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sábado, 11 de fevereiro de 2017

A MARCA TINHORÃO


Aristófanes e Aristóteles
Convidaram Sócrates e Platão 
Para irem a um forró

Dançar xote, xaxado e baião

Quando lá eles chegaram
Encontraram Simone de Beauvoir
Toda arrumadinha
E já pronta p dançar

O cantor era Bethoven
O sanfoneiro, Debussy
Na zabumba o bamba Bach
e Jackson, no pandeiro

Zé Limeira e Shopenhauer
Num canto filosofavam
Enquanto Marx e Tinhorão
Uma cabrocha disputavam

A festa foi animada
Com eruditos no salão
Cantando, se divertindo
Ao som de Luar do Sertão

(FORRÓ ERUDITO, Assis Ângelo)


A obra do historiador José Ramos Tinhorão é toda desenvolvida pela ótica marxista-leninista. Talvez por isso ele tenha, ao correr do tempo, levado tanta bordoada. Essas bordoadas têm sido desferidas tanto pela esquerda quanto pela direita. Muitos o chamam de radical. Por que hein?
Tinhorão ingressou no jornalismo em 1951, e por muito tempo assinou uma coluna no extinto Diário Carioca, do Rio de Janeiro. Nessa coluna ele assentou alicerce para sua bibliografia que se iniciaria, de modo independente, em 1966.

Suas pesquisas em torno da história musical do Brasil alumiaram a escuridão até então reinante na nossa música. 
Não será exagero dizer que Tinhorão é uma espécie de farol da cultura brasileira.
Tinhorão não é do tipo "bateu, levou". 
Nomes famosos como Tom Jobim, Caetano, Chico, nunca mediram palavras para condená-lo, pelo fato de ele dizer o que lhe vinha à mente. O nome de Tinhorão pode ser ouvido numa música famosa: Querelas do Brasil, com Elis...
Da Bossa Nova, por exemplo, ele disse ser o ritmo da goteira, e que as músicas de festival tiveram por base a Bossa Nova. Sobre o Tropicalismo, Tinhorão disse uma vez que foi uma invenção de malandros.
Rock nacional? Sua resposta: "há samba japonês?"
Outros nomes famosos vêm em Tinhorão e nos seus livros a defesa e o reconhecimento de um Brasil de grande valor cultural.
Rolando Boldrim, Vital Farias, Oswaldinho da |Cuíca, Oliveira de Panelas e tantos e tantos sempre aplaudiram o historiador, pela originalidade e clareza nos escritos. Sobre ele, escreve o cantador de Panelas:



O GENIAL TINHORÃO



Tinhorão é formado, fez Direito,

Jornalismo, tal qual Filosofia;

Neste aval a real Sabedoria

Vem trajada nos halos do respeito.

Pelo bem que este homem já tem feito

Que o Brasil lhe agradeça e dê-lhe a mão.

Faço unânime e sincera afirmação:

Este reino da Música Brasileira

Não teria a história verdadeira

Sem o grande Zé Ramos Tinhorão!



Tinhorão é jazida de cultura,

Tem seus discos, - acervo, - uns sete mil!

Nas imprensas -vitrines do Brasil-

É um nome lendário que fulgura.

Vê na letra, a razão da partitura:

Sustenidos, bequadros, vê bemóis...

Onde quer que exponha sua voz

Deixa raios de sua inteligência,

Tinhorão será sempre a referência

Do respeito maior de todos nós.                                                        
                                                    OLIVEIRA DE PANELAS




José Ramos Tinhorão nasceu no dia 07 de fevereiro de 1928, em Santos, SP. E para saber mais sobre ele, leia o livro de Elizabeth Lorenzotti.


PARABÉNS

Todo dia é dia de aniversário. Todo dia algum amigo aniversaria. Hoje, por exemplo, o aniversário é do advogado Felipe Garofalo. Felipe parece um ser comum, à primeira vista. Mas não é. Ele é de uma sensibilidade e inteligência incríveis. Parabéns Felipe. Tim Tim!

É CARNAVAL!
  


O carnaval paulistano começa a pegar fogo. Começou a rolar agora, o som de dois blocos já tradicionais do Rio de Janeiro: Banda La Fumega e Sargento Pimenta. O som tá rolando logo ali na Praça do Memorial da América Latina.



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

SOBRAL PINTO, ESCOLA E CIDADANIA.

Se corretos os dados do MEC há cerca de 50 milhões de estudantes em 200.000 escolas de todos os tipos, de lata e pau a pique, inclusive. Mesmo assim, se verdadeiros os dados, uns dez ou doze milhões de brasileiros continuam analfabetos da silva. Isto é, sem saberem distinguir um ó de uma roda de caminhão.
Triste essa realidade, não é mesmo?
As realidades em nosso País são todas absolutamente terríveis. Retrato disso são as cadeias etc.
soldados do nosso brioso Exército continuam chegando às ruas do mimoso Estado do Espírito Santo, ES. Enquanto isso, o Brasil continua sem ministro na pasta da Justiça.
Em 1955, setores do Exército, se movimentavam na caserna, com o fito de impedir a candidatura do mineiro Juscelino Kubitschek de Oliveira à presidência da República.
Um ano antes, o ditador gaúcho, Getúlio Vargas, havia se matado com um tiro no peito.
Sempre atento às injustiças, o jurista e advogado de presos políticos Heráclito Fontoura Sobral Pinto, em movimento rápido criou a Liga em Defesa da Legalidade. Com isso, Juscelino conseguiu chegar à presidência da República. Empossado, JK convidou Sobral a assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, STF.
Chamado carinhosamente pelos brasileiros lúcidos, Sobral Pinto, educadamente declinou do honroso convite.
Lembrei desse caso ao ouvir no rádio a notícia de que o paulista Alexandre Moraes anda adoidado, exibindo seu currículo aos senadores que o vão sabatinar, com vistas a ocupar a cadeira do recém falecido Teori Zavascky.
Que tempos, hein?
O rádio também diz que o novo candidato à cadeira no STF é um plagiário.
Quem será o novo ministro da Justiça?
Ontem, os aplicados senadores aprovaram projeto de reforma do Ensino Médio, com isso garantiu-se no currículo escolar as disciplinas Português, Matemática, Inglês, Artes, Educação Física, Filosofia e Sociologia. Menos mal, não é? Mas faltou História.
Um povo que não conhece a sua história, a história do seu País, é um povo manco.
Para ilustrar arrisco-me neste poeminha:

Diógenes foi um craque
Do escracho e do Saber
Viveu antes de Cristo
Tentando só entender
Por que se rouba tanto
E se rouba até morrer

Procurar um ser honesto
Em plena luz do dia
Com uma lanterna acesa
Como Diógenes fazia
É coisa para quem sabe
O que é cidadania

Cidadania se faz
É com Democracia
Muita força de vontade
E muita teimosia
Sem essas três "coisinhas"
Não se faz Cidadania


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