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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

MAIS CAUSOS DE BOLDRIN EM NOVO LIVRO

O mais natural contador de causos da nossa televisão, o paulista de São Joaquim Rolando Boldrin, lança amanhã mais um livro que se lê num sopro, de tão bom que é: História de Contar o Brasil.
O livro, que tem a chancela da editora Nova Alexandria, será lançado na livraria Cultura (Avenida Paulista, 2071), a partir das 11 horas.
Depois de contar uma história passada com ele próprio, mais o humorista Millôr Fernandes, o ator Lima Duarte, a atriz Tônia Carrero e o escritor Rubem Braga, em Maceió, Boldrin explica aos leitores o que são causos e em seguida conta uma ruma deles, todos de fazer rir e gargalhar, como o que inicia o livro, envolvendo um certo Dito, amigo de infância, e o que o encerra, que tem por personagem um viajante dorminhoco que perde m trem que não deveria perder.
O livro História de Contar o Brasil é de rolar de rir.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

KUARUP REPÕE NO MERCADO OBRAS-PRIMAS

A Kuarup Música acaba de repor no mercado duas preciosidades há muito desaparecidas: os CDs Cantoria volumes 1 e 2, com Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai.
Esses discos (ao lado), resultantes de um espetáculo realizado no Teatro Castro Alves, em Salvador, entre os dias 13, 14 e 15 de janeiro de 1984, foram originalmente gravados – e lançados – no formato de LP.
E de Vital, curiosa e coincidentemente, recebi no início da madrugada de hoje este mimo, via email, que compartilho com vocês:

Meu amigo/irmão Assis Ângelo
Quando me lembro de você, me vem várias passagens, tanto aí em Sumpalo, como também em outros momentos!
Pensando e lendo o seu Blog, vez e quando me remeto aos versos que queiram ou não sempre faz da gente brasileira que se preocupa com tudo que se passa nos nossos sentidos!
Porém Lendo agora sobre estrofes e versos que falam do seu labutar, me veio uma do poeta/jornalista/escritor/advogado e delegado de Polícia federal de Brasília/parahybano de Princesa, que certamente você já deve ter lido o seu primeiro livro publicado há alguns anos atrás com o título "Verso Menino". Nele, além de muitos poemas lindos, tem um que faz parte da minha paixão e da minha visão política em relação à politicagem externa que os EEUU desenvolvem há séculos no mundo inteiro querendo a todo custo humilhar as nações que de uma forma ou de outra não aceitam os seus desmandos nem tampouco se sujeitam às suas deliberações! Guerra de Facão. Diz assim:

VOU USAR MEU FACÃO NESSE REPENTE
PRA CANTAR UM MARTELO AGALOPADO
E DEIXAR MEU FACÃO MAIS AFIADO
DO QUE A LINGUA DA "VÉIA" DO BATENTE
VOU SINGRAR OCEANOS, CONTINENTES.......esqueci, pô... pô...

Mas aí vem a segunda estrofe:

MEU FACÃO VAI USAR SUA FAMA E NOME
BEM NO CENTRO DOS ESTADOS UNIDOS
VAI MATAR MEIA DUZIA DE BANDIDOS
QUE SÓ FEZ NOSSA GENTE PASSAR FOME
VAI VINGAR A CRIANÇA QUE NÃO COME
E A MÃE MORTA NOS BRAÇOS DA PARTEIRA
VAI ENSINAR A TIO SAM MUIÉ RENDÊRA
PRA MOSTRAR A NAÇÃO MAIS QUE TUPY
FECHA AS PORTAS DO FMI
E TRÁS DE VOLTA A BANDEIRA BRASILEIRA

MIGUEZIM DE PRINCEZA É FODA!
UM BEIJO NO CORAÇÃO PRA VC.

Esse é o Vital falado, sempre espontâneo nos seus escritos e colocações.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ZACARIAS JOSÉ AGORA É SAUDADE

Só agora fiquei sabendo que o cordelista e xilogravador sergipano Zacarias José dos Santos morreu; e que a missa de 7º dia em sua memória foi celebrada ontem, às 19 horas, na Igreja da Consolação.
Fiquei triste com o seu passamento.
Conheci Zacarias há muitos anos, ainda nos tempos em que eu atuava como repórter nos jornais da capital paulista.
Depois que deixei o jornalismo diário, e de passar pela produção da Abril/Video, Manchete e Globo, a nossa amizade continuou.
Esporadicamente ele me visitava no escritório ora do Metrô, ora da CPTM, empresas em que trabalhei como assessor de comunicação.
Ele gostava que eu lesse seus folhetos e artigos sobre cultura popular que publicava no jornal paulistano O Dia, para o qual também cheguei a colaborar com alguns textos.
Zacarias, que assinava seus folhetos como Severino José, nasceu no dia 5 de março de 1932, num lugarejo chamado Marcação, elevado a município com a denominação de General Maynard em novembro de 1963.
Ele trocou Marcação por São Paulo em 1953.
Um de seus folhetos mais bonitos, desenvolvidos em sextilhas, é A Grande Paixão de Carlos Magno Pela Princesa do Anel Encantado, incluído numa coletânea da paulistana Editora Hedra.
Aliás, Zacarias era craque em sextilhas e acrósticos.
Ao fim do folheto sobre a paixão do imperador Carlos Magno, ele escreveu:

S-alve esta linda história
E-ncantada e tão bonita
V-i num livro muito antigo
E-ntre coisa tão catita
R-imando em minha escrita
I-nda que pobre inspirada
N-unca houve tanto amor
O-h gente bem educada

Há exatos 20 anos, Zacarias José nos prestigiou na Bienal Internacional do Livro.
Na ocasião eu estava lançando O Coronel e a Borboleta e Outras Histórias Nordestinas.
A foto que ilustra este  texto foi extraída do livro A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo, de minha autoria.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

FILME TROPICÁLIA E RAUL CÓRDULA

O filme Tropicália, de Renato Terra e Ricardo Calil, cumpre, de forma impecável, a tarefa de mostrar e explicar às gerações recentes - e futuras - o movimento tropicalista que tinha na linha de frente Gil, Caetano e Tom Zé no começo da segunda parte dos anos 1960.
O movimento durou um anos e dois meses, ou seja: de outubro de 67 a dezembro de 68.
E o registro musical original constante do seu acervo é de apenas seis discos.
O auge ocorre com o LP Panis et Circencis, de Caetano.
Pois é, e o barulho em torno dele continua.
O filme de Terra e Calil parte de imagens inéditas em p&b de Gil e Caetano em Portugal, ocasião em que os dois foram entrevistados numa TV pelo humorista Raul Solnado.
Àquela altura, o movimento já fora sepultado.
Vale a pena assistir o filme, com duração de uns 80 minutos.

