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domingo, 7 de maio de 2017

O SUICÍDIO NA HISTÓRIA

A polícia de Portugal, França, Itália, Estados Unidos e Países mundo afora, incluindo o Brasil, está às voltas com o desafio de identificar e prender os criminosos que atuam no anonimato, levando crianças e adolescentes às raias da loucura. Esses criminosos tiraram do mar e puseram na cabeça dos jovens uma tal Baleia Azul. 
Essa tal já levou para o infinito muitos e muitos jovens.
Sexta feira passada, policiais de Brasília evitaram o suicídio de um grupo de 4 meninos e meninas. Esses meninos e meninas choravam abraçados numa beira de estrada. Iam se matar após receber comando de criminosos via internet. Detalhe: essas vítimas são estudantes e surdas.
Em dezembro do ano passado uma garota de 12 anos de idade arrumou-se, depois de tomar banho e maquiar-se, ligou uma câmera e chorando muito dizia que não era bonita e por isso estava ali a se despedir dos amigos e da família. Em seguida, ela pôs uma corda no pescoço e pendurou-se. Isso foi em Geórgia, nos EUA.
Números da Organização Mundial de Saúde, OMS, indicam que nos últimos dez anos o número de suicídios de crianças e jovens dos 10 aos 14 anos subiu 40%; e de 15 aos 19, 33 %.
A situação é grave em todo o mundo. 
O suicídio, porém, é uma terrível prática que data desde a existência humana.
Em Portugal do séc. 19, grandes nomes da literatura sucumbiram por meios próprios, por iniciativa própria, cansados da vida.
Entre esses nomes acham-se Camilo Castelo Branco (1865-1890), Mário de Sá Carneiro (1890-1916) e Florbela Espanca (1894-1930).
Camilo morreu com um tiro na cabeça,  Sá Carneiro, provavelmente o maior amigo de Fernando Pessoa, com striquinina e Espanca atirando-se ao mar.
Na literatura brasileira, também há vítimas do suicídio como Alphonsus de Guimarães (1870-1921), Pedro Nava (1903-1984).
Alphonsus de Guimarães, autor de clássicos da poesia brasileira, como Ismália, morreu poucos dias antes de completar 51 anos de idade. A história desse poeta é exemplar, ele apaixonou-se por uma prima quando tinha 18 anos de idade, e ela 17. Quase toda a sua obra faz referência direta ou indiretamente à sua amada. Detalhe: No final do século 19, ele casou-se e teve 14 filhos. A última, uma menina a quem deu o nome da amada. Essa menina morreu e logo depois ele suicidou-se.
Na música popular brasileira, as baixas provocadas pelo suicídio foram várias: Assis Valente (1911-1958), Torquato Neto (1944-1972). 
Assis Valente, autor de Brasil Pandeiro e Boas Festas netre outros grandes clássicos da nossa música, conseguiu matar-se depois de tentar dias vezes. Morreu numa praça do Rio de Janeiro, após ingerir veneno de rato.
Torquato, por sua vez, esperou a mulher e o filho dormirem para trancar-se na cozinha e enfiar a cabeça no forno com o gás aberto. Morreu um dia depois de completar 28 anos de idade. Espanca foi dia do próprio aniversário: 8 de dezembro.
No começo da segunda metade do século 19, Robert Stevenson (1850-1894), autor dos clássicos A Ilha do tesouro e O Médico e o Monstro, em que mergulha na alma humana, publicou O Clube do Suicídio, uma obra prima do conto de psicanálise, policial etc.
O grande compositor Puccini,  abordou o suicídio numa de suas últimas óperas Suor Angélica. O enredo trata de uma jovem que vira freira depois de engravidar sem se casar...
A gente começa a morrer no momento em que nasce. E da vida ninguém sai impune. Também não dá para dizer que estamos todos imunes ao ato do suicídio. 


  BRINCANDO COM A HISTÓRIA (5)


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