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quinta-feira, 2 de julho de 2009

MICHAEL JACKSON É TEMA DE CORDELISTA



















Do amigo cordelista e quadrinhista cearense também parceiro musical eventual Klévisson Viana, acabo de receber algumas estrofes de um novo folheto seu, feito em parceria com o alagoano João Gomes de Sá, a Chegada de Michael Jackson no Portão Celestial. Nota dez! Para adquiri-lo, o meio é o email kleviana@ig.com.br

Poeta tem sinal verde
Pra voar com liberdade
Andar no tempo, sonhar,
Falar da realidade,
Contar ‘causo’, divertir,
Fazer o leitor sorrir,
Chorar ou sentir saudade.

De sábado para Domingo,
Eu fui dormir sossegado:
Sonhei que estava voando
Em um maquinismo alado,
Tudo que vi registrei
E ao despertar encontrei
Pena e papel do meu lado.

Eu sonhei que o rei do pop,
Logo após bater as botas,
Foi direto para o céu,
Fazendo muitas marmotas,
Cantando muito agitado,
Feliz, tinha se livrado
De dívida, banco e agiotas.

Acordei bastante eufórico,
Sentei na rede e então
Pensei em Deus, respirei,
Fiz uma meditação,
Limpei a mente confusa:
Foi quando eu vi minha musa
Me trazendo a inspiração.

Um pássaro veio cantando,
Logo ao surgir da aurora,
Cada detalhe do sonho
Eu recordei sem demora,
E como bom menestrel,
Peguei a pena e o papel
E escrevi na mesma hora:

Michael Jackson lá no céu
Chegou bastante apressado,
Dizendo para São Pedro:
— Estou demais transtornado
Eu quero até me esconder
Porque não pude fazer
O que tinha programado!

Tinha uma agenda de shows
Com lotação esgotada,
Para pagar uma dívida
Há muito tempo atrasada,
Mas eu confesso, não sei,
Porque logo me livrei
Daquela vida agitada!

Eu queria cantar mais,
Pois no canto não empaco...
Rodando igual carrapeta,
Na dança nunca fui fraco!
No palco eu faço munganga,
Às vezes visto uma tanga
Para prender o meu saco!

São Pedro disse: — Rapaz,
Não é como você pensa!
Primeiro você procura
O assessor de imprensa
E faça um requerimento,
Protocole no convento,
Com a avó de Alceu Valença.

Tomando um chá de cadeira
No banco do corredor,
Você recebe uma senha
E aguarda o promotor.
Como já é falecido,
Se não for logo atendido,
Não reclame, por favor!

Disse Jackson: — Eu sou um astro
Famoso no mundo inteiro!
Não tem um ato secreto
Para me atender primeiro?
Pedro disse: — Eu não tropeço,
O céu não é o congresso
Lá do povo brasileiro!

E falou muito sisudo:
— Cabra, siga a instrução,
Se comporte, fique calmo,
Deixe de reclamação!
Nisso Jackson se sentou
E logo as pernas cruzou
E desmunhecou a mão.

2 comentários:

Júbilo Jacobino disse...

Rapaz, vou comentar!
Me ponho no papel do típico paulistano e penso que não tenho tempo pra poesia, ainda mais sendo de outras paragens, lá de cima ... Coisa meio sem graça, com rimas fáceis, apresentação simplória. Sou mesmo um pobre dum coitado, metido a besta, como diria o velho Lua; mas ... João ou Klévisson, "pelamordedeus", levem vários desses cordéis para nosso encontro do sábado. Quero saber que fim que deu essa estória do Michael no céu, ou quem sabe até se foi parar no inferno. A literatura de cordel é uma maravilha, seu papel aceita tudo, de qualquer notícia se faz um grande interesse, as suas rimas forçam uma melodia e nos fazem querer mais e mais. Benditos sejam esses folhetinhos, que por serem relativamente baratos de se fazer, são plenamente democráticos e os mais sem rédeas que se possam produzir. Falei!

marcohaurelio disse...

Mais um grande momento da literatura de cordel, que sempre explorou todos os temas, desde a época do imbatível Leandro. Parabéns aos autores, pois, como bem assegurou Dom Assis, o folheto é nota 10.

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