamos do século 16, por aí.
Os Saraus surgiram muito antes dos folhetos de cordel.
Os folhetos eram escritos por poetas do povo, mas não só.
Muitos folhetos trouxeram histórias de príncipes e princesas, de feras indomáveis, de encantamento, de cavalaria, de guerra e paz.
A donzela Teodora é um clássico dos mais belos, que encontrou no Brasil o poeta Artur Azevedo como seu primeiro adaptador. A adaptação de Azevedo para Donzela constituiu-se numa opereta.
A palavra sarau vem do latim.
O sarau foi muito praticado pela aristocracia da velha Europa. Muito tempo depois é que o sarau popularizou-se.
Hoje, cordel é chic.
Hoje, sarau ainda é chic.
A expressão literatura de cordel foi cunhada pelo fato de ser, no Brasil, vendido de mão em mão e também nas feiras livres, pendurados em cordões, barbantes. Aqui, como lá. E não é demais dizer que o sarau, como o cordel, pode se achar em todo canto: até sob varais.
Sábado 13, tive a alegria de participar de um sarau (fotos). Um sarau completo, com todas as letras. Foi no bairro da Água Branca ou Barra Funda, por ali. Na casa de uma jornalista, Cris Alves. E sob o varal da casa, no fundo do quintal. Lá estavam 40, 50 pessoas, entre essas pessoas, artistas profissionais e amadores. Entre os profissionais, Arnaldo, Cícero e Brau (violão), Paulo (violão, atabaque e gaita), Flávio (cajon) e, além de todos eles no vocal, as belas vozes de Rosângela, Vera Frascino, Clara e Laís, as duas últimas filha e neta da Maria Felicidade. Amadores todos os outros que ali estavam e acompanhavam as músicas que conheciam, as vezes tocando um caxixi, um reco, reco, um chocalho, um pandeiro ou somente batendo um talher no copo de vidro. A Banda Ex Presidentes costuma se reunir na casa de Flávio e Vera, em Cotia para ensaiar e chama-se assim porque todos os seus integrantes já foram presidentes do condomínio em que residem por lá. 
Foi uma festa, pá!
E terminei fazendo uns versinhos, que foram apresentados no decorrer do sarau, estes:



SARAU PRÁ TODOS   



O sarau vem lá de longe

Vem dos ventos, da ventania

Vem dos mares, vem dos montes,

Trazendo grande alegria

Prá quem gosta de brincar

No mundo da fantasia



É um mundo bonito

Que tem canto e tem magia

Que tem dança e tem batuque

E também tem poesia

Declamada com prazer

Graça e categoria



Quem não gosta de brincar

Sem pressa, sem correria?

Quem não gosta de estar

Numa bela cantoria?

Só gosta quem não presta

Ou tem a cabeça vazia



O Sarau é maravilha

É beleza, é harmonia

É canto da liberdade

É a vida em sintonia

É exercício da paz,

Da livre cidadania


Mas um sarau prá ser completo

Tem que ter filosofia

Tem que ter muita história

De amor e valentia
Um sarau assim bem feito
É prá todo santo dia!

 

BRINCANTE

Sexta 12 assisti uma belíssima cantoria no espaço cultural Brincante. Os repentistas convidados foram o cearense Geraldo Amâncio e o paraibano Edival Pereira. Amâncio é decano do mundo do repentista e Pereira apresentador de um programa da categoria na rádio FM Imprensa, nas manhãs de domingo. Antônio Nóbrega participou da cantoria e Moreira de Acopiara e eu também.