RAUL CÓRDULA
O artista plástico campinense Raul Córdula é o curador da mostra 13 Artistas Paraibanos Contemporâneos que será aberta à visitação pública amanhã, às 20 horas, no Centro Universitário Maria Antônia (Espaço 5).
A mostra, que recentemente reinaugurou o Museu de Arte Assis Chateaubriand, de Campina Grande, PB, faz parte da 17ª Semana de Arte e Cultura da Universidade de São Paulo, na capital paulista.
Raul (eu sou de óculos), junto com Selene Sitônio e João Câmara Filho, foi um dos meus professores de artes plásticas na divisão de Extensão Artística da Universidade Federal da Paraíba, nos começos dos anos 1970.
A foto que ilustra este texto é dessa época e feita na redação do jornal O Norte, dos Diários Associados, onde iniciei a carreira de jornalista trabalhando ao lado de Augusto Crispim, Barroso Neto, Martinho Moreira Franco, Anco Márcio, o fotografo Djalma Goés; os veteranos José Leal e Gonzaga Rodrigues e tantos mais.
Quantas lembranças!
Meus professores viam em mim talento de artista que nunca tive, mas valeu o esforço: aprendi a gostar de artes.
Os 13 artistas que participam da exposição, no Espaço 5 do Centro  Universitário Maria Antônia, são:
Alice Vinagre, Braz Marinho, Célia Araújo, Chico Dantas, Chico Pereira, Dyógenes Chaves, João Lobo, Luiz Barroso, Manuel Dantas Suassuna, Marcelo Coutinho, Marlene Almeida, Rodolfo Athayde, Rosilda Sá.

ALAÍDE COSTA
A produtora musical Livia Mannini informa que a cantora Alaíde Costa se apresentará na noite de sexta 21, no espaço cultural Casa de Francisca, à Rua José Maria Lisboa, 190. Alaide é a voz da bossa nova, estranha e linda. Faz tempo que não a vejo, vamos ouví-la?

PINTANDO O 7
Foi legal domingo 16 a festa comemorativa aos cinco anos do programa Pintando o 7, do artista popular pernambucano Luiz Wilson na casa de espetáculos Eucaliptus, em Interlagos, zona Sul da cidade. O programa vai ao ar todos os domingos de manhã pela Rádio Imprensa FM 102,2. Compareceram à festa Fatel, Anastácia, Emídio Santana, a dupla de emboladores Caju e Castanha e Chambinho, que viverá o rei do baião quando jovem no filme de Pai Pra Filho partir do mês que vem.
Clique:

E de lambuja seguem uns versinhos setissílabos do Luiz Wilson ditos por ele mesmo na noite de domingo 16, como se eu os merecesse. Estes:

Agora peço licença
Para homenagear
Um Cidadão Paulistano
Paraibano exemplar.
Escritor vitorioso,
Jornalista e estudioso
De cultura popular.

Um cidadão Brasileiro,
Poeta João Pessoense
Instrutor e palestrante
Que faz com que o povo pense.
História no jornalismo
Que com profissionalismo
Já comprovou que convence.

Começou em tenra idade
Ainda na terra forte
No correio da Paraíba
Antes no Jornal o Norte.
Passou por Caruaru
Mas veio como eu e Tu
E São Paulo lhe deu suporte.

Inovou no jornalismo
Na escrita e linguajar
Folha, Estado de São Paulo
E no Diário popular.
Sem esquecer, no ensejo
Do Diário sertanejo
O caderno complementar.

Produziu e apresentou
Um Programa especial,
Que foi líder de audiência
Pela Rádio Capital
São Paulo capital Nordeste
Mobilizou o sudeste
Pelo diferencial.

Ele descreve com mérito
A Cidade e o Sertão,
Do resgate das origens
À modernização.
Conhece a fundo e de sobra
Sobre a vida e grande obra
De Luiz, Rei do Baião.

Fez história na TV
Abril vídeo e manchete
E também trabalhou na Globo
Com o talento que compete.
Tem história na bagagem
Pra merecida homenagem
DO PUBLICO QUE PINTA O SETE!

sábado, 15 de setembro de 2012

LUIZ WILSON COMANDA FESTANÇA

Natural de Sertânia, PE, o comunicador Luiz Wilson mora na capital paulista há três décadas. Nos últimos anos, ele tem se destacado como cantor, compositor e cordelista à frente do programa Pintando o Sete, que amanhã completa cinco anos de existência na grade dominical da rádio Imprensa FM 102,5.
Wilson começou a carreira nos anos 1980, ao lançar dois discos no formato de compactos – duplos – antes do primeiro LP, Sinal Vermelho, de 1990, com arranjos de Oswaldinho do Acordeon.
Amanhã na casa de espetáculos Eucaliptos, à Avenida Atlântica, 4133, Interlagos, ele comemorará o tempo que se acha no ar na Imprensa ao lado de uma legião de fãs e artistas, entre os quais Anastácia, Chambinho - astro do filme Gonzaga, de Pai pra Filho (nas telonas a partir do próximo mês), Fatel, Trio Virgulino, Trio Jeremoabo, Trio Umbuzeiro, Téo Azevedo e a dupla de emboladores Caju e Castanha.
Os craques da viola improsidora Edival Pereira e Fenelon Dantas também estarão presentes.
A festança tem hora para terminar (16), mas não para terminar.
Nossos votos de vida longa ao programa Pintando o Sete.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

POVO UNIDO, JAMAIS SERÁ VENCIDO

“Eu vou cuidar de você”.
Foi isso o que vi/ouvi arrepiado, estarrecido e triste, do candidato líder nas pesquisas à prefeitura paulistana hoje, no horário besteirol da TV, que pagamos.
E a figurinha em si, hein?
Triste, não é?
Triste ver/ouvir de um político carreirista dizer isso sobre nós, em direção a nós, para nós, como se fôssemos dele dependentes; o contrário, pois é ele que depende de nós.
Triste de um povo de uma cidade, de um Estado ou país, de uma nação, que precisa da tutela de um candidato a cargo eletivo para sobreviver.
Triste de um povo que não pensa.
Acorda São Paulo!
Acorda Brasil!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

IMPRENSA HOMENAGEIA ZÉ HAMILTON RIBEIRO

Façanha e tanto é uma revista no nosso país chegar aos 25 anos, principalmente se ela for especializada em Jornalismo.
Essa revista existe e se chama Imprensa.
Seu fundador, Sinval de Itacarambi Leão, elaborou uma programação especial para discussões em torno da profissão e homenagear um de seus grandes representantes: o paulista de Santa Rosa de Viterbo José Hamilton Ribeiro.
A abertura ocorreu ontem à noite no teatro da unidade Santana do Serviço Social do Comércio, Sesc.
O homenageado esteve presente.
Informalmente entrevistado por sua colega Neide Duarte, José Hamilton disse coisas interessantes e reflexivas sobre a profissão que abraçou há meio século.
Ele brincou, contou causos e até se emocionou.
Falou da competência feminina, dos amigos, da Internet, de como começou a carreira, de tudo.
Nenhuma pergunta ficou sem resposta, nem a que tratou do acidente de que foi vítima na guerra do Vietnã em 1968, ao pisar numa mina camuflada e perder parte da perna esquerda.
Ele arrancou risadas antes e depois de falar de seus medos, que são três: morrer, entrar em caverna e ser picado por abelha.
Antes um vídeo de 15 minutos contou parte da sua trajetória.
Zé apresentou uma fórmula simples, que inventou por brincadeira.
Segundo ele, uma grande reportagem (GR) tem de ter um bom começo (BC), para prender o leitor; e um bom final (BF), para deixar o leitor com gosto de quero mais.
No meio disso, ele recomenda trabalho vezes talento (T x T) elevado à potência N, que é a potência necessária para uma reportagem ganhar o carimbo de Grande Reportagem.
Viva o professor José Hamilton Ribeiro!

