Faz hoje uma semana que o fim do mundo chegou de cara feia, amarrada, arrastando tudo que encontrou pela frente na região serrana do Rio de Janeiro, sem perdoar nem pobres nem ricos, negros ou brancos, gordos ou magros, homem, mulher ou criança.
Um horror!
Gatos, cachorros e outros bichos, domésticos ou não, tiveram também a vida abreviada de forma abrupta.
Entre os estragos, destaque para milagres e fatos inusitados, como o que li nos jornais a respeito de um jovem casal, casado há pouco, encontrado morto e de mãos dadas nos escombros de Teresópolis.
De cortar o coração.
Li também que um pai salvou o filho - um bebê de sete meses - dando-lhe sua própria saliva, enquanto durante horas e horas estiveram ambos soterrados e dados como mortos, a exemplo da mulher e também da sua mãe, que jaziam ao lado.
Também de maneira fantástica, inacreditável mesmo, li que uma mulher de idade ganhou o noticiário internacional ao ser içada de uma tromba d´água por vizinhos solidários. Para salvar-se, ela amarrou-se a uma corda em segundos. Detalhe: nunca, na vida, ela deu um nó sequer numa corda ou num cordão.
Outras cenas igualmente incríveis foram anotadas na operação de socorro urgente desenvolvida por bombeiros e pelo exército de voluntários que rastreiam em busca de corpos e sobreviventes a região escolhida como alvo da violência, de origens naturais, que desabou num piscar de olhos e diante de meio mundo.
Mas o episódio que me tocou sobremaneira foi o referente a um cachorro que não abandonou o dono nem na hora da morte.
Ele ficou o tempo todo no local onde o dono fora encoberto pela danação e lá achado sem vida.
E nem lá, no cemitério, o cachorro o abandonou.
Fez-me lembrar a história do vaqueiro pernambucano Raimundo Jacó, primo do rei do baião Luiz Gonzaga.
Jacó foi encontrado morto sob uma árvore, em julho de 1954.
A seu lado, um fiel vira-lata.
E como no caso do cachorro do Rio, o cachorro de Pernambuco acompanhou o dono ao cemitério e lá, ao lado da cova, permaneceu por vários dias; até que também foi encontrado morto, sem tocar na água e na comida que lhe deram numa cumbuca.
Tanto na vida quanto na ficção, há histórias fabulosas envolvendo cachorros.
Graciliano Ramos, por exemplo, no seu romance Vidas Secas, dos anos de 1930, dá vida a uma cachorra chamada Baleia.
Sugiro leitura.
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