Seguir o blog

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A SECA MATA SEM O GOVERNO VER...


O Jequitinhonha, em Minas, e todo o semiárido nordestino estão ardendo, queimando o solo, como há muito tempo ocorre, sem que as autoridades do momento tomem as providências necessárias em favor dos flagelados. A coisa está feia e isso, não sei por quê, não aparece nos jornais e revistas e no noticiário do horário nobre. Esquisito, não é? É tudo muito esquisito neste nosso País secularmente tão judiado...
Eu disse e repito: a seca no Brasil se acha como tema em tudo quanto é manifestação artística.
A crônica poética do cordelista paraibano, Leandro Gomes de Barros (1865-1918), registra momentos de grande efervescência social, especialmente no Nordeste.
Da antena aguda e sensível de Leandro não escaparam a fome, a seca, a carestia, a política. De tudo, ou de quase tudo, ele falou.
A seca de 1877 foi de lascar, muita gente sabe disso. As secas subsequentes também.
Leandro Gomes de Barros deixou para a história o seu relato sobre o miserê provocado pela ardência do Sol de 1915, que fez mortos gentes e bichos (acima a menina Francieli lê o texto...)
A seca no Ceará, de Leandro Gomes de Barros é uma obra-prima. Em 1930, a escritora cearense Raquel de Queiroz publicou o seu primeiro livro, a obra-prima O Quinze. Antes dela, em 1928, o paraibano José Américo de Almeida lançou A Bagaceira, marco do romance regionalista brasileiro. Dez anos depois foi a vez de o alagoano Graciliano Ramos tornar pública, em livro, a sua visão sobre o flagelo da seca. Isso está em Vidas Secas.
Raquel tinha 20 anos quando lançou O Quinze.
Os personagens que se movimentam nesses três livros se fundem por identificação.
Valentim é pai de Soledade, uma linda jovem desejada por um dono de engenho e seu filho. A história com sangue, suor e tristeza, tem por foco um triângulo amoroso. Falo de A Bagaceira.
O livro de Raquel traz, digamos assim, uma história central e outra paralela.
Em O Quinze, o leitor sofre e vibra com Vicente e Conceição; e com Chico Bento e seus cinco filhos, que rompem estrada comendo poeira em busca por dias melhores. No meio do caminho, um dos meninos se perde e outro morre depois de comer mandioca crua. Mandioca, ao contrário de macaxeira, mata.
Em Vidas Secas, o sofrimento provocado pelo rigor do sol é transmitido ao leitor através de Fabiano, sua mulher Sinhá Vitória, seus dois filhos sem nome ou sobrenome, a cachorra Baleia e um papagaio, que morre logo no começo da história para amenizar a fome da família de retirantes.
É tudo muito triste.
A ficção é filha da realidade terrível que aflige o povo sem posses no nordeste brasileiro e no Brasil inteiro.
A realidade parece ficção, tudo junto e misturado.
A seca de 1932 levou o poeta popular cearense Patativa do Assaré (Antonio Gonçalves da Silva, 1909-2002) a criar o tocante poema a Morte de Nanã. Poucos anos depois, o mesmo poeta publicou originalmente num folheto o poema Pau de Arara do Norte, que viria a integrar as páginas do seu primeiro livro, Inspiração Nordestina (Borsoy, 1956, RJ), sob o título A Triste Partida. Esse poema ganharia música, uma toada, que Luiz Gonzaga eternizaria na sua voz em 1964.
A Triste Partida é um clássico do cancioneiro nordestino, por muita gente considerado um hino do povo.
Um amigo meu e do chargista Fausto, Roberto Barbosa, acaba de voltar do Nordeste com lágrimas nos olhos. Disse ele não se recordar de ter visto seca tão braba como a que assola o sertão paraibano. "Em Campina Grande já nem há água para tomar banho".