PROGRAMAÇÃO
A programação da revista Imprensa no Sesc foi reiniciada hoje de manhã, com discussões sobre mídias sociais, arquitetura das empresas de comunicação e jornalismo digital; e termina amanhã, com debates em torno dos desafios da cobertura jornalística 24 horas, a relação entre mídia e publicidade, a vocação do jornalismo impresso e a mídia eletrônica.

ANIVERSÁRIO
Hoje o cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré completa 77 anos. A diferença de idade entre José Hamilton e Geraldo é de apenas duas semanas. Para Geraldo, ficam o registro e os nossos votos de saúde e bem-estar.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA

Começou o que já era esperado: candidato recusando a debater em público propostas de campanha. O primeiro a fazer isso foi Russomano, que acaba de ignorar convite da Folha/UOL para debate que ocorreria no próximo dia 20. E nem sequer justificou o gesto, talvez por se achar acima da carne seca ou simplesmente por não ter identidade própria, politicamente falando. Lembrando: Russomano começou no PFL, que gerou o DEM. Depois caiu no PSDB e de lá no PPB, de onde saiu direto para os braços e abraços de Paulo Maluf, do PP. Ambos, aliás, ele e Maluf, mais 41 deputados, tentaram inviabilizar o projeto Ficha Limpa. Pois é, aí está! Agora na pele de cordeiro - de Deus? - ele disputa a Prefeitura da 5ª maior cidade do planeta pelo PRB, com apoio de fiéis de várias igrejas, incluindo a Renascer. De qualquer modo, o que ele fez ao se recusar a participar de um debate público foi um desrespeito a todos os cidadãos. Cuidemo-nos.

NOVA MINISTRA
A senadora por São Paulo Marta Suplicy, do PT, é a nova ministra da Cultura, em substituição a Ana de Hollanda, que assumiu o cargo deixado por Juca Ferreira no ano passado. Marta será empossada quinta 13 que vem.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

DIA DA IMPRENSA

O dia de hoje marca a estreia do primeiro jornal impresso no País, Gazeta do Rio de Janeiro, de iniciativa do governo português (ao lado, facsimile do 1º número).
O jornal fora criado para levantar a bola de reis e príncipes, aqui e alhures.
Fora do País, o primeiro a ser publicado foi o Correio Brasiliense,  em Londres e de caráter “doutrinário muito mais do que informativo”, nas palavras do seu próprio criador e editor Hipólito José da Costa, um dos primeiros brasileiros exilados naquelas plagas.
Muita água correu por baixo da ponte e tsunamis explodiram mundo a fora até os dias de hoje, quando os jornais se multiplicaram aos muitos e muitos milhares.
Pergunta: os impressos sobreviverão?
Essa discussão estará em pauta amanhã às 19h30, na unidade Santana do Sesc, quando se comemorarão os 25 anos de fundação da Revista Imprensa.
Eu estarei lá e você?
Abaixo, o convite:
ESPECIAL CULTURA POPULAR
Você já leu a última edição especial do news letter Jornalistas&Cia MEMÓRIA DA CULTURA POPULAR, este mês enfocando como personagem o estudioso da cultura popular Luís da Câmara Cascudo? Caso não tenha lido, clique:  www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular05.pdf

MORRE ROBERTO SILVA
O mais velho cantor e compositor de samba, o carioca Roberto Silva, morreu na madrugada de domingo, no Rio de Janeiro. Ele tinha 92 anos. Fica o registro.

sábado, 8 de setembro de 2012

UMA ESTRELA NO PALCO: ANELIS ASSUMPÇÃO

Intérprete das maiores, a paulistana da Penha Anelis Assumpção se firma definitivamente, aos 32 anos, como estrela da música popular.
O domínio de timbres e postura que ela apresenta em público é sem dúvida um lenitivo para os olhos e ouvidos dos mais exigentes.
Com a naturalidade dos excepcionais, ela passeia por ritmos e gêneros diversos; desde o samba ao reggae, passando pelo afrobeat, rock e canções.
A sua voz é pura e encantadora.
Ao fim, quer-se mais.
E não será exagero dizer que ela veio para ficar não só na cena paulistana, mas do Brasil.
Mais: que ela esteve irretocável no tempo e espaço da Sala Guiomar Novaes, da Funarte, ontem à noite abrindo o Festival Cidade Sonora que reúne na grade "28 shows da nova música brasileira".
O espetáculo começou com 20 minutos de atraso e durou pouco mais de uma hora, com bis.
O atraso foi ignorado por sua bela performance.
Os músicos que a acompanharam mereceram os aplaudos pelo alto grau de talento e profissionalismo.
Sugere-se apenas que do seu repertório conste mais Brasil.
Ao lado, a relação das músicas do show.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

