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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

QUE VERGONHA!

É phoda.
Aqui neste espaço, eu disse anteontem e ontem da minha profunda tristeza por haver gente do meu Nordeste da laia e calibre horroroso de um Renan, de um Collor, de um Sarney e de tantos outros.
Sim, essa raça não presta!
É suja que só.
Tenho vergonha da maioria da bancada política nordestina, nas diversas esferas políticas em que agem...
O Brasil e nós brasileiros perdemos todos com a decisão tomada hoje pelo tal Conselho de Ética do Senado, que, por não sei quantos votos, enfiou debaixo do tapete as safadezas do rei do Maranhão, Sarney, eleito, aliás, com voto de cabresto pela gente humilde do Amapá; sofrida, manipulada, como manipulada continua sendo boa parte da gente trabalhadora do Acre, terra do Norte também cheia de nordestinos desde o começo dos anos de 1940 quando o pai dos pobres, Getúlio, enrolou os cearenses e outros do Nordeste para arrancar leite de árvore na Amazônia e, assim, “honrar” contrato com a praga do Tio Sam, durante a 2ª Grande Guerra.
Nesse ponto, um detalhe: os Aliados ganharam a guerra, mas em nenhum momento foi ressaltada a importância dos nordestinos, que viraram escravos na Amazônia, obrigados a tirar borracha de pé de pau para atender as necessidades bélicas dos vitoriosos...
O tal Conselho, como se sabe, resolveu arquivar todas as denúncias contra o bigodudo do Maranhão eleito pelo Amapá – repito – e que chegou (por acaso?) a governar o Brasil em proveito próprio; se vê hoje, ontem e anteontem...
Pura que pariu!
Como é que um cara desse naipe pode dormir em paz, Deus do céu?
E os cordelistas deste País onde estão que não escrevem e nem publicam nada a respeito?
A Constituição de 88 é democrática e nos permite dizer o que achamos sobre tudo, inclusive sobre políticos desonestos.
Ano que vem é ano de eleição, de novo.
Será que vamos acertar na escolha de boa gente para nos representar nos nossos anseios por um país melhor?
Acordemos gente, antes que nos manietem e nos calem.
O que diria Patativa do Assaré, hein?
Para ilustrar, um de seus belos poemas: Eu Quero.

Quero um chefe brasileiro
Fiel, firme e justiceiro
Capaz de nos proteger
Que do campo até à rua
O povo todo possua
O direito de viver

Quero paz e liberdade
Sossego e fraternidade
Na nossa pátria natal
Desde a cidade ao deserto
Quero o operário liberto
Da exploração patronal

Quero ver do Sul ao Norte
O nosso caboclo forte
Trocar a casa de palha
Por confortável guarida
Quero a terra dividida
Para quem nela trabalha

Eu quero o agregado isento
Do terrível sofrimento
Do maldito cativeiro

Quero ver o meu país
Rico, ditoso e feliz
Livre do jugo estrangeiro
A bem do nosso progresso

Quero o apoio do Congresso
Sobre uma reforma agrária
Que venha por sua vez
Libertar o camponês
Da situação precária

Finalmente meus senhores,
Quero ouvir entre os primores
Debaixo do céu de anil
As mais sonoras notas
Dos cantos dos patriotas
Cantando a paz do Brasil.

Antonio Gonçalves da Silva (foto acima), cuja biografia escrevi em 1999 (O Poeta do Povo, Vida e Obra de Patativa do Assaré, CPC-Umes; esgotado), é um dos personagens do filme O Milagre de Santa Luzia, do cineasta Sérgio Rozemblit, que assistirei sexta que vem. Aliás, a coleguinha Erika Teixeira, da Foco Jornalístico Assessoria de Imprensa, me faz uma correção: a sessão é aberta a qualquer jornalista, portanto não é pré-estréia. “A pré-estréia é segunda 24”, ela corrige.

10 comentários:

Marco Haurélio disse...

Não dá para saber o que diria Patativa, porque, como reza o ditado, se "se" fosse feijão, ninguém morreria de fome.
O fato é que Patativa ajudou a eleger - pensando em mudança e com as melhores intenções, ressalve-se - um dos mais repelentes coronéis da cena política nordestina: Tasso Jereissati, para quem dedicou esta estrofe:

“Camponeses meus irmãos
E operários da cidade
É preciso dar as mãos
E gritar por liberdade
Em favor de cada um
Formar um corpo comum
Operário e camponês
E todos no mesmo abraço
Votar no doutor Tasso
Candidato de vocês”.

Por camponês não se pode entender a bancada ruralista, grande responsável degradação ambiental, com quem o coronel Tasso é intimamente ligado.

