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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

JOSÉ RAMOS TINHORÃO, 83. VIVA!

O historiador José Ramos Tinhorão, que neste 7 de fevereiro de sol e calor completa 83 anos de vida, muitos dos quais vividos em meio a polêmicas provocadas por seus escritos originais e necessários à compreensão da formação do Brasil, não cansa de voltar seus olhos de lince e aguda inteligência ao campo minado da cultura musical.
É desse campo que ele extrai dados para o esclarecimento de questões como as que dão conta de que o fado não é português, o samba não é baiano e a modinha e o lundu foram, por exemplo, os primeiros gêneros musicais urbanos saídos daqui e levados a Portugal nos fins do século 18 pelo violeiro carioca Domingos Caldas Barbosa, a respeito de quem, aliás, escreveu e publicou primeiramente em Lisboa um belo e elucidativo livro, em 2004.
São muitas as pesquisas e descobertas que tem feito desde os começos dos anos 50, ainda nos tempos de copidesque aplaudido do Jornal do Brasil.
Não à toa, ele é, sem dúvida, o nosso principal historiador.
E digo mais, embora sem procuração para tal: já passa da hora de o Brasil reconhecer a sua obra, o seu talento e dedicação no campo da investigação histórica, lhe prestando bem-vindas e oportunas homenagens.
Flores em vida.
Pergunto: por que o governo ou uma entidade qualquer, privada ou não, não cria um prêmio de incentivo às pesquisas em torno da música e da cultura popular com o seu nome?
E por que também seus livros não são adotados nas escolas?
Já é hora...
Acho até que Tinhorão merece um monumento em praça pública, por sua intensa e longeva dedicação à historiografia brasileira.
Seu pecado: afirmar lá atrás, nos anos 60, que a bossa nova nunca foi uma criação genuinamente brasileira, mas, sim, a derivação de um tipo de música norte-americana.
Ora, ora, e não é verdade?
E isso já não está mais do que provado?
O próprio Carlos Lyra, do movimento bossa-novista de João Gilberto & Cia., chegou a compor uma música a respeito, Influência do Jazz, que a desconhecida Célia Reis lançou em março de 1962 pela Philips. A letra diz já no início:

Pobre samba meu
Foi se misturando
Se modernizando e se perdeu
E o rebolado, cadê?
Não tem mais
Cadê o tal gingado que mexe com a gente?
Coitado do meu samba mudou de repente
Influência do jazz...

Criticam José Ramos Tinhorão, mas negar o seu valor de historiador, ou mesmo questionar as suas investigações no campo da cultura e descobertas, ninguém faz.
Que tal ler melhor e mais e mais os seus livros e consultar o seu acervo no Instituto Moreira Salles?
Não é coisa pouca: a obra desse santista nascido em 1928 se estende por quase 30 livros publicados desde 1966, aqui e em Portugal.
Viva Tinhorão!

PS - Na foto este escrevinhador em Lisboa, ciceroneado por Tinhorão.
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CARNAVAL
Um incêndio de grandes proporções atingiu há poucas horas a chamada Cidade do Samba, na Rua Rivadávia Correa, na Gamboa, zona portuária do Rio de Janeiro. Com isso, é quase certo que o carnaval carioca tenha virado cinzas.

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