O colaborador deste blog Rômulo Nóbrega confirma as palavras de Barbosa. "Não sei não, o que poderá acontecer até o fim deste mês se não chegar água às torneiras".
Já passa de um mil o número de municípios atingidos pela falta de água do céu.
Em 1985, quando mais uma seca devastava o sertão nordestino, a pedido de Fagner e Chico Buarque, o poeta Patativa compôs o poema Seca d"Água. Esse poema foi musicado por Chico e Fagner e gravado por um coral de mais de 150 vozes da música popular brasileira, incluindo Luiz Gonzaga, Chico, Fagner, Simone, Belchior, Elba Ramalho, João do Vale, Gonzaguinha, Fafá de Belém, Gal Costa, Ney Matogrosso...Esse disco, um compacto, foi vendido e o dinheiro disso resultante vertido para os flagelados.


NA SANGRIA O RIO SÃO FRANCISCO GEME




A história é incrível, tanto a real quanto a fantástica.
Os negros de África trouxeram para o Brasil a lenda de Iemanjá, rainha dos mares, oceanos... Segundo a lenda, Iemanjá salgou as águas do mar e do mar se fez dona.
Desde menino, ouvi dizer que no mar tem sereia...
Iemanjá é uma divindade, de acordo com a lenda, nascida no Rio Ogum.
Iara é a rainha, é a dona das águas doces; das águas de todos os rios...
O mundo é fantástico, incluindo o real em que vivemos.
A divindade que habita as profundezas do rio São Francisco atende pelo nome de Irati.
Irati, segundo a imaginação geral dos ribeirinhos do São Francisco era uma índia; uma índia apaixonadíssima por seu índio que um dia, de arco e flexa, saiu da oca para enfrentar o inimigo branco, invasor...
O Rio São Francisco nasce na Serra da Canastra, em Minas.
O Rio São Francisco é comprido e largo, muito largo, e na origem com águas da quantidade de um mar.
O Rio São Francisco corta a Bahia, faz fronteira com Pernambuco e põe limites em Sergipe e Alagoas. Tem mais de 2.800.000 quilômetros. Bondoso, receptivo, atende diretamente a mais de doze milhões de pessoas.
O Rio São Francisco foi descoberto em 1501, pelo navegador aristocrata Américo Vespúcio.
O Rio São Francisco está sofrendo, há muito tempo. A razão do seu sofrimento somos nós, chamados de humanos.
Desde o começo do ano de 1990 que ele, o rio, está sendo demasiadamente violentado pelo homens que o querem minguado, dividido, judiado... Tudo isso em nome do povo, dos Estados de Pernambuco, Paraíba...
A primeira grande seca de que se tem notícia ocorrida no Brasil data do começo do século XVIII.
Entre os anos de 1876 e 79, a seca no Nordeste fez pedra chorar, de tão grande. Num momento qualquer desse período, um agente do governo cearense procurou o imperador Dom Pedro II para lhe propor a transposição das águas do Velho Chico. O imperador, depois de ir pessoalmente ao Ceará e constatar com os próprios olhos a desgraça, disse que isso não era possível. Detalhe: por esse mesmo tempo, Dom Pedro jurara que venderia até a última pérola da Coroa para que a situação dos flagelados fosse minimizada...
Depois da seca de 1877, veio a de 1915.
A seca de 1915 também matou muita gente e muito bicho no Nordeste; de novo no Ceará. Dessa vez, lá, foram construídos até campos de concentração.
E se olharmos com olhos de quem vê, veremos que nada mudou no Brasil; no tocante, especialmente, à seca.
Os problemas do nosso País são os mesmos do passado agigantados no presente.
Deus do Céu, como erramos na escolha dos nossos governantes!
O Rio São Francisco é conhecido desde séculos como o Velho Chico.
Como o Velho Chico, o rio tem despertado a atenção de todo mundo.
E no seu silêncio, a tragédia se consome.
Mais de 15 bilhões de reais já foram desviados em seu nome. E outro dia ouvi a notícia de que serão necessários mais pelo menos 10 bilhões para que ele seja sangrado para  Pernambuco, Paraíba...
O Velho Chico virou tema de livro, de estudos. O seu nome é cantado em verso e prosa, por repentistas e poetas de bancada. Já virou nome de filme e telenovela.
O Velho Chico está sofrendo (eu constatei estando lá, acima).
Eu gostaria de saber a opinião de Guimarães Rosa sobre a violência, mais uma, que está se praticando contra esse fabuloso rio, um dos maiores do mundo.
Já que isso não é possível, na minha imaginação eu perguntaria a Diadorim... Melhor, imagino o valente Diadorim convidando Riobaldo a, com ele, atravessar o São Francisco numa canoa antes de o São Francisco se acabar.
Ah! Rômulo Nóbrega acaba de me mandar as fotos que ilustram esse texto. São fotos feitas no município pernambucano de Sertânia, terra do meua migo cordelista, radialista, Luiz Wilson. O governo promete às vítimas da seca as águas do rio São Francisco ainda para este mês. Veja as fotos. Vc acredita?
Ouça, agora, meus amigos Valdir Teles e Sebastião da Silva cantando a modo próprio...




