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quarta-feira, 28 de junho de 2023
A VIDA POR JOÃO CARLOS PECCI (3)
JOÃO CARLOS PECCI: Conheci Geraldo Vandré no Guarujá, carnaval de 1968. Ele tornou-se amigo de minha turma, afável, carinhoso, divertido. Disponível em muitos momentos de vários dias. Depois o vi somente em 1976, levado à minha casa por uma amiga. Era um outro Vandré. Ficou quieto, sentado em um canto, falando pouco, escrevendo o tempo todo. Vandré é um romântico revolucionário. Polêmico, sua música é forte e transformadora. No final de 1968 ele agitou o Maracanãzinho apenas com seu violão e sua voz falando de flores e canhões. Depois saiu pelo mundo propagando o Brasil e suas raízes nordestinas.
ASSIS: Você escreveu livros sobre Vinícius de Moraes. O que mais importante você vê na obra de Vinícius?
JOÃO: Vinícius é um grande poeta e um grande músico também. Aliás, a música chegou para ele antes que a poesia propriamente dita. Sua primeira canção é de 1929, com 15 anos, “Loura ou morena”. Anterior ao seu primeiro livro, “O caminho para a distância”, de 1933. Vinícius retrata o amor e a paixão em poemas, sonetos, baladas, crônicas e peças teatrais. Acredito que o mais brilhante de sua obra são os sonetos que ele criou entre 1938 e 1940 quando esteve na Inglaterra como bolsista em Oxford. Mas o mais importante de sua carreira é o fato de ele ter transferido sua poesia para a música popular, dotando-a de leveza e simplicidade, tornando-se, ao lado de Tom Jobim, artífice da mais dignificante transformação musical que encantou e encanta o mundo até hoje: a Bossa Nova. E mais: na música, ele jamais deixou escapar o viço de sua poesia, mantendo-se sempre ao lado de parceiros jovens como Baden Powell, Carlos Lyra, Francis Hime, Edu Lobo e Toquinho.
ASSIS: João, o Brasil é um país fantástico. O que falta para o Brasil ser de fato um país feliz? Os políticos atrapalham?
JOÃO: Há tempos o brasileiro descobriu a mágica de ser feliz ludibriando a realidade. Com todo direito e criatividade. Seu divertimento é fazer piada de políticos que atravancam esse país. No Brasil, o povo vive de lampejos. Com alguns clarões mais promissores, mas sempre interrompidos. Passamos por suicídio, renúncia, ditadura, morte quase no dia da posse, dois impeachments, corrupção, um ex-presidente preso, ameaças à democracia... E sempre na esperança de que algum lampejo se transforme num brilho mais duradouro. Longe disso. Vivemos hoje um parlamentarismo disfarçado. Mas o nível dos congressistas é cada vez mais desanimador....
terça-feira, 27 de junho de 2023
A VIDA POR JOÃO CARLOS PECCI (2)
JOÃO CARLOS PECCI: A deficiência física provoca obstáculos imprevisíveis, principalmente no início, quando tudo é espantoso. Mas também abre portas para a superação. Primeiro veio a pintura, como terapia para fortalecer os dedos das mãos. Jamais imaginei pintar quadros. Entre outras portas, a paraplegia me abriu também essa. A terapia foi virando profissão. De 1972 a 1978 expus meus quadros na Praça da República, numa época romântica e artesanal. Depois comecei a expor em galerias e meus quadros passaram a ser valorizados. Hoje os divulgo nas redes sociais recebendo retornos elogiosos e compensadores. A literatura surgiu de toda transformação provocada em minha vida. Mudava muita coisa, mas eu conseguia manter em torno de mim a abnegação da família, o carinho e apoio dos amigos. Além de usar a cadeira de rodas, tornei-me um itinerante apoiado em duas bengalas, o corpo suportado por uma órtese da cintura até os pés. A vida me caminhava, imitando Paulinho da Viola: “Não sou eu que me navego, que me navega é o mar...”. Namorava com mais poesia, fazia sexo – sim, fazia sexo com mais ardor. Então resolvi: “Preciso escrever sobre tudo isso”. Em 1980 foi editado pela Summus Editorial meu primeiro livro, “Minha Profissão é Andar”. Um texto transparente, real, sem pieguice nem vaidade. É um livro precursor desse tema no Brasil, virou ‘best seller”, foi adotado em escolas e faculdades, me fez palestrante. Hoje conta mais de 30 edições, sendo incentivo para que surgissem outros livros sobre o assunto. A literatura passou a fazer parte de mim e vieram mais livros. Atrevi-me a escrever crônicas e poesias em “Existência” (1984 – Summus). Enveredei pelo romance, “O ramo de hortências” (1987 – edição própria). Aí resolvi trabalhar em uma biografia sobre Vinícius de Moraes. Tarefa árdua de 4 anos de pesquisas e aprendizados resultando no livro “Vinícius-Sem Ponto Final” (1994-Saraiva). Minha filha nasceu em 1996. Dois anos após pensei em escrever sobre um outro periodo de minha vida: o do casamento com Márcia e o nascimento de Marina, concebida por meio de uma autoinseminação, método até então não experimentado no Brasil, sendo eu o primeiro brasileiro paraplégico a tentá-lo usando o próprio esperma, introduzido na mulher através de uma seringa. O livro: “Velejando a Vida” (1998-Saraiva). Entre pinturas e palestras, fui montando a trajetória musical de Toquinho, meu irmão. Deu em três livros: “Toquinho-40 Anos de Música” (2006), “Toquinho-Acorde Solto no Ar” (2010) e “Toquinho-História das Canções”, em parceria com Wagner Homem (2011-Leia do Brasil)
ASSIS: Você costuma compor música ou letras para música?
