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segunda-feira, 8 de março de 2010

DIA DA MULHER E NOTÍCIA DE ANITA

Notícias do dia:
No sudoeste da China, milhões penam com a seca.
Em Pequim, a capital chinesa, hoje amanheceu branco, com as ruas cobertas de neve.
Saqueadores chilenos “arrependidos” devolvem produtos rapinados de estabelecimentos comerciais em regiões atingidos por terremotos, “espontaneamente”.
A terra tremeu na Turquia, matando e ferindo muita gente.
Rotina: carro bomba explode, mata e destrói até a sede da polícia antiterror de Lahore, no Paquistão.
Em Hollywood, Guerra ao Terror ganha seis estatuetas.
Aqui, reportagens mostram mulher fazendo trabalho de homem, neste seu dia 8 internacional.
Textos a respeito indicam que a mulher brasileira continua por baixo, sofrendo dos males machistas; que elas trabalham mais, que elas ganham menos, que elas não ocupam muitos cargos na política etc.
Verdade.
Hás uns até que dizem que mulher não vota em mulher, que Erundina, a primeira prefeita de São Paulo, deputada várias vezes, foi eleita por voto masculino, etc. etc.
De fato, lamentável.
Há 45 deputadas federais – incluindo Erundina – e dez senadoras atuando em Brasília e três governadoras no Pará (PT), Rio Grande do Sul (PSDB) e Rio Grande do Norte (PSB).
Pouco, muito pouco.
A luta feminina por um lugar de destaque não é de hoje, é de tempos imemoriais.
Em 1922, quando São Paulo procurava impor nova visão no campo das artes, uma mulher de nome Orminda Ribeiro Bastos publicava artigos no jornal Folha do Norte, do Pará, sob os títulos O Voto Feminino e A Emancipação da Mulher.
O pau cantou, é claro.
E hoje, apesar de tantos avanços em todas as áreas de atuação humana, a presença feminina ainda parece ser inconveniente.
Isso precisa acabar; aqui, e no mundo todo.

ROBERTO SILVA
- Anteontem assisti a dois espetáculos, num só. Explico: Osvaldinho da Cuíca nos chamou para o lançamento de mais um disco seu no espaço Choperia do Sesc Pompéia e gravação do seu primeiro DVD. Entre um convidado e outro, ele chamou ao palco o mestre do samba sincopado Roberto Silva, que, ainda dançando e cantando bonito, completa 90 anos no próximo dia 6. É uma legenda, sem dúvida; um orgulho e tanto para o Brasil e razão para muitas comemorações. Silva começou a carreira em 1938, num programa da extinta Radio Guanabara. O primeiro disco, de 78 RPM, ele o gravou no dia 22 de julho de 1947, trazendo de um lado Ele é Esquisito, de Walter Teixeira/Luiz Guilherme/Rogério Lucas; do outro, O Errado sou Eu, de Erasmo de Andrade/Djalma Mafra, pela velha Continental, que não existe mais. Ele foi o segundo intérprete a gravar o samba Volta por Cima, do paulistano histórico Paulo Vanzolini, depois de Noite Ilustrada, em 1963. O seresteiro Carlos José o batizou de O Príncipe do Samba. Hoje, no seu campo, é rei. Ele e Ciro Monteiro foram os grandes intérpretes do samba sincopado, no Rio de Janeiro; em São Paulo, continua sendo Germano Matias. Viva Roberto Silva!

RESPEITO AO POVO
- Essa, eu faço questão de transcrever:
À Redação de O Globo
RJ, 13/01/2010
Tendo em vista matéria publicada em O Globo de hoje (p.4), intitulada “Comissão aprovará novas indenizações” e na qualidade de filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, devo esclarecer o seguinte:
Luiz Carlos Prestes sempre se opôs à sua reintegração no Exército brasileiro, tendo duas vezes se demitido e uma vez sido expulso do mesmo. Também nunca aceitou receber qualquer indenização governamental; assim, recusou pensão que lhe fora concedida pelo então prefeito do Rio de Janeiro. Sr. Saturnino Braga.
A reintegração do meu pai ao Exército no posto de coronel e a concessão de pensão à família constitui, portanto, um desrespeito à sua vontade e à sua memória. Por essa razão, recusei a parte de sua pensão que me caberia.
Da mesma forma, não considerei justo receber a indenização de cem mil reais que me foi concedida pela Comissão de Anistia, quantia que doei publicamente ao Instituto Nacional do Câncer.
Considerando o direito, que a legislação brasileira me confere, de defesa da memória do meu pai, espero que esta carta seja publicada com o mesmo destaque da matéria referida.
Atenciosamente,
Anita Leocádia Prestes
CPF 059050957/87
RG 1492888 IFP/RJ

"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto"
(Rui Barbosa).

A notícia dada publicamente pela filha de Olga e Prestes, aqui transcrita, me fez lembrar algo parecido com gesto do cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré, que em fins dos anos de 1970 me procurou para devolver, como se diz, um polpudo cheque nominal feito pelo governo da época. Era a título de "indenização" pelo tempo que esteve fora do Brasil, à sua revelia. Vandré jamais aceitou a "anistia" que lhe deram.

Um comentário:

Flávio Tiné disse...

Muito digna a posição de Ana Leocádia e Geraldo Vandré, mesmo porque eles não precisam de dinheiro.
Mas não vejo nada demais em receber tal grana, que não compensa o sofrimento de tantos que se sacrificaram pela democracia. Eu receberia de bom grado...

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