BRINCANDO COM A HISTÓRIA (11)


sábado, 13 de maio de 2017

SARAU ONTEM, HOJE E SEMPRE

Tudo cabe em todo o canto, inclusive o mundo, você já pensou nisso?
O canto, o saber e o conhecimento não ocupam espaço físico em canto nenhum.
Depois que o macaco desceu da árvore e virou gente, tudo mudou para o bem e para o mal.
Mas há uma grande diferença entre o homem e o macaco.
Ao contrário do macaco, o homem pega, mata e come, com rudeza inexplicável, incivilizada.
O macaco, ao contrário do homem, não se distingue pelo bel canto.
Tampouco toca quaisquer instrumentos, não fala, não escreve e nem provoca desvios de rios de dinheiro dos cofres públicos. Mas essa é outra história.
Depois que o homem aprendeu a falar e depois a escrever, a sua vida mudou com a mudança do mundo.
Como se distraiam nossos remotos antepassados?
Hoje tem televisão, tem rádio, tem internet, o diabo a quatro.
Barulho há desde sempre, ao contrário da música tal como a conhecemos. 
É de se pensar que Platão, que viveu há 4 séculos antes A.C. registrou os diálogos socráticos a seco, sem nada, sem beber, sem comer, só ali nos registros? Não houve nem um tempinho para confraternização, abraços, conversas outras além dos diálogos, música, dança...? Um relaxamento geral, digamos assim?

Ao ajuntamento de pessoas no mesmo lugar, com o fim predisposto a conversar, brincar, cantar, tocar, dava-se o nome de Sarau.
Pois bem, há muito ouço dizer e li, que os saraus vêm da idade média. Ora, antes desse tempo iniciado no século 5 e findo no século 15 com a tomada de Constantinopla, hoje Istambul, houve outros tempos. Os tempos de antigamente, da pedra lascada etc.
Platão, que foi aluno de Sócrates e professor de Aristóteles viveu na Grécia antiga, como se sabe.
Talvez a indicação da origem dos saraus na idade média deva-se ao fato de ter sido naquela Era que surgiram no sul da França, na Provença, os trovadores e menestréis.
Os trovadores eram artistas que compunham histórias em verso e saiam por ali a cantar e a tocar, encantando meio mundo, como os menestréis. Havia, porém quem os chamasse de vagabundos. No princípio desse tempo, os versos eram compostos em quadras, pentassílabos. Depois em sextilhas, septilhas etc. Mas aí já estamos falando dos nossos velhos cantadores repentistas, que vêm de Portugal, que vem da Península Ibérica, dos Mouros, não é mesmo...
Gil Vicente (1465-1537) tem a ver com isso também:
O baiano Gregório de Matos Guerra, o Boca do Inferno (1636-1696), e o carioca Domingos Caldas Barbosa (1739-1800), podemos considerar nossos primeiros repentistas. Detalhe: Caldas Barbosa foi o criador do gênero musical Modinha, popularizada na terra de Camões.
O gosto brasileiro por saraus é, digamos, recente.
Veio com a família real, em 1808. Antes não havia a prática de se fazer esses encontros. 
Os primeiros saraus realizados em terras tupiniquins contavam com instrumentos musicais trazidos da Europa, naturalmente. E eram realizados nos casarões dos endinheirados. Hoje tudo ficou mais simples.
Sarau é uma ajuntamento de pessoas que desejam se rever ou se conhecer na casa de alguém, onde um longo repertório cultural é apresentado, por artistas profissionais ou amadores, interpretando poemas, contos e outros gêneros literários, além de música e dança de todo tipo, a critério do dançarino ou dançador. Nesses momentos são expostos talentos e experiências são trocadas. Todos cantam, todos tocam, todos dançam. É tudo espontâneo. Muito riso, muita piada, muita graça, tudo regado a um bom vinho, whisky ou cachaça. Esses encontros costumam durar horas.
Todo sarau vale a pena, junte os amigos em casa e comprove o que digo.
Tim Tim!
Ah! Juca Chaves e Elomar são exemplos de trovadores.
Você já ouviu falar em Altemar Dutra? Altemar era mineiro da safra de 1940 e morreu em Nova York em 1983. Clique:






BRINCANDO COM A HISTÓRIA  (10)





sexta-feira, 12 de maio de 2017

LULA, CEGOS SÁBIOS E ANTÔNIO CÂNDIDO


Num lugar distante, havia 7 sábios. Todos cegos. A população desse lugar, foi não foi consultava os sábios para lhe tirar dúvidas. Os sábios pareciam pessoas comuns, pois até brigavam entre si. As brigas aconteciam sempre por causa da sabedoria. Os sete brigavam para saber quem deles era o mais sábio. Numa dessas brigas um dos sábios se mandou, irritado.
Pois bem, um dia chegou ao lugar um cidadão montado num elefante.
Os sábios não sabiam o que era um elefante. E um deles pôs a mão na barriga do elefante dizendo, é grande, parece uma parede. Outro pegou na tromba e disse, é uma cobra grande, sem dente. Outro pegou no rabo e disse ser uma rocha amarrada com corda e tal, essa coisa...
Foi nesse momento que o sábio que se mandara voltava. Voltava com um menino que o guiava. Ouvindo o blá blá blá entre seus colegas sábios, pediu ao menino que desenhasse no chão com um graveto um elefante. Feito isso o sábio passou as mãos sobre o desenho e concluiu: é assim que é a verdade, cada um pega a parte que lhe interessa e pronto, e continuam tolos.
Lembrei dessa história depois de ouvir dizer que algumas publicações estrangeiras têm falado da liderança política que ainda representa Lula no Brasil. O americano Wall Street Journal diz, por exemplo, que o fundador do PT é um injustiçado. O londrino The Guardian diz que ele está sendo perseguido pela justiça brasileira. E por aí vai.
Será sábio quem diz que a verdade é proclamada por partes interessadas? A verdade pode ser só um ponto de vista, não é mesmo?

ANTÔNIO CÂNDIDO

Culturalmente, o Brasil está ficando a cada dia mais pobre. Educacionalmente, nem se fala. Hoje, de madrugada, um dos nossos mais importantes literatos, o paulistano Antônio Cândido, nos deixou. O passamento do ,mestre Cândido deu-se no Hospital Albert Einstein. Ele tinha 98 anos de idade e deixa uma obra de grande valor dispersa em algumas bibliotecas. Faz tempo que editora alguma relança livros seus. Pena. Aliás, mais do que isso: tristeza profunda e absoluta é o sentimento que expresso sobre esse grande brasileiro. Por que não discutimos a cultura brasileira, a cultura nacional? Quem pode explicar isso?

BRINCANDO COM A HISTÓRIA (9)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

LUA CHEIA E LOBISOMENS


A lua sempre foi a musa inspiradora dos poetas, dos românticos, dos enamorados.
A lua já foi cantada e decantada de todas as formas, tanto no verso quanto na prosa; no cinema, no teatro e televisão.
O cantor e compositor popular paraibano Zé do Norte, (Alfredo Ricardo do Nascimento; 1908-1979), tirou do folclore e levou à pauta a belíssima Lua Bonita, que é assim:

 

Essa obra integrou a trilha sonora do clássico de Lima Barreto, O Cangaceiro, em 1953, veja:


Em torno da lua há muitas histórias de Trancoso e outras reais e crendices.
Menino, pixote ainda, ouvi muito a minha avó Alcina dizer que é nas noites de Lua Cheia que os lobisomens saem da toca para pagar seus pecados e assustar e matar incautos. Mito ou não, cresci temendo as noites de lua cheia.
Hoje é noite de Lua Cheia. 
Prá encerrar, ouça Chico Buarque cantando, de sua autoria...





OSVALDINHO DA CUÍCA

O mestre cuiqueiro Osvaldinho anda feliz da vida pelas homenagens que tem recebido Brasil afora. Há poucos dias mais de 500 cuiqueiros se reuniram no Rio de janeiro para homenageá-lo. A Escola de Samba Salgueiro também. O pessoal do choro e do samba de Brasília também andou tecendo loas à Osvaldinho. E sábado que passou, 06, fui aplaudí-lo junto com sambistas de São Paulo, num espaço cultural da Vila Buarque. Foi legal. Nesse mesmo espaço foi inaugurada uma exposição do fotógrafo Samuel Wainer Filho. o personagem dessa exposição é Osvaldinho. Nesse mesmo dia, aliás, noite, saímos para jantar. Viva Osvaldinho da Cuíca!

BRINCANDO COM A HISTÓRIA (8)





terça-feira, 9 de maio de 2017

E TOME TIRO NO SÃO PEDRO!

