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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O CEGO NA HISTÓRIA (12)

Crédito: Potty Lazzaroto

Guimarães Rosa foi realmente uma figura importantíssima para a literatura brasileira. 
Ele, Rosa, estreou pra lascar no ano da graça de 1946. Seu livro de estreia foi Sagarana. 
Em Sagarana, acha-se o conto São Marcos.
No conto São Marcos nos deparamos com o Brasil real de todos os tempos e até aqui. 
São Marcos começa com um médico recém-formado chegando a um vilarejo de nome Calango-Frito, localizado no fim do mundo de Minas.
O médico tem por nome João José. É figurinha antipática e metida a besta, movida a preconceito e tudo o mais que não presta. A cor da sua pele é branca. 
O branco médico passa na frente de um local onde mora o preto curandeiro Mangolô. Não resistindo, o médico recém-saído dos cueiros vai chegando e já dizendo: 
"Todo negro é cachaceiro. Todo negro é vagabundo. Todo negro é feiticeiro".
Mangolô até então ouvindo com paciência o que dizia o doutorzinho, cuspiu de lado e bateu a porta furioso. 
Encurtando conversa: o doutor, montado no seu cavalinho, seguiu trilhas até um bosque. Na verdade, uma mata cheia de plantas e bichos cuja beleza ia além da imaginação. De repente, o doutor João José ficou cego e desesperado sem saber o que fazer. Apurou o ouvido e ouvido apurado conseguiu chegar à casa do curandeiro Mangolô. E mais não digo.
Pois é, a vida é cheia de mistérios. 
Mistérios há em todo canto desde sempre. 



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O CEGO NA HISTÓRIA (11)


Ali mais pra frente do que pra trás do livro Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa põe no livro o seu Riobaldo convencendo o cego bom Borromeu e o seu guia menino Guirigó a irem com ele para o bando que comanda. E lá vão eles. 
Outros cegos aparecem nas histórias do escritor. 
No conto A Benfazeja, inserido no livro Primeiras Estórias (1962), Rosa cria uma mulher, Mula-Marmela, como guia de um cego chamado Retrupé. 
O cego Retrupé tem cara de mau, de matador de gente. Por essa razão é evitado o tempo todo por quem cruza o seu caminho. A sua guia também tem cara de gente que não gosta de gente. Há quem diga que ela é assassina. 
A Benfazeja é um conto quase fora de rota de Guimarães Rosa. Claro, tem o seu lado fantástico. 
Sei não, mas acho que Rosa trouxe de leituras antigas o personagem refeito que representava para os gregos Tirésias. 
Não só Tirésias, mas na Antiguidade os cegos eram tidos como figuras especiais capazes de prever o futuro. Foi nesse contexto que Rosa pôs Borromeu no caminho do jagunço Riobaldo. 
Riobaldo via nos cegos algo como um bom amuleto. 
Entre os grandes personagens criados por por Rosa se acha Miguilim, um garoto muito sabido de apenas oito anos. Sofria com as agressões que o pai Bernardo desferia na mãe. 
Miguilim tinha vários irmãos e um tio de nome Terez que vivia esticando os olhos em direção à mulher de Bernardo. Mas isso o pai de Miguilim estava longe de desconfiar. Desconfiou de um amigo, Luisaltino. 
Enciumado, o suposto candidato a corno matou aquele que considerava rival. Após matar o amigo, o assassino pendurou-se num cipó e morreu. Tragédia por tragédia, ainda adianto que um irmão de Miguilim, Dito, de quem ele muito gostava, cortou-se num caco de vidro que o levou à morte.
Miguilim tinha os olhos avariados desde nascença. Sua visão era curtíssima. Tudo que viam os seus olhos eram figuras embaçadas, irreconhecíveis. Até que um dia, bateu à porta da casa onde morava um doutor, que emprestou-lhe um par de óculos. Foi uma festa. O menino saiu às carreiras feliz da vida.
A tragédia grega que tanta gente inspirou e continua inspirando, levou o alagoano Graciliano Ramos a criar o guia de cego Paulo Honório, personagem do livro São Bernardo. 
João Guimarães Rosa nasceu no dia 27 de junho de 1908. Foi cônsul e tudo mais. Falava bem um monte de línguas, umas 15.
À boca miúda, Guimarães Rosa dizia que morreria logo depois de assumir a cadeira de n° 2 da Academia Brasileira de Letras, ABL, por isso prorrogou enquanto pôde a sua posse. 
O escritor famoso de Minas trocou de andar no dia 19 de novembro de 1967, três dias após assumir a tal cadeira.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