É BRASILEIRO O INVENTOR DO RÁDIO

Que Marconi que nada. O rádio foi inventado por um gaúcho de Porto Alegre chamado Roberto Landell de Moura, que era padre católico e cientista de escola, com formação na Itália. 
Os primeiros estudos e testes de transmissão da voz humana por ondas eletromagnéticas foram feitos por ele; primeiro na cidade paulista de Campinas, em 1892; e um ano depois, na capital paulistana. 
Marconi ficou na rabeira, mas entrou para a história como o verdadeiro criador do rádio. 
Mas um movimento levado avante por intelectuais e jornalistas do Sul e do Sudeste logrou êxito, tirando do limbo direto para o Panteão dos Heróis Nacionais o nome Roberto Landell de Moura. Justiça feita.
Em São Paulo, o êxito do movimento pró Landell deve-se à news letter Jornalistas&Cia. 
Com o reconhecimento do brasileiro como inventor do rádio, toda a literatura histórica até agora publicada precisa depressa ser revista. 
O primeiro passo nesse sentido é que se leve às escolas impressos didáticos com os devidos pontos nos is, inclusive porque, para o mundo, o Brasil não legou nenhum grande inventor até hoje. Balela. 
Agora mesmo, por exemplo, o Brasil mostrou para o mundo, por sentença judicial inquestionável que se estendeu por duas décadas, que é de um brasileiro, o eletrotécnico mineiro de Belo Horizonte Nélio José Nicolei, a invenção da Bina, um identificador de chamadas telefônicas. 
A invenção de Nicolei gera no momento, mensalmente, R$ 2,56 bilhões/mês. 
Pois, pois. Não foram os norte-americanos que engoliram para si a façanha incrível do mineiro Santos-Dumont em beneficio dos irmãos Wrigth que anunciaram sem testemunhas que haviam voado escanchados numa geringonça de 300 quilos algo em torno de 260 metros numa praia deserta de Kitty Howk, na Carolina do Norte, em 1903? 
Pois bem, a façanha de Dumont, realizada no dia 23 de outubro de 1906, foi presenciada por uma multidão de intelectuais, cientistas e povo no Campo de Bagatelli, em Paris, e rendeu a pequena fortuna de 3 mil francos ao inventor, que a distribuiu aos mecânicos seus colaboradores. 
A verdadeira história do inventor do rádio – e do telefone sem fio – precisa ser contada com minúcias e exatidão às gerações mais novas e às que virão. O fato é que a primeira emissora de rádio mais antiga do Brasil é a Clube de Pernambuco, de Recife, nascida no bairro de Santo Amaro e inaugurada no dia 6 de abril de 1919. 
A segunda – oficialmente, a primeira – foi a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, posta ao ar por iniciativa do cidadão Roquette Pinto, com um discurso do presidente paraibano Epitácio Pessoa na manhã de 7 de setembro de 1922, no Rio, lembrando o centenário da Independência do Brasil.
Na noite desse mesmo dia a rádio transmitiu ao vivo, e integralmente, uma apresentação da ópera O Guarani do campineiro Antonio Carlos Gomes, o Tonico, protegido do imperador dom Pedro, o autor do grito que fez o paraibano Pedro Américo pintar a cena da beira do riacho do Ipiranga em 1822, e que o mundo todo conhece. 
De lá para cá, muita coisa aconteceu no setor radiofônico e noutros setores. 
Milhões de radinhos a pilhas foram fabricados, mas nenhum deles é mais produzido desde meados da década dos anos 1990. Apesar disso 87,9% dos domicílios brasileiros têm aparelhos de rádio instalados, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. 
Somados a esses números, há outros relevantes: dos 29,9 milhões de veículos em circulação no País, 80% deles têm rádios. 
Acrescentem-se, a isso, as novas mídias embutidas na Internet. 
O rádio convencional, no entanto, anda em expansão, notadamente as FMs. 
Os números indicam que entre 2009 e 2010 houve um aumento no setor comercial dessa faixa de frequência, da ordem de 7,3%. 
Entre 2005 e 2010, o setor teve um crescimento de 26,40%, ou seja: de 1915 passou para 2.602. 
Das 9.184 emissoras de rádio em atividade atualmente nas cinco regiões do País, 4.193 são comunitárias. O detalhe a lamentar é que 17,7% da população rural não têm ainda nenhum acesso à emissoras de rádio. 
A região com maior número de acessos é a do Sul; e a menor é a do Norte, com 75,6%. 
Outro detalhe a lamentar é que o rádio comercial AM e FM não prima, na sua maioria, por ter nos seus quadros apresentadores profissionais. Os horários vendidos a quem tem dinheiro para pagar podem levar o rádio ao descrédito, essa é a verdade. 
Com a palavra, o Ministério das Comunicações.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

BIENAL, BOBAGENS E BISPO DO ROSÁRIO

No começo dos anos 1970, em João Pessoa, Paraíba, eu era um moleque metido a besta.
Fazia artes plásticas na Divisão de Extensão Artística da Universidade Federal da Paraíba.
Professores meus eram vários.
João Câmara Filho, um deles.
Raul Córdula, outro.
Celene Sitônio, também.
Brennand era visitante.
Foi por essa época que conheci Brennand e a sede da sua usina de criação em Recife.
Fui lá pelas mãos de Câmara Filho.
Era um espaço incrível e como tal, até onde me dizem, continua sendo.
De abestalhar qualquer vivente com um mínimo de sensibilidade.
Por essa época, eu assinava como Di Angelus as bobagens que inventava de pintar em tela sobre óleo. Câmara achava que eu tinha futuro como pintor, e até escreveu isso numa coluna semanal que tinha no Diário de Pernambuco.
Sim, e por momentos cheguei a acreditar nisso, tanto que expus por aí a fora, em individuais e coletivas.
Até em Connecticut, EUA.
E também na Bienal de São Paulo.
E ontem à noite eu compareci a abertura da Bienal de São Paulo, na sua 30ª edição.
Representantes de muitos países estavam presentes, mostrando uma enormidade de bobagens como aquelas que eu fazia no começinho dos anos 1970.
Até um monte de terra vermelha, na forma de cone, lá estava desafiando a minha sensibilidade.
Muito nó em pingo d´água.
A única coisa que despertou os meus neurônios adormecidos foi a exposta pelo Bispo do Rosário, reconhecidamente um louco de camisa de força.
O que ele nos legou é para pensar.
O resto, lá, é dispensável totalmente.
Amigos à volta de mim me pedem calma, paciência, que arte contemporânea é isso mesmo.
Ou seja: nada.
Eu, hein, pulei fora das cores e pincéis.
E viva Miguel dos Santos!
Vocês conhecem Miguel dos Santos e a sua obra?
Foi meu colega de sonhos na Divisão.
E ele, sim, é artista.
Na foto que ilustra esta postagem, uma criação do Bispo.

INSTITUTO HISTÓRICO DE SP
Amanhã 7, a partir das 15 horas, haverá uma intensa programação cultural no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Fica na Benjamin Constant, ali no centro da cidade. Vamos lá?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

AINDA UM RETRATO FIEL DO BRASIL DE BAIXO

Exatos 52 anos após a publicação da impactante narrativa de Quarto de Despejo (Editora Francisco Alves, 182 págs.), de Carolina Maria de Jesus, levado à tradução em dezena e mais línguas mundo a fora, chega às livrarias brasileiras o excelente O Estranho Diário da Escritora Vira-lata (Editora Horizonte, 208 págs), de Germana Henriques Pereira de Sousa.
O livro de Germana é um mergulho analítico, sério e profundo à obra da mineira Carolina, que por muitos anos viveu do que colheu do lixo e das ruas da região Norte da capital paulista.
Após descoberta nos fins dos 50 pela sensibilidade do jornalista alagoano Audálio Dantas, Carolina Maria de Jesus alcançou o estrelato tão rápido quanto um foguete com destino à lua; e igualmente tão rápido quanto uma estrela cadente, sossobrou.
Mas ela e o que ela escreveu vivem como fenômeno literário, absolutamente independente das mídias convencionais.
É isso, aliás, o que mostra Germana Henriques Pereira de Sousa no seu maravilhosamente bem escrito e convincente, sem ranço acadêmico, O Estranho Diário da Escritora Vira-lata.
Os diários de Carolina, que somam mais de 4.500 páginas manuscritas – muitas das quais ainda inéditas –, são fortes e tão impactantes quanto os primeiros 20 volumes analisados nos 50 pela objetividade do olhar clínico do jornalista Dantas.
Quarto de Despejo, até hoje um retrato fiel do Brasil de baixo, dos deserdados da vida destes tempos modernosos, foi lançado em agosto de 1960.
E é atualíssimo, como muito corretamente indica o texto de Germana e por quem o leu.
Audálio Dantas é um bruxo.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