sábado, 4 de fevereiro de 2017

CACHAÇA E SECA MATAM


O Brasil não é somente o maior produtor de cana de açúcar.  É o maior produtor de cana de açúcar do mundo, seguido da China.
O Brasil é o maior produtor e consumidor de cachaça do mundo.
Dentre os derivados da cana produzidos pelo Brasil, acha-se o Etanol.
O Brasil é o segundo maior produtor e exportador de Etanol do mundo, atrás apenas dos EUA.
Pernambuco já foi o Estado que mais produziu cana de açúcar no País. A seca, porém, o levou a ocupar o 7º lugar no ranking nacional de produtores de cana de açúcar do País. Agora, em 1º lugar, acha-se o Estado de São Paulo.
Dentre os cinquenta municípios brasileiros que mais cultivam a cana de açúcar, 34 integram o mapa paulista.
Somente Pernambuco e Alagoas, esse último o mais violento Estado do país, fazem parte do ranking nacional dos sete maiores produtores de açúcar e derivados.
Minas Gerais é o 2º maior Estado produtor de cana de açúcar e lá se acha a cidade que mais produz cachaça no mundo: Salinas.
São nove os Estados nordestinos. Juntados, esses Estados ocupam uma área superior a 1,5 milhões de Km². Nesse espaço vivem mais de 40% da população brasileira.
A população do Agreste e do Sertão nordestinos não vê água de chuva há mais de cinco anos seguidos. É um horror dos infernos! Até a Zona da Mata pernambucana está sofrendo com a seca que tem matado muito bicho, incluindo gado.
Rômulo Nóbrega, um dos colaboradores do Nordeste para este Blog, informa que Sertânia, PE, está numa peinha de nada, numa penúria que dá pena. Em Campina Grande, PB, o racionamento já dura quase um ano. No Rio Grande do Norte, lá no interiorzão está tudo lascado. Em Terezina, PI, tem chovido umas coisinhas, informa Wilson Seraine. Também no interiorzão da Bahia, informa o cordelista Marco Aurélio: " Em Senhor do Bonfim, os olhos da gente marejam de tanto sol e calor, de tanta quentura. A tristeza é enorme. Falta tudo..."
Já passa de hum mil o número de municípios nordestinos em estado de emergência e calamidade pública.
Dos 181 municípios pernambucanos, 151 se acham na miséria provocada pela falta d'água dos céus.
No Ceará , a situação não é diferente. Também em Sergipe e Maranhão.
Os profetas da seca cearenses estão em constante vigília, rezando e clamando a São Pedro que mande chuva, pelo amor de Deus.
O Rio São Francisco de novo começa a gemer, pedindo água.
As frutas não estão vingando, a plantação de macaxeira está perdida... Viva, mesmo, só a esperança do povo que não morre...
Também terrível nessa história toda é o descaso do Poder Público.
A cachaça faz bem e faz mal.
Nos meus tempos de repórter conheci um delegado que dizia: "cobertor de pobre, é cachaça".
A cachaça está em todo canto, na literatura, no cinema, na música (abaixo um clássico do genero, com Vicente Celestino).
São milhares e milhares os rótulos de cachaça encontráveis Brasil afora. Muitos deles já extinto, como Meneguetti, de Reginópolis, SP.
Em Belo Horizonte, BH, eu tenho um amigo, o jornalista Carlos Felipe, que coleciona não só rótulos de cachaça, mas também a garrafa, lacrada, naturalmente. No depósito da sua casa há mais de 6.000 tipos diferentes da branquinha
Vamos lá meu amigo, minha amiga, o que acham desta frase: "cachaça é como mulher, no começo é bom e depois dá dor de cabeça". Outra: "Dizem que cachaça é o pior inimigo do homem, mas homem que é homem não se acovarda diante do inimigo".