VIVA O BRASIL!

O dia 8 de janeiro de 2023 é para nunca ser esquecido. Foi nesse dia que um canalha esperou nos EUA que os seus cupinchas, militarmente graduados, o chamassem de volta para assumir uma cadeira que já não era dele.Ele, lá na moita.
Meus amigos, minhas amigas, o Lula pernambucano é brasileiro do tamanho da nossa alma. É de paz. Pacífico. 
Bom, hoje 8 de janeiro de 2026 houve uma lembrança histórica na capital federal desse dia que foi uma tentativa de golpe para derrubar a nossa democracia. 
Aquele que arquitetou esse golpe continua na cadeia choramingando lágrimas de crocodilo, posicionando-se como vítima. 
Eu pergunto a meu amigo, minha amiga: Bolsonoro deve ou deveria viver eternamente abraçado com
- Trump
- Belzebu
- Capeta?



domingo, 4 de janeiro de 2026

BOM, CUIDADO COM O ANDOR...

Crédito: InfoMoney

O mundo está pegando fogo. Está não, sempre esteve.
Não temos salvação e certamente nunca teremos.
Exploramos e matamos o nosso próximo sob o pretexto de uma vida melhor. 
Na madrugada de sábado eu estava ouvindo rádio, quando ouvi a notícia de bombardeio aéreo sobre a capital venezuelana, Caracas.
A Venezuela é um país que fica aqui pertinho da gente, cujo povo sofre como o povo de todo canto. 
Venezuela é um país que nunca teve tradição fonográfica. 
Sempre quando ouço o nome desse nosso país vizinho, lembro de uma espanhola que cresceu e viveu respirando a vida venezuelana: Soledad Bravo. 
Soledad e os seus pais adotaram a Venezuela como, digamos, pátria. Segunda pátria, talvez. 
Em 1972, Soledad Bravo defendeu a canção Pátria Amada Idolatrada Salve Salve, de Vandré e Manduka.
Eu conheci o Manduka na casa do Vandré. Manduka era filho do poeta Thiago de Mello, principal tradutor do poeta chileno Pablo Neruda.
Thiago de Mello, uma vez participou do meu programa São Paulo Capital Nordeste, na rádio Capital.
Ana Belém, conterrânea de Soledad, gravou em 1982/83 a guarânia Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores. Na língua da cantora, Caminando...
O que está acontecendo na Venezuela é algo perigosíssimo. 
Claro que não dá pra defender o ditador Nicolas Maduro: canalha, assassino, ladrão e explorador do povo em todos os sentidos. 
A ética e o Direito Internacional têm de prevalecer no mundo da Democracia. 



quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

PAZ E ARTES COMBINAM


Hoje 1° de janeiro é o Dia Mundial da Paz.
Esse dia é de importância fundamental e deveria ser ainda mais do nosso pensamento e ação. 
O Brasil hoje 1° ficou ligado o tempo todo numa coisa chamada Sena da Virada. Seis apostas vão dividir 1 bilhão e 90 milhões de reais. 
Bom, felicidade a todos e ponto.
2025 terminou consagrando o já até então consagrado Oliveira de Panelas. 
Oliveira ganhou no ano que passou o título de doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Paraíba. 
Oliveira de Panelas é pernambucano de Panelas. 
O município de Areia, PB, criou no ano que passou a Academia de Artes, Letras e Ciências Oliveira de Panelas. 
Essa história é fantástica. 

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