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sábado, 11 de março de 2017

MARCO HAURÉLIO É UM GENIO!


A poesia é o alimento da alma. Eu ouvi isso em algum lugar. E concordo.
A poesia, a literatura, as artes, o saber faz bem e engrandece.
A nossa alma vibra com o saber, e o nosso ser cresce.
Seriam a Poesia e o Saber gêneros feminino e masculino?
O mundo, os planetas, o que são?
E a lua e as estrela, masculino e feminino?
A poesia é janela do saber.
Conheci de perto o filósofo Miguel Reale, com quem aprendi algumas coisinhas de vida e sabedoria.
Conheci o tributarista Yves Gandra da Silva Martins, de quem me considero amigo.
Conheci o folclorista Luís da Câmara Cascudo, um mestre.
Os mestres se expressam de muitas formas, inclusive pela poesia e, principalmente, pela poesia desenvolvida no modo decassílabo, em soneto, dificílimo.
O cordelista Patativa do Assaré, que nasceu em Março de 1909, era um ás no modo soneto.
O soneto é uma forma poética constituída por dois quartetos e dois tercetos nascida na Itália do século 13, embora haja quem diga que foi na Grécia antiga.
No Brasil do século 19, o soneto virou uma prática muito comum entre literatos amadores e profissionais, como Machado de Assis e Euclides da Cunha e tantos e tantos.
Com a chegada do século 20, o soneto continuou em prática, sendo feito por nomes que iam de Augusto dos Anjos a Olavo Bilac.


Via Láctea - Soneto XIII
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Olavo Bilac

O século 20 findou e com ele findaram os sonetistas. Findaram, aspas.
Marco Haurélio é desses eruditos que encontraram na cultura popular a fonte do saber.
Baiano das bandas da Serra do Ramalho, Marco Haurélio tem se destacado no meio literário brasileiro como um dos maiores cultores da Flor do Lácio. A poesia é o gênero em que ele melhor se desenvolve. E a poesia nas formas diversas, como sextilhas, septilhas e decassílabos. Tem dezenas de folhetos de cordel e livros publicados, poe editoras diversas, entre as quais a Cortez Editora.
Pela Nova Alexandria, Marco Haurélio publicou, entre outros, a adaptação que fez para a obra-prima A Megera Domada, de Shakespeare, capa acima. E para quem não sabe, ele foi consultor da novela Velho Chico.
Marco Haurélio, sem exagero, é um gênio da poesia brasileira.
Não conheço poeta que faça hoje sonetos tão sentidos e perfeitos como Marco Haurélio. Uma amostra, inédita:



Quando o sol expandir os seus domínios
Sobre os astros que estão à sua volta,
Cada dor, cada grito de revolta,
Cessará ante os muitos vaticínios.

Ninguém mais falará em morticínios,
No rei nu, seus ministros, sua escolta,
No pudor posto a ferros que se solta,
Nos clamores de impérios e assassínios...

Na vergonha que assola o parlamento,
Na montanha roída pelo vento,
Casa, pátria, família, liberdade,

A virtude estuprada pelo vício —
Só o vácuo, e mais nada por resquício,
No silêncio que abraça a eternidade.

--
Marco Haurélio


Eu era colunista do extinto Jornal da Tarde, de São Paulo, quando mandei, um dia, um texto para a coluna. O título era; "Nóbrega, um gênio". O editor achou-me louco e perguntou se o título era esse mesmo, eu disse sim e assim o texto foi publicado com o título referido.
Cliquem aí embaixo o Nóbrega declamando Haurélio:




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