INEZITA BARROSO, NO COCORICÓ

Mais uma vez a querida Inezita Barroso telefona feliz para dizer da alegria que foi participar há poucos dias do infantil Cocoricó, da TV Cultura. Disse que adorou ser entrevistada por dois dos personagens do programa, que curiosos perguntaram se já havia algum livro escrito e publicado a seu respeito. E de bate pronto ela respondeu que sim, que fora eu o responsável por essa façanha. No já referido programa ela discorreu sobre o livro A Menina Inezita Barroso (Cortez Editora), mesmo confundindo o título que chamou de As Reinações de Inezita. Clique:


ESPECIAL CÂMARA CASCUDO
E clique também:
http://migre.me/ayXLZ
para ler a edição especial LUÍS DA CÂMARA CASCUDO do news letter Jornalistas&Cia/MEMÓRIA DA CULTURA POPULAR.

LIVROS
Eliane, da Editora Horizonte, manda recadinho via e-mail, este:
“Estou com dois lançamentos um agora e outro em outubro que abordam sociologicamente a representação na literatura. No livro da Regina Dalcastagnè, que levou 15 anos para ser escrito, tempo da pesquisa, ela aponta que a literatura está longe de ser um espaço democrático e que longe de representar a contemporaneidade, ainda traz cargas do século passado e anteriores, contrariando todo o senso. Esse fato se dá ainda pelo reforço dos críticos e dos acadêmicos. É uma bomba, literalmente! Com uma margem mínima para erro, a nossa literatura é prioritariamente feita por homens, brancos, de classe média, moradores do eixo Rio/SP e ligados ao jornalismo ou meio acadêmico. O livro sai no final do mês, mas mando um pdf, caso tenha interesse em dar uma olhada. Sinceramente, acho que é um material importante para se divulgar tanto para reflexão de quem faz literatura, como para quebrar padrões e mudar paradigmas. O outro livro que sai agora aborda Carolina Maria de Jesus, e fala de seu diário e questiona a parte estética e poética, referendando o trabalho da artista. Pois pelo fato de ser mulher e favelada, Carolina não conseguiu publicar toda sua obra. Foi relegada às produções menores – como um diário. Bem, se puder, dê uma olhada e me diz o que acha. Grande abraço da Eliane”.
No dia 28 de abril deste ano fiz comentário sobre Carolina Maria de Jesus, aqui neste espaço. Mas voltarei ao assunto assim que ler o livro de Germana Henriques Pereira de Sousa, que está indo à praça com a chancela da Editora Horizonte.

PIMENTA

Pois é, nos olhos dos outros é refresco. Em 1994 o Bradesco garfou R$ 4.505,00 do herdeiro de um correntista, que entrou na Justiça pedindo de volta a quantia, com correção etc. Um juiz decidiu que o valor fosse corrigido com base nos juros de cheque especial cobrados pelo banco. Em janeiro deste ano, os R$ 4.505,00 viraram R$ 1,4 trilhão, metade do PIB brasileiro. Ontem, os 25 juízes mais antigos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro julgaram a causa. Três foram favoráveis. Um deles, Cláudio de Mello Tavares, disse depois de reconhecer ser surpreendente que a conta bata à porta do trilhão: "Esse processo deve ser tomado como exemplo para o banco. Que os juros aos clientes sejam cobrados com equidade e não para extorquir". O herdeiro correntista que processa o Bradesco tem hoje 71 anos de idade e vive escondido, com medo de represálias. O processo continua. Tomare que o banco perca.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

TINÉ, 50; E PRÊMIO JORNALISTAS&CIA/HSBC

Um dos dez filhos de seu Dedé e dona Nita, o jornalista Flávio Tiné está todo pimpão em página inteira (ao lado) da edição de ontem do jornal O Estado de S.Paulo; o que, naturalmente, é orgulho de todos nós que o admiramos tanto.
O motivo da sua presença como garoto propaganda espontâneo do taludo jornal paulistano é simples: leitor fiel e cidadão correto desde quando se entende por gente.
Ele é da safra de 1937.
Pernambucano de Gravatá, Tiné está completando 50 anos de jornalismo, pois foi em 1962 que ele abraçou a profissão no extinto Última Hora, de Samuel Wainer, na capital pernambucana, onde foi preso por agentes da repressão em 1964, junto com o governador Miguel Arraes e funcionários do jornal.
Seus professores foram Milton Coelho da Graça, Múcio Borges da Fonseca e Eurico Andrade.
Tiné trabalhou no Estadão antes de ingressar na Editora Abril, entrevistando artistas da MPB para publicações como Intervalo e Contigo, ainda nos 60.
Foi também repórter de Diário do Grande ABC.
No correr da profissão, ocupou cargos de assessor de imprensa no Unibanco e Siemens do Brasil.
Aposentou-se como assessor de imprensa do Hospital das Clínicas.
Antes dele, não se fazia reportagens no HC.
Era proibido.
Depois dele, tudo mudou.
Para melhor.
Parabéns, Tiné, pelos cinquentinha de profissão.

PRÊMIO JORNALISTAS&CIA/HSBC
Termina no próximo dia 5 o prazo para inscrições e envio dos trabalhos ao Prêmio Jornalistas&Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidadeidade. Acessar site www.premiojornalistasecia.com.br. A equipe técnica de apoio pode auxiliar no momento da inscrição, pelo telefone 11-3341-2799, no caso de problemas como envio dos materiais, tamanho dos arquivos etc. O Prêmio recebe trabalhos de jornal, revista, rádio, televisão, internet, fotografia e criação gráfica. Exclusivamente neste ano, há ainda a categoria Rio+20, para trabalhos que tenham como pano de fundo a cobertura do evento. O prazo de publicação ou veiculação é entre 1º de setembro de 2011 e 31 de agosto de 2012. Mais informações pelo e-mail premio@jornalistasecia.com.br ou entre em contato com Lena Miessva: telefone 11-2679-6994.