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

HISTÓRIAS DE CACHAÇA E CACHACEIROS


 Foi o português Martim Afonso de Souza, o primeiro cara a trazer de fora nós de cana e plantá-los nas férteis terras brasileiras. Primeiro ali no lugar onde foi fundada a primeira cidade do Brasil, São Vicente, litoral paulista. Depois, em Pernambuco e Bahia.
O cultivo ininterrupto de cana foi, no nosso primeiro momento histórico, a fonte principal de renda. Isso deve-se à iniciativa da Coroa Portuguesa, que rica ficou mais rica.
A cana tem origens fincadas na Ásia.
Por muito tempo, o Brasil exportou derivados da cana para Europa e outras partes do mundo. Isso despertou a cobiça dos holandeses.
Por um breve tempo, os espanhóis deram ordens a Portugal e à Holanda.
A Holanda livrou-se da Espanha, conquistando a independência em 1581.
E aí o pau cantou.
Os holandeses invadiram o Brasil, primeiro por Pernambuco, em 1630. Índios e portugueses os puseram para correr...
A história é comprida e boa.
Depois da farra da cana veio a farra do ouro, iniciada no século XVIII em Vila Rica, MG. Foi lá que Tiradentes perdeu a cabeça.
A cana dá muita coisa: açúcar refinado, rapadura, mel, puxa puxa, balaio, bolsa, cachaça e muito tombo, hic!
Anualmente o Brasil exporta cerca de três bilhões de litros de cachaça. Cada litro é comprado por um dólar e vendido lá fora por 20, 30 dólares.
Cerca de 75% da produção alcoólica é industrializada e o restante é produzido de modo artesanal.

A cachaça é conhecida por mais de 150 nomes: aguardente, cana, caninha, branca, branquinha, jurema, moça branca, a mardita, bicha louca, birita, amarelinha,  jiribita, pinga... Aliás, o Vandré me apresentou uma quadrinha muito da bonitinha, feita por não se sabe quem, que diz:

Jiribita, jiribita
Tu me puxas, eu te puxo
Tu bates comigo no chão
Eu bato contigo no bucho

Zé Limeira, o poeta do absurdo, também deu suas cipoadas prá falar de cachaça:

Água de cana é cachaça
Concha pequena é cuié
Língua de véia é desgraça
Bicho danado é muié.

Cachaça e cachaceiro estão em tudo que é lugar, do Oiapoque ao Chuí.
São poucas as pessoas, homens ou mulheres, que não molhem o bico com a branquinha. Uns e outras molham o bico abertamente, mas há quem beba ou molhe o bico escondido.
Abertamente eu e o misto de cantor e humorista Mussum tomamos algumas, prá falar melhor da vida. Fizemos o mesmo com Martinho da Vila que sempre preferiu uma boa moça bonita a um escocês metido à besta. Com Chico Buarque, tomamos Whisky. Com o rei do bolero, Roberto Luna, não tomamos todas porque algumas tinham que ficar pro outro dia. Branquinha. Com o cabra bom Vital Farias e o bode Elomar, nada substituiu a jurema. 
Uma vez Luiz Gonzaga tomou um porre e armou-se de uma faca peixeira e foi tomar satisfação com o pai da garota que ele amava. Ele tinha uns dezessete anos de idade e por causa disso levou uma surra dos pais que jamais esqueceu. E fugiu de casa para virar o grande artista que virou. Que bela surra! Que bons pais teve Gonzaga! Essa história aparece no filme Gonzaga De Pai para Filho e na entrevista que ele me deu e publiquei no extinto suplemento dominical Folhetim, do jornal Folha de S.Paulo. O tempo passou e ele rompeu a jura. O culpado fui eu.
Pois é,  a cachaça provoca muitas histórias, umas boas e outras nem tanto.
Um músico amigo meu pegou pela primeira vez um vôo do Rio para São Paulo, num porre daqueles, e a certa altura passou a exigir que se abrissem as portas para ele descer. 
O artista não foi obedecido.
A cachaça está na literatura e em todas as artes.
Na música tem muita coisa legal.
A paulistana Inezita Barroso gravou uma pérola, garfada do folclore:

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

VIVA MARIO SÉRGIO CORTELLA!

