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quarta-feira, 13 de julho de 2011

ANASTÁCIA, PRINCESA OU RAINHA?

Foi depois de tomar conhecimento do drama de uma certa Anastasia, princesa européia da dinastia Romanoff, que uma certa Lucinete Ferreira resolveu trocar de nome, virando Anastácia com “c”, que o tempo se incumbiria de transformar na rainha do nosso forró.
O drama da princesa começa durante a Revolução Russa, em 1917, quando os comunistas assumem o poder.
A história da nossa “rainha” começa entre os anos 50 e 60, em Pernambuco.
Aos dez anos a princesa, filha do czar Nicolau II, consegue fugir para Paris escapando, assim, de morte certa (o que não ocorreu com seus pais, irmãos e parentes próximos, que foram friamente fuzilados pelos revolucionários).
Também tinha lá uns dez anos quando a filha de seu José e de dona Josefa Ferreira encantava meninos e adultos com seu canto de curió, e o dobro dessa idade quando decidiu por conta e risco deixar Pernambuco e se fixar na terra dos bandeirantes e dos nordestinos, Sampa, à época chamada de “eldorado brasileiro”.
Em São Paulo, Anastácia fez de tudo um pouco para sobreviver. Até aeromoça foi, acreditem. Mas o que ela queria mesmo era ser artista, cantora. Aí conheceu Silvio Santos, Dominguinhos, Venâncio e Corumba e outros mais. Logo, começava a cantar em disco. Noivado Longo e Chuleado foram as duas primeiras composições que ela gravou, lançadas num compacto simples, de vinil. Noivado é de Max Nunes que ela foi rever só no começo dos anos 90, quando nos apresentamos no programa do Jô Soares, no SBT. Eu, falando sobre o livro Eu Vou Contar pra Vocês, que acabara de escrever sobre o rei do baião, Luiz Gonzaga; ela, cantando em homenagem ao rei.
Anastácia é uma das mais importantes artistas da música popular brasileira – bingo! –, ao lado de Carmélia Alves, rainha do baião; e Marinês, rainha do xaxado. Como Carmélia e Marinês, Anastácia anda hoje um pouco esquecida dos seus súditos mais diletos e praticamente desconhecida das gerações mais novas, graças à burrice imperial da maioria dos produtores e apresentadores de rádio e de televisão, para quem bom é tudo o que não presta. Argh!
Agora, em boa hora, surge o primeiro livro sobre ela, Eu Sou Anastácia! Histórias de uma Rainha, assinado pela própria artista e por Lêda Dias.
Nesse livro, de leitura boa e rápida, o leitor tomará conhecimento da trajetória da grande artista que é Anastácia, rainha e não princesa, que um dia, por estas “bandas do Sul”, encontraria nos seus conterrâneos Dominguinhos, Venâncio e Luiz Gonzaga o apoio de que tanto precisava.
Sorte nossa.
Anastasia certamente gostava de valsa.
A nossa Anastácia gosta mesmo é de forró, como boa parte dos brasileiros.
Confiram o que digo escutando hoje nossa conversa recheada de música no programa que apresento todos os dias na Rádio Trianon AM 740, O BRASIL TÁ NA MODA, no ar, ao vivo, também pela Internet, a partir das 14 horas. Quem não nos ouvir daqui a pouco, por uma razão ou outra, terá outra oportunidade: amanhã às 4h30, na forma de reprise.

ENCONTRO DE REPENTISTAS
Do diretor da Casa do Cantador de Brasília, Chico Repentista, recebo a seguinte notícia:
- A Casa do Cantador dando continuidade ao projeto "SEXTA DO REPENTE" realizará no dia 22/07/2011, a partir das 20hs, mais uma noite de cantoria com apresentações de grandes astros da arte do repente. Essa 5ª edição contará com a presença dos poetas Chico Ivo e João Neto, residentes no DF, e com a participação especial dos Poetas Ivanildo Vila Nova de Caruaru, PE, e Raimundo Caetano, também de Caruaru.

2 comentários:

Ayrton Mugnaini Jr. disse...

E o pior é que tem uma cantora pop estadunidense chamada Anastacia - não é ruim, mas nada de espetacular, mesmo no que se propõe - e grandes jornais brasileiros saem falando dela como se fosse a única Anastacia cantora do mundo, pouco querendo se lembrar de que nossa Anastácia já era sucesso mundial como compositora um pouco depois de a gringa ter nascido...

Para o registro: http://en.wikipedia.org/wiki/Anastacia

CACÁ LOPES disse...

Assis Angelo, a pernambucana Anastácia merece essa e outras homenagens, por representar tão bem a rica música nordestina.

Parabéns pelo seu programa que busca valorizar a boa música brasileira.

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