JOÃO: Não é comum. Acontece eventualmente, como “Caminhantes”, musicada e gravada por Paulinho Nogueira. “O robô”, “Doce martírio” e “Além do portão”, musicadas e gravadas por Toquinho em diferentes discos.
ASSIS: Outro dia você me falou que tem um ou dois livros inéditos. Quais são e do que tratam?
JOÃO: São dois livros. Um deles escrito em colaboração com a Laramara, associação que cuida de deficientes visuais. O livro conta a história de 10 pessoas deficientes visuais que conseguem conviver e superar suas deficiências de diferentes naturezas enxergando a vida com sabedoria e sensibilidades que vão além da visão comum. Continuo pintando e escrevendo. Nos próximos meses será lançado meu novo livro, “Ser, Conceber, Evoluir...”. Aborda um caso real de uma mulher portadora de Esclerose Múltipla, conseguindo superar a doença com coragem e determinação.
segunda-feira, 26 de junho de 2023
A VIDA POR JOÃO CARLOS PECCI (1)
Esse João de quem falo é da safra de 42. Em 1965, na PUC, fez o curso de Ciências Econômicas. Sempre foi alegre, despachado. Conhece muita gente, muitos artistas. Sente saudade de Vandré, parceiro de Toquinho (Presença). "Conheci Geraldo Vandré no Guarujá, carnaval de 1968. Ele tornou-se amigo de minha turma, afável, carinhoso, divertido. Disponível em muitos momentos de vários dias. Depois o vi somente em 1976, levado à minha casa por uma amiga. Era um outro Vandré".
Após concluir Ciências Econômicas, João Carlos Pecci enveredou pelo caminho do Direito, mas não foi longe. Um acidente de automóvel, na Via Dutra, mudaria sua vida. Tinha 26 anos de idade. "... Eu cochilei na direção, meu Fusca derrapou dando várias voltas. Em consequência, deu-se uma lesão medular na altura da 6ª vértebra cervical e eu fiquei paraplégico", lembra.
A literatura e as artes plásticas alcançaram João após o lamentável acidente. Já publicou meia dúzia de livros. O primeiro: Minha Profissão é Andar (Summus; 1980). Também lançou à praça um monte de quadros. A geometria é a marca da sua obra. "De 1972 a 1978 expus meus quadros na Praça da República, numa época romântica e artesanal. Depois comecei a expor em galerias e meus quadros passaram a ser valorizados. Hoje os divulgo nas redes sociais recebendo retornos elogiosos e compensadores".
O sonho, a vontade de fazer coisas move João Carlos Pecci a seguir firme na vida. "Sonhar é renovar caminhos e esperanças. Ai daquele que deixa de sentir o aroma desse perfume...", ele diz.
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João Carlos Pecci e o irmão, Toquinho |
ASSIS: Fale um pouco da sua formação.
JOÃO: Completei o curso de Ciências Econômicas na PUC em 1965, com 23 anos. Trabalhava na Philips do Brasil e ao mesmo tempo cursava o 5º ano de Direito na USP, visando exercer uma atividade conciliando os dois setores, Economia e Direito. Mas, em março de 1968, com 26 anos, sofri um acidente na Via Dutra, indo para o Rio de Janeiro. Eu cochilei na direção, meu Fusca derrapou dando várias voltas. Em consequência, deu-se uma lesão medular na altura da 6ª vértebra cervical e eu fiquei paraplégico. Tive de interromper meu trabalho e meus estudos. A vida dava uma guinada de 180 graus...