Minha cachacinha é minha companheira.
A sina de cada um de nós, nós a construímos.
O mundo, é sina.
Ouvir o brasileiro Mario Sérgio Cortella é ouvir um pouco dos mundos, de todos os mundos.
O filósofo Cortella traduz com naturalidade o porvir.
Eu o conheci num evento promovido pela Livraria e Editora Cortez na Pontifícia Universidade Católica, PUC. Lembro, aproximei-me dele e me apresentei. Ele rasgou o sorriso dizendo, para minha surpresa, que já sabia das besteiras que até então eu tinha feito.
Dias depois, recebi dele um monte de livros, de sua autoria. E aí, outros dias depois, minha menina mais nova Clarissa atirou os olhos na minha estante e localizou parte da obra do Cortella. Fez isso com a alegria mais bonita, mais solta; com a alegria que faz os olhos brilharem de modo, sei lá....
Mario Sérgio Cortella transmite nos seu falar a grandeza da vida, com a simplicidade da vida. Quando ele fala dos autores, dos filósofos gregos, fala com a naturalidade de quem bebe água e fala do carinho da mãe.
Eu acho que Aristóteles falava, no seu tempo, com a mesma naturalidade que Mario Sérgio Cortella fala neste tempo em que vivemos.
A vida, o mundo tem salvação. Ah! Há quem diga que eu falo muito quando estou diante de platéia superior a cinco mil pessoas, o Cortella... maravilhoso! Ele aniversaria no mesmo dia do aniversário do poeta Patativa do Assaré, 05 de março.
Os primeiros pés de cana plantados no Brasil datam de 1530.






IEMANJÁ, RAINHA DOS MARES


Iemanjá é a rainha de todos os rios, mares e oceanos, diz a lenda. É divindade africana, cultuada no Brasil, Uruguai e Cuba. Suas origens são, a rigor, desconhecidas, como todas as origens de divindades. Aqui e acolá, encontram-se notícias de que nasceu no Rio Ogum, em África.
Hoje é dia de Iemanjá.
O dia 08 de dezembro é, também, dia de Iemanjá, na Paraíba, em Pernambuco...
Faz-se grande festa em seu louvor em Salvador, BA.
Em 1580, já havia muitos negros no Brasil, desembarcados na capital baiana. Houve mais duas grandes levas de negros trazidos ao Brasil:  de Angola, Moçambique. Da última leva vieram nagôs yorubás, ali pelos fins do século XVIII.
São milhares e milhares de santos criados pela Igreja Católica. O primeiro foi o mártir Estevão, escolhido pelo clamor popular.
Nos primeiros séculos depois da crucificação de Cristo, os santos não eram escolhidos da forma como hoje o são. Os papas apenas chancelavam os nomes clamados pelos fiéis. A canonização só veio ali pelo século X.
Houve um tempo em que a Igreja condenava as crenças africanas. Foi aí que alguém, não se sabe quem, teve a brilhante ideia de aliar divindades como Iemanjá a santos e santas da Igreja romana. Assim Iemanjá tem em Nossa Senhora o seu reflexo. E a Igreja aceitou. Hoje, por exemplo é dia de Nossa Senhora dos Navegantes. Nossa Senhora, mãe de Cristo, aparece em vários lugares e situações como "Das Dores", "Da Penha", "Da Aparecida"...
Pela descrição dos seguidores do Candomblé e da Umbanda, Iemanjá é uma belíssima mulher de cabelos longos, negros. Das suas lágrimas surgiram as águas do mar, salgadas. Ela é fraterna, ela é mãe que cuida com carinho e firmeza dos seus filhos. Iemanjá é fortíssima, é a mãe da natureza. Depois que chegou ao Brasil, deixou para Iara o domínio dos rios.
No Brasil, Iemanjá é a protetora dos marinheiros e pescadores. Dorival Caymmi compôs uma obra incrível na qual aparece, com relevância, a rainha dos mares, Iemanjá.


