Há
exatos 50 anos, quando o Brasil mergulhava na escuridão da ditadura militar, que
duraria 21 anos, o cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré lançava à praça
o primeiro dos seus cinco LPs, Geraldo Vandré, pela etiqueta Audio Fidelity, já
extinta.
Antes,
ele estreara em discos de 78 voltas por minuto.
O
LP Geraldo Vandré n 2008, de 1964, já trazia um repertório com títulos que se
tornariam clássicos (ao lado).
A
obra do famoso autor paraibano não é extensa, mas é intensa.
Ontem
no início da noite a cantora norte-americana Joan Baez cantou no palco do
Teatro Bradesco, do Bourbon Shopping São Paulo, no bairro paulistano de Perdizes,
a guarania Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, uma espécie de hino da
resistência civil dos anos de chumbo vividos no Brasil.
Embora
convidado para cantar, o autor permaneceu de pé, respeitosamente, ao lado da
artista, ouvindo em silêncio a sua interpretação e a reação de alegria e surpresa
da plateia que lotava todos os 1.456 poltronas do teatro, que tem cerca de 700m2.
Eu
estava lá, assistindo da cochia, e depois do espetáculo perguntei:
-
Você se emocionou, Geraldo?
Ele
olhou pra mim e mentiu:
-
Não.