domingo, 2 de setembro de 2012

LEMBRANDO MÁRIO CHAMIE

Passamos nós ou o tempo?
Ontem revi um amigo que há muito não via: Ives Gandra da Silva Martins, intelectual hoje no seu estágio mais apurado de criação e entendimento do tempo que passa, ou passamos.
E toda vez que o vejo, sempre sou presenteado por uma penca de novos livros de sua autoria.
E dessa vez não foi diferente; acrescida de mais uma novidade: ele acaba de entrar para o Livro dos Records, via RankBrasil, pela façanha de escrever sua rotina em poesia em quatro volumes, a que intitulou de Meu Diário em Sonetos (editora Pax & Spes, São Paulo).
Os quatro volumes são resultado de um autodesafio a que se propôs, depois de ganhar um daqueles livrinhos em branco que amigos os costumam nos dar nos fins de ano. E foi assim que ele, sem prejuízo nas tarefas do dia a dia como um dos mais reconhecidos e aplaudidos tributaristas do País, escreveu em 2010 365 poemas na forma de sonetos.
O bom desses raros encontros é que nossas conversas se estendem, girando por temas diversos.
E foi assim ontem quando fiquei sabendo que o poeta, ficcionista, tradutor e crítico literário gaúcho Carlos Nejar é um dos nomes cotados para receber o próximo Nobel de Literatura, não só por História da Literatura Brasileira (da Carta de Caminha aos Contemporâneos), de 2011, mas pelo conjunto da obra iniciada em 1960, com o livro de poemas Sélesis (Ed. Globo).
História da Literatura Brasileira é um volume de mais de 1.100 páginas, no qual se acha tudo o que diz respeito significativamente à literatura e a literatos brasileiros, incluindo gêneros e movimentos como o Concretismo dos irmãos Campos e a Práxis do paulista de Cajubi Mário Chamie; passando pela Geração de 45 que tantos bons nomes gerou, incluindo o próprio Ives.
Especialmente na vertente poética, Chamie foi um autor que enriqueceu sobremaneira a literatura brasileira.
Ao lançar a sua poesia-práxis, entre 1958 e 1960, ele mexeu em casa de aripuá, isto é: mexeu profundamente com a estrutura poética criada e defendida pelos Campos.
Lavra-Lavra (Massao Ohno, 1962) foi o seu livro mais polêmico.
Mexendo nas estantes, me deparei com alguns livros seus.
Na dedicatória de um deles (Intertexto: a Escrita Rapsódica – Ensaio de Leitura Produtora), datada de 17 de janeiro de 1998, ele não recomenda e nem deixa de me recomendar sua leitura: “Se quiser ler, leia. Uma coisa é certa: prometo continuar seu amigo”.
Noutro, no dia 26 de novembro de 2002, ele escreve: “Irmão em poesia e afeto, aceite o meu abraço, devoto e admirado”.
E continuamos amigos até que o tempo nos separou, no dia 3 de julho de 2011.
A seu respeito, na solene noite de posse como membro da Academia Paulista de Letras, Ives Gandra, depois de lembrar que a poesia de Mário foi traduzida para o inglês, francês, italiano, alemão, árabe, tcheco, russo e espanhol, o saudou dizendo que a sua poética simplesmente era "indomável", dona de um espaço muito próprio, “fonte imprevisível de significações, cabendo ao poeta, em sua práxis, revelar seu integral poder de expressão”.
E antes de desejar as boas-vindas ao novo acadêmico, Ives lembrou o que escrevera Gilberto Freyre:
“Seu verbo incisivo é unicamente seu. Não apresenta parentesco com o de nenhum outro poeta. É uma expressão nova em língua portuguesa. Em Mário Chamie, a criatividade se apresenta tão dele – e tão-somente dele – que é como se as palavras, ou relações entre palavras, nascessem com ele, como fossem de todo inventadas”.
Viva Mário!

sábado, 1 de setembro de 2012

SETEMBRO DOS FESTIVAIS DE MPB

A música brasileira de ontem continua viva, tanto que foi não foi a Globo abre o seu acervo de preciosidades e de lá nos trai pérolas como as que foram imortalizadas nos festivais de música dos anos 1960.
O programa Som Brasil levado ao ar no começo da madrugada de hoje abordou o tema.
Arrastão, A Banda, Lapinha, Universo no Teu Corpo, Disparada e Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, entre outras, foram reinterpretadas por nomes jovens, como Maria Gadú.
Mas já não há mais festivais como os daquele tempo e, óbvio, nem grandes intérpretes, como Taiguara.
Na verdade, tudo aquilo foi uma fase; uma fase de riqueza musical agora guardada na lembrança como a Era dos Festivais.
Caetano e Chico continuam por aí.
Vandré está recolhido na região serrana do Rio, como estrangeiro no seu próprio país.
O amigo multimídia Darlan Ferreira ligou pra ele informando do que sucedia naquele horário tardio, mas ele não deu bola dizendo que o aparelho de TV estava desligado e assim iria continuar, pois ele tinha mais o que fazer: dormir, por exemplo.
Era no mês de setembro que os grandes festivais de música se iniciavam.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O BRASIL MUSICAL TEM FUTURO, COM IZAÍAS

O Brasil musical tem futuro.
Um país tão melodioso como o nosso não pode perder tempo com as bobagens apresentadas nas emissoras de rádio e televisão.
Grosso modo, o que se ouve e o que se ver no rádio e na TV é vergonhoso.
Por que isso, hein?
Um país que deu Callado, Pixinguinha, Donga, Capiba, João da Bahiana, Chiquinha Gonzaga, Benedito Lacerda, Anacleto Medeiros, Luiz Americano, Laurindo Almeida, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Garoto, Canhoto, Dino 7 Cordas, Carlos Poyares, Altamiro Carrilho, Antenógenes Silva, Manezinho Araújo, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Carlos Gomes, Alberto Nepomuceno, Villa-Lobos e centenas de outros gênios não pode perder tempo com as bobagens que as emissoras de rádio e televisão tenta nos impor.
Contam-se nos dedos os bons programas culturais que dão gosto ouvir ou ver.
Em São Paulo, o da Inezita.
Na Bahia, o do Perfilino Neto.
Em Pernambuco, o do Ivan Ferraz.
E mais um e mais outro aqui e ali.
Nem os bons discos de autor brasileiro, ou intérpretes, dificilmente se acham nas boas lojas do ramo; aliás, nem essas lojas existem mais.
Quando achamos um ou outro bom disco, achamos nas livrarias.
Uma contradição?
Pois é, nas livrarias compramos discos e filmes...
Mas agora recebo uma boa nova: o disco dos sonhos de Izaías (e Seus Chorões) acaba de ser gravado com a participação do excepcional quinteto de cordas Quintal Brasileiro.
Intitula-se Radamés Gnatalli - Valsas e Retratos.
O jornalista Matias José Ribeiro, da área de divulgação do selo Sesc, por onde está saindo o CD, informa: “O ponto alto do disco é a célebre Suíte Retratos, uma obra dedicada a Jacob do Bandolim que foi lançada originalmente há quase 50 anos”.
Já ouvi algumas músicas do disco e o recomendo.
É uma verdadeira pérola o que nos dão Izaías e Seus Chorões & Quintal Brasileiro.
O lançamento oficial de Radamés Gnatalli - Valsas e Retratos será no próximo dia 9, na unidade Sesc da Vila Mariana, a partir das 18 horas.
Vamos?
Clique:

UMA HISTORINHA:
Num ano qualquer dos 80, eu trabalhava como repórter da Folha. E um dia fui entrevistar o maestro e arranjador Radamés Gnatalli para o suplemento Folhetim, momentos depois de uma passagem de som no teatro do Centro Cultural São Paulo. Liguei o gravador e a nossa conversa se iniciou. Ele respondeu a tudo que lhe perguntei. Até sobre o historiador José Ramos Tinhorão. Nesse ponto, a resposta foi ácida. Voltei à redação para transcrever a entrevista. Foi quando constatei que o gravador não gravou nada. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

AUDIÇÃO DE CHORO NO SESC MARIANA

Neste momento está havendo uma audição do CD Radamés Gnattali – Valsas e Retratos no Sesc Vila Mariana, com a presença de Izaias e Seus Chorões e Quintal Brasileiro e convidados. O lançamento oficial do disco será domingo 9, às 18 horas, nessa mesma unidade do Sesc. Portanto, agendem-se!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

VOU RIFAR MEU CORAÇÃO

Fui ontem ver o documentário Vou Rifar Meu Coração, de Ana Rieper.
Interessante, feito na maior simplicidade do mundo.
Produção barata, mas de resultado positivo desenvolvido em 78 minutos.
Tudo no tamanho e enquadramento corretos.
Lá estavam a desfilar na telona o interior do Brasil e artistas que conheci de perto e entrevistei a partir dos anos 1970, como Amado Batista e Odair José e tantos, como Waldick Soriano (aí na foto).
Não mudaram nada, isto é, eles são o que são sempre: intérpretes das dores provocadas pelos arrobos dos desencontros amorosos que atingem a todos, desde pobres, pobres a ricos, ricos encastelados, como bem disse Odair, esse um craque do gênero musical brega fora do comum.
Inteligentíssimo.
O filme de Ana é um pequeno tratado de sociologia – e psicologia – calcado na vida mundana de todos nós.
Vale a pena vê-lo.

À BEIRA DO CAMINHO
Ontem também assisti o dramalhão À Beira do Caminho, do aplaudido autor de Os Dois Filhos de Francisco, Breno Silveira, com trilha musical básica do chamado eterno rei da juventude, Roberto Carlos. Esse é um filme que encarna a culpa às últimas consequências num personagem que perde a mulher grávida num acidente de automóvel. A breguice o ronda, do começo ao fim dos seus 102 minutos. Aguardemos a nova produção de Breno: Gonzaga – de Pai pra Filho, nos cinemas a partir de outubro.

OSWALDINHO DO ACORDEON
O meu querido amigo e parceiro Oswaldinho do Acordeon está, neste momento, em voo de volta da Itália para o Brasil; São Paulo, mais precisamente. No próximo dia 31 ele se apresenta no Memorial da América Latina, ao lado de Perla. Eu vou, você vai?

AUDÁLIO DANTAS
O alagoano de Tanque D´Arca Audálio Dantas receberá daqui a pouco, às 19 horas, o Prêmio de Jornalista do Ano Anatec 2012, agora na sua VIII edição. Outros três profissionais de comunicação serão premiados na solenidade que acontecerá na sede da Fecomércio, à Rua Dr.Plínio Barreto, 285, Bela Vista: Caio Barsotti, como Personalidade do Ano (CENP); Antônio Teledano, Profissional de Mídia (Pátria Publicidade) e Roberto Duailibi, Agência do Ano (DPZ). Fica o registro.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

CULTURA CAIÇARA VIVA, EM GUARAÚ

Achei bonito o Festival Caiçara de Peruíbe, realizada anteontem e ontem na quadra esportiva de Guaraú, região do polo ecológico da Juréia.
O festival consumou nesse último fim de semana a sua terceira edição.
No sábado teve a presença no palco da cantora e compositora paulistana Kátia Teixeira, acompanhada de violeiros craques.
Ontem a festança espontânea do povo da região varou a meia-noite, com pessoas de todas as idades dançando fandango.
Houve exposição de peças da cultura popular da região.
Tudo terminou com o Grupo Manema de Peruíbe.
Fica o registro.

GONZAGÃO NO ANHANGABAÚ
Também foi bonita a festa em homenagem ao Rei do Baião, no Vale do Anhangabau. Paulino Rosa do Canto da Ema esteve perfeito, como mestre de cerimônia. Elba e Dominguinhos arrasaram. A cantora e compositora Socorro Lira deu uma canja arrasora. Os cordelistas adoraram tudo.
Viva Gonzaga!

sábado, 25 de agosto de 2012

ENCONTRO COM JÂNIO

Naquela incompreensível manhã de agosto eu era um tampinha de 11 anos, mas já achava que algo de bom não estava ocorrendo no País naquele momento.
As suspeitas vinham do comportamento agitado dos adultos e dos aparelhos de rádio de onde brotavam notícias da renúncia do presidente da República, Jânio Quadros.
Ele se cansara do cargo que assumira sete meses antes e pedira o boné, embarcando para São Paulo e deixando o caos como rastro.
Pior do que aquilo, só mesmo o tiro que Vargas enfiou no próprio peito sete anos antes.
Pensando bem, o que Jânio fez foi também um suicídio.
Um suicídio que pode ser também interpretado como assassinato no toitiço da Nação.
Muitos anos se passaram até que um dia, na chefia da Reportagem Política do Estadão, eu fiz o que muitos colegas fizeram: entrevistei Jânio bem cedinho no seu gabinete de prefeito de São Paulo.
Ele me atendeu bem, educadamente e soltou uma daquelas risadas histriônicas quando lhe perguntei as razões da sua renúncia.
Ele me enrolou e não disse nada revelar a respeito.
E aí entrei na sua, dizendo que ele era um grande ator.
Ele soltou outra risada, me enrolou mais um pouco e pronto.
Mas como eu disse, ele me recebeu muito bem.
E falou de muita coisa (clique sobre a imagem).
Criticou o sistema parlamentarista no Brasil e os trabalhos dos constituintes.
Disse que nas eleições seguintes não iria apoiar ninguém.
Disse também que estava cansado de tudo, até de si próprio.
E disse que não via a hora de findar seu mandato de prefeito e viver seus últimos dias num sítio, lendo e pintando quadros.
Sentia-se desgastado, tanto que um dia ele multou o seu próprio carro.
Jânio era uma esfinge.
Neste 2012 faz 20 anos que ele morreu.