É galopante o desmantelamento das estruturas culturais de SP, leia-se: do Estado e do Município.
Não faz tempo a Secretaria de Cultura do Município de São Paulo desestabilizou o Clube do Choro que tinha como endereço o Teatro Artur Azevedo, na Mooca.
E não faz tempo também, que os paulistas/paulistanos tomaram conhecimento do fim da Banda Sinfônica do Estado. Essa Banda, de qualidade excepcional, existia há 30 anos. 
No último sábado, 06, o mundo da música e dos apreciadores da música tomaram conhecimento do tiro que a Secretaria de Cultura do Estado deu contra a Orquestra do Teatro São Pedro, destroçando-a.
Dos cinquenta e poucos músicos da Orquestra muitos foram demitidos e substituídos por estudantes. O titular dessa orquestra, o maestro e diretor artístico do Teatro São Pedro, o paulistano Luiz Fernando Malheiro, foi pego de calças curtas. E ele ficou bravo com isso, e com razão, pois tomou conhecimento da tragédia cultural quando se achava em Manaus. Malheiro assumiu a direção do Teatro no dia 1º de Junho de 2014.
A Orquestra do Teatro São Pedro era, até aqui, a única especializada em ópera no País.
Eu e milhares e milhares de pessoas ficamos tristes com a decisão irracional e injustificável dos bam bam bans que, grosso modo, tomam conta da cultura que já encontra poucos espaços para se apresentar.
Num passado não muito remoto, havia centenas de teatros de bom porte espalhados pela cidade de São Paulo. Hoje esse número está na casa dos 100, assim mesmo todos de pequeno porte, na maioria.
O teatro São Pedro e o Teatro Municipal de São Paulo são os mais antigos em funcionamento na cidade.
O teatro São pedro foi criado por um jovem português de 25 anos de idade, de nome Manuel Fernandes Lopes. Ele era natural de Saserdas de São Pedro e o teatro a que deu nome foi inaugurado no dia 16 de janeiro de 1917.
Será que há alguma pretensão de se extinguir de vez o Teatro São Pedro e a sua programação cultural?
O teatro Municipal foi inaugurado em 1911. Sou completamente a favor de que se construa orquestras de jovens estudantes e dessas orquestras saiam grandes músicos, compositores, maestros...
E vocês já pensaram num Dória presidente?
Vocês já pensaram num Alckmin presidente? Nas próximas eleições vão surgir muitos pais da Pátria.
Enquanto isso a Cultura Brasileira continua sangrando.


BRINCANDO COM A HISTÓRIA (7)