domingo, 25 de junho de 2023
LICENCIOSIDADES NA CULTURA POPULAR (28)
Freyre saúda com entusiasmo o Dicionário do Palavrão. Aqui e ali diz, porém, que faltou algo. Normal. Lamenta que:
"Mário Souto Maior não tenha se valido de maior número de clássicos. Clássicos literários e clássicos da crônica histórica. Matéria que poderia ter colhido não só em Bocage e Guerra Junqueiro, como em Gil Vicente, em Gregório de Matos e em documento valioso do século XVI: as catolicíssimas Denunciações do Santo Ofício. Nestas, o autor deste prefácio, ao elaborar, no começo da década de 30, seu Casa-Grande & Senzala, deparou-se com expressões grosseiras e surpreendentemente obscenas da parte de colonos com aparências de virtuosos. Expressões que registrou no mesmo livro, como 'jurar pelos pentelhos da Virgem' e 'ardor de rabo' ".Freyre encerra o prefácio que fez para o Dicionário do Palavrão, dizendo:
“O autor do Dicionário evita a pornografria pela pornografia, embora não pretenda entrangular o que é erótico na língua portuguesa do Brasil: o comunicativamente erótico ou o apenas descritivamente erótico. Seria um moralista caturra se se apresentasse, no seu Dicionário, como um antierótico, a exibir repugnância pelo que é vivo e corrente na linguagem mais secreta que aberta, porém de modo algum inexpressiva da sua e nossa gente. Fixa predominâncias regionais. Acentua usos generalizados no país inteiro ou quase inteiro. Revela-se conhecedor tanto de escritores literários — embora algumas deficiências possam ser apontadas nesse setor — como do próprio linguajar plebeu do Brasil. É, assim, um trabalho, este, que faltava aos estudos sociais, folclóricos, semânticos, desde a década de 20 tão em desenvolvimento no Brasil; e tão característicos do afã do brasileiro do conhecer-se cada dia mais a si mesmo e de, cada vez mais, interpretar-se por seus próprios intérpretes.”
sábado, 24 de junho de 2023
LICENCIOSIDADES NA CULTURA POPULAR (27)
Manezinho Araújo foi quem criou o duplo sentido na embolada. Ele, como personagem, aparece como um traído depois de apanhar de quem lhe levou a mulher. Título: Tadinho do Manezinho.
Também consideradas de duplo sentido são as emboladas do Manezinho intituladas A Mulher e o Automóvel e Cuma é o Nome Dele?
Lá no passado cantores como Chico Alves, Patrício Teixeira, Jorge Veiga e Colé também puseram as unhinhas de fora ao cantarem safadezas.
O pioneiro na temática foi o cantor Manuel Pedro dos Santos, o Bahiano, que em 1902 gravou o lundu Isto é Bom, do ator Xisto Bahia. Saiu no lado A do primeiro disco gravado do Brasil. Começa assim: “A renda de tua saia/ Vale bem cinco mil réis/ Arrasta mulata, a saia/ Que eu te dou cinco e são dez/ Isto é bom, isto é bom, isto é bom que dói…”.

Panelas, de batismo Oliveira Francisco de Melo, é um artista altamente criativo e dono de voz poderosa. Nascido no dia 24 de maio de 1946, Oliveira tem publicados 19 livros, gravados 11 LPs e uma trintena de CDs. Tem músicas gravadas por nomes como Zé Ramalho, Teca Calazans, Flávia Wenceslau e Socorro Lira.
Fora isso, Oliveira de Panelas tem presença em vários filmes, entre os quais Chatô o Rei do Brasil, que trata da história do paraibano de Umbuzeiro Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, chamado de o magnata da Imprensa brasileira.
O brincante Ariano Suassuna tinha por Oliveira verdadeira veneração, tanto que o convidou para se apresentarem nas cantorias que fazia Brasil afora.
Caneta é arma na mão de quem sabe escrever.
Entendo também que palavras são que nem fio de navalha. Quando não mata, machuca.
A nossa língua, a que falamos, é formada por cerca de 600 vocábulos ou expressões. Desse total, há cerca de quatro ou cinco mil palavrões. Talvez um pouco mais. Homens, segundo pesquisa da Preply realizada em março de 2023, falam pelo menos 8,48 palavrões por dia, enquanto mulheres falam 5,35 vezes. Ainda segundo a pesquisa, Brasília lidera como o Estado que mais fala palavrões, empatado com Rio de Janeiro e Fortaleza: cerca de 8 palavrões por dia.
sexta-feira, 23 de junho de 2023
ESTÃO DESCARACTERIZANDO O SÃO JOÃO
Hoje 23 de junho é o dia de São José Cafasso, padre italiano nascido no começo do século 19. Era chegado a dar conselhos. Todo mundo gostava dele, mas não é dele que quero falar agora. Quero falar de São João.
São João Batista, filho de Zacarias e Isabel, nasceu em Israel num 24 de junho. Virou profeta e como tal anunciou a chegada do Messias, quer dizer: Jesus, seu primo, por ele batizado nas águas do Rio Jordão. Esse santo é o centro dos festejos juninos.
