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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

É SEMPRE BOM FALAR DO QUE É BOM. VIVA SUASSUNA!

Hoje estiveram comigo o cordelista Moreira de Acopiara e o cantador repentista Orlando Dias. E conversamos e conversamos. Lembramos dos concursos de literatura popular que idealizamos e promovemos entre 2001 e 2003, época em que trabalhámos na Companhia do Metropolitano de São Paulo e na CPTM. No total, distribuímos 410.000 folhetos na Rede Pública de Ensino do Estado de SP, com os cordelistas escolhidos por uma banca de nível, coordenada pelo saudoso Joseph Luyten (1941-2006) e da qual participaram Klévisson Viana e Sebastião Marinho,  presidente da UCRAN.
Moreira e Orlando foram dois, dentre uns trezentos ou mais participantes desses concursos, que findaram por estimular milhares e milhares de estudantes Brasil afora. Quer dizer: levamos a literatura de cordel às escolas de São Paulo, Piauí, Pernambuco, Ceará...
Pedro Costa, um dos nomes premiados, virou uma espécie de rei em Terezina.
No encontro de hoje, Orlando Dias contou que continua com sua viola afinada fazendo bonito aos olhos e ouvidos de pessoas inteligentes e sensíveis e também o contrário. Ou seja: despertando inteligências e sensibilidades adormecidas. Moreira contou entusiasmado que está lendo o Romance d'a Pedra do Reino, do inesquecível paraibano Ariano Suassuna. Esse livro é uma obra prima da literatura nacional, inspirado no solo e ares nordestinos da parte medieva. O próprio autor o considerava o mais completo dos eu repertório.
Ariano Suassuna nunca negou que suas histórias e personagens vinham do talento dos cordelistas e cantadores repentistas que leu e ouviu no correr da sua longa história. Faz dois anos que ele partiu. Em 2017, que está batendo à porta ele comemoraria -e o Brasil também- 90 São Joões, posto que nascido foi no mês de junho de 1927. E ano que vem, mesmo sem sua presença física, poderemos comemorar os 70 anos de lançamento do livro Uma Mulher Vestida de Sol, o primeiro dele.
Joseph Luyten foi um dos mais importantes estudiosos da cultura popular brasileira. Nascido na Holanda, ele veio com os pais morar no Brasil, ainda garoto. E por uma dessas coincidências da vida, ele e os pais foram morar na casa do cordelista paraibano João Martins de Athayde (1880 -1959). Detalhe: Athayde é um dos poetas citados por Ariano Suassuna na obra prima A Pedra do Reino.

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