LUIZ GONZAGA
No dia 21 de janeiro de 1961, Luiz Gonzaga entrou num dos estúdios da extinta RCA Victor, no Rio, e gravou a marcha Alvorada de Paz, dele e de Lourival Faissal. A música, feita em homenagem a Jânio Quadros, foi lançada março. Um pedaço da letra:

Jânio Quadros
Tu és um soldado
Sentinela da democracia
O Brasil foi por ti libertado
Reação nacional, valentia...

FESTA PARA O REI DO BAIÃO
Logo mais ao meio dia no Vale do Anhangabaú começa festa em louvor a Luiz Gonzaga, que neste 2012 faria 100 anos. Estarão presentes nordestinos importnates, como Anastácia, coautora de Eu só Quero um Xodó, com Dominguinhos, que também comparecerá ao evento, junto com Elba. Cacá Lopes e Marco Haurélio, entre outros cordelistas, também estarão presentes. O cantor Costa Senna fará declamações. E eu vou aplaudir a todos.

MOREIR DE ACOPIARA
O cearense Moreira de Acopiara lança agora ao meio-dia mais um livro de sua autoria, na Livraria Cortez, ali na Rua Bartira, 317, Perdizes. O livro foi intitulado de O Que é Cultura Popular.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

OS MALES DE AGOSTO. TUDO CULPA DA RITA!

Desde os 400 do século 5º, só zebras ao longo da história nos dias como o de hoje.
Alarico I invade Roma, depois ser recusado no exército romano.
Malaca, na Malásia, é destruida pelas forças do militar-governador da Índia portuguesa, Afonso de Albuquerque.
Protestantes franceses são massacrados por reis católicos, num episódio que entrou para a história como o Massacre da Noite de São Bartolomeu, em 1572.
No Brasil, em 1954, o presidente Vargas dá um tiro na cabeça e pronto.
E hoje, em São Paulo, o goleiro campeão da Copa 70, Félix, foi derrotado por um câncer no Hospital Vitória.
Coisas da vida; é ou não é?

JORNAL DA CULTURA
De longe, o Jornal da Cultura vem se firmando como o melhor informativo da televisão brasileira.
É um jornal apurado, feito com responsabilidade e categoria.
A edição anteontem 22 foi perfeita.
Os principais assuntos do dia, como as greves remuneradas que assolam o País, o julgamento dos envolvidos no Mensalão, o clima de deserto que está vivendo a população de São Paulo, Dilma como uma das mais poderosas mulheres do mundo, segundo a Forbes; foram colocados e discutidos por profissionais de alto gabarito, como Miguel Reale Jr. e o professor da USP Eugênio Bucci.
Entre os temas citados, a edição levou ainda ao ar proposta de uma comissão de juristas para acabar com o sofrimento dos usuários de droga no País, sem prejuízo ao combate ao tráfico e a traficantes.
Assunto delicadíssimo.
Discordo da proposta.

AVENIDA BRASIL
Atenção, importantíssimo para a vida brasileira e dos brasileiros: foi neste 24 de agosto que a vida de Carminha começou a dar revertério. Ela tem 48 horas para deixar a casa do ex-jogador de bola Tufão. Tudo culpa da Rita!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

INCURSÕES PELO CENTRO HISTÓRICO

Ontem no finalzinho da tarde, após nossa fala no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo para uma seleta e atenta plateia, eu e os amigos João Tomás e Mário Albanese, maestro e instrumentista criador do ritmo Jequibau junto com Ciro Pereira, que já está no céu, passeamos descompromissadamente pelo centro histórico de Sampa, observando os belos e imponentes edifícios construídos nos fins dos séculos 19 e 20, pérolas que nem sempre a nossa pressa do dia a dia nos deixa ver.
Os meus olhos agradeceram.
E lá apontando para o céu de vento parado no ar a igreja da Sé vimos os prédios da Bovespa, o Martinelli, o Municipal; mas adiante o solar da Marquesa, o pátio do Colégio.
Quanta coisa bonita!
Mas no complexo da Faculdade de Direito do largo de São Francisco, a nossa sensibilidade captou um amontoado de pessoas ao relento, dependentes das pedrinhas malditas que vieram para contrastar com o natural da vida.
Atento aos detalhes, o craque Darlan Ferreira fez cliques espontâneos para a posteridade, como esse aí que ilustra este texto.
Dê um toque no mauser sobre a foto e veja a lua que lá em cima nos brinda com sua cara Nova.
Fica o registro.  

FLÁVIO TINÉ
Incursões como essa, o bom pernambucano Flávio Tiné também costuma fazer. Aliás, vocês acompanham os textos maravilhosos do Tiné?
O endereço do blog dele é este: Blog do Tiné 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

FOLCLORE, INSTITUTO GEOGRÁFICO E BOM SOM

Deve-se o 22 de agosto como o Dia Internacional do Folclore a um cidadão de nome Ambrose Merton (1803-85) e pseudônimo William John Thoms, que, diz a lenda, encaminhou uma carta à revista londrina The Atheneum sugerindo que se desse alguma atenção à cultura popular.
Na carta, ele resumia tudo na expressão de origem anglo-saxão folk lore, povo e saber, respectivamente, ou folclore no entendimento comum.
A carta de Thoms foi publicada no dia 22 de agosto de 1846.
No Brasil, o maranhense Celso Magalhães (1849-79) e o sergipano Sílvio Romero (1851-1914) foram os primeiros seguidores de Thoms.
Os dois brasileiros do Nordeste passaram boa parte da vida estudando o comportamento, dança, canto, ditos, benditos e tudo o mais vindo da fonte folclore, expressão que, diga-se de passagem, o rio-grandense do norte Luis da Câmara Cascudo (1898-1986) detestava.
Ao lado de Magalhães e Romero, Cascudo foi um dos mais importantes intelectuais do País a estudar as coisas do povo.
Coisas, diga-se, que sempre estiveram bem à frente do nariz de todos e, como se invisíveis, ninguém as via.

PROGRAMAÇÃO
Cadê a programação educativa em torno do folclore em São Paulo, hein?

CONFERÊNCIA
O maestro e instrumentista paulistano Mário Albanese, um dos criadores do ritmo Jequibau, gosta do termo conferência. Mas, enfim, o fato é que daqui a pouco, às 15 horas, estarei discorrendo sobre o tema no salão nobre do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, à rua Benjamin Constant, 158, Centro da cidade. A entrada é franca, você vai?

DISCO
Enquanto batuco estas linhas, escuto no aparelho de som o cantor e compositor pernambucano de Petrolina Alcy Carvalho. Ele é excelente. Entre canções e xotes, bumbas e outros ritmos brasileiros, Aldy surpreende e encanta com sua voz bem aprumada e diferenciada de tantas quantas se ouve por aí. Aldy é um artista feito, pronto para cair na boca do povo. Não à toa, o seu novo CD, acho que o segundo de sua carreira, se chama Alforje. São nos alforjes da vida que se guardam sons e memórias. Guardam-se sons e memórias, que voltam depois ao mundo. Parabéns, Aldy!

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