Os festejos juninos herdamos de Portugal, mas custou a pegar e virar uma coisa religiosa bem popular. Só ali pela década de 30 do século 20 é que esses festejos se firmaram entre nós. Porém não custa lembrar que já no século anterior esses festejos já engatinhavam nos salões do Império com a dança da quadrilha. Coisa chique, nobre, da elite. A música era valsa ou polca. O povo vendo aquilo, passou a imitar sem pompas. E aí vieram as fogueiras, milho assado, canjica, pamonha, doces, pipoca, pé de moleque; bandeirinhas, pau de sebo...
O baiano Assis Valente foi quem inventou a marcha junina, gênero inicialmente gravado com algum sucesso por Chico Alves e Aurora Miranda, irmã da portuguesinha Carmen.
Essa história eu já contei neste Blog, em livros, rádio... Ouça: RAÍZES DO BRASIL
É importante que se diga, e se rediga, que coube ao pernambucano Luiz Gonzaga disseminar a marcha e outros ritmos do período junino. O forró, por exemplo.
Uma vez Gonzaga me disse: "Todo mundo me chama Rei do Baião, mas eu sou o rei do forró e da marcha junina; do xote, xaxado...".
Foi Luiz Gonzaga que deu as principais características juninas no campo musical, claro. Mas as festas juninas são mais do que música. É nesse período, quer dizer em todo o mês de junho, que esse tipo de festa é comemorado com muita alegria, especialmente no Nordeste. No entanto, um detalhe: está havendo uma rápida descaracterização nesses festejos. Ouça o que diz a paraibana Elba Ramalho: https://youtu.be/wZn7CD6DYLE
Realmente não parece ser de bom alvitre não ter em uma festa de São João artistas do naipe de Biliu de Campina e Alcymar Monteiro. Concordo com Elba. E concordo também quando ela diz que "No céu cabem todas as estrelas".
Pessoalmente, não sou chegado a rock e nem a música sertanoja. Também não gosto dessas coisas chamadas de pisadinha, funk, mas respeito quem faz e quem goste.
O escritor Onaldo Queiroga também é da linha do bom gosto. Defende a tradição junina. Ele: "A importância desses festejos está na manutenção da tradição, se fugir desse formato passará a ser um festival, pode até alcançar públicos enormes, mas não será São João".
O forrozeiro Flávio José, que conheço de perto e sei do seu talento, foi contratado para cantar uma hora e meia no São João de Campina Grande. Perfeito. Mas antes de abrir o fole, alguém se aproximou dele e disse: "Você só vai tocar uma hora e dez minutos". Ouça Flávio:
LEIA MAIS: A MELHOR FESTA DE SÃO JOÃO É AINDA NO BRASIL • VIVA SÃO JOÃO! • LUIZ GONZAGA E SÃO JOÃO
FORRÓ NA LUA
Pra quem está fora de Campina Grande, apresento esta composição que Jorge Ribbas e eu criamos. Confira: https://youtu.be/kHNTKvQuphU
LULA ARRASA NA FRANÇA
Num tempo não muito distante, dizia-se que fulano "está botando pra quebrar!". Isso quando alguém estava a fazer algo positivo, com firmeza.
Num tempo mais distante, dizia-se que fulano "está mandando brasa!". Isso tal tal e tal.
Por estes tempos atuais diz-se que fulano "arrasou!" ou "está arrasando!".
Pois é, com as bênçãos do papa Francisco, Lula deixou o Vaticano e desembarcou hoje 23 num Palácio em Paris para participar de um encontro reunindo pelo menos uma centena de chefes de Estado. A ideia desse encontro, promovido pelo presidente francês Emmanuel Macron, é fechar um pacto financeiro global que tem por base a preservação do meio ambiente e coisa e tal. De repente totalmente de improviso, Lula sacou da cachola um discurso dizendo que é preciso acabar com as desigualdades no mundo.
A fala do presidente brasileiro provocou espanto geral. Disse ainda que não basta preservar o meio ambiente e todo mundo respirar bem, pois ainda assim o povo continuará morrendo de fome.
Ao espanto multiplicaram-se os aplausos.
No seu discurso improvisado Lula disse que não adianta apenas cuidar do clima se não se cuida das necessidades humanas, ressaltando a necessidade de se acabar com a miséria. Disse, com a firmeza de quem conhece as coisas que "os políticos só lembram do povo nas eleições".
E muito mais disse Lula.
Com certeza o presidente brasileiro fez um discurso histórico.
quinta-feira, 22 de junho de 2023
TUDO PELO BEM DO MUNDO!

LEIA MAIS: O VELHO QUE SABE TUDO
quarta-feira, 21 de junho de 2023
CAIM PEGA PESADO COM DEUS
terça-feira, 20 de junho de 2023
NINGUÉM QUER O CASTELO DE JOSÉ RICO
A dupla Milionário e José Rico gravou muitos discos e ficou conhecida até fora do Brasil. Entre os sucessos da dupla, que se apresentou até na China, estão Estrada da Vida, Jogo do Amor e Boate Azul.