Sarney de um lado, Artur Virgílio do outro. E, no fim de tudo, os dois estão no mesmo barco, pois o que os une é bem mais forte que o que os separa. A esta lista torpe - que inclui Renan Collor e Sarney - além do repelente Tasso, incluam-se Agripino Maia, primo do Agaciel, Heráclito "Boca de Sovaco" Fortes, Sérgio Guerra e outros tantos. Inclua-se também Pedro Simon, que, com uma mão, ameaça jogar pedra em Sarney - pelo menos sob os holofotes - e, com a outra, afaga Yeda "Cruzes".
Como eu defendo a extinção desta instituição inútil, pastiche estadunidense, vou repetir parte de meu poema, que vai além da pauta midiática, que, algum tempo atrás se esqueceu de cobrir a roubalheira do Banestado, e que acoberta, como pode, o Al Capone tupiniquim, Daniel Dantas:

"Ah se Lampião voltasse
Com um punhal amolado
E uma ruma de safado
No sertão ele pegasse,
No xiquexique amarrasse,
No pino do meio-dia,
Talvez a velhacaria
Desta forma se extinguisse,
E toda essa imundície
Na marra se limparia.

Portanto, proponho agora:
Que se castre o mau político
Do fortão ao mais raquítico,
Que nenhum fique de fora!
E, se não houver melhora
Para o quadro de indecência,
Com um pouco de paciência,
O mal será debelado,
Pois esse traste capado
Não terá mais descendência!

E os tão nojentos afagos
Por certo chegam ao fim
Eliminando-se assim
De uma só vez os estragos,
Pois, pela ausência de bagos,
Nem que o castelo desabe,
Nem que o mundo velho acabe,
Vem a salvação dos povos:
Em não havendo mais ovos,
Não haverá quem os babe!"

Anônimo disse...

ARIEVALDO VIANA DISSE:

Caro ASSIS ÂNGELO, Patativa também cometeu os seus deslizes. O maior deles foi escrever um folheto atacando o comunismo, onde encontramos estrofes como estas:

O comunismo fatal
Não queremos no Brasil


Será muito natural
Nossa pátria entrar em guerra
Se chegar em nossa terra
O comunismo fatal,
Do sertão à capital
Nosso povo varonil
Há de pegar no fuzil
Em defesa da nação,
Que esta cruel sujeição
Não queremos no Brasil.

Mote:
O regime comunista
É contra a religião



Nas folhas de uma revista
Há um conselho exemplar,
Que ninguém deve aceitar
O regime comunista.
Quem se assinar nesta lista
Ficará sem proteção,
Pois a negra escravidão
Grita ali em vozes altas
E além de outras grandes faltas
É contra a religião.

Quem apóia o comunismo
Gosta do diabo também








Segundo o meu catecismo
Juro, afirmo e não me engano,
É carrasco e desumano
Quem apóia o comunismo,
Se envolve em um barbarismo,
Trata a todos com desdém
E de Deus, o Sumo Bem,
Vive bastante esquecido,
Quem vota neste partido
Gosta do diabo também.

E por aí vai...

Além de subir no palanque e pedir votos para TASSO JEREISSATI, Patativa também andou recebendo, de muito bom grado, homenagens do FERNANDO HENRIQUE CARDOSO.

Realmente, não existe bom sem falta.

Aderaldo Luciano disse...

Há uma tradição entre os poetas nordestinos de geralmente se encontrarem sob o chapéu de algum coronel. A maioria dos cantadores é conservadora no que diz respeito a política e muitos se gabam de terem cantado nos palácios. Aliás, Aristóteles, o grego, quando perguntado se nascesse novamente o que queria ser se poeta ou político respondeu na hora: — Político! Por que sempre vejo os poetas batendo à porta deles!

Marco Haurélio disse...

Há muito de verdade na afirmação do meu irmão Aderaldo, especialmente por ele ter usado o advérbio "geralmente". Praticamente todos os nossos grandes nomes - Joaquim Batista de Senna, Manoel D'Almeida Filho, Expedito Sebastião, Minelvino - teceram loas aos militares, por ocasião do golpe de 1964.
Paulo Nunes Batista foi excessão: membro do velho PCB, foi uma das poucas vozes contra o regime militar.

Agora, se for para falar de um poeta, um iconoclasta, uma voz dissonante, fale-se em Leandro Gomes de Barros. Igreja. Estado. Sogra. Deus. O Diabo. Nada escapou da pena ferina desse que foi o nosso maior sátiro da lira popular.

E não esqueçamos José Camelo, que deixou esta invocação ao Poeta dos Escravos:

Levantais-vos, Castro Alves,
Do túmulo onde dormis;
Vinde já, nesse momento,
Com vossa lira feliz,
Permutas as Vozes d'África
Pelas do vosso País.

Júbilo Jacobino disse...