São centenas e centenas de músicas que tratam de Iemanjá. O compositor Paulo César Pinheiro também compôs coisas bonitas enaltecendo Iemanjá. Mas tem um perequequê especial de que não gosto. Esse perequequê deve-se ao fato de ela hipnotizar os bobocas e lavá-los ao fundo do mar. Cliquem abaixo para ouvir a mineira Clara Nunes cantando Morena de Angola...



Os negros que aportaram à força no Brasil, a .partir do século XVI, trouxeram na mente e na alma, as suas crenças, os seus temores, as suas glórias, os seus sonhos derribados pelos poderosos de então. Junto com eles, apanharam dos colonizadores os índios, que passaram aos negros alguns dos seus segredos, no campo da cura obtida pela coleta de determinadas plantas.
Os fracos, quando juntos, ficam fortes...
Os colonizadores não aceitavam, evidentemente, o Candomblé. Como religião decorrente disso, surgiu a Umbanda.
A primeira seção formal reunindo seguidores da Umbanda foi realizada em 1908, no Rio de Janeiro. Zélio Moraes foi o primeiro curandeiro dessa religião. Umbanda tem a ver com cura, curandeiro. Mas essa é outra história.





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

À MORTE A MORTE E VIVA AS GORDINHAS!

Em determinadas situações, a morte é solução. É isso que eu acho.
A morte chega de todas as formas e em todo canto ela pega quem quer. E pega a todos. É uma safada.
Mas, cá com meus botões, fico pensando o que o cabra sente quando a morte lhe escolhe.
O cabra pode estar magro, o cabra pode estar gordo, o cabra pode ser macho, ou gay desparafusado.
A morte é mulher.
A morte é feminina e dela não tem macho que escape.
E nem mulé....

Tem cabra que dura cem anos e até mais, e desde sempre. Podem procurar na história a quantidade de macho e fêmea que partiu com mais de cem anos. Matusalém foi um desses cabras... Aliás, tem um cabra lá das bandas do apocalíptico Trump, cujo nome não é o caso de aqui declinar, até porque não lembro, cientista do ramo da Biologia, que garante vivermos, daqui a pouco, por mais de mil anos. Sei lá, sei lá! Ele esteve ontem 31 palestrando sobre essa sua tese no auditório da Folha, ali na Barão de Limeira, 425...
 Mas eu estava falando de magro, de gordo.... Pois bem, teve um francês de nome Pierre Renoir. Era pintor nascido no dia 25 de fevereiro de 1841. Ele pintava só mulher gorda, feliz, nua e gostosa. Renoir foi o pintor das gordinhas, e como tal entrou para a história. Quem me apresentou a ele foi meu professor de História da Arte, João Câmara Filho... bons tempos!

O estilo de Renoir era impressionista.
Renoir morreu com mais de 70 anos.
Mas eu comecei falando de morte. Fico pensando a dor que deve ser morrer por anorexia. Ou com uma corda no pescoço como ocorreu com Tiradentes.
Morrer por amor é uma bobagem dos infernos, até porque...

É preciso separar
a razão do amor e da paixão
a paixão é coisa louca
é um mar em convulsão
é vulcão pegando fogo
sem nenhuma explicação

O amor, todo mundo diz:
não é nada disso não
é paz, é harmonia,
é diferente da paixão
quem tem amor na vida
tem em vida salvação

a razão, por sua vez,
não é amor nem é paixão
é a vida em linha reta
é a vida em construção
é a vida em equilíbrio
entre o sim e o não


Uma sugestão dou de graça para os donos das passarelas, de moda no Brasil e por aí afora:
Substituir as magrinhas pelas gordinhas gostosas. Sei, o tema é bom, mas acho que ainda não foi adotado.
O cocorococó Roberto Carlos chegou a compor uma música para as gordinhas, depois de ter em mãos uma pesquisa que dava conta de serem, elas, fabulosas, maravilhosas, sensíveis etc e tal. Ficaram felizes, e ele também, vendeu disco a dar com pau. Clique:





FEVEREIRO CHEGOU É BACO

Fevereiro deixa saudades....
O dia da saudade é em fevereiro, 29.
Saudade é uma palavra que se origina de uma língua morta, o latim.
Saudade é palavra, pois, de origem...
Não lembro bem, mas houve um lugar na Europa em que sindicatos e associações de tradutores escolheram as dez palavras ou expressões mais difíceis de serem traduzidas. Entre essas dez palavras ou expressões foi incluída a palavra saudade.
Deus do Céu, de fato como é difícil traduzir essa palavra...
Saudade do amor que partiu, saudade da palavra mal-dita, da palavra mal compreendida e depois aceita... saudade...
Saudade...
Quantos amigos queridos meus e de outrem falaram sobre saudade.
Todo dia é dia de saudade.
Eu perdi o meu amor, eu perdi o meu pai, eu perdi a minha mãe, eu perdi os meus irmãos, mas não perdi o senso...
Quem parte leva saudade...



Ando tenso, nervoso
perdido na cidade
sem saber o que fazer
Descompreendo o senso de verdade
Meu Deus o que é isso
Isso será saudade?

Tonto ando à toa
Perdido na realidade
Meu amor foi-se embora
Doeu no peito, é verdade
Deus do céu o que é isso?
Isso será saudade?

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

BRASIL FEVEREIRO DE INCÓGNITAS


Janeiro terminou com 12,3 milhões de brasileiros desempregados, pela irresponsabilidade e ladroagem de políticos que comandaram o Brasil entre FHC e Temer. Só em São Paulo, hoje, o número de desempregados beira os 2,5 milhões, sem contar os seus dependentes. Mas o Brasil é forte...
Um dia, há bem pouco, minha filha Ana encontrou-se com a minha amiga paraibana Luíza Erundina, deputada de vários mandatos por São Paulo, e dela ouviu: "o seu pai é um guerreiro".
É assim, nós, brasileiros, somos guerreiros de nós próprios, reconhecidos por amigos e vizinhos com poderes nas mãos...
Tem uma história de cego envolvendo parlamentares que eu, "guerreiro", contarei já já.
Janeiro de 2017 é defunto.
Não há confirmação na história sobre um dos maiores poetas portugueses que adotamos como brasileiro, Thomás Antonio Gonzaga...
Thomás Antonio Gonzaga, filho de brasileiro com portuguesa, formou-se no centro do saber do mundo: Coimbra.
Esse Gonzaga chegou ao Brasil pequenininho. Viveu sua infância em Recife e Salvador. Na adolescência voltou à terrinha. Depois voltou ao Brasil. Em Vila Rica, MG, ocupou o posto de ouvidor, de juiz ouvidor.
Tinha 20 e poucos anos.
E aí ele e mais alguns intelectuais de grana no bolso engendraram a conspiração que findou com o enforcamento e esquartejamento de Tiradentes.
Tiradentes caiu à toa.
Tiradentes foi um bode expiatório do movimento que teve como integrantes poetas incríveis como Thomás Antonio Gonzaga. É meu pensamento.
O belíssimo poema que dá título ao livro Marília de Dirceu nos traz a opinião de Thomás Gonzaga sobre Tiradentes. E é terrível. E é triste.
E eu e José Antonio Severo conversamos sobre a Inconfidência Mineira. Falei da beleza poética, do arcadismo muito bem representado por Thomás Gonzaga. E não vou mais me estender neste assunto. Leiam o livro Marília de Dirceu. Lindo. Marília era Maria Dorothéia Joaquina de Seixas. Morreu quando tinha 85 anos de idade, em 1853. Ele, Thomás, foi-se em 1810, com 66 anos.
Fevereiro começa com grandes nomes da vida brasileira nascendo, entre eles José Ramos Tinhorão.
O mais importante historiador do Brasil, Tinhorão, completará 89 anos de idade no próximo dia 07 de fevereiro. O Brasil tem que bater palmas para o Tinhorão... Ele é o maior.
Fevereiro começa bem...
Nesse mês temos também o aniversário do meu amigo querido Oswaldinho da Cuíca.
Nesse mês iremos falar de Clementina de Jesus, que conheci e entrevistei para o Jornal Folha de S.Paulo, quando desse jornal eu era repórter.
No comecinho dos anos de 1970.
A voz mais bonita, mais completa, mais carinhosa, mais mãe, mais vida, mais tudo: Clementina de Jesus.
Fevereiro é o mês mais curto do calendário gregoriano, mas é também o mês mais longo, mais bonito, mais completo no tocante a nascentes e morrentes da vida brasileira.