Conheci de perto os dois, Milionário e Rico.
Fui chamado pra fazer algumas caixas especiais de artistas de sucesso, como Milionário e José Rico. Outros projetos, porém, atropelaram a ideia da coletânea com os dois. Motivo foi um projeto reunindo obras de representantes autênticos da moda caipira como Cornélio Pires, Raul Torres/Florêncio, Boldrin e tantos mais. Esse projeto, intitulado Som da Terra, resultou em 26 discos nos formatos de fita K7, LP e CD.
ARACY DE ALMEIDA
segunda-feira, 19 de junho de 2023
CHICO BUARQUE 79 ANOS
O tempo passou, pois não para de passar, esse Francisco virou Chico Buarque. Compositor, cantor, uma fera da arte musical no campo popular.
Chico é uma sumidade na profissão que abraçou.
Como cidadão, Chico é completo. Sempre soube o que quis, para si e para o Brasil. Sua obra enriquece a nossa música popular. Tem centenas de títulos registrados em compactos simples e duplos, LPs, CDs e DVDs.
Incomodou os milicos que tomaram as rédeas do destino do Brasil durante 21 anos, a partir de 1964.
Fora isso, Chico Buarque é também nome de destaque no campo da literatura. Tem vários romances e peças de teatro, como Gota D'água, Roda-Viva e Calabar.
Seu pai, Sérgio Buarque, deixou marcas na área da História e Sociologia. Um dos seus livros clássicos tem por título Raízes do Brasil, cuja primeira edição data de 1936.
A primeira composição musical de Chico Buarque foi intitulada Canção dos Olhos. Tinha 15 anos de idade. O sonho de Chico, digamos assim, era compor tão bem como o seu chamado "maestro soberano", Tom Jobim.
A primeira composição musical de Chico foi gravada pela cantora Maricenne Costa, em 1964. Título: Marcha para um dia de Sol.
HISTÓRIAS DE ESQUINA
SARAMAGO NÃO MORREU
Num dia qualquer de fim de ano ocorre num país imaginário a continuidade da vida sem prazo para parar, por iniciativa da morte.
Pois é, derrepentemente as pessoas param de morrer. Criança continua crescendo e os crescidos, homens feitos, continuam suas trajetórias rumo à imortalidade. Velhos continuam velhos, cada vez mais velhos; e doentes, doentes com a possibilidade de não morrer.
O livro As Intermitências da Morte, de José Saramago (1922-2010), começa com a morte tirando férias e as pessoas, homens e mulheres, vivendo a possibilidade de nunca morrerem.
É pra lascar, né não?
domingo, 18 de junho de 2023
LICENCIOSIDADES NA CULTURA POPULAR (26)
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Assis Ângelo e Paulo Vanzolini |
A mineira Maria Alcina fez estrondoso sucesso com Bacurinha, depois de regravar Prenda o Tadeu.
Até a rainha do baião, Carmélia Alves, cantou a seu modo verso de duplo sentido. A música foi Trepa no Coqueiro, de Ari Kerner. Um trecho: “Oi! Trepa no coqueiro!/ Tira coco!/ Jipe, jipe! Nheco, nheco!/ No coqueiro olirá/ Papai, cadê Maria?/ Maria foi passiá/ Os passeios de Maria/ Faz papai e mamãe chorar”.
A rainha do forró, Anastácia, pegou o bonde dessa história e mandou ver no forró O Sucesso da Zefinha, em que diz: “A Zefa é moça bonita/ Bem apetitosa e ajeitadinha/ Usando a calça bem justa/ Cintura apertada fica bonitinha/ Os homens ficam quase doidos/ Querendo dançar só com a Zefinha/ E ela por si não dá conta/ Trocando de par a noite inteirinha”.
Quem também fez grande sucesso cantando bobagens foi a atriz Dercy Gonçalves. Uma das músicas que lhe renderam sucesso foi A Perereca da Vizinha, dela mesma e de Jonatan. Começa assim: "A perereca da vizinha tá presa na gaiola!/ Xô, perereca! Xô, perereca!/ A vizinha é boa praça/ A vizinha é camarada/ Vai soltar a perereca/ Pra alegrar a garotada!!!".
No mundo da cantoria ao som de viola e pandeiro há interessantes e curiosos registros em modalidades diversas, como embolada.
As irmãs Terezinha e Lindalva fizeram muitos marmanjos rirem com Baiana Sulá, gravada no lado A do LP Olha o Palavrão, de 1992. Elas usam palavras de baixíssimo calão para se "agredirem". Embora engraçados, os versos são pesados.
Terezinha e Lindalva gravaram vários discos e até participaram de um filme intitulado Saudade do Futuro, baseado no livro Eu vou contar pra vocês, que publiquei em 1990. Desse filme, inédito no Brasil, também participaram os emboladores Peneira e Sonhador.
