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sábado, 19 de novembro de 2016

GRANDE SERTÃO ROSA: VEREDAS




O mês de novembro, como todos os meses, registra coisas do arco da velha. Coisas de todos os tipos, datas etc.
O amigo Vitor Nuzzi, jornalista e autor do livro "Geraldo Vandré - uma canção interrompida", pergunta se eu lembro de Adoniran Barbosa, o poeta da boêmia paulistana. Claro, respondo.
Adoniran, que era de Valinhos, SP, partiu para a Eternidade quando tinha 72 anos de idade. Sua partida ocorreu em 1982. Eu era repórter da Folha, e fiquei triste por ter a certeza de que nunca mais beberíamos nos bares da vida.
O mês de novembro registra, também, o encantamento do mineiro de Cordisburgo João Guimarães Rosa. João nasceu em 1908 e foi para o sertão celestial no dia 19 de novembro de 1967, três dias depois de assumir a cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras (ABL), de João Neves da Fontoura (1887-1963).
João queria ser acadêmico, mas não queria vestir o fardão da Academia criada no dia 20 de julho de 1897 pelo carioca Machado de Assis.
Pouco antes de ele encantar-se, o seu nome fora indicado ao Nobel de Literatura, há poucos dias ganhado pelo astro pop Bob Dylan.
A literatura de João Guimarães Rosa é original sob todos os aspectos, desde o conteúdo à forma. Ele foi, digamos, uma espécie de Rembrandt e Picasso das letras, de todas as letras, pois enfim a sua boca era cheia de palavras bonitas em línguas diversas: francês, que comeceu a aprender com 7, 8 anos; inglês, espanhol, italiano, alemão...
A sua obra é prima, irmã, mãe...
Em 1956, Rosa publicou "Grande Sertão: Veredas", que acabei de rever, isto é, de ouvir num áudio-livro que me presentearam. O também mineiro cantador de folias do povo Téo Azevedo pôs à praça um CD, que recomendo.













Para escrever o livro, o autor embrenhou-se sertão adentro. Clique: http://www.redebrasilatual.com.br/entretenimento/2013/05/guimaraes


Há uns anos, gravei na Rádio Globo a página de abertura de "Grande Sertão:


É muito difícil não gostar da obra rosiana.

"Sagarana" é um livro originalmente publicado em 1946, o segundo da carreira do mestre e que reúne 13 contos e novelas originalíssimos. Entre esses contos, acha-se "A Hora e Vez de Augusto Matraga".
Conta a história de um cara que herda grana e fazendas do pai. Ele é um safado, prepotente, horroroso, canalha em graus diversos. Um cabra que bate em mulher e é filho do cão. A história começa com esse cara comprando uma escrava branca. Essa história virou filme, com direito a trilha sonora assinada pelo paraibano Geraldo Vandré. E dizer mais não digo. Leiam a história e vejam o filme homônimo, que aí está; é só clicar.



HORA E VEZ...

Neste ano da graça de 2016, completam-se 50 anos do lançamento do filme "A Hora e Vez de Augusto Matraga". O personagem-título é interpretado pelo paulista de Piracicaba Leonardo Villar. Villar nasceu no dia 25 de julho de 1924, mas hoje anda recluso. Perguntei a Vitor Nuzzi, que o entrevistou para o seu livro sobre Geraldo Vandré, o que ele lhe dissera sobre as filmagens de "A Hora e Vez...". Vitor: "Ele me contou passagens curiosas. Por exemplo, em uma cena acabou apanhando de verdade pelos figurantes, que eram gente simples, de lá mesmo, em Diamantina (MG), onde foi feita parte das filmagens. Aos risos, ele contou que os atores que também deviam bater nele tentavam protegê-lo, para evitar uma surra maior".
Querem saber mais? Leiam o livro.














MANJAR DO SERTÃO

Esta semana trouxe-me alguns itens fárteis da mesa sertaneja. Da minha terra, a Paraíba, Zeca manda pra Ana, filha minha, feijão verde, farinha, pimenta brava, carne de bode e coco com água dentro. Isso tudo veio pra mim. E eu e Ana e Cla, Daniel, comemos à farta, agradecendo a Deus; e ao Zeca. Minha avó Alcina, nunca esqueço dela, diria que isso é "manjar do sertão". E que só cabra ingrato é que reclama de barriga cheia. Deus do céu, como sou feliz! 


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