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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

ANTENÓGENES SILVA E CARLOS GARDEL

Se disséssemos que o Brasil é a terra da sanfona e dos sanfoneiros não estaríamos exagerando, tampouco dizendo bobagem.
A sanfona chegou ao Brasil em 1913, ano em que o italiano naturalizado Giuseppe Rielli gravou tocando esse instrumento num precário estúdio montado em São Paulo para essa finalidade. A gravação resultou num 78 RPM com a valsa Coração de Fogo, de autor desconhecido, que foi posto à praça sob a chancela Odeon.
Suas origens se acham entre as dinastias chinesas Zhou, Chin, Han ou sei lá.
Portas abertas, os sanfoneiros foram chegando e fazendo bonito.
Antes de o pernambucano Luiz Gonzaga se transformar no Rei do Baião, o mineiro Antenógenes Silva encantou os brasileiros com suas valsas, polcas, maxixes, choros e também muitos tangos, além de mazurcas, rancheiras, sambas e chotis; ou xotes.
Quando Gonzaga começou a formar a sua discografia, a partir de 14 de março de 1941, Antenógenes – seu professor e afinador de sanfonas – já havia gravado exatas 60 músicas pela Victor, Arte-Fone e Odeon. As primeiras incluídas no seu primeiro disco foram Gostei de Tua Caída, um choro; e Norma, uma valsa; ambas dele próprio.
Num programa que apresentei há muitos anos na extinta Rádio Atual, de São Paulo, Antenógenes Silva contou que fora o único artistas sul-americano a se apresentar tocando sanfona num palco, na Argentina, para o rei do tango, Carlos Gardel, cantar.
Fica o registro.  
Nascido no dia 30 de outubro de 1906 e falecido no dia 9 de março de 2001, Antenógenes Honório da Silva era filho de um serralheiro ferrador de cavalos, Olímpio Jacinto, e de uma dona de casa, Maria Brasilina de São José, descendente de um barão mineiro falido, sem grana, de nome Antonio Elói Casimiro de Araújo.
Antenógenes entrou para a história da música popular brasileira como O Mago da Sanfona.
Curiosidade: no dia 27 de maio de 1955, ele gravou a valsa Rapaziada do Brás, de Alberto Marino, um clássico do gênero que a Odeon pôs no mercado em junho do ano seguinte.
A primeira gravação dessa valsa foi feita pelo próprio autor e seu conjunto, o Sexteto  Bertorino Alma, pouco antes de 1930. Ouça a gravação Columbia, de novembro de 1934, clicando:
O Memorial da América Latina acolhe a partir de amanhã, e até domingo 8, o II Salão Nacional do Jornalista Escritor. A inauguração, no Auditório Simón Bolivar, às 12h30, contará com a presença do prefeito Fernando Haddad e do presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Américo Dias. 
A curadoria é de Audálio Dantas. 
Dedicado Graciliano Ramos, o Salão reunirá alguns dos mais expressivos nomes do jornalismo  do País, entre os quais Mino Carta, Caco Barcelos, Quartim de Moraes, Fernando Coelho, Ricardo Viveiros e Moacir Assunção. 
Estarei no dia 8, a partir das 16h30 e até duas horas depois, ancorando uma mesa com Viveiros e Assunção. 
Vale a pena ir; e é de graça, vá. 
Agora clique abaixo para ouvir Audálio falando a respeito do Salão:
E também aqui, para ouvi-lo falar sobre outros assuntos além do Salão:

2 comentários:

Jorge Ribbas disse...

Grande lembrança Assis, só quem tem história pode contar e encanta. Esta passagem do Gonzaga estudando com o Antógenes ainda necessita ser contada não é? Gonzaga é mina de ouro de história.

Anônimo disse...

É, Assis Ângelo, tudo o que você falou e mais um pouco. Lembremos, pois, do Grande Pedro Raimundo, Imaruí-SC, 29/06/1906 e RJ=09/07/1973.Autor de Escadaria, que é praticamente o "teste", para os novos sanfoneiros. O saudoso Mores Sarmento disse; como era bonito vê-lo puxar seu fole" em programas na antiga Radio Mayrink Veiga-RJ. Julinho, cearense, que executava de forma magistral sua sanfona, que alguns diziam que parecia com uma máquina de escrever, pois os botões tinham semelhança a um tecla de maquina. Parabéns pela matéria.

Aloisio Alves

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