Mais leves do que Terezinha e a irmã são Caju e Castanha. Falam de corno. Adoram esse tema. O Corno Conformado é uma graça. Ouça:
sábado, 17 de junho de 2023
LICENCIOSIDADES NA CULTURA POPULAR (25)
De Raul é o engraçado Rock das Aranhas, em que narra a relação sexual entre duas mulheres. Fez grande sucesso, virando clássico do gênero: https://www.youtube.com/watch?v=rRj-9xhlXuQ
O trem dessa história segue por aí, aos solavancos.
Em 1929, a cantora e atriz do teatro de revista Aracy Cortes encheu de tesão os marmanjos que a viam no palco. Deu muito o que falar com as pernas nuas e os trejeitos sensuais. Um ano antes ela gravou o samba Jura, de Sinhô, que lá pras tantas diz: “... Daí então dar-te eu irei/ O beijo puro na catedral do amor/ Dos sonhos meus/ Bem junto aos teus/ Para fugirmos das aflições da dor”.
Em 1935, a cantora Carmen Miranda botou pra quebrar com o samba Eu Dei..., de Ary Barroso. Gracioso, fez sucesso.
Em 1936 Noel Rosa compôs o samba Dama do Cabaré que Marília Batista gravaria em 1954. O personagem descarta uma namorada pela tal dama, com quem sai. Apaixona-se e passa a vida a procurá-la nos bailes da vida. É o contrário do que se sucede com a personagem do samba-canção Ronda, que o paulistano Paulo Vanzolini comporia. Essa música foi lançada em 1953, por Inezita Barroso.
Mais recentemente muitas cantoras se divertiram cantando coisas maliciosas.
POR QUE HOJE É SÁBADO?
Eu disse e repito: todo e qualquer tema se acha na nossa música popular desde o nascimento, vida e morte de quem quer que seja.
A morte está presentíssima no repertório popular da nossa música.
Todos os grandes compositores geraram músicas com base nessa temática.
O ilustrado poeta Vinícius de Moraes falou de tudos nos seus versos, até de suicídio.
sexta-feira, 16 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (6, FINAL)
A População de humanos deste nosso planetinha já passa de 8 bilhões.
Diariamente nascem cerca de 200 mil pessoas e morrem a metade disso. Quer dizer, continuamos a nos multiplicar como disse Deus, na Bíblia.
E se não morrêssemos o que seria da morte, hein?
Desde tempos imemoriais rola na boca do povo, e em todas as línguas, histórias que põe a Morte como imorrível e sábia. Dela ninguém escapa, é claro.
Nas histórias contadas pelo povo sempre aparecem malandros querendo passar a perna na morte. E perdem, claro.
O escritor paulistano Ricardo Azevedo reuniu num livro quatro histórias originárias de Portugal. São ótimas. Começa com o personagem procurando padrinho para o seu sétimo filho. É pobre, afunhenhado. Numa estrada dá de cara com alguém que se identifica como Morte. Vira a madrinha do filho.
A segunda história adaptada por Azevedo e inserida no seu livro Contos de Enganar a Morte trata de dois jovens, um deles ganancioso e o outro tranquilo, pacato, trabalhador, de profissão ferreiro. E não vou contar mais a respeito.
Mas foi em histórias desse tipo que o escritor português José Saramago inspirou-se para nos presentear com o livro As Intermitências da Morte, publicado originalmente em 2005.
No livro, o fabulista Saramago cria um país onde, de repentemente, ninguém morre. E de repentemente as pessoas se multiplicam, se multiplicam, se multiplicam. Caos. As funerárias vão à falência, os hospitais ficam atulhados de pacientes que envelhecem e não morrem. Preocupado com a situação, o cardeal liga para o primeiro ministro dizendo que sem morte não há ressurreição e sem ressurreição não há igreja.
A morte se acha em todas as narrativas, em todas as histórias desde sempre. Desde que mundo é mundo.
Há histórias sobre a Megera, como também é chamada a Morte, no folclore de todos os países.
Lá pras bandas da Europa há história do Cavaleiro Sem-Cabeça. As versões da história desse Cavaleiro variam. Contam que o tal foi decapitado pelo próprio pai. Há filmes a respeito.
No Brasil, que é rico de histórias de Trancoso e tal, tem a Mula Sem-Cabeça. Teria surgido no Nordeste. Fala-se de uma mulher que fora amaldiçoada por Deus, ou sei lá por quem, pelo fato de envolver-se sexualmente com um padre.
Tem também a história de um certo Corpo Seco. No caso um cara mão de vaca e mau. Xingava todo mundo, batia em todo mundo. Canalha. Ao morrer a terra recusou-se a comê-lo. Não foi parar no Inferno e tampouco no Céu.

