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quinta-feira, 4 de maio de 2017

FILOSOFIA E SUICÍDIO

Dia desse ouvi o pianista e maestro paulistano João Carlos Martins (1940- ) dizer no rádio que já pensou em suicídio. Pensou e por pouco não executou o chamado "tresloucado gesto ". Isso não aconteceu, segundo ele, porque o telefone tocou trazendo-o de volta à realidade nua e crua.
João Carlos não foi a primeira pessoa a pensar em suicídio. Mas teve muita coragem ao revelar isso publicamente.
No século 18, quando se achava na meia idade, o gênio compositor Ludwig Van Beethoven (1770-1827), pensou a mesma coisa. Mas o que o trouxe à realidade crua e nua foi a certeza de estar compondo para a posteridade.
João Carlos pensou em tirar a própria vida porque um laudo médico condenou os movimentos da sua mão direita. Na hora "H", um amigo maestro do outro lado da linha simplesmente lhe sugeriu tocar com a mão esquerda. Foi a salvação.
No caso Beethoven, o que o livrou do suicídio foi a certeza de estar compondo para a posteridade.
Quase todas as sinfonias de Beethoven foram compostas quando o autor já estava surdo; e a nona, completamente surdo.
Suicídio é um tabu. A palavra suicídio é praticamente proibida dentro de casa, na escola, no trabalho, em todo canto.
João Carlos falou de muitos assuntos na entrevista que ouvi. Contou muitas histórias engraçadas, como a vez em que foi abordado por uma jovem no aeroporto de Manaus, que queria com ele tirar uma foto. Ele não se fez de rogado e a foto foi feita. Feliz, a jovem disse "obrigado, Pavarotti". E contou também uma história envolvendo um pai de santo a quem ele recorreu no desespero da paralisação da sua mão. O pai de santo disse, lá pelas tantas, para ele não se preocupar porque no ano seguinte ele estaria perfeitamente bom, livre da paralisia da mão direita. E fez toda aquela onda, com descarrego etc. No ano seguinte, disse o maestro no rádio; "eu estava com a mão esquerda também paralisada".
Coragem ou covardia? Solidão, falta de perspectiva na vida, decepção com a vida, amor não correspondido, o que leva alguém a se matar?
A manhã do dia 24 de agosto de 1954, o Brasil foi pego de calças curtas. Motivo: O presidente Getúlio Vargas (1882-1954) tirara a própria vida com um tiro no peito.
O que levou Getúlio a suicidar-se?
O que levou Vargas a matar-se certamente não foi uma decepção amorosa, coragem ou covardia, tampouco as razões mais comuns que psicólogos e psicanalistas costumam identificar para tal gesto.
O que levou Getúlio Vargas, o presidente que mais tempo ficou no cargo no Brasil, até hoje, foi a política. Não seria demais dizer que o suicídio de Vargas foi um suicídio político, como o que fez Cleópatra 30 anos A.C. 
Cleópatra era de origem grega e foi a última rainha do Egito.
A questão suicídio é uma questão antiga, vem dos antigos, da antiguidade.
Platão era radicalmente contra o suicídio e o estado Grego também.
Os filósofos, como Alberto Camus (1913-1960), diziam que o maior problema da filosofia, e o mais sério era o suicídio. Ele pessoalmente não era a favor desse tipo de afastamento definitivo da vida.
João Carlos Martins por pouco não cometeu o suicídio. E eu também.
Getúlio Vargas deixou uma carta explicando o seu gesto.  Clique abaixo.

Antes e depois do suicídio, Getúlio Vargas foi tema de várias músicas, clique:




 
BRINCANDO COM A HISTÓRIA (3):




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