Peço licença para entrar na conversa.
Nem Patativa poderia imaginar a desfaçatez do outrora elogiado Tasso. Assim como boa parte do povo brasileiro, incluindo-me nessa, ficamos viúvos do Lula quando cairam-se as vestais do PT em função das acusações do mensalão, quem dirá então dos gravames do caso do prefeito e da prefeitura de Santo André ... Para bom entendedor, meia palavra sta.
O que mais me aborrece é que para a maioria das pessoas com quem puxo assunto sobre esses políticos, juízes, padres e pastores corruptos, nordestinos ou não, brasileiros ou não, é voz corrente de que sempre foi assim, desde os tempos do Império e coisa e tal. Até quando, Catilina abusarás da nossa paciência?
No século XXI ainda estamos presos nos calabouços do passado? Ainda acreditamos em pecados e salvação? Que alguém virá nos redimir? Zapata, Fidel, Obama, Lula, Diiillma???
Também sou pelo fim disso tudo, mas confesso que não sei como seria. Preciso estudar ou conhecer alguém que estuda.
Um abraço a todos.

Anônimo disse...

ARIEVALDO VIANA:

Concordo com o Marco Haurélio. Leandro foi o expoente máximo em termos de poesia de protesto na literatura de cordel. Vejamos alguns trechos de O POVO NA CRUZ:

O brasileiro hoje em dia
luta até para morrer,
porque depois dele morto
tudo nele há de roer
de forma que até a terra
não acha mais que comer.

A fome come-lhe a carne
o trabalho gasta o braço
depois o governo pega-o
há de o partir a compasso,
Alfândega, Estado, Intendência,
Cada um tira um pedaço.

Assim morre o brasileiro
como bode exposto a chuva
tem por direito o imposto
a palmatória por luva
família só herda dele
nome de orfão e viúva.

Júbilo Jacobino disse...

No meio de tanta poesia boa, matuta ou não, me veio a vontade de mencionar o que Costa Senna e Marco Haurélio fizeram tempos atrás, e que eu, mais minha filha Ornela e o próprio Costa Senna não cansamos de "cantar por aí"

Cante esse refrão por aí ... É proibido permitir

É proibido permitir que a maldade
Tome conta do mundo em que vivemos
Que nos roubem o pouco que inda temos
De prazer, de paz e dignidade
Permitir que a tal obscenidade
Nossa mente invada sem sair
É proibido deixar se esvair
O amor, que é o que nos faz humanos
É proibido permitir que os tiranos
De nós roubem o direito de existir.

Cante esse refrão por aí ... É proibido permitir

É proibido permitir que a justiça
Seja sempre a favor dos poderosos
Que os maus sejam os vitoriosos
Que o amor se manche com a cobiça
Que a paz, de que ouvi falar na missa,
Se restrinja apenas ao sermão
Que as guerras de nação contra nação
Exterminem os sonhos da criança
Que o verde tão belo da esperança
Perca feio pra vil corrupção.

Cante esse refrão por aí ... É proibido permitir

É proibido permitir que os grileiros
Ergam cercas de ódio e intolerância
E que os anos dourados da infância
Se maculem nos becos traiçoeiros
Que o sangue dos bravos guerrilheiros
Tenha sido por nada derramado
Que o pobre prossiga manobrado
Sem direito a uma identidade
Que a mentira derrote a verdade
E a fé seja artigo de mercado.

Cante esse refrão por aí ... É proibido permitir

É proibido permitir aos doutores
Ficarem presos em celas especiais
Que os filhos cruelmente matem os pais
E se proclamem na orgia dos horrores
Massacrando seus próprios criadores
Comparáveis ao mais porco traidor
É proibido permitir, com todo ardor,
Que o negro seja visto como rude
Que reneguem a coragem e a virtude
Desse povo heróico e lutador

Cante esse refrão por aí ... É proibido permitir

É proibido permitir que a triste guerra
Seja arma na mão dos ditadores
Que da vida se julgam os senhores,
Poluindo a água, o ar, a terra
Que o crime, que tanto nos aterra,
Ramifique pra nunca se extinguir
Abortando os sonhos do porvir
Espalhando as cinzas da virtude
Delinqüindo a nossa juventude
Tudo isso é proibido permitir.

Cante esse refrão por aí ... É proibido permitir

Geraldo disse...

Assis, fale do centenário da morte de Euclides da Cunha e para as canções feitas a Antonio Conselheiro e a Guerra de Canudos.
Geraldo Nunes

Anônimo disse...

CHICO GROSSO DISSE:

Eu tava na ponta da rua
Eu via a rua se fechar
Eu vi a fumaça da pólvora
Eu vi a corneta bradar...
Eu vi Antonio Conselheiro
Lá no alto da Favela
Com 180 praça
e mais mil de "parabéla"...

Boa sugestão, a do GERALDO. Vamos deixar o finado Patativa descansar.

Kim disse...

Impressiona o forte apelo popular que eles tem sobre as pessoas.. vale tudo, religiao, argumentacao populista, sofismos, tudo que serve para convencer baseado em fatos aparentemente irrefutaveis, eles usam.. Essa formula e usada em todo o mundo, a funciona sempre, impressionante!

Mas que vergonha, o Senado hein? Eles se esquecem que nao estao la para praticar a politica delo jogo em si, para os mesquinhos proveitos prorpios.. Estao la para governar, nao desgovernar o pais.
Cintia

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