Há casos reflexivos no vasto manto do folclore nacional. O Negrinho do Pastoreio é um desses casos. Cenário é uma fazenda no Sul. O Negrinho do título deixa escapar um animal e por isso é punido pelo patrão, um fazendeiro maldito. Ele apanha e tem o corpo ferido num formigueiro onde fora posto. Ressuscita montado num bonito cavalo e, como herói da história, liberta as pessoas escravizadas pelo fazendeiro.
E o Saci-Pererê, hein? O Saci, nosso Saci, aparece pela primeira vez em histórias escritas num livro do paulista Monteiro Lobato.
Foi também Monteiro Lobato que deu voz em livro à Mula Sem-Cabeça.
Vale sempre a pena ler e reler as histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo.
Um dos mais queridos personagens folclóricos é João Grilo. Grilo é cheio de onda, esperto. Tira proveito de quem esbanja fortuna e tal. Esse conseguiu vencer a morte. Nessa façanha, teve a mão santa de Nossa Senhora. Provoca boas gargalhadas. Foi morto por um cangaceiro, mas retornou ao convívio entre os vivos. Rouba cenas da peça O Auto da Compadecida, que virou filme.
A população mundial continua se multiplicando. O número de pessoas que nascem é o dobro das pessoas que morrem.
No auge da pandemia o Brasil registrou a média de 7 mil morte/dia.
Nascem mais homens do que mulheres, os dados são do Country Meters.
No Brasil nascem cerca de 7.700 crianças diariamente, segundo o IBGE.
Mas e se não morrêssemos, o que seria da morte?
quinta-feira, 15 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (5)
País que anda mal é aquele que tem a economia mal administrada. E assim sendo, corroída pela praga da inflação.
Poetas populares do cordel, como Leandro Gomes de Barros, apresentaram na sua arte os malefícios da inflação. Inflação, leia-se: horror, morte, principalmente pra quem é pobre.
História.
"Vinícius não matou-se. Vinícius estava se recuperando de um AVC e como consequência aconteceu o que todos nós não queríamos. Meu irmão, que estava hospedado no seu apartamento, no Rio, tentou ainda reanimá-lo, mas quando o médico chegou já não havia mais tempo. A primeira pessoa que notou alguma coisa estranha em Vinícius foi Rosinha, a cuidadora da casa. O resto é história".
quarta-feira, 14 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (4)
terça-feira, 13 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (3)
"As pessoas precisam ter mais coragem para falar sobre isso. Precisam ter opiniões mais contundentes. O maior problema que se pode ter é perceber que se tem um problema que não está resolvido [...] Para mim, a arte é um processo de cura. Ela organiza a cabeça, expande o conhecimento. Lido com criatividade e preciso de equilíbrio e ausência de ansiedade. Ou você adquire isso ou não faz bem o seu trabalho"
No caso de um artista, podemos acompanhar esta constante presença da morte em sua obra, e Torquato não é exceção. A morte é uma constante em sua vida e obra. Ele já havia tentado se matar diversas vezes e cada uma era como um tributo à própria arte. Existe um ponto em que a criação artística torna-se de tal modo importante para a vida do artista que elas se confundem. Ela só existe por sua causa mas à medida em que sua criação se estrutura o artista se vê na posição contrária. Ele passa a depender da obra para existir tanto quanto ela depende dele para fluir. A morte aparece aqui como um tributo a ser pago à arte, uma experiência limite que permite ao sobrevivente o relato pleno de sua incursão pelos obscuros e perigosos caminhos do inconsciente.
Sua atividade criativa estava aquecidíssima e ele tinha inúmeros planos de futuro. "Experimentar" a morte era como encarar de frente aquela que o colocava constantemente numa cilada. O artista é aqui uma vítima voluntária da própria arte. Caso ele sobreviva terá em seu desenvolvimento artístico um salto qualitativo talvez apenas possível por ter tomado a opção do sacrifício. Um ritual que ressuscita, como o próprio corpo do sobrevivente.
segunda-feira, 12 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (2)
Como se faz um atchim
E de supetão
Lá vem o rabecão...
domingo, 11 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (1)
Esse tema se acha em todos os quadrantes do pensamento humano, desde sempre.
Falar da vida, falar da morte e de sexo não é fácil. É difícil, e por ser assim, polêmico, polêmico.
Não é fácil falar das coisas fáceis.
A morte, por exemplo, está na nossa cara como na nossa cara está a vida. E vida como tal, sexo.
O sexo reproduz a vida e a morte, não é mesmo?
Mas poeta eu não sou não.
Poeta é Zilidoro
Poeta é Riachão
Que do nada fazem versos
E se brincar até canção...
A morte, como a vida, se acha profundamente presente nas mais diversas formas da cultura popular. Na música, inclusive.
O roqueiro Raul Seixas e o escritor Paulo Coelho assinam um tango interessantíssimo, cantado por Raul. Este: https://youtu.be/FHZpAnagMkc
O tema morte na música popular brasileira é antigo, antiquíssimo.