segunda-feira, 8 de maio de 2017

ADEUS TRISTEZA E DEPRESSÃO



Todos morremos. Ainda bem, todos morremos.
Na vida vegetal as árvores morrem, na vida animal e na vida humana, todos morremos.
Há mortes programadas e mortes inesperadas.
Há mortes por desafio e mortes por bobeira.
Estatísticas indicam que a cada 40 segundos uma pessoa morre, em algum lugar do mundo.
As matas e animais continuam morrendo, inclusive de modo violento.
Curiosamente, nos países mais pobres é onde há menos suicídios. Entre esses países, os mais pobres: República Central Africana, Burundi e Tanzânia, com populações estimadas em 5 milhões, 11 milhões e 53 milhões, respectivamente.
Nos países mais "felizes" e ricos segundo levantamento da ONU, há suicídios assistidos. Esses países são Noruega, Finlândia e Suécia.
A Holanda foi o primeiro país a aderir ao suicídio assistido.
As pessoas abreviam a própria vida por razões as mais diversas. Há quem se mate por dívidas e jogos. Entre as razões do suicídio do português Camilo Castelo Branco foi identificado o endividamento provocado por jogos de azar, na cidade do Porto, Portugal. Fora isso, a cegueira que ele não suportava. O seu compatriota Antero de Quental (1842-1891) matou-se com um tiro no ouvido, num jardim. O principal motivo para o seu suicídio foi uma série de doenças degenerativas. 
Mas ora, para matar-se basta querer.
Em 1952, a poeta e tradutora carioca Ana Cristina César buscou a morte pulando do prédio onde moravam seus pais. Isso em 1983. As razões? Tristeza e solidão. Quatro anos depois, o também poeta e professor Carlos Alberto Ferreira de Brito, o Cacaso, mineiro de Uberaba, preferiu morrer envenenado. Cacaso era uma pessoa que apresentava traços de enorme depressão.
Enfim, para morrer basta estar vivo.
Atualmente este planetinha de josta acolhe cerca de 7,5 bilhões de corpos e humanos que um dia sumirão, dos modos mais diversos.
A superpopulação do planeta é um problema que desde sempre tem preocupado os cientistas. 
No ano I da Era Cristã, o planeta acolhia cerca de 150 milhões de pessoas.
Em 2030, estudiosos acreditam que cerca de 10,6 bilhões de pessoas estarão se matando umas às outras.
Até 2030 haverá alimento para todos? E em 2050, e em 2100?
A falta de alimento será sempre um problema para todos. Fora isso, a solidão será maior nas multidões.
Os últimos textos aqui postados têm, pretensamente, por objetivo a reflexão.
Não está na hora de abraçarmos nossos amigos, nossas amigas? De abraçarmos nossos vizinhos, de darmos bom dia mesmo a quem não conhecemos?
Bom dia, boa tarde, são cumprimentos de reforço à civilidade.
Também nunca é demais agradecermos um favor, pedir licença...
Outro dia o amigo editor José Cortez perguntou-me quais as três mais bonitas palavras do idioma português. Respondi: Amor, Amigo e Fraternidade. Mas há outras: Deus, esperança, dignidade, respeito, solidariedade...
Quando a tristeza bate no nosso peito, temos mais é que dar um chute na bunda dela. O mesmo temos de fazer quando nos bate à porta a depressão. E uma vez ela se enxeriu para o meu lado, e respondi:


Devastadora e sonsa

E filha da implosão

Ela pega, ferra e mata

É a mãe da solidão

Mãe e filha quando juntas

São do Inferno a danação



Não tem cara, corpo ou alma,

É invisível e letal
Nunca fez bem a ninguém
É um mal universal
E não vou falar mais dela
Porque não presta e ponto final!

PARA PENSAR

Onaldo Queiroga é um respeitável juiz da Comarca de João Pessoa PB. É também um respeitado cronista de olhar clínico. Sua visão de mundo é de um verdadeiro humanista. Onaldo traduz o mundo e suas mazelas em palavras definitivas. A sua sensibilidade é incomum. É dele o texto que segue:

Os Dias São Assim




Se os dias eram de repressão, de censura, de tortura, de exílio, como também de rebeldia e resistência, hoje os dias também não são fáceis.

Atualmente os dias são de incertezas, de insegurança, de medo, de corrupção, de incredulidade, de quebra de autoridade e de guerras. Os dias são do crime organizado, seja decorrente do tráfico de drogas, da milícia, do roubo de cargas, do estouro de carros-fortes e caixas eletrônicos, dos crimes cibernéticos, da propina que destrói o Estado, enfim, há uma sensação de que vivemos dias de podridão podre.

Parece que há um descontrole em inúmeros aspectos que circundam a vida dos homens do Século XXI. O tempo é de escuridão. A fome se espalha pelo mundo, enquanto as grandes potências só medem forças, fomentam guerras, espalham bombas que sacrificam inocentes e enchem os bolsos da indústria armamentista. Os dias são de pouco diálogo, de loucos que, em nome do poder pelo poder, dilaceram semelhantes, concentram civis em campos de miséria, de abandono e de indignidade. Os dias são de pouca amizade, de rancor e de vencer atropelando, sem se impressionar com a queda do concorrente.

Os dias são da tão decantada “democracia”, onde a violência assassinou em Pernambuco no mês de março de 2017, 17,6 pessoas por dia, totalizando no final do mês mais de 500 homicídios, número maior do que a guerra da Síria matou no mesmo período. Os dias são de terroristas, de conflitos religiosos e de um consumismo desenfreado.

Mas os dias ainda são de esperança de que o amor e a fé prevaleçam, que o homem possa compreender que só através do diálogo, da renúncia, do perdão alcançará a paz, irmã da felicidade. 



BRINCANDO COM A HISTÓRIA (6)





 
 

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