O Barão do Rio Branco dizia que o que há de mais organizado no Brasil é o Carnaval e a bagunça.

E O MAR DE MINAS, HEIN?



É bom demais falar de história, e por que não falamos de história?
O escritor paulista Monteiro Lobato cunhou uma frase que resume um ensinamento: "quem lê mais, sabe mais."
Somos uma nação nova, jovem, de poucas letras e saberes.
É preciso que conheçamos a nossa história, a nossa casa, o nosso País.
Conversar com pessoas que se interessam por história é muito bom.
Neste domingo 29, recebi a confortante visita do jornalista e historiador gaúcho José Antônio Severo, autor de livros fundamentais para o conhecimento da gente, do nosso povo, da nação brasileira.
Severo é autor do livro Senhores da Guerra, em dois volumes, que somam umas mil páginas, e que acaba de chegar às telas na forma de filme de longa metragem. Um épico.
Dessa vez, não falamos sobre a formação histórica do Rio Grande do Sul.
Falamos um tantinho assim sobre os portugueses, incluindo Dom Pedro, e do mar de Minas.
Essa história tem uns cem anos.
Essa história de o povo ter memória curta faz sentido, pois é prática dos nossos governantes apagar o que vem antes.
Exemplo: Dom João VI procurou apagar o antes dele no Brasil.
O mesmo fizeram os Pedros I e II e também o Marechal Deodoro, que foi posto para correr por seu vice, Floriano Peixoto. Um assassino.
A República Velha foi também praticamente apagada pelos poderosos d'antanho.
Ruy Barbosa, jurista e senador da primeira República, ministro da Fazenda de Deodoro, fez um monte de besteira ao apagar parte da história que tem como personagens de uma história feia os negros de África, comercializados como coisas e bichos até 1888, quando a princesa Isabel deu uma canetada os liberando para a vida sem grilhões e sem direitos...
Em 1880, Dom Pedro II assinou decreto cedendo terras para investidores da primeira estrada de ferro, a Bahia-Minas.
Em 1908, os investidores agraciados por esse decreto, faliram e o Banco de Crédito Real do Brasil ficou com as terras hipotecadas. Dois anos depois, foi a vez de esse Banco falir, e aí é quando entra na história o governo mineiro que adquiriu a papelada toda.
A Bahia-Minas, com ajustes aqui e ali, virou fantasma no começo dos anos de 1960.
De acordo com a papelada, caberia à Minas, o pedaço de terra em questão. Detalhe: se levada à risca a negociação histórica, os mineiros, por força de lei, teriam direito a um pedaço de mar. E esse pedaço de mar está bem ali no litoral Sul, no extremo Sul da Bahia dos baianos. Chama-se Caravelas, uma cidadezinha, bonita e aconchegante, habitada por umas  20.000 pessoas. Metragem? 142 km de extensão por 12 km de água adentro. Da região faz parte o distrito Ponta de Areia. Clique:




Pois é, meus amigos, minhas amigas, entendem quando eu digo que é bom falar de história?
No começo dos anos de 1970, o compositor mineiro Fernando Brant era repórter da revista O Cruzeiro, onde também trabalhei. E esse assunto, o do mar de Minas, ele trouxe à tona. Falou-se bastante a respeito à época, mas ficou tudo por isso mesmo. Houve uma troca de informações entre os governadores dos dois estados, uma comissão para estudar o caso foi constituída, mas ao fim e ao cabo Minas continua sem mar.
E aí Téo Azevedo?







POSTAGENS MAIS VISTAS