Em 1933 o carioca Noel Rosa escreveu e cantou Fita Amarela. Diz:
Quando eu morrer
Não quero choro, nem vela
Quero uma fita amarela
Gravada com o nome dela...
Isso, pois, há 90 anos!
Porém não custa lembrar que nesse ano, 33, os compositores J. G. Fernandes e L. Marques compuseram o fado A Morte da Ceguinha, que o português com raízes brasileiras Manoel Monteiro gravou com muita graça, digamos assim.
Antes dos 30, os cantores Paraguassu e os Irmãos Eymard gravaram Morrer de Amor e Morrer Por Ti. A primeira é uma modinha e a segunda, uma polca.
Polca, aliás, é um gênero musical muito bem assimilado pelo sanfoneiro e compositor, também cantor, Luiz Gonzaga.
Pra tocar o meu pandeiro, ô
O meu pandeiro cravejado de marfim
Quando eu morrer, quero um braço de fora
Pra tocar o meu pandeiro, ô
Em homenagem às morenas que gostam de mim
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (24)
E como quem não quer nada, do rádio saía a voz de Zé Duarte cantando Velho Sapeca. Olhe a gracinha: "Meu pai vivia triste, andava descontente/ Hoje vive sorridente e a tristeza não existe/ Queria que você visse como ele tá legal/ Tá nascendo cabelo na cabeça do meu pai/ Que beleza, que legal...".
O jornalista, teatrólogo e advogado carioca Geysa Bôscoli, sobrinho da maestrina Chiquinha Gonzaga, compunha músicas nas horas vagas. Uma dessas músicas, Maria Chiquinha, foi gravada pela primeira vez por Sonia Mamede e Evaldo Gouveia no ano de 1962. Outras gravações dessa música foram feitas, inclusive pelos irmãos Sandy e Junior. A letra é aparentemente ingênua, mas o personagem desconfia que está sendo traído pela mulher. Pior: ele a ameaça cortar-lhe a cabeça. Horror!
Há muitos casos de feminicídios na literatura e na música.
Em 1982 entrevistei Chico Buarque e dele ouvi opinião a respeito desse assunto, condenável sob todos os aspectos. Leia a entrevista completa: REVISTA HOMEM - EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO

Até a chamada "rainha dos baixinhos" Xuxa, hoje sessentona, dançou e cantou ao som do duplo sentido. Exemplo é a música Turma da Xuxa, de Reinaldo Waisman e Robson Stipancovich, gravada no LP Xou da Xuxa em 1986. A letra diz: "E o Betão apaixonado/ Foi beijar a Marieta/ Errou a sua boca/ E beijou sua… bochecha…".
Xuxa, aliás, chegou a ser "homenageada", em 1988, pelo grupo Trem da Alegria. Os pixotes desse grupo, hoje extinto, começam cantando assim: "Cada dia mais eu me apaixono e te acho mais linda/ Eu fico imaginando, quero ser seu namorado/ Mas fico com vergonha do meu pai que está do lado/ Você é a culpada do meu banho demorado…".
sábado, 10 de junho de 2023
A BOSSA NOVA MORREU, NO BRASIL
Ouso aqui dizer que esse João foi tão importante quanto o pernambucano de Exu Luiz Gonzaga, que para o mundo ficaria conhecido como o Rei do Baião.
O novo ritmo criado por João Gilberto chamou-se Bossa Nova. O mundo inteiro conhece esse gênero, esse ritmo, essa pancada sonora inventada pelo baiano João.
A primeira gravação de Garota de Ipanema, carro chefe do movimento bossa-novista, foi gravada no Brasil no dia 26 de março de 1963, lançada em julho num disco de 78 rpm pela gravadora Odeon. O intérprete, de quem privei amizade, foi o carioca Pery Ribeiro. Pery era filho da deusa da nossa música Dalva de Oliveira e do cínico Herivelton Martins, porém sem dúvida um grande letrista e melodista da nossa música popular. É dele, por exemplo, a canção Ave Maria no Morro. Essa canção foi gravada em muitas línguas.
Em muitas línguas, quase todas, foi também gravada Garota de Ipanema.
A primeira versão em inglês de Garota de Ipanema coube à baiana de Salvador Astrud Gilberto. Essa gravação Astrud fez no dia 12 de março de 1963, num estúdio de Nova Iorque lançada no ano seguinte, num single, sem créditos à intérprete. Não houve contrato na ocasião. Da parte dela, de Astrud, por ingenuidade ou amadorismo.
No começo da carreira, João brigou com muita gente. Até com Geraldo Vandré. Mas o tempo passou e a amizade entre os dois voltou.
O primeiro LP de Vandré tem a marca bossa-novista. Não é mesmo, maestro Júlio Medaglia?
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