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segunda-feira, 10 de junho de 2013

LUIZ GONZAGA E SÃO JOÃO

Há pouco liguei para o conterrâneo e amigo querido Roberto Luna, de batismo Valdemar Farias; e antes de puxar conversa com ele, perguntei se estava recolhido ou se recolhendo aos aposentos, pois já passava das 22 horas. Resposta:- Que nada, meu irmãozinho. Eu estou no computador.
Luna no computador!
Pois é: Luna é da safra de 1929, e tem muitas histórias para contar.
Mas vamos falar de São João?
O mês é propício.
Pois bem, o pernambucano de Exu Luiz Gonzaga, o rei do baião, foi o primeiro artista da música popular a introduzir a marcha junina, ou joanina, como gênero musical na discografia brasileira.
Isso, em 1951.
Música: Olha Pro Céu, dele e José Fernandes, gravada no dia 5 de abril de 1951 e lançada ao mercado em junho do mesmo ano. Não por acaso, o seu disco de estreia em março de 1941, na extinta Victor, já trazia uma música enaltecendo o principal santo das festas joaninas: Véspera de São João, uma mazurca instrumental dele e Francisco Reis.
Antes de Luiz Gonzaga as músicas de referência e reverência a Santo Antônio, São João e São Pedro eram tangos, como São João Debaixo d´Água, de Irineu de Almeida; cançonetas, como São João na Roça, de E. de Souza; e fados como Festas Joaninas, de autor desconhecido, gravadas entre 1910 e 1913, por cantores pioneiros em discos no Brasil, entre os quais Bahiano e Eduardo das Neves.  
Depois de Olha Pro Céu, Gonzaga compôs e gravou muitas músicas alusivas ao período junino, entre as quais a que dá título ao LP Meu Pilão (Festa do Milho), de 1963. A música é de Rosil Cavalcanti. 
Pois é, ainda há muito a ser dito a respeito do velho Lua.
Não, Roberto Luna nunca gravou música junina. 
Mas gravou marchas, foxes e sambas, como Pois é..., de Ataulfo Alves; e sambas-canção como Molambo, de Jaime Florence e Augusto Mesquita, no dia 11 de novembro de 1953, pela Odeon.
Roberto Luna estreou em disco em julho/agosto de 1952, com o bolero Por Quanto Tempo, de Marino Pinto e Dom Al Bibi; e o samba-canção Linda, de Erasmo Silva e Ruy Rey, pela etiqueta que não existe mais, Star.

MEU PADRIM
O ex-deputado Francisco Muniz de Medeiros (1974-78), mais conhecido por Frei Marcelino, morreu sábado 8, aos 79 anos de díade, no Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, PB. É dele a composição em homenagem ao padre Cícero Romão Batista, Meu Padrim. Essa música, um baião, foi gravada por Luiz Gonzaga em 1960. O frei, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores na Paraíba, era professor de Filosofia na Universidade Federal da Paraíba e falava várias línguas, entre elas inglês, grego e latim.

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