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sexta-feira, 5 de abril de 2013

TODO DIA É DIA DE GENIVAL LACERDA

O compositor e instrumentista da música popular Antônio Barros e a sua companheira de vida e arte musical Cecéu, de batismo Mary Maciel Ribeiro, eu conheci em São Paulo, mais precisamente no estúdio da extinta Rádio Atual onde eu apresentava todos os domingos, ao vivo, o programa Gente e Coisas do Nordeste.
A vida fez com que estreitássemos laços de amizade.
Esses dois personagens têm em comum o fato de serem paraibanos reconhecidos por suas obras em todo o País, mas não só por isso.
Eles são autênticos representantes da música popular nordestina.
A Barros e Cecéu se soma Genival Lacerda.
Cecéu nasceu no domingo de Páscoa de 2 de abril de 1950, dia em que ocorreu um eclipse lunar total.
Dentre os três, Antônio Barros é o mais velho.
Ele nasceu no dia 11 de março de 1930 em Queimadas, simpática cidadezinha localizada na Região Metropolitana de Campina Grande.
Lacerda, o primeiro e único artista mogangueiro do Brasil, ainda em plena atividade, nasceu no dia 5 de abril de 1931 em Campina Grande, cidade conhecida por representar o mais importante polo industrial do interior do Nordeste.  
Eu o conheci numa festa de confraternização de fim de ano para os funcionários do jornal paraibano O Norte, onde iniciei carreira de jornalista.
Corriam os primeiros anos da década de 1970 e Lacerda já era chamado de Senador do Rojão e Rei da Moganga, ou Muganga.
Ele chegou à praça como cantor e compositor no início da segunda metade da década de 1950, mais precisamente nos fins de 1956, quando lançou pela extinta Mocambo, de Recife, PE, as composições Coco de 56, dele e João Vicente, e Dance o Xaxado, também dele, dividida com o parceiro Manoel Avelino.
Nesse ano o rei do baião Luiz Gonzaga marcava um grande tento, laçando 14 títulos em sete discos de 78 rpm.
Entre 1956 e 1963, Genival Lacerda gravaria uma dezena de discos com 20 músicas.
O seu 2º disco, lançado em janeiro de 1957, trazia duas músicas com a assinatura de Antônio Barros: o rojão Dança do Bambo e Balança Coco.
O rojão é um ritmo inventado por José Gomes da Silva, o Jackson do Pandeiro, e lançado em disco Copacabana no final de 1953.
Gonzaga e Jackson permeariam de inspiração e portas abertas a vida de Barros, Lacerda e Cecéu.
Em momentos diferentes, o Rei do Baião gravou composições dos três. 
A relação discográfica em 78 rpm de Genival Lacerda, além das quatro músicas já citadas, é esta:
- Noé, Noé e Coco de Roda, ambas de Rosil Cavalcanti.
- Rojão Nacional, de Rui de Morais e Silva, e Eu Vou Pra Lua, de Luiz de França.
- Vazante da Maré, de Lacerda e Antônio Clemente, e Coco da Cajarana, de Lacerda e Jacinto Silva.
- Salve Cosme e Damião, de Manoel Avelino e Lacerda, e Rei do Cangaço, de Lacerda e J. Borges.
- Mariá, motivo popular adaptado por Antônio Clemente e Lacerda, e O Delegado Deu Ordem, de Rosil Cavalcanti e Lacerda.
- Forró de Zé Lagoa, de Rosil Cavalcanti, e Maria do Belém, de Lacerda e Braz do Pandeiro.
- Cajueiro Abalou, de Lacerda e Antônio Clemente, e Tomaram o Meu Amor, de Lacerda e Antônio Clemente.
- O Coco da Umbingada, de Lacerda e Bartolomeu Medeiros, e Resposta do Mata Sete, de Antônio Barros.
Mata Sete é o título de um rojão de autoria de Venâncio e Corumba, lançado por Zito Borborema e Seus Cabras da Peste em dezembro de 1956, pela extinta RGE. 
O primeiro dos 32 LPs gravados por Genival Lacerda chamou-se O Rei da Munganga (sic), que foi à praça com o selo da extinta gravadora Continental, em 1964.
Nesse disco se acham algumas músicas que Lacerda lançou no formato de 78 rpm. 
Genival Lacerda também gravou até aqui oito discos no formato de CD, dois dos quais com repertórios exclusivos de Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga.
A discografia em 78 rpm de Antônio Barros, gravada com a chancela do selo Sinter e da gravadora Philips entre 1959 e 1962, é constituída por seis títulos distribuídos em três discos:
- Xote do Bêbado e Ninguém me Quer, ambas de sua autoria.  
- Quadrilha do Manuel, de Buco do Pandeiro e Lerinho, e Xote da Galinha, dele em parceria com Geraldo Maia.
- História de um Pistoleiro e Homenagem a Zé Dantas, ambas também do próprio Barros.
Mas é de Antônio Barros uma das pérolas do repertório do rei do baião Luiz Gonzaga: Estrela de Ouro, de 1959, em disco RCA Victor, gravada pelo próprio Gonzaga.
Antônio Barros tem na história nove LPs e quatro CDs por ele gravados.
Curiosidade: em 1976, a dupla Barros e Cecéu lançou o LP Tony e Mary (Copacabana), com repertório romântico assinado por Cecéu e no estilo brega de Jane & Herondy.
Genival Lacerda, Antônio Barros e Cecéu são autores e intérpretes indispensáveis em qualquer tempo e discoteca ou trilha sonora de boa qualidade musical, do Nordeste ou não do Nordeste.
Nesse ponto, garanto: todo dia é dia de Genival Lacerda (na foto abaixo, comigo no estúdio da rádio Capital nos tempos do programa São Paulo Capital Nordeste); e também de Antônio Barros e Cecéu.
E já que estamos às vésperas do período junino, ou joanino, não custa lembrar uma das muitas pérolas musicais de Antônio Barros, Naquele São João, gravada pelo Trio Nordestino e inserida no LP É Forró Que Vamos Ter (CBS), de 1968.
CLIQUE:
http://www.youtube.com/watch?v=lzvvaseq5a0
ROCK IN RIO
Incrível! No correr de quatro horas, os organizadores do Rock in Rio venderam 450 mil ingressos. Pois é, essa é a cultura universal globalizada e endeusada pelos meios de comunicação. O gado come o que lhe dão, disse algo parecido uma vez Vandré. Pior: no caso, aqui, o gado compra sem risco de estouro de boiada.

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